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Há 49 anos, Armando Marques fazia uma grande lambança na decisão do Campeonato Paulista

Por Fabio Rocha
Foto: arquivo

Armando Marques errou e FPF dividiu o título entre Santos e Portuguesa

Há 49 anos aconteceu um dos grandes erros da história do futebol mundial, que acabou dividindo um títulos entre duas equipes. Esse fato aconteceu em 1973 na final do Campeonato Paulista, quando Santos e Portuguesa se enfrentaram em busca do título, mas graças ao erro de Armando Marques, a final foi totalmente prejudicada.

Com mais de 115 mil pessoas no Morumbi para ver a grande decisão do campeonato estadual, o árbitro acabou prejudicando o grande espetáculo. Armando era um grande juíz, apitava quase todas as decisões, mas teve um erro “juvenil” na contagem das penalidades máximas.

A partida que tinha duas grandes equipes, com o Santos sendo o favorito, pois tinha o maior jogador de todos os tempos, que era o Pelé, mas que além do craque contava com outros grandes atletas. Porém, a Portuguesa conseguiu segurar a equipe do Peixe e levou a partida para as penalidades máximas.

Todos estavam esperando que o grande personagem da final fosse algum jogador, quase todos apontavam o Pelé, porém, não foi isso que aconteceu. O jogo terminou sem gols nos 90 minutos, ressaltando que a Lusa teve um gol mal anulado, e também na prorrogação nenhuma equipe conseguiu marcar.

A grande final ia se definir nos pênaltis, outro grande motivo para todos acharem que o personagem seria algum atleta, mas dessa vez poderiam ser os goleiros que poderiam defender os pênaltis e dar o título a sua equipe. E, isso estava acontecendo, porque o goleiro santista defendeu uma penalidade.

O time santista começou batendo os pênaltis com Zé Carlos, mas Zecão defendeu a cobrança. Mesmo perdendo o pênalti, o Peixe conseguiu abrir 2 a 0 nos pênaltis, com Cejas defendendo o pênalti de Calegari e a bola na trave de Wilsinho.

O Santos estava na frente, porém a Portuguesa ainda poderia igualar o marcador, mas aí veio o grande erro de Armando Marques. O árbitro acabou errando suas contas e encerrou a partida, não percebendo o ainda poderia haver um empate, porém o Santos se consagrou campeão após 4 anos sem títulos do campeonato estadual.


Pelé, já depois do ocorrido, em entrevista afirmou que no momento percebeu que alguma coisa estava errada, mas que acabou pensando que o erro foi da sua conta e não do árbitro. A equipe comemorou o título e a equipe da Portuguesa acabou saindo rapidamente do estádio, pois todas perceberam o grande erro.

Bem longe do estádio, já no Canindé, a diretoria da Lusa começou a tomar medidas para tentar anular o título santista e ameaçava entrar na justiça para ocorrer outra partida. A Federação Paulista percebeu o erro e quis marcar outra decisão, porém, por conta da falta de datas acabou decidindo dividir o títulos entre as duas equipes, para que não houvesse uma injustiça no caso.

Paulista de 1973 - Erro de Armando Marques divide título entre Santos e Lusa

Armando Marques errou nas contas e o título foi dividido

Em 26 de agosto de 1973, Santos e Portuguesa entravam no gramado do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, para a decisão do Campeonato Paulista daquele ano. O árbitro escalado para a decisão era o experiente Armando Marques. Polêmico, cheio de trejeitos, o homem de preto daquela partida seria crucial para a decisão de quem ficaria com a taça.

Se o Santos já não era mais aquele grande esquadrão da década de 60, que dominou o mundo, ainda tinha muito daquele time. Lá estavam o grande goleiro argentino Cejas, Carlos Alberto, Clodoaldo, Edu e, é claro, o Rei Pelé. Marinho Peres, machucado, desfalcava a equipe. Comandados por Jose Macia, o Pepe, o Peixe ainda era uma baita equipe.

O grande time da Lusa

Já a Portuguesa, treinada pelo experiente Otto Gloria, chegou à finalíssima com um belo time, que contava com Badeco, Basílio e o grande Enéas. Além disso, o desempenho da equipe na competição era surpreendente: estava nove jogos sem perder.

