sábado, 3 de dezembro de 2016

Os títulos de campeão catarinense da Chapecoense

Os campeões catarinenses de 1977. Em pé: Bico Fino, Décio, Carlos Alberto, Janga, Cosme, Luiz Carlos, Zé Carlos e o roupeiro Juarez. Agachados: Wilsinho, Jorge, Valdir, Sergio Santos e Eluzardo.

Nesta semana, uma tragédia atingiu a Chapecoense, com o acidente do avião que levava a delegação da equipe para Medellin, na Colômbia, onde iriam fazer o primeiro jogo da final Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional. Apenas três atletas escaparam vivos da tragédia e o mundo inteiro, principalmente colombianos e brasileiros, foi solidário e prestou homenagens para as vítimas (que também envolveu dirigentes, jornalistas e tripulantes do avião) e para o clube.

Com tudo isto, O Curioso do Futebol também resolveu prestar sua homenagem ao Verdão do Oeste. Vamos recordar os cinco títulos de campeão catarinense da agremiação (1977, 1996, 2007, 2011 e 2016), que até então são os mais importantes da história do clube (é claro que se a Chape for declarada campeã da Copa Sul-Americana, o que deve acontecer segundo as mais diferenciadas informações, e que será uma grande homenagem, o time terá uma conquista internacional). Vamos lá!

1977


A Chape saudando o torcedor na finalíssima

Em um campeonato longo, que começou em março e foi terminar em outubro, passando por quatro fases, a Chapecoense conseguiu o seu primeiro título catarinense, quatro anos depois de sua fundação, após incríveis 46 jogos. A conquista veio após uma vitória por 1 a 0 no jogo desempate contra o Avaí, no antigo Estádio Índio Condá, em Chapecó, em 30 de outubro. Foram 26 vitórias, 12 empates e oito derrotas.

1996


A equipe com as faixas de campeão de 1996

O segundo título do Verdão do Oeste só veio 19 anos depois da primeira conquista e também acabou sendo longo, mas por causa de problemas com o tapetão. O Joinville foi recebido em Chapecó com um foguetório noturno, não conseguindo descansar para o jogo marcado para o dia 13 de Julho e acabou não aparecendo no campo. A arbitragem até deu WO para a Chape, mas depois a partida foi remarcada para o dia 18 de dezembro?!?!?!?! O Índio Condá viu mais uma vez a equipe da casa ser campeã com uma vitória por 1 a 0 no tempo normal, com Marquito, e chegou aos 2 a 0 na prorrogação, com Gilmar Fontana, e ficou com a taça.

2007


A Chapecoense venceu o título 11 anos depois

A primeira metade da década de 2000 foi, economicamente falando, muito ruim para a Chapecoense, marcando com a falência do principal patrocinador e empresa da cidade, o Frigorífico Chapecó. A diretoria do clube se reestruturou para que o clube voltasse a ser forte no estado e galgasse as divisões nacionais. A Chapecoense foi brigando com o Criciúma a competição de 2007 inteira pela ponta da tabela e as duas equipes foram para a decisão. Depois de uma vitória por 1 a 0, no Índio Condá, o Verdão do Oeste arrancou um empate em 2 a 2, no dia 6 de Maio, no Heriberto Hulse, em Criciúma, e ficou com seu terceiro título estadual.

2011


A festa dos campeões de 2011

Foi o início da arrancada. Terceira colocada do Brasileirão da Série D em 2009, a Chapecoense começou a se estruturar e aparecer como uma grande força do futebol catarinense. A equipe chegou às final do estadual com a melhor campanha, vencendo o segundo turno e encarando o Criciúma, campeão do primeiro. No primeiro jogo, fora de casa, derrota por 1 a 0. Porém, a Chape tinha a vantagem de jogar por dois resultados iguais e a vitória por 1 a 0 no Índio Condá, no dia 15 de Maio, deu o título ao Verdão do Oeste. Depois disso, a Chapecoense emendou acessos em 2012 e 2013, chegando na elite do Campeonato Brasileiro em 2014.

2016


Um time eterno!

Uma equipe eterna!!! O primeiro turno foi quase perfeito e a equipe venceu invicta, já se garantindo na final. Na decisão, o rival foi o Joinville, campeão do segundo turno. A Chapecoense mostrou estar com uma equipe melhor e venceu o adversário fora de casa, com gol de Ananias. No segundo jogo, no Estádio Índio Condá, Diego Felipe até colocou o Joinville em vantagem, mas Bruno Rangel empatou e fez com que a torcida gritasse "É campeão!" mais uma vez. Este time abrilhantaria o nome da Chape não só no Brasil, como em toda o continente, ficando entre os 10 primeiros no Campeonato Nacional, chegando à final da Copa Sul-Americana e agora estando eternamente no coração de todos os fãs de futebol. Obrigado, Chapecoense!

