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100 anos da resposta histórica do Vasco da Gama

Com informações de O Dia
Foto: arquivo

Time dos Camisas Negras, que foi campeão carioca em 1923

Neste domingo, dia 7 de abril, o Vasco celebra os 100 anos da Resposta Histórica, movimento marcante que fixou o nome do clube na luta contra a discriminação racial e social. O ato foi marcado por uma carta enviada pelo então presidente do clube, José Augusto Prestes, onde o clube se recusou a participar de uma nova liga formada no futebol carioca, que exigia a exclusão de jogadores pobres e negros do elenco. A atitude mudou todo o contexto da prática do futebol no Rio a partir de 7 de abril de 1924.

Início da luta contra o preconceito - Para explicar o contexto da Resposta Histórica, é preciso voltar ainda mais no tempo e entender como começou a luta do Vasco contra o preconceito. Fundado em 1898, inicialmente apenas para ser um clube de remo, o Cruz-Maltino passou a enfrentar, a partir de 1904, um aumento da perseguição aos seus atletas, que eram majoritariamente imigrantes portugueses e brasileiros de baixa condição social, empregados como atendentes de balcão no comércio do Rio de Janeiro.

Naquele ano, a Federação Brasileira das Sociedades do Remo aplicou regras mais rígidas para inscrição de atletas, proibindo a participação daqueles que "exercem qualquer profissão ou emprego que não esteja de acordo com nível moral e social em que deve ser mantido o esporte náutico". Em 1907, com a tentativa da federação de endurecer ainda mais o regulamento, o Vasco se posicionou contra a exclusão dos atletas.

"A Federação saltando por cima d’essas qualidades e direitos, decretou a exclusão d’esses amadores que são, entre outras, os que exercem profissões em casas de seccos e molhados, confeitarias etc. A opposição a essa lei por parte da nossa representação foi titanica e apezar de vencidos pelo voto fomos vencedores, pois os legisladores victoriosos não tiveram a força precisa para a tornar em facto”.

Início do futebol - Com sua inserção do futebol, no dia 26 de novembro de 1915, o Vasco seguiu na luta contra o preconceito. Após filiar-se à Liga Metropolitana para disputar a Terceira Divisão e ter um início ruim na modalidade, o clube encontrou no subúrbio carioca a oportunidade de se firmar no esporte, através de outras ligas e jogadores de origem mais humilde.

Nos anos seguintes, o Vasco conseguiu se consolidar no futebol e foi crescendo no esporte. Em 1922, conquistou a Série B da Primeira Divisão, que abriu caminho para o primeiro título carioca do clube, no ano seguinte.

Camisas Negras - Em 1923, o Vasco foi campeão carioca com o elenco que ficou conhecido como Camisas Negras, formado em sua maioria por jogadores oriundos de clubes menores e de áreas mais humildes da cidade, assim como negros e operários - o que, naquele tempo, seguia caminho oposto dos principais times.

O apelido surgiu após uma sequência de vitórias contra Fluminense, Flamengo, Botafogo e America, que na época eram considerados "clubes de elite". O time ficou marcado por sua imponente camisa preta, ainda sem a faixa diagonal, com a gola branca e a cruz vermelha no peito. Naquele Campeonato Carioca, na época organizado pela Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT), o Vasco teve uma campanha histórica, com 11 vitórias, dois empates e apenas uma derrota.

O que foi a Resposta Histórica - Em 1924, o Vasco vinha de uma campanha brilhante consagrando o título do Campeonato Carioca do ano anterior com os Camisas Negras. Na época, rivais do Gigante da Colina se desvincularam da Liga Metropolitana e fundaram a Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA), encabeçada por Botafogo, Flamengo, Fluminense, America e outros clubes da elite. O Vasco foi convidado, mas com uma condição que provocou toda a luta do clube - esta eternizada.

Os líderes aceitaram a inscrição do Club de Regatas Vasco da Gama, mas desde que 12 atletas fossem retirados da lista, sendo sete do elenco principal e cinco do segundo plano. Todos eles eram de classes sociais mais populares ou negros e trabalhadores de fábricas, balcões, ou informais.

A base do elenco campeão do ano anterior, portanto, não poderia ir a campo para defender o troféu diante dos rivais locais. Ainda com argumento do lado contrário de um estádio precário e que não honrava a AMEA, veio, então, um comunicado do presidente José Augusto Prestes retirando a intenção de participação do Estadual sob a gestão de uma nova Liga.

"Estamos certos que V. Exa. será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno da nossa parte, sacrificar ao desejo de fazer parte da A.M.E.A., alguns dos que lutaram para que tivéssemos entre outras vitórias, a do Campeonato de Futebol da Cidade do Rio de Janeiro de 1923."


