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Os 50 anos do título do Campeonato Brasileiro de 1973 do Palmeiras

Por Fabio Rocha
Foto: arquivo

O Palmeiras campeão do Brasileiro de 1973

Há 50 anos, o Palmeiras conquistava o segundo título do Campeonato Brasileiro, o de 1973, sexto considerando a unificação, após um empate sem gols contra o seu rival São Paulo, em um 20 de fevereiro de 1974. Foi o bicampeonato consecutivo da equipe, que viveu uma das fases mais vitoriosas da história do clube, ficando conhecida como a primeira academia alviverde.

A competição era chamada de Campeonato Nacional de Clubes pela CBD, e tinha um formato completamente diferente dos atuais. Na primeira fase, participaram 40 clubes e funcionou em dois turnos, no primeiro turno eram dois grupos com 20 times e no segundo foram quatro grupos com 10 times casas. Na soma do turno e returno, os 20 primeiros colocados se classificavam para a segunda fase.

Na fase seguinte, era turno único e com duas chaves com 10 equipes, classificaram-se os dois primeiros de cada grupo. E na terceira e última fase, as quatro equipes formavam um quadrangular e o melhor time conquistava o título da competição.

O Palmeiras fez uma competição muito sólida e com grandes atuações, sendo um dos favoritos desde o início. A equipe jogava bonito e empolgava a todos que gostava de ver futebol, com um time leve e ofensivo.

Na primeira fase, o Alviverde foi muito bem e liderou com certa tranquilidade, se classificando em primeiro geral com 43 pontos, tendo 18 vitórias, 7 empates e três derrotas. Lembrando que na época a vitória valia dois pontos, diferente do que é atualmente.

O Alviverde mostrava em campo o seu favoritismo, e conseguia ser muito eficiente em seus jogos. Na segunda fase, manteve o grande desempenho e novamente se classificou em primeiro no seu grupo com 14 pontos, 5 vitórias e 4 empates, a melhor campanha no geral.

Junto com o Verdão, classificaram Internacional, São Paulo e Cruzeiro, que fizeram parte do quadrangular. A primeira rodada do Palmeiras foi contra o Cruzeiro, no Mineirão, e o Alviverde teve um jogo muito difícil e truncado, mas conseguiu sair com a vitória por 1 a 0.

Na segunda rodada, o Verdão jogou contra o Internacional, no Morumbi, e venceu de virada o Internacional por 2 a 1, fazendo os gols na reta final da partida. A vitória foi importantíssima para o time, que ia para a última rodada dependendo apenas dele mesmo para garantir o título.

O Palmeiras liderava o grupo com quatro pontos, o São Paulo e Cruzeiro tinham dois pontos e o Internacional estava zerado. O Verdão precisava apenas de um empate na última rodada para garantir o título, e em caso de derrota acabava perdendo o troféu.

A última e decisiva rodada do Campeonato Brasileiro de 1973, ocorreu no dia 20 de fevereiro de 1974, no Morumbi, com mando do Palmeiras, para mais de 66 mil pessoas.


O alviverde foi para o jogo mantendo seu estilo, mas um pouco mais cauteloso, pois sabia que o empate já garantia o troféu. O São Paulo precisava da vitória e buscou pressionar o seu rival desde o começo, mas acabou não surtindo muito efeito e a equipe não conseguiu marcar nenhum gol.

O sistema defensivo do Palmeiras foi perfeito e segurou o empate em 0 a 0, que deu o Palmeiras o bicampeonato consecutivo do Campeonato Brasileiro. O Verdão concretizava a sua grande época da academia, mostrando a força daquele time e elenco.

A equipe era formada por: Leão; Eurico, Luis Pereira, Alfredo Mostarda e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Ronaldo, Leivinha, César Maluco e Nei. Técnico: Osvaldo Brandão.

A passagem de Alcindo pelo Santos

Por Ricardo Pilotto
Foto: Arquivo

Alcindo passou pelo Peixe no início dos Anos 70

Nascido em Sapucaia do Sul, cidade localizada no estado do Rio Grande do Sul, o ex-atacante Alcindo Martha de Freitas, estaria completando o seu 78º aniversário nesta sexta-feira, dia 31. Muito conhecido por ser o maior artilheiro da história do Grêmio e um dos maiores goleadores em Grenais, o avançado chegou a atuar pelo Santos entre 1972 e 1973.

Após iniciar sua trajetória futebolística atuando no Aimoré, de São Leopoldo, defender a equipe juvenil do Lansul, jogar no time de aspirantes do Internacional, Alcindo foi contratado pelo Colorado quanto tinha 13 anos. Já no final dos anos 50, acabou sendo dispensado do clube vermelho e branco por solicitar ajuda de custo para poder ir treinar. Posteriormente, apareceu nas categorias de base do Grêmio, chegou a ser emprestado ao Sport Club Rio Grande em 1963, e voltou ao Imortal Tricolor para se apresentar já como profissional. 

Foi depois de formar uma excelente dupla de ataque com João Carlos Severiano, que Alcindo chegou ao Santos em 1972, convidado pelo saudoso Carlos Alberto Torres. Vale lembrar que nesta época, o Peixe ainda tinha o eterno Rei Pelé no seu elenco.

Com a camisa do Alvinegro Praiano, o atacante disputou um total de 95 partidas de 1972 a 1973. Neste período e número de jogos, o gaúcho balançou as redes adversárias em 45 oportunidades, segundo o site ogol.com.


Na sequência de sua carreira, Alcindo ainda defendeu Jalisco, America-MEX, teve uma terceira passagem pelo Grêmio e encerrou a sua história dentro das quatro linhas em 1980, após jogar pela Francana. Em 2016, por conta de complicações da diabetes, o ex-atacante veio a falecer no dia 27 de agosto de 2016, aos 71 anos de idade, na capital gaúcha.

O Corinthians campeão do Torneio Laudo Natel em 1973

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

Corinthians campeão do Laudo Natel em 1973

Os anos 1970 foram em sua maior parte integrantes da enorme fila sem títulos que o Corinthians passou entre 1954 e 1977, ficando marcados como uma ferida na história do clube que terminou na euforia diante da Ponte Preta em 1977. Em meio a esse sofrimento, porém, a torcida corintiana teve pelo menos um momento de alegria e folia, no dia 3 de março de 1973, que era um sábado de carnaval, quando o Timão bateu o Palmeiras e ficou com o título do Torneio Laudo Natel.

O Torneio Laudo Natel foi um campeonato amistoso disputado entre alguns times paulistas nos anos de 1972, 1973 e 1975 em homenagem a Laudo Natel, que foi governador do estado de São Paulo por algum tempo. Naquele ano, o Timão sairia do torneio com a taça após vencer o Palmeiras na decisão, no Morumbi, pelo placar de 2 a 1.

