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Union St. Gilloise vence Royal Antwerp, quebra jejum de 110 anos e é campeão da Copa da Bélgica

Por Lucas Paes
Foto: Divulgação/Union SG

O Union é campeão da Copa da Bélgica

Um grito entalado há mais de 80 anos finalmente foi solto na Bélgica. Depois de duas batidas na trave (caminhando para a terceira) no campeonato nacional, o Union St. Gilloise finalmente quebrou seu jejum de títulos de primeiro nível, de quebra encerrando um jejum específico de 110 anos. A equipe de Bruxelas bateu o Royal Antwerp, atual campeão belga, por 1 a 0, na tarde desta quarta, dia 9, no King Badoin Stadium (o antigo Heysel) e se consagrou campeão da Copa da Bélgia pela terceira vez.

O Union já foi assunto algumas vezes aqui no site em tempos recentes, desde o seu renascimento até as dolorosas derrotas recentes no campeonato nacional. A equipe era uma força antiga do futebol belga que ficou décadas no ostracismo, desceu todas as divisões possíveis e viveu o inferno, antes de ser comprada por Tony Bloom e passar a viver tempos muito mais gloriosos em anos recentes, voltando com tudo para a primeira divisão, brigando sempre pelo título (que provavelmente virá uma hora ou outra). A conquista da Copa tira um pouco da pressão.

O Royal Antwerp vive um inferno particular nesses últimos tempos em confrontos contra o Union. Pela fase final do campeonato local, recentemente, o campeão nacional levou 3 a 0 dos amarelinhos em casa e por isso chegou com mais atenção a decisão. Ainda no primeiro tempo, porém, o gol de Uchida acabou resolvendo a partida, criando um dia que entrou para a história do Union e do futebol belga e que coloca um troféu no incrível trabalho de reconstrução do time auriazul. 

O título coroa o trabalho espetacular de reconstrução do Union St. Gilloise, que voltou como campeão da segundona e desde então luta pelo título do campeonato belga, que escapou das mãos de maneira bizarra na última temporada. Esse ano, mais uma vez a equipe briga pela taça da Pro League, não tendo lá um grande desempenho na fase final, mas pendendo apenas o empate de pontos com o concorrente para sair campeão nesta fase decisiva. 


É a terceira vez que o Union vence a Copa da Bélgica, com os dois outros títulos ocorrendo em 1913 e 1914. A equipe não conquistava um título de primeiro nível desde o campeonato belga de 1934/1935, há quase 90 anos atrás. Dia de imensa felicidade no Joseph Marien. 

Agora vai? Sem ser campeão desde 1935, Union St. Gilloise lidera na Bélgica

Por Lucas Paes
Foto: Divulgação/Union SG 

O Union é líder na Bélgica

O Campeonato Belga tem no seu topo novamente um velho conhecido da posição, pelo menos no que se diz respeito a fase pré disputa do título: pelo terceiro ano consecutivo, o Union St. Gilloise, que não ganha o campeonato desde a temporada 1934/1935, lidera o campeonato. O aproveitamento do time azul e amarelo é mais uma vez absurdo e está abaixo apenas da Internazionale no que se refere aos pontos em várias ligas. Será que depois de dois anos morrendo na praia, o Union finalmente conquistará seu 12º título belga? 

É preciso lembrar novamente como o Union virou uma força local imensa de um nível que talvez hoje tenha mais dinheiro até que seus concorrentes mais famosos: como já citado em texto sobre o time de 2021, o bilionário Tony Bloom, dono do Brighton Hove Albion é hoje dono do clube e investe pesado em contratações para o nível da Bélgica, mas acima de tudo, tem o clube como uma espécie de "base" para o Brighton, o que por si só acaba tornando a equipe mais forte que outros clubes locais, já que alguns jogadores que hoje jogam a Premier, como Maupay, já passaram pelo clube.

A verdade é que, a menos que haja realmente alguma zica sobrenatural sobre o Union, é muito difícil imaginar que este jejum não termine nos próximos anos (talvez neste.). O Union vive um processo natural de assumir protagonismo em seu campeonato nacional e neste ano, além da liderança na Pro League, conseguiu resultados interessantes como uma vitória diante do Liverpool (reserva, é verdade) na Europa League. 