O ingresso do Vasco no torneio da AMEA foi aprovado para a edição de 1925, tendo o Cruz-Maltino os mesmos direitos das associações fundadoras e sem empecilhos quanto à formação de elenco. Neste momento, o clube foi dado como vitorioso em uma batalha contra o preconceito no esporte, que assombrava o Brasil no início do século XX, abrindo caminhos para que outros clubes e modalidades também contassem com pessoas de classes sociais mais baixas, negros e trabalhadores - que não da alta sociedade.

A Resposta Histórica do Vasco em 7/4/1924

"Rio de Janeiro, 7 de Abril de 1924.

Officio No 261

Exmo. Snr. Dr. Arnaldo Guinle,
D. Presidente da Associação Metropolitana de Esportes Athleticos.

As resoluções divulgadas hoje pela Imprensa, tomadas em reunião de hontem pelos altos poderes da Associação a que V. Exa. tão dignamente preside, collocam o Club de Regatas Vasco da Gama numa tal situação de inferioridade, que absolutamente não pode ser justificada, nem pelas defficiencias do nosso campo, nem pela simplicidade da nossa séde, nem pela condição modesta de grande numero dos nossos associados.

Os previlegios concedidos aos cinco clubs fundadores da A.M.E.A., e a forma porque será exercido o direito de discussão a voto, e feitas as futuras classificações, obrigam-nos a lavrar o nosso protesto contra as citadas resoluções.

Quanto á condição de eliminarmos doze dos nossos jogadores das nossas equipes, resolveu por unanimidade a Directoria do C.R. Vasco da Gama não a dever acceitar, por não se conformar com o processo porque foi feita a investigação das posições sociaes desses nossos consocios, investigação levada a um tribunal onde não tiveram nem representação nem defesa.

Estamos certos que V. Exa. será o primeiro a reconhecer que seria um acto pouco digno da nossa parte, sacrificar ao desejo de fazer parte da A.M.E.A., alguns dos que luctaram para que tivessemos entre outras victorias, a do Campeonato de Foot-Ball da Cidade do Rio de Janeiro de 1923.

São esses doze jogadores, jovens, quasi todos brasileiros, no começo de sua carreira, e o acto publico que os pode macular, nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que elles com tanta galhardia cobriram de glorias.

Nestes termos, sentimos ter que comunicar a V. Exa. que desistimos de fazer parte da A.M.E.A.

Queira V. Exa. acceitar os protestos da maior consideração estima de quem tem a honra de subscrever.

De V. Exa. Atto Vnr., Obrigado.

(a) José Augusto Prestes
Presidente"

A história do gol olímpico

Foto: arquivo

O gol de escanteio marcado pela Argentina sobre o Uruguai em 1924

O Gol Olímpico é uma raridade no futebol e, como tal, sempre que é marcado, ocupa um lugar especial no coração dos torcedores que o testemunharam. Embora marcar um gol através de uma cobrança de escanteio seja uma ocorrência muito comum, marcar um diretamente da cobrança do tiro de canto é raro.

Em junho de 1924, a International Board modificou o artigo 11 das regras do futebol, autorizando pela primeira vez que um gol fosse marcado em cobrança de escanteio. Logo que a modificação aconteceu, um jogador do Everton tentou ser mais esperto. Ao invés de cobrar o escanteio de forma direta, o ponta Sam Chedzgoy saiu com a bola da lateral do campo e foi driblando até o gol, já que na regra não indicava que era proibido fazer isso. O incidente gerou uma mudança no artigo e, em agosto, foi imposta uma nova definição, afirmando que o jogador não poderia tocar na bola duas vezes consecutivas ao cobrar um escanteio.

Como você provavelmente pode adivinhar pelo nome, o termo “Olímpico” tem uma relação direta com os Jogos. Para conhecer as suas origens, é preciso voltar a Paris 1924, última vez em que os Jogos foram realizados na capital francesa. O torneio Olímpico masculino de futebol era a principal competição da modalidade, uma espécie de Copa do Mundo. Naquela ocasião, o Uruguai faturou o título.

Apenas um mês após a vitória, eles se enfrentaram contra a Argentina em dois amistosos, um em cada lado do rio da Prata. A segunda partida, que aconteceu em Buenos Aires, no campo do Sportivo Barracas, em 2 de outubro de 1924, foi a que mudou a história do futebol.

Aos 15 minutos, o argentino Cesáreo Onzari, ponta direita do Huracán, cobrou escanteio que foi direto para a rede uruguaia sem que mais ninguém a tocasse. Foi o primeiro gol desse tipo a ser registrado na história.

Na época, o gol foi chamado pelos jornais de 'o gol de Onzari contra os Olímpicos', mas, eventualmente, esse nome foi encurtado para apenas 'gol Olímpico'.