Antes disso, o Timão havia chegado lá estreando com um empate sem gols contra o Saad (e batendo o time de São Caetano por 2 a 0 na prorrogação) e batendo a Lusa por 1 a 0 na sequência, no jogo válido pela semifinal e curiosamente disputado no Parque Antártica. O Palmeiras, por sua vez, goleou o Paulista por 4 a 0 no Jaime Cintra e passou pela Ponte na semifinal, goleando por 4 a 0 no Parque Antártica. 

Na decisão, no primeiro jogo, o Timão já saiu em vantagem ao bater o Palmeiras por 1 a 0, gol marcado por Vaguinho no primeiro tempo. No jogo decisivo, porém, que saiu na frente foi o Verdão, graças a um gol de Mílton, logo aos sete minutos de partida, zerando a vantagem alvinegra. Rivelino empatou aos 34' e quando o empate, que já favorecia o Timão, parecia certo, Lance marcou o segundo aos 39 minutos do segundo tempo e decretou de vez o título e a folia alvinegra.


Foi uma das poucas alegrias corintianas naquela década. O Alvinegro do Parque São Jorge ainda demoraria longos quatro anos para quebrar o jejum de títulos e se alçar a condição de campeão do Paulistão de 1977, com o histórico gol de Basílio, que deu o título ao Timão. 

A passagem de Bobby Charlton pelo Preston North End

Por Ricardo Pilotto
Foto: Arquivo

Sir jogou no Preston North End entre 1973/74

Ex-meia atacante campeão mundial pela Seleção da Inglaterra em 66, Sir Robert Charlton, popularmente conhecido como Bobby Charlton, está completando 84 anos de idade nesta terça-feira, 11. Apesar de ser muito lembrado por ter atuado pelo Manchester United por grande parte da sua carreira, ele teve uma passagem pelo Preston North End na temporada 1973/74.

Natural de Ashrington, cidade localizada na Inglaterra, Bobby começou a sua trajetória jogando pelo Manchester United, clube no qual permaneceu por 19 anos e se consagrou como um dos grandes jogadores da história dos Diabos Vermelhos. Apesar dos títulos que conquistou durante todo este período, esteve envolvido no acidente aéreo ocorrido em Munique, no mês de fevereiro de 1958. Na ocasião, o meia viu oito companheiros de equipe, dentre outras pessoas que estava no voo morrerem e chegou até a se ferir gravemente, mas conseguiu sobreviver.

Foi depois de participar da grande reconstrução do Manchester United pós-tragédia e conquistar títulos importantes no time Red Devil, que o Sir se transferiu para o Preston North End e reencontrou Nobby Stiles, um ex-companheiro de MUFC e que também foi campeão da Copa de 1966, sediada na Inglaterra, com o English Team. Nos Lilywhites, time que disputava a segunda divisão inglesa, Charlton fez papel de jogador e treinador ao mesmo tempo.

Entretanto, não conseguiu fazer sucesso. Isso porque, na temporada 1973/74, viu o seu time terminar na penúltima colocação e sofrer o descenso para a terceira. Além disso, viu o United cair para a segundona. Mesmo não conseguindo ir bem como se esperava, Bobby ganhou o apelido de Sir, dado pela Rainha Elizabeth II.


Segundo o site ogol.com, o meia inglês disputou um total de 45 partidas com a camisa do PNE e balançou as redes adversárias em 10 oportunidades ao longo desta única temporada em que defendeu o clube do Norte da Inglaterra. Bobby Charlton pendurou as chuteiras em 1975, logo depois de atuar no pequeno Waterford United.

Há 49 anos, Armando Marques fazia uma grande lambança na decisão do Campeonato Paulista

Por Fabio Rocha
Foto: arquivo

Armando Marques errou e FPF dividiu o título entre Santos e Portuguesa

Há 49 anos aconteceu um dos grandes erros da história do futebol mundial, que acabou dividindo um títulos entre duas equipes. Esse fato aconteceu em 1973 na final do Campeonato Paulista, quando Santos e Portuguesa se enfrentaram em busca do título, mas graças ao erro de Armando Marques, a final foi totalmente prejudicada.

Com mais de 115 mil pessoas no Morumbi para ver a grande decisão do campeonato estadual, o árbitro acabou prejudicando o grande espetáculo. Armando era um grande juíz, apitava quase todas as decisões, mas teve um erro “juvenil” na contagem das penalidades máximas.

A partida que tinha duas grandes equipes, com o Santos sendo o favorito, pois tinha o maior jogador de todos os tempos, que era o Pelé, mas que além do craque contava com outros grandes atletas. Porém, a Portuguesa conseguiu segurar a equipe do Peixe e levou a partida para as penalidades máximas.

Todos estavam esperando que o grande personagem da final fosse algum jogador, quase todos apontavam o Pelé, porém, não foi isso que aconteceu. O jogo terminou sem gols nos 90 minutos, ressaltando que a Lusa teve um gol mal anulado, e também na prorrogação nenhuma equipe conseguiu marcar.

A grande final ia se definir nos pênaltis, outro grande motivo para todos acharem que o personagem seria algum atleta, mas dessa vez poderiam ser os goleiros que poderiam defender os pênaltis e dar o título a sua equipe. E, isso estava acontecendo, porque o goleiro santista defendeu uma penalidade.

O time santista começou batendo os pênaltis com Zé Carlos, mas Zecão defendeu a cobrança. Mesmo perdendo o pênalti, o Peixe conseguiu abrir 2 a 0 nos pênaltis, com Cejas defendendo o pênalti de Calegari e a bola na trave de Wilsinho.

O Santos estava na frente, porém a Portuguesa ainda poderia igualar o marcador, mas aí veio o grande erro de Armando Marques. O árbitro acabou errando suas contas e encerrou a partida, não percebendo o ainda poderia haver um empate, porém o Santos se consagrou campeão após 4 anos sem títulos do campeonato estadual.


Pelé, já depois do ocorrido, em entrevista afirmou que no momento percebeu que alguma coisa estava errada, mas que acabou pensando que o erro foi da sua conta e não do árbitro. A equipe comemorou o título e a equipe da Portuguesa acabou saindo rapidamente do estádio, pois todas perceberam o grande erro.

Bem longe do estádio, já no Canindé, a diretoria da Lusa começou a tomar medidas para tentar anular o título santista e ameaçava entrar na justiça para ocorrer outra partida. A Federação Paulista percebeu o erro e quis marcar outra decisão, porém, por conta da falta de datas acabou decidindo dividir o títulos entre as duas equipes, para que não houvesse uma injustiça no caso.

