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A estreia de Rogério Ceni como goleiro do São Paulo com pênalti defendido na Espanha

Com informações de A Gazeta Esportiva
Foto: arquivo

Rogério, no meio, em seu jogo de estreia como profissional

Rogério Ceni, o maior goleiro da história do São Paulo e hoje treinador do clube está completando 50 anos. Sua estreia como arqueiro do Tricolor no profissional foi em 25 de junho de 1993. Na ocasião, o time disputava um torneio amistoso de intertemporada na Espanha.

O goleiro foi parar no São Paulo após ter sido titular no título mato-grossense do Sinop, com apenas 17 anos, em 1990. Rogério, na base, por muito tempo, foi reserva de Alexandre, em quem o São Paulo apostava muito, mas morreu em um acidente automobilístico. Triste história, mas que acabou abrindo espaços para Ceni, que já em 1993 foi escolhido o melhor goleiro da Copa São Paulo de Juniores.

O primeiro jogo como profissional foi contra o Tenerife, válido pelo Troféu Santiago de Compostela. Zetti, titular à época, estava com a Seleção Brasileira e, portanto, surgiu uma oportunidade para Rogério Ceni estrear pelos profissionais. O Tricolor venceu os espanhóis por 4 a 1 e o goleiro foi um dos destaques do confronto, ao defender uma cobrança de pênalti.

Na final do torneio amistoso, disputada contra o River Plate, Ceni brilhou de novo. Dois dias após se primeiro jogo pelo Tricolor, o arqueiro defendeu mais uma cobrança, dessa vez nas penalidades alternadas após o empate por 2 a 2 no tempo normal, ajudando o time a conquistar a taça.


Os anos seguintes foram de paciência por parte de Ceni, que apenas assumiu a titularidade no São Paulo em 1997. Ao todo, o goleiro disputou 1237 partidas pelo time do Morumbi, com 131 gols marcados e diversos títulos importantes conquistados, como a Libertadores e o Mundial de 2005, além do tricampeonato Brasileiro entre 2006 e 2008.

Morre Nilo, lateral histórico do Coritiba e primeiro treinador de Rogério Ceni

Com informações da Agência Futebol Interior e Terceiro Tempo
Foto: arquivo

Nilo tinha 79 anos

Morreu nesta sexta-feira um dos maiores jogadores da história do Coritiba. É Nilo, de 79 anos e considerado o maior lateral esquerdo da história do clube paranaense, onde jogou entre 1968 e 1975 conquistando vários títulos. Nilo faleceu em razão de uma parada cardíaca.

Nilo Neves começou a carreira nas categorias de base do Sport Club Internacional e chegou até a defender a seleção brasileira em um amistoso contra o Coritiba, no Couto Pereira, no dia 13 de novembro de 1968. Na ocasião, o time brasileiro comandado pelo técnico Aymoré Moreira venceu a partida por 2 a 1 na capital paranaense.

O curioso é que depois do Internacional o lateral defendeu justamente o Coxa Branca. Ele foi um dos destaques da equipe do Coritiba que contava ainda com jogadores como o goleiro Jairo (defendeu o Corinthians e Náutico), os zagueiros Pescuma e Oberdan (jogou ainda pelo Santos), o meia-atacante Zé Roberto (também atuou no São Paulo e no Corinthians), o centroavante Tião Abatiá, o ponta-esquerda Aladim (ex-Corinthians e Bangu), entre outros.

No Coritiba, chegando a ser convocado para a Seleção Brasileira no final dos anos 1960.E m 1968, teve uma passagem por empréstimo no Atlético Paranaense e ainda vestiu rapidamente as camisas do São José-RS e Palmeiras-SC.


Lançou Rogério Ceni - Após encerrar a carreira, Nilo tentou ser treinador e, dirigindo o Sinop-MT, foi o treinador que lançou Rogério Ceni no futebol, escalando-o com 17 anos como titular da equipe do interior mato-grossense. Na função de treinador, trabalhou em equipes do Paraná e, principalmente, no Mato Grosso, além do Criciúma.

Há 25 anos Rogério Ceni começava sua vida de goleiro artilheiro

Foto: GazetaPress

Rogério Ceni no jogo em que marcou o seu primeiro gol

Neste mesmo dia, há 25 anos, Rogério Ceni começava sua grande história como goleiro artilheiro. No dia 15 de fevereiro de 1997, pela segunda rodada do Paulistão, o maior goleiro da história do São Paulo pediu para bater uma falta no finalzinho do primeiro tempo contra o União São João e a partir daquele momento a história começou a ser feita.

A partida estava valendo pela segunda rodada do Paulistão e Ceni assumiu a titularidade do gol tricolor fazia pouquíssimo tempo, mas Muricy Ramalho sempre deixou bem claro que o batedor de falta da equipe era o goleiro, desde quando assumiu o posto de camisa 1.

A confiança do treinador no goleiro foi fundamental para Rogério começar sua linda história. Antes daquele grande dia, o goleiro já havia tentado marcar seu primeiro gol em quatro partidas. A primeira tentativa foi contra o Fluminense, depois o Flamengo no jogo de ida e contra o Flamengo no jogo de volta, e quarta batida foi contra a Portuguesa Santista.

Depois das quatros tentativas, chegou o grande momento, após Adriano sofrer uma falta na entrada da grande área. Rogério Ceni se deslocou praticamente o campo inteiro para a cobrança da falta e mesmo com a desconfiança de seus companheiros e torcida, o goleiro não se intimidou e acertou um belo chute no canto do goleiro, abrindo o placar para o tricolor naquela partida.

Após aquele grande jogo em Araras, no interior de São Paulo, tudo mudou para Rogério, a confiança só aumentou e ele nunca mais saiu do posto de batedor de falta do tricolor Paulista. Ceni se tornou um dos grandes ídolos da história da São Paulo, conquistando títulos importantíssimos e fazendo gols históricos para ele e pro clube.


Rogério Ceni encerrou sua carreira em 2015, como o goleiro mais artilheiro do mundo, com 131 gols marcados com a camisa do Tricolor. O goleiro terminou sua carreira com mais gols que alguns atacantes e meia, isso mostra a qualidade do camisa 1 São Paulino.

Quando Rogério Ceni foi campeão mato-grossense pelo Sinop em 1990

Por Ricardo Pilotto
Foto: Arquivo

Foto do time campeão pelo Sinop. Rogério Ceni, de branco, em pé

Nascido em Pato Branco, cidade localizada na região Sudoeste do estado do Paraná, Rogério Mücke Ceni, popularmente conhecido apenas como Rogério Ceni, está completando 49 anos de idade neste domingo. Por isso, vamos relembrar o começo da carreira do goleiro no Sinop, clube que ele defendeu antes de começar a brilhar  e se tornou ídolo com a camisa número 1 do São Paulo.

Quando ainda era muito novo, ele começou a jogar futebol na sua cidade natal. Porém, em 1984, com 11 anos de idade, ele se mudou para Curitiba, capital paranaense, para morar com os seus irmãos. Por conta da crise madeireira que ocorreu no ano seguinte, ele foi para Sinop, município localizado no estado do Mato Grosso, junto com a sua família. Assim que chegou na região Centro-Oeste brasileira, seu clã já se sentia em casa. Afinal, a sigla que leva o nome da cidade significa Sindicato dos Imobiliários do Norte do Paraná.

Em Sinop, Rogério tinha três outros serviços, além de ter que estudar. Quando não estava se dedicando a escola, trabalhava como Office Boy (auxiliar de serviços gerais) no Banco do Brasil, jogava futebol no time de futebol do serviço e também vôlei na equipe que a cidade tinha.

Foi então, que o chefe de Ceni e goleiro do time, não foi para o jogo, e acabou sobrando para aquele que acabaria sendo um grande ídolo da torcida tricolor ir para o gol. Depois de conseguir jogar bem debaixo das três traves, ele chegou a fazer testes para o Sinop Futebol Clube em 89, mas acabou não sendo chamado para fazer para daquela equipe que debutaria o Campeonato Mato-Grossense.

