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Cem anos do rádio no Brasil: as primeiras jornadas esportivas

Com informações da Agência Brasil
Foto: reprodução


O jogo amistoso entre as seleções do estado de São Paulo e do Paraná realizado no dia 19 de julho de 1931 cairia, com toda certeza, no esquecimento dos amantes do futebol se não fosse um detalhe: foi neste dia que a Rádio Educadora Paulista transmitiu, por meio de Nicolau Tuma, a primeira partida completa de futebol da história do Brasil com a identidade que conhecemos.

É fato que há registros datados da década de 1920 de transmissões esportivas no Rio de Janeiro. Porém, pesquisadores apontam que a narração de Tuma pode ser considerada como marco nas transmissões esportivas do Brasil por ser uma narração completa, lance a lance. Em depoimento veiculado em programa especial da Rádio MEC sobre 100 anos de rádio no Brasil, o próprio Nicolau falou da importância da data:

Havia transmissões, mas transmissões do que? Era uma reportagem feita no campo. Não com aquela rapidez, velocidade de acompanhamento da bola. Eu comecei isso em 1931, a reportagem "tim-tim por tim-tim", passe por passe, diretamente transmitida por imagem, com emoção de torcedor, de quem acompanha a bola e gol. O gol, então, é uma delícia.

"Imagine uma caixinha de fósforo ou um retângulo. Divida ao meio e teremos os dois lados do campo". Era essa a alusão utilizada pelo Nicolau Tuma para começar a narrar a partida, que terminou 6 a 4 para os paulistas”, conta o jornalista e pesquisador Bruno Micheletti. Foram com palavras como estas que o locutor fez com que a imagem de uma partida de futebol fosse criada nas mentes dos ouvintes no início dos anos 30.

O que basicamente se tinha nos anos de 1920, no rádio, eram notícias sobre os jogos, geralmente se fazia a leitura de telegramas que chegavam às rádios com informação sobre resultados. No Rio de Janeiro, Amador Santos é um nome que se destaca na história das transmissões esportivas. Esse narrador segundo relatos da época possuía um estilo calmo de narrar e enfrentou muita resistência por parte de dirigentes de clubes do Rio de Janeiro.

Essa resistência se deve ao fato de se temer que as transmissões por rádio fizessem com que o público deixasse de frequentar os estádios, o que traria prejuízo financeiro devido à queda de arrecadação na venda de ingressos. Há autores sobre a história do rádio no Brasil que creditam a Amador Santos a primeira transmissão esportiva do país que teria sido feita pela Rádio Clube do Brasil, o que teria acontecido ainda nos anos de 1920.

Porém, a autora Edileuza Soares no seu livro A Bola no Ar, demonstra, a partir de cuidadosa coleta de dados, que o pioneirismo cabe a Nicolau Tuma em São Paulo. Em 1931 Nicolau Tuma faz a primeira transmissão direta de futebol, uma transmissão de lance a lance do jogo. Ele é o primeiro locutor a transmitir durante 90 minutos uma partida de futebol diretamente do estádio. E assim é lançada essa possibilidade, construindo desse modo, no Brasil, a tradição de se transmitir jogos ao vivo. Tradição que obviamente foi se modificando à medida que novas técnicas narrativas e de transmissão radiofônica.

É possível que tenha havido outros locutores que tenham feito transmissões, antes de Nicolau Tuma, mas a diferença fundamental da transmissão feita por Nicolau reside no fato de ter narrado lance por lance de um jogo. O jogo em questão foi uma disputa entre as seleções dos estados de são Paulo e Paraná, ocorrido no campo da Chácara da Floresta, em São Paulo. Nicolau é um pioneiro na criação de uma técnica de se narrar futebol enquanto a partida era realizada.

Com limitações técnicas, Nicolau Tuma e outros locutores dos primórdios tiveram que realizar verdadeiros malabarismos para transmitir as partidas. Na época, as intempéries para quem queria transmitir um jogo de futebol não eram poucas.

“Não era fácil de conseguir uma linha telefônica para se fazer uma transmissão. Às vezes era necessário contar com ajuda da vizinhança ao redor dos estádios que pudessem ceder uma linha telefônica. Enfim, a gente estava longe de ter condições razoavelmente apropriadas para transmissão em um estádio”, conta a professora e pesquisadora de esporte Leda Maria da Costa.

Em alguns casos, sequer era permitido entrar nos estádios. A proibição gerou situações pitorescas. Ainda nos anos 1930, o locutor Amador Santos chegou a ter que transmitir uma partida de futebol (um clássico entre Flamengo e Fluminense), de acordo com o livro “Bastidores do Rádio: Fragmentos do Rádio de Ontem e de Hoje", do radialista Renato Murce, do telhado de um galinheiro dos arredores do estádio de São Januário, no Rio de Janeiro.

Na hora da locução, também havia obstáculos. O locutor não tinha a figura do repórter e do comentarista e não havia espaço para publicidade no meio das partidas. Essas limitações eram dribladas pela criatividade de quem transmitia e ajudaram Nicolau Tuma a moldar o estilo radiofônico que conhecemos hoje.

“A preocupação do Nicolau era que tinha que preencher todo o tempo da transmissão com palavras por que ele imaginava que qualquer momento de silêncio poderia fazer com que as pessoas desligassem o rádio ou mudassem de estação”, conta Leda Maria da Costa. O ritmo frenético chegava a 250 palavras ditas, de forma clara, por minuto.


O professor e pesquisador Márcio Guerra destaca o pioneirismo da forma de narrar do locutor, que a partir de 1932 passaria a se destacar na Rádio Record de São Paulo: “Foi o primeiro narrador a dar o ritmo que a gente conhece hoje nas coberturas esportivas pelo rádio. Foi por isso que recebeu o nome de speaker metralhadora”, diz.

O que era desconfiança no começo passou, mesmo com os contratempos, a cair no gosto das pessoas. O espaço esportivo passou (no período do início da profissionalização e autorização da publicidade radiofônica) a atrair anunciantes e, consequentemente, recursos. Nesta evolução, o ano de 1938 foi um marco.

Corinthians realiza mostra cultural em homenagem ao centenário de Dom Paulo Evaristo Arns

Com informações do Corinthians
Foto: José Manoel Idalgo

Faixa em homenagem ao corinthiano Dom Paulo Evaristo Arns

Na manhã do sábado, dia 18, o Corinthians, por meio do seu Departamento de Responsabilidade Social e Cidadania, em parceria com o Departamento Cultural, inaugurou a mostra cultural em homenagem ao centenário de Dom Paulo Evaristo Arns (1921-2016).

Realizada no Memorial Corinthians, a mostra reúne livros, reportagens e fotografias do Cardeal brasileiro, que era um corinthiano fanático. Uma de suas obras é o livro "Corintiano, Graças a Deus."

Na inauguração da mostra estiveram presentes o presidente do Corinthians, Duilio Monteiro Alves, o vice-presidente Luiz Wagner Alcântara, o diretor de Responsabilidade Social e Cidadania, Adílson Monteiro Alves, e o Padre Júlio Lancelotti, presbítero engajado em causas sociais e que era muito amigo de Dom Paulo Evaristo Arns. Também estiveram no Memorial outros membros da diretoria do clube.

"Agradeço muito o privilégio de estar aqui neste momento, celebrando o centenário de Dom Paulo. Gostaria de agradecer à diretoria do Corinthians e a todos que promovem este momento. Viver e conviver com Dom Paulo era uma aprendizagem contínua, tenho muito orgulho disso", disse Pe. Júlio Lancelotti.


"É um prazer fazer parte das homenagens ao centenário de Dom Paulo, um homem que dedicou sua vida ao povo, que lutou contra o autoritarismo, e fico muito orgulhoso de estar ao lado do meu pai, que no Corinthians também levantou essa bandeira", concluiu Duilio.

A mostra estará aberta ao público até 31/10/21. O Memorial Corinthians fica aberto de terça a sexta das 10h às 17h e aos sábados, domingos e feriados das 10h às 16h.