“Por homenagem ou ironia, aquela raridade foi chamada de gol Olímpico. E até hoje é chamado assim, nas poucas vezes em que acontece. Onzari passou o resto de sua vida jurando que não tinha sido casualidade. E embora tenham transcorrido muitos anos, a desconfiança continua: cada vez que um chute de escanteio sacode a rede sem intermediários, o público celebra o gol com uma ovação, mas não acredita nele”, escreveu o famoso autor uruguaio Eduardo Galeano em seu livro 'Futebol ao Sol e à Sombra', em 1995.

Porém, Em 21 de agosto de 1924, o escocês Billy Alston supostamente teria sido o autor do primeiro gol olímpico, conforme afirmam algumas fontes. Porém, a bola foi cabeceada por outro jogador antes de entrar no gol.

Quantos gols Olímpicos foram marcados em grandes competições? Gols Olímpicos em Copas - Devido à natureza complexa do gol Olímpico, eles não aparecem com frequência em Copas. O único gol Olímpico registrado em uma Copa do Mundo masculina foi marcado pelo colombiano Marcos Coll na edição de 1962, no Chile.

O gol de Coll ajudou a Colômbia a empatar em 4 a 4 na primeira rodada contra a União Soviética. Ainda mais impressionante é o fato de que o goleiro em quem ele marcou foi ninguém menos que Lev Yashin, o “Aranha Negra”, ouro em Melbourne 1956, que ainda é considerado um dos maiores em sua posição na história do futebol.

O primeiro Atletiba da história

Por Ricardo Pilotto
Foto: Arquivo

O primeiro 'Atletiba' aconteceu em 1924

No dia 8 de junho de 1924, aconteceu o primeiro clássico do futebol paranaense na história. Nesta data, o Coritiba enfrentou o Athletico no Parque da Graciosa, antiga casa do time alviverde, e bateu a equipe rubro-negra pelo placar de 6x3, em um jogo válido  pelo primeiro turno do Campeonato Paranaense daquele ano.

Naquela época, a agremiação athleticana vivia os seus primeiros três meses de fundação. Foi ela que abriu o placar com gol de Raul, mas os anfitriões conseguiram empatar com gol de Ninho e levaram o empate em 1 a 1 para o intervalo.


Durante o segundo tempo, houve uma chuva de gols nos minutos derradeiros. Ninho balançou as redes adversárias em outras três oportunidades, Bebê e Staco marcaram o quinto e o sexto do Coxa Branca. Mais perto do fim do jogo, Marques e Ary ainda diminuíram para o Furacão. Fim de jogo: 3x3 para o Coritiba.

Segundo o site História do Coritiba, foram 355 partidas entre eles desde então. Em todos os jogos entre os dois maiores rivais da capital oSão 136 vitórias do Coxa, 104 empates e 115 triunfos do Athletico.

99 anos da Resposta Histórica do Vasco - Um símbolo contra o racismo no futebol brasileiro

Com informações do Vasco da Gama
Foto: arquivo

Time do Vasco na época

A história do Vasco da Gama é marcada por fatos que demonstram inegavelmente a disposição da agremiação vascaína, por intermédio dos seus dirigentes, associados e torcedores, para lutar contra males sociais que afligem a nossa sociedade, como o racismo, a homofobia e a transfobia. Está também gravado no espírito do Vasco da Gama o compromisso de combater as desigualdades sociais através de sua atuação no esporte e na sociedade. O lema “RESPEITO-IGUALDADE-INCLUSÃO” espelha um compromisso que não é apenas do Clube, mas de todos os vascaínos e vascaínas.

O Vasco da Gama foi fundado no dia 21 de agosto de 1898. Surgia, então, uma instituição luso-brasileira constituída por homens simples, a sua maioria portugueses e brasileiros do comércio do Rio de Janeiro, mas com o brio e a bravura necessários para levar a recém-criada agremiação à tão almejada grandeza esportiva. À época, o Vasco era uma nova agremiação náutica dentre outras já existentes, mas seus criadores possuíam o objetivo de que se tornasse um Gigante. Desde o seu surgimento, a agremiação vascaína tem sido uma coletividade onde se juntam, onde se congregam, pessoas de todas as origens, sob uma mesma bandeira e símbolos, à sombra de um mesmo ideal: a grandeza do Vasco.

No início do século XX, o Vasco da Gama tinha a maior parte dos seus atletas de remo oriundos das camadas populares, brasileiros e portugueses, em sua maioria empregados no comércio em postos de atendentes de balcão. De um modo geral, os sócios/atletas vascaínos eram enxergados pela elite dirigente da época como inaptos para a prática do esporte, por conta de sua origem e suas condições sociais. A evolução esportiva da agremiação vascaína, possível graças a participação desses “indesejáveis do remo” acolhidos pelo Vasco, incomodou aos poderosos. Porém, graças aos seus modestos e valorosos atletas, o C.R. Vasco da Gama conquistou, dentre outras glórias, o seu primeiro bicampeonato de remo da cidade do Rio de Janeiro (1905-1906). O Vasco alcançou inúmeras vitórias nesse esporte náutico e se tornou, ainda na segunda década do século passado, o clube mais vitorioso no remo da então capital do Brasil, sendo conhecido e reverenciado em todo país.

