Mostrando postagens com marcador Futebol Belga. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Futebol Belga. Mostrar todas as postagens

Na Bélgica, KV Oostende entra em processo de falência e torcedores fazem velório

Por Lucas Paes
Foto: Reprodução/Twitter

Torcedores do Oostende protestam contra a falência do clube

Administrações ruins não são exatamente novidade no futebol mundial. Passando pelo Brasil, onde os exemplos são quase incontáveis, mas caminhando também pela Europa, com clubes muito famosos e rodando o planeta inteiro, os desmandos e erros de donos e presidentes e donos de clubes de futebol são um lugar infelizmente muito comum no esporte bretão. Na Bélgica, o KV Oostende, presença comum na primeira divisão na última década, está perto de fechar as portas. Na tarde europeia da última terça, dia 4, os torcedores fizeram um "velório" para o time na Diaz Arena, em um caso que precisa ser catalisador para um maior rigor contra donos de futebol.

Fundado em 1904, o Oostende não é exatamente um supercampeão do futebol local. Quase sempre perambulando entre a primeira e a segunda divisão, os Kustboys tiveram um sucesso maior em anos recentes, com presenças quase constantes na primeira divisão e algumas campanhas de meio de tabela, além de uma participação na Europa League. Tudo isso foi por água abaixo após uma calamitosa administração por parte, principalmente, do Pacific Media Group.

O Oostende se fez presente na primeira divisão da Bélgica em sequência entre 2014 e 2023. No meio desses anos, fez uma campanha história em 2015/2016, quando ficou em quarto lugar e chegou a disputar a rodada do título do campeonato local, terminando na quinta colocação geral. Desde 2017, porém, a situação do clube vinha caminhando por água abaixo e o rebaixamento em 2023 veio após anos de caos administrativo, culminando na impagável dívida que levará o clube a falência. A equipe perdeu a licença profissional local e sequer consegue voltar no amadorismo devido a suas dívidas.

Foi graças a essa falência que os torcedores fizeram um "velório" para o clube, onde a tristeza pelo fim da instituição se juntou a vários protestos contra a empresa que comandou o clube até sua falência, a Pacific Media Group. Os torcedores penduraram diversas faixas protestando contra Cornway e seus colegas e também avisando que vão voltar. Para "sobreviver", o Oostende terá provavelmente que ser "refundado' e reconstruído justamente por seus torcedores e começar do amadorismo.

Não é absurdo dizer que a Pacific Media Group cujo dois nomes mais chamativos são Paul Cornway e Chen Lee, é de fato a responsável pelo fim do Oostende. Os dois e sua empresa tem um histórico surreal de administrações calamitosas que faz questionar como tais sujeitos ainda são permitidos no mundo do futebol. Para os curiosos (que entendam inglês), a Sports Investment tem um enorme artigo sobre a PMG, mas aqui vamos resumir um pouco a história deles. 

Consistindo da junção de duas empresas, a Pacific Media Group era apenas um grupo que investia em mídia até meados de 2015, quando comprou o Nice, fez uma boa temporada e acabou o vendendo por um lucro enorme para Daniel Ratcliffe, sim, o dono do Manchester United. Com o dinheiro dessa venda, a PMG passou a comprar diversos clubes e implantar neles uma filosofia extrema baseada no conceito do Moneyball: jogo baseado no "gengenpressing", que fez com que a empresa trouxesse vários jovens treinadores alemães tentando achar um novo Klopp e um foco total em jogadores jovens que depois poderiam ser vendidos. Assim, eles adquiriram sete clubes diferentes e entre várias situações caóticas, conseguiram levar um deles a falência (e serem odiados nos outros).

O PMG tem ou teve em seu portfólio, além do Oostende, o Barnsley, da Inglaterra (de onde foram basicamente "expulsos" em 2022 após diversos problemas administrativos e acusações de violação de regras financeiras), o Nancy (que chegou a cair para a quarta divisão nas mãos da PMG), FC Thun (tentando voltar a primeira divisão suíça, talvez o caso menos pior deles), Esbjerg, da Dinamarca (que foi rebaixado para a a terceira divisão depois de 28 anos entre a primeira e a segunda no comando da PMG e agora tem donos locais), KV Den Bosch, da Holanda (rebaixado para a terceira divisão neste ano) e o tradicionalíssimo Kaiserslautern, onde para a sorte do time alemão eles só possuem 10 por cento do clube.


O Oostende não teve tanta sorte como alguns dessa lista. Seguindo nas mãos do Pacific Media Group, o clube chegou a uma situação insustentável, após anos com a filosofia do grupo piorando as coisas por lá e vai deixar de existir, pelo menos como é hoje. O "velório" feito pelos torcedores em seu estádio marca o fim de uma história que poderia facilmente ser evitado caso o futebol como um todo fosse um tanto mais rigoroso com um grupo cuja atuação dentro do esporte parece uma "metástase", destruindo por dentro os clubes que compra até que eles cheguem perto de sumir.

Na Bélgica, já chegam pedidos para que Paul e sua turma sejam banidos do futebol. Em meio a isso, a PMG segue buscando clubes para implantar sua caótica filosofia. O que faz esse texto terminar com as seguintes perguntas: quantos clubes mais fecharão as portas nas mãos de grupos como esses antes que eles sejam banidos do futebol? E até quando empresas levarão clubes a destruição sem serem responsabilizadas ou fiscalizadas por algum órgão relacionado a FIFA? Aos torcedores do Oostende, restará o triste lamento e o choro no velório do clube. Aqui no Brasil, resta ficar alerta com algumas das SAFs, que de sonho podem virar pesadelo e "morte". 

Union St. Gilloise vence Royal Antwerp, quebra jejum de 110 anos e é campeão da Copa da Bélgica

Por Lucas Paes
Foto: Divulgação/Union SG

O Union é campeão da Copa da Bélgica

Um grito entalado há mais de 80 anos finalmente foi solto na Bélgica. Depois de duas batidas na trave (caminhando para a terceira) no campeonato nacional, o Union St. Gilloise finalmente quebrou seu jejum de títulos de primeiro nível, de quebra encerrando um jejum específico de 110 anos. A equipe de Bruxelas bateu o Royal Antwerp, atual campeão belga, por 1 a 0, na tarde desta quarta, dia 9, no King Badoin Stadium (o antigo Heysel) e se consagrou campeão da Copa da Bélgia pela terceira vez.

