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O centenário de Nilton Santos, a 'Enciclopédia do Futebol'

Com informações da CBF
Foto: arquivo

Nilton Santos esteve em quatro Copas do Mundo

Dia 16 de maio de 2025, o centenário de Nilton Santos, um dos maiores ícones do futebol brasileiro e mundial. Conhecido como a "Enciclopédia do Futebol", Nilton foi um jogador revolucionário, que redefiniu o papel de um lateral-esquerdo e marcou sua época com talento, técnica e elegância.

Na Seleção Brasileira, Nilton Santos fez história ao disputar quatro Copas do Mundo (1950, 1954, 1958 e 1962), sendo bicampeão mundial nas edições de 1958, na Suécia, e 1962, no Chile. Sua atuação impecável em campo e seu espírito de liderança o tornaram uma figura emblemática nas conquistas que ajudaram a consolidar o Brasil como uma potência do futebol mundial.

Pelo Botafogo, clube onde passou toda a sua carreira, Nilton Santos escreveu uma trajetória lendária, vestindo a camisa alvinegra em mais de mil partidas. Conquistou inúmeros títulos, incluindo Campeonatos Cariocas e torneios nacionais e internacionais, sendo peça central de um dos períodos mais gloriosos da história do clube. Ao lado de craques como Garrincha e Didi, formou um dos times mais inesquecíveis do futebol brasileiro.

Além de suas conquistas, Nilton Santos será sempre lembrado por sua visão de jogo, lealdade e respeito dentro e fora das quatro linhas. Ele foi um precursor no avanço do lateral ao ataque, algo que se tornou essencial no futebol moderno. Sua genialidade lhe rendeu um lugar na história como um dos maiores defensores de todos os tempos, reconhecido por instituições como a Fifa e a IFFHS.


A CBF celebra o legado eterno de Nilton Santos, cuja vida e carreira são fontes de inspiração para todas as gerações. Seu nome está eternizado não apenas nos gramados, mas também no Estádio Nilton Santos, um dos palcos do futebol brasileiro que carrega sua alma e história.

O ex-jogador morreu no dia 27 de novembro de 2013, aos 88 anos, no Rio de Janeiro.

A estreia da lenda Nilton Santos pelo Botafogo

Por Fábio Rocha
Foto: Arquivo

Nilton Santos atuando pelo Botafogo

Nilton Santos, eleito em 2020 pela FIFA o melhor lateral-esquerdo de todos os tempo, foi um dos maiores ídolos da história do Botafogo, vestindo a camisa do clube durante toda a sua carreira. Há 76 anos, no dia 21 de março de 1948, ele estreou pela Fogão, o início de uma trajetória brilhante. 

O jogador nasceu no Rio de Janeiro, no dia 16 de maio de 1925, e não teve uma oportunidade no futebol de imediato. Porém, por linhas tortas, conseguiu chegar onde o destino queria, que era atuando como jogador, para poder se tornar um dos melhores de todos os tempos. 

Enquanto cumpria um serviço militar, um oficial da Aeronáutica acabou vendo Nilton Santos jogar na praia e o levou para jogar no Botafogo. Rapidamente todos no clube viram um grande potencial, e ele assinou o contrato com o clube em 1948. 

Ainda pouquíssimo conhecido, o jogador fez sua estreia no dia 21 de março de 1948, porém não acabou tendo uma recordação feliz. A equipe do Botafogo enfrentou o América Mineiro, mas acabou não conseguindo ter um grande desempenho e foi pego de surpresa pela equipe mineira. 


O time do Botafogo, na estreia de Nilton Santos, que também não conseguiu fazer muita diferença, acabou sendo derrotado para o América Mineiro por 2 a 1. Mesmo perdendo, isso não abalou o lateral, que se manteve confiante e mostrou isso durante todos os anos com a camisa do Fogão.

Nilton chegou no clube como quem não queria nada, e acabou saindo como um dos maiores ídolos da história do clube, vestindo apenas a camisa do Fogão em toda sua carreira. O jogador acabou se aposentando em 1964, após 723 jogos e 11 gols marcados.