Coreia do Norte vence também a Copa do Mundo Feminina Sub-20

As jogadoras da Coreia do Norte fizeram muita festa na comemoração do título
(foto: Getty Images / Fifa.com)

A Coreia do Norte conquistou neste sábado, dia 3 de dezembro, mais um importante título no Futebol Feminino. A seleção asiática bateu a França por 3 a 1, de virada, em partida realizada no National Football Stadium, em Port Moresby, na Papua Nova Guiné, e venceu a Copa do Mundo Sub-20 Feminina. Vale ressaltar que em outubro, e mesma Coreia do Norte venceu o Mundial Sub-17 Feminino, na Jordânia.

Para chegar à final, a Coreia do Norte passou na liderança do Grupo A da primeira fase, em uma chave que tinha Brasil, Suécia e as donas da casa. Nas quartas, a equipe eliminou a Espanha, por 3 a 2, com o gol do triunfo vindo na prorrogação. Na semi, os Estados Unidos foram derrotados por 2 a 1, com o tento da vitória sendo marcado também no tempo extra.

Já a França, na primeira fase, foi a segunda colocada do Grupo C, que tinha também Estados Unidos, Nova Zelândia e Gana. Na primeira etapa do mata-mata, as francesas bateram a Alemanha, por 1 a 0. Já na semifinal, o Japão foi a vítima da seleção europeia, que venceu por 2 a 1, com o tento do triunfo saindo na prorrogação.

A grande final começou com a França dando as cartas. Com ímpeto, o time de azul saiu na frente aos 17 minutos, com Grace Geyoro. As francesas se empolgaram e foram para cima, tentando o segundo gol, mas isto deixou espaços e a Coreia do Norte aproveitou aos 30 minutos, chegando ao empate com o gol de W. Jong Sim. Com isto, a primeira etapa terminou empatada em 1 a 1.

No segundo tempo, a França, com velocidade, foi para cima, tentando o segundo gol, mas acabou deixando o contra-ataque para a Coreia do Norte. Aos 10 minutos, as asiáticas viraram o marcador com K. Phyong Hwa. Em desvantagem, o time europeu tentou de todas as formas buscar o empate, mas foram as norte coreanas que marcaram, aos 42 do segundo tempo: J. Son Yon, de pênalti, fez Coreia do Norte 3, França 1.

Muita festa das jogadoras norte coreanas, que conquistaram pela segunda vez a Copa do Mundo Sub-20 Feminina na história. A primeira havia sido em 2006, na Rússia. Aliás, vale ressaltar que, em 2016, a Coreia do Norte também conquistou o Mundial Feminino Sub-17, que foi realizado na Jordânia.

Terceiro lugar - O Japão ficou com o terceiro lugar da Copa do Mundo Femininia Sub-20 ao derrotar os Estados Unidos por 1 a 0. O gol da vitória saiu apenas aos 42 minutos do segundo tempo, com Ueno.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Ranchariense e Raça fazem final da Taça Paulista em Ibiúna


O Estádio Municipal Marcos Eduardo Carvalho Truvilho, em Ibiúna, será o palco da grande final da Taça Paulista, competição organizada pela Liga de Futebol Paulista, presidida pela advogada Gislaine Nunes. Às 19 horas do dia 10 de dezembro, Ranchariense e Raça entram em campo para disputar o título do profissional. Antes, às 15h30, o Sub-18 Ranchariense encara o Head Soccer pela taça na categoria.

No profissional, o Ranchariense foi o primeiro time a garantir vaga na decisão. A equipe de Rancharia chegou à finalíssima após dois empates com o Bebedouro: 2 a 2, em partida realizada no dia 15 de novembro, em Bebedouro, e 0 a 0, no dia 19, em Rancharia.

Já o Raça teve uma difícil tarefa para chegar na final: eliminar o até então favorito EC Vai Vai. No primeiro jogo, realizado em Hortolândia, que começou no dia 12 de novembro e terminou no dia 24, devido a uma confusão envolvendo torcedores e dirigentes do Alvinegro do Samba com o trio de arbitragem, o Raça venceu por 3 a 1, quebrando a invencibilidade do adversário. No segundo jogo, realizado em Osasco, as duas equipes empataram em 2 a 2.

Não há vantagem de empate para nenhuma das equipes. Caso o jogo termine com igualdade no marcador nos 90 minutos, o título será decidido nas penalidades.

Sub-18 - No mesmo dia e local, só que às 15h30, será realizada a decisão do Sub-18 da Taça Paulista. Assim como no profissional, o Ranchariense também garantiu vaga na final. A equipe azul e branca passou pelo Atlético Marília na semifinal, empatando o primeiro jogo em 0 a 0, como visitante, no dia 12, e vencendo a partida em casa por 2 a 1, no dia 19.