O Union já foi assunto algumas vezes aqui no site em tempos recentes, desde o seu renascimento até as dolorosas derrotas recentes no campeonato nacional. A equipe era uma força antiga do futebol belga que ficou décadas no ostracismo, desceu todas as divisões possíveis e viveu o inferno, antes de ser comprada por Tony Bloom e passar a viver tempos muito mais gloriosos em anos recentes, voltando com tudo para a primeira divisão, brigando sempre pelo título (que provavelmente virá uma hora ou outra). A conquista da Copa tira um pouco da pressão.

O Royal Antwerp vive um inferno particular nesses últimos tempos em confrontos contra o Union. Pela fase final do campeonato local, recentemente, o campeão nacional levou 3 a 0 dos amarelinhos em casa e por isso chegou com mais atenção a decisão. Ainda no primeiro tempo, porém, o gol de Uchida acabou resolvendo a partida, criando um dia que entrou para a história do Union e do futebol belga e que coloca um troféu no incrível trabalho de reconstrução do time auriazul. 

O título coroa o trabalho espetacular de reconstrução do Union St. Gilloise, que voltou como campeão da segundona e desde então luta pelo título do campeonato belga, que escapou das mãos de maneira bizarra na última temporada. Esse ano, mais uma vez a equipe briga pela taça da Pro League, não tendo lá um grande desempenho na fase final, mas pendendo apenas o empate de pontos com o concorrente para sair campeão nesta fase decisiva. 


É a terceira vez que o Union vence a Copa da Bélgica, com os dois outros títulos ocorrendo em 1913 e 1914. A equipe não conquistava um título de primeiro nível desde o campeonato belga de 1934/1935, há quase 90 anos atrás. Dia de imensa felicidade no Joseph Marien. 

Grzegorz Lato e sua passagem pelo KSC Lokeren

Por Ricardo Pilotto
Foto: Arquivo

Lato defendeu o Lokeren por duas temporadas

O ex-meio campista polonês Grzegorz Bolesław Lato, popularmente conhecido apenas como Grzegorz Lato, está completando 74 anos de idade nesta segunda-feira, dia 8 de abril de 2024. No começo da década de 80, o meia teve uma passagem de duas temporadas pela equipe do KSC Lokeren, clube do futebol belga que abriu falência em 2020.

Sua chegada a este novo clube aconteceu em 1980, depois de atuar pelo Stal Mielec, clube onde se profissionalizou e atuou por 18 anos. Permaneceu no time da Bélgica até 82, quando se transferiu para o CF Atlante, do México.


De acordo com o site ogol.com, Lato disputou 64 partidas com a camisa do Lokeren. No decorres de todo este período, marcou 12 gols pela equipe da Bélgica.

Na sequência de sua carreira, além de jogar no futebol mexicano, onde encerrou a sua trajetória como atleta, ainda chegou a atuar pelo Polonia Hamilton e por um time de masters na cidade de Hamilton, Ontario.

Agora vai? Sem ser campeão desde 1935, Union St. Gilloise lidera na Bélgica

Por Lucas Paes
Foto: Divulgação/Union SG 

O Union é líder na Bélgica

O Campeonato Belga tem no seu topo novamente um velho conhecido da posição, pelo menos no que se diz respeito a fase pré disputa do título: pelo terceiro ano consecutivo, o Union St. Gilloise, que não ganha o campeonato desde a temporada 1934/1935, lidera o campeonato. O aproveitamento do time azul e amarelo é mais uma vez absurdo e está abaixo apenas da Internazionale no que se refere aos pontos em várias ligas. Será que depois de dois anos morrendo na praia, o Union finalmente conquistará seu 12º título belga? 

É preciso lembrar novamente como o Union virou uma força local imensa de um nível que talvez hoje tenha mais dinheiro até que seus concorrentes mais famosos: como já citado em texto sobre o time de 2021, o bilionário Tony Bloom, dono do Brighton Hove Albion é hoje dono do clube e investe pesado em contratações para o nível da Bélgica, mas acima de tudo, tem o clube como uma espécie de "base" para o Brighton, o que por si só acaba tornando a equipe mais forte que outros clubes locais, já que alguns jogadores que hoje jogam a Premier, como Maupay, já passaram pelo clube.

A verdade é que, a menos que haja realmente alguma zica sobrenatural sobre o Union, é muito difícil imaginar que este jejum não termine nos próximos anos (talvez neste.). O Union vive um processo natural de assumir protagonismo em seu campeonato nacional e neste ano, além da liderança na Pro League, conseguiu resultados interessantes como uma vitória diante do Liverpool (reserva, é verdade) na Europa League. 

Em relação a elenco, conta com alguns nomes que já fizeram parte da campanha passada, como o goleiro Moris, mas perderam seu principal nome, o centro-avante Boniface, hoje destaque no líder (e provável campeão) da Bundesliga Bayer Leverkusen. Amoura assumiu o papel de protagonista no ataque e é o grande artilheiro do time e o suíço Cameron Puertas é o grande destaque nas assistências, com 13, liderando o ranking da competição. 


Com 62 pontos e oito de vantagem para o segundo colocado, o Union tentará novamente chegar ao título na fase decisiva, num fim de jejum que é cada vez mais próximo. Restará acompanhar para ver se dessa vez o time conseguirá manter o aproveitamento na fase decisiva e finalmente soltar o grito entalado a quase 100 anos na garganta de uma sofrida torcida, que pode e deve sonhar com dias mais bonitos. 