O centenário do Cruzeiro - Quando ainda se chamava Palestra Itália

Com informações do GE.com
Foto: arquivo

Time tricampeão mineiro

Em 02 de janeiro de 1921, na rua Tamoios, em Belo Horizonte, nascia a Societá Sportiva Palestra Itália. Chamado de Palestra Mineiro, tornou-se o clube da colônia italiana em Minas. A primeira sede foi nos arredores da Praça Sete. O Palestra usava uniforme verde e branco, posteriormente com detalhes em vermelho, em alusão à bandeira italiana, o que durou até a década de 1940.

O primeiro jogo da história foi vitória por 2 a 0 diante de um combinado do Villa Nova e do Palmeiras. Dois gols de Nani. O primeiro clássico contra quem se tornaria seu arquirrival – Atlético-MG – foi logo depois e também com vitória palestrina: 3 a 0, dois de Atílio e um de Nani.

Em dezembro de 1921, o clube recebeu o terreno no bairro Barro Preto – hoje o Parque Esportivo, em Belo Horizonte – para a construção do “estadinho”. As obras começaram em julho do ano seguinte. Também em 1922, o ainda Palestra disputou a primeira final da história, perdendo para o América-MG.

Em 1925, o Cruzeiro tem a primeira reforma do seu estatuto, que eliminou a restrição de o clube apenas ter italianos. Em 1926, o Palestra foi punido por seis meses por participar de um amistoso com o Caçavapense-SP, sem permissão da Liga mineira. No mesmo ano, o clube se junta a outros e forma a Associação Mineira de Esportes Terrestres e, com isso, é excluído da Liga Mineira. Nele, conquista o torneio de 1926, com uma goleada por 10 a 1. No ano seguinte, as duas associações se uniram. Também nesse ano ocorreria a maior goleada da história sofrida para o Atlético-MG: 9 a 2, pelo Campeonato da Cidade.

Em 1928, o Cruzeiro faz as primeiras contratações da história, entre eles o primeiro estrangeiro – Gutiérrez, um uruguaio. Matturio Fabbi passa a ser o primeiro treinador da história do Palestra. Até então, o time era escalado pelo capitão e pela diretoria de futebol.

No mesmo ano, o clube tem a maior goleada da sua história: 14 a 0 sobre o Alves Nogueira, pelo Campeonato da Cidade. Ninão marcou 10 gols e se tornou o jogador a fazer mais gols em uma única partida no futebol brasileiro e também o artilheiro com mais gols em uma edição estadual (43).


No mesmo ano, o Cruzeiro teve o primeiro título mineiro reconhecido pela FMF, após goleada por 6 a 1 sobre o Villa Nova, em jogo já disputado em 1929. Seria o primeiro do tricampeonato. Em 1929, o clube conquistou o título com 100% de aproveitamento em cima do rival Atlético-MG, após goleada por 5 a 2. O tri foi completado com outra campanha 100% e uma goleada por 8 a 0 sobre o Sete, no jogo que valeu o título.

Nestes primeiros 10 anos, surgiram os primeiros grandes jogadores da história do Cruzeiro, como o goleiro Geraldo, que atuou no clube desde a função até a década de 1940. A dupla da família Fantoni (os irmãos Niginho e Ninão, além do primo Nininho). O Cruzeiro também teve importantes artilheiros como Bengala e Carazzo, entre outros grandes jogadores da época.

Estádio Ulrico Mursa - 100 anos da casa da mais Briosa

Foto: Arquivo e Divulgação

Dois momentos do estádio: em 1928 e atualmente

Este 5 de dezembro de 2020 é uma data especial para a Associação Atlética Portuguesa. O Estádio Ulrico Mursa, a casa da mais Briosa, está completando 100 anos de fundação. Um local mítico, sendo um dos campos mais tradicionais do futebol paulista, quiçá brasileiro e mundial.

O Estádio foi inaugurado em 5 de dezembro de 1920, em um amistoso onde a Portuguesa Santista goleou o Sírio pelo placar de 6 a 0. Porém, a luta da Briosa para conseguir a sua praça de esportes foi difícil. Porém ela começou a ser concretizada quando o engenheiro Ulrico Mursa, fluminense de nascimento, português de sangue, e diretor da Companhia Docas, que cuidava do Porto de Santos, cedeu o terreno para o clube. E assim nascia o campo que recebeu o nome de seu benfeitor.


Aliás, o Estádio Ulrico Mursa teve pioneirismos. O primeiro deles foi em 1928, quando construiu-se uma arquibancada com blocos, cimento e cobertura. Naquela época, pavilhões deste tipo eram apenas de madeira. E esta arquibancada acabou sendo a primeira de alvenaria da América Latina.

Dez anos depois, a Portuguesa Santista ainda conseguiu uma nova proeza. Foi um dos primeiros clubes a ter em seu estádio um sistema de iluminação, bancado através de campanhas realizadas pela própria torcida. Para marcar a ocasião, a Portuguesa Santista enfrentou o Vasco da Gama, a qual perdeu por 5 a 4.


O Estádio Ulrico Mursa ainda teve mais dois sistemas de iluminação: o segundo, inaugurado em 1958, em um amistoso contra o Santos, e o terceiro, que funciona até os dias de hoje, colocado para funcionar pela primeira vez em uma vitória contra o São Paulo, por 3 a 1, no Campeonato Paulista de 2000.

O primeiro jogo interestadual do estádio aconteceu em 8 de dezembro de 1925, em uma vitória da Briosa por 3 a 2 sobre o Botafogo do Rio. Já a primeira partida internacional ocorreu menos de um ano depois. Em 8 de setembro de 1929, a Portuguesa goleou o Vitória de Setúbal por 4 a 0. Já o primeiro embate contra o rival Santos no campo foi em 11 de março de 1923 e deu Briosa: 1 a 0.

Ulrico Mursa - Nascido em Niterói, no dia 18 de abril de 1862, foi um engenheiro e diretor da Companhia Docas de Santos. Em 1882, estudou engenharia na Universidade de Karlsruhe, em 1884 na Universidade de Braunschweig e na Universidade de Hanôver. Ao regressar ao Brasil, Mursa participou da fundação da Cia. Docas de Santos, inaugurada em 1892, além da construção da represa do Açude do Cedro, e da açudagem do Porto de Santos e do Porto de Belém.


Mursa foi associado benemérito e o primeiro presidente da Associação Beneficente dos Empregados da Companhia Docas de Santos, uma associação dos empregados da Docas. Ele era membro do conselho geral da Associação Protetora da Infância Desvalida. Sendo um dos maiores benfeitores da Associação Atlética Portuguesa, Mursa doou em 1914 a área usada para a construção do estádio da Portuguesa, que começou em 1917 e inaugurado em 1920, tendo sido por isso homenageado com o seu nome dado ao estádio e a uma avenida de Santos.

Comemoração - A Diretoria da Briosa pretendia comemorar em grande cerimônia essa importante data para a agremiação. No entanto, dado ao aumento dos casos de Covid-19, no melhor uso do bom senso, achamos por bem aguardar um melhor momento para essa celebração.

O terceiro e último título catarinense do Caxias de Joinville

Foto: Arquivo

Em pé: Juca, Puccini, Ivo Meyer, Arno Hoppe, Hélio e Joel;
Agachados: Filo, Boca, Cleuson, Didi e Carioca

Neste 12 de outubro de 2020, o Caxias Futebol Clube, da cidade de Joinville, está comemorando o seu centenário de fundação. Entre idas e vindas, envolvido até na fusão que gerou o Joinville Esporte Clube, voltou às atividades em 2000, mas atualmente licenciado, o Alvinegro teve na década de 50 o seu ápice. Campeão catarinense primeiramente em 1929, a equipe foi bicampeã estadual em 1954 e 1955.

Os anos 50 foram de glória para o Caxias Futebol Clube. Com a reestruturação feita pela diretoria, principalmente no elenco, o alvinegro joinvilense conquistou dois títulos estaduais seguidos, quebrando um jejum que vinha desde 1929, quando foi campeão pela primeira vez.

