sábado, 25 de abril de 2015

Samarone: o diabo loiro de Ulrico Mursa e das Laranjeiras


Samarone, um dos grandes jogadores da história da Briosa

Meia-atacante de forte chute, Wilson Gomes, mais conhecido como Samarone, nasceu em Santos-SP, no dia 13 de março de 1946. Começou sua carreira profissional na Portuguesa Santista, onde marcou um dos gols mais importantes da história do clube, e foi ídolo no Fluminense. O jogador também defendeu Corinthians, Flamengo, Portuguesa e Bonsucesso.

Samarone começou a se destacar no futebol nas ruas e na praia de Santos. No início da década de 60, foi chamado para jogar em um clube amador chamado Tricolor FC, do bairro do Campo Grande. Além de Samarone, faziam parte do time Cabralzinho (ex-Santos e Fluminense e técnico do alvinegro praiano no vice-campeonato brasileiro de 1995) e Pereirinha (que foi junto com Samarone para a Portuguesa Santista).


Tricolor FC, do Campo Grande, em Santos. Samarone é o quarto
em pé, Cabralzinho, o segundo agachado, e Pereirinha, o penúltimo

Os destaques do time eram Lio, que acabou tornando-se o artilheiro do campeonato, e Samarone.Olheiros da Portuguesa Santista o viram jogar pelo Tricolor do Campo Grande e logo o levaram para o Estádio Ulrico Mursa. Samarone entrou no elenco profissional da Briosa em 1963, com 17 anos. E, em pouco mais de um ano, marcaria seu nome na história da Portuguesa Santista.

A Briosa montou um excelente time para a disputa da divisão de acesso de 1964. E isto foi mostrado na primeira fase. Em um grupo com Bragantino, Taubaté, Nacional, Jabaquara, Paulista e Irmãos Romano, a Briosa ficou em primeiro lugar, com 17 pontos. No total, foram 12 jogos, sendo sete vitórias, três empates e duas derrotas.

Na segunda fase os adversários eram Ponte Preta, Bragantino, Rio Preto, Francana, Ferroviária, Nacional, Estrada de Sorocaba e Votuporanguense. Nos 15 primeiros jogos, cinco vitórias, três empates e duas derrotas. Chegando na última rodada, já em 1965, empatada em pontos com a Ponte Preta.



Com 17 anos, Samarone já era titular da Briosa, em 1963

Quis o destino que a rodada final fosse entre as duas equipes, com mando de campo para os campineiros. Então, no dia 7 de março, a Ponte Preta foi a campo com Anibal (Fernandes), Valmir, Antoninho, Sebastião e Jurandir; Ivã e Urubatão; Jair, Da Silva, Almeida e Ari. Já a Portuguesa Santista jogou com Cláudio, Alberto, Adelson, Osmar e Zé Carlos; Norberto e Pereirinha; Lio, Samarone, Valdir Teixeira e Babá.

A torcida da Macaca lotou o Moises Lucarelli, na esperança de conseguir o acesso. Porém, logo aos 6 minutos da partida, Samarone calou o estádio com um gol depois de um bate e rebate na área ponte pretana. Após o tento, o time da casa sentiu a pressão. A torcida fez de tudo para empurrar a Ponte Preta, inclusive acertando uma pedra no bandeirinha.

Gol de Samarone contra a Ponte Preta

Mas a Briosa, liderada em campo pelo jovem Samarone, com 18 anos, conseguiu segurar o resultado e levantar o caneco. Festa dos jogadores e dos poucos torcedores da Briosa em Campinas. Na chegada do time na cidade, outra grande festa. Em Santos, diziam que a Portuguesa local tinha a melhor panela de pressão do mundo, pois era a única que conseguia cozinhar uma macaca em 90 minutos.




Elenco campeão Paulista da divisão de Acesso de 1964



Samarone ainda fez algumas partidas pelo Paulistão de 1965, porém vários olheiros de times grandes já observavam o jogador. Tim, um dos maiores jogadores da história da Portuguesa Santista, tendo sido convocado para a Seleção Brasileira como atleta do clube em 1936, era o técnico do Fluminense na época e, após a avaliação de seu olheiro Osvaldinho, pediu a contratação do meia-atacante.

Com 19 anos, Samarone aportava no clube das Laranjeiras com desconfiança pela torcida, mas com o respeito do treinador. Em pouco tempo, o atleta virou ídolo no Fluminense, onde ganhou o apelido de “Diabo Loiro” e seu chute ficou conhecido como “os canhões de Samarone”, devido ao famoso filme da época “Os Canhões de Navarone”.

Samarone na chegada ao Fluminense

No tricolor carioca, onde atuou entre 1965 até 1971, Samarone deixou saudades com as conquistas dos títulos cariocas de 1969 e 1971 e também pelo título na Taça de Prata de 1970, onde foi eleito o melhor meia-atacante do campeonato pela Bola de Prata da revista Placar. Formou linhas de ataque memoráveis ao lado de Cafuringa, Flávio, Michey e Lula, além de ter jogado junto com seu companheiro de Tricolor FC, Cabralzinho.

Samarone também era conhecido como “Dr. Samara” em razão de sua formação em engenharia civil, que continuou exercendo após deixar os gramados. Sem contar com sua fama de malandro e catimbeiro. Porém, seus dias de Fluminense tiveram fim em 1971, com a chegada do técnico Zagallo. Atleta e treinador não se deram bem e Samarone voltou para São Paulo, onde foi para o Corinthians.

Cabralzinho e Samarone, companheiros de Tricolor FC,
no início da década de 60, voltaram a se encontrar no Fluminense

Os números de Samarone no Timão são apenas modestos. Realizou apenas 12 partidas, com seis vitórias, quatro empates e duas derrotas, anotando apenas três gols, de acordo com o “Almanaque do Corinthians”, de Celso Unzelte.

Depois da passagem rápida pelo Corinthians, Samarone voltou para o Rio de Janeiro e foi vestir a camisa dez do Flamengo. Curiosamente, também ficou por pouco tempo na Gávea, pois seu desafeto Zagallo também apareceu por aquelas bandas. Seus números no Fla também são tímidos. Segundo o “Almanaque do Flamengo”, de Roberto Assaf e Clóvis Martins, o meia disputou apenas 28 partidas com oito vitórias, 14 empates e seis derrotas, anotando quatro gols.

Com a Bola de Prata de 1970

Entre as muitas “idas e vindas”, voltou novamente para São Paulo e foi parar na Portuguesa de Desportos, onde também teve uma passagem discreta e no mínimo curiosa. Na Lusa Samarone deu azar novamente. Tudo ia bem até a famosa “Noite do galo bravo” (descrito também nas postagens do zagueiro Marinho Peres e do volante Lorico).

O fato marcante aconteceu depois de uma derrota da Lusa para o Santa Cruz por 1×0, em partida realizada no Parque Antárctica pelo campeonato nacional de 1972. O então presidente Oswaldo Teixeira Duarte afastou imediatamente seis jogadores do elenco: Piau, Lorico, Hector Silva, Samarone, Ratinho e Marinho Peres.

Depois da Portuguesa, Samarone pegou novamente sua ponte aérea e foi jogar pela simpática agremiação do Bonsucesso, onde definitivamente pendurou suas chuteiras.

O ex-jogador atualmente

Samarone vive hoje no Paraná, mas sempre como pode visitar Santos. Ele foi um grande jogador e as torcidas da Portuguesa Santista e Fluminense o consideram como um grande ídolo.


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