Após oito meses na Bélgica, Luan Matos comenta adaptação

Foto: Divulgação/Koboz United

Luan Matos com a camisa do Koboz United Aalst

Revelado pela Desportiva Ferroviária, em 2012, Luan Matos deixou o futebol brasileiro em 2017 para se aventurar na Europa. Depois de passar cinco anos em Portugal, o zagueiro de 1,92 m de altura foi contratado pelo Koboz United Aalst e marcou um gol logo na estreia, em agosto de 2023. Ele afirma estar plenamente adaptado ao futebol belga, embora tenha sido difícil se acostumar com o idioma diferente e o clima frio.

“Sim, já me considero adaptado. Sou uma pessoa de extrema flexibilidade, o que facilita bastante nesses casos. Eu diria que a maior dificuldade que tive foi fora de campo, em termos de idioma e temperatura. Aqui, normalmente falam holandês ou francês. Consigo me comunicar melhor em francês”, disse o jogador, de 27 anos.

Na atual temporada, Luan Matos recebeu apenas um cartão amarelo. Marcou um gol e anotou duas assistências. Visto como um defensor bem disciplinado, ele aponta a preparação psicológica antes de uma partida como fator essencial para não ‘perder a cabeça’ em campo.

“No geral eu sou uma pessoa bem centrada nos meus objetivos. Tenho em mente aquilo que busco e preciso fazer. Em campo pelo fato de ter atuado muitos anos de volante, isso me facilita muito na zaga. Tenho um bom desempenho tecnicamente, o que faz com que eu consiga sofrer mais faltas do que fazer (risos). Procuro explorar bem minhas características que acaba fazendo o meu individual sobressair. Sempre fui muito pé no chão em tudo, isso faz com que eu saiba lidar com a pressão”, avaliou.


Fora do Brasil há seis anos, Luan Matos analisa as diferenças do futebol brasileiro em relação ao futebol português e ao belga. “Sem sombra de dúvida, o profissionalismo. A disciplina sobressai e muito. Agora, falando de paixão, nada se compara com o Brasil. No Brasil tem muito fervor, nos estádios, no dia a dia, e na preparação”, analisou.

Capixaba da cidade de Cariacica, Luan Matos defendeu, como atleta profissional, o Vilavelhense por duas temporadas (2016-2017) antes de se transferir para o exterior.

A passagem de Émile Mpenza pelo Standard de Liège

Por Ricardo Pilotto
Foto: Arquivo

Émile Mpenza durante sua passagem pelo Standard Liège

Eka Basunga Lokonda Mpenza, ex-atacante belga, está celebrando o seu 45º aniversário nesta sexta-feira, dia 4 de junho de 2023. No decorrer de sua boa carreira de jogador, ele teve duas trajetórias pelo Standard de Liège, sendo uma no final dos Anos 90 e outra no começo dos Anos 2000.

A primeira passagem dele pelo FCGB aconteceu de 1997 a 1999, depois de jogar por clubes como o KV Kortrijk e Excelsior Mouscron. Colecionou bons números com a camisa do clube belga e acabou se transferindo para o Schalke 04 em 2000. Retornou aos Les Rouges em 2003, para atuar por mais uma temporada nos Rouches.

Segundo o site ogol.com, Mpenza disputou 77 jogos com a camisa do RSCL e balançou as redes adversárias em 42 oportunidades. Apesar de não ter conquistado nenhum título nas passagens, se tornou um ídolo da agremiação de Liège.


Na sequência de sua carreira, o avançado ainda veio a jogar por equipes como Hamburgo, Al Rayyan, Manchester City, Plymouth Argyle, FC Sion e Neftçi, do Azerbaijão. Encerrou a sua carreira no Eendracht Aalst em 2024.

Jejum do Royal Antwerp termina na Bélgica com jogo emocionante

Por Lucas Paes
Foto: Reprodução/BBC 

Alderweired fez o gol do título do Antwerp

O Campeonato Belga chegou a sua última rodada com três histórias possíveis para terminar a temporada: de um lado, o Royal Antwerp, que deixou o título escapar no finalzinho diante do Union, podia quebrar um jejum de mais de 60 anos. Do outro, o Union St. Gilloise, que escapou do fim do sonho no finalzinho na última partida, podia encerrar um jejum de 80 anos e no último, o Genk poderia ser campeão de novo depois de três anos. Pois com direito a muita emoção, uma decepção e entregada histórica do Union diante do Brugge e golaço nos acréscimos do Royal Antwerp, o título foi para os alvirrubros.

No fim das contas, o time com menor interesse na rodada seria o catalisador para uma mudança de rumos inacreditáveis. No Joseph Marien abarrotado, o Brugge tinha pouco a querer no jogo diante do Union, enquanto Royal e Genk faziam um confronto que literalmente poderia ser direto e assim foi começo da primeira metade dessa história, já que no primeiro tempo, o Union, que se defendia bem, desperdiçou duas chances claras e empatava com o Brugge, enquanto o Genk pulou na frente do Antwerp e era campeão. 

A história ficou diferente com menos de 30 segundos do segundo tempo em Bruxelas. O Union marcou seu primeiro gol no jogo, explodiu seu estádio e com o resultado era campeão de qualquer forma, a menos que o Antwerp virasse, o que parecia improvável. O time alvirrubro até buscou o empate e acabou levando o segundo, tudo isso enquanto o Union segurava o 1 a 0 diante do Brugge sem muito esforço e esse talvez foi o grande problema que evitou o fim do jejum mais longo dessa tarde.

O Union desperdiçou um caminhão de gols diante do Brugge. Desde Boniface, destaque absoluto do time, que perdeu uma chance clara, até Nilsson, que demorou demais numa oportunidade clamorosa, o time amarelo e azul perdeu chances inacreditáveis, enquanto o Brugge parecia pouco interessado, como de fato foi a temporada toda. Aos 44', quando a torcida já comemorava o título, porém, o Brugge empatou com Homma e o jogo a partir daí virou uma tragédia, com o desespero dos mandates somado a qualidade presente nos visitantes transformou o resultado num 3 a 1 que tirou a taça do Union e arrancou um dolorido choro de sua torcida.