O primeiro deles veio em 1954. O Caxias chegou à decisão contra o Tubarão. No primeiro jogo, o Caxias venceu pelo placar de 4 a 2. No segundo, um empate em 2 a 2 garantiu o título para a equipe de Joinville. Porém, esta era teria mais um título e seria já no ano seguinte.


Em 1955, os dois primeiros confrontos entre as duas equipes, em Joinville e Blumenau, respectivamente, terminaram empatados em 2 a 2. O título foi conquistado em um campo neutro, em Florianópolis. Assim como no Citadino, o Caxias levou o título de forma invicta e teve ainda Didi como artilheiro, com seis gols.

Depois do bicampeonato, formando três títulos estaduais, o Caxias nunca mais conseguiu ser campeão na elite catarinense. O máximo que conseguiu de taças foram dois títulos na era do retorno, já nos anos 2000: a Série B de 2002 e a Série C de 2010. O Alvinegro até esboçou um retorno ao futebol neste 2020, ano do centenário, mas a pandemia de coronavírus abortou a pretensão do clube.

Os 100 anos da Lusa, uma casa de craques em rubro-verde

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

O Canindé foi palco de muitas histórias dos craques rubro-verdes

O ano de 2020 marca o centenário de uma das mais tradicionais instituições do futebol brasileiro: a Associação Portuguesa de Desportos, chamada de Portuguesa, Lusa, completa seu centésimo ano de existência neste dia 14 de agosto. Ao longo dessa linda e fabulosa história, contada em vários gols e momentos vestidos em rubro-verde, a Lusa foi casa de vários craques, como foi possível ver na seleção histórica montada por jornalistas e postada aqui no site. Muitos desses craques moldaram os momentos mais bonitos da trajetória rubro-verde.

A equipe tem a seguinte escalação: Félix, Djalma Santos, Luis Pereira, Brandãozinho, Zé Roberto, Capitão, Enéas e Dener, Julinho, Pinga e Ivair, com Oto Glória no comando. É de se imaginar que sob o comando do treinador campeão paulista de 1973, naquela conquista dividida com o Santos, a Lusa jogasse com muita solidez defensiva, com uma dupla de zaga que possui dois titãs na missão de evitar gols adversários e a proteção ainda feita por um volante que até hoje é adorado na internet pela solidez do seu jogo, o nobre Oleúde, vulgo Capitão. Ainda com Zé Roberto e Djalma Santos oferecendo bom apoio ao movimento defensivo da equipe.

Só que se a equipe teria solidez defendendo, também teria um ótimo ataque. Ainda nos laterais, Zé Roberto e Djalma Santos ofereceriam um ótimo apoio a movimentação ofensiva da equipe. Polivalente, Zé Roberto seria capaz de quebrar linhas defensivas adversárias com bons passes, assim como fornecer perigo em boas finalizações e Djalma Santos também poderia oferecer qualidade em passes. Na parte ofensiva, porém, o maior destaque do time seriam com certeza as jogadas do eterno Dener, rasgando defesas como um raio com dribles e movimentações desconcertantes. 

Dener ainda teria parar combinar jogadas no trio de ataque três fortíssimos jogadores de frente, o artilheiraço Pinga, maior goleador da história rubro-verde, além do ótimo Ivair e do craque Julinho Botelho. O quarteto poderia causar pesadelos nas mais diversas defesas com jogadas ensaiadas em velocidade e com ataques bem armados por Oto Glória. O time histórico da Lusa seria algo muito bonito de ver jogar, seria uma ótima experiência para os fanáticos torcedores da Fabulosa, sejam eles ou não da Leões.


Mas nem só dessa seleção histórica vive a trajetória linda do clube do Canindé. Como esquecer os ótimos times de 1996 e 1998? Como ignorar Rodrigo Fabri, Athirson, Caio, Jorginho, Zinho? Como ignorar os heróis da eterna "BarceLusa"? Weverton, Ananias, ou melhor, Ananiesta, Edno, ou melhor, PelEdno? A história da Lusa tem muitas páginas, mas é preciso também que o clube não fique eternamente preso a ela e não vislumbre um futuro. 

No centenário, a Portuguesa vive um dos piores momentos da sua vida. Acima de tudo, quando este lindo e amado clube do nosso futebol completa essa marca tão significativa, que se pense no futuro. Num futuro onde dirigentes não vilipendiem o patrimônio rubro-verde, num futuro onde não sejam tão poucos os presentes nas arquibancadas do Canindé, num amanhã onde o clube esteja bem cuidado. Num novo dia onde surjam novamente craques do calibre de Zé Roberto, Dener Rodrigo Fabri, entre outros nomes. Acima de tudo, num futuro onde se possa permanecer na "certeza, que tu és grande, Portuguesa.".

Jornalistas e torcedores ilustres elegem a Portuguesa de todos os tempos

Por Raoni David / FPF


Eleger a seleção dos melhores de um clube que completa 100 anos é um grande desafio. Ao mesmo tempo, porém, é a oportunidade de contar a sua história, lembrar glórias e derrotas, além de outros tantos nomes que ficam fora do 11 ideal, mas que são tão importantes quanto os que nele figuram. Com ajuda de jornalistas e torcedores ilustres da Portuguesa, chegamos ao que seria o melhor time de todos os tempos do clube.

Montado num hipotético 4-3-3 clássico, o melhor 11 da história da Portuguesa seria bastante ofensivo, versátil e rápido. Prova disso é que Enéas, Ivair e Dener, recebem vários votos como meio-campistas e como atacantes. O mesmo acontece com Brandãozinho, lembrado como zagueiro e volante.

Outra peculiaridade são as várias épocas retratadas no time escolhido como ideal. Representantes de grandes equipes lusas na década de 1950, Djalma Santos, Brandãozinho e Pinga ganham a companhia de jogadores que atuaram até a década de 1990, como Zé Roberto, Capitão e Dener.

“Um timaço deste na seleção do Centenário é sinal de que a Portuguesa é um time que não só revelou grandes jogadores, mas que também grandes jogadores vieram jogar na Portuguesa. Craques memoráveis do futebol brasileiro”, salientou o presidente do clube, Antônio Carlos Castanheira. “Fico orgulhoso de presidir a Portuguesa num momento como este, e isso só nos motiva a cada vez mais pra fazer o melhor”, completou Castanheira.

A Seleção do Centenário - O goleiro é Félix. Com oito dos 16 votos, o titular da campanha da Seleção Brasileira no tricampeonato Mundial no México, em 1970, teve duas passagens pelo time do Canindé. Primeiro entre 1955 e 1957, antes de passar três temporadas emprestado ao Nacional. De volta, atuou entre 1961 e 1968, antes de ir para o Fluminense, clube pelo qual foi convocado à Copa. Na Lusa fez 305 jogos com 147 vitórias, 87 derrotas e 71 empates.

Toda vitalidade exigida a um lateral direito era ponto fundamental em um dos maiores e pioneiros da posição. Djalma Santos foi bicampeão do Mundo com a Seleção Brasileira em 1958 e 1962 e se destacou em mais de uma década com a camisa rubro-verde. Atuou pela equipe de 1948 a 1959 e conquistou dois Torneio Rio-SP em 434 jogos com 229 vitórias, 129 derrotas, 76 empates e 33 gols marcados.


De passagem breve pelo clube, Luis Pereira marcou e garantiu lugar na defesa da seleção lusa. Ídolo do Palmeiras e com história destacada no Atlético de Madrid, da Espanha, Luis Pereira chegou ao Canindé em 1985, já com 36 anos. Fez parte do time que chegou à decisão do Campeonato Paulista -derrotado pelo São Paulo- e jogou 59 vezes com 24 vitórias, 22 empates e 13 derrotas, tendo anotado três gols.

Contemporâneo de Djalma Santos na Lusa, Brandãozinho é um versátil defensor do que pode ser considerado o melhor time da história do clube. Atuando principalmente como médio-volante, também foi utilizado na zaga em diversos momentos, tanto que seus votos foram divididos nas duas funções. Defendeu a Portuguesa de 1949 a 1955, conquistando dois Torneios Rio-SP em 288 jogos com 162 vitórias, 79 derrotas, 47 empates e 21 gols marcados.