Com seus 17 anos de idade, Ceni foi convidado para ser o terceiro goleiro do time profissional. Por conta dele ainda estar trabalhando no Banco do Brasil, o jovem teria de dividir seus horários também entre a dedicação para os seus estudos e aos treinos.

Seu primeiro jogo como titular aconteceu no Estádio Luis Geraldo da Silva, em um jogo diante do Cáceres. Substituindo o guarda redes principal Marília e o reserva imediato Valdir Braga, que estavam machucados, Rogério garantiu o empate em 1 a 1 com um pênalti defendido na etapa inicial. Após esta partida, Ceni tomou conta da camisa 1. Ele foi um dos grandes responsáveis pela conquista do título estadual, e automaticamente, fez com que o Sinop fosse a primeira equipe do interior a vencer a divisão principal do futebol do Mato Grosso.


Após ser campeão estadual, Rogério Ceni voltou a jogar pelo time da empresa e ao trabalho no Banco do Brasil, já que o Sinop havia encerrado as atividades no ano por não disputar mais nada no segundo semestre. Indicado por um dos diretores do Galo do Norte e intermediado pelo conselheiro 
José Acras, o goleiro foi para São Paulo com o objetivo de fazer um teste no Tricolor Paulista. A partir do momento que entrou no Centro de Treinamento da Barra Funda pela primeira vez no dia 7 de setembro de 1990, ele criou um vínculo muito grande com o time do Morumbi e se tornou um dos maiores goleiros da história do clube que comanda atualmente.

Os defensores com mais gols neste século no Paulistão

Foto: Rubens Chiri/SPFC

"Surpreendentemente", Rogério Ceni é o defensor com mais gols no Paulistão

Recentemente, no dia 27 de março, a torcida do São Paulo celebrou os 10 anos do centésimo gol do goleiro Rogério Ceni, ocorrido num clássico contra o Corinthians. Além de todos os recordes, Rogério lidera a estatística de defensores com mais gols no Campeonato Paulista de Futebol neste século, em um ranking que a FPF divulgou através das redes sociais na tarde deste domingo, dia 28.

Com 29 gols, Rogério lidera o ranking. O goleiro artilheiro ainda marcou mais nove antes de 2001, totalizando 38. A informação pode ser conferida aqui. O Paulistão é o segundo campeonato onde Ceni fez mais gols, ficando atrás do Brasileirão.

Atrás de Ceni aparece o zagueiro Chicão, ídolo da torcida do Corinthians. Além do Timão, pelo qual foi campeão paulista duas vezes, em 2009 e 2013, o zagueiro atuou ainda por Mogi Mirim, América de Rio Preto e pela Briosa, quando venderam caríssimo a derrota para o Palmeiras nas quartas do Paulistão de 2004.

O terceiro lugar fica com Andeson Salles, zagueiro revelado pelo Santos que passou ainda por Juventus, Bragantino, Ituano (onde ocorreram a maior parte de seus 17 gols), Grêmio Barueri e Novorizontino. Anderson foi campeão paulista pelo Galo de Itu em 2014, onde sua equipe inclusive ganhou o título em cima do Santos, clube que o revelou.


Fechando os primeiros cinco lugares temos o zagueiro Andrei, que tinha apelido de zagueiro artilheiro, com 14 gols e passagens por vários clubes paulistas e o lateral esquerdo Marcelo Cordeiro, marcado principalmente pelas suas passagens por Lusa e São Bento, com 13 gols.

Os valores revelados pelo "Expressinho" do São Paulo na Conmebol de 1994

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

O São Paulo campeão da Copa Conmebol de 1994

As categorias de base do São Paulo seguem rendendo ótimos frutos ao Tricolor Paulista, uma tradição que também vem de muitos anos. Em 1994, exatamente no dia 21 de dezembro, misturando jovens da base e outros jogadores contratados que ainda não tinham espaço no excelente time principal tricolor, o SPFC ganhou a Copa Conmebol com seu "expressinho", que revelou diversos ótimos jogadores para o futuro do clube e do futebol como um todo.

O expressinho funcionava de maneira semelhante aos times Bs ou Castillas que vemos na Europa. Garotos advindos da base, ainda em idade de categoria sub-20 e reservas mais experientes que não conseguiam espaço dentro do absurdo time de Telê Santana jogavam partidas de torneios onde o São Paulo optava por colocar equipes reservas para atuar. A diferença essencial é que não havia a disputa de torneios oficiais propriamente ditos pelos garotos, o que mudou com a equipe sendo jogada para atuar na Copa Conmebol.

Os reservas e os garotos são-paulinos conquistaram aquele campeonato com uma goleada por 6 a 1 pra cima do Peñarol no Morumbi na primeira partida e até perdendo por 3 a 0 em Montevidéu, porém sem riscos de uma virada. Antes de falar de bons jogadores, a primeira peça que tem de ser destacada no contexto do time é Muricy Ramalho. Ex-jogador que já havia passado pelo Morumbi quando profissional, Muricy naquela altura era o principal auxiliar de Telê e foi incumbido de comandar o "expressinho" na Conmebol, depois de vencer com os garotos o torneio de Croix, na França. 

O primeiro grande nome que aquela equipe trouxe ao Soberano foi um tal goleiro chamado Rogério Ceni. Numa época onde Zetti ainda era o dono das metas tricolores, Ceni foi um dos destaques da equipe. Aos poucos, começaria a ganhar espaço, assumindo definitivamente a titularidade em 1997. O resto, a partir daí, é história. A bonita história do maior ídolo da trajetória do São Paulo. 

Na linha defensiva, Pavão chegou a conseguir algum destaque na carreira na Áustria, mas não passou muito disso. Nelson não foi muito longe também, mas Bordon teve uma trajetória incrível na Alemanha, onde se tornou ídolo das torcidas de Schalke e Stuttgart, fazendo sucesso na Bundesliga e sendo até hoje bem lembrado. Ronaldo Luis era um dos reservas mais experientes e teve uma carreira de altos e baixos, porém viveu bons momentos no Tricolor, sendo inclusive parte da equipe bicampeã da Libertadores.

No meio, Mona acabou não conseguindo grande destaque, tendo apenas alguns momentos bons no próprio tricolor, Pereira também não ficou muito famoso, mas Denilson se tornou uma das grandes revelações do clube e teve uma carreira boa, sendo inclusive campeão da Copa do Mundo de 2002 com a Seleção Brasileira. No meio de campo, entre os reservas, figurava ainda um jovem Juninho, que vinha do Ituano e ainda pouco atuava, mas que depois ficaria famoso com o apelido de Juninho Paulista e também faria uma carreira espetacular, se tornando um dos maiores brasileiros a passar pelo futebol inglês, sendo ídolo do Middlesbrough e também fazendo parte da Seleção campeã do mundo em 2002.


No ataque, uma história trágica vem de Catê, que veio para o Morumbi trazido do Guarany de Cruz Alta e era um reserva de luxo no time, sendo um dos "experientes" naquele expressinho. Teve ainda boas passagens por Cruzeiro e Universidad Católica, mas foi mais um andarilho no futebol e acabou sendo vítima de um acidente automobilistico aos 38 anos em 2011. Toninho, outro integrante do trio ofensivo, também teve uma carreira de andarilho, sem conseguir explodir o potencial que mostrava. Já Caio Ribeiro se tornou uma das grandes revelações do São Paulo, porém não conseguiu grande sucesso na Europa, mesmo assim teve uma sólida carreira no futebol brasileiro. 

O Expressinho Tricolor foi aos poucos sendo desmantelado, principalmente depois da saída de Telê Santana do comando do clube. Hoje, o São Paulo não tem mais um time dedicado a seus jogadores reservas, mas segue colocando jogadores jovens na equipe titular, sendo uma das chaves para o sucesso do atual time, que luta e tem certa vantagem na busca pelo título do Campeonato Brasileiro de 2020.