O Ranchariense vai encarar na decisão do Sub-18 o Head Soccer, que despachou o Jaboticabal na semifinal. No primeiro jogo, na casa do adversário, as duas equipes ficaram no 2 a 2. No segundo jogo, o Head Soccer impôs o seu ritmo e venceu por 3 a 0.

A regra do Profissional também vale para o Sub-18: em caso de empate no tempo normal, a decisão do título será nos pênaltis.

Ingressos e transmissão - Quem quiser acompanhar as partidas no Estádio Municipal Marcos Eduardo Carvalho Truvilho, em Ibiúna, a entrada será 1 Kg de alimento não perecível. Porém, quem quiser assistir em casa poderá acompanhar os jogos na transmissão ao vivo no Facebook Oficial da Liga de Futebol Paulista, em uma parceria da Liga TV com a TV Esporte Mais.

Pênalti à Panenka

Panenka comemorando o gol de pênalti com cavadinha, que deu o título para os tchecos em 1976

Final da Eurocopa de 1976, em 20 de junho de 1976, no Estádio Estrela Vermelha, em Belgrado. Tchecoslováquia e a então campeã do mundo Alemanha decidiam o título da competição. Os Tchecos venciam a partida no tempo normal por 2 a 1, até que aos 44' do segundo tempo, Hölzenbein empatou e levou o jogo para a prorrogação.

Depois de 30 minutos sem balançar as redes, as duas seleções tiveram que ir para a disputa de penalidades para ver quem seria a campeã. A Tchecoslováquia começou batendo com Masny, que fez o gol. O alemão Bonhof também marcou. Os jogadores foram convertendo as cobranças até que o germânico Hoeness perdeu: 4 a 3 e o título ficou nas mãos dos tchecos.

Panenka defendendo a Seleção da Tchecoslováquia

Para a cobrança foi Antonín Panenka. O jogador do Bohemians Praga ajeitou a bola, tomou distância, partiu para a cobrança e com um leve toque para o alto, "matou" o posicionamento do grande goleiro alemão Sepp Maier, dando o título de campeão europeu para a Tchecoslováquia. E ali o mundo ficava conhecendo o pênalti com cavadinha, ou à Panenka.

Antonín Panenka, que popularizou o lance, nasceu em Praga, capital da atual República Checa, em 2 de dezembro de 1948. Começou jogando no Bohemians e chegou à Seleção de seu país em 1973. Apesar de ter jogado em outras equipes, como o Rapid Viena, o ápice em sua carreira foi, com certeza, o pênalti batido com cavadinha na final da Eurocopa de 1976.

Zidane e a cobrança de pênalti na final da Copa de 2006

Este estilo de batida no pênalti é considerado o com mais categoria para o lance. No Brasil, ele foi popularizado nos anos 90, com as famosas cobranças feitas pelo meia Djalminha, quando este defendia o grande time do Palmeiras de 1996. A partir daí, outros jogadores começaram a fazer o lance por estas terras.

Internacionalmente, depois de Panenka, outras duas cobranças neste estilo ficaram marcadas. Zidane bateu desta forma no tempo normal da final da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Apesar de ter balançado as redes do gol defendido por Buffon, a Itália logo em seguida empatou o jogo e foi campeã na decisão por pênaltis, que por ironia do destino não contou com Zidane, expulso por uma cabeçada no zagueiro Materazzi, que havia feito o gol da Azzurra. De cabeça!

Loco Abreu e sua cobrança à Panenka na Copa de 2010

A outra cobrança conhecida mundialmente com cavadinha aconteceu nas quartas de final da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Uruguai e Gana decidiam uma vaga nas semifinais. A partida estava 1 a 1, quando o atacante Luiz Suárez tirou com a mão um gol certo dos ganeses no último minuto da prorrogação. Pênalti! Asamoah Gyan foi para a cobrança e mandou a bola por cima da trave.

A decisão foi para as penalidades e na última cobrança, o centroavante uruguaio Sebastían 'Loco' Abreu meteu a cavadinha, enganou o goleiro Kingson e colocou os uruguaios na semifinal do Mundial. Mais um jogo importante decidido com um pênalti à Panenka, colocando o nome do ex-jogador tcheco novamente em evidência.

Vídeo do pênalti

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Totó Schillaci - O artilheiro da Copa de 1990

Totó Schillaci comemorando um de seus gols na Copa de 1990

Um centroavante que jogava em um pequeno time italiano, mas que era um goleador nato, foi contratado por um dos grandes do País e um ano depois se tornaria artilheiro de uma Copa do Mundo em sua própria terra. Estamos falando de Salvatore Schillaci, ou simplesmente Totó, que foi o goleador máximo do Mundial de 1990, realizado na Itália.