Em 1915, o Vasco da Gama adotou a prática do futebol. Os dirigentes vascaínos tinham como objetivo que o Clube fosse igualmente vitorioso nesse esporte, que havia suplantado a popularidade do remo. Novamente, o Vasco viria a conflitar com agremiações coirmãs para defender os excluídos da sociedade. No ano de 1923, o Vasco da Gama conquistou o seu primeiro título de Campeão Carioca. O Clube, com um time recheado de jogadores das camadas populares, os lendários Camisas Negras, conseguiu desbancar um a um os seus adversários. Realizando uma campanha espetacular, a equipe vascaína fez história ao conquistar pela primeira vez o campeonato com jogadores negros e brancos de baixa condição social, abalando a estrutura do racismo e do preconceito social existentes no futebol. De 1906 a 1922, não havia jogadores das camadas populares nas equipes que conquistaram o campeonato de futebol da cidade do Rio de Janeiro.

A conquista do Campeonato de 1923 foi um marco esportivo para o futebol brasileiro e um divisor de águas na evolução do esporte em nosso país. Essa façanha vascaína revoltou àqueles que monopolizavam os títulos e que comandavam o futebol na Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT), principal associação de agremiações que praticavam esse esporte na então maior metrópole do Brasil. Nos primeiros meses de 1924, em resposta à ousadia do Vasco da Gama em formar uma equipe que representava a diversidade do povo brasileiro, ocorreu uma cisão que resultou na criação de outra liga, a Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA). O Vasco foi convidado a participar dessa entidade e a princípio aceitaria entrar na nova liga. Porém, exigiram do Clube que excluísse 12 (doze) jogadores de suas equipes, 7 (sete) do primeiro quadro e 5 (cinco) do segundo quadro, pois, esses atletas estariam em desacordo com os “padrões morais” necessários para a prática do futebol. Nossos jogadores eram vistos como os “indesejáveis” do futebol.


Em resposta às exigências da AMEA, marcadas pelo racismo e o preconceito social, o então presidente vascaíno, José Augusto Prestes, emitiu um ofício comunicando que o Clube desistiria de fazer parte da nova liga, por não aceitar a exclusão de seus atletas e por “(…) não se conformar com o processo porque foi feita a investigação das posições sociais desses nossos consórcios, investigação levada a um tribunal onde não tiveram nem representação nem defesa”; (Ofício CRVG nº261, 07 de abril de 1924). A “Resposta Histórica” demarca uma postura institucional inequívoca do Vasco da Gama alinhada com as camadas populares e na defesa de um futebol democrático, sem preconceito racial/étnico e social.

A sequência dessa luta do Vasco por um futebol democrático foi a construção do estádio do Clube, uma demonstração incontestável da força desse colosso do esporte mundial, que mesmo possuindo um grande número de torcedores e já tendo sido campeão no Rio de Janeiro, era visto pelos rivais como um clube de menor importância, por não possuir uma arena esportiva. O Estádio de São Januário, inaugurado em 1927, foi construído com as lágrimas, o suor e o dinheiro dos vascaínos. Um verdadeiro templo do povo, que à época de sua inauguração era o maior estádio da América do Sul, com capacidade para 40.000 espectadores. O estádio do Cruzmaltino é uma obra monumental, que assim como a “Resposta Histórica”, materializa a conduta da agremiação vascaína de ficar ao lado dos seus atletas, enfrentando o racismo e o preconceito social. A realização desse grande feito, um marco para o esporte do Brasil, não seria possível sem a união da imensa colônia portuguesa do Rio de Janeiro com os milhões de brasileiros que aderiram ao Vasco da Gama em todo o país.


Na contemporaneidade, o Vasco da Gama tem a sua história como a principal fonte de inspiração para tomar decisões e promover ações que ratifiquem o Clube como um agente engajado em pautas sociais importantes, em especial, o combate ao racismo, a homofobia e a transfobia e em prol da inclusão social. A agremiação vascaína busca destacar-se no combate às desigualdades sociais através de ações afirmativas, da denúncia e do enfrentamento a qualquer forma de preconceito. Recentemente, o C.R. Vasco da Gama apresentou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) suas melhores práticas no combate a todas as formas de preconceito e uma proposta para a implantação de regras de punição desportiva em casos de racismo nos estádios, que foi acatada pela entidade nacional no início do corrente ano. Além disso, o Vasco da Gama tem orgulho de ser utilizado como caso de sucesso nas campanhas da FIFA de combate ao racismo no futebol mundial.

