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O centenário de Nilton Santos, a 'Enciclopédia do Futebol'

Com informações da CBF
Foto: arquivo

Nilton Santos esteve em quatro Copas do Mundo

Dia 16 de maio de 2025, o centenário de Nilton Santos, um dos maiores ícones do futebol brasileiro e mundial. Conhecido como a "Enciclopédia do Futebol", Nilton foi um jogador revolucionário, que redefiniu o papel de um lateral-esquerdo e marcou sua época com talento, técnica e elegância.

Na Seleção Brasileira, Nilton Santos fez história ao disputar quatro Copas do Mundo (1950, 1954, 1958 e 1962), sendo bicampeão mundial nas edições de 1958, na Suécia, e 1962, no Chile. Sua atuação impecável em campo e seu espírito de liderança o tornaram uma figura emblemática nas conquistas que ajudaram a consolidar o Brasil como uma potência do futebol mundial.

Pelo Botafogo, clube onde passou toda a sua carreira, Nilton Santos escreveu uma trajetória lendária, vestindo a camisa alvinegra em mais de mil partidas. Conquistou inúmeros títulos, incluindo Campeonatos Cariocas e torneios nacionais e internacionais, sendo peça central de um dos períodos mais gloriosos da história do clube. Ao lado de craques como Garrincha e Didi, formou um dos times mais inesquecíveis do futebol brasileiro.

Além de suas conquistas, Nilton Santos será sempre lembrado por sua visão de jogo, lealdade e respeito dentro e fora das quatro linhas. Ele foi um precursor no avanço do lateral ao ataque, algo que se tornou essencial no futebol moderno. Sua genialidade lhe rendeu um lugar na história como um dos maiores defensores de todos os tempos, reconhecido por instituições como a Fifa e a IFFHS.


A CBF celebra o legado eterno de Nilton Santos, cuja vida e carreira são fontes de inspiração para todas as gerações. Seu nome está eternizado não apenas nos gramados, mas também no Estádio Nilton Santos, um dos palcos do futebol brasileiro que carrega sua alma e história.

O ex-jogador morreu no dia 27 de novembro de 2013, aos 88 anos, no Rio de Janeiro.

100 anos da resposta histórica do Vasco da Gama

Com informações de O Dia
Foto: arquivo

Time dos Camisas Negras, que foi campeão carioca em 1923

Neste domingo, dia 7 de abril, o Vasco celebra os 100 anos da Resposta Histórica, movimento marcante que fixou o nome do clube na luta contra a discriminação racial e social. O ato foi marcado por uma carta enviada pelo então presidente do clube, José Augusto Prestes, onde o clube se recusou a participar de uma nova liga formada no futebol carioca, que exigia a exclusão de jogadores pobres e negros do elenco. A atitude mudou todo o contexto da prática do futebol no Rio a partir de 7 de abril de 1924.

Início da luta contra o preconceito - Para explicar o contexto da Resposta Histórica, é preciso voltar ainda mais no tempo e entender como começou a luta do Vasco contra o preconceito. Fundado em 1898, inicialmente apenas para ser um clube de remo, o Cruz-Maltino passou a enfrentar, a partir de 1904, um aumento da perseguição aos seus atletas, que eram majoritariamente imigrantes portugueses e brasileiros de baixa condição social, empregados como atendentes de balcão no comércio do Rio de Janeiro.

Naquele ano, a Federação Brasileira das Sociedades do Remo aplicou regras mais rígidas para inscrição de atletas, proibindo a participação daqueles que "exercem qualquer profissão ou emprego que não esteja de acordo com nível moral e social em que deve ser mantido o esporte náutico". Em 1907, com a tentativa da federação de endurecer ainda mais o regulamento, o Vasco se posicionou contra a exclusão dos atletas.

"A Federação saltando por cima d’essas qualidades e direitos, decretou a exclusão d’esses amadores que são, entre outras, os que exercem profissões em casas de seccos e molhados, confeitarias etc. A opposição a essa lei por parte da nossa representação foi titanica e apezar de vencidos pelo voto fomos vencedores, pois os legisladores victoriosos não tiveram a força precisa para a tornar em facto”.

Início do futebol - Com sua inserção do futebol, no dia 26 de novembro de 1915, o Vasco seguiu na luta contra o preconceito. Após filiar-se à Liga Metropolitana para disputar a Terceira Divisão e ter um início ruim na modalidade, o clube encontrou no subúrbio carioca a oportunidade de se firmar no esporte, através de outras ligas e jogadores de origem mais humilde.

Nos anos seguintes, o Vasco conseguiu se consolidar no futebol e foi crescendo no esporte. Em 1922, conquistou a Série B da Primeira Divisão, que abriu caminho para o primeiro título carioca do clube, no ano seguinte.

Camisas Negras - Em 1923, o Vasco foi campeão carioca com o elenco que ficou conhecido como Camisas Negras, formado em sua maioria por jogadores oriundos de clubes menores e de áreas mais humildes da cidade, assim como negros e operários - o que, naquele tempo, seguia caminho oposto dos principais times.

O apelido surgiu após uma sequência de vitórias contra Fluminense, Flamengo, Botafogo e America, que na época eram considerados "clubes de elite". O time ficou marcado por sua imponente camisa preta, ainda sem a faixa diagonal, com a gola branca e a cruz vermelha no peito. Naquele Campeonato Carioca, na época organizado pela Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT), o Vasco teve uma campanha histórica, com 11 vitórias, dois empates e apenas uma derrota.

O que foi a Resposta Histórica - Em 1924, o Vasco vinha de uma campanha brilhante consagrando o título do Campeonato Carioca do ano anterior com os Camisas Negras. Na época, rivais do Gigante da Colina se desvincularam da Liga Metropolitana e fundaram a Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA), encabeçada por Botafogo, Flamengo, Fluminense, America e outros clubes da elite. O Vasco foi convidado, mas com uma condição que provocou toda a luta do clube - esta eternizada.

Os líderes aceitaram a inscrição do Club de Regatas Vasco da Gama, mas desde que 12 atletas fossem retirados da lista, sendo sete do elenco principal e cinco do segundo plano. Todos eles eram de classes sociais mais populares ou negros e trabalhadores de fábricas, balcões, ou informais.

A base do elenco campeão do ano anterior, portanto, não poderia ir a campo para defender o troféu diante dos rivais locais. Ainda com argumento do lado contrário de um estádio precário e que não honrava a AMEA, veio, então, um comunicado do presidente José Augusto Prestes retirando a intenção de participação do Estadual sob a gestão de uma nova Liga.

"Estamos certos que V. Exa. será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno da nossa parte, sacrificar ao desejo de fazer parte da A.M.E.A., alguns dos que lutaram para que tivéssemos entre outras vitórias, a do Campeonato de Futebol da Cidade do Rio de Janeiro de 1923."


O ingresso do Vasco no torneio da AMEA foi aprovado para a edição de 1925, tendo o Cruz-Maltino os mesmos direitos das associações fundadoras e sem empecilhos quanto à formação de elenco. Neste momento, o clube foi dado como vitorioso em uma batalha contra o preconceito no esporte, que assombrava o Brasil no início do século XX, abrindo caminhos para que outros clubes e modalidades também contassem com pessoas de classes sociais mais baixas, negros e trabalhadores - que não da alta sociedade.

A Resposta Histórica do Vasco em 7/4/1924

"Rio de Janeiro, 7 de Abril de 1924.

Officio No 261

Exmo. Snr. Dr. Arnaldo Guinle,
D. Presidente da Associação Metropolitana de Esportes Athleticos.

As resoluções divulgadas hoje pela Imprensa, tomadas em reunião de hontem pelos altos poderes da Associação a que V. Exa. tão dignamente preside, collocam o Club de Regatas Vasco da Gama numa tal situação de inferioridade, que absolutamente não pode ser justificada, nem pelas defficiencias do nosso campo, nem pela simplicidade da nossa séde, nem pela condição modesta de grande numero dos nossos associados.

Os previlegios concedidos aos cinco clubs fundadores da A.M.E.A., e a forma porque será exercido o direito de discussão a voto, e feitas as futuras classificações, obrigam-nos a lavrar o nosso protesto contra as citadas resoluções.

Quanto á condição de eliminarmos doze dos nossos jogadores das nossas equipes, resolveu por unanimidade a Directoria do C.R. Vasco da Gama não a dever acceitar, por não se conformar com o processo porque foi feita a investigação das posições sociaes desses nossos consocios, investigação levada a um tribunal onde não tiveram nem representação nem defesa.

Estamos certos que V. Exa. será o primeiro a reconhecer que seria um acto pouco digno da nossa parte, sacrificar ao desejo de fazer parte da A.M.E.A., alguns dos que luctaram para que tivessemos entre outras victorias, a do Campeonato de Foot-Ball da Cidade do Rio de Janeiro de 1923.

São esses doze jogadores, jovens, quasi todos brasileiros, no começo de sua carreira, e o acto publico que os pode macular, nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que elles com tanta galhardia cobriram de glorias.

Nestes termos, sentimos ter que comunicar a V. Exa. que desistimos de fazer parte da A.M.E.A.

Queira V. Exa. acceitar os protestos da maior consideração estima de quem tem a honra de subscrever.

De V. Exa. Atto Vnr., Obrigado.

