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Centenário de Lula, o técnico mais vitorioso do Santos FC

Com informações do Santos FC
Foto: arquivo

Lula conquistou 38 títulos com o Santos

Natural de Santos, Lula nasceu em uma quarta-feira, 22 de fevereiro de 1922, alguns dias depois do término da Semana de Arte Moderna, que aconteceu em São Paulo, no Teatro Municipal da cidade. Descendente de espanhóis, em sua juventude jogava como lateral sem muito destaque e para sobreviver trabalhava como funcionário de uma distribuidora de leite, dai veio o apelido de leiteiro.

Também não foi taxista, ao contrário do que dizem alguns antigos torcedores. Quem tinha essa profissão era seu irmão que durante muitos anos dirigiu o táxi levando os jogadores do Santos para partidas em São Paulo e no interior paulista.

Lula começou a se interessar por treinar equipes amadores da várzea de Santos times como o Palmeirinha e a Americana conhecida como “A Fidalga” cujo campo ficava próximo ao estádio Urbano Caldeira e, que por muitas vezes foi usado para treinos do Santos.

A Associação Atlética Americana fundada em 14 de julho de 1914 por jogadores dissidentes do Alvinegro, entre eles Raymundo Marques, um dos principais mentores da fundação do Peixe. O estádio Alpheu Paim foi inaugurado pelo Santos no dia 15 de março de 1925.

Lula trabalhou também na base da Portuguesa Santista despertando o interesse da diretoria do Santos que no dia 23/01/1949 foi nomeado como sub-diretor de futebol amador. Era o começo de sua identificação com o clube.

No dia 13 de maio de 1952, ele assinava o seu primeiro contrato como profissional do Santos para trabalhar com as equipes amadoras do Alvinegro. Ele dirigiu pela primeira vez a equipe titular em substituição a Aymoré Moreira, técnico efetivo do Santos que fora servir a Seleção Paulista. Nessa participação como técnico interino o Santos venceu o São Paulo por 1 a 0, no Pacaembu, com gol de Alemão no dia 03 de junho de 1952. Nesse jogo o time jogou com Luis, Olavo (Diogo) e Expedito; Nenê, Formiga e Pascoal; Cento e nove (Hugo), Dedeco, Alemão, Nicácio e Canhoto (Chiquinho).

Em seguida ele dirigiu outra partida amistosa diante do mesmo São Paulo, na Vila Belmiro, com o adversário vencendo por 2 a 0.

Sua efetivação como técnico do time principal ocorreu em 5 de junho de 1954, um sábado, quando o Santos, brilhantemente venceu o Botafogo de Garrincha, no Maracanã, por 3 a 2, pelo Torneio Rio-São Paulo. Essa partida foi também a primeira vitória do Peixe no estádio do Maracanã.


Com um olho clínico invejável, Lula descobriu e lançou no time profissional do Santos uma constelação de jogadores geniais, de Del Vecchio, Pepe, Pelé e Coutinho no final dos anos 50, a Joel Camargo, Clodoaldo e Edu na década seguinte.

Coutinho foi uma de suas principais revelações, após ver um jogo do centroavante em Piracicaba, o chamou para treinar alguns dias na Vila Belmiro, e bancou sua contratação. Sua confiança em Coutinho era tão grande, que promoveu sua estreia no principal quando o jovem ainda tinha 14 anos, 11 meses e 7 dias.

A última vez que Lula entrou em campo como treinador santista foi em 19 de dezembro de 1966, uma segunda-feira, na vitória por 3 a 0 sobre a Prudentina, pelo Campeonato Paulista, na Vila Belmiro. O centroavante Toninho Guerreiro marcou os três gols santistas e o time formou com Cláudio; Zé Carlos, Modesto e Geraldino; Lima e Orlando; Amauri, Joel Camargo, Toninho, Dorval e Abel.

Lula conquistou 38 títulos pelo Santos. Ao sair, foi substituído por Antônio Fernandes, o Antoninho, ídolo santista dos anos 40. É o técnico que mais vezes venceu o campeonato paulista, ao todo foram oito conquistas. Dirigiu o time em 942 oportunidades tendo ganho 619 partidas e empatado 144 e perdido 179 partidas.

Quando deixou o clube, em seu lugar assumiu o técnico auxilar Antônio Fernandes, o Antoninho que deu continuidade nas conquistas do time, no cargo Antoninho permaneceu até 1971.

Após deixar o Alvinegro, Lula dirigiu o Corinthians, Portuguesa, Portuguesa Santista e Santo André, seu último clube. E curiosamente foi com ele como treinador do arquirrival do Santos que ele quebrou o famoso tabu, período em que o Peixe ficou 11 anos sem perder para o seu rival.