O inusitado 1997 do goleiro Adinam

Por Lucas Paes

Adinam teve um ano inusitado em 1997

Completando 45 anos neste dia 3 de maio, o goleiro Adinam passou por diversos clubes do Brasil ao longo de sua carreira, tendo destaque principalmente na passagem pelo Avaí. No começo de carreira, o arqueiro, nascido no interior de São Paulo, começou a carreira no União São João e foi lá que viveu dois fatos bastante inusitados e um deles um dos maiores pesadelos de um goleiro.

O primeiro caso vem no dia 15 de fevereiro de 1997. Jogavam, em Araras, o União São João e o São Paulo, pelo Paulistão. Não era nenhuma surpresa que viesse um resultado negativo para a equipe do interior, já que o São Paulo entrava como óbvio favorito. Só que no gol do lado tricolor estava um ainda jovem Rogério Ceni que naquele dia começaria uma história que o colocaria entre os maiores da história do futebol.

Falta para o São Paulo no finalzinho do primeiro tempo e o ainda não muito famoso goleiro são-paulino vai para a bola. Rogério corre e bate, a barreira abre, desviando a bola e tornando o já complicado chute do guarda metas tricolor indefensável por Adinam. Foi o primeiro de muitos, o primeiro de 131 gols do "Mito", o gol que ficou na história e marcou ele como o primeiro goleiro a tomar gol de Ceni.  

O segundo fato pitoresco ocorre no dia 11 de setembro, pelo Campeonato Brasileiro. Esse no caso foi um pesadelo para Adinam e seria para qualquer goleiro: de um lado estava o União São João lutando na parte debaixo da tabela contra o Vasco, forte e casa de Edmundo, que jogava um futebol de nível absurdo em 1997, para alguns digno de ser melhor do mundo. Independente de qualquer coisa, naquele dia o goleiro foi o "antagonista", ou melhor, a vítima de um recorde que ainda não foi batido e que dificilmente será.


Logo no começo do duelo, em São Januário, o goleiro do União não se ajudou muito, levando aos 27 segundos um gol num chute de Edmundo que desviou no "morrinho artilheiro" e matou o arqueiro. O primeiro tempo teve só esse gol. No segundo tempo, a expulsão de Balu complicou as coisas. A partir dos 23, Edmundo marcou outras cinco vezes. Adinam ainda pegou um pênalti do Animal, evitando que fossem sete gols. Final de jogo: 6 a 0 e recorde de gols em uma mesma partida de Brasileirão.

Apesar desses terríveis fatos, Adinam conseguiu seguir carreira e passou por diversos clubes, sendo um goleiro competente. Em 2013, decide pendurar as luvas, após passar pelo Batatais. Além do Avaí, destacam-se em sua carreira nomes como América de Natal, Goiás, Lusa e Sport. Ficou apenas a marca em sua carreira, de um momento histórico e de um record que não foi batido.

Nove anos do gol 100 de Rogério Ceni

Por Letícia Denadai / FPF, sob supervisão de Luiz Minici/FPF
Foto: Rubens Chiri / São Paulo FC

Rogério Ceni marcou o 100ª gol contra o Corinthians, na Arena Barueri

27 de março de 2011: um domingo que poderia ser apenas mais uma data comum, mas que entrou para a história do futebol mundial. Há exatos nove anos, em um Majestoso pelo Paulista, Rogério Ceni marcava seu 100º gol . Ao todo, o goleiro ex-São Paulo anotou 131 gols em toda a sua carreira.

Ambas as equipes estavam muito bem no torneio - o Corinthians era líder, com 34 pontos, enquanto o São Paulo era o terceiro colocado, com 31. Além de tudo, a equipe alvinegra vinha de 11 jogos de invencibilidade sobre o rival. A partida, que terminou com triunfo Tricolor por 2 a 1, aconteceu na Arena Barueri. 

No início do confronto, o Corinthians dominou as ações, mas Dagoberto abriu o placar para o São Paulo aos 40 do primeiro tempo. Mas a tarde era para ser de Rogério Ceni. O goleiro, que já havia feito grandes defesas durante a partida, viu Ralf cometer falta em Fernandinho na entrada da área rival. Aos oito minutos da segunda etapa, o capitão atravessou o campo, ajeitou a bola e bateu no ângulo direito de Júlio César, marcando seu centésimo gol. Dentinho ainda descontou para o Corinthians, mas nada que impedisse a festa tricolor.

Na época, Rogério destacou, para a TV Globo, a importância da marca histórica -até hoje, nenhum outro goleiro alcançou o recorde. "Você conseguir 100 gols pelo mesmo time na carreira é, sem dúvida, motivo de orgulho. Para mim é motivo de orgulho", disse à época.

Paulistão: o início - Rogério Ceni levou 14 anos para completar os cem gols. O primeiro gol do ex-arqueiro aconteceu em 1997, no dia 15 de fevereiro, em uma partida contra o União São João, pelo Campeonato Paulista. O estadual é o segundo torneio que Ceni mais marcou na carreira, atrás apenas do Campeonato Brasileiro. Ao todo, foram 38 gols marcados, sendo 18 de falta e 20 de penâlti. Santos, Palmeiras e Mogi Mirim foram as maiores vítimas do ex-jogador, levando três gols cada.

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O goleiro também anotou contra Corinthians, Portuguesa Santista, Ituano, Linense, Guarani, Rio Branco, Paulista e Inter de Limeira, que levaram dois gols. São José, Santo André, União São João, Noroeste, Juventus, Ponte Preta, Rio Claro, XV de Piracicaba, Red Bull Brasil, São Bento, Portuguesa, América e Marília levaram um gol do ex-goleiro e agora técnico do Fortaleza. 

Ao todo, foram 37 jogos em que o ex-jogador balançou as redes -no confronto contra a Inter de Limeira, Rogério marcou duas vezes. Sempre que marcou, Ceni coleciona um retrospecto de 32 vitórias, três empates e apenas duas derrotas, com aproveitamento de 89%.

2º turno do Brasileirão tem início com verdadeira "dança das cadeiras"

Por Lula Terras

Oswaldo de Oliveira, Zé Ricardo, Cuca e Rogério Ceni saíram de seus clubes no meio da semana

A troca de treinadores, mesmo durante as principais competições, é uma prática comum no futebol brasileiro, geralmente sob o pretexto de almejar maiores ambições no restante da temporada. No início da semana passada, que coincidiu com o início do 2º Turno da Série A, as trocas aconteceram, só que de uma forma bem peculiar envolvendo quatro grandes equipes, que promoveram uma verdadeira dança das cadeiras, no curto período de 24 horas. 

Sem seguir uma ordem cronológica, por questões óbvias, ocorreram as seguintes mudanças. 

No São Paulo, Cuca se demitiu, depois de cinco meses, no comando do time, e foi substituído por Fernando Diniz, demitido pelo Fluminense, que por sua vez, fez uma proposta ao treinador Cuca, mas, sem um acerto, por enquanto. O Tricolor demitiu Oswaldo de Oliveira, que no empate contra o Santos, no Maracanã, bateu boca com Paulo Henrique Ganso.

No Fortaleza, Zé Ricardo que havia sido contratado para substituir Rogério, não aguentou mais do que oito jogos à frente da equipe, com uma campanha sofrível, com uma vitória, quatro derrotas e dois empates. Para seu lugar, Rogério Ceni está de volta, para retomar o bom trabalho que vinha fazendo, na agremiação cearense, onde foi campeão da Série B, em 2018, campeão cearense e da Copa do Nordeste, em 2019. 