Quando Nilton Santos salvou o Brasil na Copa do Mundo de 1962

Por Ricardo Pilotto
Foto: Arquivo

Nilton Santos 'salvou' o Brasil de uma eliminação na Copa do Mundo de 1962

Nilton dos Santos, popularmente conhecido como Nilton Santos, estaria completando 97 anos de idade nesta segunda-feira, dia 16, se estivesse com vida. Por isso, hoje relembraremos um episódio que o defensor protagonizou e acabou 'salvando o Brasil de uma possível eliminação para a Seleção da Espanha na Copa do Mundo de 1962, no Chilhe.

O confronto entre a Amarelinha e a Fúria estava sendo válido pela última rodada da fase de grupos do Mundial, no Estádio Sausalito, em Viña del Mar. O time Canarinho estava com uma vitória por 3 a 1 na estreia e um empate em 0 a 0 na segunda rodada da competição. Enquanto isso, a equipe europeia vinha de uma derrota pelo placar magro de 1 a 0 e um triunfo pelo mesmo placar no jogo anterior.

Com bola rolando, quem tinha o controle da partida e saiu na frente do marcador foi a Espanha. Aos 35' do primeiro tempo, os espanhóis balançaram as redes com Adelardo Rodríguez. O resultado parcial colocava os brasileiros em situação complicada dentro da competição, já que ainda na etapa complementar a Seleção Espanhola continuava melhor.

Foi então, que aos 11' jogados, houve o polêmico lance que envolveu o atacante Enrique Collar e o lateral esquerdo Nilton Santos. Na ocasião, o jogador da Fúria avançou pela ponta invadiu a área e foi derrubado pelo brasileiro. Porém, para ludibriar o árbitro Sergio Bustamante, a Enciclopédia do Futebol deu dois passos para fora da área e levantou os braços. Para a sua sorte, o juiz do caiu no conto e marcou falta. No lance seguinte, Joaquín Peiró marcou um golaço de bicicleta, mas o tento foi anulado por causas desconhecidas.


Este momento foi crucial para a sequência da partida. Pouco tempo depois, a Seleção Brasileira aproveitou o desgaste dos espanhóis e buscou o resultado. Com gols de Amarildo aos 27 e 41' do segundo tempo, a Amarelinha virou o jogo e seguiu na competição rumo ao bicampeonato mundial.

A estreia de Nilton Santos pela Seleção Brasileira em 1949

Foto: arquivo

Nilton Santos fez o seu primeiro jogo pela Seleção Brasileira em 1949

Nilton Santos foi um dos maiores jogadores da história do futebol mundial. Sua sabedoria dentro de campo o fez ganhar o apelido de "Enciclopédia". Por conta disso, o ídolo do Botafogo foi dono da lateral-esquerda da Seleção Brasileira por mais de uma década e tudo começou em 17 de abril de 1949, no Pacaembu, em uma goleada de 5 a 0 sobre a Colômbia, pelo Campeonato Sul-Americano daquele ano.

O então jovem jogador do Botafogo, de 23 anos, vinha chamando a atenção por suas atuações. Com isto, Flavio Costa acabou o convocando para o Campeonato Sul-Americano de 1949, realizado no Brasil. Seria a primeira chance de Nilton Santos com a então camisa branca da Seleção Brasileira que poderia estar na Copa do Mundo que se realizaria no ano seguinte, também no Brasil.

Apesar de talentoso, Nilton Santos não foi titular na competição e nos três primeiros jogos, vitórias do Brasil sobre Equador (9 a 1), Bolívia (10 a 1) e Chile (2 a 1), sequer entrou no decorrer das partidas. Sim, aquele Campeonato Sul-Americano permitia substituições.

Mas a bela história de Nilton Santos com a Seleção Brasileira iniciaria no dia 17 de abril. No Pacaembu, o time de camisa branca faria o seu quarto jogo na competição, contra a Colômbia. O time cafeteiro não era nem sombra dos dias de hoje e a aposta era de mais uma goleada do time da casa.

Os minutos da primeira etapa foram concretizando os prognósticos. Tesourinha, aos 20', Canhotinho, de pênalti, aos 24', e Orlando, em uma bela bicicleta, aos 44', fizeram com que o Brasil fosse para o intervalo vencendo pelo placar de 3 a 0.