(a) José Augusto Prestes
Presidente"

Há 100 anos, nascia Paulo Amaral, pioneiro na preparação física no futebol

Foto: arquivo

Paulo Amaral nasceu há 100 anos

Um dos principais nomes das comissões técnicas brasileiras nas Copas de 1958 e 1962, ambas vitoriosas, o saudoso preparador físico e treinador Paulo Amaral nascia há exatos 100 anos. Infelizmente ele nos deixou em 1º de maio de 2008, aos 84 anos, e já estava aposentado.

O ‘Sargento de Ferro’ trabalhou na temida Polícia Especial do Presidente da República Getúlio Vargas. Paulo Amaral e Mário Vianna, ‘com 2 enes’, aquele que tão bem representou a arbitragem brasileira nos Mundiais de 1950 e 1954, patrulhavam o Rio de Janeiro, então Capital Federal do país, com suas possantes Harley-Davidson, sempre em dupla. Cabeças raspadas à navalha, fato raro na época, usavam boinas vermelhas. Eram famosos, mas também temidos, principalmente quando rondavam pela Lapa.

Paulo Amaral tinha 36 anos quando a Seleção Brasileira, já tendo conquistado a Copa na Suécia, enfrentou o Uruguai, no Estádio Monumental de Nuñez, pelo Sul-Americano de 1959. Nesse jogo estourou um dos maiores conflitos da história do futebol. Brigaram jogadores, reservas e comissões técnicas. Almir Pernambuquinho, que substituía Vavá, chocou-se com o goleiro adversário e foi agredido pelo zagueiro Martinez.

Nisso, revidou no ato. Pelé tomou as dores e o zagueiro Orlando Peçanha entrou na confusão. Didi apareceu, acredite, dando voadoras. A polícia, preocupada em impedir a invasão dos torcedores argentinos, deu as costas para a batalha campal. Surgiu, então, o imponente Paulo Amaral, derrubando um a um que lhe aparecesse à frente com socos. Até os brasileiros se assustaram. Paulo Amaral, Didi e Paulo Valentim, foram os que mais bateram e apanharam. No reinício do jogo, o Brasil venceu por 3 a 1: três gols de Paulo Valentim.

Paulo nasceu no Rio de Janeiro, no dia 18 de outubro de 1923 e foi considerado um pioneiro na profissão, já que exerceu o papel de primeiro preparador físico específico da nossa seleção, no próprio Mundial da Suécia. Também trabalhou no Mundial de 1962, no Chile, onde o Brasil conquistou o bicampeonato, e de 1966, na Inglaterra.

Depois, Paulo Amaral chegou a trabalhar como técnico profissional. Passou pelo Bahia, Botafogo e Corinthians, no Brasil, por Juventus e Genoa, na Itália, e por Porto, em Portugal. Segundo informações do "Almanaque do Corinthians", de Celso Unzelte, Paulo Amaral dirigiu a equipe alvinegra em 28 jogos (16 vitórias, quatro empates e oito derrotas), em 1964. Saiu do Parque São Jorge porque o convite do Genoa foi tentador.


O velório de Paulo Amaral, em 2008, aconteceu no Cemitério do Caju, no Rio, mesmo lugar onde o corpo do famoso preparador físico foi sepultado. Uma bandeira do Botafogo foi colocada sobre o caixão do inesquecível preparador físico.

"Nunca sofri uma distensão muscular nos tempos de Botafogo. Era um excelente profissional. O nome do Paulo Amaral ficará sempre marcado na história do futebol brasileiro", conta o ex-craque Amarildo, que trabalhou com Paulo Amaral na década de 60.

Cem anos do rádio no Brasil: as primeiras jornadas esportivas

Com informações da Agência Brasil
Foto: reprodução


O jogo amistoso entre as seleções do estado de São Paulo e do Paraná realizado no dia 19 de julho de 1931 cairia, com toda certeza, no esquecimento dos amantes do futebol se não fosse um detalhe: foi neste dia que a Rádio Educadora Paulista transmitiu, por meio de Nicolau Tuma, a primeira partida completa de futebol da história do Brasil com a identidade que conhecemos.

É fato que há registros datados da década de 1920 de transmissões esportivas no Rio de Janeiro. Porém, pesquisadores apontam que a narração de Tuma pode ser considerada como marco nas transmissões esportivas do Brasil por ser uma narração completa, lance a lance. Em depoimento veiculado em programa especial da Rádio MEC sobre 100 anos de rádio no Brasil, o próprio Nicolau falou da importância da data:

Havia transmissões, mas transmissões do que? Era uma reportagem feita no campo. Não com aquela rapidez, velocidade de acompanhamento da bola. Eu comecei isso em 1931, a reportagem "tim-tim por tim-tim", passe por passe, diretamente transmitida por imagem, com emoção de torcedor, de quem acompanha a bola e gol. O gol, então, é uma delícia.

"Imagine uma caixinha de fósforo ou um retângulo. Divida ao meio e teremos os dois lados do campo". Era essa a alusão utilizada pelo Nicolau Tuma para começar a narrar a partida, que terminou 6 a 4 para os paulistas”, conta o jornalista e pesquisador Bruno Micheletti. Foram com palavras como estas que o locutor fez com que a imagem de uma partida de futebol fosse criada nas mentes dos ouvintes no início dos anos 30.

O que basicamente se tinha nos anos de 1920, no rádio, eram notícias sobre os jogos, geralmente se fazia a leitura de telegramas que chegavam às rádios com informação sobre resultados. No Rio de Janeiro, Amador Santos é um nome que se destaca na história das transmissões esportivas. Esse narrador segundo relatos da época possuía um estilo calmo de narrar e enfrentou muita resistência por parte de dirigentes de clubes do Rio de Janeiro.

Essa resistência se deve ao fato de se temer que as transmissões por rádio fizessem com que o público deixasse de frequentar os estádios, o que traria prejuízo financeiro devido à queda de arrecadação na venda de ingressos. Há autores sobre a história do rádio no Brasil que creditam a Amador Santos a primeira transmissão esportiva do país que teria sido feita pela Rádio Clube do Brasil, o que teria acontecido ainda nos anos de 1920.

Porém, a autora Edileuza Soares no seu livro A Bola no Ar, demonstra, a partir de cuidadosa coleta de dados, que o pioneirismo cabe a Nicolau Tuma em São Paulo. Em 1931 Nicolau Tuma faz a primeira transmissão direta de futebol, uma transmissão de lance a lance do jogo. Ele é o primeiro locutor a transmitir durante 90 minutos uma partida de futebol diretamente do estádio. E assim é lançada essa possibilidade, construindo desse modo, no Brasil, a tradição de se transmitir jogos ao vivo. Tradição que obviamente foi se modificando à medida que novas técnicas narrativas e de transmissão radiofônica.

É possível que tenha havido outros locutores que tenham feito transmissões, antes de Nicolau Tuma, mas a diferença fundamental da transmissão feita por Nicolau reside no fato de ter narrado lance por lance de um jogo. O jogo em questão foi uma disputa entre as seleções dos estados de são Paulo e Paraná, ocorrido no campo da Chácara da Floresta, em São Paulo. Nicolau é um pioneiro na criação de uma técnica de se narrar futebol enquanto a partida era realizada.

Com limitações técnicas, Nicolau Tuma e outros locutores dos primórdios tiveram que realizar verdadeiros malabarismos para transmitir as partidas. Na época, as intempéries para quem queria transmitir um jogo de futebol não eram poucas.

“Não era fácil de conseguir uma linha telefônica para se fazer uma transmissão. Às vezes era necessário contar com ajuda da vizinhança ao redor dos estádios que pudessem ceder uma linha telefônica. Enfim, a gente estava longe de ter condições razoavelmente apropriadas para transmissão em um estádio”, conta a professora e pesquisadora de esporte Leda Maria da Costa.

Em alguns casos, sequer era permitido entrar nos estádios. A proibição gerou situações pitorescas. Ainda nos anos 1930, o locutor Amador Santos chegou a ter que transmitir uma partida de futebol (um clássico entre Flamengo e Fluminense), de acordo com o livro “Bastidores do Rádio: Fragmentos do Rádio de Ontem e de Hoje", do radialista Renato Murce, do telhado de um galinheiro dos arredores do estádio de São Januário, no Rio de Janeiro.

Na hora da locução, também havia obstáculos. O locutor não tinha a figura do repórter e do comentarista e não havia espaço para publicidade no meio das partidas. Essas limitações eram dribladas pela criatividade de quem transmitia e ajudaram Nicolau Tuma a moldar o estilo radiofônico que conhecemos hoje.

“A preocupação do Nicolau era que tinha que preencher todo o tempo da transmissão com palavras por que ele imaginava que qualquer momento de silêncio poderia fazer com que as pessoas desligassem o rádio ou mudassem de estação”, conta Leda Maria da Costa. O ritmo frenético chegava a 250 palavras ditas, de forma clara, por minuto.


O professor e pesquisador Márcio Guerra destaca o pioneirismo da forma de narrar do locutor, que a partir de 1932 passaria a se destacar na Rádio Record de São Paulo: “Foi o primeiro narrador a dar o ritmo que a gente conhece hoje nas coberturas esportivas pelo rádio. Foi por isso que recebeu o nome de speaker metralhadora”, diz.

O que era desconfiança no começo passou, mesmo com os contratempos, a cair no gosto das pessoas. O espaço esportivo passou (no período do início da profissionalização e autorização da publicidade radiofônica) a atrair anunciantes e, consequentemente, recursos. Nesta evolução, o ano de 1938 foi um marco.