Em relação a elenco, conta com alguns nomes que já fizeram parte da campanha passada, como o goleiro Moris, mas perderam seu principal nome, o centro-avante Boniface, hoje destaque no líder (e provável campeão) da Bundesliga Bayer Leverkusen. Amoura assumiu o papel de protagonista no ataque e é o grande artilheiro do time e o suíço Cameron Puertas é o grande destaque nas assistências, com 13, liderando o ranking da competição. 


Com 62 pontos e oito de vantagem para o segundo colocado, o Union tentará novamente chegar ao título na fase decisiva, num fim de jejum que é cada vez mais próximo. Restará acompanhar para ver se dessa vez o time conseguirá manter o aproveitamento na fase decisiva e finalmente soltar o grito entalado a quase 100 anos na garganta de uma sofrida torcida, que pode e deve sonhar com dias mais bonitos. 

Jejum do Royal Antwerp termina na Bélgica com jogo emocionante

Por Lucas Paes
Foto: Reprodução/BBC 

Alderweired fez o gol do título do Antwerp

O Campeonato Belga chegou a sua última rodada com três histórias possíveis para terminar a temporada: de um lado, o Royal Antwerp, que deixou o título escapar no finalzinho diante do Union, podia quebrar um jejum de mais de 60 anos. Do outro, o Union St. Gilloise, que escapou do fim do sonho no finalzinho na última partida, podia encerrar um jejum de 80 anos e no último, o Genk poderia ser campeão de novo depois de três anos. Pois com direito a muita emoção, uma decepção e entregada histórica do Union diante do Brugge e golaço nos acréscimos do Royal Antwerp, o título foi para os alvirrubros.

No fim das contas, o time com menor interesse na rodada seria o catalisador para uma mudança de rumos inacreditáveis. No Joseph Marien abarrotado, o Brugge tinha pouco a querer no jogo diante do Union, enquanto Royal e Genk faziam um confronto que literalmente poderia ser direto e assim foi começo da primeira metade dessa história, já que no primeiro tempo, o Union, que se defendia bem, desperdiçou duas chances claras e empatava com o Brugge, enquanto o Genk pulou na frente do Antwerp e era campeão. 

A história ficou diferente com menos de 30 segundos do segundo tempo em Bruxelas. O Union marcou seu primeiro gol no jogo, explodiu seu estádio e com o resultado era campeão de qualquer forma, a menos que o Antwerp virasse, o que parecia improvável. O time alvirrubro até buscou o empate e acabou levando o segundo, tudo isso enquanto o Union segurava o 1 a 0 diante do Brugge sem muito esforço e esse talvez foi o grande problema que evitou o fim do jejum mais longo dessa tarde.

O Union desperdiçou um caminhão de gols diante do Brugge. Desde Boniface, destaque absoluto do time, que perdeu uma chance clara, até Nilsson, que demorou demais numa oportunidade clamorosa, o time amarelo e azul perdeu chances inacreditáveis, enquanto o Brugge parecia pouco interessado, como de fato foi a temporada toda. Aos 44', quando a torcida já comemorava o título, porém, o Brugge empatou com Homma e o jogo a partir daí virou uma tragédia, com o desespero dos mandates somado a qualidade presente nos visitantes transformou o resultado num 3 a 1 que tirou a taça do Union e arrancou um dolorido choro de sua torcida.

Enquanto isso, o final mais "sem graça" estava acontecendo, já que o Genk, que é uma força do futebol local, era novamente campeão depois de três anos. O time azul e branco segurava com competência a vantagem obtida e já comemorava o título, quando uma bola sobrou no pé de Alderweired, aquele mesmo, ex-Tottenham, cria do Royal e torcedor assumido do clube, que numa lindíssima página do destino, acertou um lindíssimo petardo, silenciou a festa do Genk e transformou o Royal em campeão. 