Na volta, uma novidade: Nilton Santos entrou no lugar de Mauro e fazia sua estreia pela Seleção. Da defesa, o jogador viu Ademir de Menezes marcar mais duas vezes, aos 3' e 42', e dar números finais ao jogo: Brasil 5 x 0 Colômbia.

E a história de Nilton Santos com a Seleção Brasileira estava iniciada. Ele só voltaria a campo pelo time nos jogos preparatórios para a Copa de 50, onde foi convocado, mas acabou não jogando. Das arquibancadas, já que na Copa do Mundo não havia banco de reservas, viu o titular da sua posição, Bigode, falhar no gol que deu o título ao Uruguai. Flávio Costa achou Nilton Santos muito técnico e preferiu alguém mais forte na marcação.


Mas a história compensou o jogador. A "Enciclopédia do Futebol", como ficou conhecido durante a carreira, conquistou duas Copas do Mundo: em 1958 e 1962. É, até hoje, um dos jogadores que mais vestiu a camisa da Seleção, que defendeu em quatro Mundiais. Foram 86 jogos e quatro gols defendendo o escrete canarinho.

De Nilton Santos a Arnold e Robertson – A nova evolução das laterais

Por Lucas Paes 
Foto: Divulgação/Liverpool FC 

Esses rapazes sorridentes são um pesadelo para defesas na Europa

As laterais são provavelmente uma das posições que mais tem evoluído no futebol mundial com o avanço dos conceitos táticos e físicos. De relegadas a defesa, com alguma função na saída de bola nos primórdios, as alas viraram chave para o funcionamento de algumas equipes. Hoje, no que é provavelmente o time mais visado do planeta, o Liverpool de Klopp, a posição vive o que pode ser a sua mais nova evolução, quando viraram o motor da equipe. 

A maioria das mudanças na lateral foram alavancadas, ou pelo menos simbolizadas, em jogadores brasileiros. Um dos maiores símbolos de ofensividade para um lateral vem do golaço de Nilton Santos contra a Áustria, na Copa do Mundo de 1958. Era o nascer de uma época onde os laterais começariam a ser um pouco mais utilizados ofensivamente, desde Fachetti iniciando a construção de jogadas na Inter de Helenio Herrera, à Carlos Alberto Torres revolucionando a posição no Brasil e marcando um dos gols mais marcantes da história do futebol na Copa do Mundo de 1970. Por fim, chegamos aos anos 1990, com Cafu e Roberto Carlos, uma belíssima dupla. Cada vez mais os laterais eram e são utilizados ofensivamente, até que chegamos a loucura proporcionada por Robertson e Arnold no Liverpool atual. 

Não é uma evolução que surge do nada no panorama tático atual. Diversas equipes europeias já tiveram um jogo muito apoiado com as laterais. O Barça de Guardiola tinha em Daniel Alves um de seus jogadores mais importantes e o Real Madrid do tricampeonato europeu recente usava e abusava dos avanços de Marcelo. No Brasil, temos desde André Santos sendo crucial na criação ofensiva do Corinthians de 2009 até o Flamengo de Jesus usando Filipe Luis para a criação de espaços. Mas, a dupla dos Reds parece representar uma evolução, que só pode acontecer devido ao sistema tático do time de Klopp. 

Considerado por muitos o melhor time do planeta atualmente, a máquina incansável do alemão usa e abusa da pressão no campo de seus adversários para construir seu jogo. Os gigantes de Merseyside abafam o adversário dentro de seu campo e reduzem os espaços, para depois ou construírem rapidamente um lance letal ou então manterem a posse da bola e rodarem a espreita do momento do bote, como um veneno que enfraquece aos poucos seu algoz. Nos dois casos, a participação de Trent Alexander Arnold e Andy Robertson é essencial, seja nas inversões de jogo que colocam os adversários contra as cordas, abrindo espaço para as mortais infiltrações de Mané e Salah, ou claro, nos precisos passes e cruzamentos para os gols marcados pelos jogadores vermelhos. 