Fifa passará a considerar os dois títulos olímpicos do Uruguai como mundiais

Com informações do UOL
Foto: arquivo

Celeste fazendo o que acabou se denominando "volta olímpica"

Campeão dos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928, o Uruguai será declarado como quatro vezes campeão mundial pela Fifa. De acordo com o jornal português "A Bola", a entidade passará a considerar os títulos das Olimpíadas conquistadas pela Celeste, numa época em que ainda não existia a Copa do Mundo.

Os Jogos Olímpicos têm muita importância para o futebol uruguaio, uma vez que àquela época as seleções usavam seus principais jogadores no torneio. Além disso, a Fifa era quem organizava a competição nas Olimpíadas, diferentemente dos dias atuais, onde o Comitê Olímpico Internacional (COI) coordena.

O Uruguai venceu a Suíça, em 1924, nos Jogos de Paris, por 3 a 0 na decisão. Na campanha, a Celeste passou por Iugoslávia (7 a 0), Estados Unidos (3 a 0), França (5 a 1) e Holanda (2 a 1). Quatro anos depois, a Celeste bateu a Argentina por 2 a 1, nos Jogos de Amsterdã. A campanha foi com vitórias sobre a Holanda (2 a 0), Alemanha (4 a 1) e Itália (3 a 2).


Na Copa do Mundo, os uruguaios foram campeões em 1930, jogando em casa, batendo a Argentina na decisão, e 1950, quando derrotou o Brasil, em pleno Maracanã, no jogo decisivo do quadrangular final. O A Celeste também foi semifinalista em 1954, 1970 e 2010.

Vale lembrar que a Associación Uruguaya de Fútbol (AUF) adota quatro estrelas em sua camisa, acima do escudo da entidade, já contabilizando os dois títulos olímpicos. Com a confirmação dos quatro títulos, os sul-americanos se juntarão a Itália e Alemanha.

Guerra paralisa o Paulista de 1924, mas não evita tri do Corinthians

Por Raoni David / FPF
Foto: Arquivo Corinthians

Em pé: Gelindo, Rafael, Rueda, Colombo, Del Debbio e Ciasca
Agachados: Peres, Neco, Pinheiro, Tatu e Rodrigues

Ao longo de seus quase 120 anos de disputa -o primeiro Paulistão aconteceu em 1902- o Campeonato Paulista viveu momentos semelhantes ao atual. Como em 1918, em decorrência da Gripe Espanhola, parar o principal estadual do país por motivos de força maior -como é a pandemia do Covid-19- também foi necessário em 1924. Na ocasião, por efeitos da ‘revolta tenentista’ o Paulistão parou por dois meses e o torneio do interior não foi realizado.

Bicampeão paulista, o Corinthians iniciava a temporada em busca de um inédito tricampeonato na sua história. Disputado inicialmente por 12 equipes, a competição daquele ano viu o Palestra Itália desistir da participação após perder os dois primeiros jogos e ter atletas suspensos por confusões nessas partidas. A postura palestrina era resquício ainda de discussões anteriores com a APEA, organizadora do certame à época.

Em campo, nomes lendários de um futebol brasileiro que ganhava cada vez mais popularidade. Neco, no Corinthians; Filó, na Portuguesa; Araken, no Santos; Feitiço, no São Bento; Heitor, em seus dois jogos pelo Palestra Itália; e principalmente Friedenreich, do Paulistano, primeiro ídolo do futebol nacional, dentre outros, encantavam os torcedores cada vez mais envolvidos com o esporte.

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A revolta tenentista - Uma guerra pouco conhecida, porém, quase impediu o término da competição. Iniciado em abril, o campeonato passava da metade do primeiro turno quando foi interrompido pela ‘Revolta dos Tenentes’. Liderado pelo general reformado Isidoro Dias Lopes, o tenentismo tinha ligações com a ‘Revolta dos 18 do Forte de Copacabana’, dois anos antes, no Rio de Janeiro. Dentre tantas reivindicações em especial aos militares, o objetivo principal era a deposição do presidente da república Arthur Bernardes.

Com 23 dias de duração, o conflito se iniciou em 4 de julho e foi bastante violento. Sem adesão popular, os tenentistas -e os civis paulistanos- sofreram bastante com os bombardeios ordenados pelas forças legalistas que apoiavam o presidente. Estima-se entre 500 a 800 mortos nas batalhas que se deram principalmente pelas ruas do centro da cidade de São Paulo. Cerca de 5 mil pessoas ficaram feridas e de uma população de 700 mil habitantes na capital, um terço se deslocou para o interior, às pressas, o que inviabilizou a disputa da Divisão do Interior daquele ano, já que cidades montaram abrigos para receber refugiados paulistanos.

Com o deslocamento dos rebeldes para o norte do Paraná, onde se encontrariam com a Coluna Prestes, que vinha do Rio Grande do Sul, a cidade de São Paulo contabilizava a destruição de pelo menos 1.500 edificações -dentre elas a sede do Cotonifício Crespi, fábrica na Mooca que deu origem ao Juventus, onde atualmente se encontra um supermercado- além de estimar um prejuízo de US$ 300 milhões. O conflito, porém, estava terminado com a desocupação da cidade em 27 de julho.