Enquanto isso, o final mais "sem graça" estava acontecendo, já que o Genk, que é uma força do futebol local, era novamente campeão depois de três anos. O time azul e branco segurava com competência a vantagem obtida e já comemorava o título, quando uma bola sobrou no pé de Alderweired, aquele mesmo, ex-Tottenham, cria do Royal e torcedor assumido do clube, que numa lindíssima página do destino, acertou um lindíssimo petardo, silenciou a festa do Genk e transformou o Royal em campeão. 

No fim das contas, o empate do Union só serviu para adiar o título do Royal Antwerp em uma semana (devido a incompetência do próprio time, diga-se, que seria campeão se tivesse vencido.). Depois de um inverno que durou mais de 60 anos, o time da Antuérpia é campeão do Campeonato Belga e ainda completa um doblete com a Copa Nacional, que já havia conquistado recentemente. Uma grande volta por cima de um clube que recentemente esteve na segunda divisão. 


Ao Union, ainda o terceiro maior campeão belga e que amarga novamente o escape de um título que parecia certo, fica o consolo de que o caminho percorrido segue sendo absolutamente correto. O clube, que depois do período de grandeza nos anos 1920 e 1930 amargou sucessivos rebaixamentos, chegou a disputar a quarta divisão e quase fechou as portas, voltou aos trilhos após ser comprado pelos mesmos donos do Brighton e usa o mesmo trabalho de "scouting" do clube inglês, sendo até de certa forma uma etapa da procura do time azul e branco. Hoje com mais recursos, é provável que o título venha em breve, mas como explicar isso para uma torcida tão sofrida? 

Por fim, fica a observação sobre o Brugge, que simplesmente teve uma queda inacreditável. Eliminado nas oitavas da própria Liga dos Campeões pelo Benfica, o time azul e preto não jogou nada do que poderia na liga, o que foi acentuado por uma porção de lesões. De consolo, tirou o título do antigo "rival" Union, mas é muito pouco para uma temporada do clube mais forte do futebol belga. 

A melhor definição de grande final de temporada na Europa será na Bélgica

Por Lucas Paes
Foto: Divulgação/Union St. Gilloise

Tudo muito aberto na Bélgica

A Europa é palco de muitos dos campeonatos mais midiáticos e mais badalados do futebol mundial. Campeonatos como o Inglês e o Espanhol chamam atenção do mundo inteiro com suas equipes badaladas, mas a grande maioria dos torneios do Velho Mundo tem campeões repetidos continuamente, inclusive a Inglaterra, que anda fazendo um "cosplay de Bundesliga" com o Manchester City na Premier League. Pois a temporada 2022/2023 terá uma das definições mais incríveis dos últimos anos no futebol mundial. Tanto Royal Antwerp, quanto Union St. Gilloise (de novo) quanto o Genk podem ser campeões na Bélgica.

Antes de mais nada, é preciso explicar como funciona o formato da Jupiler League. Diferente de muitos campeonatos europeus, o Campeonato Belga tem depois dos dois turnos em pontos corridos uma fase que define o título com os quatro primeiros colocados disputando entre si a conquista da competição numa espécie de fase de grupos. Nesta fase, os pontos são cortados pela metade e nesta temporada o campeonato está equilibradíssimo.

Nesta temporada, o Royal Antwerp fez desde o início uma grande campanha. Foi durante a maior parte do campeonato o líder, numa corrida surreal junto ao Genk e ao Union St. Gilloise. No final da competição, os três chegaram a fase final muito próximos e fizeram campanhas parecidas, com o Royal se destacando muito por ter vencido o Union na casa do time amarelo e azul. Até que chegamos a rodada deste fim de semana. O Royal Antwerp poderia ser campeão se vencesse o Union em casa e fazia isso até o finalzinho do jogo, até que Vermeeren desviou um chute para as próprias redes e deixou tudo aberto.


Com o empate, o Antwerp adiava sua festa e já não era campeão e mais tarde, com a vitória do Genk sobre o Brugge (que faz péssima campanha na fase final), os três times terão chance de serem campeões da Jupiler League desta temporada. O Royal tem a situação teoricamente mais fácil, já que precisa apenas vencer seu jogo e será campeão, pois está a frente do Union no critério de desempate. O problema? Ele joga com o Genk, que o enfrentará em casa e se vencer torce para uma não vitória do Union para sair campeão. O Union precisa vencer o Brugge e torcer para a não vitória do Royal Antwerp. 

A definição ocorrerá no dia 4 de julho, às 13h30, quando os dois jogos ocorrem simultaneamente. No Brasil, quem quiser assistir terá a opção do Star+, streaming da ESPN, com uma possibilidade bem grande que a própria ESPN passe os jogos devido a situação interessante que ambos envolvem. Será uma das melhores definições do futebol europeu na temporada. 

Depois de quase ser campeão belga, o Union St. Gilloise volta a sonhar com o título nesta temporada

Por Lucas Paes
Foto: Laurie Dieffembacq/Belga

O Union está vivo na Europa League e no Campeonato Belga

Na temporada 2021/2022, o Union St. Gilloise foi uma das maiores sensações do futebol europeu. O time da cidade de Bruxelas, capital da Bélgica, liderou o campeonato local durante boa parte da competição, mas acabou perdendo o fôlego (e o título) na fase final da competição. Ainda assim, manteve-se bem para a temporada 2022/2023 e segue durante a temporada inteira na parte de cima da tabela, recentemente tendo vencido o líder Genk, diminuindo a diferença para cinco pontos. Faltam poucas rodadas para o início da fase decisiva.

Muito se imaginou que os unionistas perderiam força para a temporada atual, já que perderam destaques como Vanzeir e Undav e também mudaram o treinador, mas a equipe voltou tão forte quanto na temporada anterior. Atualmente, o time tem contado com a ótima forma de Boniface para se destacar no campeonato local, além das quase sempre presentes assistências de Teuma. 

Recentemente, a equipe sofreu uma dolorosa derrota nos pênaltis na semifinal da Copa da Bélgica, mas isso não desanimou a excelente temporada da equipe até o momento. Na Europa League, o St. Gilloise não se intimidou diante do Union Berlin, que faz ótima campanha na Bundesliga e arrancou um empate por 3 a 3 dentro da casa dos alemães que o colocou em ótima posição para avançar na Europa League. No campeonato, é se manter próximo ao Genk para pegar a equipe na fase final.