Os números, por mais que as vezes sejam vazios sem um contexto, não mentem. A dupla é, pelo segundo ano seguido, líder de assistências do time na Premier League. Arnold bateu seu próprio recorde pessoal com 13 passes para gol na temporada, enquanto Robertson serviu 12 vezes os companheiros. No biênio 2019/2020, quando os Reds terminaram campeões ingleses, a dupla só ficou atrás de De Bruyne no ranking de assistências da temporada. Além disso, Arnold começa a se tornar cada vez mais mortal nas cobranças diretas de falta, mas isso não é exatamente inédito para laterais. Como atestou o portal Trivela em um dos textos sobre o campeão inglês, os laterais “são a turbina do Liverpool a jato.”


O que torna a dupla do time de Anfield Road tão mortal? O sistema de jogo de Klopp. Quando o Liverpool avança com a bola, Fabinho recua e fica próximo a Van DJik e Gomez na linha defensiva, enquanto tanto Arnold quanto Robertson avançam, muitas vezes ao mesmo tempo. Quando a bola está com o campeão inglês, os laterais avançam e dão amplitude, além de abrir o leque de opções de passe para Salah, Mané e Firmino, facilitando inclusive as aproximações do senegalês e do egípcio, particularidade tão mortal da equipe. Por vezes, os ataques terminam com um dos dois despejando a redonda na área ou então chegam a linha de fundo buscando a opção atrás. As vezes, os ataques são finalizados pela própria dupla, com Robertson tendo uma tendência maior as chegadas com finalização, seja em boas cabeçadas ou em chutes venenosos. 

Outro fator que torna os cruzamentos da dupla tão mortais é o estilo como eles são feitos. Tanto o camisa 66 quanto o capitão da Seleção Escocesa buscam jogadas onde a bola faz a curva por trás dos defensores, entrando a caráter para o ataque do jogador do Liverpool, em posição onde geralmente a finalização já tende a deixar o goleiro e a defesa em apuros, além do sofrimento para cortar a bola nesses passes aéreos. Obviamente, as bolas paradas também viram um arsenal nesses casos. 

A se levar em última análise, a impressão que a mortal dupla de laterais de Anfield deixa é que agora a posição tende a cada vez mais ser usada para impor intensidade e opções no jogo ofensivo. A se seguir pelo estudo dessas características, espera-se que se torne cada vez mais comum a exigência de que os alas saibam cruzar e fazer jogadas, para aumentar o leque de opções das equipes. Além do fim do velho jargão de que se um lateral sobe, o outro fica. De relegada e praticamente ignorada, a função pode se tornar essencial na construção de um escrete vencedor. Ficamos ansiosamente no aguardo dos próximos capítulos da fascinante evolução do esporte bretão.

Nilton Santos, a Enciclopédia do Futebol, e as cores das camisas da Seleção Brasileira

Foto: acervo CBF

Nilton Santos 'puxando a fila' da Seleção Brasileira em um jogo contra a Inglaterra

O futebol brasileiro, a Seleção e o Botafogo têm muito o que comemorar no 16 de maio. É que neste dia, no ano de 1925, nascia no Rio de Janeiro um dos maiores jogadores da história: Nilton Santos, a Enciclopédia do Futebol. Ele, que faleceu em 2013, só defendeu, em sua carreira, o Fogão e o Escrete Nacional, pegando a transição da camisa branca para a amarela e ainda vestiu azul na decisão da Copa do Mundo de 1958.

Nilton Santos começou sua carreira pelo Botafogo na parte final da década de 40. Não demorou para que seu futebol chamasse a atenção da Seleção Brasileira. Em 1949, foi convocado pela primeira vez por Flávio Rodrigues Costa, para a disputa do Sul-Americano daquele ano. Campeão do torneio continental, Nilton conquistou seu espaço na Seleção, que ainda usava camisas brancas, e foi chamado para a Copa do Mundo de 1950, no Brasil. Sem entrar em campo, fez parte do grupo vice-campeão mundial, que perdeu a final para o Uruguai, no Maracanã. No mesmo ano, conquistou a Taça Oswaldo Cruz e a Copa Rio Branco.