Volta - Em meio ao caos em que se encontrava a capital paulista, o futebol tinha caminho livre para retomar as atividades. Foi o que aconteceu em 17 de agosto, quando o Paulistano venceu o Corinthians por 1 a 0 e o Braz derrotou o Internacional por 2 a 1. Apesar da derrota para o principal rival pelo título, o time corintiano liderou o primeiro turno que classificava oito equipes para o segundo turno e de onde seria decidido o campeão em pontos corridos.

A partida que decidiu o título e o tricampeonato corintiano aconteceu somente em 11 de janeiro de 1925. Paulistano e Corinthians se enfrentavam no Jardim América e a taça seria do vencedor do confronto. Com gol de Tatu, já no segundo tempo, os corintianos venceram por 1 a 0 e faturaram a sua quinta conquista estadual, contra oito do rival derrotado naquele dia.

Eram, até então, os maiores vencedores de um campeonato que resistiu à barbárie de um conflito que subjugou moradores de uma São Paulo que crescia e viria a se tornar a maior cidade da América Latina.

O primeiro tricampeonato paulista do Corinthians

Foto: arquivo Corinthians

O time do Corinthians que conquistou o Paulista de 1924

Há exatos 95 anos, o Corinthians conquistava pela quinta vez o Campeonato Paulista ao vencer o Paulistano por 1 a 0 no estádio Jardim América. A vitória no dia 11 de janeiro de 1925 deu o título do ano anterior, 1924, o primeiro tricampeonato da história do clube do Parque São Jorge.

O gol que garantiu a taça do Estadual para o Timão foi marcado pelo meio-campista Tatu, aos 29 minutos da segunda etapa. Sob o comando do técnico Guido Giacominelli, o Corinthians entrou escalado com: Colombo; Grané, Pinheiro, Rafael e Gelindo; Neco, Napoli e Tatu; Apparício, Rodrigues e Gambarotta.

No campeonato, o Corinthians já começou o campeonato atropelando todo mundo: 5 x 1 sobre a Portuguesa, 6 x 2 no Internacional, 7 x 2 na AA Palmeiras e 6 x 1 sobre o Santos. A disputa foi interrompida por quase um mês e, apesar disso, Timão não perdeu o embalo.


Ao todo, o Timão fez 17 jogos, vencendo 12, empatando um e sendo derrotado em quatro oportunidades. A equipe marcou 46 gols e sofreu 23. Tatu e Neco foram os artilheiros corintianos no certame de 1924, com 7 gols cada.

A equipe do Parque São Jorge é a maior vencedora da Campeonato Paulista, com 29 conquistas. Em 2019, o Timão vai em busca do quarto tricampeonato estadual de sua história. Além de 1922/23/24, o Timão foi campeão paulista em três vezes seguidas também em 1928/29/30 e 1937/38/39.

Uruguai medalha de ouro e a volta olímpica em 1924

Por Victor de Andrade

Os uruguaios dando a volta olímpica após a conquista da medalha de ouro: time que marcou época

Antes da criação da Copa do Mundo, o torneio olímpico de futebol era considerado a grande competição da modalidade ao redor do mundo. Quem dominou a última fase pré-Copa foi o Uruguai. Suas duas conquistas marcaram época, mudou-se o modo de jogar e criou-se até terminologias que foram adotadas para sempre no esporte bretão. Em 9 de junho de 1924, em Paris, foi um marco desta grande dinastia: a conquista da primeira medalha de ouro.

O Uruguai foi vanguardista naquela época. Era a primeira seleção sul-americana a se arriscar nos Jogos Olímpicos e foram encarar os europeus, que eram considerados os grandes no futebol. Porém, dentro de campo, a Celeste mostrou quem tinha o melhor jogo da época logo de cara, quando no dia 26 de maio, no Estádio Olímpico, em Colombes, goleou a Iugoslávia por 7 a 0, na fase preliminar do torneio. Cea, Petrone (duas vezes cada), Vidal, Scarone e Romano marcaram os gols da equipe.

A goleada chamou a atenção dos concorrentes, que passaram a ficar de olho no time sul-americano. No dia 29 de maio, no Estádio Bergeyre, pelas oitavas, o Uruguai bateu os Estados Unidos por 3 a 0, com Petrone (dois) e Scarone marcando os gols da vitória, sendo todos no primeiro tempo. A Celeste mostrava que não estava em Paris apenas para passear.

A equipe de futebol que conquistou o título

Nas quartas, o adversário foi a França. Os presentes no Estádio Olímpico, em 1º de junho, viram outra grande apresentação dos uruguaios, que abriram o marcador com Scarone. A França chegou a empatar com Nicolas, mas novamente Scarone, Petrone (duas vezes) e Romano deram a vitória para os sul-americanos: 5 a 1.