Uruguai, Argentina, Chile e Paraguai anunciam candidatura conjunta para a Copa do Mundo de 2030

Com informações do Extra
Foto: divulgação Conmebol


Nesta terça-feira (2), a Conmebol anunciou no Museu do Futebol do Estádio Centenário de Montevidéu, a candidatura conjunta de quatro países para sede da Copa do Mundo de 2030: Uruguai, Argentina, Chile e Paraguai. Com o lema "Juntos 2030", os países prometem o que seria uma espécie de "candidatura única" da América do Sul.

Na cerimônia estiveram diferentes atores esportivos e políticos, como o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, o presidente uruguaio Luis Lacalle Pou, e outros líderes políticos argentinos, chilenos e paraguaios, entre ministros de estado e presidentes de federação. A cerimônia foi realizada no Estádio Centenário, para lembrar da Copa do Mundo de 1930, a primeira da história, realizada no Uruguai.

Alejandro Domínguez (C), presidente da Conmebol, durante anúncio da candidatura

"Não temos grandes recursos financeiros, mas vamos recorrer à história", foi uma das frases do ato. Além disso, destaca-se o lema “Juntos 2030”, com a bandeira dos países envolvidos naquela que seria a futura organização do evento. Do outro lado do Oceano Atlântico, Espanha e Portugal aparecem como concorrentes diretos dos postulantes sul-americanos, além da candidatura conjunta de Grécia, Bulgária, Romênia e Sérvia, e das candidaturas singulares de China e Marrocos.

O presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, tratou a candidatura como um sonho: — É o sonho de um continente. De um povo uruguaio, compartilhado por outros três povos. A América do Sul entende que o futebol tem que se reconhecer e não se disputar. Haverá mais Copas do Mundo, mas 100 anos só se cumprem uma vez e tem que voltar para casa. É motivo mais do que suficiente para a FIFA aceitar que seja uma candidatura única. Com o passar dos anos haverá outras possibilidades para outros continentes — disse o chefe máximo da entidade.


Quase todos os países tem experiência em organização de Mundiais, tendo o Uruguai organizado a Copa do Mundo de 1930, o Chile a de 1962, e a Argentina a de 1978. Apenas o Paraguai nunca realizou uma Copa. O Mundial retornaria assim, a América do Sul, depois de 16 anos da edição de 2014, em que o Brasil foi a sede. A FIFA deve anunciar a sede para a Copa do Mundo de 2030 em novembro de 2024, de acordo com informações do Ovación.

Centenário de Lula, o técnico mais vitorioso do Santos FC

Com informações do Santos FC
Foto: arquivo

Lula conquistou 38 títulos com o Santos

Natural de Santos, Lula nasceu em uma quarta-feira, 22 de fevereiro de 1922, alguns dias depois do término da Semana de Arte Moderna, que aconteceu em São Paulo, no Teatro Municipal da cidade. Descendente de espanhóis, em sua juventude jogava como lateral sem muito destaque e para sobreviver trabalhava como funcionário de uma distribuidora de leite, dai veio o apelido de leiteiro.

Também não foi taxista, ao contrário do que dizem alguns antigos torcedores. Quem tinha essa profissão era seu irmão que durante muitos anos dirigiu o táxi levando os jogadores do Santos para partidas em São Paulo e no interior paulista.

Lula começou a se interessar por treinar equipes amadores da várzea de Santos times como o Palmeirinha e a Americana conhecida como “A Fidalga” cujo campo ficava próximo ao estádio Urbano Caldeira e, que por muitas vezes foi usado para treinos do Santos.

A Associação Atlética Americana fundada em 14 de julho de 1914 por jogadores dissidentes do Alvinegro, entre eles Raymundo Marques, um dos principais mentores da fundação do Peixe. O estádio Alpheu Paim foi inaugurado pelo Santos no dia 15 de março de 1925.

Lula trabalhou também na base da Portuguesa Santista despertando o interesse da diretoria do Santos que no dia 23/01/1949 foi nomeado como sub-diretor de futebol amador. Era o começo de sua identificação com o clube.

No dia 13 de maio de 1952, ele assinava o seu primeiro contrato como profissional do Santos para trabalhar com as equipes amadoras do Alvinegro. Ele dirigiu pela primeira vez a equipe titular em substituição a Aymoré Moreira, técnico efetivo do Santos que fora servir a Seleção Paulista. Nessa participação como técnico interino o Santos venceu o São Paulo por 1 a 0, no Pacaembu, com gol de Alemão no dia 03 de junho de 1952. Nesse jogo o time jogou com Luis, Olavo (Diogo) e Expedito; Nenê, Formiga e Pascoal; Cento e nove (Hugo), Dedeco, Alemão, Nicácio e Canhoto (Chiquinho).

Em seguida ele dirigiu outra partida amistosa diante do mesmo São Paulo, na Vila Belmiro, com o adversário vencendo por 2 a 0.

Sua efetivação como técnico do time principal ocorreu em 5 de junho de 1954, um sábado, quando o Santos, brilhantemente venceu o Botafogo de Garrincha, no Maracanã, por 3 a 2, pelo Torneio Rio-São Paulo. Essa partida foi também a primeira vitória do Peixe no estádio do Maracanã.


Com um olho clínico invejável, Lula descobriu e lançou no time profissional do Santos uma constelação de jogadores geniais, de Del Vecchio, Pepe, Pelé e Coutinho no final dos anos 50, a Joel Camargo, Clodoaldo e Edu na década seguinte.

Coutinho foi uma de suas principais revelações, após ver um jogo do centroavante em Piracicaba, o chamou para treinar alguns dias na Vila Belmiro, e bancou sua contratação. Sua confiança em Coutinho era tão grande, que promoveu sua estreia no principal quando o jovem ainda tinha 14 anos, 11 meses e 7 dias.

A última vez que Lula entrou em campo como treinador santista foi em 19 de dezembro de 1966, uma segunda-feira, na vitória por 3 a 0 sobre a Prudentina, pelo Campeonato Paulista, na Vila Belmiro. O centroavante Toninho Guerreiro marcou os três gols santistas e o time formou com Cláudio; Zé Carlos, Modesto e Geraldino; Lima e Orlando; Amauri, Joel Camargo, Toninho, Dorval e Abel.

Lula conquistou 38 títulos pelo Santos. Ao sair, foi substituído por Antônio Fernandes, o Antoninho, ídolo santista dos anos 40. É o técnico que mais vezes venceu o campeonato paulista, ao todo foram oito conquistas. Dirigiu o time em 942 oportunidades tendo ganho 619 partidas e empatado 144 e perdido 179 partidas.

Quando deixou o clube, em seu lugar assumiu o técnico auxilar Antônio Fernandes, o Antoninho que deu continuidade nas conquistas do time, no cargo Antoninho permaneceu até 1971.

Após deixar o Alvinegro, Lula dirigiu o Corinthians, Portuguesa, Portuguesa Santista e Santo André, seu último clube. E curiosamente foi com ele como treinador do arquirrival do Santos que ele quebrou o famoso tabu, período em que o Peixe ficou 11 anos sem perder para o seu rival.

O brilhante comentarista esportivo e compositor santista Ricardo Peres Neto, tem orgulho de comentar que seu avô Ricardo Peres era primo direto do técnico Lula, esse seu parente também foi treinador de futebol e dirigiu por algum tempo a equipe da AA Americana e era muito amigo do Lula, com o qual sempre discutia esquemas táticos das equipes as quais comandavam.


Curiosamente por serem os familiares do Ricardo Peres Neto e do técnico Lula oriundos da Espanha, a letra Z no final do sobrenome Perez permaneceu nos familiares do Lula como Perez e nos descendentes brasileiros do compositor foi substituída pela letra S.

Segundo contou José Macia, o Pepe, Lula era muito supersticioso e também precavido, pois antes de partidas importantes e decisivas o treinador que era chamado no elenco de “Bonachão”, costumava visitar na Vila Melo, em São Vicente, a mãe de santo de nome Ludovina e dela recebia conselhos e proteção para ele e para o time também.

Lula faleceu no dia 15 de junho de 1972, aos 50 anos de idade quando teve infecção generalizada decorrente de um transplante de rim ao qual foi submetido.

100 anos de Zizinho, o craque que foi ídolo do Rei

Com informações da CBF
Foto: arquivo

Zizinho é um dos maiores ídolos da história do Bangu

O futebol brasileiro celebra hoje o centenário de uma lenda eterna. Nesta terça-feira, 14 de setembro de 2021, Zizinho completaria 100 anos de vida. É dia de exaltar a memória de um craque, um dos maiores jogadores da história da Seleção Brasileira, que serviu de inspiração para o Rei.

Além dos grandes feitos dentro de campo, Zizinho é conhecido também por ter sido a grande referência de ninguém menos do que Pelé. Quando ainda era jovem, o pequeno Edson se inspirava no Mestre Ziza para ser jogador de futebol. Era o jogador favorito do Rei e de todo o povo brasileiro.

Natural de Sâo Gonçalo (RJ), Zizinho passou a primeira década de sua carreira como jogador do Flamengo. No Rubro-negro, foi a principal referência no time que se imortalizou por conquistar o primeiro tricampeonato carioca da história do Fla. Virou ídolo da torcida, que até hoje tem no "Mestre Ziza" um dos maiores jogadores que já atuaram no clube.