Totó Schillaci nasceu em Palermo, na Sicília, no dia 1º de dezembro de 1964. Começou a jogar bola em sua cidade natal e logo foi parar no time do Messina, que também fica na ilha italiana. Estreou no profissional da equipe em 1982, para nunca mais sair. No Messina, Totó Schillaci mostrou seu faro de gol, marcando 71 gols em 219 jogos, e chamou a atenção da Juventus, time que o contratou para a temporada 1989 / 1990.

No Messina, já mostrava faro de gol

Na La Vecchia Signoria, Schillaci continuou com sua boa fase, marcando gols importantes para o time da cidade de Turim. Suas atuações chamaram a atenção do técnico Azeglio Vicini e ele passou a ser convocado para a Seleção Italiana em 1990, nos jogos preparatórios para a Copa do Mundo em que seriam os anfitriões. Totó estreou com a Azzurra no dia 31 de março, na vitória da Itália por 1 a 0 contra a Suíça.

Antes da convocação final para a Copa, Totó Schillaci ainda não havia balançado as redes com a camisa da Seleção e foi uma surpresa ele estar na lista de 22 jogadores. Porém, o centroavante não decepcionou: na estreia, contra a Áustria, em 9 de junho, ele entrou no lugar Carnevale, aos 29' do segundo tempo, e logo em seguida marcou o gol da vitória de sua equipe. Virou o xodó da torcida.

Atuações na Juventus o levaram à Seleção

No segundo jogo, contra os Estados Unidos, Schillaci começou novamente no banco de reservas, mas entrou logo aos 9' da segunda etapa. Porém, não marcou na vitória italiana por 1 a 0 (gol de Giannini). Mas sua grande chance viria no dia 19 de junho, quando saiu como titular e marcou logo aos 9 minutos na vitória da Azzurra contra a Tchecoslováquia por 2 a 0. A partir daí, Totó não parou de balançar as redes.

Nas oitavas, o adversário foi o Uruguai e Schillaci abriu o marcador, aos 20' do segundo tempo, na vitória por 2 a 0. Nas quartas, a adversária foi a até então invicta Irlanda, que foi vítima do centroavante aos 38 minutos do primeiro tempo: Itália 1 a 0 e vaga na semifinais.

Jogando pela Internazionale

O adversário da Itália na decisão de quem iria para a final era a então campeã Argentina. Jogo difícil, pegado e com a torcida napolitana dividida, já que Maradona era o grande ídolo do Napoli, time da cidade. Porém, os italianos saíram na frente aos 17 minutos de jogo. Gol de quem? Schilacci! Porém, aos 22' da segunda etapa, Caniggia empatou e a partida foi definida nos pênaltis. O técnico Azeglio Vicini não confiou em Totó Schillaci para cobrar e a Itália foi eliminada.

Na decisão de terceiro e quarto, contra a Inglaterra, uma ironia do destino. O jogo estava empatado em 1 a 1 até que aos 41' do segundo tempo, a Itália teve um pênalti a seu favor, que foi convertido. O autor? Ele, Totó Schillaci. E os italianos ficaram com o terceiro lugar na Copa realizada em casa e vencida pela Alemanha.

Encerrou a carreira no Japão

Após a Copa, Schillaci jogaria poucas vezes pela Seleção. Sua última partida pela Azzurra foi em 25 de setembro de 1991, em derrota contra a Bulgária por 2 a 1. No ano seguinte, o centroavante deixaria a Juventus para defender a Internazionale, onde ficou até 1994. Depois, ele foi para o Japão, onde jogou no Jubilo Iwata, ganhou o apelido de Totó-San e foi dirigido por Luiz Felipe Scolari. Na Terra do Sol Nascente, ele pendurou as chuteiras em 1999.

Totó realmente não foi um jogador de carreira longa de sucesso. Porém, quando teve sua grande chance, agarrou e brilhou, pois conseguiu ser artilheiro em uma Copa do Mundo realizada em seu País. Para se ter uma ideia, além do italiano, apenas o brasileiro Ademir Menezes, em 1950, o argentino Mario Kempes, em 1978, e Miroslav Klose, em 2006, também alcançaram o feito.

Athié Jorge Cury - O goleiro que virou presidente do Santos FC

* Com informações do Centro de Memória e Estatística do Santos FC

Como atleta, presidente do Santos FC e deputado

Não é raro escutar opiniões de que ex-jogadores deveriam virar dirigentes dos clubes por onde fez sucesso, até chegar à presidência. Temos alguns exemplos, mas no Brasil o caso mais emblemático seja de Athié Jorge Cury. Goleiro do Santos FC entre os anos de 1927 e 1934, ele foi o mandatário do clube no período mais vitorioso de sua historia.

