quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Quando a Internazionale virou Ambrosiana

Por Lucas Paes

A Ambrosiana-Inter da temporada 1937/1938, time que contava com o grande Meazza

O futebol e a política muitas vezes estão estritamente ligados e quando regimes totalitários assumem o governo de um país, o esporte costuma ser atingido. Entre as décadas de 20 e 40, a Itália viveu o período do Fascismo de Mussolini, que atingiu o nome de uma das maiores equipes do país. 

A Internazionale surgiu como símbolo do mundo e o nome não foi escolhido a toa. A Beneamata foi fundada por antigos sócios do Milan que não aceitavam o fato do clube não permitir jogadores estrangeiros. Uma frase famosa da fundação dos Nerazzurri é que ela se chamaria Internazionale  por serem amigos do mundo e teria as cores da noite de Milão, azul e preta.

Naturalmente, um clube com tal histórico incomodaria um regime ultra nacionalista. Mas a época também era de guerra contra o comunismo. Numa ordem do governo italiano, a Inter foi forçada a mudar de nome, para não fazer referencia a Internacional Comunista.

Mas não foi só o internacionalismo que causou a mudança. Com a intenção de reduzir o número de clubes da cidade, o prefeito de Milão na época forçou a fusão da US Milanese e da Inter. Ao fim da temporada de 1927/1928, a Inter virava Ambrosiana.


Por pouco tempo, a Ambrosiana passou a usar uma camisa branca com a cruz vermelha de Milão e o símbolo do Facio ao centro. Porém a pressão popular fez com que o clube logo voltasse a usar azul e preto.

A primeira temporada com o novo nome, em 1928/1929 coincidiu com uma das maiores crises da história interista. Com péssima posição no campeonato, o time estava afundado financeiramente e o presidente da equipe a época, Ernesto Torrussio, também prefeito milanês, deixou o comando para Oreste Simonetti, presidente do Casale, que botou a equipe nos trilhos.

Na temporada seguinte, surgiu um tal de Giuseppe Meazza. Aos 19 anos, os 31 gols do atacante que viraria lenda levaram a Inter ao terceiro Scudetto, o primeiro como Ambrosiana. Meazza seria só o maior jogador da história do clube. Os 31 gols foram o recorde de um estreante na Série A, até hoje não batido.

Em 1932, a Federação Italiana autorizou o uso de alguma referencia ao nome Inter. Assim, a equipe passou a se chamar Ambrosiana-Inter. Em 1934 o título bateu na trave, mas foi perdido para a Juventus.


Na temporada de 1937/1938, veio o quarto título. Com Alberto Castelazzi na casamata e Meazza no auge, a conquista foi um presságio do que Giuseppe faria na Copa do Mundo de 1938. Aqueles anos seriam de ouro para os interestadual. Na temporada seguinte veio a primeira Copa Italia e em 1940 mais um título italiano.

Três anos depois, a Segunda Guerra mundial forçou a pausa nas atividades esportivas na Itália. Ao fim do confronto, a queda do regime de Mussolini fez com que a Inter imediatamente voltasse ao nome original: Football Club Internazionale. Mas foi o início da era do Grande Torino. Vinte anos depois, viria a era da Grande Inter, de Facchetti, Suarez, Helenio Herrera e cia, responsáveis por tornar a Inter o gigante que é hoje.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Federação Paulista divulga grupos da Copa São Paulo de 2018


Os 128 participantes -número recorde da Copa São Paulo de Futebol Júnior- foram divulgados nesta quarta-feira (22). O estado de São Paulo, com 55 participantes, sendo 32 times-sede, é o com maior número de clubes. Todos os estados da federação estão representados na maior e mais democrática Copa São Paulo da história.

Atual campeão e maior vencedor do torneio com dez títulos, o Corinthians vai jogar na cidade de Araraquara. Vice-campeão ano passado, o Batatais vai jogar em Bebedouro.

Sensação da temporada paulista na base, chegando a todas as finais, o Palmeiras inicia a busca pelo título inédito atuando em Taubaté. Bicampeão em 2013 e 2014, o Santos joga em Novo Horizonte, enquanto o São Paulo, campeão pela última vez em 2010, jogará em Ribeirão Preto. A lista conta ainda com as 20 equipes que disputam a Série A do Brasileiro.

Confira abaixo os grupos:


Paulista 9 x 0 Paysandu - Em 2006, a maior goleada da história da Série B

Por Mateus Dannibale
Fotos: Estevan Mazzuia / Jogos Perdidos

Ao fim do jogo, o placar do Jayme Cintra destacava a sonora goleada do Paulista

Goleadas são marcantes para ambos os lados. Quem ganha, fica se vangloriando pelo feito por anos e quem perde se lamenta. Este jogo que vamos falar não é diferente: em 18 de novembro de 2006, o Paulista recebeu o Paysandu no Estádio Jayme Cintra, e Jundiaí, pela penúltima rodada do Campeonato Brasileiro da Série B daquele ano e aplicou sonoros 9 a 0! Sim, esta foi a maior goleada da história da competição.