Habilidoso, o canhoto Zé Roberto foi revelado no clube do Canindé em meados da década de 1990 onde atuou como lateral esquerdo. Na carreira, migrou para o meio de campo, se destacando especialmente no futebol alemão. Era o camisa 6 do time que deixou escapar o título Brasileiro de 1996 nos últimos minutos. Atuou por 132 partidas venceu 60 jogos, perdeu 39 vezes e empatou 33 jogos. Marcou três gols.

Na proteção da defesa, o volante Capitão foi o escolhido. Com três passagens pelo clube -de 1988 a 1993, de 1995 a 1997 e entre 2003 e 2004- se destacou por sua dedicação e posicionamento à frente dos zagueiros em seus quase 500 jogos com a camisa da Lusa. Foram 496 jogos com 190 vitórias, 167 empates e 139 derrotas com nove gols marcados.

Histórico camisa 8 da Portuguesa, revelado no Canindé, Enéas Camargo foi um dos melhores e mais completos jogadores do Brasil na década de 1970. Jogou pela equipe de 1971 a 1980, fazendo parte do título paulista de 1973 e do vice-campeonato de 1975. Versátil, além de construir as jogadas ofensivas, chegava bem no ataque, tanto que recebeu votos como atacante na seleção. Atuou por 379 jogos, venceu 139, empatou 129 e perdeu 111 vezes. Marcou 167 gols.

Talentoso, rápido, driblador e abusado, Dener foi uma das maiores promessas da história do futebol brasileiro. Revelado na Portuguesa e alçado ao time profissional no final de década de 1980, teve dificuldades para se firmar por problemas disciplinares. Quando conseguiu, porém, encantou. Destaque na Copa São Paulo de 91, chamou a atenção de diversos clubes do Brasil e do Mundo, tendo atuado com êxito por Grêmio e Vasco. Emprestado ao clube carioca e já negociado com o Stuttgart da Alemanha, morreu em um acidente de carro. Na Portuguesa fez 141 jogos com 53 empates, 47 vitórias e 41 derrotas. Marcou 24 gols.

De tanta qualidade, Julinho Botelho calou com três gols o Maracanã que reclamava a ausência de Garrinha. O ponta-direita revelado pelo Juventus passou três temporadas na Portuguesa antes de atuar pela Fiorentina e o Palmeiras. Campeão do Torneio Rio-SP de 52 e 55, fez 182 jogos com 111 vitórias, 41 derrotas e 30 empates. Marcou 90 vezes.

Maior artilheiro da história da Portuguesa, com 235 gols, Pinga era um ponta esquerda com faro de gol e que no time ideal seria ‘sacrificado’ para atuar como centroavante. Na Portuguesa entre 1944 e 1952, foi para o Vasco da Gama após a conquista do Torneio Rio-SP de 1952, onde também fez história. Na Lusa atuou por 270 partidas com 156 vitórias, 73 derrotas e 41 empates.


Iniciando sua carreira na Portuguesa em 1963, no auge de Pelé, já proclamado o ‘Rei do Futebol’, o meia-atacante Ivair ficou conhecido como ‘O Príncipe’, tamanha a sua qualidade em campo. Jogou no clube até 1969, ficando com o vice-campeonato do Paulista de 1964, em duelo direto com o Santos. Também bastante versátil, recebeu votos para ser meia e atacante na seleção do centenário. Fez 307 jogos, com 127 vitórias, 96 derrotas e 84 empates. Marcou 103 gols.

O comandante deste timaço é Oto Glória, treinador que fez história no futebol mundial, comandando times como Vasco da Gama, Benfica, Porto, Sporting e a própria seleção de Portugal na Copa do Mundo de 1966. Trabalhou na Lusa nas temporadas de 1962 e 1963, e de 1973 a 1977. No total esteve à beira do gramado em 334 oportunidades e viu seu time vencer 128 vezes, empatar 120 partidas e ser derrotada em 86 jogos.

Votaram - André Zorzi, Antônio Carlos Castanheira, Antônio Quintal, Celso Unzelte, Cristian Gedra, Don Roberto, Eduardo Affonso, Felipe Andreoli, Flávio Gomes, João Carlos Martins, Lucas Ventura, Luiz Carlos Duarte, Luiz Nascimento, Marcos Teixeira e Ubiratan Leal.

Também foram citados:
Goleiros: Batatais, Clemer, Dida, Everton, Muca, Rodolfo Rodrigues e Zecão;
Lateral direito: Zé Maria;
Zagueiros: Calegari, César, Daniel Gonzalez, Emerson, Marinho Peres, Nena e Noronha;
Lateral esquerdo: Ceci;
Meio-campistas: Badeco, Mendonça, Rodrigo Fabri e Toninho;
Atacantes: Nininho, Paulinho MacLaren, Renato, Roberto Dinamite e Simão;
Técnico: Candinho.

Com lançamento de documentário e várias atividades, Lusa comemora o seu centenário


Dia 14 de agosto de 1920. Nesta data era fundado um dos clubes mais tradicionais do futebol paulista, a Associação Portuguesa de Desportos. Completando 100 anos, o clube, mesmo com a quarentena devido à pandemia de coronavírus, planejou uma programação especial para comemorar a data.

O grande destaque do dia fica por conta do lançamento do documentário Lusitanos. Produzido pelo Acervo da Bola, com direção de Cristiano Fukuyama e Luiz Nascimento, dupla que já assinou outros longa-metragens como “Rubro-Verde Espetacular” e “Ivair - O Príncipe do Futebol”, vencedor do prêmio de melhor filme do CINEfoot em 2016, o filme tem relatos de vários personagens da história rubro-verde.

O filme será exibido às 21 horas no Facebook, nas páginas do Acervo da Bola, da Portuguesa, do Esporte Interativo, do Museu do Futebol, da Federação Paulista de Futebol, do CINEfoot, do NETLUSA e do Rádio Paixão Lusa!, e também no no canal da RedeTV! no YouTube.

Outras atrações - Logo à meia-note, o torcedor da Portuguesa pôde acompanhar uma bela festa, através das redes sociais do Clube, que foi muito bonito. O mesmo se repetiu às 7 horas. Já diretamente do Salão Nobre do Canindé, a partir das 11h, a Live do Centenário vai mostrar como está o dia da Portuguesa e contará com depoimentos de grandes ídolos da história rubro-verde, das mais diferentes épocas.


Enquanto a LIVE rola no Facebook, o Canindé abre suas portas, a partir das 13h, para o Drive Thru do Centenário. Durante quatro horas, quem quiser, poderá ir de carro ao Clube e comprar a camisa oficial da Portuguesa, produtos licenciados, além da linha especial dos 100 anos. Durante a primeira hora (das 13h às 14h), o acesso será exclusivo somente para Sócios-Torcedores em dia. Em breve o catalogo de produtos será disponibilizado.

Resgatando o início do clube, Lusa lança camisa em comemoração ao centenário

Fotos: Cristiano Fukuyama

A camisa comemorativa lançada nesta sexta-feira

A temporada de 2020 é especial para a Portuguesa de Desportos, mesmo com a quarentena por conta da pandemia de coronavírus. É que o clube completará 100 anos de fundação, exatamente no dia 14 de agosto. Uma das ações para comemorar o centenário é o lançamento de uma terceira camisa, especial, confeccionada pela Ícone, que foi realizada nesta sexta-feira, dia 1º de maio.

A camisa comemorativa resgata a origem da agremiação e remete à sua fundação, em 1920, quando a Lusa jogava de vermelho. O novo uniforme traz o primeiro escudo utilizado pela Portuguesa, o mesmo que Portugal carrega em sua bandeira.

A nova camisa também tem outros detalhes para celebrar os cem anos, como detalhes dourados na manga e no colarinho e o logo do centenário na barra. Nas costas, estão inscritos os anos de 1920, de fundação, e 2020, atual.