No fim das contas, o empate do Union só serviu para adiar o título do Royal Antwerp em uma semana (devido a incompetência do próprio time, diga-se, que seria campeão se tivesse vencido.). Depois de um inverno que durou mais de 60 anos, o time da Antuérpia é campeão do Campeonato Belga e ainda completa um doblete com a Copa Nacional, que já havia conquistado recentemente. Uma grande volta por cima de um clube que recentemente esteve na segunda divisão. 


Ao Union, ainda o terceiro maior campeão belga e que amarga novamente o escape de um título que parecia certo, fica o consolo de que o caminho percorrido segue sendo absolutamente correto. O clube, que depois do período de grandeza nos anos 1920 e 1930 amargou sucessivos rebaixamentos, chegou a disputar a quarta divisão e quase fechou as portas, voltou aos trilhos após ser comprado pelos mesmos donos do Brighton e usa o mesmo trabalho de "scouting" do clube inglês, sendo até de certa forma uma etapa da procura do time azul e branco. Hoje com mais recursos, é provável que o título venha em breve, mas como explicar isso para uma torcida tão sofrida? 

Por fim, fica a observação sobre o Brugge, que simplesmente teve uma queda inacreditável. Eliminado nas oitavas da própria Liga dos Campeões pelo Benfica, o time azul e preto não jogou nada do que poderia na liga, o que foi acentuado por uma porção de lesões. De consolo, tirou o título do antigo "rival" Union, mas é muito pouco para uma temporada do clube mais forte do futebol belga. 

A melhor definição de grande final de temporada na Europa será na Bélgica

Por Lucas Paes
Foto: Divulgação/Union St. Gilloise

Tudo muito aberto na Bélgica

A Europa é palco de muitos dos campeonatos mais midiáticos e mais badalados do futebol mundial. Campeonatos como o Inglês e o Espanhol chamam atenção do mundo inteiro com suas equipes badaladas, mas a grande maioria dos torneios do Velho Mundo tem campeões repetidos continuamente, inclusive a Inglaterra, que anda fazendo um "cosplay de Bundesliga" com o Manchester City na Premier League. Pois a temporada 2022/2023 terá uma das definições mais incríveis dos últimos anos no futebol mundial. Tanto Royal Antwerp, quanto Union St. Gilloise (de novo) quanto o Genk podem ser campeões na Bélgica.

Antes de mais nada, é preciso explicar como funciona o formato da Jupiler League. Diferente de muitos campeonatos europeus, o Campeonato Belga tem depois dos dois turnos em pontos corridos uma fase que define o título com os quatro primeiros colocados disputando entre si a conquista da competição numa espécie de fase de grupos. Nesta fase, os pontos são cortados pela metade e nesta temporada o campeonato está equilibradíssimo.

Nesta temporada, o Royal Antwerp fez desde o início uma grande campanha. Foi durante a maior parte do campeonato o líder, numa corrida surreal junto ao Genk e ao Union St. Gilloise. No final da competição, os três chegaram a fase final muito próximos e fizeram campanhas parecidas, com o Royal se destacando muito por ter vencido o Union na casa do time amarelo e azul. Até que chegamos a rodada deste fim de semana. O Royal Antwerp poderia ser campeão se vencesse o Union em casa e fazia isso até o finalzinho do jogo, até que Vermeeren desviou um chute para as próprias redes e deixou tudo aberto.


Com o empate, o Antwerp adiava sua festa e já não era campeão e mais tarde, com a vitória do Genk sobre o Brugge (que faz péssima campanha na fase final), os três times terão chance de serem campeões da Jupiler League desta temporada. O Royal tem a situação teoricamente mais fácil, já que precisa apenas vencer seu jogo e será campeão, pois está a frente do Union no critério de desempate. O problema? Ele joga com o Genk, que o enfrentará em casa e se vencer torce para uma não vitória do Union para sair campeão. O Union precisa vencer o Brugge e torcer para a não vitória do Royal Antwerp. 

A definição ocorrerá no dia 4 de julho, às 13h30, quando os dois jogos ocorrem simultaneamente. No Brasil, quem quiser assistir terá a opção do Star+, streaming da ESPN, com uma possibilidade bem grande que a própria ESPN passe os jogos devido a situação interessante que ambos envolvem. Será uma das melhores definições do futebol europeu na temporada. 

