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Heleno de Freitas jogando pelo Junior Barranquilla na Liga Pirata Colombiana

Por Kauan Sousa
Foto: arquivo

Cena rara: Heleno defendendo o Junior Barranquilla

Neste dia 12 de fevereiro de 2021, completa-se 101 anos do nascimento do gênio e temperamental Heleno de Freitas. Falecido em 8 de novembro de 1959, com 39 anos, o ex-jogador, defendeu o Atlético Junior de Barranquilla, entre 1949 e 1950, na época da Liga Pirata Colombiana.

Nascido em Minas Gerais, Heleno de Freitas, é considerado um dos maiores ídolos do Botafogo, time em que fez 233 jogos e marcou 204 gols. Além do Fogão, o ex-jogador, conhecido por ser nervoso dentro de campo e boêmio fora dele, atuou em equipes como o Vasco, Boca Juniors, Santos e America, fora o clube colombiano.

Em março de 1950, Gilda, apelido dado a Heleno, foi contratado pelo Atlético Junior Barranquilla para disputar a Liga Pirata colombiana. E assim partiria o gênio(so) atacante para a sua segunda aventura futebolística no exterior.

A Liga Pirata Colombiana foi criada no fim da década de 1940, em revelia a FIFA e as demais federações do continentes. Essa liga atraiu os melhores e mais rebeldes jogadores do continente, incluindo a maioria dos jogadores que atuaram na Seleção Argentina na década, considerada a melhor do mundo na época. Além disso, como não tinha ligação com a FIFA, os jogadores recebiam altos salários, já que os clubes não precisavam pagar os passes dos atletas.

Na equipe colombiana, Heleno já chegou atormentado pela Sífilis terciária, responsável por corroer os seus nervos, mas mesmo assim encantou o jornalista Gabriel Garcia Márquez, com seu estilo de jogo brasileiro, com movimentos rápidos e surpreendentes, sendo comparado com o autor de romances policiais.


Após sua passagem pelo clube colombiano, o polêmico jogador, voltou ao Brasil, chegou a ser contratado pelo Santos, mas não fez jogos oficiais, e depois foi para o America, onde fez o seu único jogo no Maracanã, mas não teve o mesmo sucesso de antes. Em 1954 quando seu estado de saúde piorou, por conta da Sífilis, ele foi internado em Barbacena, onde faleceu em 8 de novembro de 1959, aos 39 anos.

Por ser um dos maiores ídolos do futebol sul-americano, ter personalidade forte, além de ser conhecido como boêmio, mulherengo e ter levado sua vida de uma maneira, considerada por muitos, autodestrutiva, Heleno de Freitas, teve sua trajetória sendo ilustrada em um longa metragem (Heleno), estrelado por Rodrigo Santoro e dirigido por José Henrique Fonseca.

Os primeiros gols de Heleno de Freitas

Foto: ABI

Heleno saindo para comemorar o seu primeiro gol. Ainda faria mais um na partida

Heleno de Freitas é um personagem icônico na história do futebol brasileiro. Em sua volta, surgiram várias lendas, muito por causa de sua personalidade e forma de viver. Porém, o dia 28 de abril de 1940 é especial na carreira do craque, já que foi nesta data, com a camisa do Botafogo, que ele marcou seus primeiros dois gols.

No Estádio de São Januário, o Fogão encarava o São Cristóvão, pela segunda rodada do Campeonato Carioca. O time da Estrela Solitária fazia a sua estreia na competição, enquanto a equipe dos Cadetes havia sido goleado pelo Vasco, em seu primeiro jogo, por 4 a 0.

Heleno, com apenas 20 anos, começou a partida no banco de reservas e viu a equipe pressionar o São Cristóvão, mas não ter dificuldade de furar a retranca, além de não estar com a finalização em dia. Assim, o primeiro tempo da partida terminou com o placar de 0 a 0.

No segundo tempo, o craque, que estava no Botafogo desde 1939, mas teve poucas chances até então, entrou no jogo no lugar no ídolo e doutor Carvalho Leite. Heleno de Freitas 'botou fogo' na partida e abriu o marcador para a sua equipe.


O gol deu mais ânimo ao polêmico jogador, que se soltou e ainda marcou o segundo tento botafoguense. A equipe ainda teve algumas chances até o final da partida, mas o placar ficou mesmo no 2 a 0 para o Alvinegro da Estrela Solitária.

A partir deste momento, a carreira de Heleno de Freitas, que já era conhecido por ser um dos melhores jogadores no futebol de praia carioca, decolou. O Botafogo foi apenas o quarto naquele Campeonato Carioca de 1940, mas viu nascer um de seus maiores ídolos da história.

Heleno de Freitas no Boca Juniors

Foto: El Grafico

Heleno no Boca Juniors: apenas sete gols em 17 partidas

Um dos maiores jogadores brasileiros da história, talvez o maior da década de 40, Heleno de Freitas era gênio dentro de campo e genioso fora dele. Neste 12 de dezembro de 2020 está completando 100 anos do nascimento desta lenda, que foi ídolo no Botafogo, campeão pelo Vasco, e com passagens por Junior Barranquilla, Santos e America. Mas ele também mostrou seu futebol na Argentina, defendendo o Boca Juniors, mas não teve o mesmo sucesso.

