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5 de março de 1961: O gol de placa de Pelé no Maracanã

Por Ricardo Pilotto
Foto: Arquivo

Pelé marcou um 'gol de placa' no Maracanã em 61

Há exatos 63 anos atrás, o histórico time do Santos batia o Fluminense pelo placar de 3 a 1, em pleno estádio do Maracanã. O confronto entre cariocas e paulistas foi válido pelo extinto Torneio Rio-São Paulo de 1961.

Aquela poderia ter sido somente mais um triunfo de um dos melhores times que o Peixe já teve ao longo de sua história, não fosse aquele maravilhoso gol feito pelo Rei contra o qualificadíssimo Tricolor, que tinha em seu elenco o goleiro Castilho, os zagueiros Pinheiro e Jair Marinho, e também o meio-campista Paulinho "Ladrão", que passou a ser chamado assim porque tinha muita facilidade de roubar a bola dos oponentes.

Além deles, o Flu ainda tinha o "Fio de Esperança", Telê Santana, que teve o privilégio de ver aquela pintura do craque santista direto do gramado.

Mesmo existindo fotos do jogo, o fatídico lance não foi registrado. Até os dias de hoje, se procuram imagens que mostram pelo menos um pouco daquele momento em que o Rei tira sete atletas tricolores da jogada antes de mandar a bola para o fundo das redes.


Por iniciativa do saudoso jornalista Joelmir Beting, que escrevia para o jornal "O Esporte" naquela época, foi confeccionada uma placa para fazer uma alusão ao tento como homenagem. Para que fosse feita, Joelmir bancou tudo e não foi reembolsado. Foi daí, que a expressão "Gol de Placa" passou a ser utilizada no meio futebolístico.

Anos depois do fato, o Rei fez questão de retribuir o ato. Encomendou uma placa para homenagear o jornalista. Pedro Luiz Paoliello, saudoso locutor, foi um dos que teve a honrar de não só presenciar, como também narrar o golaço feito pelo eterno camisa 10 do Santos e da Seleção Brasileira.

A passagem de Vicente Feola como treinador do Boca Juniors

Por Ricardo Pilotto
Foto: Arquivo

Feola treinou o clube Xeneize em 1961

Nascido na capital paulista em 1909, o ex-jogador e treinador Vicente Ítalo Feola, estaria completando 113 anos de idade nesta terça-feira, dia 1º de novembro. Alguns anos depois de se sagrar o primeiro técnico campeão do Mundo com a Seleção Brasileira em 58, ele chegou a comandar o Boca Juniors em 1961.

Após criar um vínculo muito grande com o São Paulo, tanto como jogador, quanto como treinador, Feola comandou o Tricolor Paulista em várias oportunidades. Chegou a equipe Xeneize em 61, mas não conseguiu ter uma boa passagem no futebol argentino.

Apesar de fazer um tipo muito bondoso e amigo dos seus comandados, Vicente era bastante pela crônica esportiva que cobria a Amarelinha. Em algumas partidas, chegou a ser acusado de dormir no banco de reservas

Essa tal hipótese não era algo totalmente descartado. Isso porque, o técnico tomava diversos medicamentos para tratar de sua saúde problemática de obesidade. Deixou o cargo de comandante do time azul e amarelo após 68 partidas disputadas, sendo 30 oficiais e 38 amistosos, segundo o site historiadeboca.com.


Pouco depois dessa passagem pelo Boca, teve mais uma passagem pela Seleção Brasileira como treinador, em 1966, na fracassada campanha na Copa do Mundo da Inglaterra. Ainda dirigiu diversas equipes. Feola faleceu em 6 de novembro de 1975.

Djalma Dias e seu início no America

Com informações do Trivela
Foto: arquivo

Djalma Dias com a camisa do America

Neste domingo, dia 21 de agosto, um dos grandes zagueiros da história do futebol brasileiro completaria 83 anos: Djalma Dias. O craque, que conseguiu ter um filho tão craque quanto, Djalminha, brilhou principalmente com a camisa do Palmeiras, na grande Academia, e ainda defendeu Atlético Mineiro, Santos e Botafogo. Mas seu grande início foi no America.

Nascido no Rio de Janeiro, em 21 de de agosto de 1939, já nas peladas mostrou ter "aquilo a mais" de um jogador comum. Como ele vinha de família de classe média do bairro Cidade Nova, Djalma quase foi dentista por vontade dos pais, ou engenheiro por vontade própria. Optou pela bola.

Levado por Oscar, ex-jogador do America, para o clube tijucano, entrou no time infanto-juvenil em 1956, subindo para os juvenis no ano seguinte, categoria na qual chegaria à Seleção Brasileira. Jogava de centromédio (atual volante) ou meia-armador.