Mas antes de falar da partida, temos que explicar o que foi aquela Série B, que naquela temporada, pela primeira vez em sua história, era disputada no sistema de pontos corridos e ainda contava com um grande: o Atlético Mineiro. Muitas equipes tiveram que se adaptar ao novo sistema de competição e algumas não tiveram sucesso.

Naquela penúltima rodada, o Paulista, que contava com nomes como o goleiro Victor e o zagueiro Rever e havia conquistado a Copa do Brasil no ano anterior e tinha disputado a Copa Libertadores no primeiro semestre, brigava com o América de Natal pela última vaga do acesso (Atlético Mineiro, Sport e Náutico já tinham encaminhado suas vagas na Série A). Já o Paysandu, que tinha caído da Série A em 2005, depois de algum sucesso no meio da competição, onde chegou a fazer 6 a 2 na Portuguesa, em pleno Canindé, caiu de rendimento e brigava contra o rebaixamento, que seria o segundo seguido.

O Paulista atacando no primeiro tempo

Com este cenário, as duas equipes precisavam da vitória naquele 18 de novembro. O Paulista começou a partida explorando a velocidade, sobretudo pela fragilidade do sistema defensivo adversário. E foi exatamente em uma falha de marcação que o time chegou ao gol. Aos cinco minutos, após cobrança de escanteio, a defesa se atrapalhou e Dema cabeceou na segunda trave. 

Nem mesmo a desvantagem fez os paraenses acordarem. Com Aldrovani isolado no ataque, o time não conseguiu criar e ainda sofreu o segundo gol quando tentou se abrir, aos 29. Em contra-ataque, Jaílson recebeu pela direita com a defesa aberta, invadiu a área e chutou cruzado. 

Sete minutos mais tarde, o Paulista marcou mais um. O lateral-esquerdo Fábio Vidal fez boa jogada na entrada da área e de perna direita, acertou um lindo chute por cobertura, sem chances para Márcio. 

Apesar do placar favorável, o time da casa não diminuiu o ritmo e ainda fez outro, aos 45, com o volante Marcus Vinícius desviando de cabeça um cruzamento para a área. No minuto seguinte foi a vez de Jaílson bater forte no canto esquerdo, fazendo o quinto.

Um dos raros lances do Paysandu no ataque

Na volta do intervalo, o Paysandu não conseguiu corrigir as falhas e sofreu mais dois gols relâmpagos, todos em erros da defesa. Logo no primeiro minuto, Victor Santana marcou o primeiro dele e Jaílson fez o sétimo, aos três. Aos 16 e aos 31, o mesmo Jaílson balançou a rede mais duas vezes e fechou a goleada histórica.

O resultado foi ótimo, mas não ajudou o Paulista em sua intenção. Mesmo vencendo o Brasiliense, fora de casa, por 4 a 3, na última rodada, o Galo do Japí perdeu o acesso para o América de Natal no número de gols marcados. O Paysandu também não conseguiu escapar do rebaixamento. Com muitos times lutando para não cair, a equipe de Belém até goleou o Marília na última rodada (4 a 1), mas foi para a Série C de 2007.

A grande ironia é a seguinte: depois de tantas idas e vindas no futebol, o Paysandu hoje está no Campeonato Brasileiro da Série B e já está confirmado na competição em 2018, enquanto Paulista, neste ano, foi rebaixado para a Segunda Divisão Paulista, o quarto e último estágio do estado. Coisas do futebol!

Ao final, o 9 a 0 é a maior goleada da história da Série B

Ficha Técnica
PAULISTA 9 X 0 PAYSANDU

Data: 18 de novembro de 2006
Local: Estádio Jayme Cintra - Jundiaí-SP
Árbitro: Rogério Pereira da Costa (MG)

Cartões Amarelos
Paulista: Marcus Vinícius e Eduardo
Paysandu: Júnior, João Paulo, Élson, San e João Vitor

Cartão Vermelho
Paysandu: Júnior

Gols
Paulista: Dema, aos cinco, Jaílson, aos 29, Fábio Vidal, aos 36, Marcus Vinícius, aos 45, e Jaílson, aos 46 minutos do primeiro tempo; Victor Santana, a um, Jaílson, aos três, Jaílson, aos 16, e Jaílson, aos 31 minutos do segundo tempo.