No dia 1º de dezembro de 1992, falecia na Beneficência Portuguesa em Santos, o ex-presidente de todos os Alvinegros, Athié Jorge Coury que presidiu o Santos FC no período de 27 de fevereiro de 1945 a 23 de novembro de 1971 e foi o mandatário com o maior mandato da centenária história do clube, 26 anos e o que mais títulos conquistou. Seu antecessor no cargo era Antônio Ezequiel Feliciano e quem o sucedeu no ano de 1971 foi Vasco José Faé.

Athié é o penúltimo em pé

Athié nasceu na cidade paulista de Itu, no dia 1º de agosto de 1904, tendo se filiado ao clube santista no dia 09 de setembro de 1927 substituindo o então goleiro titular Tuffy, que houvera sido expulso do clube naquele ano. Athié jogou defendendo o arco santista em 173 partidas durante os anos de 1927 a 1934 quando deixou a meta praiana foi substituído por Ciro Maciel Portieri.

A primeira partida em que atuou como goleiro no Peixe foi no dia 09 de outubro de 1927 na vitória pelo placar de 9 a 0 diante do Corinthians FC de Santo André em partida amistosa na Vila Belmiro, com Feitiço marcando 05 gols, Siriri 03 e Camarão 1 gol, formando o time do ataque dos 100 gols com Athié; Bilú e David; Alfredo, Júlio e Hugo; Omar, Camarão, Siriri, Feitiço e Passos. Sua última partida com a camisa do Peixe foi no dia 15 de abril de 1934 na derrota santista diante do Palestra Itália na Vila Belmiro por 3 a 0 em partida válida pelo campeonato paulista.

Foi durante os anos em que presidiu o clube que o time santista tornou-se mundialmente famoso não só pelos títulos conquistados como também por revelar craques que serviram de base à Seleção Brasileira, principalmente o Rei Pelé. Em sua homenagem, o clube deu ao seu ginásio de esportes inaugurado no Estádio Urbano Caldeira no ano de 1950 o seu nome.

Athié é o terceiro em pé

O craque Pepe assim se expressou sobre o eterno presidente: “Foi presidente do Santos durante muitos anos, devido à carreira política, ficava muito tempo no Rio e em Brasília e o Modesto Roma ficava dirigindo o clube na sua ausência. Muito boa pessoa, os jogadores o adoravam. Ele nunca dizia não para as pessoas e avisava sempre: “vou resolver”. No último dia do ano, a gente se reunia em sua casa e ele dava um presente para cada jogador. Normalmente no dia 02 de janeiro, a gente saía para as excursões pelo mundo. E mesmo com a carreira política, Athié procurava acompanhar a equipe durante as viagens e aproximar os atletas dos familiares. Ele viajava com a gente, às vezes, e voltava antes, porque era deputado, tinha muito o que fazer e servia de correio para nós trazendo cartas para nossos familiares, já que na época era muito difícil se comunicar por telefone”.

Athié também fez carreira na política. Ele começou como vereador na cidade de Santos, entrando pelo Partido Social Progressista, de Adhemar de Barros. Depois ele foi eleito deputado estadual e também federal. Seu último mandato na Câmara dos Deputados, em Brasília, terminou em 1982, quando decidiu se aposentar.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Atlético Nacional e Colômbia - Obrigado! Gracías!

Estádio Atanazio Girardot lotado para a homenagem (foto: Luis Benavides / AP Photo)

O que aconteceu na noite desta quarta-feira, dia 30 de novembro, no Estádio Atanazio Girardot, em Medellin, na Colômbia, foi um dos fatos mais bonitos de todos os tempos. No mesmo horário que estaria sendo realizado o jogo entre Atletico Nacional e Chapecoense, que seria a final da Copa Sul-Americana, mais de 40 mil torcedores Verdolagas lotaram o seu campo para homenagear atletas, membros da comissão técnica, dirigentes do time brasileiro, jornalistas, convidados e tripulação que foram vítimas do acidente aéreo desta terça-feira, dia 29.

Em um ato de solidariedade único na história deste planeta, foi realizado uma homenagem à memória de todas as vítimas. As ruas próximas do estádio também ficaram lotadas, todos querendo mostrar sua solidariedade ao acontecido.

Todos estavam de branco e acenderam velas em memória das vítimas. Todos os discursos foram emocionados e foi comum as pessoas chorarem a cada minuto. Era um momento triste, é claro, mas que a solidariedade e o carinho dos colombianos e de todo o mundo está fazendo com que a dor seja mais suportável.