Depois de quase ser campeão belga, o Union St. Gilloise volta a sonhar com o título nesta temporada

Por Lucas Paes
Foto: Laurie Dieffembacq/Belga

O Union está vivo na Europa League e no Campeonato Belga

Na temporada 2021/2022, o Union St. Gilloise foi uma das maiores sensações do futebol europeu. O time da cidade de Bruxelas, capital da Bélgica, liderou o campeonato local durante boa parte da competição, mas acabou perdendo o fôlego (e o título) na fase final da competição. Ainda assim, manteve-se bem para a temporada 2022/2023 e segue durante a temporada inteira na parte de cima da tabela, recentemente tendo vencido o líder Genk, diminuindo a diferença para cinco pontos. Faltam poucas rodadas para o início da fase decisiva.

Muito se imaginou que os unionistas perderiam força para a temporada atual, já que perderam destaques como Vanzeir e Undav e também mudaram o treinador, mas a equipe voltou tão forte quanto na temporada anterior. Atualmente, o time tem contado com a ótima forma de Boniface para se destacar no campeonato local, além das quase sempre presentes assistências de Teuma. 

Recentemente, a equipe sofreu uma dolorosa derrota nos pênaltis na semifinal da Copa da Bélgica, mas isso não desanimou a excelente temporada da equipe até o momento. Na Europa League, o St. Gilloise não se intimidou diante do Union Berlin, que faz ótima campanha na Bundesliga e arrancou um empate por 3 a 3 dentro da casa dos alemães que o colocou em ótima posição para avançar na Europa League. No campeonato, é se manter próximo ao Genk para pegar a equipe na fase final.

Cada vez mais parece ficar claro que, a exemplo do Brighton, que possuí o mesmo dono, o Union é na verdade um bem sucedido projeto de recuperação de um clube tradicional, já que é mais uma temporada onde o recém retornado clube da capital faz campanha muito boa e sonha com voltar a conquistar o Campeonato Belga depois de muitas décadas. É bem provável que o clube veio para ficar no cenário do futebol local e quem sabe continental.


Restará mais uma vez acompanhar os próximos passos dessa equipe nas competições, com quem sabe o amadurecimento da dolorida derrota final na temporada 2021/2022 servindo de aprendizado para que nessa o Union venha com tudo para a fase final da Jupiler League e finalmente conquiste o tão sonhado e esperado título do Campeonato Belga. 

A passagem de Michel Preud'homme no Mechelen

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

Preud'homme atuando pelo Mechelen

A Copa do Mundo é um palco que muitas vezes tira do anonimato jogadores que nem sempre são tão conhecidos mundialmente através de grandes atuações no torneio. Isso era verdade principalmente nos torneios mais antigos, antes do êxodo comum de jogadores para as grandes ligas, quando muitas vezes o destaque de uma seleção diferente jogava no próprio país. O goleirão Michel Preud'homme, que está completando 64 anos neste dia 14, é um desses casos e chegou a 1994 quando finalizava sua grande passagem pelo Mechelen, da Bélgica.

Antes daquele mundial, Preud'homme havia feito toda sua carreira no futebol belga, como inclusive era o caso da enorme maioria do time da Bélgica nas competições dos anos 1980 e 1990. O futebol local vivia inclusive um grande momento, com o Anderlecht sendo destaque na Recopa Europeia. Foi nesse contexto que Michel deixou o tradicional Standar de Liege para atuar pelo Mechelen no ano de 1986. 

Depois de viver grandes momentos no gol do Standard, ele chegou ao Mechelen para fazer parte do que foi o maior time da história do clube. Contando com diversos nomes que se consagrariam no futebol belga nos anos seguintes. Preud'homme foi fator crucial para a conquista da Copa da Bélgica logo em sua primeira temporada no clube. A conquista seria chave para o título mais importante na história do clube.

Em 1988, Michel e seus companheiros foram responsáveis pela conquista da história Recopa Européia, conhecida em inglês como a Cup Winners Cup. Este foi o último título continental de um time da Bélgica. Com Preud'Homme em estado de graça, o Mechelen tomou apenas três gols ao longo da competição e foi campeão batendo o Ajax por 1 a 0 na decisão graças a uma grande partida do goleirão e do time como um todo.