Paulista: Victor (Róbson); Marco Aurélio, Dema, Rever e Fábio Vidal (Eduardo); Glaydson, Marcus Vinícius, Marcelo Oliveira e Felipe Sodinha; Victor Santana (Leandro Alves) e Jaílson - Técnico: Vágner Mancini

Paysandu: Márcio; Oziel, João Paulo (Esquerdinha), Júnior e João Vitor; Marabá, San, Élson (Rodrigo), Rogerinho e Têti (Zé Augusto); Aldrovani - Técnico: Sinomar Naves

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Santos 11 x 0 Botafogo RP - Em 1964, oito gols de Pelé no mesmo jogo

O antigo placar da Vila Belmiro apontava a goleada do Santos FC

Estádio Urbano Caldeira, a Vila Belmiro. Em um sábado chuvoso, mais precisamente no dia 21 de novembro de 1964, o Santos FC encarava o Botafogo de Ribeirão Preto, por mais uma rodada do Campeonato Paulista. Em um dia iluminado, o Peixe fez incríveis 11 a 0!!! Só Pelé marcou oito vezes, o seu recorde pessoal.

A verdade é que o Santos entrou naquele dia com muita vontade de jogar. No primeiro turno, em Ribeirão Preto, o Peixe foi derrotado pelo Botafogo por 2 a 0. A vontade de vingar a derrota era grande. Além do Rei goleador também marcaram Pepe, Coutinho e Toninho Guerreiro. O detalhe maior é que o gol marcado pelo ponta-esquerda Pepe foi olímpico e não recebeu o merecido destaque da imprensa, que enalteceu apenas os oito gols de Pelé.

O “Pantera da Mogiana”, apelido do time botafoguense, era dirigido pelo técnico Osvaldo Brandão, o popular “Caçamba” que depois da goleada sofrida pediu demissão do cargo e foi dirigir a equipe do Corinthians, que depois sofreu impiedosamente. Foi goleado, no dia 5 de dezembro de 1964, no Pacaembu, pelo placar de 7 a 4, com o Rei marcando quatro e Coutinho três gols.

A imprensa destacou o feito de Pelé naquele 21 de novembro. O jornal A Gazeta Esportiva, no dia seguinte, publicou na primeira página a seguinte manchete: "'SACI' da Vila marcou oito gols! Pelé superou Fried depois de 35 anos".

Jornal no dia seguinte

Antes do Atleta do Século atingir essa marca fantástica de gols em uma só partida, o maior goleador do time santista era Araken Patusca, que marcou sete gols na vitória de 12 a 1 diante do CA Ipiranga da capital, na Vila Belmiro pelo campeonato paulista. Araken Patusca em homenagem ao Rei escreveu a ele a seguinte carta:

“Pelé você me suplantou. Você me venceu. Você marcou 8 tentos numa partida oficial de campeonato. Eu marquei 7. Meus olhos se turvaram. Eram lágrimas que os umedeciam, e que traduziam não a amargura pela perda de um recorde de 37 anos, mas que eram, e isso sim, o testemunho de uma recordação".

O recorde de gols em uma só partida no Brasil, do eterno Rei Pelé durou até o ano de 1976 sendo superado por Dário, o Dadá Maravilha, que marcou 10 gols na vitória do Sport Recife contra o Santo Amaro. Antes, o recorde do Rei tinha sido igualado por Jorge Mendonça, que marcou oito gols na vitória do Náutico contra o mesmo caixa de pancadas que atende pelo nome de Santo Amaro, no estado de Pernambuco.

Reportagem de 2014 sobre o feito

Ficha Técnica
SANTOS FC 11 X 0 BOTAFOGO RP

Data: 21 de novembro de 1964
Local: Vila Belmiro - Santos-SP
Público: 9.437 pagantes
Renda: Cr$ 14.210.800,00
Árbitro: Carlos Drumond da Costa

Gols
Santos FC: Pelé aos 3min, aos 8min, aos 16min, aos 38min e aos 40min, Pepe aos 19min e Coutinho aos 25min do primeiro tempo; Pelé aos 25min, aos 27min e aos 28min e Toninho Guerreiro aos 45min do segundo tempo.

Santos FC: Gilmar; Ismael, Modesto, Haroldo e Geraldino; Lima e Mengálvio; Toninho, Coutinho, Pelé e Pepe - Técnico: Lula

Botafogo RP: Galdino Machado; Ditinho, Élio Vieira e Tiri; Carlucci e Maciel; Zuino, Alex, Antoninho, Adalberto e Gazze - Técnico: Oswaldo Brandão

Os títulos paranaenses do Londrina

Por Lucas Paes

O título de 2014 foi o quarto estadual da elite conquistado pelo Londrina

O Londrina é o clube de maior expressão do interior do Paraná e não é preciso de eufemismos para fazer tal afirmação. Campeão da Série B em 1980 e da Primeira Liga deste ano, o Tubarão esteve próximo do acesso à Série A neste texto. Além disso, o Tubarão tem conquistas estaduais e neste texto relembraremos os títulos paranaenses dos londrinenses.