Graças ao bom desempenho com a camisa do Flamengo, conquistou sua primeira oportunidade na Seleção Brasileira, no início da década de 40. Foi pilar fundamental da Canarinho, em uma época que, por conta da Segunda Guerra Mundial, duas edições de Copa do Mundo não foram realizadas. Nesse meio tempo, conquistou a Copa Rocca (1945) e o Sul-Americano (1949).

No início de 1950, já estabelecido como um dos grandes craques do futebol brasileiro, Zizinho se transferiu para o Bangu. Como jogador do time de Moça Bonita, foi convocado para a disputa da Copa do Mundo de 1950, no Brasil. Ele não atuou nos dois primeiros jogo, mas fez valer a espera por sua estreia. Marcou dois gols na competição e foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo.

Sua atuação de maior destaque foi na goleada por 6 a 1 sobre a Espanha. Mesmo com um jogador a menos, a Seleção Brasileira se impôs sobre a Fúria e demonstrou porque era uma das favoritas ao título na Copa. O triunfo sobre os espanhóis foi embalada por uma marchinha de carnaval, que é popular até os dias de hoje nas ruas do Rio de Janeiro. Enquanto a Seleção goleava, o Maracanã lotado cantava: "Eu fui às touradas em Madri, parara-tim-bum".

Depois do vice-campeonato mundial, Zizinho ainda venceu a Copa Rio Branco, o Campeonato Pan-Amaericano, a Taça Bernardo O'Higgins, a Taça Oswaldo Cruz e a Taça do Atlântico com a Seleção Brasileira. O meia-atacante defendeu o Bangu até 1957, quando migrou para o São Paulo, onde se tornaria ídolo também.


Antes de pendurar as chuteiras, Zizinho também vestiu as camisas de Uberaba e Audax Italiano. Após a aposentadoria, voltou a se encontrar com a história da Seleção Brasileira em 1975. Naquele ano, treinou a Amarelinha na conquista do ouro dos Jogos Pan-Americanos de 1975, na Cidade do México.

No dia em que Zizinho completaria 100 anos de idade, a CBF manifesta a imensa gratidão que todo o futebol brasileiro tem por um de nossos maiores craques. O Mestre Ziza estará, para sempre, no altar do nosso futebol, um cidadão ilustre no reinado de seu maior fã. Obrigado, Zizinho!

O centenário do Cruzeiro - Quando ainda se chamava Palestra Itália

Com informações do GE.com
Foto: arquivo

Time tricampeão mineiro

Em 02 de janeiro de 1921, na rua Tamoios, em Belo Horizonte, nascia a Societá Sportiva Palestra Itália. Chamado de Palestra Mineiro, tornou-se o clube da colônia italiana em Minas. A primeira sede foi nos arredores da Praça Sete. O Palestra usava uniforme verde e branco, posteriormente com detalhes em vermelho, em alusão à bandeira italiana, o que durou até a década de 1940.

O primeiro jogo da história foi vitória por 2 a 0 diante de um combinado do Villa Nova e do Palmeiras. Dois gols de Nani. O primeiro clássico contra quem se tornaria seu arquirrival – Atlético-MG – foi logo depois e também com vitória palestrina: 3 a 0, dois de Atílio e um de Nani.

Em dezembro de 1921, o clube recebeu o terreno no bairro Barro Preto – hoje o Parque Esportivo, em Belo Horizonte – para a construção do “estadinho”. As obras começaram em julho do ano seguinte. Também em 1922, o ainda Palestra disputou a primeira final da história, perdendo para o América-MG.

Em 1925, o Cruzeiro tem a primeira reforma do seu estatuto, que eliminou a restrição de o clube apenas ter italianos. Em 1926, o Palestra foi punido por seis meses por participar de um amistoso com o Caçavapense-SP, sem permissão da Liga mineira. No mesmo ano, o clube se junta a outros e forma a Associação Mineira de Esportes Terrestres e, com isso, é excluído da Liga Mineira. Nele, conquista o torneio de 1926, com uma goleada por 10 a 1. No ano seguinte, as duas associações se uniram. Também nesse ano ocorreria a maior goleada da história sofrida para o Atlético-MG: 9 a 2, pelo Campeonato da Cidade.

Em 1928, o Cruzeiro faz as primeiras contratações da história, entre eles o primeiro estrangeiro – Gutiérrez, um uruguaio. Matturio Fabbi passa a ser o primeiro treinador da história do Palestra. Até então, o time era escalado pelo capitão e pela diretoria de futebol.

No mesmo ano, o clube tem a maior goleada da sua história: 14 a 0 sobre o Alves Nogueira, pelo Campeonato da Cidade. Ninão marcou 10 gols e se tornou o jogador a fazer mais gols em uma única partida no futebol brasileiro e também o artilheiro com mais gols em uma edição estadual (43).


No mesmo ano, o Cruzeiro teve o primeiro título mineiro reconhecido pela FMF, após goleada por 6 a 1 sobre o Villa Nova, em jogo já disputado em 1929. Seria o primeiro do tricampeonato. Em 1929, o clube conquistou o título com 100% de aproveitamento em cima do rival Atlético-MG, após goleada por 5 a 2. O tri foi completado com outra campanha 100% e uma goleada por 8 a 0 sobre o Sete, no jogo que valeu o título.

Nestes primeiros 10 anos, surgiram os primeiros grandes jogadores da história do Cruzeiro, como o goleiro Geraldo, que atuou no clube desde a função até a década de 1940. A dupla da família Fantoni (os irmãos Niginho e Ninão, além do primo Nininho). O Cruzeiro também teve importantes artilheiros como Bengala e Carazzo, entre outros grandes jogadores da época.

Estádio Ulrico Mursa - 100 anos da casa da mais Briosa

Foto: Arquivo e Divulgação

Dois momentos do estádio: em 1928 e atualmente

Este 5 de dezembro de 2020 é uma data especial para a Associação Atlética Portuguesa. O Estádio Ulrico Mursa, a casa da mais Briosa, está completando 100 anos de fundação. Um local mítico, sendo um dos campos mais tradicionais do futebol paulista, quiçá brasileiro e mundial.

O Estádio foi inaugurado em 5 de dezembro de 1920, em um amistoso onde a Portuguesa Santista goleou o Sírio pelo placar de 6 a 0. Porém, a luta da Briosa para conseguir a sua praça de esportes foi difícil. Porém ela começou a ser concretizada quando o engenheiro Ulrico Mursa, fluminense de nascimento, português de sangue, e diretor da Companhia Docas, que cuidava do Porto de Santos, cedeu o terreno para o clube. E assim nascia o campo que recebeu o nome de seu benfeitor.


Aliás, o Estádio Ulrico Mursa teve pioneirismos. O primeiro deles foi em 1928, quando construiu-se uma arquibancada com blocos, cimento e cobertura. Naquela época, pavilhões deste tipo eram apenas de madeira. E esta arquibancada acabou sendo a primeira de alvenaria da América Latina.

Dez anos depois, a Portuguesa Santista ainda conseguiu uma nova proeza. Foi um dos primeiros clubes a ter em seu estádio um sistema de iluminação, bancado através de campanhas realizadas pela própria torcida. Para marcar a ocasião, a Portuguesa Santista enfrentou o Vasco da Gama, a qual perdeu por 5 a 4.


O Estádio Ulrico Mursa ainda teve mais dois sistemas de iluminação: o segundo, inaugurado em 1958, em um amistoso contra o Santos, e o terceiro, que funciona até os dias de hoje, colocado para funcionar pela primeira vez em uma vitória contra o São Paulo, por 3 a 1, no Campeonato Paulista de 2000.

O primeiro jogo interestadual do estádio aconteceu em 8 de dezembro de 1925, em uma vitória da Briosa por 3 a 2 sobre o Botafogo do Rio. Já a primeira partida internacional ocorreu menos de um ano depois. Em 8 de setembro de 1929, a Portuguesa goleou o Vitória de Setúbal por 4 a 0. Já o primeiro embate contra o rival Santos no campo foi em 11 de março de 1923 e deu Briosa: 1 a 0.

Ulrico Mursa - Nascido em Niterói, no dia 18 de abril de 1862, foi um engenheiro e diretor da Companhia Docas de Santos. Em 1882, estudou engenharia na Universidade de Karlsruhe, em 1884 na Universidade de Braunschweig e na Universidade de Hanôver. Ao regressar ao Brasil, Mursa participou da fundação da Cia. Docas de Santos, inaugurada em 1892, além da construção da represa do Açude do Cedro, e da açudagem do Porto de Santos e do Porto de Belém.


Mursa foi associado benemérito e o primeiro presidente da Associação Beneficente dos Empregados da Companhia Docas de Santos, uma associação dos empregados da Docas. Ele era membro do conselho geral da Associação Protetora da Infância Desvalida. Sendo um dos maiores benfeitores da Associação Atlética Portuguesa, Mursa doou em 1914 a área usada para a construção do estádio da Portuguesa, que começou em 1917 e inaugurado em 1920, tendo sido por isso homenageado com o seu nome dado ao estádio e a uma avenida de Santos.

Comemoração - A Diretoria da Briosa pretendia comemorar em grande cerimônia essa importante data para a agremiação. No entanto, dado ao aumento dos casos de Covid-19, no melhor uso do bom senso, achamos por bem aguardar um melhor momento para essa celebração.