Esta é a camisa de goleiro

Já a camisa de goleiro especial será verde, com os mesmos detalhes das camisas do uniforme de linha. A escolha da cor verde para o uniforme dos arqueiros é também uma referência à bandeira portuguesa. Formando o famoso rubro-verde.

Por causa da pandemia do novo coronavírus, que suspendeu todas as competições esportivas no país (e mundo afora), a Portuguesa não tem data para estrear a nova camisa. A equipe disputa na atual temporada a Série A2 do Campeonato Paulista (está na oitava colocação, dentro da zona de classificação para a fase final) e a Copa Paulista (ainda não iniciou). A venda para torcedores deve ocorrer nas próximas semanas, com preço sugerido de R$ 199.

'Vaquinha Virtual' é feita para realização de livro oficial do centenário da Lusa

Foto: divulgação


A Associação Portuguesa de Desportos completará 100 anos em 14 de agosto de 2020 e a editora Onze Cultural prepara a edição do Livro Oficial do Centenário para perpetuar uma história de amor e lutas. Para realizá-lo, estão organizando uma 'vaquinha virtual' no site Kickante. As doações começam em R$ 120,00 e vão até R$ 10 mil.

De acordo com a editora, será publicado um livro de arte, ricamente ilustrado, com 320 páginas. Livro com acabamento de luxo, capa dura, narrando os jogos inesquecíveis, os títulos conquistados, os grandes esquadrões, as histórias de torcedores e os momentos grandiosos que merecem ser eternizados.

Todas as emoções vividas pelos torcedores da Lusa nesses 100 anos serão revividas nesta obra de arte. Este é um produto oficial licenciado pela Associação Portuguesa de Desportos e será lançado em agosto de 2020, durante as comemorações do Centenário da Lusa.

Conheça os autores da obra:

Flavio Gomes é jornalista, escritor, professor e apresentador. Atuou em diversos jornais, revistas, rádios e televisões do Brasil. Quatro vezes vencedor do Prêmio Aceesp, atualmente é comentarista e apresentador do canal Fox Sports.

Jorge Nicola cobriu duas Copas do Mundo, foi colunista do Diário de São Paulo e atualmente escreve para o portal Yahoo, além de ser comentarista no canal ESPN. Foi autor do livro “Os dez mais da Portuguesa”, que retrata importantes jogadores da Lusa.

Antonio Quintal, jornalista e historiador da Portuguesa, apresenta o programa Paixão Lusa na rádio Trianon.

Luiz Carlos Duarte teve passagens pelo jornal Agora São Paulo, onde atuou como editor, e também pela redação da Folha de São Paulo.

Antonio Carlos Pires é médico psiquiatra, formado pela Escola Paulista de Medicina, e apaixonado pela história da Portuguesa. Sócio desde 1956, já foi conselheiro e atualmente é diretor de Comunicações e Marketing da Lusa.


Luiz Nascimento é jornalista e atua como coordenador de afiliadas da Rádio CBN. É também editor do Acervo da Bola/Acervo da Lusa e blogueiro da Portuguesa no portal GloboEsporte.com.

André Carlos Zorzi é autor do livro “Para nós és sempre o time campeão - A Portuguesa no ano de 1996”. Atualmente é repórter do jornal O Estado de São Paulo e já atuou em jornalismo corporativo e assessoria de comunicação.

Mauro Beting é comentarista do canal Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, além de blogueiro do portal UOL. Autor de 18 livros e editor da revista Corner, é também curador do Museu da Seleção Brasileira de Futebol. Atuou em veículos como Folha da Tarde, Agora São Paulo e Lance!

Em 2004, a última vez do Brasil jogando de branco

Por Victor de Andrade

Em pé: Luisão, Dida e Cris. No meio: Cafu, Edmilson e Roberto Carlos.
Sentados: Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, Juninho Pernambucano e Zé Roberto (foto: arquivo CBF)

Na Copa América deste ano, que será realizada em terras tupiniquins, que começa no dia 14 de junho, a Seleção Brasileira terá, em um de seus uniformes, a camisa de cor branca, em alusão ao primeiro título Sul-Americano de Seleções conquistado pelo Brasil, que está completando 100 anos, e foi realizado no Rio de Janeiro. A última vez em que o time desta terra jogou de branco foi em 20 de maio de 2004, em um jogo contra a França.

Porém, antes de chegar à esta partida no Stade de France, há uma história que precisa ser contada. Desde o primeiro jogo da Seleção Brasileira, contra o Exeter City, nas Laranjeiras, em 1914, o uniforme número 1 da equipe contava com a camisa branca. Alguns detalhes foram mudando, principalmente na manga, e até o short, que também foi branco, mudou para a azul. Mas a camisa continuava branca.

Os capitães no sorteio: árbitros também de camisa retrô

Com a camisa branca, a Seleção Brasileira conquistou seus primeiros títulos, como os Sul-Americanos de 1919, 1922 e 1949, todos realizados no próprio país. Porém, tudo isto começa a mudar após perder a Copa do Mundo de 1950, também realizada em solo tupiniquim. Na ânsia de achar culpados pela derrota para o Uruguai, logo levantou-se a hipótese de que a camisa branca dava azar. Exatamente isto!

Chegou-se a fazer até um concurso para escolher um novo uniforme para a Seleção Brasileira e no ciclo entre as Copas de 1950 e 1954, a camisa amarela passou a ser usada. E foi assim que a equipe virou a "Canarinha" e conquistou cinco Copas do Mundo (jogando de azul algumas vezes, diga-se), dando argumentos para os teóricos do "azar da camisa branca". A camisa branca foi utilizada no Campeonato Panamericano de 1952, onde o Brasil foi campeão.

A Seleção Brasileira não usou mais a camisa branca até o dia 20 de maio de 2004. Para comemorar o seu centenário de fundação, que seria no dia seguinte, a Fifa promoveu um amistoso entre os dois últimos campeões do mundo: a França, em 1998, e o Brasil, em 2002. Porém, como era um jogo comemorativo, exigiu que as duas equipes entrassem em campo, no primeiro tempo, com um uniforme retrô, que começava a fazer sucesso de vendas nos clubes, e que remetesse o início de cada seleção.

Zidane sendo marcado por Edmilson

A França entrou no gramado do Stade de France, em Saint-Denis, com seu uniforme retrô, azul, cor de "Les Bleus" que nunca mudou. A Seleção Brasileira foi a campo com a camisa branca, com uma faixa azul nas mangas, o que não acontecia desde a primeira metade dos anos 50. Pudemos ver jogadores como Kaká, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho defendendo a Seleção Brasileira de camisa branca. Apesar de todo este "brilho retrô", o primeiro tempo daquela partida não fez jus aos jogos do passado, que tinham muitos gols, e terminou com o placar de 0 a 0.

Na segunda etapa, os times voltaram a campo com os seus então uniformes da época. Assim, o Brasil voltava a usar amarelo. A situação não mudou e aquela partida terminou com o placar de 0 a 0. E agora, 15 anos depois, na Copa América que será realizada no Brasil, 100 anos do primeiro Sul-Americano realizado nestas terras, onde a Seleção Brasileira foi campeã, a camisa branca voltará a ser utilizada.

Laranjeiras 100 anos: a primeira casa da Seleção Brasileira

Laranjeiras lotada para um jogo da Seleção: dois títulos Sul-Americanos (foto: Arquivo CBF)

Ao conversar com qualquer torcedor do Fluminense, é provável que você, em algum momento, ouça a frase “nós somos a história”. Os olhos tricolores brilham ao relembrar capítulos da equipe carioca - e não faltam motivos para justificar tamanho orgulho. Dentre os marcos gloriosos do clube está o tradicional Estádio de Laranjeiras: comemorando 100 anos de fundação neste sábado, 11 de maio, o estádio (de nome oficial Estádio Manoel Schwartz) foi a primeira casa da história da Seleção Brasileira. 