Depois de passar pelos amadores do Fluminense, onde não o profissionalizaram, foi para o Botafogo e fez fama até fora do futebol. Galã, era chamado de Gilda, personagem de Rita Hayworth em filme do mesmo nome. Quando era chamado pro isto, o craque já respondia com um "é a mãe". Porém, mesmo jogando o fino da bola, a Estrela Solitária não conseguia conquistar títulos. Cansada da vida boêmia do jogador, a diretoria do Fogão resolveu negociá-lo. E o interessado foi o Boca Juniors.

A transação entre Botafogo e Boca Juniors foi com valores altos para a época. Segundo informações, Heleno foi vendido por por 600 mil cruzeiros, ou 200 mil pesos, na maior negociação futebolista do continente até então.

Intelectual, algo raro entre jogadores até os dias de hoje, quando chegou em Buenos Aires, em 1948, Heleno passou a ser correspondente esportivo do jornal Diário Carioca. Além disso, mesmo tendo casado a pouco tempo com Ilma Miranda Corrêa Lisboa, o craque não deixou a vida boêmia na capita argentina.

Heleno não foi bem no clube argentino. Mesmo no pouco tempo defendendo o time, marcou 7 gols em 17 jogos disputados. Porém, foi perdendo espaço no Boca Juniores e acabou indo para o banco e cada vez menos jogava.

Enfurecido com a reserva, Heleno de Freitas brigou com dirigentes, membros da comissão técnica e companheiros de time. A solução do Boca Juniors? Foi mandá-lo de volta ao Brasil. Em abril de 1949, o craque deixava Buenos Aires para jogar no Vasco da Gama.


No cruzmaltino, conquistou o seu principal título, o Carioca de 1949. Porém, seu gênio não o impediu de arrumar confusões e acabou brigando com o técnico Flávio Costa. E isto foi crucial para a sua carreira, pois o treinador dirigiu a Seleção Brasileira na Copa de 1950 e Heleno não teve chance de ser convocado, indo jogar no Junior Barranquilla.

Ao voltar da Colômbia, em 1951, se apresentou ao Vasco, que o emprestou ao Santos. No Peixe, brigou novamente e nem chegou a estrear. Foi atuar no America, em 1953, apenas um jogo, o seu único no Maracanã. Mas a Sífilis já dava os sintomas e Heleno estava piorando o seu estado de saúde, vindo a falecer em 8 de novembro de 1959, com apenas 39 anos.

Heleno de Freitas atuando no Maracanã pelo America

Heleno, com a camisa do America, antes do apronto para a sua única partida no Maracanã

Um craque, mas uma bomba prestes a estourar! Se fosse resumir o que foi Heleno de Freitas, talvez o maior jogador brasileiro dos anos 40, a frase que abre este texto cabe muito bem. Muito por causa disto, seu final de carreira não foi perto do que ele merecia pelo o que apresentou dentro de campo. Aliás, sua última chance foi no America, em 1953, quando fez apenas um jogo, justamente na única vez em que atuou no Maracanã.

Heleno de Freitas, nascido em São João Nepomuceno, em Minas Gerais, no dia 12 de fevereiro de 1920, fez sucesso no Botafogo na década de 40, mostrando ser um craque. Porém, a má fase do clube carioca, que não conquistou títulos em sua passagem, e seu gênio o fizeram ser negociado com o Boca Juniors em 1948. Depois, atuou por Vasco da Gama, onde brigou com o técnico Flavio Costa e perdeu a chance de jogar a Copa do Mundo de 1950, e Junior Barranquilla, na Liga Pirata Colombiana, voltando ao Brasil em 1951.

Depois de uma passagem frustrada pelo Santos, onde arrumou briga com todo mundo, Heleno tinha uma meta: atuar no imponente Maracanã, que fora inaugurado em 1950. Porém, o jogador já apresentava de sua doença, a Sífilis, e seu gênio explosivo atingiu níveis de loucura. Mesmo assim, ainda em 1951, o America resolveu dar uma chance ao craque, que pensava que ainda atuaria como na época do Botafogo, uma vedete do futebol.

No treino na véspera, arrebentou

O America fez um plano para prepará-lo e colocá-lo em campo apenas quando ele estivesse em plenas condições. Mas havia alguns problemas: Heleno não queria treinar e, além disso, evitava tirar fotos com a camisa e companheiros de clube: ele achava que a equipe não estava à sua altura. Ele só estava por um motivo: jogar no Maracanã. Por tudo isto, a estreia de Heleno pelo time vermelho ficava cada vez mais difícil.

Porém, tudo isto foi por "água abaixo" quando na véspera de enfrentar o São Cristóvão, o Diabo estava com vários desfalques em sua linha de frente. Como a partida estava marcada para o Maracanã, no dia 4 de novembro, Heleno aceitou até a voltar a treinar e, assim, voltar a campo, tudo para atuar no imponente estádio. No apronto para a partida, ele arrebentou! Sim, parecia aquele craque que todos admiravam! Heleno parecia estar pronto.