E, por fim o Cruzeiro, onde a movimentação foi maior, com a demissão de Mano Menezes, em agosto passado, depois de três anos comandando o time e conquistou duas Copas do Brasil e o Bicampeonato Mineiro, em 2018 e 2019. Essas conquistas não foram levadas em conta, depois da derrota, por 1 a 0, em casa, para o Internacional Gaúcho, pela Semifinal da Copa do Brasil 2019. Ele acabou contratado pelo Palmeiras, para substituir Felipão, que ainda não fechou com nenhum clube. Mano foi trocado, no Cruzeiro, por Rogério Ceni que ficou no comando, apenas oito jogos, quando foi demitido, dando lugar a Abel Braga, que foi contratado no dia seguinte, pelo clube mineiro. 

Pronto, depois da tentativa de explicar esse emaranhado de informações, promovidas pelas equipes brasileiras só nos resta torcer, que outras não venham a acontecer, ao menos até o final da atual temporada, prevista para o mês de dezembro, quando todos entram em férias e começam os preparativos para a próxima temporada. Também fica uma grande torcida para que nossos dirigentes passem a trabalhar com mais profissionalismo e ética, e parem com essa triste tradição de jogar nas costas dos treinadores a responsabilidade dos fracassos de seus times.

Rogério Ceni na Seleção Brasileira

Por Victor de Andrade

Rogério Ceni fez 18 jogos com a camisa da Seleção Brasileira (foto: arquivo CBF)

Um dos maiores ídolos (se não o maior) da história do São Paulo Futebol Clube e, atualmente, treinador que faz um belo trabalho no Fortaleza, o ex-goleiro Rogério Ceni está completando 46 anos neste 22 de janeiro de 2019. Com uma belíssima carreira e sendo o arqueiro que mais marcou gols no futebol, ele em uma história não tão completa com a camisa da Seleção Brasileira: declarações polêmicas, concorrência forte e títulos resumem a sua história no time canarinho.

Apesar de muitos já enxergarem muito talento no goleiro que iniciou a carreira no Sinop, com 17 anos, Rogério Ceni demorou para virar titular no São Paulo, pois a vaga era de Zetti. Porém, antes mesmo de virar o dono da camisa 1 (que depois virou 01) do Tricolor, ele já teria a primeira história com a amarelinha. O goleiro ficou na famosa lista de espera dos convocados para o torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. Os dois jogadores da posição que estiveram para a competição foram Dida e Darnlei.

Com a ida de Zetti ao Santos, Rogério virou titular absoluto do São Paulo e passou a ser convocado para a Seleção. Zagallo, no fim de 1997, o chamou para a Copa das Confederações, realizada na Arábia Saudita, quando fez o primeiro jogo, contra o México, em 16 de dezembro, entrando no lugar de Dida. O Brasil venceu a partida por 3 a 2 e conquistou o torneio, o primeiro título de Ceni com a "amarelinha".

A partida contra o Barcelona, que mudou os rumos de Rogério Ceni na Seleção

Apesar de não ter sido convocado para a Copa do Mundo de 1998, Rogério Ceni passou a ser presença constante na Seleção Brasileira no novo ciclo, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, no início, inclusive fazendo cinco jogos seguidos como titular. Porém, em 1999 aconteceu o fato que o deixaria marcado negativamente com a "amarelinha", mas ele teve outras chances pelo time canarinho.

Em 28 de abril daquele ano, a Seleção Brasileira enfrentava o Barcelona, no Camp Nou, em amistoso comemorativo referente ao centenário da agremiação catalã. O jogo foi muito bom e terminou empatado em 2 a 2. A questão é que Rogério Ceni falhou nos gols do time da casa e depois do jogo, em entrevista, não reconheceu a falha e ainda disse que aquela teria sido "uma das melhores atuações de um goleiro na Seleção Brasileira". A atitude arrogante, mais do que as falhas, fez com que Vanderlei Luxemburgo o tirasse da condição de titular.

Ajeitando a bola para cobrar a única falta pela Seleção

Rogério Ceni continuou tendo suas chances na Seleção, mas a relação nunca mais foi tão firme. Quando Emerson Leão assumiu como técnico, voltou a dar chance ao goleiro, inclusive o autorizou a cobrar faltas, algo que os treinadores anteriores nunca permitiram. Porém, a única vez que ele cobrou uma falta com a camisa canarinho foi em uma partida contra a Colômbia, no Morumbi, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, em 15 de novembro de 2000. Aliás, foi com Leão que ele teve outra seqüência de cinco jogos como titular da "amarelinha".

Por causa do calendário, Rogério Ceni não foi para a Copa das Confederações de 2001, onde Emerson Leão caiu. O novo treinador, Felipão, deu a titularidade a Marcos e Dida passou a ser o reserva imediato. Ceni ficou ameaçado de perder até o terceiro posto, mas no fim ele foi convocado para a Copa do Mundo de 2002 e mesmo sem jogar, foi campeão.

Campeão do mundo em 2002

No novo ciclo, com Carlos Alberto Parreira como treinador, Rogério Ceni passou a ter menos chances. O técnico deixava claro que seus preferidos eram Dida, que virou titular, Marcos, até pelo respeito à titularidade no Mundial anterior, e Júlio César, que surgia bem no Flamengo e faria sucesso na Itália em seguida. Nesse período, o próprio Rogério Ceni já admitia ter perdido as esperanças de voltar à Seleção.

Só que nas proximidades da Copa do Mundo de 2006, Marcos não estava em um bom momento, tendo diversas lesões e jogando mal quando atuava pelo Palmeiras. Eis que na lista final para o Mundial, Rogério Ceni acaba sendo convocado e foi como o reserva imediato de Dida, então titular absoluto e vivendo uma ótima fase no Milan. Mas no terceiro jogo do Brasil na Copa, contra o Japão, em 22 de junho, Parreira resolveu homenagear o goleiro são-paulino e o colocou no lugar de Dida no decorrer da partida.

Foi uma atitude honrada do então técnico da Seleção Brasileira, que após o jogo admitiu que fez aquilo como uma homenagem. "Um atleta com a carreira e importância de Rogério Ceni deveria ter, ao menos, alguns minutos em campo em uma Copa do Mundo", disse Parreira. Aquele foi o último  dos 18 jogos do goleiro com a camisa da Seleção.

Campanha do Fortaleza garante a volta por cima de Rogério Ceni como treinador

Por Lula Terras
Foto: divulgação Fortaleza EC

Campanha sob o comando de Rogério Ceni deu o acesso ao Fortaleza

A temporada de 2018 do futebol brasileiro está chegando ao fim e, com ela, algumas situações que merecem ser analisadas, sem paixão clubística, mas de reconhecimento quando o trabalho é bem feito. Neste caso o destaque é a volta por cima do Fortaleza, que está de volta para a série A, depois de 12 anos de ausência, e também de seu treinador, Rogério Ceni, que assumiu o time após ser demitido do cargo de treinador do São Paulo, depois de se consagrar como um dos maiores ídolos do clube e ganhar a fama de goleiro artilheiro, por sua extrema habilidade nas bolas paradas. Nos 25 anos de carreira, Ceni anotou 131 gols, sendo 69, na cobrança de falta e 62, de pênalti. 

O início da carreira como treinador não pode ser considerada como das melhores, dado o auto desafio que foi imposto por ele mesmo, ao aceitar o convite para comandar o São Paulo. Desde quando assumiu no São Paulo, em novembro de 2016 (com partidas só no início de 2017) até sua demissão, em 3 de julho de 2017, foram cerca de seis meses de trabalho, com 37 jogos realizados, dos quais, 14 vitórias, 13 empates e 10 derrotas, com aproveitamento de pouco mais que 50% dos pontos conquistados, que foram insuficientes para as pretensões da diretoria do tricolor paulista, que montou sua equipe para a conquista de títulos. 

Determinado como sempre foi em sua carreira, em novembro de 2017, Rogério Ceni acabou aceitando outro desafio e foi dirigir o Fortaleza, que disputa com o Ceará a primazia do futebol cearense. No início, as coisas não caminharam bem, até a perda do título estadual para o principal rival. Na oportunidade, Ceni chegou a ouvir gritos da torcida o chamando de burro. 