O brilhante comentarista esportivo e compositor santista Ricardo Peres Neto, tem orgulho de comentar que seu avô Ricardo Peres era primo direto do técnico Lula, esse seu parente também foi treinador de futebol e dirigiu por algum tempo a equipe da AA Americana e era muito amigo do Lula, com o qual sempre discutia esquemas táticos das equipes as quais comandavam.


Curiosamente por serem os familiares do Ricardo Peres Neto e do técnico Lula oriundos da Espanha, a letra Z no final do sobrenome Perez permaneceu nos familiares do Lula como Perez e nos descendentes brasileiros do compositor foi substituída pela letra S.

Segundo contou José Macia, o Pepe, Lula era muito supersticioso e também precavido, pois antes de partidas importantes e decisivas o treinador que era chamado no elenco de “Bonachão”, costumava visitar na Vila Melo, em São Vicente, a mãe de santo de nome Ludovina e dela recebia conselhos e proteção para ele e para o time também.

Lula faleceu no dia 15 de junho de 1972, aos 50 anos de idade quando teve infecção generalizada decorrente de um transplante de rim ao qual foi submetido.

De herói à carrasco - Jogo do quebra tabu colocou Lula na história do Corinthians

Por Lucas Tavares

Lula no banco, dirigindo a equipe corintiana. Responsável pelo tabu e pelo fim dele

Na próxima segunda-feira, dia 6, completam 49 anos da vitória histórica do Corinthians sobre o Santos no estádio do Pacaembu. O jogo foi marcante, pois a equipe alvinegra da Capital não ganhava do então time de Pelé havia 11 anos (22 partidas), e foi apelidado “jogo do quebra tabu”. Com gols de Paulo Borges e Flávio, o Timão bateu o Santos por 2 a 0, em partida válida pelo primeiro turno do Campeonato Paulista de 1968.

Entre diversos protagonistas do jogo, um que se estivesse vivo, completaria 95 anos exatamente ontem, dia 1º de março, o técnico do Corinthians Luiz Alonso Pérez, o Lula (1922-1972). Extremamente competente, conseguiu derrotar o então time do momento. Porém, lembramos que o mesmo comandante foi o que formou justamente o grande time do Santos, com Pelé e Cia., entre 1955 e 1966, no possivelmente maior time do Santos de todos os tempos.

Será que a experiência dirigindo a equipe santista tenha ajudado Lula a derrotar seu ex-time? Será que com suas dicas, o zagueiro Luís Carlos Galter anulou a principal arma do Santos, Pelé? Será que os gols feitos foram dicas do técnico, sobre falhas da equipe santista? Fato é que 10 anos de Vila Belmiro fizeram com que ele aprendesse os caminhos mais curtos até a pequena área do goleiro Cláudio.

O fim do tabu foi noticiado pela imprensa

De herói à carrasco, Lula virava destaque na quebra do tabu que ele mesmo ajudou a construir. Especula-se que Lula deixou o Santos após desentendimento com Pelé, boato não confirmado. Pouco valorizado na época, o fez subir a Serra e ir parar no Parque São Jorge. Não conseguiu títulos, mas entrou para a história do Timão após esse jogo.

Para quem pensa que foi moleza, se engana. A partida estava empatada até os 13 minutos do 2º tempo, até que então, com um belo chute pela esquerda, o atacante Paulo Borges abriu o placar no clássico. E aos 31 minutos, em uma rebatida da zaga, Flávio fecha a conta com um tiro firme para vencer o goleiro santista. Após isso, o time apenas esperou o árbitro argentino Roberto Goicochea encerrar o jogo para comemorar. A torcida invadiu o campo e os jogadores foram tratados como heróis, como se tivessem ganho um título, todos seguiam gritando “com Pelé e Edu, quebramos o tabu”.

Mesmo com a quebra do tabu contra o Peixe, o Timão ainda ficaria mais um tempo sem conquistar um título, que só viria no famoso Paulistão de 1977. Já o Santos... bem, mesmo perdendo aquele jogo para o Corinthians, o time conquistaria o estadual de 1968.

Flávio e Paulo Borges: os autores dos gols

FICHA TÉCNICA

CORINTHIANS 2 X 0 SANTOS FC

Data: 6 de março de 1968
Local: Estádio do Pacaembu - São Paulo (SP)
Público: Não disponível
Renda: NCr$ 153.390,50
Árbitro: Roberto Goycochea (Argentina)

Gols
Corinthians: Paulo Borges, aos 13', e Flávio, aos 31'

Corinthians: Diogo; Osvaldo Cunha, Ditão, Luís Carlos (Clóvis) e Maciel; Édson Cegonha e Rivelino; Buião, Paulo Borges, Flávio e Eduardo - Técnico: Lula

Santos: Cláudio; Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Joel (Oberdã) e Rildo; Lima e Negreiros; Kaneko, Toninho, Pelé e Edu - Técnico: Antoninho.

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