No entanto, quando foi lançado no time de cima no início de 1958 pelo técnico húngaro Gyula Mandi, Djalma foi escalado como lateral. Dentro de pouco tempo e da grande rotatividade no comando do time rubro, já havia atuado em todas as posições da linha de defesa. Até ser fixado como zagueiro central por Jorge Vieira, conquistando de vez a titularidade na temporada de 1960, que acabaria entrando para a história do America.

Usando toda a técnica já demonstrada quando atuava no meio-campo, Djalma Dias tornou-se um zagueiro elegante, classudo, que se recusava a recorrer a botinadas. Foi com esse estilo que liderou a defesa americana na conquista do título carioca, atuando em 21 das 22 partidas de uma campanha surpreendente, que levou um pouco badalado time rubro ao quebrar um jejum de 25 anos e se tornar o primeiro campeão do novo estado da Guanabara.

A equipe de Jorge Vieira só perdeu um jogo (1 a 0 para o Bangu, na quinta rodada), foi campeã batendo o Fluminense por 2 a 1 de virada no último jogo e terminou o torneio com a defesa menos vazada: apenas 15 gols sofridos em 22 partidas. Djalma Dias foi eleito o melhor zagueiro do campeonato e também a revelação do ano. Ganhou destaque até na revista italiana “Il Calcio e Il Ciclismo Ilustrato”, então uma das principais do país.

No ano seguinte, o America não repetiu a grande campanha no Carioca, mas fez bom papel na Taça Brasil, chegando às semifinais. Djalma ficou de fora da primeira fase, quando os rubros não tiveram trabalho para eliminar o Fonseca, de Niterói, campeão do antigo estado do Rio de Janeiro. Mas marcou presença quando o esquadrão rubro eliminou o Cruzeiro, campeão mineiro, e o Palmeiras, então detentor do torneio, antes de cair para o Santos de Pelé.

Djalma foi novamente eleito o melhor zagueiro central do futebol carioca em 1961 e começou a ser cotado para uma vaga na Seleção Brasileira que defenderia o título na Copa do Mundo do Chile, no ano seguinte. Incluído na lista de pré-convocados para o Mundial divulgada em março, o central americano faria sua estreia pelo Brasil no dia 12 de maio, entrando no lugar de Mauro durante a vitória por 3 a 1 sobre o País de Gales no Maracanã.

Porém, na relação final dos convocados, o zagueiro central de 22 anos seria preterido por Bellini e Mauro, ambos com 31 anos e veteranos de 1958. A tristeza com a ausência do Mundial seria logo amenizada com a conquista da International Soccer League, um torneio que reunia clubes da Europa e das Américas organizado por um milionário norte-americano chamado William “Bill” Cox e que já havia sido levantado pelo Bangu dois anos antes.

A competição, também conhecida simplesmente como Torneio de Nova York, foi disputada entre o meio de julho e o início de agosto de 1962 com 12 equipes divididas em dois grupos. O America venceu sua chave de forma invicta, superando Chivas, Palermo, Hajduk Split, Dundee FC e o Reutlingen, da Alemanha Ocidental. E fez a final contra os portugueses do Belenenses, vencendo as duas partidas no estádio da Randall’s Island por 2 a 1 e 1 a 0.

Referência técnica da equipe e cobiçado por diversos clubes cariocas e paulistas, Djalma teve problemas para tentar renovar seu contrato ao voltar de Nova York e entrou em litígio com o America, que chegou a colocar seu passe à venda por um valor inviável. Ficou cerca de um mês fora do time, mas acabou aceitando um novo contrato-tampão apenas até o fim da temporada, recebendo o salário-teto do elenco. No fim do ano, foi negociado com o Palmeiras.


Depois de deixar o Palmeiras, onde brilhou, Djalma Dias ainda defendeu o Atlético-MG, em 1968, o Santos, de 1969 a 1970, onde venceu o Campeonato Paulista logo no ano de sua chegada, e o Botafogo, de 1970 a 1974.

Djalma Dias ainda chegou a atuar na Seleção Brasileira de Masters, montada por Luciano do Valle e fazia diversos amistosos pelo país exterior, além de acompanhar o início de carreira de Djalminha, então na base do Flamengo. Porém, no dia 1º de maio de 1990, faleceu aos 50 anos de idade, por parada cardiorrespiratória no Rio de Janeiro.