Jornalistas e torcedores ilustres elegem a Portuguesa de todos os tempos

Por Raoni David / FPF


Eleger a seleção dos melhores de um clube que completa 100 anos é um grande desafio. Ao mesmo tempo, porém, é a oportunidade de contar a sua história, lembrar glórias e derrotas, além de outros tantos nomes que ficam fora do 11 ideal, mas que são tão importantes quanto os que nele figuram. Com ajuda de jornalistas e torcedores ilustres da Portuguesa, chegamos ao que seria o melhor time de todos os tempos do clube.

Montado num hipotético 4-3-3 clássico, o melhor 11 da história da Portuguesa seria bastante ofensivo, versátil e rápido. Prova disso é que Enéas, Ivair e Dener, recebem vários votos como meio-campistas e como atacantes. O mesmo acontece com Brandãozinho, lembrado como zagueiro e volante.

Outra peculiaridade são as várias épocas retratadas no time escolhido como ideal. Representantes de grandes equipes lusas na década de 1950, Djalma Santos, Brandãozinho e Pinga ganham a companhia de jogadores que atuaram até a década de 1990, como Zé Roberto, Capitão e Dener.

“Um timaço deste na seleção do Centenário é sinal de que a Portuguesa é um time que não só revelou grandes jogadores, mas que também grandes jogadores vieram jogar na Portuguesa. Craques memoráveis do futebol brasileiro”, salientou o presidente do clube, Antônio Carlos Castanheira. “Fico orgulhoso de presidir a Portuguesa num momento como este, e isso só nos motiva a cada vez mais pra fazer o melhor”, completou Castanheira.

A Seleção do Centenário - O goleiro é Félix. Com oito dos 16 votos, o titular da campanha da Seleção Brasileira no tricampeonato Mundial no México, em 1970, teve duas passagens pelo time do Canindé. Primeiro entre 1955 e 1957, antes de passar três temporadas emprestado ao Nacional. De volta, atuou entre 1961 e 1968, antes de ir para o Fluminense, clube pelo qual foi convocado à Copa. Na Lusa fez 305 jogos com 147 vitórias, 87 derrotas e 71 empates.

Toda vitalidade exigida a um lateral direito era ponto fundamental em um dos maiores e pioneiros da posição. Djalma Santos foi bicampeão do Mundo com a Seleção Brasileira em 1958 e 1962 e se destacou em mais de uma década com a camisa rubro-verde. Atuou pela equipe de 1948 a 1959 e conquistou dois Torneio Rio-SP em 434 jogos com 229 vitórias, 129 derrotas, 76 empates e 33 gols marcados.


De passagem breve pelo clube, Luis Pereira marcou e garantiu lugar na defesa da seleção lusa. Ídolo do Palmeiras e com história destacada no Atlético de Madrid, da Espanha, Luis Pereira chegou ao Canindé em 1985, já com 36 anos. Fez parte do time que chegou à decisão do Campeonato Paulista -derrotado pelo São Paulo- e jogou 59 vezes com 24 vitórias, 22 empates e 13 derrotas, tendo anotado três gols.

Contemporâneo de Djalma Santos na Lusa, Brandãozinho é um versátil defensor do que pode ser considerado o melhor time da história do clube. Atuando principalmente como médio-volante, também foi utilizado na zaga em diversos momentos, tanto que seus votos foram divididos nas duas funções. Defendeu a Portuguesa de 1949 a 1955, conquistando dois Torneios Rio-SP em 288 jogos com 162 vitórias, 79 derrotas, 47 empates e 21 gols marcados.

Habilidoso, o canhoto Zé Roberto foi revelado no clube do Canindé em meados da década de 1990 onde atuou como lateral esquerdo. Na carreira, migrou para o meio de campo, se destacando especialmente no futebol alemão. Era o camisa 6 do time que deixou escapar o título Brasileiro de 1996 nos últimos minutos. Atuou por 132 partidas venceu 60 jogos, perdeu 39 vezes e empatou 33 jogos. Marcou três gols.

Na proteção da defesa, o volante Capitão foi o escolhido. Com três passagens pelo clube -de 1988 a 1993, de 1995 a 1997 e entre 2003 e 2004- se destacou por sua dedicação e posicionamento à frente dos zagueiros em seus quase 500 jogos com a camisa da Lusa. Foram 496 jogos com 190 vitórias, 167 empates e 139 derrotas com nove gols marcados.

Histórico camisa 8 da Portuguesa, revelado no Canindé, Enéas Camargo foi um dos melhores e mais completos jogadores do Brasil na década de 1970. Jogou pela equipe de 1971 a 1980, fazendo parte do título paulista de 1973 e do vice-campeonato de 1975. Versátil, além de construir as jogadas ofensivas, chegava bem no ataque, tanto que recebeu votos como atacante na seleção. Atuou por 379 jogos, venceu 139, empatou 129 e perdeu 111 vezes. Marcou 167 gols.

Talentoso, rápido, driblador e abusado, Dener foi uma das maiores promessas da história do futebol brasileiro. Revelado na Portuguesa e alçado ao time profissional no final de década de 1980, teve dificuldades para se firmar por problemas disciplinares. Quando conseguiu, porém, encantou. Destaque na Copa São Paulo de 91, chamou a atenção de diversos clubes do Brasil e do Mundo, tendo atuado com êxito por Grêmio e Vasco. Emprestado ao clube carioca e já negociado com o Stuttgart da Alemanha, morreu em um acidente de carro. Na Portuguesa fez 141 jogos com 53 empates, 47 vitórias e 41 derrotas. Marcou 24 gols.

De tanta qualidade, Julinho Botelho calou com três gols o Maracanã que reclamava a ausência de Garrinha. O ponta-direita revelado pelo Juventus passou três temporadas na Portuguesa antes de atuar pela Fiorentina e o Palmeiras. Campeão do Torneio Rio-SP de 52 e 55, fez 182 jogos com 111 vitórias, 41 derrotas e 30 empates. Marcou 90 vezes.

Maior artilheiro da história da Portuguesa, com 235 gols, Pinga era um ponta esquerda com faro de gol e que no time ideal seria ‘sacrificado’ para atuar como centroavante. Na Portuguesa entre 1944 e 1952, foi para o Vasco da Gama após a conquista do Torneio Rio-SP de 1952, onde também fez história. Na Lusa atuou por 270 partidas com 156 vitórias, 73 derrotas e 41 empates.


Iniciando sua carreira na Portuguesa em 1963, no auge de Pelé, já proclamado o ‘Rei do Futebol’, o meia-atacante Ivair ficou conhecido como ‘O Príncipe’, tamanha a sua qualidade em campo. Jogou no clube até 1969, ficando com o vice-campeonato do Paulista de 1964, em duelo direto com o Santos. Também bastante versátil, recebeu votos para ser meia e atacante na seleção do centenário. Fez 307 jogos, com 127 vitórias, 96 derrotas e 84 empates. Marcou 103 gols.

O comandante deste timaço é Oto Glória, treinador que fez história no futebol mundial, comandando times como Vasco da Gama, Benfica, Porto, Sporting e a própria seleção de Portugal na Copa do Mundo de 1966. Trabalhou na Lusa nas temporadas de 1962 e 1963, e de 1973 a 1977. No total esteve à beira do gramado em 334 oportunidades e viu seu time vencer 128 vezes, empatar 120 partidas e ser derrotada em 86 jogos.

Votaram - André Zorzi, Antônio Carlos Castanheira, Antônio Quintal, Celso Unzelte, Cristian Gedra, Don Roberto, Eduardo Affonso, Felipe Andreoli, Flávio Gomes, João Carlos Martins, Lucas Ventura, Luiz Carlos Duarte, Luiz Nascimento, Marcos Teixeira e Ubiratan Leal.

Também foram citados:
Goleiros: Batatais, Clemer, Dida, Everton, Muca, Rodolfo Rodrigues e Zecão;
Lateral direito: Zé Maria;
Zagueiros: Calegari, César, Daniel Gonzalez, Emerson, Marinho Peres, Nena e Noronha;
Lateral esquerdo: Ceci;
Meio-campistas: Badeco, Mendonça, Rodrigo Fabri e Toninho;
Atacantes: Nininho, Paulinho MacLaren, Renato, Roberto Dinamite e Simão;
Técnico: Candinho.

Com lançamento de documentário e várias atividades, Lusa comemora o seu centenário


Dia 14 de agosto de 1920. Nesta data era fundado um dos clubes mais tradicionais do futebol paulista, a Associação Portuguesa de Desportos. Completando 100 anos, o clube, mesmo com a quarentena devido à pandemia de coronavírus, planejou uma programação especial para comemorar a data.

O grande destaque do dia fica por conta do lançamento do documentário Lusitanos. Produzido pelo Acervo da Bola, com direção de Cristiano Fukuyama e Luiz Nascimento, dupla que já assinou outros longa-metragens como “Rubro-Verde Espetacular” e “Ivair - O Príncipe do Futebol”, vencedor do prêmio de melhor filme do CINEfoot em 2016, o filme tem relatos de vários personagens da história rubro-verde.

O filme será exibido às 21 horas no Facebook, nas páginas do Acervo da Bola, da Portuguesa, do Esporte Interativo, do Museu do Futebol, da Federação Paulista de Futebol, do CINEfoot, do NETLUSA e do Rádio Paixão Lusa!, e também no no canal da RedeTV! no YouTube.