Belo ato na Arena Condá

Um dos momentos mais belos foi quando os torcedores colombianos começaram a ecoar o cântico tradicional da Chapecoense: "Eeeee, vamo vamo Chape"... foi impossível ficar inerte ao presenciar esta cena. Todos estavam emocionados! Foi uma aula de solidariedade dada pelos colombianos nesta quarta-feira.

Ao mesmo tempo, na Arena Condá, em Chapecó, os torcedores da Chape também fizeram um ato em homenagem à delegação. Também foi belíssimo e emocionante. Outras agremiações pelo mundo também prestaram suas homenagens, todas com grande valor, mas o que os colombianos fizeram nesta noite ficará marcado na história.

Foi uma noite inesquecível. O Atlético Nacional entra na história por sua postura, mostrando que o futebol é muito mais do que 22 jogadores correndo atrás de uma bola. O clube colombiano ainda vai disputar o Mundial de Clubes neste ano e terá a minha torcida. Mas, com certeza, eles já conquistaram o planeta com sua postura e isto vale mais do que qualquer troféu!

OBRIGADO!!! GRACÍAS!!!

A passagem de Muricy pelo America

Muricy comemorando gol com os companheiros de America

Um dos técnicos mais vitoriosos do futebol brasileiro, Muricy Ramalho teve também uma sólida carreira como jogador de futebol. Titular do São Paulo Futebol Clube nas principais conquistas do clube na década de 70, o jogador também defendeu o Puebla, do México, até 1985, quando pendurou as chuteiras. Porém, um ano antes, Muricy teve uma rápida passagem pelo America do Rio de Janeiro.

Muricy chegou ao Mecão, emprestado pelo clube mexicano, para a disputa do Campeonato Carioca. O clube da Tijuca queria conquistar o título estadual que não vinha desde 1960 e contava também com um ex-companheiro de Muricy no São Paulo: o goleiro Valdir Perez.

O atual comentarista do SporTV estreou no Rubro no feriado de 7 de setembro de 1984, entrando aos 30 minutos do segundo tempo, no lugar de Vagner) no confronto contra o Flamengo no Maracanã. Não teve muita sorte, já que o America foi derrotado por 1 a 0, gol do centroavante Nunes.

Sendo apresentado

Na primeira partida como titular, em 14 de outubro, ele deu sorte à equipe: 3 a 0 no Friburguense, em partida disputada no Andaraí. Moreno, duas vezes, e Vagner marcaram os gols do Mecão. Muricy foi substituído por Gaúcho, aos 31 minutos da segunda etapa.

Com Muricy em campo, o America só ganharia mais um jogo: contra o Goytacaz, por 1 a 0, em 15 de novembro. Nas outras partidas, derrotas para Olaria (2 a 1), Fluminense (3 a 1) e Botafogo (2 a 0), além de empates contra Volta Redonda (1 a 1), Americano (1 a 1) e Bangu (0 a 0), que foi sua última partida com a camisa do Rubro, em 25 de novembro.

No total, Muricy fez apenas nove jogos pelo Mecão, com duas vitórias, três empates e quatro derrotas, sem balançar as redes. Em seguida, o jogador voltou para o México, onde encerrou a carreira de jogador no ano seguinte.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Mário Sérgio - polêmico e brilhante

Mário Sérgio com a camisa da Seleção

O acidente aeronáutico que envolveu a delegação da Chapecoense que iria disputar a final da Copa Sul-Americana também teve como vítimas membros do cronismo esportivo, que estavam indo para Medellin cobrir a decisão. Entre eles estava o ex-jogador e atual comentarista do Fox Sports Mário Sérgio.

Mário Sérgio Pontes de Paiva nasceu no Rio de Janeiro, no dia 7 de setembro de 1950. Foi revelado pelo Flamengo, clube que defendeu entre 1969 e 1971, quando foi negociado com o Vitória da Bahia. Em Salvador viraria ídolo Rubro Negro e foi campeão baiano em seu primeiro ano no clube, em 1972. O sucesso no Nordeste fez com que ele voltasse ao Rio de Janeiro, para defender o Fluminense.

Pelo Vitória, em um Ba-Vi

No Tricolor Carioca, Mário Sérgio começou a demonstrar duas de suas principais características: o brilhantismo com a bola nos pés e a polêmica, brigando com adversários e não tendo papas na língua, dizendo sempre o que pensa. Foi bi-campeão Carioca, fazendo parte do grande time do Fluminense, mas em seguida, nas famosas trocas de Francisco Horta, foi parar no Botafogo, onde não teve o mesmo sucesso.

Em 1979, Mário Sérgio foi para a Argentina, jogar no Rosario Central. Como não teve sucesso por lá, logo voltou para o Brasil, mas desta vez no Rio Grande do Sul, para defender o Internacional. Pelo Colorado, Mário Sérgio foi campeão brasileiro e voltou a jogar o fino da bola. Sua atuações chamavam a atenção de todos.