Cada vez mais parece ficar claro que, a exemplo do Brighton, que possuí o mesmo dono, o Union é na verdade um bem sucedido projeto de recuperação de um clube tradicional, já que é mais uma temporada onde o recém retornado clube da capital faz campanha muito boa e sonha com voltar a conquistar o Campeonato Belga depois de muitas décadas. É bem provável que o clube veio para ficar no cenário do futebol local e quem sabe continental.


Restará mais uma vez acompanhar os próximos passos dessa equipe nas competições, com quem sabe o amadurecimento da dolorida derrota final na temporada 2021/2022 servindo de aprendizado para que nessa o Union venha com tudo para a fase final da Jupiler League e finalmente conquiste o tão sonhado e esperado título do Campeonato Belga. 

A passagem de Michel Preud'homme no Mechelen

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

Preud'homme atuando pelo Mechelen

A Copa do Mundo é um palco que muitas vezes tira do anonimato jogadores que nem sempre são tão conhecidos mundialmente através de grandes atuações no torneio. Isso era verdade principalmente nos torneios mais antigos, antes do êxodo comum de jogadores para as grandes ligas, quando muitas vezes o destaque de uma seleção diferente jogava no próprio país. O goleirão Michel Preud'homme, que está completando 64 anos neste dia 14, é um desses casos e chegou a 1994 quando finalizava sua grande passagem pelo Mechelen, da Bélgica.

Antes daquele mundial, Preud'homme havia feito toda sua carreira no futebol belga, como inclusive era o caso da enorme maioria do time da Bélgica nas competições dos anos 1980 e 1990. O futebol local vivia inclusive um grande momento, com o Anderlecht sendo destaque na Recopa Europeia. Foi nesse contexto que Michel deixou o tradicional Standar de Liege para atuar pelo Mechelen no ano de 1986. 

Depois de viver grandes momentos no gol do Standard, ele chegou ao Mechelen para fazer parte do que foi o maior time da história do clube. Contando com diversos nomes que se consagrariam no futebol belga nos anos seguintes. Preud'homme foi fator crucial para a conquista da Copa da Bélgica logo em sua primeira temporada no clube. A conquista seria chave para o título mais importante na história do clube.

Em 1988, Michel e seus companheiros foram responsáveis pela conquista da história Recopa Européia, conhecida em inglês como a Cup Winners Cup. Este foi o último título continental de um time da Bélgica. Com Preud'Homme em estado de graça, o Mechelen tomou apenas três gols ao longo da competição e foi campeão batendo o Ajax por 1 a 0 na decisão graças a uma grande partida do goleirão e do time como um todo.


Na temporada seguinte, foi campeão do Campeonato Belga. Nos anos seguintes seguiu atuando em grande nível nos Kakkers, sendo goleiro titular da Seleção Belga na Copa do Mundo de 1990 e virando uma figura conhecida do futebol europeu, apesar do sucesso não se repetir para os lados do Mechelen. Em 1994, ainda era jogador do clube quando fez uma grande Copa do Mundo pela Bélgica e acabou chamando a atenção do Benfica, que o levou para a luz ao fim da Copa do Mundo. 

Encerrou sua passagem pelo Mechelen com 302 jogos com a camisa do clube, sendo um dos maiores nomes da história da instituição. Ainda jogaria por cinco anos no Benfica, numa época de vacas magras na Luz, antes de pendurar as luvas em 1999. Teve e ainda tem relativo sucesso na carreira de treinador e hoje é diretor esportivo do Standard de Liege. 

A passagem de Khalilou Fadiga pelo Brugge

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

Fadiga atuou por 4 anos na Bélgica

A Copa do Mundo de 2002, vencida pelo Brasil, teve alguns outros times que encantaram o planeta e um deles foi a seleção de Senegal, que chegou as quartas de final e fez duríssimo jogo com a Turquia para tentar chegar as semifinais, mas caiu diante dos europeus. Um dos grandes jogadores daquele time era o camisa 10 Khalilou Fadiga, que vinha de uma passagem muito boa pelo Brugge, da Bélgica e completa 48 anos neste dia 30.

Nascido na capital Dakar, o jovem Khalilou começou os passos mais sérios no futebol no PSG que ainda sequer sonhava em ser o clube endinheirado dos dias atuais, tendo passado alguns anos na base do time parisiense antes de passar pela base do Red Star Paris e por fim ir parar no RFC Liege, onde estreou profissionalmente. Seu bom futebol o levou ao Brugge em 1997.

A estreia de Fadiga no Brugge se deu diante do Gent, numa goleada por 4 a 0 fora de casa. Seu primeiro gol veio no duelo contra o Westerlo, num jogo da Liga. Em sua primeira temporada, ele marcou quatro gols em 36 jogos, sendo uma das figuras essenciais na conquista do décimo título da Liga Belga do Brugge. A equipe azul e preta terminou mais de 20 pontos na frente do Genk, vice-campeão daquele ano. A equipe ainda chegou a final da Copa da Bélgica, mas perdeu a decisão. 

Na sua segunda temporada, teve um ano um pouco menos brilhante. O Brugge acabou perdendo o título para o Genk por uma diferença de apenas dois pontos. Na Liga dos Campeões acabou perdendo nas preliminares pelo Rosemborg, deixando cedo o sonho europeu. Curiosamente, ele até marcou mais gols naquele biênio, mas não teve um desempenho tão bom quanto na temporada do título. 


No biênio 1999/2000, teve a temporada abreviada por uma lesão que o afastou por três meses dos gramados, mas seu futebol foi suficiente para o levar a Copa das Nações Africanas daquele ano, onde inclusive entrou no time do campeonato. Aquela foi sua última temporada efetivamente pelo Brugge. Ainda jogou o início da de 2000/2001, onde inclusive fez seis gols em cinco jogos, mas acabou negociado com o Auxerre, da França. 