Outras atrações - Logo à meia-note, o torcedor da Portuguesa pôde acompanhar uma bela festa, através das redes sociais do Clube, que foi muito bonito. O mesmo se repetiu às 7 horas. Já diretamente do Salão Nobre do Canindé, a partir das 11h, a Live do Centenário vai mostrar como está o dia da Portuguesa e contará com depoimentos de grandes ídolos da história rubro-verde, das mais diferentes épocas.


Enquanto a LIVE rola no Facebook, o Canindé abre suas portas, a partir das 13h, para o Drive Thru do Centenário. Durante quatro horas, quem quiser, poderá ir de carro ao Clube e comprar a camisa oficial da Portuguesa, produtos licenciados, além da linha especial dos 100 anos. Durante a primeira hora (das 13h às 14h), o acesso será exclusivo somente para Sócios-Torcedores em dia. Em breve o catalogo de produtos será disponibilizado.

O Mesquita campeão invicto da Terceira Divisão do Rio de 1981

Foto: arquivo

O time do Mesquita que conquistou o título de 1981

Em 9 de maio de 1920 era fundado, na cidade de Mesquita, no estado do Rio de Janeiro, uma agremiação que levava o nome local e virou tradicional no futebol: o Mesquita Futebol Clube. O time da Baixada Fluminense sempre teve suas glórias, mas um deles é especial: a Terceira Divisão do Carioca de 1981, o único título de nível estadual do clube.

A Terceira Divisão do Rio de Janeiro de 1981 contou com oito equipes. Além do Mesquita, estavam na competição Coelho da Rocha, Cruzeiro de Niterói, Nacional de Duque de Caxias, Nova Friburgo, Rio Branco de Campos, Rio das Ostras e o Rubro Social de Araruama.

O regulamento da competição era bem simples: as oito equipes se enfrentavam em turno e returno, no sistema de pontos corridos. A equipes que somasse mais pontos ficaria com o título. Além do campeão, o vice também conquistaria o acesso para a Segunda Divisão em 1982.

A competição começou em 19 de julho e o Mesquita estrou empatando com o Cruzeiro, fora de casa, em 1 a 1. Mas a igualdade no marcador não desanimou a equipe, que goleou o Rio Branco, no segundo jogo, por 5 a 0.

A goleada deu animo ao Tubarão da Baixada, que passou a colecionar um triunfo atrás do outro: 1 a 0 no Coelho da Rocha, 3 a 1 no Rio das Ostras, 1 a 0 no Rubro, 1 a 0 no Rubro, 1 a 0 no Nacional, 2 a 1 no Nova Friburgo, 1 a 0 no Cruzeiro, 2 a 1 no Rio Branco, 2 a 1 no Coelho da Rocha, 4 a 2 no Rio das Ostras e 1 a 0 no Rubro.


A vitória sobre o Rubro, equipe que vinha também brigando pelo acesso, em 4 de outubro, consolidou o título do Mesquita. Nas duas últimas rodadas, o Tubarão fez dois empates, ambos em 1 a 1, contra Nacional e Nova Friburgo, que garantiram a invencibilidade na competição.

Além do Mesquita, o Rubro, que ficou com o vice, também conquistou o acesso para a Segunda Divisão de 1982. E este foi o tão comemorado título do Tubarão da Baixada Fluminense, o único em seus 100 anos de história.

Laranjeiras 100 anos: a primeira casa da Seleção Brasileira

Laranjeiras lotada para um jogo da Seleção: dois títulos Sul-Americanos (foto: Arquivo CBF)

Ao conversar com qualquer torcedor do Fluminense, é provável que você, em algum momento, ouça a frase “nós somos a história”. Os olhos tricolores brilham ao relembrar capítulos da equipe carioca - e não faltam motivos para justificar tamanho orgulho. Dentre os marcos gloriosos do clube está o tradicional Estádio de Laranjeiras: comemorando 100 anos de fundação neste sábado, 11 de maio, o estádio (de nome oficial Estádio Manoel Schwartz) foi a primeira casa da história da Seleção Brasileira. 

Construído para o Campeonato Sul-Americano (atual Copa América) de 1919, Laranjeiras é pioneiro desde sua construção - afinal, foi o primeiro estádio de concreto do Brasil. Sede do torneio continental de seleções, foi lá que demos o pontapé inicial para nossa primeira conquista, com uma goleada por 6 a 0 sobre o Chile. Pouco tempo depois, no dia 26 de maio, o Estádio recebeu cerca de 20 mil pessoas, que puderam presenciar o gol do ídolo Friedenreich na final contra o Uruguai.

Cinco anos antes da construção do Estádio, a Seleção Brasileira já tinha escrito história naquele mesmo campo, situado na rua Álvaro Chaves - lugar onde, de acordo com o saudoso Nelson Rodrigues, “não se dá um passo sem tropeçar em uma glória”. Foi em Laranjeiras que o Brasil enfrentou seu primeiro adversário e deu início à sua vitoriosa história. No dia 21 de julho de 1914, vencemos o Exeter City, da Inglaterra, por 2 a 0. Oswaldo Gomes e Osman balançaram as redes com a camisa brasileira, esta ainda branca e azul à época.

No total, foram 17 jogos disputados pela Seleção Brasileira no Estádio de Laranjeiras, com 12 vitórias, três empates e nenhuma derrota. Balançamos a rede em 47 ocasiões e sofremos 15 gols, resultando em um saldo positivo de 32 gols.

O estádio, atualmente, só recebe jogos da base (Foto: Cristiano Fukuyama/Acervo da Bola)

Para comemorar o centenário de seu estádio, o Fluminense irá promover uma extensa programação neste sábado, na sede social do clube. Além da organização de um livro, o Tricolor de Laranjeiras fará o lançamento de cinco modelos de medalhas comemorativas. No confronto contra o Botafogo, pelo Campeonato Brasileiro (às 16h), um copo temático do centenário será posto à venda. Já no dia 19 de maio, o Tricolor de Laranjeiras irá promover o "Jogue nas Laranjeiras", evento que dará chance à torcida de jogar uma partida no estádio - Aílton e Leandro Euzébio serão os capitães dos times.

Confira a lista de jogos da Seleção Brasileira no Estádio das Laranjeiras:

21/07/1914 - Brasil 2 x 0 Exeter City (ESC) - Amistoso
11/05/1919 - Brasil 6 x 0 Chile - Campeonato Sul-Americano
18/05/1919 - Brasil 3 x 1 Argentina - Campeonato Sul-Americano
25/05/1919 - Brasil 2 x 2 Uruguai - Campeonato Sul-Americano
29/05/2019 - Brasil 1 x 0 Uruguai - Campeonato Sul-Americano
01/06/1919 - Brasil 3 x 3 Argentina - Taça Roberto Cherry
17/09/1922 - Brasil 2 x 2 Chile - Campeonato Sul-Americano
24/09/1922 - Brasil 1 x 1 Paraguai - Campeonato Sul-Americano
01/10/1922 - Brasil 0 x 0 Uruguai - Campeonato Sul-Americano
15/10/1922 - Brasil 2 x 0 Argentina - Campeonato Sul-Americano
22/10/1922 - Brasil 3 x 0 Paraguai - Campeonato Sul-Americano
24/06/1628 - Brasil 5 x 0 Motherwell (ESC) - Amistoso
10/07/1929 - Brasil 2 x 0 Ferencvárosi TC (HUN) - Amistoso
01/08/1930 - Brasil 3 x 2 França - Amistoso oficial
17/08/1930 - Brasil 4 x 3 Estados Unidos - Amistoso oficial
06/09/1931 - Brasil 2 x 1 Uruguai - Copa Rio Branco
27/11/1932 - Brasil 7 x 2 Andarahy FC (BRA) - Amistoso

Os 100 anos de Valentino Mazzola – O craque que deu o apelido ao brasileiro

Por Lucas Paes

Valentino Mazzola em ação: um dos grandes craques do período de guerras no mundo

Há algum tempo, aqui no Curioso do Futebol, fizemos um texto sobre o brasileiro José Altafini, conhecido como Mazzola, pela semelhança com o craque italiano de mesmo nome. Pois neste domingo, dia 26 de janeiro, o original completaria, se estivesse vivo, 100 anos. Chamado pelo site especializado Calciopédia (antigo Quatrotratti) de personificação do Torino gigante dos anos 1940, Valentino Mazzola era um verdadeiro craque do futebol italiano. Infelizmente, pereceu no acidente de avião que vitimou aquele esquadrão. 

O craque só despertou atenção de times das divisões superiores da Itália em 1941, depois de boa temporada no Venezia, campeão da Copa Itália. No ano seguinte, acabou virando jogador do Torino, onde viraria uma verdadeira lenda do futebol italiano e mundial. Na sua primeira temporada vestindo a camiseta granate foi campeão italiano. Porém, o futebol parou pouco depois na bota, devido ao agravamento da Segunda Guerra Mundial. Valentino era conhecido por sua versatilidade e incrível capacidade para marcar gols de todas as formas. Para título de comparação, a função dele no time do Torino era parecida com a que Cruyff exerceria anos depois, no Ajax e na Holanda. 