1962


Fundado em 1956, o clube precisou de apenas seis anos para conquistar o primeiro estadual. Após ser campeão do grupo da região do Norte Novo, o Tubarão pegou o Coritiba e o Cambará no triangular final. O título veio em vitoria por 4 a 2 diante do Coxa, no Couto Pereira , que se chamava Belfort Duarte, com uma rodada de antecedência.

1981


O segundo título veio em 1981. Em um campeonato que o campeão de cada turno decidia o título. A final colocou frente à frente os grandes rivais do interior paranaense, o Grêmio Maringá, campeão do primeiro turno e o Londrina, campeão do segundo. O Tubarão levou a taça com duas vitórias, 3 a 2 em Maringá e 2 a 1 em Londrina.

1992


A terceira taça veio em 1992. Depois de duas fases de grupos, com dez e quatro times em cada um deles, o Tubarão eliminou o Atlético Paranaense nas semifinais e pegou o União Bandeirante na decisão. Com dois empates nos dois primeiros jogos, a definição veio no terceiro jogo, com vitória londrinense por 1 a 0 em casa. 

2014


A última conquista veio em 2014. Depois de passar pela maior crise de sua história, a recuperação começou naquele título. Depois de um quarto lugar na primeira fase, o Tubarão eliminou o J Malucelli nas quartas e o Atlético nas semis. A final foi diante do Maringá FC. Depois de empates por 2 a 2 em Londrina e 1 a 1 em Maringá, a conquista veio com vitória de 4 a 3 nos pênaltis, selando o quarto estadual do clube.

Até quando atletas e empresários vão enriquecendo e os clubes ficando mais pobres?

Por Lula Terras

Lucas Lima deve sair do Santos na virada do ano sem retorno financeiro ao clube

O mês de dezembro já está chegando e, com ele, o fim de mais uma temporada futebolística. Daí, o tema favorito dos torcedores e da grande imprensa especializada é o Mercado da Bola. Várias serão as negociações, muitas resolvidas, outras não, mas algo de estranho fica no ar, principalmente na elaboração dos contratos, onde as salvaguardas privilegiam, em grande parte, atletas e treinadores renomados, quanto aos clubes, que investiram na formação ou serviram de vitrine para esses atletas, em muitos casos, ficam a ver navios, como diz dito popular.

Acho justo que os atletas tenham essa preocupação, como também acho justo que os clubes tenham sua salvaguarda na elaboração dos contratos. Um exemplo a ser citado é a saída de Lucas Lima, cujo contrato com o Santos encerra-se em dezembro. Como ele mesmo tem dito, está com algumas propostas em mãos e irá decidir por uma delas, após o final do contrato. Caso não aceite a proposta do Santos, que já foi feita, o clube, que investiu e muito em sua carreira, ficará sem qualquer compensação financeira.

Esse fato me faz lembrar de um período anterior, quando o Santos recebeu proposta de um clube chinês, que seria vantajosa tanto para o clube, como para o atleta. Na oportunidade, Lucas Lima recusou, alegando que seu objetivo era uma transferência para um grande clube europeu, onde o mercado é mais forte e estaria realizando um grande sonho. Com isso, o clube teve que se contentar a manter o atleta no elenco e o restante da história vem sendo divulgada diariamente pela imprensa esportiva.

Com isso, fica uma pergunta a quem possa responder. Será que na elaboração do contrato, não existe uma salvaguarda para o clube, quando o atleta se recusa a aceitar uma negociação, mesmo que seja vantajosa financeiramente? Espero que nos comentários, alguém traga uma luz, e para finalizar e espero que o Santos peça de volta ou torne sem efeito a proposta enviada a Lucas Lima.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

♩♪♫♬ És a Fita Azul em Rubro Verde do Brasil ♩♪♫♬

Por Lucas Paes

Em pé: Carlito, Perinho, Raul, Pixú, Jorge, Nivaldo e Filpo Núñez
Agachados: Nicola Gravina, Gonçalo, Guilherme, Grillo e Valdo
Este é o time que conquistou a Fita Azul

A Fita Azul era uma premiação dada inicialmente pela CBD e depois pelo jornal Gazeta Esportiva aos times que faziam excursões invictas fora do Brasil. A agora centenária Portuguesa Santista conquistou tal honraria em 1959, na África do Sul. Inclusive, em seu hino cita a conquista:


♩♪♫♬ És a Fita Azul
Em Rubro Verde do Brasil ♩♪♫♬

A excursão que a Briosa fez infelizmente não ficou só conhecida pelas vitórias. Foi nesta mesma viagem que os rubro-verdes se recusaram a entrar em campo quando tentaram impedir que seus jogadores negros jogassem. A África do Sul vivia o regime do Apartheid. O episódio está melhor detalhado em uma matéria no site. 