Felizmente para ele e para o clube, a diretoria do Leão do Pici resolver bancar a continuidade do trabalho e o resultado da aposta chegou neste último final de semana, com a vitória por 2 a 1, contra o Atlético/GO, fora de casa, pela 34ª Rodada. O resultado garantiu uma diferença de 12 pontos sobre o 5° colocado, o Vila Nova, também de Goiás, que, até a última rodada poderá alcançar o Fortaleza, em pontos, mas perde no número de vitórias, uma vez que os cearenses somam 19 vitórias, contra 13 dos goianos, daí a garantia de terminar a competição entre os quatros primeiros colocados e com vaga garantida para a Série A, em 2019. Parabéns, ao Fortaleza pelo retorno e ao Rogério Ceni, que se firma como um grande treinador de futebol, que passará a lutar agora, pelo título de campeão da Série B, para terminar com chave de ouro a temporada 2018.

Rogério Ceni batendo o recorde de gols de goleiro em 2006

Com informações do site oficial do São Paulo FC

Rogério marcando o 62º gol na carreira e batendo o recorde de goleiro artilheiro
(foto: Daniel de Cerqueira/O Tempo/FolhaPress)

Em 20 de agosto de 2006, o torcedor do São Paulo FC teve um grande motivo para comemorar. Porém, não foi uma conquista da equipe e sim individual de um de seus maiores ídolos. Naquele dia, enfrentando o Cruzeiro no Mineirão, Rogério Ceni marcava o seu 62º tento da carreira, tornando-se o maior goleiro artilheiro da história do futebol. A marca ele aumentou durante a carreira, passou dos 100 gols e mantém o recorde até hoje.

Aquela partida tinha tudo para não ser guardada na memória do torcedor tricolor. Apesar de estar liderando o Brasileirão naquele momento (a partida contra a Raposa seria pela 18ª rodada), o Tricolor, na partida anterior, não havia sido muito feliz e tinha perdido a oportunidade de ter conquistado o quarto título da Libertadores de sua história, deixando escapar a taça na final, para o Internacional.

Os são-paulinos poderiam estar abatidos, mas em verdade controlaram os cruzeirenses em quase todo o primeiro tempo do jogo. Mesmo assim, o placar dizia outra coisa sobre a partida: logo no começo, aos oito minutos, o zagueiro tricolor Alex Silva marcou contra, colocando os mineiros em vantagem.

O Tricolor seguiu na pressão e, em um contra-ataque, viu Michel, aos 34 minutos da etapa inicial, ampliar o marcador para o Cruzeiro em um lance que Ceni quase salvou. Para piorar, quatro minutos depois, pênalti para o time azul, cometido por Edcarlos. O São Paulo ameaçava desabar no Mineirão.

Caso a perda da Libertadores da América continuasse a pesar, o desempenho dos são-paulinos no segundo turno do Brasileirão poderia ser comprometido. Na realidade, tudo o que veio depois, até 2008, esteve ameaçado.

Rogério Ceni recebendo o certificado do Guinness Book
(foto: Rubens Chiri/SãoPauloFC.net)

Sem saber de nada disso, claro, Rogério Ceni reavivou o ânimo dos tricolores no jogo e viu a própria estrela voltar a brilhar ao defender o pênalti, cobrado forte e no canto direito do goleiro por Wágner, aos 39 minutos.

Mas a situação do Tricolor continuava comprometedora. Era preciso mais. Muito mais. E Rogério Ceni disso sabia. Aos 43 minutos do jogo em Belo Horizonte, uma oportunidade surgiu. Falta perigosa a favor dos são-paulinos. Um pouco mais longe da área do que o de costume, mas o capitão tricolor logo correu, se prontificando a cobrá-la. E o fez com maestria!

O então camisa 1 do São Paulo rolou a bola para Souza, que a aparou e a deixou pronta para que o goleiro acertasse o chute com o pé direito no canto esquerdo baixo de Fábio, do Cruzeiro. Foi o único gol dele, em toda a carreira, executado com a bola em jogo, rolando.

Mais do que isso: na contagem do Guinness World Records – entidade notoriamente conhecida por homologar recordes mundiais –, com esse gol, Rogério Ceni acabava de se tornar o maior goleiro artilheiro do mundo em todos os tempos! Superando o paraguaio Chilavert, que tinha no currículo 62 gols anotados. De lá para cá, Rogério Ceni marcou muitos outros gols e conquistou muitos outros recordes. 131 gols marcados em 1237 jogos pelo Tricolor ao longo de mais de 25 anos de casa. Uma lenda.

Porém, o São Paulo, naquele final de tarde do dia 20 de agosto de 2006, continuava perdendo o jogo para o Cruzeiro – a liderança do campeonato estava ameaçada. E Rogério Ceni seguia salvando o time: aos 44 minutos executou uma defesa espetacular em cabeceio de Luisão.

O Guinness Book confirmou o recorde, já atualizando
os números no dia da entrega do certificado

Abençoado, Rogério Ceni teve a chance de empatar o confronto aos 16 minutos do segundo tempo, depois que Aloísio sofreu pênalti. Não desperdiçou. O goleiro foi lá e cobrou com categoria, marcando para o Tricolor: 2 a 2! Uma partida verdadeiramente homérica do capitão são-paulino!

O Tricolor, assim, manteve a liderança do Brasileirão e veio a conquistar, pouco depois, o primeiro turno (e também o segundo). Este jogo, contra o Cruzeiro, em que Rogério Ceni se tornou recordista mundial pela primeira vez, marcou também a arrancada inesquecível do São Paulo para um feito perpétuo: o clube se tornou, a partir disso, hexacampeão brasileiro e o único tricampeão consecutivamente, em 2006, 2007 e 2008!

O primeiro jogo de Rogério Ceni pelo São Paulo FC

Rogério Ceni, ao centro, antes de estrear pelo São Paulo, em Santiago de Compostela

Em 25 de junho de 1993 começava a era Rogério Ceni no São Paulo FC, em uma excursão à Espanha. Curiosamente, a primeira partida do arqueiro são-paulino marcou também o fim de outra grande fase: Poucos dias antes, Raí despediu-se pela primeira vez do Tricolor, quando partiu rumo à Paris, após golear o Santos por 6 a 1. Quis o destino que o primeiro jogo do clube após o "até logo" do camisa 10 fosse justamente a estreia do camisa 01.

Rogério Ceni estreou muito longe do Morumbi. Na inter-temporada de 1993, o time foi à Europa disputar um torneio amistoso chamado Troféu Santiago de Compostela. Lá, na famosa cidade integrante dos "Caminhos Sagrados de Santiago", a jornada santa do atleta teve início. O primeiro jogo foi contra o modesto Tenerife. Com ele, também estrearam o atacante Guilherme e o meio-campista Juninho - O primeiro marcou quatro gols na partida!

O time da estreia de Rogério Ceni

"Na época, o Zetti estava na Seleção Brasileira e surgiu a oportunidade de estrear. Quando viajei para a disputa do torneio, eu esperava ficar no banco, mas na preleção fui informado que iria para o jogo. Fiquei muito contente e ansioso, porque tinha apenas 20 anos de idade e iria defender o São Paulo pela primeira vez", relembrou Rogério Ceni ao site oficial do São Paulo.

E começou da melhor maneira possível: um pênalti defendido logo na estreia e outro na partida que valeu o primeiro título profissional da carreira do ídolo. Prêmio ainda maior foi ser reverenciado, de joelhos, pelo vitorioso Toninho Cerezo, que atribuiu aquela conquista ao novato.