O Palmeiras bicampeão brasileiro em 1973

Com informações da FPF
Foto: arquivo

O time do Palmeiras campeão em 1973, com o jogo do título sendo em 20 de fevereiro de 1974

Após conquistar o Brasileirão em 1972, o Palmeiras era apontado como uma das forças para se tornar campeão brasileiro no ano seguinte. Com a base mantida, a equipe de Palestra Itália apresentou, mais uma vez, um belo futebol e confirmou a hegemonia nacional com a sexta conquista de sua história. Era o último título de âmbito nacional da “Academia” palmeirense. E o título veio já em 1974, mais precisamente em um 20 de fevereiro, em um empate em 0 a 0 com o São Paulo.

O campeonato - A CBD (Confederação Brasileira de Desportos) aboliu a disputa de uma segunda divisão e inflou o Brasileirão com 40 equipes de 20 Estados. A primeira fase era disputada em dois turnos, sendo o primeiro em duas chaves com vinte clubes em cada e o segundo turno em quatro chaves com dez clubes em cada. Classificavam-se para a segunda etapa os vinte primeiros colocados na classificação geral. O Palmeiras terminou na primeira colocação geral.

Na segunda fase, os vinte clubes eram divididos em duas chaves com 10 times em cada. O grupo do Palmeiras era formado por América-MG, Atlético-MG, Bahia, Ceará, Corinthians, Coritiba-PR, Internacional, Tiradentes-PI e Vasco. Invicto e sofrendo apenas um gol, o time de Palestra Itália liderou e avançou ao lado do segundo colocado Internacional. Na outra chave, São Paulo e Cruzeiro formaram o quadrangular final que era decidido em turno único.

Já na fase final, o Palmeiras iniciou a disputa com o pé direito ao vencer o Cruzeiro por 1 a 0 com gol de Edu Bala. No segundo confronto, Ronaldo e Luís Pereira anotaram os gols da vitória palmeirense por 2 a 1 diante do Internacional. Com o placar, o time alviverde ficou a um empate do título.

Já no início de 1974, o Palmeiras enfrentou o São Paulo de Waldir Peres, Pablo Forlán e Pedro Rocha e segurou um empate por 0 a 0, que decretou o hexacampeonato nacional para o clube de Palestra Itália e o bicampeonato consecutivo da segunda geração da Academia de Futebol.

O “moderno” Luís Pereira - Luís Pereira defendeu as cores alviverdes por 10 temporadas, divididas em duas etapas – 1968 a 1975 e 1981 a 1984. O ex-jogador foi um zagueiro clássico e se tornou ídolo e referência na posição ao defender com eficiência e precisão nas subidas ao ataque, bastante moderno para a época, além do espírito de liderança.


“Era fácil jogar naquele time porque era uma base que já vinha formada. Atravessamos uma fase muito boa, fomos campeões brasileiros, então nós tínhamos uma equipe entrosada e que mudava pouco, o que facilitou ainda mais”, comentou Pereira.

No quadrangular final, Luís Pereira foi autor do gol da vitória diante do Internacional. Após cobrança de escanteio, ele subiu e cabeceou no ângulo esquerdo do Schneider. Ele comentou as subidas ao ataque. “Era praticamente uma arma que eu tinha. Talvez pudesse até ser um meio-campo, mas como jogava de zagueiro, quando tinha a oportunidade eu tentava avançar. Gostava do que fazia e procurava sempre fazer o melhor”, relembrou.

O Independiente campeão mundial de 1973

Por Ricardo Pilotto
Foto: Arquivo

O Independiente foi campeão Intercontinental em 1973

No dia 28 de novembro do ano de 1973, o Independiente conquistou o seu primeiro título mundial. Naquela oportunidade, a competição ainda era conhecida como Copa Intercontinental e juntava o campeão da Liga dos Campeões da Europa e o vencedor da Taça Libertadores da América. Em modelo de partidas de ida e volta, as duas equipes envolvidas decidiriam quem seria o ganhador do troféu.

Pelo regulamento, o Ajax, que conquistou a competição europeia da temporada 1972-1973 sobre a Juventus, teria de enfrentar o Independiente de Avellaneda, que havia vencido a sua quarta Libertadores naquele mesmo ano. Por alguma coincidência, holandeses e argentinos repetiriam o confronto de 1972. Para os sul-americanos, esta seria uma grande chance dos Diablos Rojos se 'vingarem' da derrota por 1 a 0 no ano anterior.

Mas por conta do grande desentendimento entre Conmebol e UEFA, além das rusgas que ficaram do jogo da final de 1972, o clube de Amsterdam decidiu abrir mão da sua vaga e afirmou que só voltaria atrás desta decisão caso um time de outro país vencesse o torneiro da América do Sul. Como a equipe argentina foi a campeã, o Ajax não quis disputar o título mundial e alegou dificuldades financeiras, mesmo que muitos dirigentes soubessem o exato motivo para não jogar com o time vermelho de Avellaneda.

Para substituir o time holandês, a Juventus, que foi a vice campeã europeia naquela ano, foi a convidada. Porém, a Vecchia Signora não aceitou o convite por conta dos grave incidentes de 1969, com o Milan. Para que conseguisse disputar o título, a equipe de Turim fez uma contra-proposta. Os italianos queriam que o Mundial fosse disputado em partida única na Itália, mas desta fez, seria a vez dos argentinos fazerem reclamações.

Depois de muita negociação, o Independiente abriu mão do rodízio que apontava o jogo de volta na Argentina e aceitou a primeira reivindicação da Juve, mesmo sabendo que existia o risco de perder o título mundial mais uma vez. Por causa do tempo de demora para selar o acordo entre as duas partes, a disputa do troféu Intercontinental só foi acontecer no final do ano.

Finalmente, no dia 28 de novembro de 1973, o Estádio Olímpico de Roma recebeu a final entre Independiente e Juventus. O torneio foi mal organizado, além do triste fato estar vivendo uma crise. O jogo ocorreu em uma tarde de quarta-feira em campo neutro. Nas arquibancadas, um pouco mais de 22 mil torcedores foram ao estádio, sendo que 72 mil lugares estavam disponíveis.


Com bola rolando, os italianos tiveram um amplo domínio do jogo, mas não conseguiram fazer o seu gol. Cuccureddu, o meia da Juventus, chegou a desperdiçar uma penalidade máxima no segundo tempo. Além disso, o goleiro Santoro estava operando milagres e salvando os argentino. Foi então, que na marca dos 35' da etapa final, o meia Bochini conseguiu acertar um chute forte na saída do goleiro Zoff. No meio do caminho, a bola desviou no zagueiro Gentile, ganhou altura e foi morrer no fundo das redes da Juventus. Se segurando de todas as maneiras possíveis na defesa, o os Diablos Rojos conseguiram manter o placar magro de 1 a 0 até o apito final.