Na volta, nada mudou na Itália, Mazzola era o destaque do titã que dominava com facilidade a Itália. Turim, tão acostumada com a Juventus vencedora, via o Torino arrancar suspiros do país e do mundo. Mazzola ajudava o time a conquistar títulos com números incríveis. Na temporada de 1946/1947 Mazzola foi artilheiro da Série A, marcando 29 gols naquele campeonato. Na temporada seguinte, o Torino chegou a impressionantes 29 vitórias em 40 jogos, com direito a incríveis 125 gols marcados. O time transcendia o plano do futebol mortal. 

Por sua vez, a Seleção Italiana, quando jogava, era praticamente inteira representada por jogadores granates. Em 1947, em jogo contra a Hungria, foram 10 jogadores, entre eles, obviamente, estava Mazzola. Um dos maiores episódios da carreira do atacante ocorre num jogo contra a Roma, logo na abertura do Campeonato Italiano de 1947/1948. O Toro perdia para Roma por 1 a 0, Valentino, indignado com os companheiros esbravejou nos vestiários perguntando se eles queriam ver como se jogava futebol. Pois bem, a história foi escrita.

O acidente que vitimou toda a delegação do Torino

Impiedoso, voraz e facínora, como se o próprio touro fosse, como se encarnasse o Minotauro, Mazzola simplesmente carregou os Granatas a uma goleada histórica por 7 a 1 sobre a Roma, que não, não foi pouco. Mazzola, sozinho, marcou três vezes, ajudou seus companheiros, Castigliano, Fabian, por duas vezes e Ferraris II a marcarem os gols da goleada histórica. Aquele time do Torino bateu todos os recordes possíveis. Se fosse na contagem atual, teriam feito 94 pontos. Até hoje ninguém bateu o recorde de 125 gols feitos daquele esquadrão. Na verdade, dificilmente alguém chegará perto de bater. Mazzola sozinho marcou 25 dos 125 gols. 

Na temporada seguinte, Mazzola continuou implacável e seu time caminhava a passos largos para mais um titulo italiano. A Itália sabia que com aqueles jogadores seria quase impossível que alguém segurasse a Azzurra na Copa do Mundo. Porém, após uma derrota em amistoso pedido pelo Lisboa, no dia 4 de maio de 1949, um avião transportando toda a equipe bateu sobre a basílica de Superga. O acidente vitimou toda a equipe. O touro em personificação silenciava, entrava definitivamente na história. 

Mazzola, a personificação do Torino, a figura que representava aquele time, o jogador que talvez teve maior simbiose com uma camisa na história do futebol mundial antes de um certo Pelé fez 118 gols em 195 jogos. Ele não é só o maior jogador da história dos Granata, é algo como se o time tomasse uma personalidade própria, é algo como a instituição encarnada em um homem. Pela eternidade ficaremos imaginando o que seria do futebol europeu caso aqueles craques tivessem mais alguns anos. Teria o Real Madrid seus cinco títulos europeus seguidos? Teria o Brasil mais títulos mundiais que a Itália, provável campeã em 1950 com aquele esquadrão? O destino, voraz como é, deixará as dúvidas para sempre em nossas cabeças. Doloroso porém, deixou a marca de Mazzola na história.

11 grandes nomes do Centenário da Portuguesa Santista

Por Victor de Andrade


A Associação Atlética Portuguesa, a mais Briosa de Ulrico Mursa, está em festa. Neste 20 de novembro de 2017, o clube está completando 100 anos de fundação. Uma história rica desta tradicional agremiação, tão importante para o futebol de Santos e do estado de São Paulo.

Ao longo destes 100 anos, vários jogadores vestiram a camisa da Portuguesa Santista. Muitos se destacaram com o manto Rubro Verde e conquistaram títulos ou fizeram boas campanhas pela equipe. Outros, alçaram voos ainda maiores, chegando até à Seleção Brasileira. É, mesmo sendo considerado um time pequeno, a Briosa já teve até jogador na Copa do Mundo.

Não foi fácil escolher 11 atletas e um treinador para formar um time que resumiria a história do clube. E nesta seleção não está simplesmente os melhores que já vestiram a camisa Rubro Verde. Para a escolha, foi levada em consideração a importância do atleta em sua passagem pela equipe, na história do futebol e os voos que ele alcançou em sua carreira.

É claro que terá algumas discussões do tipo: "está faltando tal jogador". Esta seleção não tem a pretensão de ser dona da verdade.  Eu mesmo tive dúvidas em várias posições e se talvez eu for fazê-la novamente, poderá ter mudanças. Jogadores como Fernando, Marçal, Arouca, Ratto, Pereirinha, Arizinho, Zinho, Tico Mineiro e Souza ficaram de fora. Até treinadores importantes como Vicente Feola, Manga, Papa, Muricy Ramalho, Pepe e Ricardo Costa não constaram na decisão final. Também foram feitas pequenas improvisações para chegar nesta equipe. Mas que estes 11 atletas e o treinador foram importantes na história da Briosa, isto não se tem dúvida. Então vamos à eles:

LAÉRCIO

Na capa do Mundo Desportivo,
antes de um jogo contra o São Paulo

Aqui já tivemos uma primeira dúvida, pois grandes arqueiros defenderam a meta Rubro Verde, mas escolhi Laércio José Milani. Nascido em Indaiatuba, Láercio começou no Primavera, de sua cidade, com apenas 15 anos. Em 1948, ele se destacou em uma série de amistosos contra a Briosa e foi contratado. Chegando em Santos, ele iniciou sua trajetória de sucesso, tomando a posição de Andu e fazendo atuações magistrais.

Seguro e acrobático, ao mesmo tempo, Laércio passou a ser considerado um dos melhores da posição do futebol paulista e chamou a atenção de diversos clubes. Foi sondado pelo Vasco da Gama, mas foi o Palmeiras que o contratou em 1954, depois de uma longa negociação. Em 1957, voltou para a cidade de Santos, para defender o time Alvinegro, onde encerrou a carreira em 1969. Laércio faleceu em Santos, em 1985, vítima de infarto.

BALU

Balu é o quinto em pé na formação do time de 1996

Nascido em Castro Alves, na Bahia, em 28 de dezembro de 1961, Luís Carlos Reis, o Balu, começou no futebol na própria Portuguesa Santista. Se caracterizava por ser um lateral direito forte, que equilibrava marcação e apoio. Após boas apresentações na Divisão de Acesso Paulista, Balu foi contratado, ao final de 1984, pela Ferroviária. No ano seguinte, continuou bem na equipe de Araraquara e o Cruzeiro foi buscá-lo.

No time azul de Minas Gerais, Balu teve o auge na carreira. Ganhou a Bola de Prata da Revista Placar em 1989 e era considerado um dos melhores laterais-direitos do país, chegando à Seleção Brasileira em 1990, convocado por Paulo Roberto Falcão. Ao sair do Cruzeiro, o atleta ainda teve uma passagem pelo Paraná Clube antes de voltar à Briosa, em 1995. No ano seguinte, Balu foi um dos jogadores mais importantes na volta da Portuguesa Santista à elite do futebol paulista e encerrou a carreira no clube onde começou. Em duas oportunidades, ele foi o treinador da equipe Rubro Verde.

JOEL CAMARGO

Joel Camargo é o primeiro em pé neste time da base da Briosa

Este é o primeiro caso de jogador que não atuou muitas vezes no time principal da Briosa, mas sua história no futebol brasileiro e mundial não dava para deixá-lo de fora. O zagueiro Joel Camargo nasceu em Santos, no dia 18 de setembro de 1944 (algumas publicações afirmam que ele é de 1946) e chegou na Portuguesa Santista, para atuar nas categorias de base. Em 1963, passou para o time principal e mostrou tanta categoria que no mesmo ano o Alvinegro o contratou.

No final da década de 60, passou a frequentar constantemente a Seleção. Era o titular do time de João Saldanha nas Eliminatórias para a Copa de 70. No México, foi para o banco de reservas, mas, mesmo assim, tornou-se tricampeão do mundo. Um acidente automobilístico quase o fez terminar a carreira. Em 1971, o zagueiro foi um dos primeiros brasileiros a atuar no Paris Saint-Germain. Ainda passou por CRB, Londrina e Saad, onde encerrou a carreira em 1973. Quando parou, Joel se afastou totalmente do futebol e foi trabalhar no Porto de Santos. Depois, já nos anos 90, foi ser professor de escolinhas em Santos e em São Paulo. Joel faleceu no 2014, de insuficiência renal.

ADELSON

O quinto em pé, em um dos times da década de 60

Aqui talvez foi onde eu tive mais dúvidas. Pensei em Clóvis, revelado na Briosa e que fez carreira no Corinthians, e em Fernando, que também surgiu no clube, passou por grandes equipes e voltou para a Portuguesa, sendo importante no acesso de 1996. Porém, um atleta que esteve na vitoriosa excursão à África, conquistando a Fita Azul, em 1959, e foi o capitão do título de 1964 não poderia ficar de fora. Por isto, Adelson foi o escolhido.

Adelson Narciso chegou na Portuguesa Santista em 1956 e é um dos atletas que mais atuou com a camisa do clube. Foi ganhando seu espaço no clube e logo se tornou dono da posição na defesa Rubro Verde. Líder nato, capitão, Adelson ficou na Briosa até o início de 1967, quando foi para o América de São José do Rio Preto, onde encerrou a carreira. Atualmente, Adelson sempre aparece no clube e é uma das melhores referências quando o assunto é Fita Azul ou o título de 1964.

