segunda-feira, 1 de junho de 2015

Tim, de ‘El Peón’ a ‘O Estrategista’

Tim, de gorro, disputando a bola em um clássico contra o Hespanha

Craque dentro e fora de campo, Elba de Pádua Lima, o Tim, nasceu em Rifania, no interior do estado de São Paulo, em 20 de fevereiro de 1916. Foi batizado com o nome da ilha na qual Napoleão Bonaparte esteve exilado. Duas de suas quatro irmãs (Tim foi o único filho homem) também tinham nomes com referências geográficas.

Ainda criança, nas peladas entre os amigos, passou a ser chamado de Tim, e assim seria até o dia de sua morte. Com apenas 12 anos de idade, o franzino menino já atuava com destaque na equipe do infantil do Botafogo de Ribeirão Preto.

Time da Portuguesa Santista em 1937, com Argemiro e Tim

A grande habilidade que Tim mostrava nos gramados sem grama do interior paulista fez com que, em 1931, quando tinha apenas 15 anos, estreasse na equipe principal. Jogando na meia-esquerda, o jovem Tim mostrou habilidade nos dribles curtos, passes precisos e era irresistível quando passava o pé sobre a bola. Embora magro, matava a bola no peito como se fosse provido de um veludo entre suas costelas.

Em 1934 o garoto Tim foi levado para a Portuguesa Santista, onde foi contratado por 500 mil réis. Mostrando sua habilidade e categoria, Tim, com apenas 19 anos, liderou o início da grande fase da Briosa, na segunda metade da década de 30, junto com Argemiro, quando o clube praiano deixou escapar o título paulista por muito pouco.

Romeu, Leônidas e Tim. Copa de 1938

Em 1936, ainda com a barba rala e sem conseguir disfarçar o jeitão caipira, Tim atingiu a fama quando foi convocado para a Seleção Brasileira na disputa do Campeonato Sul-Americano na Argentina. Embora não tenha conquistado o troféu, o certame deu um grande impulso na carreira do jovem meia-esquerda.

As grandes atuações de Tim lhe renderam, por parte dos argentinos, o apelido de “El Peón”, pois, da mesma maneira que o peão dos pampas conduz a manada para onde quer que queira, Tim conduziu aquele selecionado com uma classe peculiar.

No Fluminense, onde foi ídolo

A Portuguesa Santista, mesmo com o bom elenco que brigava pelos títulos estaduais, que acabou não vindo, não conseguiu mais segurar o talento do jogador. Depois de um tempo de descanso em Ribeirão Preto, onde até chegou a jogar novamente pelo Botafogo em alguns amistosos, acertou sua transferência para o Fluminense ainda ano de 1937.

Tim chegou ao Tricolor para ser peça fundamental de um dos melhores times que o futebol carioca já viu, uma autêntica seleção tricolor. O elenco contava com Batatais, Machado, Brant, Romeu, Russo, Hércules e outros craques. Tim ajudou o Fluminense a ser hegemônico no futebol do Rio de Janeiro no final dos anos 30 e início dos anos 40. Levantou o bicampeonato carioca em 1937 e 1938, além do Torneio municipal de 1938.

Tim, pelo São Paulo, contra o CA Ypiranga,
que tinha o então jovem Barbosa como goleiro

Disputou a Copa do Mundo de 1938, na França e, mesmo sem atuar constantemente, fez parte da primeira grande campanha do Brasil realizada em um mundial. Em 1940 e 1941, mais um bicampeonato carioca com a camisa tricolor, onde atuou em 213 jogos (205 como titular), com 126 vitórias, 33 empates, 54 derrotas, 71 gols anotados. Ainda em 1941, foi titular no Sul-Americano do Uruguai, quando marcou seu único gol pelo escrete, o primeiro na goleada sobre o Equador (5 a 1).

No final de 1944, Tim trocou de time, mas continuou a usar três cores: desta vez as do São Paulo F.C, mas não teve sucesso. Não voltaria a ser o jogador que levou a torcida carioca à loucura.

Tim no Botafogo do Rio de Janeiro

Retornou ao Rio, desta vez para o Botafogo, onde ficou até 1946. No ano seguinte, foi técnico e jogador do Olaria. A experiência serviu para lhe mostrar um novo caminho profissional como treinador. Ainda jogando, voltou ao seu Botafogo de Ribeirão Preto e depois teve uma rápida passagem pelo Milionários, jogando na Liga Pirata da Colômbia.

Voltou ao Brasil novamente em 1951, já como treinador. Seu conhecimento na área técnica era tanto que a alcunha de ‘O Estrategista’ passou então a acompanhá-lo. A inteligência que demonstrava em campo passou a ser útil fora das quatro linhas: Tim se transformou em um dos melhores treinadores do futebol brasileiro.

Tim treinou a seleção peruana na Copa de 1982

Seu primeiro grande trabalho foi orientando o Bangu. Mas foi no seu Fluminense que conquistou seus primeiros títulos importantes, o estadual de 1964 e a Taça Guanabara de 1966. Trabalhou também no San Lorenzo, campeão metropolitano de Buenos Aires em 1968, no Vasco campeão carioca de 1970, no Coritiba campeão do Torneio do Povo de 1973 e na seleção peruana na Copa do Mundo de 1982.

Em 7 de julho de 1984, Elba de Pádua Lima faleceu no Rio de Janeiro. Sua lenda e sua história, no entanto, permanecem vivas nas memórias dos fãs de futebol, que ficaram encantados com sua mágica dentro e fora de campo.
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Um comentário:

  1. Já li bastante a respeito dele quando li exatamente desse Fluminense muitas vezes campeão carioca, também quando li a biografia de Heleno de Freitas que se fala do Botafogo, TIM também estava lá. e vi certa vez falando a respeito dele por seu um treinador brasileiro a ter trabalhado e ter sido campeão na argentina nesses tempos em que se fala que os treinadores brasileiros estão ultrapassados e que precisamos abrir a mente e o mercado. mais um bom post.

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