Construído para o Campeonato Sul-Americano (atual Copa América) de 1919, Laranjeiras é pioneiro desde sua construção - afinal, foi o primeiro estádio de concreto do Brasil. Sede do torneio continental de seleções, foi lá que demos o pontapé inicial para nossa primeira conquista, com uma goleada por 6 a 0 sobre o Chile. Pouco tempo depois, no dia 26 de maio, o Estádio recebeu cerca de 20 mil pessoas, que puderam presenciar o gol do ídolo Friedenreich na final contra o Uruguai.

Cinco anos antes da construção do Estádio, a Seleção Brasileira já tinha escrito história naquele mesmo campo, situado na rua Álvaro Chaves - lugar onde, de acordo com o saudoso Nelson Rodrigues, “não se dá um passo sem tropeçar em uma glória”. Foi em Laranjeiras que o Brasil enfrentou seu primeiro adversário e deu início à sua vitoriosa história. No dia 21 de julho de 1914, vencemos o Exeter City, da Inglaterra, por 2 a 0. Oswaldo Gomes e Osman balançaram as redes com a camisa brasileira, esta ainda branca e azul à época.

No total, foram 17 jogos disputados pela Seleção Brasileira no Estádio de Laranjeiras, com 12 vitórias, três empates e nenhuma derrota. Balançamos a rede em 47 ocasiões e sofremos 15 gols, resultando em um saldo positivo de 32 gols.

O estádio, atualmente, só recebe jogos da base (Foto: Cristiano Fukuyama/Acervo da Bola)

Para comemorar o centenário de seu estádio, o Fluminense irá promover uma extensa programação neste sábado, na sede social do clube. Além da organização de um livro, o Tricolor de Laranjeiras fará o lançamento de cinco modelos de medalhas comemorativas. No confronto contra o Botafogo, pelo Campeonato Brasileiro (às 16h), um copo temático do centenário será posto à venda. Já no dia 19 de maio, o Tricolor de Laranjeiras irá promover o "Jogue nas Laranjeiras", evento que dará chance à torcida de jogar uma partida no estádio - Aílton e Leandro Euzébio serão os capitães dos times.

Confira a lista de jogos da Seleção Brasileira no Estádio das Laranjeiras:

21/07/1914 - Brasil 2 x 0 Exeter City (ESC) - Amistoso
11/05/1919 - Brasil 6 x 0 Chile - Campeonato Sul-Americano
18/05/1919 - Brasil 3 x 1 Argentina - Campeonato Sul-Americano
25/05/1919 - Brasil 2 x 2 Uruguai - Campeonato Sul-Americano
29/05/2019 - Brasil 1 x 0 Uruguai - Campeonato Sul-Americano
01/06/1919 - Brasil 3 x 3 Argentina - Taça Roberto Cherry
17/09/1922 - Brasil 2 x 2 Chile - Campeonato Sul-Americano
24/09/1922 - Brasil 1 x 1 Paraguai - Campeonato Sul-Americano
01/10/1922 - Brasil 0 x 0 Uruguai - Campeonato Sul-Americano
15/10/1922 - Brasil 2 x 0 Argentina - Campeonato Sul-Americano
22/10/1922 - Brasil 3 x 0 Paraguai - Campeonato Sul-Americano
24/06/1628 - Brasil 5 x 0 Motherwell (ESC) - Amistoso
10/07/1929 - Brasil 2 x 0 Ferencvárosi TC (HUN) - Amistoso
01/08/1930 - Brasil 3 x 2 França - Amistoso oficial
17/08/1930 - Brasil 4 x 3 Estados Unidos - Amistoso oficial
06/09/1931 - Brasil 2 x 1 Uruguai - Copa Rio Branco
27/11/1932 - Brasil 7 x 2 Andarahy FC (BRA) - Amistoso

11 grandes nomes do Centenário da Portuguesa Santista

Por Victor de Andrade


A Associação Atlética Portuguesa, a mais Briosa de Ulrico Mursa, está em festa. Neste 20 de novembro de 2017, o clube está completando 100 anos de fundação. Uma história rica desta tradicional agremiação, tão importante para o futebol de Santos e do estado de São Paulo.

Ao longo destes 100 anos, vários jogadores vestiram a camisa da Portuguesa Santista. Muitos se destacaram com o manto Rubro Verde e conquistaram títulos ou fizeram boas campanhas pela equipe. Outros, alçaram voos ainda maiores, chegando até à Seleção Brasileira. É, mesmo sendo considerado um time pequeno, a Briosa já teve até jogador na Copa do Mundo.

Não foi fácil escolher 11 atletas e um treinador para formar um time que resumiria a história do clube. E nesta seleção não está simplesmente os melhores que já vestiram a camisa Rubro Verde. Para a escolha, foi levada em consideração a importância do atleta em sua passagem pela equipe, na história do futebol e os voos que ele alcançou em sua carreira.

É claro que terá algumas discussões do tipo: "está faltando tal jogador". Esta seleção não tem a pretensão de ser dona da verdade.  Eu mesmo tive dúvidas em várias posições e se talvez eu for fazê-la novamente, poderá ter mudanças. Jogadores como Fernando, Marçal, Arouca, Ratto, Pereirinha, Arizinho, Zinho, Tico Mineiro e Souza ficaram de fora. Até treinadores importantes como Vicente Feola, Manga, Papa, Muricy Ramalho, Pepe e Ricardo Costa não constaram na decisão final. Também foram feitas pequenas improvisações para chegar nesta equipe. Mas que estes 11 atletas e o treinador foram importantes na história da Briosa, isto não se tem dúvida. Então vamos à eles:

LAÉRCIO

Na capa do Mundo Desportivo,
antes de um jogo contra o São Paulo

Aqui já tivemos uma primeira dúvida, pois grandes arqueiros defenderam a meta Rubro Verde, mas escolhi Laércio José Milani. Nascido em Indaiatuba, Láercio começou no Primavera, de sua cidade, com apenas 15 anos. Em 1948, ele se destacou em uma série de amistosos contra a Briosa e foi contratado. Chegando em Santos, ele iniciou sua trajetória de sucesso, tomando a posição de Andu e fazendo atuações magistrais.

Seguro e acrobático, ao mesmo tempo, Laércio passou a ser considerado um dos melhores da posição do futebol paulista e chamou a atenção de diversos clubes. Foi sondado pelo Vasco da Gama, mas foi o Palmeiras que o contratou em 1954, depois de uma longa negociação. Em 1957, voltou para a cidade de Santos, para defender o time Alvinegro, onde encerrou a carreira em 1969. Laércio faleceu em Santos, em 1985, vítima de infarto.

BALU

Balu é o quinto em pé na formação do time de 1996

Nascido em Castro Alves, na Bahia, em 28 de dezembro de 1961, Luís Carlos Reis, o Balu, começou no futebol na própria Portuguesa Santista. Se caracterizava por ser um lateral direito forte, que equilibrava marcação e apoio. Após boas apresentações na Divisão de Acesso Paulista, Balu foi contratado, ao final de 1984, pela Ferroviária. No ano seguinte, continuou bem na equipe de Araraquara e o Cruzeiro foi buscá-lo.

No time azul de Minas Gerais, Balu teve o auge na carreira. Ganhou a Bola de Prata da Revista Placar em 1989 e era considerado um dos melhores laterais-direitos do país, chegando à Seleção Brasileira em 1990, convocado por Paulo Roberto Falcão. Ao sair do Cruzeiro, o atleta ainda teve uma passagem pelo Paraná Clube antes de voltar à Briosa, em 1995. No ano seguinte, Balu foi um dos jogadores mais importantes na volta da Portuguesa Santista à elite do futebol paulista e encerrou a carreira no clube onde começou. Em duas oportunidades, ele foi o treinador da equipe Rubro Verde.

JOEL CAMARGO

Joel Camargo é o primeiro em pé neste time da base da Briosa

Este é o primeiro caso de jogador que não atuou muitas vezes no time principal da Briosa, mas sua história no futebol brasileiro e mundial não dava para deixá-lo de fora. O zagueiro Joel Camargo nasceu em Santos, no dia 18 de setembro de 1944 (algumas publicações afirmam que ele é de 1946) e chegou na Portuguesa Santista, para atuar nas categorias de base. Em 1963, passou para o time principal e mostrou tanta categoria que no mesmo ano o Alvinegro o contratou.