No total, em seus quase 4 anos jogando pelo Brugge, Fadiga esteve em campo 86 vezes, marcando um total de 17 gols com a camisa do time belga. Esteve em atividade no futebol até 2014, quando pendurou as chuteiras no semi-amador Temse. 

Ex-Botafogo, volante Barreto é eleito melhor jogador do mês de setembro no RWD Molenbeek

Foto: divulgação

Barreto é um dos destaques do RWD Molenbeek

Após pouco mais de um mês defendendo o RWD Molenbeek, na Proximus League, a divisão de acesso da Bélgica, o volante Barreto, ex-Botafogo, já começou a cair nas graças da torcida. Conhecido pela sua entrega dentro de campo, Barreto foi eleito o jogador do mês de setembro do Molenbeek. A votação é online e a torcida elegeu o volante. Barreto falou sobre o prêmio e garantiu estar muito feliz pelo reconhecimento da torcida.

“Cheguei há pouco tempo no clube, mas fui recebido de uma forma muito bacana. Todos me abraçaram de maneira especial. Os meus companheiros brasileiros também têm uma parcela disso. Estou muito feliz com o reconhecimento da torcida, sempre busco fazer o meu melhor e, graças a Deus, tenho feito bons jogos e conseguido ajudar o clube. Espero seguir evoluindo e ajudar o clube na busca pelos objetivos”, disse.

Desde a sua chegada ao RWD Molenbeek, Barreto fez cinco jogos e após um início entrando aos poucos, o volante já chegou à titularidade e hoje é peça chave da equipe. Barreto falou um pouco sobre esses primeiros meses e a adaptação ao futebol europeu.


“Vinha de um período sem atuar muito pelo Botafogo, então na minha chegada passei alguns jogos entrando para poder pegar o ritmo. Agora tenho sido titular e estou me sentindo muito bem. O futebol é um pouco físico e bem rápido, não tem muito tempo para pensar com a bola no pé. Já estou bem adaptado, sigo trabalhando e buscando sempre evoluir”, concluiu.

A passagem de Lato pelo Lokeren

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

Lato atuando no Lokeren

Considerado um dos melhores jogadores do mundo atualmente, Robert Lewandowski passa a sensação de ser o primeiro de seu país a atingir tal patamar. Porém, a Polônia tem história no esporte bretão e já teve em suas fileiras grandíssimos jogadores que inclusive levaram aquela seleção a grandes resultados em jogos olímpicos e em Copas do Mundo. Completa 72 anos neste dia 8 o que talvez seja o maior jogador do país: Grzregorz Lato, que teve boa passagem pelo Lokeren nos anos 1980.

Na época uma república sob a batuta soviética, a Polônia via seus jogadores dificilmente deixarem o país. Por isso que só aos 30 anos Lato conseguiu deixar o Mielec para atuar pelo belga Lokeren, recusando inclusive convite pessoal de Pelé para atuar no New York Cosmos. Seria sua primeira experiência fora do solo polonês. 

Chegou como o principal reforço do time e chamou a atenção desde o início por ter um status de estrela internacional. Em sua primeira temporada, foi o principal destaque do time numa campanha espetacular, que levou a modesta equipe ao vice-campeonato nacional e ao vice-campeonato da Copa da Bélgica em 1981, melhores campanhas da história do modesto clube. 

No ano seguinte, ajudou novamente a equipe à alçar grandes voos, num time que tinha outros jogadores vindos da "cortina de ferro". A equipe terminou na quarta colocação do campeonato nacional e caiu nas quartas de final da Copa da Bélgica. Na Copa UEFA, a equipe avançou até a terceira fase, quando caiu para o Kaiserslautern. A quarta colocação na liga veio na verdade após grande arrancada.


Lato acabou por encerrar sua passagem ao fim de 1982, indo curiosamente jogar no México. Pelo Campeonato Belga, fez 12 gols com a camisa do Lokeren, marcando alguns outros pela Beker van Belgie (a copa nacional local) e pela Copa da UEFA. Atuou profissionalmente até 1984, quando pendurou as chuteiras jogando pelo Atlante. 

A incrível história de um renascimento - Union Saint-Gilloise vira sensação da Bélgica

Por Lucas Paes
Foto: Divulgação/Union Saint-Gilloise

O Union St. Gilloise lidera o campeonato belga

Uma das histórias mais incríveis do futebol mundial em 2021 vai por enquanto acontecendo no futebol belga. O mesmo lugar que foi palco da maluca cena da invasão de torcedores em um jogo do Sporting Charleroi hoje sedia uma das histórias mais incríveis de todo o futebol. Com uma campanha simplesmente irrepreensível, o Union Saint-Gilloise, os atuais campeões da segunda divisão, vão liderando a elite do país, mais conhecida como Jupiler League, já com o campeonato entrando no segundo turno.

Não se trata necessariamente de um time sem história. O Union St-Gilloise era uma das maiores forças do futebol belga no início do século passado, tendo conquistado 11 títulos nacionais entre os anos de 1900 e 1940, mas seu último título foi no já distante 1935. Desde então, o clube viveu uma decadência  passou por crises, mas recentemente vive um crescimento desde que foi comprado por britânicos.

A vida do Union não é fácil. Dividir a cidade de Bruxelas com o Anderlecht, que é uma força do futebol local e tem inclusive títulos, no plural mesmo, internacionais complica a vida do time azul e amarelo. Os unionistas jogam no modesto Stade Joseph Marien, com capacidade para nove mil pessoas e cercado por uma área verde que torna a paisagem inclusive bem bonita. A faixada do estádio parece assim como o clube ter parado no tempo.

A história do Union começou a mudar há três anos atrás, quando Tony Bloom, dono do Brighton Hove & Albion, comprou o clube belga junto a um de seus sócios. O clima favorecia a compra, que encaixou nos critérios de ser um time próximo a Londres, com potencial para crescimento. Os novos donos foram bem vindos pela torcida, que sentia que aquilo poderia ser o início de uma nova era, depois de décadas frequentando as divisões inferiores.