"Quando defendi o pênalti contra o Tenerife ganhei mais confiança e daí em diante fui me firmando. Na final contra o River, consegui pegar mais um pênalti e fomos campeões. Estrear, pegar duas cobranças seguidas e ganhar um torneio internacional foi muito importante para mim", disse Ceni. Foram as duas primeiras, de 51 cobranças de pênaltis defendidas em toda a carreira do goleiro.

O São Paulo conquistou o Torneio Santiago de Compostela

Após esses primeiros passos, Rogério Ceni ficou ainda por mais três anos no banco de reservas do Tricolor. Em 1997, assumiu a titularidade da posição. No mesmo ano, marcou o primeiro gol da carreira. E não somente: mais de mil jogos (1237), mais de uma centena de gols (131) e 12 títulos conquistados dentro de campo, além de vários recordes mundiais e uma única certeza: a de ter marcado o próprio nome na história do São Paulo Futebol Clube e do futebol mundial.

Vale ressaltar que este não foi o primeiro jogo profissional do goleiro. Rogério Ceni, com apenas 17 anos, foi titular do Sinop no título mato-grossense de 1990. Aliás, foram as atuações do goleiro no estadual que chamaram a atenção do São Paulo, que foi buscar o atleta e o trouxe para o Morumbi.

Rogério Ceni e o capitão Ronaldão com a taça

Ficha Técnica
SÃO PAULO 4 X 1 TENERIFE

Data: 25 de junho de 1993
Local: Estádio Municipal San Lázaro - Santiago de Compostela - Espanha
Público: 2 mil pessoas
Árbitro: Puentes Leira de Ferrol (Espanha)

Gols
São Paulo FC: Guilherme (4) 

São Paulo FC: Rogério Ceni; Vítor, Lula, Ronaldão (Gilmar) e Ronaldo Luís (Marcos Adriano); Pintado, Dinho, Toninho Cerezo (Juninho) e Gustavo Matosas; Douglas (Jamelli) e Guilherme - Técnico: Márcio Araújo.

Tenerife: Agustín; Llorente, Toño, Matta (Toni) e Berges; César Gómez/capitão, Chano, Felipe e Quique Estibaranz; Castillo e Dertycia - Técnico: Jorge Valdano.

O primeiro gol de Rogério Ceni como profissional

Com informações do site oficial do São Paulo FC

Está completando 21 anos do primeiro gol de Rogério Ceni, que foi marcado em Araras

Por conta da incrível trajetória como goleiro, Rogério Ceni gravou o próprio nome na eternidade com inúmeros recordes e conquistas, coletivas ou pessoais. E uma delas, certamente a mais peculiar para um atleta desta posição no esporte, é o símbolo da carreira dele: 131 gols marcados. Estes gols tiveram início há exatos 21 anos, quando o goleiro executou uma cobrança de falta que mandou a bola ao fundo das redes de Adinam.

Naquela tarde de sábado, 15 de fevereiro de 1997, quando o relógio marcava 16h44 em Araras – interior de São Paulo – o volante Ricardo Lima, do União São João, cometeu falta em cima de Adriano, perto da grande área do time local e, por essa infração, o adversário recebeu o cartão amarelo. Para a cobrança, apresentou-se Rogério Ceni, que se deslocou da própria meta para a do rival correndo. Ele, então recém promovido ao posto de principal goleiro são-paulino, não se intimidou com o inusitado do fato e nem os olhares atravessados.

O jogo, realizado no Estádio Hermínio Ometto e válido pela segunda rodada do Campeonato Paulista, estava 0 a 0 e perto de ter a primeira etapa encerrada. Com 45 minutos de bola em jogo, Rogério Ceni tinha, aos pés, a chance de pôr o Tricolor à frente do placar. Mas não era somente isso que estava em questão àquela altura.

Ele já vinha treinando e ganhando a confiança de Muricy
(reprodução: O Estado de São Paulo)

Rogério Ceni foi escolhido por Muricy Ramalho como o cobrador de faltas oficial do time logo no primeiro dia de titular absoluto no gol do Tricolor – um jogo amistoso contra o Colo-Colo, no Chile, em 3 de dezembro de 1996 (ocasião em que o treinador espantou a todos com essa postura, mas que, curiosamente, não teve nenhuma falta perto da área para que o goleiro pudesse cobrar).

Apesar de treinar exaustivamente essa jogada desde 1995 e tendo executado até então mais de 15 mil tentativas no CT da Barra Funda, Rogério talvez não permanecesse nessa posição caso errasse aquela cobrança. Adriano, o camisa 10 do Tricolor que sofrera justamente a falta onde esta história começou, era forte candidato a assumir o posto.

Coluna de Mauro Beting no hoje extinto Folha da Tarde

Isso, pois, o goleiro já havia batido quatro faltas em jogos oficiais naquele início de temporada de 1997, não sendo bem-sucedido em nenhuma delas. Já Adriano, "o concorrente", havia marcado dois gols de falta nesse período (contra Fluminense e Flamengo). Muricy bancava o sonho de Rogério Ceni - afinal, era ele quem mais se dedicava ao assunto – mas a paciência da torcida com o que muitos chamavam de "brincadeira" acabaria?

A quinta tentativa definiu o futuro de Rogério Ceni, do Tricolor e dos tricolores por todo o mundo. O goleiro ajustou o posicionamento dos companheiros na barreira e partiu para a cobrança e o o grito de gol, que estava entalado na garganta, veio à tona! 

A comemoração que se seguiu foi uma mistura de êxtase e incredulidade. Sim! Um goleiro, um goleiro novato, havia acabado de marcar um gol com a camisa são-paulina! E que golaço! O arqueiro oponente Adinam ainda chegou a tocar na bola, mas não teve como impedir o destino.

Veja como foi o primeiro gol de Rogério Ceni

Ficha Técnica
UNIÃO SÃO JOÃO 0 X 2 SÃO PAULO FC

Data: 15 de fevereiro de 1997
Local: Estádio Doutor Hermínio Ometto - Araras-SP
Público: 5.174 pagantes
Renda: R$ 51.395,00 
Árbitro: Wilson Souza de Mendonça 

Gols
São Paulo FC: Rogério Ceni (falta), aos 45' do primeiro tempo; Serginho (pênalti), aos 8' da etapa complementar

União São João: Adnan; Chiquinho, Maciel, Julio César e Ivonaldo; Lico, Ricardo Lima, Reinaldo (Valdo) e Paulo César/capitão; Sairo (Léo) e Odair (Pedrinho) - Técnico: Lula Pereira

São Paulo FC: Rogério Ceni; Cláudio (Alberto), Rogério Pinheiro, Bordon e Serginho; Nem, Axel, Marques e Adriano (Uéslei); Denílson e Dodô (Catê) - Técnico: Muricy Ramalho

Um recado ao ex-técnico e agora comentarista Emerson Leão

Por João Paulo Barreto*

Leão durante entrevista com Rogério Ceni: desconhecimento sobre o Fortaleza

Não gosto dessa mania de quem é do Nordeste se ofender por algumas coisas que o pessoal do sul e sudeste fala da região e do nordestino. Algumas coisas – ser insultado após o resultado de eleição presidencial – precisam de resposta sem se vitimizar. 

Seu Emerson Leão, ao fazer uma pergunta a Rogério Ceni, foi uma de ignorância chocante e um preconceito repugnante. Leão, mostrando toda sua falta de conhecimento em relação ao novo clube de Ceni, disse que o Fortaleza Esporte Clube é “clube pequeno, de cidade sem público e time de empresário”. Numa tacada só, ele ofendeu o clube e cidade de Fortaleza. 

Leão não tem motivo para conhecer a história quase centenária do Fortaleza (clube completa 100 anos em outubro), desde que não se aventure a comentar futebol na TV, e ainda mais em TV que transmite campeonatos da região.

Vamos dar uma aulinha ao ex-técnico e agora comentarista Emerson Leão, que começou a carreira de técnico (veja só...) em Recife/PE, no... Nordeste. Mais precisamente no Sport Club Recife ao encerrar a carreira de jogador (goleiro e vitorioso assim como Rogério Ceni) em 1987.