A verdade é que naquele 4 de novembro, Heleno não mostrou nem 1% do que havia feito no treino do dia anterior. Ele entrou em campo e se deslumbrou com o tamanho e a imponência do Maracanã. Praticamente não tocou na bola, olhando para a estrutura do "maior do mundo". Parecia uma criança que havia ganho a maior presente de sua vida.

Heleno, agachado, no meio, no gramado do imponente estádio

A história de Heleno de Freitas atuando pelo America no Maracanã durou apenas 20 minutos. Olhando para aquele homem, dentro de campo, embasbacado, os companheiros de time passaram a cobrar empenho dele. Ao invés de começar a jogar de verdade, Heleno passou a ofender os jogadores de sua equipe e foi expulso. O America acabou sendo derrotado pelo São Cristóvão por 3 a 1.

Naquele momento, os irmãos de Heleno, que estavam nas arquibancadas do Maracanã, resolveram interná-lo, a loucura, em decorrência da sífilis, estava corroendo o craque e, naquele dia, foi o fim de Heleno como jogador de futebol. Internado, ele acabou falecendo em 8 de novembro de 1959, com apenas 39 anos, em decorrência da doença.

O Futebol no Cinema - Heleno, o filme sobre o craque dos anos 40

Por Lucas Paes

No filme, o ator Rodrigo Santoro fez o papel de Heleno de Freitas

O filme “Heleno”, lançado em 2012, dirigido por José Henrique Fonseca, conta a história de Heleno de Freitas, ídolo do Botafogo nos anos 40 e um dos maiores jogadores da história do futebol sul-americano. Fora de campo, conhecido pelo lado boêmio e mulherengo, teve uma vida de certa forma autodestrutiva, morrendo com apenas 39 anos, num hospício, em Barbacena (Minas Gerais), por consequência da Sífilis. 

A história começa com Heleno (Rodrigo Santoro) já no hospício observando vários recortes de jornal, rasgando-os e comendo-os (um hábito que adquiriu com a piora de seu estado mental, gradual em sua carreira) e tendo recordações da época de jogador, meio que em flashbacks, um estilo que seria usado por toda a película, que é filmada em preto e branco.

Tanto o lado mulherengo, quanto o lado explosivo, a doença e os vícios de Heleno são mostrados ainda no começo do filme, através de cenas com várias mulheres diferentes que ele leva para cama, brigas com amigos em um jogo de futebol na praia, as bebidas e o uso do Éter. A doença é mostrada em consulta ao médico do Botafogo, que ressalta que Heleno deveria se cuidar.

O diretor do filme, José Henrique Fonseca, com Rodrigo Santoro

Outra mostra do forte temperamento de Heleno é quando ele é o responsável pela perda do campeonato carioca, desperdiçando uma penalidade máxima contra o Fluminense. Além de brigar com boa parte do grupo, ele também quebra quase todo o vestiário, machucando feio as mãos devido à vários socos nas paredes. 

A força da relação dele com a Estrela Solitária era tão grande, que ele quase briga com o presidente, por vende-lo ao Boca Juniors, da Argentina, que pagou a maior cifra registrada para um clube brasileiro por um jogador, na época. Enquanto está em Buenos Aires, ele deixa seu melhor amigo Alberto cuidando de Silvia, sua namorada.

A passagem pelo Boca é rápida. Voltando ao Rio de Janeiro, acaba brigando com a namorada, ao descobrir que ela decidiu se casar com seu antigo melhor amigo. Para piorar as coisas, Carlito Rocha, presidente do Botafogo, decide não o aceitar de volta. Ele acaba indo ao Vasco, onde seria campeão carioca.

Cartaz do filme

Sua saída de São Januário acaba sendo problemática, ele ameaça o treinador com um revolver e é instantaneamente expulso do clube. O enredo volta a mostrar ele no hospício, por um pequeno período. Depois, a história faz outro flashback para Barranquilla em 1950, em sua passagem pelo Júnior.

Em 1953, pouco antes de encerrar a carreira, Heleno descobre que está gravemente doente, com a Sífilis tendo avançado bastante. Ele implora aos médicos pela última chance, para poder jogar no Maracanã. Mais uma vez, usando de sua linha de tempo misturada, o enredo volta a mostrar uma sequência dele já no hospício, misturada a memórias de quando ele pisou no Maracanã, pelo América, na forma de um sonho. A história se encerra com Heleno, nos seus dias finais, a caminho de bater um pênalti, misturado a uma narração de Rodrigo Santoro sobre a vida do jogador. 

No geral, a película usa de uma linha do tempo bagunçada para mostrar a história do auge e queda de Heleno de Freitas, como se todo o enredo fosse um flashback do próprio jogador em seus dias finais de vida. Um interessante resgate da história de um gigante do futebol que, à exemplo de outros, se perdeu fora de campo.

Elenco

Rodrigo Santoro – Heleno
Aline Morais – Silvia
Angie Cepeda – Ilma
Othon Bastos – Alberto
Marcel Adnet – Locutor da partida onde Heleno perde o pênalti.



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