MARCO ANTÔNIO

Revista Placar de 30 de outubro de 1970

Assim como Joel Camargo, Marco Antônio não ficou muito tempo na Portuguesa Santista, mas um dos melhores laterais esquerdos do futebol brasileiro não poderia ficar de fora. Nascido em Santos, em 6 de fevereiro de 1951, Marco Antônio Feliciano entregava marmitas antes de chegar à Briosa em meados dos anos 60, quando foi apresentando ao técnico Papa. No início, atuou como ponta esquerda, por causa de sua extrema habilidade, mas também já era usado como lateral.

Novo, habilidoso e inteligente, logo chamou a atenção dos clubes grandes e foi parar no Fluminense, ainda em 1968, com apenas 17 anos. Não demorou muito para chegar à Seleção Brasileira. Aliás, Marco Antônio jogou algumas partidas na Copa de 1970, mas não era o titular absoluto por apoiar demais. Por isto, Zagallo preferiu Everaldo. O mesmo aconteceu em 1974, mas o torcedor brasileiro sabia que o melhor da posição era o menino revelado pela Briosa. Marco Antônio ainda defendeu Vasco, Bangu e Botafogo, onde encerrou a carreira em 1984.

ARGEMIRO

Argemiro é o primeiro em pé neste time de 1937

Nascido em Ribeirão Preto, no dia 2 de junho de 1915, Argemiro Pinheiro da Silva foi, com certeza, o jogador que chegou mais longe vestindo a camisa da Portuguesa Santista. Ele começou no EC Rio Preto, em 1931 e chegou na Briosa em 1935, no início do profissionalismo do futebol paulista. E chegou para fazer história! Ele era um dos alicerces do grande time Rubro Verde da segunda metade da década de 30, que foi terceiro colocado nos paulistas de 1936, 1937 e 1938.

Suas belas atuações fizeram com que Ademar Pimenta o convocasse para a Copa do Mundo de 1938, realizada na França. Sim, Argemiro disputou um mundial de futebol como atleta da Briosa, atuando como titular na vitória da Seleção Canarinho contra a Checoslováquia, por 2 a 1! O Brasil foi o terceiro colocado e, no ano seguinte, o atleta foi para o Vasco da Gama, onde ficou até 1946, encerrando a carreira. Ele faleceu em 4 de julho de 1975. Conheça mais a história do jogador aqui.

TIM

Tim, de gorro, em jogo contra o Hespanha

Outro grande jogador da Portuguesa Santista nos anos 30, Elba de Pádua Lima, o Tim, nasceu Rifania, em 20 de fevereiro de 1916. Começou a carreira no Botafogo de Ribeirão Preto e depois de uma rápida passagem pelo Corinthians, chegou à Briosa em 1934. Tim foi o grande nome do time Rubro Verde de 1936, que disputou o título paulista ponto a ponto contra Corinthians e Palmeiras. Suas boas atuações o levaram para a Seleção Brasileira, onde disputou o Sul-Americano de 1937, como atleta da Portuguesa Santista.

Quando voltou do torneio de seleções, Tim foi negociado com o Fluminense, onde virou ídolo e tornou-se um dos maiores jogadores do país, defendendo a Seleção, como titular, na Copa de 1938. Tim ainda passou por Nacional, São Paulo, Botafogo, Olaria e Junior Barranquilla. Depois, ele tornou-se treinador, onde teve carreira de sucesso, conquistando diversos títulos e ainda dirigiu a Seleção Peruana na Copa de 1982. Tim faleceu em 7 de julho de 1984. Conheça mais sobre ele aqui.

RICO

Rico, em partida contra o Santo André, em 2003

Leandson Dias da Silva, o Rico, é o mais novo desta seleção. Nascido em 4 de abril de 1981, em Recife, o rápido atacante chegou na Briosa em 2003, depois de passar por CSA, Águas de Lindóia e São Paulo. Podemos dizer que Rico estava iluminado na brilhante campanha da Portuguesa Santista no Paulistão daquele ano, onde a equipe foi semifinalista, sendo o alicerce do time, comandado por José Macia, o Pepe, junto com o meia Souza. Rico, por ser rápido, saia com facilidade na cara do goleiro e seus gols foram importantes na campanha: ele foi vice-artilheiro do certame, com um tento a menos que Luís Fabiano. Quem não se lembra dos dois gols marcados por ele contra o Santos?

Após o Paulistão, Rico foi para o São Paulo. Depois passou pelo Grêmio e voltou para a Briosa em 2005. A segunda passagem nem de longe lembrou a primeira, mas deixou sua marca novamente em um clássico contra o Santos. Rico rodou o mundo, indo jogar no mundo Árabe e seu último clube foi a Portuguesa de Desportos, este ano. Ele ainda não pendurou as chuteiras.

SAMARONE

Samarone com a camisa da Briosa

Provavelmente o autor do gol mais importante da história do clube, Wilson Gomes, que ficou conhecido como Samarone, nasceu em Santos, no dia 13 de março de 1946. Ele chegou na Briosa atuando no futebol amador de Santos e logo conseguiu espaço na equipe principal do time. E foi o grande nome da equipe no Campeonato Paulista da Divisão de Acesso de 1964 (a atual Série A-2). Para coroar, Samarone fez o gol do título, no jogo contra a Ponte Preta, em Moisés Lucarelli, já no ano de 1965.

Samarone ainda fez alguns jogos pela Portuguesa Santista no Paulista de 1965, mas em seguida foi negociado com o Fluminense. No Rio, tornou-se um dos melhores jogadores do país, chegando a ser convocado para a Seleção Brasileira. Depois, o atleta ainda passou por Corinthians, Flamengo, Portuguesa de Desportos e Bonsucesso, onde encerrou a carreira em 1975. Conheça mais sobre o atleta aqui.

LIO

Lio é o primeiro agachado na foto do time campeão

Aqui foi outra posição onde tive muita dúvida em quem escolher. E cheguei no Lio pois, além do título de 1964, ele foi o artilheiro da competição. O centroavante fazia uma dupla quase perfeita com Samarone, que, nos gramados, aterrorizou as zagas dos times do futebol paulista na Divisão de Acesso daquele ano. Lio terminou o certame com 20 gols, sendo o líder absoluto em tentos no torneio.

Ele também teve boa passagem pela Ferroviária de Araraquara (SP), onde atuou ao lado de craques como Galhardo, Peixinho e Tales, e pelo Noroeste, onde jogou com Araras (ex-Santos), Navarro e Aracito. Lio ainda defendeu o Noroeste de Bauru e o Jabaquara, durante excursão deste time na Argentina, comandado por Filpo Nuñez. Lio faleceu em 7 de janeiro do ano passado e trabalhava como instrutor de tênis do Clube Internacional de Regatas.

BERISTAIN

Beristain sendo agraciado pela torcida

O argentino Tomas Beristain (ou Beristein, de acordo com algumas publicações) é o jogador com mais lendas no centenário da mais Briosa. Em apenas um ano de passagem pela Portuguesa Santista, suas histórias enriquecem a trajetória do clube. Com passagens por Platense, San Lorenzo e um jogo pela Seleção Argentina, Beristain aportou em Santos em 1940 e virou o grande ídolo da torcida Rubro Verde, com suas atuações destemidas, que faziam com que o time Rubro Verde encarasse de igual para igual o trio de ferro da capital.

Habilidoso ao extremo, capaz de bater escanteios e pênaltis de chaleira (é o que diziam) e ter dado a primeira bicicleta do futebol paulista (antes de Leônidas vir para o São Paulo), o argentino foi o principal jogador da equipe no Campeonato Paulista de 1940. Fora de campo, alegrava quem passeava pela praia durante a manhã, pois com uma "pelota", ele fazia embaixadinhas na areia antes de ir para o treino em Ulrico Mursa. Em sua despedida, já em 1941, foi oferecido um jantar de gala. Beristain voltou para o San Lorenzo, onde atou por mais um ano e encerrou a carreira. Porém, quem viu garante: foi o melhor jogador da história da Portuguesa Santista. Conheça mais sobre ele aqui.

FILPO NÚÑEZ

Filpo Núñez, em pé, ao centro, com a Briosa em 1971

Chegamos ao treinador. Outro lugar que deu dor de cabeça para escolher. Mas chegamos ao argentino  mais brasileiro da história do futebol: Filpo Núñez. Ele dirigiu a Portuguesa Santista em cinco oportunidades: entre 1957 e 1958, entre 1958 e 1959, em 1964 e entre 1971 e 1972 e em 1980. O argentino comandou a Briosa na invicta excursão na África, que trouxe ao clube a Fita Azul do Futebol Brasileiro. Filpo Núñez também iniciou o trabalho em 1964, que acabou sendo campeão da Divisão de Acesso já sob o comando de Manga, já que o treinador foi contratado pelo Palmeiras.

Filpo tem uma história gigante no futebol brasileiro. Ele foi o treinador do Verdão na década de 60, comandando um dos maiores times da história do clube. Foi o único técnico estrangeiro a dirigir a Seleção Brasileira sozinho, em um amistoso contra o Uruguai, em 1965, na inauguração do Mineirão. Ele dirigiu diversos times por aqui e também passou por Argentina, Chile, Bolívia, México, Portugal, Espanha, Equador, Peru e Venezuela. Enfim, história é que não falta!

O Curioso do Futebol

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