A campanha da Fita Azul começa em 16 de abril, com goleada de 5 x 0 para cima da Seleção de Lourenço Marques. Depois vitórias de 8 a 0 para cima do Ferroviário de Maputo e 5 a 0 para cima do Desportivo de Lourenço Marques.

No navio que levou o time à África

Na quarta partida, a Briosa finalmente levou gols, mas venceu outra vez a Seleção de Lourenço Marques por 4 a 2. Depois de dois jogos a mesma seleção ainda apanhou de 9 a 1. No segundo confronto, o Ferroviário também perdeu de novo, agora por 3 a 0. 

Até então todos os adversários eram times Moçambicanos. A última equipe do país a enfrentar a Briosa foi a Seleção da Beira, que perdeu de 2 a 0. Então começaram os confrontos com os sul-africanos. Goleadas por 5 a 1 para cima das Seleções do Transvaal e da África do Sul. Acabaram sendo apenas dois jogos contra equipes daquele país.

Os últimos adversários da passagem vitoriosa foram angolanos. Primeiro 7 a 1 pra cima do Ferroviário de Angola. Depois 3 a 0 na Seleção de Hulia, 6 a 1 sobre a de Luanda, 4 a 1 no Selecionado de Benquela. As últimas partidas foram diante do Ambaca (3x0) e 6 a 2 no selecionado de Huambo.

Foram 15 jogos, 15 vitórias, 75 gols feitos e apenas dez sofridos. A artilharia ficou por conta de Grilo, com 20 gols marcados durante a excursão. A equipe da Briosa foi recebida com festa em Santos e desfilou em carro de bombeiros.

Uma multidão foi receber a equipe na volta da viagem

Campanha da Briosa: 

16/04 – Portuguesa Santista 5 x 0 Seleção de Lourenço Marques (MOC)
18/04 – Portuguesa Santista 8 x 0 Ferróvairo de Moçambique  (MOC)
19/04 – Portuguesa Santista 5 x 0 Desportivo Lourenço Marques  (MOC)
26/04 – Portuguesa Santista 4 x 2 Seleção de Lourenço Marques  (MOC)
30/04 – Portuguesa Santista 3 x 0 Ferróviário de Moçambique  (MOC)
03/05 – Portuguesa Santista 2 x 0 Seleção da Beira  (MOC)
09/05 – Portuguesa Santista 9 x 1 Seleção de Lourenço Marques  (MOC)
10/05 – Portuguesa Santista 5 x 1 Seleção de Transvaal (AFS)
16/05 – Portuguesa Santista 5 x 1 Seleção da África do Sul
17/05 – Portuguesa Santista 7 x 1 Ferroviário da Angola (ANG)
19/05 – Portuguesa Santista 3 x 0 Seleção de Huíla  (ANG)
21/05 – Portuguesa Santista 6 x 1 Seleção de Luanda (ANG)
23/05 – Portuguesa Santista 4 x 1 Seleção de Benquela  (ANG)
24/05 – Portuguesa Santista 3 x 0 Ambaca  (ANG)
28/05 – Portuguesa Santista 6 x 2 Seleção de Huambo  (ANG)

11 grandes nomes do Centenário da Portuguesa Santista

Por Victor de Andrade


A Associação Atlética Portuguesa, a mais Briosa de Ulrico Mursa, está em festa. Neste 20 de novembro de 2017, o clube está completando 100 anos de fundação. Uma história rica desta tradicional agremiação, tão importante para o futebol de Santos e do estado de São Paulo.

Ao longo destes 100 anos, vários jogadores vestiram a camisa da Portuguesa Santista. Muitos se destacaram com o manto Rubro Verde e conquistaram títulos ou fizeram boas campanhas pela equipe. Outros, alçaram voos ainda maiores, chegando até à Seleção Brasileira. É, mesmo sendo considerado um time pequeno, a Briosa já teve até jogador na Copa do Mundo.

Não foi fácil escolher 11 atletas e um treinador para formar um time que resumiria a história do clube. E nesta seleção não está simplesmente os melhores que já vestiram a camisa Rubro Verde. Para a escolha, foi levada em consideração a importância do atleta em sua passagem pela equipe, na história do futebol e os voos que ele alcançou em sua carreira.