Com Falcão pelo Internacional

Em 1981, o meia foi defender o São Paulo FC. Como estava em ótima forma, passou pela Seleção Brasileira, convocado por Telê Santana e não foi para a Copa de 1982, na Espanha, por muito pouco. A concorrência na posição era grande e o fato de o jogador ser polêmico e destemperado fez com que o treinador o preterisse.

Depois da Copa do Mundo, o futebol de Mário Sérgio teve uma queda e ele foi defender a Ponte Preta. Em 1983, o técnico Valdir Espinoza pediu para a direção do Grêmio contratar o meia e na final do Mundial Interclubes ele arrebentou: como os jogadores do Hamburgo marcaram forte o grande Paulo Cezar Caju, deixaram Mário Sérgio livre para ser o grande maestro da equipe naquele jogo. Aliás, o meia fez com que Renato Gaúcho brilhasse e fizesse os dois gols da vitória.

No São Paulo, passou a ser convocado para a Seleção

Novamente em alta com a grande atuação no Japão, o meia voltou ao Internacional e, em seguida, foi defender o Palmeiras, clube onde teve suas últimas chances pela Seleção Brasileira. Mário Sérgio ainda defenderia o Botafogo de Ribeirão Preto, o Bellinzona, da Suíça, e o Bahia, onde encerrou a carreira em 1987, com 37 anos.

Em seguida, Mário Sérgio teve uma rápida experiência como treinador do Vitória e foi para a televisão, virando um comentarista de sucesso na equipe da Rede Bandeirantes, que era forte no esporte. Além disso, o meia jogava pela Seleção Brasileira de Masters, iniciativa de Luciano do Valle com vários veteranos do futebol nacional. Dava gosto de ver os craques desfilando todo o talento naquela equipe.

No Grêmio campeão do mundo (o último agachado)

Em 1993, o Corinthians tirou Mário Sérgio da televisão e o fez treinador da equipe. Com nomes como Ronaldo, Rivaldo e Válber, o Timão não chegou à final do Brasileirão daquele ano, mesmo perdendo apenas um jogo em toda a competição. Depois desta experiência, Mário Sérgio alternava o trabalho de comentarista (além da Band, trabalhou na ESPN Brasil e SporTV) e de treinador, comandando uma boa parte dos clubes grandes e médios do futebol brasileiro, com destaque para sua passagem no São Caetano.

Antes da Copa de 2014, Mário Sérgio foi contratado pelo Fox Sports para comentar a competição pela emissora. Chegou a passar mal quando estava ao vivo em uma transmissão, mas se recuperou e vinha trabalhando até o dia da tragédia aérea no canal de televisão por assinatura. Faleceu com 66 anos

Chapecoense estará no coração de todo fã de futebol

Este time vai ficar na memória de todo fã do futebol. Valeu, Chape! (foto: Nelson Almeida / AFP)

Que dia triste! Um dia para reflexão. Em um único acidente de avião, na madrugada desta terça-feira, dia 29, boa parte do elenco da Chapecoense, que iria disputar o primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, na Colômbia, veio a falecer junto com a comissão técnica, dirigentes, convidados e membros do cronismo esportivo brasileiro, como Vitorino Chermont, Paulo Júlio Clement e o ex-craque Mario Sergio Pontes de Paiva.

A notícia veio como um furacão e realmente me abateu. É claro que demorou para cair a ficha e ainda quando veio as informações de que havia sobreviventes, a torcida era para que todos estivessem bem. Ledo engano, um acidente de avião normalmente é devastador e os poucos que sobreviveram são, na verdade, exceções.

E comecei a lembrar do que havia ocorrido com a Chapecoense neste 2016. Com certeza, é a melhor temporada da história do clube, que foi fundado em 1973. No primeiro semestre, o clube conquistou o seu quinto título catarinense da história. No Brasileirão, faltando apenas um jogo para encerrar a competição, o nono lugar marca a melhor campanha da agremiação em toda a história do campeonato.

Mas era na Copa Sul-Americana que a Chape, como é carinhosamente chamada, vinha fazendo história. Cuiabá, Independiente de Avellaneda, Junior Barranquilla e San Lorenzo foram eliminadas pelo time verde de Santa Catarina, que enfrentaria o Atletico Nacional de Medellin na grande final. Mas o destino quis que estes grandes atletas, junto com a comissão técnica, não pudessem estar presentes.

