Foto: arquivo / FolhaPress

Eurico Miranda quis que o jogo continuasse, mesmo com o alambrado caído
No dia 30 de dezembro de 2000, a final da Copa João Havelange, competição organizada pelo Clube dos 13 e que aleu como o Brasileirão daquele ano, foi marcada por uma das maiores tragédias da história do futebol nacional. O duelo entre Vasco e São Caetano, em São Januário, terminou antes do fim após um grave acidente nas arquibancadas, que deixou 168 pessoas feridas, três delas em estado grave.
Depois de um empate no jogo de ida, no Parque Antártica, em 2 a 2, o Azulão, que tinha vindo dos módulos menores e alcançado a final depois de eliminar, na sequência, Fluminense, Palmeiras e Grêmio, dominava o jogo e Adhemar, atacante do time do ABC Paulista, tinha mandado uma bola na trave. Além disso, o Vasco tinha perdido Romário, por lesão na coxa, durante a partida.
Aos 23 minutos do primeiro tempo, cerca de 12 metros da grade de proteção do estádio cederam sob a pressão de torcedores que tentavam fugir de uma briga. A queda provocou um efeito dominó, com centenas de pessoas sendo pisoteadas, gerando pânico generalizado. O principal fator apontado para o acidente foi a superlotação: aproximadamente 40 mil pessoas estavam presentes, número bem acima da capacidade do estádio. A diretoria do Vasco informou, à época, que apenas 30,5 mil ingressos haviam sido vendidos.
Cerca de 50 vítimas receberam atendimento imediato no gramado, enquanto as demais foram encaminhadas ao Hospital Souza Aguiar. Entre os casos mais graves estavam um torcedor com traumatismo craniano, outro com fratura exposta e uma criança de cinco anos, Nicole Conceição Chagas Santos, com lesão abdominal.
Mesmo diante do cenário caótico, dirigentes do Vasco e representantes do Clube dos 13 chegaram a defender a retomada da partida cerca de uma hora após o acidente, com aval inicial da Defesa Civil e da Polícia Militar. A continuidade do jogo só foi descartada após intervenção direta do então governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, que determinou uma inspeção aérea do estádio e ordenou à PM que impedisse a retomada da final.

"Melhor adiar o jogo do que correr o risco da perda de uma vida. Apesar de a medida poder ser considerada antipática pelo torcedor movido pela paixão, era o que tinha que ser feito", declarou Garotinho à época.
O jogo recomeçou, do zero, no dia 18 de janeiro de 2001, no Maracanã. Com Romário em campo, o Vasco não deu chances ao São Caetano, venceu por 3 a 1 e comemorou o título.




