Na temporada seguinte, foi campeão do Campeonato Belga. Nos anos seguintes seguiu atuando em grande nível nos Kakkers, sendo goleiro titular da Seleção Belga na Copa do Mundo de 1990 e virando uma figura conhecida do futebol europeu, apesar do sucesso não se repetir para os lados do Mechelen. Em 1994, ainda era jogador do clube quando fez uma grande Copa do Mundo pela Bélgica e acabou chamando a atenção do Benfica, que o levou para a luz ao fim da Copa do Mundo. 

Encerrou sua passagem pelo Mechelen com 302 jogos com a camisa do clube, sendo um dos maiores nomes da história da instituição. Ainda jogaria por cinco anos no Benfica, numa época de vacas magras na Luz, antes de pendurar as luvas em 1999. Teve e ainda tem relativo sucesso na carreira de treinador e hoje é diretor esportivo do Standard de Liege. 

A passagem de Khalilou Fadiga pelo Brugge

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

Fadiga atuou por 4 anos na Bélgica

A Copa do Mundo de 2002, vencida pelo Brasil, teve alguns outros times que encantaram o planeta e um deles foi a seleção de Senegal, que chegou as quartas de final e fez duríssimo jogo com a Turquia para tentar chegar as semifinais, mas caiu diante dos europeus. Um dos grandes jogadores daquele time era o camisa 10 Khalilou Fadiga, que vinha de uma passagem muito boa pelo Brugge, da Bélgica e completa 48 anos neste dia 30.

Nascido na capital Dakar, o jovem Khalilou começou os passos mais sérios no futebol no PSG que ainda sequer sonhava em ser o clube endinheirado dos dias atuais, tendo passado alguns anos na base do time parisiense antes de passar pela base do Red Star Paris e por fim ir parar no RFC Liege, onde estreou profissionalmente. Seu bom futebol o levou ao Brugge em 1997.

A estreia de Fadiga no Brugge se deu diante do Gent, numa goleada por 4 a 0 fora de casa. Seu primeiro gol veio no duelo contra o Westerlo, num jogo da Liga. Em sua primeira temporada, ele marcou quatro gols em 36 jogos, sendo uma das figuras essenciais na conquista do décimo título da Liga Belga do Brugge. A equipe azul e preta terminou mais de 20 pontos na frente do Genk, vice-campeão daquele ano. A equipe ainda chegou a final da Copa da Bélgica, mas perdeu a decisão. 

Na sua segunda temporada, teve um ano um pouco menos brilhante. O Brugge acabou perdendo o título para o Genk por uma diferença de apenas dois pontos. Na Liga dos Campeões acabou perdendo nas preliminares pelo Rosemborg, deixando cedo o sonho europeu. Curiosamente, ele até marcou mais gols naquele biênio, mas não teve um desempenho tão bom quanto na temporada do título. 


No biênio 1999/2000, teve a temporada abreviada por uma lesão que o afastou por três meses dos gramados, mas seu futebol foi suficiente para o levar a Copa das Nações Africanas daquele ano, onde inclusive entrou no time do campeonato. Aquela foi sua última temporada efetivamente pelo Brugge. Ainda jogou o início da de 2000/2001, onde inclusive fez seis gols em cinco jogos, mas acabou negociado com o Auxerre, da França. 

No total, em seus quase 4 anos jogando pelo Brugge, Fadiga esteve em campo 86 vezes, marcando um total de 17 gols com a camisa do time belga. Esteve em atividade no futebol até 2014, quando pendurou as chuteiras no semi-amador Temse. 

A passagem de Lato pelo Lokeren

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

Lato atuando no Lokeren

Considerado um dos melhores jogadores do mundo atualmente, Robert Lewandowski passa a sensação de ser o primeiro de seu país a atingir tal patamar. Porém, a Polônia tem história no esporte bretão e já teve em suas fileiras grandíssimos jogadores que inclusive levaram aquela seleção a grandes resultados em jogos olímpicos e em Copas do Mundo. Completa 72 anos neste dia 8 o que talvez seja o maior jogador do país: Grzregorz Lato, que teve boa passagem pelo Lokeren nos anos 1980.