As homenagens foram enormes. Só para se ter uma ideia, o site do Corinthians ficou verde e o do Palmeiras negro, tudo por causa da Chapecoense. Clubes ao redor do mundo prestaram solidariedade e se colocaram à disposição para ajudar o time catarinense nesta hora tão difícil. Isto prova que o futebol é mais que um jogo e realmente mexe com a emoção das pessoas, inclusive com este que vos escreve, que passou o dia todo chocado e emocionado com o acontecido.

A comoção é tão grande que a Confederação Brasileira de Futebol adiou a final da Copa do Brasil, que seria realizada nesta quarta-feira e a última rodada do Brasileirão, que estava marcada para o domingo. Não há clima para a disputa com a bola rolando por estas terras. E a CBF tem razão.

Independente do que a Conmebol decidir (o Atlético Nacional já abdicou do título da Copa Sul-Americana), a Chapecoense já foi gigante e campeã! E, com certeza, seus jogadores estão agora abrilhantando os campos de futebol do Céu. Obrigado à todos e que descansem em paz!

Quem estava no voo:

Jogadores
1. Danilo (goleiro)
2. Gimenez (lateral)
3. Bruno Rangel (atacante)
4. Marcelo (zagueiro)
5. Lucas Gomes (atacante)
6. Sergio Manoel (meio-campista)
7. Filipe Machado (zagueiro)
8. Matheus Biteco (meio-campista)
9. Cleber Santana (meio-campista)
10. Alan Ruschel (lateral - sobrevivente)
11. William Thiego (zagueiro)
12. Tiaguinho (meio-campista)
13. Neto (zagueiro - sobrevivente)
14. Josimar (meio-campista)
15. Dener Assunção (lateral)
16. Gil (meio-campista)
17. Ananias (atacante)
18. Kempes (atacante)
19. Follmann (goleiro - sobrevivente)
20. Arthur Maia (meio-campista)
21. Mateus Caramelo (lateral)
22. Aílton Canela (atacante)

Demais convocados e comissão técnica
23. Caio Júnior (técnico)
24. Eduardo de Castro Filho, o Duca (auxiliar técnico)
25. Luiz Grohs, o Pipe (analista de desempenho)
26. Anderson Paixão (preparador físico)
27. Anderson Martins, o Boião (preparador de goleiros)
28. Dr. Marcio Koury (médico)
29. Rafael Gobbato (fisioterapeuta)
30. Cocada
31. Sergio de Jesus, o Serginho
32. Adriano
33. Cleberson Silva
34. Mauro Stumpf, o Maurinho (vice-presidente de futebol)
35. Eduardo Preuss, o Cadu Gaúcho (diretor)
36. Chinho di Domenico (supervisor)
37. Sandro Pallaoro
38. Cezinha
39. Gilberto Pace Thomas, o Giba (assessor de imprensa)

Diretoria
40. Nilson Folle Júnior
41. Decio Burtet Filho
42. Edir de Marco (diretor)
43. Ricardo Porto (diretor)
44. Mauro dal Bello (diretor)
45. Jandir Bordignon (diretor)
46. Dávi Barela Dávi (empresário)

Convidado
47. Delfim Peixoto Filho (vice-presidente da CBF e presidente da Federação Catarinense)

Imprensa
48. Victorino Chermont (Fox Sports)
49. Rodrigo Santana Gonçalves (Fox Sports)
50. Deva Pascovich (Fox Sports)
51. Lilacio Júnior (Fox Sports)
52. Paulo Julio Clement (Fox Sports)
53. Mario Sergio Pontes de Paiva (Fox Sports e ex-jogador)
54. Ivan Agnoletto (rádio rádio Super Condá)
55. Guilher Marques (Globo)
56. Ari de Araújo Júnior (Globo)
57. Guilherme Laars (Globo)
58. Giovane Klein (repórter da RBS TV de Chapecó)
59. Bruno Mauro da Silva (técnico da RBS TV de Florianópolis)
60. Djalma Araújo Neto (cinegrafista da RBS TV de Florianópolis)
61. Adré Podiacki (repórter do Diário Catarinense)
62. Laion Espindula (repórter do Globo Esporte)
63. Rafael Henzel (rádio Oeste Capital - sobrevivente)
64. Renan Agnolin (rádio Oeste Capital)
65. Fernando Schardong (rádio Chapecó)
66. Edson Ebeliny (rádio Super Condá)
67. Gelson Galiotto (rádio Super Condá)
68. Douglas Dorneles (rádio Chapecó)
69. Jacir Biavatti (comentarista RIC TV e Vang FM)

Tripulação
70. Miguel Quiroga (piloto)
71. Ovar Goytia
72. Sisy Arias
73. Romel Vacaflores (assistente de voo)
74. Ximena Suarez (aeromoça - sobrevivente)
75. Alex Quispe
76. Gustavo Encina
77. Erwin Tumiri (técnico da aeronave - sobrevivente)
78. Angel Lugo