Assim que a partida foi encerrada, o torcedor do Independiente pôde soltar aquele grito de campeão mundial que estava entalado na garganta.

A curta passagem de Paulo Amaral como treinador da Seleção Paraguaia

Por Ricardo Pilotto
Foto: arquivo

O estilo rigoroso de Paulo Amaral não deu certo com a Seleção Paraguaia

Neste dia 18 de outubro de 2021, Paulo Lima Amaral estaria completando 98 anos de vida hoje. Hoje, vamos lembrar a curta passagem do, ex-preparador físico e auxiliar técnico da seleção brasileira, pelo Paraguai como treinador. No comando da Albirroja, não conquistou nenhuma vitória e foi um fracasso, uma vez que não conseguiu atingir a meta de levar a equipe paraguaia para a Copa de 74.

No ano de 1973, a Liga Paraguaia de Futebol resolveu contratar o Paulo Amaral para comandar a seleção nacional nos confrontos diante da Argentina e da Bolívia, em partidas válidas pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1974, que seria realizada na Alemanha. No início do mês de março, Amaral chegou ao posto de treinador com o status de preparador físico do selecionado brasileiro bi-campeão mundial em 58 e 62, além de trabalhos como técnico de Juventus, Genoa, ambos da Itália, e do português Porto, além de grandes clubes do Brasil. Bastante conhecido por seu rigor, era justamente um dos fatores que estilo parecia combinar com o objetivo de ir para a Copa do ano seguinte.

Depois de um mês se preparando, o Paraguai jogou três jogos amistosos. No primeiro, sua equipe foi derrotada pelo Peru por 1 a 0, na capital Lima; no segundo compromisso, a Albirroja empatou com a seleção boliviana em 1 a 1 na altitude de La Paz e no segundo confronto com o time peruano, os paraguaios ficaram no 1 a 1, no antigo Estádio da Saxônia. Meses mais tarde, quando a seleção vermelha e branca veio para o Curitiba com o objetivo de disputar mais jogos amistosos com clubes do interior, a relação entre treinador e equipe começou a estremecer por conta das exigências do brasileiro aos jogadores.

No Sul do Brasil, Paulo tomou uma decisão corajosa ao excluir atletas como Alcides Sosa, Crispín Rafael Verza e Saturnino Arrúa, que eram os principais pilares do time, antes de um jogo no interior paranaense. Na chegada ao hotel onde a seleção ficaria hospedada, o então treinador bateu de frente com os três jogadores e os expulsou da equipe. Consequentemente, Amaral exigiu que os futebolistas voltassem ao Paraguai. Na tarde do mesmo dia, o delegado Ernesto dos Santos, fez a entrega das passagens aos três atletas. Porém, Félix Agüero, Cônsul do Paraguai em Curitiba, interveio os três de volta a delegação, mas não interferiu na formação.

Com um clima turbulento entre o comandante e os demais jogadores da seleção, a Albirroja perdeu o seu último amistoso realizado no Brasil para o Coritiba pelo placar de 1 a 0. Um dia após a partida, o time paraguaio retornou ao país com os três atletas reintegrados ao elenco. De volta ao Paraguai, Paulo Amaral foi afastado e substituído por Washington Echamendi, que não conseguiu levar os paraguaios para o Mundial.


Seu último jogo no comando foi em um confronto diante do Peru no dia 8 de abril de 1973, no estádio Puerto Sajonia, conhecido hoje como Defensores del Chaco. O jogo terminou empatado em 1 a 1 mesmo com os Incas jogando com dois jogadores a menos desde os 15 minutos de bola rolando na segunda etapa após as expulsões de José Navarro e Alfredo Quesada. Perto do apito final, o Paraguai acabou tendo Roberto Cino também expulso com o embate já entrando em sua reta final.

Dois anos após receber uma homenagem na CBF por fazer parte da comissão técnica da seleção campeã nos mundiais de 58 e 62, Paulo Amaral veio a falecer no dia 1 de maio de 2008. Ele foi vítima de um câncer, e morreu em sua casa localizada em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Há 47 anos, São José viajava quase 500km para comemorar título do acesso Paulista

Por Ruben Fontes Neto / FPF
Foto: Alberto Simões

O EC São José, antecessor do atual São José EC, comemorava o título de 1972 já em 1973

Em 13 de maio de 1973, o EC São José conquistava o título da Primeira Divisão (atual Série A2). O torneio, válido pela temporada de 1972, marcou o último título da equipe alvinegra, que deu origem ao atual São José EC, em 1976. A partida decisiva foi disputada em Garça, distante quase 500km de São José dos Campos.

20 equipes disputaram o torneio, que teve início em 20 de agosto de 1972. Após divisão em quatro grupos, o EC São José esteve na Série D, que era nomeada Sylvio Binari e jogou contra Saad, Estrela de Piquete e Santo André FC, tendo duas vitórias, dois empates e duas derrotas, que lhe renderam a classificação em segundo lugar (o Saad foi o líder).

A segunda fase contou com oito equipes, novamente divididos em grupos. São José e Saad se juntaram a Velo Clube e Vasco de Americana, que foram os dois melhores da Série C (Belfort Duarte). Curiosamente, porém, as fases foram disputadas com cinco meses de diferença, já que a primeira fase foi encerrada em outubro de 1972 e a nova só começou em março de 1973.

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O grupo foi bem equilibrado, mas prevaleceu a força de mandante do São José, que foi o único time a conseguir vencer as três partidas que fez em casa, além de ter um empate com o Saad fora. Com isso, somou sete pontos, contra seis de Saad e Vasco e cinco do Velo Clube.

E foi mais uma vez com uma grande atuação dentro do Martins Pereira que a equipe de São José dos Campos colocou a mão na taça. No dia 6 de maio, contra o Garça, vitória por 3 a 0 com gols de Dandô, Xavier e Pedroso (contra).

No jogo de volta, o time joseense segurou o resultado e fez a festa da torcida que viajou quase 500km para acompanhar aquele que seria o último título da equipe com a denominação de EC São José. Antes, em 1964 e 1965, o time havia sido campeão do quarto e terceiro nível do futebol paulista, respectivamente.

Apesar do título, o EC São José não disputou a elite estadual uma vez que a Lei do Acesso havia sido suspensa. Já em 1976, o time tinha situação financeira instável e precisou se transformar. Surgiu então o São José Esporte Clube, trocando o alvinegro pelo azul, amarelo e branco e a Formiga pela Águia.