Na época uma república sob a batuta soviética, a Polônia via seus jogadores dificilmente deixarem o país. Por isso que só aos 30 anos Lato conseguiu deixar o Mielec para atuar pelo belga Lokeren, recusando inclusive convite pessoal de Pelé para atuar no New York Cosmos. Seria sua primeira experiência fora do solo polonês. 

Chegou como o principal reforço do time e chamou a atenção desde o início por ter um status de estrela internacional. Em sua primeira temporada, foi o principal destaque do time numa campanha espetacular, que levou a modesta equipe ao vice-campeonato nacional e ao vice-campeonato da Copa da Bélgica em 1981, melhores campanhas da história do modesto clube. 

No ano seguinte, ajudou novamente a equipe à alçar grandes voos, num time que tinha outros jogadores vindos da "cortina de ferro". A equipe terminou na quarta colocação do campeonato nacional e caiu nas quartas de final da Copa da Bélgica. Na Copa UEFA, a equipe avançou até a terceira fase, quando caiu para o Kaiserslautern. A quarta colocação na liga veio na verdade após grande arrancada.


Lato acabou por encerrar sua passagem ao fim de 1982, indo curiosamente jogar no México. Pelo Campeonato Belga, fez 12 gols com a camisa do Lokeren, marcando alguns outros pela Beker van Belgie (a copa nacional local) e pela Copa da UEFA. Atuou profissionalmente até 1984, quando pendurou as chuteiras jogando pelo Atlante. 

A incrível história de um renascimento - Union Saint-Gilloise vira sensação da Bélgica

Por Lucas Paes
Foto: Divulgação/Union Saint-Gilloise

O Union St. Gilloise lidera o campeonato belga

Uma das histórias mais incríveis do futebol mundial em 2021 vai por enquanto acontecendo no futebol belga. O mesmo lugar que foi palco da maluca cena da invasão de torcedores em um jogo do Sporting Charleroi hoje sedia uma das histórias mais incríveis de todo o futebol. Com uma campanha simplesmente irrepreensível, o Union Saint-Gilloise, os atuais campeões da segunda divisão, vão liderando a elite do país, mais conhecida como Jupiler League, já com o campeonato entrando no segundo turno.

Não se trata necessariamente de um time sem história. O Union St-Gilloise era uma das maiores forças do futebol belga no início do século passado, tendo conquistado 11 títulos nacionais entre os anos de 1900 e 1940, mas seu último título foi no já distante 1935. Desde então, o clube viveu uma decadência  passou por crises, mas recentemente vive um crescimento desde que foi comprado por britânicos.

A vida do Union não é fácil. Dividir a cidade de Bruxelas com o Anderlecht, que é uma força do futebol local e tem inclusive títulos, no plural mesmo, internacionais complica a vida do time azul e amarelo. Os unionistas jogam no modesto Stade Joseph Marien, com capacidade para nove mil pessoas e cercado por uma área verde que torna a paisagem inclusive bem bonita. A faixada do estádio parece assim como o clube ter parado no tempo.

A história do Union começou a mudar há três anos atrás, quando Tony Bloom, dono do Brighton Hove & Albion, comprou o clube belga junto a um de seus sócios. O clima favorecia a compra, que encaixou nos critérios de ser um time próximo a Londres, com potencial para crescimento. Os novos donos foram bem vindos pela torcida, que sentia que aquilo poderia ser o início de uma nova era, depois de décadas frequentando as divisões inferiores.

O clube hoje é gerido por três "jovens", pelo menos no que se refere a negócios e possui vários princípios que são levados em conta para transferência de jogadores. O processo demora meses, envolve análises táticas, técnicas e comportamentais, com esta última sendo levada muito a sério, e é uma das chaves do sucesso primeiro na segunda divisão e depois, neste momento pelo menos, na Jupiler Pro League. Um dos destaques do time foi contratado assim, o ótimo atacante Dante Venzier, trazido por empréstimo e depois vindo permanentemente do Genk. Ele foi o destaque da campanha do título da segunda divisão e segue voando atualmente, inclusive sendo convocado para a seleção nacional.