Nas semifinais, realizada no dia 6 de junho, no Estádio Olímpico, o Uruguai teve o seu jogo mais difícil daquela campanha. A Holanda saiu na frente, no primeiro tempo, com Pijl e a partida foi para o intervalo com o placar de 1 a 0 para o time europeu. Seria o fim uruguaio? Não! Na etapa complementar, Cea e Scarone, de pênalti, viraram o marcador e colocaram a Celeste na decisão.

A grande final seria contra a Suíça. Os presentes no Estádio Olímpico, no dia 9 de junho, viram uma grande apresentação do time sul-americano. Petrone, aos 9 minutos, abriu o marcador. Na segunda etapa, o Uruguai completou o placar com Cea, aos 20', e Romano, aos 37'. Os 3 a 0 deram à Celeste a medalha de ouro olímpica.

A medalha de ouro dos Jogos Oímpicos de 1924

Na comemoração, os jogadores uruguaios, para agradecer todos os presentes, resolveram andar em volta ao campo, acenando para as arquibancadas do Estádio Olímpico. Foi a primeira vez que uma equipe campeã fez tal ação depois de ser campeã e o gesto passou a ser repetido por todos os times que comemoram o título, que virou a hoje famosa Volta Olímpica. Aliás, a alcunha da Seleção Uruguaia recebeu um "sobrenome" e passou a ser chamada de Celeste Olímpica.

E as nomenclaturas não pararam por aí: voltando dos Jogos Olímpicos, mais precisamente no dia 2 de outubro de 1924, o Uruguai passou por Buenos Aires, antes de ir para Montevidéu, e fez um amistoso contra a Argentina. Cesáreo Onzari, da Albiceleste, marcou um gol de escanteio, que a Fifa tinha recém autorizado. Os tentos deste tipo passaram a se chamar Gol Olímpico.

A vitória do Uruguai em Paris incentivou a Argentina mandar uma equipe para os Jogos Olímpicos posterior, em Amsterdã, na Holanda, em 1928. A Albiceleste fez uma bela campanha, onde chegou na final e foi derrotada pelo Uruguai, que conquistou o bi-campeonato. O domínio da Celeste fez com que a Fifa marcasse a primeira Copa do Mundo para Montevidéu, onde a Celeste foi campeã, novamente em cima dos argentinos. E toda esta bela história começou em Paris, 1924.

O gol de escanteio que se tornou Olímpico

Por Victor de Andrade

Imagem do lance do gol de escanteio, que deu o nome de "Olímpico"

Em 1924, o Uruguai acabara de ter sido o primeiro campeão olímpico de futebol da América do Sul. Ao voltar de Paris, a Celeste acertou dois amistosos contra a sua maior rival, a Seleção Argentina, sendo um jogo em Montevidéu, no dia 21 de setembro, que terminou com o placar de 1 a 1, e outro uma semana depois.

Porém, em 28 de setembro, o campo do Sportivo Barracas, que cabia cerca de 40 mil pessoas, estava superlotado, houve torcedores feridos por causa de um grande tumulto, o árbitro uruguaio Ricardo Villarino suspendeu o embate e a partida foi jogada por apenas alguns minutos e remarcada para quatro dias depois, no mesmo local.

Cesáreo Onzari na marca do escanteio

Então, em 2 de outubro de 1924, Albiceleste e Celeste entravam em campo, com 37 mil torcedores, para a partida que entraria para a história do futebol. Com 15 minutos de partida, aconteceria o grande fato. Cesáreo Onzari, pela esquerda, cobrou o escanteio com força e efeito. A bola não parecia ter direção certa, não tocou em nenhum jogador e enganou o goleiro uruguaio Antonio Mazalli, balançando as redes do campo do Sportivo Barracas.

Como o gol em jogada de escanteio foi liberado pela International Board meses antes da partida (mais precisamente em agosto, após a sugestão ter sido aceita em junho) e era raro acontecer, aquele lance chamou a atenção de todos, ainda mais feito em cima do recém medalhista de ouro nas Olimpíadas. Os uruguaios chegaram a até reclamar que o gol era ilegal, mas o árbitro Ricardo Villarino, ciente da mudança na regra, validou o lance. Por isto, o tento marcado por Cesário Onzari ficou conhecido como "Gol Olímpico" e todas as jogadas deste tipo passaram a ser chamadas assim.

Reportagem, em espanhol, sobre o lance

Aquela partida terminou com vitória dos argentinos por 2 a 1. Sendo que Pedro Cea empatou para os uruguaios e Domingo Tarascone deu a vitória à Albiceleste. Mas, o que ficou marcado foi o lance de Cesáreo Onzari, aos 15 minutos de partida. Uma observação interessante. Este não foi o primeiro gol de escanteio da história. Ele aconteceu, na verdade, na Escócia, em 21 de agosto de 1924, e marcado por Billy Alston.