É claro que terá algumas discussões do tipo: "está faltando tal jogador". Esta seleção não tem a pretensão de ser dona da verdade.  Eu mesmo tive dúvidas em várias posições e se talvez eu for fazê-la novamente, poderá ter mudanças. Jogadores como Fernando, Marçal, Arouca, Ratto, Pereirinha, Arizinho, Zinho, Tico Mineiro e Souza ficaram de fora. Até treinadores importantes como Vicente Feola, Manga, Papa, Muricy Ramalho, Pepe e Ricardo Costa não constaram na decisão final. Também foram feitas pequenas improvisações para chegar nesta equipe. Mas que estes 11 atletas e o treinador foram importantes na história da Briosa, isto não se tem dúvida. Então vamos à eles:

LAÉRCIO

Na capa do Mundo Desportivo,
antes de um jogo contra o São Paulo

Aqui já tivemos uma primeira dúvida, pois grandes arqueiros defenderam a meta Rubro Verde, mas escolhi Laércio José Milani. Nascido em Indaiatuba, Láercio começou no Primavera, de sua cidade, com apenas 15 anos. Em 1948, ele se destacou em uma série de amistosos contra a Briosa e foi contratado. Chegando em Santos, ele iniciou sua trajetória de sucesso, tomando a posição de Andu e fazendo atuações magistrais.

Seguro e acrobático, ao mesmo tempo, Laércio passou a ser considerado um dos melhores da posição do futebol paulista e chamou a atenção de diversos clubes. Foi sondado pelo Vasco da Gama, mas foi o Palmeiras que o contratou em 1954, depois de uma longa negociação. Em 1957, voltou para a cidade de Santos, para defender o time Alvinegro, onde encerrou a carreira em 1969. Laércio faleceu em Santos, em 1985, vítima de infarto.

BALU

Balu é o quinto em pé na formação do time de 1996

Nascido em Castro Alves, na Bahia, em 28 de dezembro de 1961, Luís Carlos Reis, o Balu, começou no futebol na própria Portuguesa Santista. Se caracterizava por ser um lateral direito forte, que equilibrava marcação e apoio. Após boas apresentações na Divisão de Acesso Paulista, Balu foi contratado, ao final de 1984, pela Ferroviária. No ano seguinte, continuou bem na equipe de Araraquara e o Cruzeiro foi buscá-lo.

No time azul de Minas Gerais, Balu teve o auge na carreira. Ganhou a Bola de Prata da Revista Placar em 1989 e era considerado um dos melhores laterais-direitos do país, chegando à Seleção Brasileira em 1990, convocado por Paulo Roberto Falcão. Ao sair do Cruzeiro, o atleta ainda teve uma passagem pelo Paraná Clube antes de voltar à Briosa, em 1995. No ano seguinte, Balu foi um dos jogadores mais importantes na volta da Portuguesa Santista à elite do futebol paulista e encerrou a carreira no clube onde começou. Em duas oportunidades, ele foi o treinador da equipe Rubro Verde.

JOEL CAMARGO

Joel Camargo é o primeiro em pé neste time da base da Briosa

Este é o primeiro caso de jogador que não atuou muitas vezes no time principal da Briosa, mas sua história no futebol brasileiro e mundial não dava para deixá-lo de fora. O zagueiro Joel Camargo nasceu em Santos, no dia 18 de setembro de 1944 (algumas publicações afirmam que ele é de 1946) e chegou na Portuguesa Santista, para atuar nas categorias de base. Em 1963, passou para o time principal e mostrou tanta categoria que no mesmo ano o Alvinegro o contratou.

No final da década de 60, passou a frequentar constantemente a Seleção. Era o titular do time de João Saldanha nas Eliminatórias para a Copa de 70. No México, foi para o banco de reservas, mas, mesmo assim, tornou-se tricampeão do mundo. Um acidente automobilístico quase o fez terminar a carreira. Em 1971, o zagueiro foi um dos primeiros brasileiros a atuar no Paris Saint-Germain. Ainda passou por CRB, Londrina e Saad, onde encerrou a carreira em 1973. Quando parou, Joel se afastou totalmente do futebol e foi trabalhar no Porto de Santos. Depois, já nos anos 90, foi ser professor de escolinhas em Santos e em São Paulo. Joel faleceu no 2014, de insuficiência renal.

ADELSON

O quinto em pé, em um dos times da década de 60

Aqui talvez foi onde eu tive mais dúvidas. Pensei em Clóvis, revelado na Briosa e que fez carreira no Corinthians, e em Fernando, que também surgiu no clube, passou por grandes equipes e voltou para a Portuguesa, sendo importante no acesso de 1996. Porém, um atleta que esteve na vitoriosa excursão à África, conquistando a Fita Azul, em 1959, e foi o capitão do título de 1964 não poderia ficar de fora. Por isto, Adelson foi o escolhido.

Adelson Narciso chegou na Portuguesa Santista em 1956 e é um dos atletas que mais atuou com a camisa do clube. Foi ganhando seu espaço no clube e logo se tornou dono da posição na defesa Rubro Verde. Líder nato, capitão, Adelson ficou na Briosa até o início de 1967, quando foi para o América de São José do Rio Preto, onde encerrou a carreira. Atualmente, Adelson sempre aparece no clube e é uma das melhores referências quando o assunto é Fita Azul ou o título de 1964.