Comandados por Felice Mazzu, que já passou por grandes times do país, o Union tem encantado o país com um bom futebol e principalmente com os gols que parecem sair a todo o momento dos pés de Venzier e também do artilheiraço Deniz Undav. Além deles, o ótimo lateral Nieuwkoop e o xerifão inglês Burgess são outros dos grandes destaques do time, que com méritos ocupa a primeira posição, com 14 vitórias, quatro empates e uma derrota ao longo da competição. 

Para ser campeão, além de ocupar a liderança até a 34ª rodada, o Union terá de também vencer os playoffs do título, que envolvem os quatro primeiros colocados jogando entre si em ida e volta. Na mais recente partida, vitória sobre o Zulte Waregen por 2 a 0, fora de casa. São agora 47 gols marcados em 19 jogos, números impressionantes que se somam a apenas 18 gols sofridos. Não é a toa que a liderança vem com certa vantagem para o Brugge. 


Independente do que acontecer nesta temporada, o Union já é uma das melhores trajetórias do futebol em 2021. Com uma filosofia que colocou o time de volta no topo, o corpo diretor pretende reestruturar a equipe para que ela se torne forte e sustentável até muito depois que os donos deixarem a equipe. Seguiremos então acompanhando a saga do time que pode ser um "Leicester City" alternativo. Uma coisa parece muito certa: o Union Saint-Gilloise voltou para ficar. 

Na Bélgica, torcedores do Sporting Charleroi invadem jogo para cobrar dirigente por maus resultados

Por Lucas Paes
Foto: MyCujoo/Eleven Sports

Torcedores do Sporting Charleroi invadiram o campo

Não é só no Brasil que temos torcedores organizados invadindo propriedades do clube para cobrar dirigentes. Na tarde deste sábado, dia 17, os ultras do Sporting Charleroi, da Bélgica, invadiram o Stade du Pays de Charleroi antes do jogo contra o Eupen para cobrar o presidente do clube, Mehdi Bayat, devido aos maus resultados ocorridos ao longo da temporada, com os Carolos fora da briga por uma vaga em competições europeias. Assim como em boa parte do planeta, o campeonato local ocorre com portões fechados devido a pandemia do coronavírus.

O protesto foi organizado pelos Storm Ultras, um dos grupos mais ativos e conhecidos da Bélgica. A situação é o deságue de algum tempo de cobranças dos torcedores, insatisfeitos com o desempenho de seu time nesta temporada. A diretoria do Sporting Charleroi ofereceu para que eles se encontrassem com Bayat na segunda-feira, dia 19, quando ele faria um encontro para perguntas e respostas, possibilidade que foi prontamente negada pelos ultras.

Segundo a torcida, a ação deste sábado prometia ser "pacífica, porém firme". Bayat não "afinou" para a cobrança e fez questão de discursar frente aos pouco mais de cem torcedores. Ele primeiro defendeu seus anos no comando do clube, citando que "em 115 anos, o clube nunca havia passado pelos momentos que passou nos últimos nove anos". O mandatário também não deixou de assumir parte da culpa, citando que "aceita os erros e que a falha é coletiva, quando perdem um, perdem todos, jogadores, dirigentes e torcedores".

Depois de discursar frente aos torcedores, Bayat saiu acompanhados dos organizados do estádio, permitindo assim a entrada da delegação do Eupen no estádio. Com os acontecimentos, o jogo acabou atrasando 30 minutos, começando as 14h no horário de Brasília, ao invés das 13h30 como seria o horário marcado.


O Sporting Charleroi terminou a última rodada com uma derrota por 3 a 2 para o Eupen, em casa, terminando com o resultado na décima terceira posição na tabela de classificação da Jupiler League, fora da zona de classificação a Liga Europa e muito distante da zona da rodada final da briga pelo título. Uma posição que está, por exemplo, muito abaixo do quarto lugar na temporada 2019/2020, num campeonato que não terminou, ou do nono lugar no biênio anterior.

O Curioso do Futebol

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