A história do Fortaleza (outra coincidência: Leão é mascote do clube) começou em 1918. Sua história é repleta de títulos. Só do estadual do Ceará é o segundo maior campeão, com 41 taças. Na década de 1960 conseguiu chegar a duas finais da Taça Brasil – Campeonato Brasileiro à época -, além de dois vices da Série B e 1 Copa do Norte-Nordeste (1970).

Em relação a público, o Fortaleza conseguiu a segunda maior média de público no Campeonato Brasileiro da Série A de 2005, perdeu apenas para ninguém menos que o poderoso e campeão naquele ano, o Corinthians. Naquele mesmo campeonato de 2005, o Fortaleza goleou grandes clubes do futebol brasileiro e terminou com sua melhor colocação na 1ª divisão. E a cidade de Fortaleza é a 5ª capital do Brasil. 

O Fortaleza não é “clube de empresário” igual esses que são criados apenas para vender jogador. É melhor se informar melhor, Emerson Leão. O Fortaleza tem um ativo e o principal é a sua enorme e apaixonada torcida. E tem um patrimônio físico de fazer inveja a muito clube que se diz “grande” no eixo. 

Qual o clube coloca 63.254 pessoas, com uma renda de R$ 1.981.117,00, para um jogo de Série C – contra o Macaé, 2014? Pouquíssimos e a maioria do Nordeste, como o Santa Cruz fez na Série D. Respeite o futebol que te deu a primeira oportunidade para virar treinador, Leão, e se informe mais e melhor para não passar vexame na TV.

* João Paulo Barreto é editor do blog Brasil Decide

20 anos do primeiro gol de Rogério Ceni no Brasileirão

Este foi o segundo gol da carreira do goleiro, que é um dos grandes ídolos do Tricolor

Há 20 anos, no dia 13 de setembro de 1997, o goleiro Rogério Ceni marcava pela primeira vez em Campeonato Brasileiro, e o segundo em sua carreira. O primeiro tinha sido marcado de falta no dia 15 de fevereiro de 1997, contra o União São João, pelo Campeonato Paulista.

Nesta data, São Paulo e Botafogo-RJ empataram em 2 a 2 no Morumbi, pela primeira fase do Campeonato Brasileiro de 1997, e o goleiro marcou o primeiro gol da partida aos quatro minutos do primeiro tempo em cobrança de falta. O são-paulino Dodô marcou o outro tento, enquanto Bentinho e Reinaldo fizeram para os visitantes.

Ceni, que atuou pelo clube durante 25 anos como profissional, detém a marca de 1.237 partidas pelo Tricolor e 131 gols marcados no critério nacional. Destes, 61 foram marcados de falta, 69 em penalidades e um de bola rolando, estando assim no Guiness Book, ou Livro dos Recordes, como o maior goleiro-artilheiro da história do futebol.

O ano em que mais balançou as redes foi em 2005, quando fez 21 gols e conquistou com o São Paulo o Campeonato Paulista, a Copa Libertadores e o Mundial Interclubes, e também foi artilheiro da equipe também em 2006, com 16 gols marcados. Além disso, Ceni também é o jogador que mais vezes foi capitão de um time, por 978 vezes, e é o maior vencedor da história do time paulista, com 18 títulos oficiais conquistados.

Confira como foi o gol de falta

Ficha Técnica
SÃO PAULO FC 2 X 2 BOTAFOGO

Data: 13 de setembro de 2017
Local: Morumbi - São Paulo-SP
Competição: Campeonato Brasileiro

Gols
São Paulo FC: Rogério Ceni, aos 4', e Dodô, aos 40' do primeiro tempo
Botafogo: Bentinho, aos 34' do primeiro tempo, e Reinaldo, aos 47' do segundo tempo

São Paulo FC: Rogério Ceni; Rogério Pinheiro, Bordon, Edmílson e Cláudio; Denilson, Reinaldo (Alexandre), Belletti e Sidnei; Aristizábal e Dodô - Técnico: Darío Pereyra.

Botafogo: Wagner; Gonçalves, Jorge Luiz, Wilson Goiano (Aílton Ferraz), Jefferson; Alemão, França (Róbson) e Marcelinho Paulista; Bentinho, Zé Carlos e Reinaldo - Técnico: Sebastião Rocha.

Não foi uma festa de despedida, foi uma prova de amor

* por Douglas Teixeira

Foi a despedida do mito são-paulino

Como qualquer relação, a que se dá entre torcedor e clube de futebol é feita de altos e baixos. Por isso, é preciso que a paixão esteja sempre viva para que a relação seja sólida. O amor por um clube pode surgir por hereditariedade, por encantamento ou por identificação. Mas ele se consolida de fato quando o torcedor vê em campo jogadores que dignificam o nome de seu clube, que não medem esforços para vencer e que deixam a alma em campo.

Foi em 1992, quando vi pela primeira vez o São Paulo de Telê Santana jogar, que me encantei. Não demorou para o encantamento virar paixão. E a identificação veio quando percebi que aquele era um clube diferente. Era um clube de vanguarda, audacioso e ambicioso. Além de vencer seus principais rivais, ele queria alçar voos mais altos, enfrentar os adversários mais fortes e ser reconhecido mundialmente.

Assim meu coração se tornou tricolor. Vendo Telê Santana, Zetti, Ronaldão, Ronaldo Luiz, Gilmar, Victor, Cafu, Pintado, Dinho, Doriva, Toninho Cerezo, Raí, Leonardo, Juninho, Muller, Palhinha e tantos outros. Um esquadrão que, merecidamente, conquistou a América e o mundo por duas vezes consecutivas.

A partida realizou o sonho dos tricolores

Os anos foram passando, o São Paulo venceu campeonatos estaduais, interestadual e também viveu um período sem títulos, mas sempre se manteve como um clube de ponta, desportivamente e administrativamente. Era respeitado em qualquer lugar do mundo e honrava sua história dentro de campo, ao passo que via surgir aquele que viria a se tornar o seu maior ídolo: Rogério Ceni. Goleiro de técnica apurada, à frente de seu tempo, que conquistaria vários títulos e que viria a quebrar inúmeros recordes. Dentre eles, o de maior goleiro artilheiro da história do futebol mundial. Um autêntico são-paulino, dentro e fora de campo.

Em 2005, o tricolor tornou-se o primeiro clube brasileiro a erguer a Libertadores da América pela terceira vez e chegar ao topo do mundo também pela terceira vez. Rogério Ceni, Lugano, Junior, Cicinho, Mineiro, Josué, Danilo, Souza, Luizão, Amoroso, Aloisio e outros tantos faziam parte de um time que não era como o esquadrão de Telê Santana, mas tinha força e alma. Aquela equipe ilustrava bem o que era “jogar com o coração na ponta da chuteira”. Isso era suficiente para manter viva a paixão de qualquer torcedor, independente de títulos.

Em cada gol, um efeito especial

O São Paulo ainda conquistaria três campeonatos brasileiros consecutivos em 2006, 2007 e 2008 e alguns novos ídolos surgiriam naquele período. O principal deles, sem dúvida, foi Muricy Ramalho. O antigo assistente de Telê Santana e ex-jogador do clube voltou ao Morumbi após quase dez anos para levar o clube ao hexacampeonato brasileiro. Sua postura à frente do time é capaz de manter viva a paixão de qualquer torcedor.

Nos últimos três anos, apesar do crescimento patrimonial e alguns frutos colhidos de seu futebol de base, o São Paulo conviveu com crises dentro e fora de campo. Algo inimaginável para um clube que sempre foi exemplo. Os rivais cresceram, se reinventaram, e o tricolor, como sabiamente disse Rogério Ceni, parou no tempo.