MARCO ANTÔNIO

Revista Placar de 30 de outubro de 1970

Assim como Joel Camargo, Marco Antônio não ficou muito tempo na Portuguesa Santista, mas um dos melhores laterais esquerdos do futebol brasileiro não poderia ficar de fora. Nascido em Santos, em 6 de fevereiro de 1951, Marco Antônio Feliciano entregava marmitas antes de chegar à Briosa em meados dos anos 60, quando foi apresentando ao técnico Papa. No início, atuou como ponta esquerda, por causa de sua extrema habilidade, mas também já era usado como lateral.

Novo, habilidoso e inteligente, logo chamou a atenção dos clubes grandes e foi parar no Fluminense, ainda em 1968, com apenas 17 anos. Não demorou muito para chegar à Seleção Brasileira. Aliás, Marco Antônio jogou algumas partidas na Copa de 1970, mas não era o titular absoluto por apoiar demais. Por isto, Zagallo preferiu Everaldo. O mesmo aconteceu em 1974, mas o torcedor brasileiro sabia que o melhor da posição era o menino revelado pela Briosa. Marco Antônio ainda defendeu Vasco, Bangu e Botafogo, onde encerrou a carreira em 1984.

ARGEMIRO

Argemiro é o primeiro em pé neste time de 1937

Nascido em Ribeirão Preto, no dia 2 de junho de 1915, Argemiro Pinheiro da Silva foi, com certeza, o jogador que chegou mais longe vestindo a camisa da Portuguesa Santista. Ele começou no EC Rio Preto, em 1931 e chegou na Briosa em 1935, no início do profissionalismo do futebol paulista. E chegou para fazer história! Ele era um dos alicerces do grande time Rubro Verde da segunda metade da década de 30, que foi terceiro colocado nos paulistas de 1936, 1937 e 1938.

Suas belas atuações fizeram com que Ademar Pimenta o convocasse para a Copa do Mundo de 1938, realizada na França. Sim, Argemiro disputou um mundial de futebol como atleta da Briosa, atuando como titular na vitória da Seleção Canarinho contra a Checoslováquia, por 2 a 1! O Brasil foi o terceiro colocado e, no ano seguinte, o atleta foi para o Vasco da Gama, onde ficou até 1946, encerrando a carreira. Ele faleceu em 4 de julho de 1975. Conheça mais a história do jogador aqui.

TIM

Tim, de gorro, em jogo contra o Hespanha

Outro grande jogador da Portuguesa Santista nos anos 30, Elba de Pádua Lima, o Tim, nasceu Rifania, em 20 de fevereiro de 1916. Começou a carreira no Botafogo de Ribeirão Preto e depois de uma rápida passagem pelo Corinthians, chegou à Briosa em 1934. Tim foi o grande nome do time Rubro Verde de 1936, que disputou o título paulista ponto a ponto contra Corinthians e Palmeiras. Suas boas atuações o levaram para a Seleção Brasileira, onde disputou o Sul-Americano de 1937, como atleta da Portuguesa Santista.

Quando voltou do torneio de seleções, Tim foi negociado com o Fluminense, onde virou ídolo e tornou-se um dos maiores jogadores do país, defendendo a Seleção, como titular, na Copa de 1938. Tim ainda passou por Nacional, São Paulo, Botafogo, Olaria e Junior Barranquilla. Depois, ele tornou-se treinador, onde teve carreira de sucesso, conquistando diversos títulos e ainda dirigiu a Seleção Peruana na Copa de 1982. Tim faleceu em 7 de julho de 1984. Conheça mais sobre ele aqui.

RICO

Rico, em partida contra o Santo André, em 2003

Leandson Dias da Silva, o Rico, é o mais novo desta seleção. Nascido em 4 de abril de 1981, em Recife, o rápido atacante chegou na Briosa em 2003, depois de passar por CSA, Águas de Lindóia e São Paulo. Podemos dizer que Rico estava iluminado na brilhante campanha da Portuguesa Santista no Paulistão daquele ano, onde a equipe foi semifinalista, sendo o alicerce do time, comandado por José Macia, o Pepe, junto com o meia Souza. Rico, por ser rápido, saia com facilidade na cara do goleiro e seus gols foram importantes na campanha: ele foi vice-artilheiro do certame, com um tento a menos que Luís Fabiano. Quem não se lembra dos dois gols marcados por ele contra o Santos?

Após o Paulistão, Rico foi para o São Paulo. Depois passou pelo Grêmio e voltou para a Briosa em 2005. A segunda passagem nem de longe lembrou a primeira, mas deixou sua marca novamente em um clássico contra o Santos. Rico rodou o mundo, indo jogar no mundo Árabe e seu último clube foi a Portuguesa de Desportos, este ano. Ele ainda não pendurou as chuteiras.