Confira como foi a campanha do título do EC São José e a ficha técnica do jogo decisivo:

1ª Fase
20/08/72: EC São José 2x0 Estrela
27/08/72: Santo André FC 1x1 EC São José
03/09/72: EC São José 1x0 Saad
24/09/72: Estrela 1x0 EC São José
01/10/72: EC São José 0x0 Santo André FC
15/10/72: Saad 2x0 EC São José

2ª Fase
18/03/73: Vasco 2x0 EC São José
25/03/73: EC São José 1x0 Saad
01/04/73: Velo Clube 3x0 EC São José
08/04/73: EC São José 2x1 Vasco
15/04/73: Saad 0x0 EC São José
22/04/73 EC São José 2x0 Velo Clube

Final
06/05/1973: EC São José 3x0 Garça
13/05/1973: Garça 0x0 EC São José

Local: Estádio Frederico Platzecke, em Garça
Árbitro: Milton Jorge

Garça: Chiquinho, Ari, Brito, Pedroso e Abegar; João Luiz e Grilo; Maurilio, Cláudio, Pulga (Ramalho) e Mário César (Rogério). Técnico: Francisco Valeriano

EC São José: Mário, Carioca, Marião, Alemão e Pedro Rodrigues; Dandô e Zé Carlos; Xavier, Marco Antonio, Carlinhos (Fernandinho) e Pepe. Técnico: Jorge Pinto de Souza

Histórico, inédito e jamais igualado: o Octacampeonato Gaúcho do Inter

Fonte: Cesar Caramês/Setor de Pesquisa Histórica do Internacional
Foto: arquivo SC Internacional

O Inter foi campeão gaúcho seguidamente entre 1969 e 1976

Existe uma velha máxima que permeia o futebol gaúcho: para pensar em coisas maiores, primeiro o time tem que mandar em casa. E o Inter, que está completando 111 anos de fundação neste 4 de abril, leva este mantra muito a sério. O Colorado foi o primeiro clube a conquistar um Hexacampeonato Gaúcho. Foi em 1945, com o mágico time do Rolo Compressor. Em 2016, conquistou a marca histórica pela terceira vez.

Além disso, desde os anos 1970 não fica atrás do rival em conquistas regionais. Só estes feitos já conseguem dar a dimensão da hegemonia colorada no que se refere ao Campeonato Gaúcho. Hoje é dia de relembrar outro feito histórico e jamais igualado: o Octacampeonato Gaúcho conquistado pela equipe que encantou o Brasil durante os anos 70. No entanto, essa história começou a ser escrita na década anterior.

O Inter preparava-se para inaugurar sua nova casa. Enquanto isso, o co-irmão havia empilhado sete títulos gaúchos naquela que foi a maior sequência de títulos gaúchos até então, ultrapassando o Hexacampeonato do Rolo Compressor.


Mas a nova casa colorada traria bons frutos logo nos seus primeiros meses. Em dezembro de 1969, o time de Gainete, Pontes, Dorinho, Valdomiro e Claudiomiro impediu que o rival chegasse ao octacampeonato inédito e abriu caminho para que o Inter o fizesse.

Nos anos seguintes, o que se viu foi o surgimento e a afirmação de uma geração que marcou época. Em 1970 e 1971 manteve-se a base do time de 69, já contando com o surgimento do jovem Paulo César, o Carpegiani. Já em 1972, o grande Dom Elias Figueroa começava a ser um dos expoentes do Clube e o jovem Escurinho era promovido do time juvenil para o profissional.

O ano de 1973 viu surgir um guri franzino de madeixas cacheadas começar a trilhar seu caminho no time principal do Inter: Paulo Roberto Falcão. Sua afirmação viria em 1974, junto a craques como Manga, Cláudio, Hermínio, Vacaria, Jair e Lula, atletas que conquistariam o Campeonato Brasileiro no ano seguinte.


Por falar em 1975, esse foi o momento de igualar a histórica marca do rival. Com Flávio Minuano - ou Flávio Bicudo, como também era chamado - retornando ao Colorado e Caçapava começando sua trajetória, o Inter conquistou o heptacampeonato.

O ano de 1976 foi o da consagração. O ano da conquista do título inédito e até hoje inigualado Octacampeonato Gaúcho. O título veio com a vitória por 2 a 0 no clássico Gre-Nal, gols de Lula e Dadá. A base do time era composta por: Manga; Cláudio, Figueroa, Marinho Perez e Vacaria; Falcão, Caçapava (Jair) e Batista (Paulo César). Valdomiro, Dadá Maravilha e Lula.

Valdomiro foi o único jogador a participar de todas as oito conquistas, passando de jogador contestado a ídolo eterno do clube. O octacampeonato gaúcho marcou não só o nome de Valdomiro, mas de toda uma geração que levou o nome do Inter a plagas cada vez mais distantes.

Amarildo, o "Possesso", no Vasco da Gama

Foto: O Globo

Amarildo quando chegou ao Vasco, em 1973

Amarildo, o "Possesso", foi um dos grandes atacantes da história do futebol brasileiro. Ele começou no Goytacaz e marcou época no Botafogo, onde conquistou vários títulos no grande esquadrão que tinha nomes como Nilton Santos e Garricha, foi convocado para a Seleção Brasileira, onde jogou a Copa do Mundo de 1962, substituindo Pelé, machucado, a partir do terceiro jogo e fazendo gols importantes. Depois, ainda foi para a Itália, onde marcou época defendendo Milan, Fiorentina e Roma. Em 1973, ele resolve voltar ao Brasil para encerrar a carreira e vai para o Vasco da Gama.

Logo quando chegou ao clube, sofreu uma lesão muscular e quando voltou, resolveu retribuir o clube que lhe deu chance de encerrar a carreira. "Fiz um contrato em branco, sem ser remunerado. Foi uma maneira de agradecer a eles que me deram a oportunidade de encerrar a carreira em um grande time como o Vasco e retribuir o que fizeram comigo", explica o ex-jogador, em entrevista ao SporTV em 2012.

Amarildo é crítico com os jogadores atuais que, segundo ele, não têm amor aos clubes que defendem. "Nós tínhamos vínculos com nossos clubes, vestíamos literalmente a camisa. Hoje, os profissionais do futebol só pensam em dinheiro. Não tem futebol, é só correria e pancadas. E a culpa pelo mau futebol é dos treinadores. Eles pregam o futebol do resultados a todo custo".

Todo este acordo entre Vasco e Amarildo acabou sendo positivo para ambos. O "Possesso" formou ataque com Jorginho Carvoeiro e o então jovem Roberto Dinamite e ajudou o clube carioca a conquistar o seu primeiro título do Campeonato Brasileiro, em 1974. Mesmo ausente das finais contra o Cruzeiro, por conta de uma lesão, o Amarildo se tornou o único campeão mundial de 1962 a conquistar um título do Brasileirão.