Mais de 116 mil torcedores assistiram o Santos dominar o primeiro tempo. O Santos quase abriu o placar com Pelé, em cobrança de falta. Porém, a trave não o deixou marcar. Assim, o jogo foi para o intervalo com o placar de 0 a 0.

O Santos que também foi campeão

Na segunda etapa, a Portuguesa melhorou. Mesmo assim, Pelé, teve a trave novamente em seu caminho, em nova cobrança de falta. Mas a Lusa jogava melhor e chegou a balançar as redes com Cabinho. Porém, o gol foi anulado por impedimento. Até hoje, os torcedores lusitanos reclamam que o gol foi mal anulado.

Com o empate persistindo, a partida foi para a prorrogação. Melhor fisicamente, a Portuguesa dominou as ações no tempo extra, tanto que a equipe rubro-verde teve uma grande chance de marcar com Basílio, que chutou, estando cara-a-cara com o goleiro do Peixe, Cejas, mas o arqueiro santista defendeu com a perna esquerda evitando o gol. O 0 a 0 continuou no placar e a decisão da taça ficou para as penalidades.

Edu tentando passar pela marcação da Portuguesa

Para a primeira cobrança da Portuguesa foi o lateral-esquerdo Isidoro. O jogador bateu no ângulo direito de Cejas, que defendeu de mão trocada. Carlos Alberto foi para a segunda cobrança do Santos. O lateral-direito bateu no canto esquerdo do goleiro, que se esticou para o lado oposto, fazendo 1 a 0. 

A Portuguesa desperdiçou a chance de empatar com o zagueiro Calegari. O defensor chutou fraco no canto direito e Cejas defendeu sem maiores problemas. O placar permanecia 1 a 0 para o Peixe. O terceiro cobrador do Santos foi Edu. O atacante chutou no meio e alto, Zecão caiu para o lado direito, fazendo 2 a 0. Wilsinho foi para a terceira cobrança, ele chutou com o pé esquerdo, mas acabou acertando o travessão.


Matéria da Cultura sobre a final

Depois das três cobranças, ainda faltavam mais duas e a Portuguesa não tinha balançado as redes. O placar estava 2 a 0 para o Santos. Mesmo havendo a chance matemática da Lusa, o então árbitro Armando Marques cometeu um erro grave e histórico. Ele encerrou as cobranças de pênaltis, depois da bola na trave de Wilsinho, e segundo as contas do árbitro, o Santos era o Campeão Paulista de 1973. Com o apito final e a decisão polêmica de Armando Marques, os santistas se abraçaram, os repórteres invadiram o gramado do Morumbi. Os então campeões santistas colocaram as faixas e ergueram a taça, e até deram a volta olímpica. Porém, a final ainda não tinha acabado

De acordo com o regulamento, para determinar o Campeão Paulista deveriam ser batidos cinco pênaltis para cada time, e só três haviam sido cobrados. Após a decisão, o árbitro Armando Marques reconheceu o seu equívoco ao ser questionado pelos dirigentes da Federação Paulista. O árbitro pensou na possibilidade do retorno dos dois times a campo, para terminarem as cobranças de pênaltis. No entanto, a Lusa não concordou com esta decisão e os jogadores da equipe se trocaram rapidamente e deixaram o estádio do Morumbi.

Capa da Folha de São Paulo no dia seguinte

Os dirigentes da Portuguesa solicitaram uma partida-extra e que a final fosse anulada. Já os santistas queriam bater os dois pênaltis que restavam. Após muita discussão, os cartolas de ambos os times resolveram, em comum acordo, que o título fosse dividido entre eles. Tudo por culpa do senhor Armando Marques

Ficha Técnica

PORTUGUESA 0 x 0 SANTOS

Data: 26/08/1973
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo (SP) 
Árbitro: Armando Marques 
Público Pagante: 116.156 (recorde paulista na época)
Renda: Cr$ 1.502.255

PORTUGUESA: Zecão; Cardoso, Pescuma, Calegari e Isidoro; Badeco, Basílio e Xaxá; Enéas (Tatá), Cabinho e Wilsinho - Técnico: Oto Glória.

SANTOS: Cejas; Zé Carlos, Carlos Alberto, Vicente e Turcão; Clodoaldo, Léo e Jair (Brecha); Eusébio, Pelé e Edu - Técnico: Pepe.

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