SAMARONE

Samarone com a camisa da Briosa

Provavelmente o autor do gol mais importante da história do clube, Wilson Gomes, que ficou conhecido como Samarone, nasceu em Santos, no dia 13 de março de 1946. Ele chegou na Briosa atuando no futebol amador de Santos e logo conseguiu espaço na equipe principal do time. E foi o grande nome da equipe no Campeonato Paulista da Divisão de Acesso de 1964 (a atual Série A-2). Para coroar, Samarone fez o gol do título, no jogo contra a Ponte Preta, em Moisés Lucarelli, já no ano de 1965.

Samarone ainda fez alguns jogos pela Portuguesa Santista no Paulista de 1965, mas em seguida foi negociado com o Fluminense. No Rio, tornou-se um dos melhores jogadores do país, chegando a ser convocado para a Seleção Brasileira. Depois, o atleta ainda passou por Corinthians, Flamengo, Portuguesa de Desportos e Bonsucesso, onde encerrou a carreira em 1975. Conheça mais sobre o atleta aqui.

LIO

Lio é o primeiro agachado na foto do time campeão

Aqui foi outra posição onde tive muita dúvida em quem escolher. E cheguei no Lio pois, além do título de 1964, ele foi o artilheiro da competição. O centroavante fazia uma dupla quase perfeita com Samarone, que, nos gramados, aterrorizou as zagas dos times do futebol paulista na Divisão de Acesso daquele ano. Lio terminou o certame com 20 gols, sendo o líder absoluto em tentos no torneio.

Ele também teve boa passagem pela Ferroviária de Araraquara (SP), onde atuou ao lado de craques como Galhardo, Peixinho e Tales, e pelo Noroeste, onde jogou com Araras (ex-Santos), Navarro e Aracito. Lio ainda defendeu o Noroeste de Bauru e o Jabaquara, durante excursão deste time na Argentina, comandado por Filpo Nuñez. Lio faleceu em 7 de janeiro do ano passado e trabalhava como instrutor de tênis do Clube Internacional de Regatas.

BERISTAIN

Beristain sendo agraciado pela torcida

O argentino Tomas Beristain (ou Beristein, de acordo com algumas publicações) é o jogador com mais lendas no centenário da mais Briosa. Em apenas um ano de passagem pela Portuguesa Santista, suas histórias enriquecem a trajetória do clube. Com passagens por Platense, San Lorenzo e um jogo pela Seleção Argentina, Beristain aportou em Santos em 1940 e virou o grande ídolo da torcida Rubro Verde, com suas atuações destemidas, que faziam com que o time Rubro Verde encarasse de igual para igual o trio de ferro da capital.

Habilidoso ao extremo, capaz de bater escanteios e pênaltis de chaleira (é o que diziam) e ter dado a primeira bicicleta do futebol paulista (antes de Leônidas vir para o São Paulo), o argentino foi o principal jogador da equipe no Campeonato Paulista de 1940. Fora de campo, alegrava quem passeava pela praia durante a manhã, pois com uma "pelota", ele fazia embaixadinhas na areia antes de ir para o treino em Ulrico Mursa. Em sua despedida, já em 1941, foi oferecido um jantar de gala. Beristain voltou para o San Lorenzo, onde atou por mais um ano e encerrou a carreira. Porém, quem viu garante: foi o melhor jogador da história da Portuguesa Santista. Conheça mais sobre ele aqui.

FILPO NÚÑEZ

Filpo Núñez, em pé, ao centro, com a Briosa em 1971

Chegamos ao treinador. Outro lugar que deu dor de cabeça para escolher. Mas chegamos ao argentino  mais brasileiro da história do futebol: Filpo Núñez. Ele dirigiu a Portuguesa Santista em cinco oportunidades: entre 1957 e 1958, entre 1958 e 1959, em 1964 e entre 1971 e 1972 e em 1980. O argentino comandou a Briosa na invicta excursão na África, que trouxe ao clube a Fita Azul do Futebol Brasileiro. Filpo Núñez também iniciou o trabalho em 1964, que acabou sendo campeão da Divisão de Acesso já sob o comando de Manga, já que o treinador foi contratado pelo Palmeiras.

Filpo tem uma história gigante no futebol brasileiro. Ele foi o treinador do Verdão na década de 60, comandando um dos maiores times da história do clube. Foi o único técnico estrangeiro a dirigir a Seleção Brasileira sozinho, em um amistoso contra o Uruguai, em 1965, na inauguração do Mineirão. Ele dirigiu diversos times por aqui e também passou por Argentina, Chile, Bolívia, México, Portugal, Espanha, Equador, Peru e Venezuela. Enfim, história é que não falta!
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