Amarildo chegou a ser homenageado pela torcida do Vasco

Logo após a conquista, Amarildo pendurou de vez as chuteiras. Ele que levantou taças defendendo Botafogo, Milan e Seleção Brasileira, acabou parando de jogar ostentando seu único título pelo clube cruzmaltino.

Amarildo, no entanto, não esconde sua paixão pelo Botafogo. Foi no Alvinegro onde ele atuou por cinco anos, ao lado de craques campeões mundiais em 58 e 62. "Foi o clube que me projetou. É o clube do meu coração e onde tive o prazer de jogar com os maiores jogadores do mundo: Nilton Santos, Garrincha, Zagallo e Didi", finaliza.

Pelé fazendo gol olímpico e virando mais uma vez goleiro nos EUA em 1973

Com informações de Guilherme Guarche, do Centro de Memória
Foto: US Mail

Pelé fez um gol olímpico e depois foi goleiro em jogo contra o Baltimore Bays, em 1973

Eram passados 13 minutos de jogo quando Pelé, inesperadamente, foi cobrar um escanteio contra o Baltimore Bays, em Baltimore, Estados Unidos. O resultado da cobrança foi mais surpreendente ainda, pois a bola, com efeito, enganou o goleiro Phillips e entrou no gol, o primeiro e único gol olímpico marcado pelo Rei do Futebol em toda a sua carreira. Era o dia 19 de junho de 1973, uma terça-feira.

A primeira etapa terminou com a vantagem mínima, mas no segundo tempo o centroavante Euzébio marcou duas vezes e Pelé fez mais um gol, de pênalti, fechando o marcador em 4 a 0 diante das 12.582 pessoas que foram ao Memorial Stadium.

O curioso é que naquela excursão o Santos já tinha vencido o mesmo Baltimore Bays duas vezes: a primeira, no mesmo estádio, em 30 de maio, por 6 a 4, e a segunda no Kennedy Stadium, em Nova York, por 7 a 1. Ou seja, em pouco mais de duas semanas o Alvinegro Praiano infringiu 17 gols ao mesmo adversário, em uma média de 5,66 gols por partida.

No jogo do gol olímpico de Pelé, o Santos, dirigido pelo técnico José Macia, o imortal Pepe, formou com Cláudio (depois Pelé), Vicente, Marinho, Marçal (Turcão), Zé Carlos; Léo Oliveira e Pitico; Jair da Costa (Adílson), Euzébio, Pelé (Nelsi) e Ferreira.

Pelé, goleiro pela quarta vez - Nessa partida em Baltimore, após fazer os dois gols, Pelé foi para o arco, atuar como goleiro no lugar de Cláudio, que se machucou. Além dessa partida, o Rei vestiu a camisa de goleiro do Santos em outras três oportunidades: em 1959, na vitória sobre o Comercial da capital por 4 a 2; em 1964, na virada sobre o Grêmio por 4 a 3, pela Copa do Brasil, no Pacaembu; e em 1969, na vitória diante do Botafogo da Paraíba, em João Pessoa, por 3 a 0.

Nessa terceira partida, Pelé, que já tinha feito um gol de pênalti no jogo, o de número 999 de sua carreira, foi para a meta em substituição ao goleiro Jair Estevão. Dizem que agiu assim para evitar fazer o tão esperado Milésimo longe dos grandes centros, e estaria programando marcá-lo contra o Vasco, no Maracanã, cinco dias depois. O Rei, entretanto, desmente essa versão.

A Portuguesa campeã da Taça Estado de São Paulo de 1973

Por Victor de Andrade

Em pé: Pescuma, Badeco, Zecão, Isidoro, Calegari e Cardoso. Agachados: Xaxá, Enéas, Cabinho, Basílio e Wilsinho. O time que conquistou a Taça Estado de São Paulo de 1973

Neste 14 de agosto, a Associação Portuguesa de Desportos está completando 98 anos de sua fundação. E para comemorar a data de aniversário da grande Lusa, que atualmente não vive bons momentos, vamos recordar da época em que o time Rubro Verde era gloriosa: a conquista da Taça Estado de São Paulo de 1973.

A Taça Estado de São Paulo de 1973 foi uma competição criada pela Federação Paulista de Futebol (FPF) para que os clubes da primeira divisão não ficassem parados durante os 45 dias, entre o final de maio e começo de julho, em que a Seleção Brasileira estivesse excursionando pela Europa e África. Assim, a competição contou com 17 equipes (o Santos não participou do torneio), divididas em três grupos, sendo um com cinco e dois com seis.

As chaves eram regionalizadas e a Portuguesa estava no Grupo A, ao lado de Palmeiras, Juventus, São Paulo e Corinthians. Porém, as perspectivas da Lusa na competição não eram das melhores. Na virada de 1972 para 1973, o presidente do clube, Oswaldo Teixeira Duarte, havia dispensado jogadores do quilate de Marinho Peres, Samarone, Lorico, Ratinho, Piau e Hector Silva, na famosa “Noite do Galo Bravo”. Já no primeiro turno do Paulista, sob o comando de Cilinho, a equipe não foi bem e o treinador foi trocado por Otto Glória.

Ao fim do primeiro turno, Glória mudou o esquema tático e o time passou a funcionar, dando mostras já na Taça Estado de São Paulo. Mesmo estando no grupo mais complicado, a Lusa terminou a primeira fase em primeiro, com seis pontos, onde venceu o São Paulo (2 a 0) e o Corinthians (1 a 0), empatando com Palmeiras e Juventus, ambos por 0 a 0.

Na semifinal, o adversário da Portuguesa foi a Ferroviária. No primeiro jogo, no Pacaembu, em 21 de junho, vitória da Lusa por 1 a 0, com gol de Enéas. Na segunda partida, na Fonte Luminosa, em Araraquara, três dias depois, outro 1 a 0 para o time Rubro Verde, novamente com gol de Enéas. A Portuguesa estava na final.

A decisão foi marcada para o dia 1º de julho, no Pacaembu, e o adversário era o Palmeiras, que havia eliminado a Ponte Preta. Mesmo tendo que enfrentar jogadores do quilate de Ademir da Guia, Dudu e Leivinha, a Lusa deu um show de bola e fez sonoros 3 a 0, com dois gols de Wilsinho e um de Enéas. A Portuguesa era a campeã da Taça Estado de São Paulo de 1973 e com um detalhe interessante: não sofreu gol nos sete jogos que fez no torneio.

A Taça Estado de São Paulo acabou alavancando a Lusa no Campeonato Paulista. Com uma campanha avassaladora, o time comandado por Otto Glória conquistou o segundo turno da competição e tornou-se campeã paulista, no título dividido com o Santos, com a má matemática de Armando Marques.