O clube hoje é gerido por três "jovens", pelo menos no que se refere a negócios e possui vários princípios que são levados em conta para transferência de jogadores. O processo demora meses, envolve análises táticas, técnicas e comportamentais, com esta última sendo levada muito a sério, e é uma das chaves do sucesso primeiro na segunda divisão e depois, neste momento pelo menos, na Jupiler Pro League. Um dos destaques do time foi contratado assim, o ótimo atacante Dante Venzier, trazido por empréstimo e depois vindo permanentemente do Genk. Ele foi o destaque da campanha do título da segunda divisão e segue voando atualmente, inclusive sendo convocado para a seleção nacional.

Comandados por Felice Mazzu, que já passou por grandes times do país, o Union tem encantado o país com um bom futebol e principalmente com os gols que parecem sair a todo o momento dos pés de Venzier e também do artilheiraço Deniz Undav. Além deles, o ótimo lateral Nieuwkoop e o xerifão inglês Burgess são outros dos grandes destaques do time, que com méritos ocupa a primeira posição, com 14 vitórias, quatro empates e uma derrota ao longo da competição. 

Para ser campeão, além de ocupar a liderança até a 34ª rodada, o Union terá de também vencer os playoffs do título, que envolvem os quatro primeiros colocados jogando entre si em ida e volta. Na mais recente partida, vitória sobre o Zulte Waregen por 2 a 0, fora de casa. São agora 47 gols marcados em 19 jogos, números impressionantes que se somam a apenas 18 gols sofridos. Não é a toa que a liderança vem com certa vantagem para o Brugge. 


Independente do que acontecer nesta temporada, o Union já é uma das melhores trajetórias do futebol em 2021. Com uma filosofia que colocou o time de volta no topo, o corpo diretor pretende reestruturar a equipe para que ela se torne forte e sustentável até muito depois que os donos deixarem a equipe. Seguiremos então acompanhando a saga do time que pode ser um "Leicester City" alternativo. Uma coisa parece muito certa: o Union Saint-Gilloise voltou para ficar. 

Rayder Santos recebe propostas do futebol belga e projeta definir seu futuro em breve

Foto: divulgação

Rayder Santos atuando no futebol belga

Com experiência no futebol europeu, o atacante Rayder Santos recebeu propostas de clubes da Bélgica e espera definir o seu futuro em breve. O jogador de 32 anos, que passou pelas categorias de base do Atlético-GO e defendeu o Penarol-AM em 2020, atuou por quatro temporadas na Europa, sendo três em solo belga e uma em Portugal.

"Recebi três propostas, sendo uma delas de um clube da segunda divisão da Bélgica, e espero dar esse salto para voltar a jogar. Estou analisando essas ofertas e desejo definir meu próximo clube em breve", disse Rayder Santos

O jogador acrescentou falando sobre o seu momento atual. "Por enquanto estou em clube de menor expressão na Bélgica e estamos parados desde janeiro devido a pandemia do Covid-19, mas venho treinando diariamente por conta própria", concluiu.


Atualmente defendendo o Kosova Schaerbeek, de Bruxelas, a capital da Bélgica, Rayder Santos também acumula passagens por clubes brasileiros de vários estados, como o Iporá, Monte Cristo, Jacareí AC, Inhumas e Uberaba.

O caso Bosman e a lei que mudou o futebol há 25 anos

Por Lucas Paes
Foto: Getty Images

Bosman foi o jogador responsável pela "lei" que mudou o futebol

O futebol é hoje um esporte que virou quase um negócio, na verdade sendo um negócio junto de um esporte. Hoje, cifras milionárias tiram jogadores de diversos cantos do mundo para times europeus, asiáticos e até latino americanos. Porém, há algumas décadas, até as transferências de jogadores entre clubes europeus eram mais complicadas, não sendo tão comum que jogadores de centros mais periféricos fossem jogar em clubes grandes. Essa realidade passou a mudar a partir de 1995, mais especificamente em 15 de dezembro, com a "Lei de Bosman", que ganhou esse nome devido a luta do jogador Jean-Marc Bosman contra o sistema do futebol europeu na época.

Na verdade, a história da "Lei de Bosman" começa em 1990. Naquela época, Jean era um jogador do RFC Liege que estava em final de contrato com o clube e ao fim deste período queria optar pela saída para um clube francês, mais especificamente o Dunkerque, recusando uma redução salarial de 75 por cento. Apesar do contrato ter acabo, o RFC o avaliava em 500 mil euros e cobrou na época este preço para permitir a transferência do jogador para a França. Com a negociação não avançando, o RFC e a própria Federação Belga de Futebol travaram a saída de Bosman para o Dunkerque, o que fez com que ele tivesse de jogar na segunda divisão francesa.

Mesmo com o fim do vínculo com o Liege e com a sua saída, Bosman ainda assim foi ao Tribunal Europeu contra a FIFA, a UEFA e a Federação Belga de Futebol, iniciando então uma longa discussão sobre a questão da livre-movimentação de jogadores a partir do momento que seriam considerados trabalhadores comunitários dentro da União Européia. A partir daí, iniciou-se uma discussão e um processo judicial que duraria quase cinco anos antes da decisão final.

O fato é que na questão da lei, soa até absurdo a forma como as coisas aconteciam antes do acordo de Bosman. Os jogadores eram muito mais presos a seus clubes e nem sempre poderiam optar por novas transferências mesmo com o fim do contrato. A discussão rodou sobre esse cenário e quatro ano depois o parecer do Tribunal Europeu foi favorável ao atleta belga, mudando para sempre os rumos do futebol, para bem e para mal.


A partir da Lei de Bosman, as limitações de estrangeiros no elenco praticamente "morreram" na União Européia, tornando jogadores europeus praticamente livres para circular entre países membros. A partir do momento que um jogador não quisesse renovar o contrato com uma equipe, ele ficaria livre para se transferir de graça. O acordo trouxe maior autonomia aos jogadores, que deixaram a "escravidão" que tinham com os clubes, mas ao mesmo tempo, a logo prazo, criou um abismo entre as ligas mais ricas e as mais periféricas, mesmo em campeonatos com clubes tradicionais como a Holanda.