No final da década de 60, passou a frequentar constantemente a Seleção. Era o titular do time de João Saldanha nas Eliminatórias para a Copa de 70. No México, foi para o banco de reservas, mas, mesmo assim, tornou-se tricampeão do mundo. Um acidente automobilístico quase o fez terminar a carreira. Em 1971, o zagueiro foi um dos primeiros brasileiros a atuar no Paris Saint-Germain. Ainda passou por CRB, Londrina e Saad, onde encerrou a carreira em 1973. Quando parou, Joel se afastou totalmente do futebol e foi trabalhar no Porto de Santos. Depois, já nos anos 90, foi ser professor de escolinhas em Santos e em São Paulo. Joel faleceu no 2014, de insuficiência renal.

ADELSON

O quinto em pé, em um dos times da década de 60

Aqui talvez foi onde eu tive mais dúvidas. Pensei em Clóvis, revelado na Briosa e que fez carreira no Corinthians, e em Fernando, que também surgiu no clube, passou por grandes equipes e voltou para a Portuguesa, sendo importante no acesso de 1996. Porém, um atleta que esteve na vitoriosa excursão à África, conquistando a Fita Azul, em 1959, e foi o capitão do título de 1964 não poderia ficar de fora. Por isto, Adelson foi o escolhido.

Adelson Narciso chegou na Portuguesa Santista em 1956 e é um dos atletas que mais atuou com a camisa do clube. Foi ganhando seu espaço no clube e logo se tornou dono da posição na defesa Rubro Verde. Líder nato, capitão, Adelson ficou na Briosa até o início de 1967, quando foi para o América de São José do Rio Preto, onde encerrou a carreira. Atualmente, Adelson sempre aparece no clube e é uma das melhores referências quando o assunto é Fita Azul ou o título de 1964.

MARCO ANTÔNIO

Revista Placar de 30 de outubro de 1970

Assim como Joel Camargo, Marco Antônio não ficou muito tempo na Portuguesa Santista, mas um dos melhores laterais esquerdos do futebol brasileiro não poderia ficar de fora. Nascido em Santos, em 6 de fevereiro de 1951, Marco Antônio Feliciano entregava marmitas antes de chegar à Briosa em meados dos anos 60, quando foi apresentando ao técnico Papa. No início, atuou como ponta esquerda, por causa de sua extrema habilidade, mas também já era usado como lateral.

Novo, habilidoso e inteligente, logo chamou a atenção dos clubes grandes e foi parar no Fluminense, ainda em 1968, com apenas 17 anos. Não demorou muito para chegar à Seleção Brasileira. Aliás, Marco Antônio jogou algumas partidas na Copa de 1970, mas não era o titular absoluto por apoiar demais. Por isto, Zagallo preferiu Everaldo. O mesmo aconteceu em 1974, mas o torcedor brasileiro sabia que o melhor da posição era o menino revelado pela Briosa. Marco Antônio ainda defendeu Vasco, Bangu e Botafogo, onde encerrou a carreira em 1984.

ARGEMIRO

Argemiro é o primeiro em pé neste time de 1937

Nascido em Ribeirão Preto, no dia 2 de junho de 1915, Argemiro Pinheiro da Silva foi, com certeza, o jogador que chegou mais longe vestindo a camisa da Portuguesa Santista. Ele começou no EC Rio Preto, em 1931 e chegou na Briosa em 1935, no início do profissionalismo do futebol paulista. E chegou para fazer história! Ele era um dos alicerces do grande time Rubro Verde da segunda metade da década de 30, que foi terceiro colocado nos paulistas de 1936, 1937 e 1938.

Suas belas atuações fizeram com que Ademar Pimenta o convocasse para a Copa do Mundo de 1938, realizada na França. Sim, Argemiro disputou um mundial de futebol como atleta da Briosa, atuando como titular na vitória da Seleção Canarinho contra a Checoslováquia, por 2 a 1! O Brasil foi o terceiro colocado e, no ano seguinte, o atleta foi para o Vasco da Gama, onde ficou até 1946, encerrando a carreira. Ele faleceu em 4 de julho de 1975. Conheça mais a história do jogador aqui.

TIM

Tim, de gorro, em jogo contra o Hespanha

Outro grande jogador da Portuguesa Santista nos anos 30, Elba de Pádua Lima, o Tim, nasceu Rifania, em 20 de fevereiro de 1916. Começou a carreira no Botafogo de Ribeirão Preto e depois de uma rápida passagem pelo Corinthians, chegou à Briosa em 1934. Tim foi o grande nome do time Rubro Verde de 1936, que disputou o título paulista ponto a ponto contra Corinthians e Palmeiras. Suas boas atuações o levaram para a Seleção Brasileira, onde disputou o Sul-Americano de 1937, como atleta da Portuguesa Santista.

Quando voltou do torneio de seleções, Tim foi negociado com o Fluminense, onde virou ídolo e tornou-se um dos maiores jogadores do país, defendendo a Seleção, como titular, na Copa de 1938. Tim ainda passou por Nacional, São Paulo, Botafogo, Olaria e Junior Barranquilla. Depois, ele tornou-se treinador, onde teve carreira de sucesso, conquistando diversos títulos e ainda dirigiu a Seleção Peruana na Copa de 1982. Tim faleceu em 7 de julho de 1984. Conheça mais sobre ele aqui.

RICO

Rico, em partida contra o Santo André, em 2003

Leandson Dias da Silva, o Rico, é o mais novo desta seleção. Nascido em 4 de abril de 1981, em Recife, o rápido atacante chegou na Briosa em 2003, depois de passar por CSA, Águas de Lindóia e São Paulo. Podemos dizer que Rico estava iluminado na brilhante campanha da Portuguesa Santista no Paulistão daquele ano, onde a equipe foi semifinalista, sendo o alicerce do time, comandado por José Macia, o Pepe, junto com o meia Souza. Rico, por ser rápido, saia com facilidade na cara do goleiro e seus gols foram importantes na campanha: ele foi vice-artilheiro do certame, com um tento a menos que Luís Fabiano. Quem não se lembra dos dois gols marcados por ele contra o Santos?

Após o Paulistão, Rico foi para o São Paulo. Depois passou pelo Grêmio e voltou para a Briosa em 2005. A segunda passagem nem de longe lembrou a primeira, mas deixou sua marca novamente em um clássico contra o Santos. Rico rodou o mundo, indo jogar no mundo Árabe e seu último clube foi a Portuguesa de Desportos, este ano. Ele ainda não pendurou as chuteiras.

SAMARONE

Samarone com a camisa da Briosa

Provavelmente o autor do gol mais importante da história do clube, Wilson Gomes, que ficou conhecido como Samarone, nasceu em Santos, no dia 13 de março de 1946. Ele chegou na Briosa atuando no futebol amador de Santos e logo conseguiu espaço na equipe principal do time. E foi o grande nome da equipe no Campeonato Paulista da Divisão de Acesso de 1964 (a atual Série A-2). Para coroar, Samarone fez o gol do título, no jogo contra a Ponte Preta, em Moisés Lucarelli, já no ano de 1965.

Samarone ainda fez alguns jogos pela Portuguesa Santista no Paulista de 1965, mas em seguida foi negociado com o Fluminense. No Rio, tornou-se um dos melhores jogadores do país, chegando a ser convocado para a Seleção Brasileira. Depois, o atleta ainda passou por Corinthians, Flamengo, Portuguesa de Desportos e Bonsucesso, onde encerrou a carreira em 1975. Conheça mais sobre o atleta aqui.

LIO

Lio é o primeiro agachado na foto do time campeão

Aqui foi outra posição onde tive muita dúvida em quem escolher. E cheguei no Lio pois, além do título de 1964, ele foi o artilheiro da competição. O centroavante fazia uma dupla quase perfeita com Samarone, que, nos gramados, aterrorizou as zagas dos times do futebol paulista na Divisão de Acesso daquele ano. Lio terminou o certame com 20 gols, sendo o líder absoluto em tentos no torneio.