A primeira passagem de Telê Santana pelo São Paulo FC

Por Victor de Andrade, com informações do Acervo do Estadão

Telê Santana, com Jose Poy à sua esquerda, na primeira passagem pelo Tricolor, em 1973

No último sábado, dia 21 de abril, completou-se 12 anos do falecimento de Telê Santana da Silva. Jogador habilidoso e treinador de renome, Telê fez muito sucesso no futebol brasileiro, deixando marcas em sua história. Além de ter montado uma das seleções que jogaram mais bonito na história, a de 1982, o treinador virou ídolo da torcida do São Paulo, por sua passagem mais que vitoriosa na primeira metade da década de 1990. Porém, esta não tinha sido a primeira vez que ele havia trabalhado no Tricolor.

No dia 29 de dezembro de 1972, Telê Santana chegava ao Morumbi para assinar um contrato de um ano com o São Paulo FC, para dirigir a equipe na temporada de 1973. Apesar de ter apenas três anos como treinador, ele já tinha algo que pesava a seu favor no currículo: o título de campeão brasileiro, pelo Atlético Mineiro, em 1971.

Telê Santana não teve vida fácil em sua primeira passagem pelo São Paulo. Logo de cara, começou a ter problemas com os jogadores do elenco. O que demonstrou mais irritação com isto foi Paraná. Ele o acusou de desprestigiar jogadores com mais de 30 anos.

Telê Santana também reclamou da falta de profissionalismo dos jogadores. Acusou de fazerem 'bico' no time e se preocuparem mais com os jogos de várzea. Em sua passagem, ele tentou disciplinar os atletas. O técnico exigiu mais empenho dos jogadores e implantou treinos pela manhã e à tarde. Também insistiu nos treinos dos fundamentos do futebol, "é impressionante como essa turma erra passes, chutes e tudo mais", justificou.

Página de O Estadão destacando a contratação de Telê Santana

Tudo isto influenciou na demissão de Telê Santana, em 4 de julho de 1973, menos de sete meses após a assinatura do contrato. “O São Paulo paga bem, paga em dia, tem uma concentração espetacular “, mas “sabe como se comporta o jogador do São Paulo? Em vez de brigar com o adversário, no dia do jogo, briga com o companheiro do treino”, reclamou Telê Santana no dia da demissão.

Mas a saída do treinador ainda deixou resquícios para Paraná. Logo após a demissão do técnico, o jogador foi suspenso do clube e multado por causa das declarações. Quem acabou assumindo no lugar de Telê Santana foi o auxiliar José Poy, que como goleiro já tinha uma grande história pelo Tricolor.

Já Telê Santana, depois disso, rodou o Brasil e o mundo, foi treinador da Seleção Brasileira em duas Copas do Mundo e voltou ao São Paulo, em 1991, com a pecha de pé-frio. E foi no Tricolor onde ele mudou a "fama", conquistando tudo o que era possível em um clube.

Paulista de 1973 - Erro de Armando Marques divide título entre Santos e Lusa

Armando Marques errou nas contas e o título foi dividido

Em 26 de agosto de 1973, Santos e Portuguesa entravam no gramado do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, para a decisão do Campeonato Paulista daquele ano. O árbitro escalado para a decisão era o experiente Armando Marques. Polêmico, cheio de trejeitos, o homem de preto daquela partida seria crucial para a decisão de quem ficaria com a taça.

Se o Santos já não era mais aquele grande esquadrão da década de 60, que dominou o mundo, ainda tinha muito daquele time. Lá estavam o grande goleiro argentino Cejas, Carlos Alberto, Clodoaldo, Edu e, é claro, o Rei Pelé. Marinho Peres, machucado, desfalcava a equipe. Comandados por Jose Macia, o Pepe, o Peixe ainda era uma baita equipe.

O grande time da Lusa

Já a Portuguesa, treinada pelo experiente Otto Gloria, chegou à finalíssima com um belo time, que contava com Badeco, Basílio e o grande Enéas. Além disso, o desempenho da equipe na competição era surpreendente: estava nove jogos sem perder.

Mais de 116 mil torcedores assistiram o Santos dominar o primeiro tempo. O Santos quase abriu o placar com Pelé, em cobrança de falta. Porém, a trave não o deixou marcar. Assim, o jogo foi para o intervalo com o placar de 0 a 0.

O Santos que também foi campeão

Na segunda etapa, a Portuguesa melhorou. Mesmo assim, Pelé, teve a trave novamente em seu caminho, em nova cobrança de falta. Mas a Lusa jogava melhor e chegou a balançar as redes com Cabinho. Porém, o gol foi anulado por impedimento. Até hoje, os torcedores lusitanos reclamam que o gol foi mal anulado.

Com o empate persistindo, a partida foi para a prorrogação. Melhor fisicamente, a Portuguesa dominou as ações no tempo extra, tanto que a equipe rubro-verde teve uma grande chance de marcar com Basílio, que chutou, estando cara-a-cara com o goleiro do Peixe, Cejas, mas o arqueiro santista defendeu com a perna esquerda evitando o gol. O 0 a 0 continuou no placar e a decisão da taça ficou para as penalidades.

Edu tentando passar pela marcação da Portuguesa

Para a primeira cobrança da Portuguesa foi o lateral-esquerdo Isidoro. O jogador bateu no ângulo direito de Cejas, que defendeu de mão trocada. Carlos Alberto foi para a segunda cobrança do Santos. O lateral-direito bateu no canto esquerdo do goleiro, que se esticou para o lado oposto, fazendo 1 a 0. 

A Portuguesa desperdiçou a chance de empatar com o zagueiro Calegari. O defensor chutou fraco no canto direito e Cejas defendeu sem maiores problemas. O placar permanecia 1 a 0 para o Peixe. O terceiro cobrador do Santos foi Edu. O atacante chutou no meio e alto, Zecão caiu para o lado direito, fazendo 2 a 0. Wilsinho foi para a terceira cobrança, ele chutou com o pé esquerdo, mas acabou acertando o travessão.