No caminho para a Copa do Mundo de 1954, na Suíça, Nilton Santos conquistou a vaga de titular da Seleção Brasileira. Foi no Mundial de 54, quando o Escrete Nacional passou a usar camisas amarelas, que o lateral fez sua primeira partida de Copa com a camisa da Seleção. Foi titular na vitória por 5 a 0 sobre o México e no empate com a Iugoslávia, por 1 a 1. No terceiro jogo, sofreu sua primeira e única derrota (dentro de campo) em um jogo de Mundial: 4 a 2 para a Hungria, nas quartas de final.

Já mais experiente, Nilton Santos chegou à Suécia como dono da lateral esquerda. Na Copa do Mundo de 1958, ele estava destinado a provar seu valor com a Amarelinha. E começou logo pelo primeiro jogo. Na estreia diante da Áustria, foi dele o segundo gol da Seleção, em um movimento até então incomum para os laterais da época. Como elemento surpresa, Nilton Santos entrou na área austríaca e deu um leve toque por cobertura sobre o goleiro adversário. Um gol de classe, com a categoria que o público presentes não estava acostumado a ver de um lateral.


O triunfo por 3 a 0 sobre os austríacos era um presságio do que seria aquela Copa do Mundo. Após o empate por 0 a 0 com a Inglaterra na segunda partida, a Seleção acumulou quatro vitórias consecutivas, em direção ao título, sendo que na final, contra a Suécia, vestiu camisa de cor azul, como o manto de Nossa Senhora de Aparecida, como fez questão de frisar Paulo Machado de Carvalho, o 'Marechal da Vitória', chefe da delegação.

Em 1962, não foi tão diferente. Aos 37 anos de idade, Nilton Santos era um verdadeiro veterano dentro de campo. Líder pela técnica e pela experiência, ajudou a Seleção na conquista do bicampeonato mundial. Novamente, um empate na segunda rodada evitou os 100% de aproveitamento.

A vitória por 3 a 1 sobre a Tchecoslováquia, na final da Copa do Mundo, foi a última partida de Nilton Santos com a camisa da Seleção Brasileira. No gramado do Estádio Nacional de Santiago, no Chile, a Enciclopédia se despediu da Amarelinha com a taça Jules Rimet nos braços. Detém, até os dias de hoje, o recorde de mais Copas do Mundo defendendo a Seleção, ao lado de Cafu, Castilho, Leão, Pelé e Ronaldo.

O gol de Nilton Santos contra a Áustria na Copa de 1958

Por Victor de Andrade

Nilton Santos em ação contra a Áustria: um gol raro para um lateral, ainda mais em uma Copa

Um dos melhores laterais esquerdos de todos os tempos, se não foi o melhor, Nilton Santos foi um dos baluartes do futebol brasileiro nos anos 50. O jogador, que se estivesse vivo estaria completando 93 anos neste 16 de maio de 2018, defendeu a Seleção Brasileira em quatro Copas do Mundo e fez lances que ficaram na história da modalidade.

Um desses lances marcantes aconteceu na Copa do Mundo realizada na Suécia, mais precisamente no dia 8 de junho de 1958, no Rimnersvallen, em Uddevalla, onde o Brasil estreava na competição contra a Áustria. Depois da decepção de 1950 e ter ficado no caminho em 1954, todos estavam apreensivos de como a Seleção iria se apresentar no torneio.

O Brasil se apresentava bem naquela partida, tanto que aos 38 minutos do primeiro tempo, Mazolla abria o marcador. O escrete canarinho teve diversas chances para ampliar a diferença, mas o jogo foi para o intervalo com o placar de 1 a 0. Porém, a jogada de Nilton Santos que ficaria na história aconteceria no início da segunda etapa.

Aos 4 minutos, Nilton Santos recuperou uma bola na defesa e avançou, acompanhado pelo olhar desesperado de Vicente Feola. O treinador gritou, desesperadamente: "volta, volta!", mas o jogador do Botafogo, com sua técnica impar, resolveu avançar ainda mais, tabelou com Mazola, invadiu a área e tocou na saída do goleiro austríaco: 2 a 0 para o Brasil.