As mudanças na verdade impactaram no mundo todo. Este acordo deu início a diversas mudanças que tornaram muito mais fáceis para equipes europeias levarem talentos da América do Sul e de outros continentes para seus clubes cada vez mais cedo. Essa tendência se acentua ainda mais a partir dos anos 2000, com o fortalecimento da marca dos campeonatos europeus em regiões como Ásia e África, um processo que deve-se muito a Liga Italiana e ao Manchester United. No fim das contas, a Lei de Bosman mudou para sempre o futebol mundial.

Luis "Oliverrá" - O brasileiro que "virou" belga

Por Lucas Paes


Oliveira, ou melhor, Oliverrá, acabou jogando pela Seleção da Bélgica

Naturalizações são coisa quase comum no futebol de hoje em dia. Com raríssimas exceções, a maioria das seleções do mundo tem jogadores nascidos em outro local ou de outra origem. Seleções como o Brasil seguem sendo, por enquanto, uma exceção a regra. Mas, se não importa, o Brasil "exporta" muitos talentos para jogar por outros países. Muito antes de virar moda, foi o caso do maranhense de São Luiz, Luis Oliveira, que ficou conhecido como Oliverrá na Bélgica e completa 51 anos neste dia 24.

Oliveira foi ainda adolescente para o Anderlecht da Bélgica, no ano de 1985. Estreou pelos profissionais em 1988, ficando até 1992 no clube roxo e branco que o revelou. Foi campeão belga em 1991 e duas vezes campeão da Copa da Bélgica. Até hoje é idolo do Anderlecht, mas seria na Itália em que viveria os melhores momentos de sua carreira. Na verdade, viveria o resto da carreira inteira na bota. No mesmo ano em que foi para a terra do Calcio, também estreou pela Seleção Belga, onde faria 7 gols em 31 jogos até 1999.

Começou na Itália pelo Cagliari, onde na temporada de estreia fez parte de um timaço dos sardenhos, que contava com nomes como Festa, Matteoli e Moriero. O Cagliari terminou a Série A na sexta colocação, se classificando para a Copa da UEFA. Lá, acabou derrubado pela Inter, que seria campeã, nas semifinais. Oliveira, ou melhor, Oliverrá, sofreu com o treinador Carlo Mazzone devido a (pasmém) seu corte de cabelo. Foram 121 jogos e 42 gols pela equipe, que lhe renderam transferência para a Fiorentina.

Na Viola, fez uma mortal dupla com Gabriel Batistuta, mas acabou ficando apenas três anos em Firenze, devido a crise financeiro vivida pelo clube. Foram 95 jogos e 27 gols. O bom futebol do brasuca-belga o garantiu inclusive na Copa do Mundo de 1998, quando os belgas terminaaram caindo na primeira fase. Voltou ao Cagliari então, onde não repetiu o sucesso e deixou o clube após 24 jogos e 4 gols, em uma temporada.

Imagem

A partir daí, passou a rodar pela Itália. Teve passagem péssima pelo Bologna, que foi seu último clube na série A, no ano de 2001. A partir daí, passsou a rodar por equipes da Série B. Chamado de Lulú pelos torcedores, foi artilheiro e campeão da Série B pelo Como, com 23 gols em 38 jogos, mas não voltou a primeira divisão. Teve dois anos ótimos no Catania, entre 2002 e 2004, com 28 gols em 74 jogos. A partir daí, passou sem muito sucesso por Foggia, Venezia e Lucchese.

Já no finzinho da carreira profissional, passou por Nuorese e Derthona, fazendo até bons números, com 25 gols em 63 jogos e 16 gols em 32 jogos respectivamente. Encerrou a carreira como jogador no Muravera, time semi-amador, onde marcou 14 gols em 12 jogos e foi treinador e jogador. Hoje, tenta a carreira como treinador, sem ter chego ainda aos grandes centros. Ficará marcado porém pelo sucesso vestindo o azul e vermelho do Cagliari e o roxo da Fiorentina, além da eterna idolatria na Bélgica.

Luan Peres inicia pré-temporada em seu segundo ano na Bélgica

Foto: divulgalçao Club Brugge

Luan Peres já iniciou a pré-temporada para o seu segundo ano no Brugge

Oficialmente, a temporada 2019-2020 da Bélgica, país do Clube Brugge, começa só em agosto. No entanto, os trabalhos de preparação já começaram. A equipe, inclusive, iniciou sua pré-temporada na última semana com novidades.

Além do novo treinador, o clube belga inaugurou um moderno centro de treinamento. O brasileiro Luan Peres, que disputa sua segunda temporada pelo Club Brugge, avalia o início dos trabalhos. “Feliz em estar de volta. Deu para descansar e aproveitar no Brasil. Agora é trabalhar bastante porque o ano promete ser muito bom. Já fizemos toda a parte de exames e testes físicos, agora os trabalhos estão sendo no campo. A estrutura aqui é algo fora do comum, o clube inaugurou um centro de treinamento incrível, coisa de primeira qualidade. É muito melhor trabalhar assim, com equipamentos e ambientes novos”, revelou o zagueiro de 24 anos.

Bem mais adaptado e, com a mudança do comando técnico, Luan acredita numa temporada com mais oportunidades. Em 2018-2019, o jogador disputou nove jogos, somando quatro vitórias, quatro empates e apenas uma derrota.

“Sem dúvidas a expectativa é essa, poder jogar mais e mostrar meu potencial. É normal você chegar e passar por esse período de adaptação. Além disso, existiam outros jogadores na minha frente, que estavam mais ambientados e tinham mais tempo de clube. Foi importante o primeiro ano aqui, agora já estou bem mais adaptado e sei que as oportunidades vão aparecer. Temos tudo para fazer um bom ano, estou confiante”, concluiu.

O Curioso do Futebol

O Curioso do Futebol
Site do jornalista Victor de Andrade e colaboradores com curiosidades, histórias e outras informações do mundo do futebol. Entre em contato conosco: victorcuriosofutebol@gmail.com

Aceisp