Zetti cobrando pênalti

Desde 2012, depois da final patética da Copa Sul-Americana, o que se vê no São Paulo são jogadores sem identificação com o clube, que não têm respeito pela camisa que vestem e nenhuma ambição. Além disso, as goleadas sofridas para rivais, as brigas entre dirigentes, os escândalos de corrupção envolvendo o presidente e as trocas constantes de técnicos abalaram a relação clube-torcida. E o que mais agrava a situação é o fato de o torcedor comum quase nada poder fazer diante disso. Sem direito de participar da vida política do clube, que tem um sistema arcaico e nada democrático, ele se vê cada vez menos envolvido.

Mas a mística do clube é tão grande que, mesmo diante da crise institucionalizada, ainda há motivos para manter viva a paixão. A reunião de dezenas de mitos da história tricolor, na despedida do grande mito Rogério Ceni, foi a maior prova de amor que o São Paulo Futebol Clube poderia oferecer a seu torcedor em anos de relação estremecida.

Comemoração do gol de pênalti do Zetti

A torcida que viu, dentre outros momentos emocionantes, Zetti marcar um gol de pênalti e Raí repetir, num quase gol, a cobrança de falta que originou o tento contra o Barcelona em 1992, retribuiu com uma festa à altura. Tremulou bandeiras, acendeu sinalizadores, entoou cantos de reverência ao clube e a seus ídolos. Foi uma festa impossível de ser repetida em jogos oficiais realizados em todo o Estado de São Paulo. Infelizmente!

Assim eu resumo o que aconteceu na noite do último dia 11 de dezembro. Seria impossível descrever fielmente a série de sentimentos que a festa de despedida de Rogério Ceni provocou. Ver em campo as duas equipes que colocaram o São Paulo no topo do mundo por três vezes certamente fez o coração de todo são-paulino bater mais forte. Eu estive lá. Aquela foi minha Copa do Mundo. Depois de muito tempo, me vi representado.

A torcida abrilhantou ainda mais o espetáculo

Gritar os nomes de Raí, Zetti, Cafu, Rogério Ceni, Pintado, Dinho, Telê Santana, Muricy Ramalho, Lugano e até de Doriva, merecidamente lembrado durante a partida festiva, foi suficiente para que, por uma noite, todos os tricolores recordassem o passado não tão distante e esquecessem as mazelas vividas nos últimos anos.

São-paulino, nos momentos difíceis, lembre-se do que aconteceu na noite do dia 11 de dezembro de 2015. Aquela festa foi uma prova de amor a você. Ao rememorar aquele momento, certamente, você se apaixonará um pouco mais por este gigante chamado São Paulo Futebol Clube.

Todos jogadores agradeceram a presença dos torcedores

* Douglas de Araujo Teixeira é jornalista, professor e dono de um coração luso-tricolor. Um coração que bate pelo São Paulo Futebol Clube e pela Associação Atlética Portuguesa, a Portuguesa Santista.

Rogério Ceni, obrigado por ter me feito te odiar

* por Lucas Paes

Rogério Ceni é considerado mito pelos sãopaulinos

Aqui no Brasil é estranho, quase raro, você ter admiração por um ídolo de um rival, talvez algum respeito, em geral ódio, mas admiração, idolatria? Algo raro, pois vivemos o futebol muito fortemente. Porém, há casos que extrapolam rivalidades, como o ex-goleiro Marcos. Infelizmente, o “cara” que vou citar aqui não é um desses.

Sou torcedor santista e isso é um detalhe importante neste texto, pois vou falar de um dos jogadores mais odiados por muitos santistas, corintianos e palmeirenses. Um cara que, apesar de ser ídolo no São Paulo, possui uma das características que mais admiro em um jogador de futebol: a fidelidade a um único clube e a vontade de ser uma bandeira de uma única equipe em sua carreira.

Não pense que eu não ‘tirava onda’ de Rogério Ceni. Não pense que eu não odiava tê-lo como adversário. Mas há um respeito e admiração por um cara que sempre foi extremamente identificado com as cores do seu time, um cara que eu vi fazer jogos espetaculares contra o meu time, como quando ajudou a definir um titulo perdido pelo Santos em 2000 ou neste ano de 2015, no 0 a 0 no Campeonato Paulista, que assisti na Vila Belmiro. Meio que na força, aprendi a respeitá-lo e, conhecendo sua história, passei a tê-lo como um “ídolo proibido”.

Capitão no título mundial do São Paulo

Vi também cometer erros cruciais contra o Santos e nos entregar valiosas vitórias. Vi falhas e, muitas vezes, dei risada de montagens e apelidos criados para ele, mas sempre possui respeito pela sua história, pelo que ele representa para um dos maiores clubes da América do Sul, o São Paulo três vezes campeão da Libertadores. 

Também vi partidas espetaculares como um espectador não envolvido. Vi atuações como contra a Universidad Católica, na Copa Sul-Americana de 2013, ou contra o Liverpool, no Mundial de 2005. Vi gols importantes feitos (sim, feitos) por ele na Libertadores de 2005. Vi o gol 100 contra o Corinthians. Realmente, vi muita coisa deste grande goleiro.

Talvez se alguém ler isso daqui a 30 anos, vai se perguntar sobre os gols feitos. Não, você não está lendo errado: Rogério também tinha isso de diferente, pois batia faltas e pênaltis, ambos com qualidade. Marcou mais de 130 gols e é o maior goleiro artilheiro do mundo e o décimo goleador da história do São Paulo, só isso. Com 1237 jogos, é o jogador que mais atuou por um único clube (passou Pelé pelo Santos) em todos os tempos.  Também esteve em duas Copas do Mundo: 2002, onde foi campeão sem jogar, e 2006, quando entrou nos minutos finais da partida contra o Japão. Realmente é muito!

Comemorando mais um título

Não se trata de carisma, pois Rogério Ceni não é igual a Marcos neste aspecto. Muitos o consideram mascarado, orgulhoso, ranzinza, chato pra c..., como definiu uma vez o narrador Milton Leite. Na verdade. é respeito e admiração, pois Ceni, provavelmente, nunca procurou agradar outras torcidas, afinal ele é a referência, o símbolo maior do São Paulo, de uma torcida que chama seu clube de soberano e que sempre possui certa soberba. Logo, Rogério Ceni não poderia deixar de adquirir essa característica, quase como se refletisse a torcida dentro de campo.

Recentemente, fiquei tocado por uma carta de um fã do Celtic para Kobe Bryant, astro da NBA, que anunciou sua despedida recentemente e que jogava pelo arqui-rival do time de Boston, o Los Angeles Lakers. Isso me inspirou de certa forma, mas Rogério de qualquer forma sempre foi um cara ao qual respeitei.

Então, encerro este texto agradecendo a ele por essa incrível trajetória que escreveu em um clube rival do qual eu torço, agradecendo por em tempos de transferências com cifras astronômicas e em tempos de jogadores que trocam de clube como quem troca de carro, ter se mantido fiel a uma única camisa, ter dado a este projeto de jornalista e eterno fã de futebol uma aula de como ter fidelidade a um clube e ter me dado motivos para odiá-lo, para rir, para comemorar gols feitos nele e para lamentar defesas dele.

Campeão do mundo com a Seleção em 2002

Engraçado, quis o destino que seu último jogo oficial tenha sido contra o Santos em uma partida onde o Peixe trucidou o São Paulo pela Copa do Brasil. Rogério Ceni saiu no intervalo e não voltou mais em 2015, pelo menos em jogos oficiais. Se soubéssemos que era a última partida, teríamos feito uma despedida mais digna, ou seja, mais gols! Brincadeiras a parte, ali se encerrou a trajetória de um mito.

Enfim, obrigado Rogério Ceni por tudo. Vai ser muito estranho não ver mais você defendendo a meta do São Paulo. Mas, infelizmente, nada dura para sempre, nem mesmo um mito.

* Lucas Paes é estudante de Jornalismo, santista e colaborador de O Curioso do Futebol.

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