Ele também teve boa passagem pela Ferroviária de Araraquara (SP), onde atuou ao lado de craques como Galhardo, Peixinho e Tales, e pelo Noroeste, onde jogou com Araras (ex-Santos), Navarro e Aracito. Lio ainda defendeu o Noroeste de Bauru e o Jabaquara, durante excursão deste time na Argentina, comandado por Filpo Nuñez. Lio faleceu em 7 de janeiro do ano passado e trabalhava como instrutor de tênis do Clube Internacional de Regatas.

BERISTAIN

Beristain sendo agraciado pela torcida

O argentino Tomas Beristain (ou Beristein, de acordo com algumas publicações) é o jogador com mais lendas no centenário da mais Briosa. Em apenas um ano de passagem pela Portuguesa Santista, suas histórias enriquecem a trajetória do clube. Com passagens por Platense, San Lorenzo e um jogo pela Seleção Argentina, Beristain aportou em Santos em 1940 e virou o grande ídolo da torcida Rubro Verde, com suas atuações destemidas, que faziam com que o time Rubro Verde encarasse de igual para igual o trio de ferro da capital.

Habilidoso ao extremo, capaz de bater escanteios e pênaltis de chaleira (é o que diziam) e ter dado a primeira bicicleta do futebol paulista (antes de Leônidas vir para o São Paulo), o argentino foi o principal jogador da equipe no Campeonato Paulista de 1940. Fora de campo, alegrava quem passeava pela praia durante a manhã, pois com uma "pelota", ele fazia embaixadinhas na areia antes de ir para o treino em Ulrico Mursa. Em sua despedida, já em 1941, foi oferecido um jantar de gala. Beristain voltou para o San Lorenzo, onde atou por mais um ano e encerrou a carreira. Porém, quem viu garante: foi o melhor jogador da história da Portuguesa Santista. Conheça mais sobre ele aqui.

FILPO NÚÑEZ

Filpo Núñez, em pé, ao centro, com a Briosa em 1971

Chegamos ao treinador. Outro lugar que deu dor de cabeça para escolher. Mas chegamos ao argentino  mais brasileiro da história do futebol: Filpo Núñez. Ele dirigiu a Portuguesa Santista em cinco oportunidades: entre 1957 e 1958, entre 1958 e 1959, em 1964 e entre 1971 e 1972 e em 1980. O argentino comandou a Briosa na invicta excursão na África, que trouxe ao clube a Fita Azul do Futebol Brasileiro. Filpo Núñez também iniciou o trabalho em 1964, que acabou sendo campeão da Divisão de Acesso já sob o comando de Manga, já que o treinador foi contratado pelo Palmeiras.

Filpo tem uma história gigante no futebol brasileiro. Ele foi o treinador do Verdão na década de 60, comandando um dos maiores times da história do clube. Foi o único técnico estrangeiro a dirigir a Seleção Brasileira sozinho, em um amistoso contra o Uruguai, em 1965, na inauguração do Mineirão. Ele dirigiu diversos times por aqui e também passou por Argentina, Chile, Bolívia, México, Portugal, Espanha, Equador, Peru e Venezuela. Enfim, história é que não falta!

Alunos da Unisanta lançam revista sobre a Portuguesa Santista


Os alunos Alexia Faria, Lucas Santos, Matheus Doncev e Mayra Ignácio, da Universidade Santa Cecília (Unisanta) vão lançar a revista Rubro Verde, que nesta edição especial homenageia o centenário da Associação Atlética Portuguesa. O lançamento será dia 28 de novembro, às 20h30 no estádio Ulrico Mursa, em Santos.

Sob orientação da professora Raquel Alves, a revista é um projeto de trabalho de conclusão de curso (TCC) dos alunos de Jornalismo, e teve sua pesquisa iniciada em novembro de 2016. A revista propõe matérias com jogadores, sejam eles em atividade ou aposentados, torcedores, ex-treinadores e funcionários do clube que relatam sua história e conexão com a Briosa.

Samarone, autor do gol do título de 1964, dando entrevista para a revista

“A Portuguesa já teve outras revistas no passado, e é um meio de comunicação que falta dentro do Clube hoje em dia. As antigas eram algo comemorativo, coisa de apenas uma edição. Pegamos esses materiais de exemplo e formamos uma revista que fala direto com o torcedor”, declara Alexia Faria, uma das desenvolvedoras da revista.

Sempre deixando claro que o foco principal desta revista é o torcedor, Mayra Ignácio, outra desenvolvedora, fala mais sobre o que pode ser encontrado nesta edição especial. “São doze matérias que mostram a paixão dos personagens com a Portuguesa. Nós fizemos com que esse trabalho mostre a ligação entre os idealizadores e os torcedores. Por isso o nosso lema é ‘de torcedor para torcedor’”, conclui a jornalista.

"100 Anos - Sou Mais Briosa", o livro do centenário da Portuguesa Santista


A Portuguesa Santista completa no próximo dia 20 de novembro 100 anos de fundação. Com isto, vários materiais estão sendo lançados em comemoração à marca. Uma destas produções é o livro "100 Anos - Sou Mais Briosa", que já teve lançamento oficial realizado no último dia 30, na sede do clube.

Escrita pelo economista Álvaro Silveira e pelo jornalista Paulo Rogério, a obra conta com produção da Realejo Livros e apresenta um resumo da rica história de uma das agremiações mais queridas do País e fundadora da Federação Paulista de Futebol.

"Quando soubemos do projeto do Álvaro e do Paulo, nossa diretoria deu total apoio para que o livro fosse viabilizado e pudesse chegar aos torcedores e simpatizantes da Portuguesa e a todos aqueles que têm interesse pela história do futebol brasileiro", declarou Lupércio Conde, ex-presidente da Briosa e que deu a chancela oficial ao livro no final de 2016, ainda durante seu mandato.

Grande apaixonado pela Portuguesa, Álvaro Silveira conta que a ideia de escrever um livro detalhando a história do clube surgiu em 2012, já projetando que a obra poderia ser lançada até o ano do centenário. "Pesquisei os jornais desde a época da fundação. Foram cerca de quatro anos coletando material e organizando informações, fotos e depoimentos", lembra o economista, cujo irmão Sérgio Silveira, há cerca de dez anos, escreveu um livro sobre a história do Jabaquara Atlético Clube.

Para dar um toque jornalístico ao material, Silveira firmou parceria com Paulo Rogério, renomado repórter e editor do jornal A Tribuna e que em 2014 lançou um livro a respeito da conquista do Campeonato Brasileiro de 2002 pelo Santos Futebol Clube.

A capa do livro

"Em 2012 eu pensei em escrever um livro sobre a história da Portuguesa e procurei o Walter Dias (radialista e conselheiro do clube) para me ajudar com as informações. Foi ele que me disse que o Álvaro já tinha feito a pesquisa e precisava de alguém para produzir o texto. O Walter acabou fazendo essa intermediação", revela o jornalista.

No final de 2016, após reuniões entre os dois autores e Rogério Conde, à época diretor da Portuguesa Santista, foi decidido que a Realejo Livros, com sede em Santos, seria a responsável por editar a obra. "A Realejo é especialista em livros relacionados a futebol. Já lançamos obras sobre diversos clubes e atletas. Fiquei muito feliz por termos sido escolhidos para integrar esse projeto", declarou José Luiz Tahan, proprietário da livraria e editora.

A Realejo fica na Avenida Marechal Deodoro, número 2, no Gonzaga, em Santos, próximo à Praça Independência. Você pode adquirir o livro pela loja virtual da livraria, o http://oseulivreiro.com.br/.

O Curioso do Futebol

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Site do jornalista Victor de Andrade e colaboradores com curiosidades, histórias e outras informações do mundo do futebol. Entre em contato conosco: victorcuriosofutebol@gmail.com

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