Matéria da Cultura sobre a final

Depois das três cobranças, ainda faltavam mais duas e a Portuguesa não tinha balançado as redes. O placar estava 2 a 0 para o Santos. Mesmo havendo a chance matemática da Lusa, o então árbitro Armando Marques cometeu um erro grave e histórico. Ele encerrou as cobranças de pênaltis, depois da bola na trave de Wilsinho, e segundo as contas do árbitro, o Santos era o Campeão Paulista de 1973. Com o apito final e a decisão polêmica de Armando Marques, os santistas se abraçaram, os repórteres invadiram o gramado do Morumbi. Os então campeões santistas colocaram as faixas e ergueram a taça, e até deram a volta olímpica. Porém, a final ainda não tinha acabado

De acordo com o regulamento, para determinar o Campeão Paulista deveriam ser batidos cinco pênaltis para cada time, e só três haviam sido cobrados. Após a decisão, o árbitro Armando Marques reconheceu o seu equívoco ao ser questionado pelos dirigentes da Federação Paulista. O árbitro pensou na possibilidade do retorno dos dois times a campo, para terminarem as cobranças de pênaltis. No entanto, a Lusa não concordou com esta decisão e os jogadores da equipe se trocaram rapidamente e deixaram o estádio do Morumbi.

Capa da Folha de São Paulo no dia seguinte

Os dirigentes da Portuguesa solicitaram uma partida-extra e que a final fosse anulada. Já os santistas queriam bater os dois pênaltis que restavam. Após muita discussão, os cartolas de ambos os times resolveram, em comum acordo, que o título fosse dividido entre eles. Tudo por culpa do senhor Armando Marques

Ficha Técnica

PORTUGUESA 0 x 0 SANTOS

Data: 26/08/1973
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo (SP) 
Árbitro: Armando Marques 
Público Pagante: 116.156 (recorde paulista na época)
Renda: Cr$ 1.502.255

PORTUGUESA: Zecão; Cardoso, Pescuma, Calegari e Isidoro; Badeco, Basílio e Xaxá; Enéas (Tatá), Cabinho e Wilsinho - Técnico: Oto Glória.

SANTOS: Cejas; Zé Carlos, Carlos Alberto, Vicente e Turcão; Clodoaldo, Léo e Jair (Brecha); Eusébio, Pelé e Edu - Técnico: Pepe.

A primeira suspensão por doping do futebol brasileiro

Campos foi o primeiro atleta suspenso por doping no futebol brasileiro

Em 18 de novembro de 1973, o Atlético Mineiro recebia o Vasco da Gama no Mineirão, para mais uma partida do Campeonato Brasileiro daquele ano. Os dois clubes estavam no meio da tabela e, por isso, a vitória era importante para ambas as equipes.

Os visitantes começaram melhor a partida. O Atlético Mineiro, mesmo jogando em seus domínios e com o apoio de sua torcida, não se apresentava bem. O clube da Cruz de Malta envolvia o Galo e abriu o placar, ainda no primeiro tempo, com Dé.

Na segunda etapa, o Galo reagiu. O jogador atleticano Campos voltou do intervalo irresistível. A defesa vascaína não conseguia marcá-lo. Com isso, Campos marcou dois gols, virou a partida e deu a vitória para o Atlético Mineiro.

Os Jogadores do Vasco acharam estranho a disposição de Campos na partida, que era acima do normal. Além disso, eles viram uma baba espumada que escapava da boca de do jogador atleticano. Isso deixou os atletas do time carioca 'com uma pulga atrás da orelha'.

Mas a estranheza dos vascaínos tinha um fundo de verdade. Mais tarde foi constatada a presença do estimulante efedrina na urina do atleta. Foi noticiado que o material coletado apresentava uma cor avermelhada que já havia chamado a atenção mesmo antes do exame.

Campos tentou se justificar declarando à imprensa que tinha bebido um suco de beterraba no dia do jogo, mas não colou: Ele pegou uma longa suspensão, a primeira acontecida no futebol brasileiro devido a uso de substância proibida. Mas o resultado do jogo continuou valendo.

O jogador nos tempos de Galo

Este foi o primeiro caso comprovado de doping do futebol brasileiro. Porém, se sabia que vários jogadores se dopavam. Alguns chegaram até a afirmar isso tempos depois, como Almir Pernambuquinho, que admitiu ter jogado dopado a final da Copa Intercontinental de 1963, pelo Santos contra o Milan.

O futebol nacional registrou 10 casos positivos entre 1º de janeiro de 2013 e 31 de dezembro do mesmo ano. Trata-se de mais de 10% do total de sanções aplicadas na temporada no esporte. A Fifa reportou à Wada 86 casos no período. O segundo lugar neste ranking é Portugal, com sete ocorrências. Bélgica, Grécia, Irã e Itália estão empatados em terceiro, com cinco cada uma.

Entre os casos dos brasileiros, nove foram em exames de urina durante a competição e um único caso foi por má conduta como, por exemplo, "incentivo, ajuda ou acobertamento para permitir que um atleta se dope", explica a Wada no relatório. A agência não divulgou os nomes dos flagrados neste relatório.

Futebol e Vídeo-Game? O primeiro foi Soccer

Propaganda do primeiro jogo de futebol para vídeo-game

Você que joga em casa os Fifa e Pro Evolution Soccer, onde os jogadores na tela são semelhantes aos da vida real, em consoles ultra modernos, como XBox One ou Playstation 4, talvez nem imagine como tudo isso começou. E pensar que você nem podia jogar em casa.

Pois é, o primeiro jogo de futebol para vídeo-games nasceu em 1973. Soccer, feito pela empresa japonesa Taito. O programador do jogo foi Tomohiro Nishikado, que no ano anterior já havia criado o Elepong, o primeiro Arcade japonês.

Soccer foi criado para Arcade, conhecido no Brasil como fliperama, já que os consoles residenciais ainda estavam em estudos. Além do jogo de futebol, que na época era muito pouco popular no Japão, Nishikado fez outros jogos naquele momento, como Davis Cup, de tênis. Todos estes jogos tinham como base o Elepong.

O Arcade

O jogo era bem simples. Você controlava apenas dois jogadores (os 'bonecos' eram bastões verticais), um atacante e um goleiro, tocando a bola em cima de uma superfície verde, que era o máximo que a tecnologia da época conseguia simular um gramado na tela.

Curiosamente, a Taito conseguiu adaptar a Soccer uma característica interessante de Elepong, possibilitando variar a direção e a velocidade dos “chutes”. Para isso, segundo um anúncio da época com instruções, bastava tocar a “bola” em diferentes pontos do bastão que simbolizava os jogadores. Quem marcasse nove gols primeiro vencia.

Folheto explicativo de Soccer

As imagens de Soccer são raras, mas o game certamente ajudou a projetar Tomohiro Nishikado, que virou um dos principais programadores de jogos do Japão. Nos anos 90, ele chegou a sair da Taito, que produziu outros jogos de futebol, inclusive para consoles residenciais, e fundar sua própria produtora, a Dreams. Porém, Nishikado voltou para a empresa e atualmente atua como conselheiro técnico. 

Então, quando você ligar vídeo-game e jogar Fifa ou PES, lembre-se que a Taito e Tomohiro Nishikado têm uma grande importância nisso.

O Curioso do Futebol

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