Vasco da Gama e a carta em defesa dos negros em 1924

A equipe campeã de 1923

Fundado em 21 de agosto de 1898, o Clube de Regatas Vasco da Gama demorou para entrar no futebol. Criou o departamento da modalidade apenas na década de 20, entrando na Segunda Divisão do Campeonato Carioca da Liga Metropolitana de Desportes Terrestres (LMDT).

Formado, a princípio, por portugueses que moravam na então capital do Brasil, o Vasco foi agregando a seu quadro associativo pessoas de qualquer nível social e origem étnica, ao contrário da maioria dos clubes até aquele momento. E isso não foi diferente com sua equipe de futebol, que em 1922 ganhou a Segunda Divisão do campeonato.

Em 1923, o Gigante da Colina enfrentaria os grandes do futebol carioca até então: América, Botafogo, Flamengo e Fluminense. Com um time que não se importava com a origem e cor de seus atletas, além de treinamento físico e alimentação especial, o Vasco conquistou título de campeão Carioca de 1923, o que revoltou as outras agremiações.

O sucesso do Vasco, que aceitava todos não importando cor, etnia ou classe social, e que vinha da segunda divisão, fez com que América, Botafogo, Flamengo e Fluminense deixassem a LMDT e criassem a Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA). Na nova associação, os jogadores só poderiam ser inscritos apenas se comprovassem que tinham 'empregos bons' ou que estavam estudando, algo raro para quem era das classes sociais mais baixas ou negros naquela época.

Jornal noticiando o título de 1923

A medida era clara: evitar os confrontos contra o Vasco, que com seus métodos estava tornando a equipe praticamente imbatível. No contexto das novas regras propostas pela recém criada associação, a agremiação teria que afastar doze jogadores, pois não cumpririam a regra da nova liga. O clube até chegou a se filiar na nova liga, mas vendo que o regulamento visava prejudicar o clube e os jogadores negros, o então presidente do Vasco, José Augusto Prestes, divulgou a seguinte carta:
Rio de Janeiro, 7 de abril de 1924
Ofício no. 261
Exmo. Sr. Arnaldo Guinle, M.D. presidente da Associação Metropolitana de Esportes Athleticos.
As resoluções divulgadas hoje pela imprensa, tomadas em reunião de ontem pelos altos poderes da Associação a que V. Exa. tão dignamente preside, colocam o Club de Regatas Vasco da Gama em tal situação de inferioridade que absolutamente não pode ser justificada nem pela deficiência do nosso campo, nem pela simplicidade da nossa sede, nem pela condição modesta de grande número dos nossos associados.
Os privilégios concedidos aos cinco clubes fundadores da AMEA e a forma como será exercido o direito de discussão e voto, e as futuras classificações, obriga-nos a lavrar o nosso protesto contra as citadas resoluções.
Quanto a condição de eliminarmos doze (12) jogadores das nossas equipes, resolve por unanimidade a diretoria do Club de Regatas Vasco da Gama, não a dever aceitar, por não se conformar com o processo por que foi feita a investigação das posições sociais desses nossos con-sócios, investigações levadas a um tribunal onde não tiveram nem representação nem defesa.
Estamos certos que V. Exa. será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno da nossa parte sacrificar ao desejo de filiar-se a AMEA alguns dos que lutaram para que tivéssemos entre outras vitórias a do Campeonato de Futebol da Cidade do Rio de Janeiro de 1923.
São esses doze jogadores jovens quase todos brasileiros no começo de sua carreira, e o ato público que os pode macular nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu nem sob o pavilhão que eles com tanta galhardia cobriram de glórias.
Nestes termos, sentimos ter de comunicar a V. Exa. que desistimos de fazer parte da AMEA.
Queira V. Exa. aceitar os protestos de consideração e estima de quem tem a honra de se subscrever de V. Exa. Att. Obrigado.
Dr. José Augusto Prestes
Presidente
Vídeo sobre os campeões de 1923

Com a missiva, o Vasco se excluía da nova liga, por não concordar de deixar os doze atletas de fora. O clube disputou, em 1924, do torneio da LMDT, junto com outras agremiações que não conseguiam se enquadrar no regulamento da nova liga, como Bonsucesso e Villa Isabel. O Gigante da Colina conquistou o caneco com tranquilidade.

Em 1925, um acordo entre a equipe cruz-maltina e a nova associação, AMEA, trazia de volta o Vasco ao campeonato disputado pelos grandes. É verdade que antes deste acontecimento, clubes coo Ponte Preta e Bangu já tinham utilizado jogadores afrodescendentes, mas o clube com seus atletas negros, mulatos e pobres tornava aquele gesto de resistência um divisor de águas na questão do preconceito racial dentro do nosso futebol, já que estava sendo o primeiro a defendê-los publicamente.

O Curioso do Futebol

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