Melhores lances da partida

Na época, era muito raro, praticamente proibido, que um lateral passe da linha de meio de campo. Imagine invadir a área e fazer um gol? Porém, ao voltar para a defesa, depois da comemoração, Nilton Santos ouviu um elogio comedido de Feola. O legado dos laterais brasileiros começava a mudar a partir dali.

Bom, o Brasil venceu aquele jogo contra a Áustria por 3 a 0 (Mazolla marcou mais um, no último minuto da partida) e iniciou a grande campanha que terminaria com o primeiro título mundial da Seleção Brasileira, algo que Nilton Santos havia visto, de fora do campo, escapar oito anos antes, no Maracanã, com o gol do Uruguai em cima do titular da sua posição: Bigode.

Em relação aos laterais, depois daquele gol de Nilton Santos, os brasileiros da posição passaram a ser mais uma arma no ataque. Quem não se lembra do tento marcado por Carlos Alberto Torres, lateral-direito, na final da Copa de 1970? Outros times também passaram a adotar a mesma solução. E tudo isto tornou-se mundialmente conhecido com a "Enciclopédia do Futebol".

Nilton Santos - 92 anos da "Enciclopédia"

Nilton Santos: um dos maiores da história do futebol mundial

O dia 16 de maio é uma daquelas datas onde o futebol brasileiro e mundial têm que comemorar. Se estivesse vivo, Nilton Santos, muito provavelmente o maior lateral esquerdo de todos os tempos, completaria 92 anos. E na vida do grande jogador, que faleceu em 27 de novembro de 2013, só houveram duas camisas: a do Botafogo e da Seleção Brasileira.

Nilton Santos foi criado na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, foi descoberto no futebol por um oficial da Aeronáutica, enquanto cumpria o serviço militar. Ele foi levado para o Botafogo em 1948, já com 23 anos, mas com sua técnica logo virou titular do time da Estrela Solitária.

Pela Seleção, conquistou duas das quatro Copas que disputou

Sua acensão no futebol foi tão rápida que no ano seguinte estreou na Seleção Brasileira, pelo Campeonato Sul-Americano de 1949, que foi disputado no Rio de Janeiro e com o Brasil sendo campeão. Mas na Copa do Mundo do ano seguinte, fez parte do elenco, mas ficou na reserva de Bigode por ser "técnico demais", de acordo com Flávio Costa. Pois a Seleção perdeu o título com um gol do Uruguai nas costas do titular, que segundo o próprio treinador era "mais marcador".

Pois se Nilton Santos já era venerado por sua técnica, na década de 50 e 60 ganhou status de ídolo, tanto no Botafogo como na Seleção Brasileira. Pelo Fogão, foram 729 jogos e 11 gols, conquistando diversos títulos, como os Cariocas de 1948, 1957, 1961 e 1962 e o Rio-São Paulo em 1962 e 1964.

Pela Seleção Brasileira foram, simplesmente, duas Copas do Mundo (1958 e 1962), de quatro disputadas, além do já citado Sul-Americano de 1949; a Taça Oswaldo Cruz em 1950, 1955, 1956, 1958, 1961 e 1962; a Copa Rio Branco em 1950; o Campeonato Pan-Americano de 1952; a Taça Bernardo O'Higgins e 1955, 1959 e 1961; e Taça do Atlântico em 1956 e 1960.

Trailer de "Ídolo"

Sua classe dentro de campo e o repertório o deram o apelido de "Enciclopédia". E não é só isso: se você vê hoje laterais apoiando o ataque constantemente, saiba que um dos pioneiros foi Nilton Santos. Antigamente, lateral só servia para marcar e o grande jogador começou a mudar a história. Ele também foi responsável pela entrada de Garrincha no Botafogo. Após tomar um drible de Mané em um teste, Nilton Santos foi categórico: "o contratem!". Foram grandes amigos!

Nilton Santos tem uma biografia mágica, que merece todos os louros. Inclusive, há um documentário chamado "Ídolo", falando da história do jogador, que em sua carreira só defendeu um único clube: o Botafogo. Sua importância é tão grande que o clube fez de tudo para mudar o nome do Estádio João Havelange para Nilton Santos e conseguiu!

O Curioso do Futebol

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