O primeiro gol de placa, de Pelé, completa 61 anos

Com informações de Gabriel Pierin, do Centro de Memória
Foto: arquivo

Pelé finalizando o lance que originou a expressão 'gol de placa'

Na tarde de 5 de março de 1961, um domingo de verão, o Fluminense recebeu o Santos no Maracanã. Cerca de 40 mil pessoas assistiram à partida válida pela segunda rodada do Torneio Rio-São Paulo. Um jogo que entrou para a história pelo gol mais bonito já visto no Maracanã: o gol de placa de Pelé.

Depois de ter vencido o Vasco por 5 a 1 na primeira rodada, o Santos foi ao Rio de Janeiro enfrentar o Fluminense. O Alvinegro precisou de apenas três minutos para abrir o marcador. Coutinho recebeu o cruzamento de Pepe na entrada da área. Deu um passe de cobertura para Pelé que concluiu fora do alcance do goleiro Castilho.

O Fluminense tocava a bola e chegava rápido ao ataque, mas o eficiente sistema defensivo do Peixe, formado com Fioti, Mauro, Dalmo e Calvet, cobria os avanços do time carioca com perfeição. E foi da defesa que partiu a magia do segundo gol.

Aos 40 minutos Pelé recebeu a bola do zagueiro Dalmo na entrada da área. O meia controlou a bola e atravessou todo o gramado sem tomar conhecimento da perseguição dos adversários. Assim, entrou na área do Fluminense e desvencilhou-se de Pinheiro. Jair Marinho veio na cobertura e Pelé, mais rápido, colocou com categoria a bola no canto direito, para marcar o segundo tento do Santos.

O feito espetacular arrancou aplausos dos torcedores, que colocaram a rivalidade de lado. Tricolores e santistas proporcionaram uma cena inédita no Maracanã, comemorando juntos o gol espetacular.

O episódio foi descrito assim pelo jornalista Mário Filho em seu livro “Viagem em torno de Pelé”: Era um gol visto do princípio ao fim, como nunca se vira outro. Então aconteceu uma coisa inédita. A multidão não se levantou. Continuou sentada. Mas prorrompeu em palmas. Não houve um só espectador que não batesse palmas. Era uma ovação de Teatro Municipal. As palmas não paravam aumentando de intensidade. Batia-se palmas olhando para o campo, para Pelé. Pelé ouviu as palmas e olhou para as arquibancadas do Maracanã. Depois levantou o braço e acenou com a mão, agradecendo. Recebia os abraços de Coutinho, de Zito, de Pepe, de Dorval e continuava a escutar as palmas… Correu para o meio de campo, acenando com a multidão levantada, agradecendo. Era aquela a homenagem mais bela que recebera…

As palmas só cessaram quando Valdo deu a nova saída. Iam recomeçar logo depois, pois acabava o primeiro tempo e Pelé saía de campo. A diferença é que agora a multidão se pôs de pé para aplaudir Pelé. Quando Pelé desapareceu no túnel, ninguém ficou quieto. A vontade que todo mundo tinha era de se abrir, de compartilhar com alguém a alegria do gol de Pelé. Formavam-se grupos. Gente que não se conhecia tornava-se íntima pelo milagre do gol de Pelé.

O Santos ainda faria o terceiro gol no início do segundo tempo. Aos sete minutos, Pelé entregou a bola com perfeição para Pepe completar de primeira. O chute pegou efeito e surpreendeu Castilho. Depois de construir o placar de 3 a 0, o time de Vila Belmiro se acomodou. O Fluminense criou boas oportunidades, mas só descontou no último minuto, com o gol de Jaburu.

Naquele domingo inesquecível, o Santos foi escalado pelo técnico Lula com Laércio, Fioti, Mauro e Dalmo; Zito e Calvet; Dorval, Mengálvio (Ney), Coutinho, Pelé e Pepe (Sormani). O Fluminense, do técnico Zezé Moreira, atuou com Castilho, Jair Marinho, Pinheiro e Altair; Edmilson e Clóvis (Paulo); Telê Santana (Augusto), Paulinho, Valdo, Jaburu e Escurinho. Na arbitragem, o potiguar Olten Ayres de Abreu.

Na rodada seguinte, em 11 de março, também no Maracanã, o Santos goleou o Flamengo por 7 a 1, diante de mais de 90 mil pessoas, e Pelé marcou mais três gols. A fase excepcional de Pelé incomodava os adversários que reagiam com violência.

Na partida contra o São Paulo, em 15 de março, no Pacaembu, Dino Sani e Vitor foram citados na súmula da arbitragem por terem dado pontapés em Pelé. O Santos venceu por 1 a 0, mas perdeu o seu maior craque pelos três jogos seguintes do Rio-São Paulo. Pelé teve dificuldade para recuperar seu melhor futebol, o que foi decisivo para impedir o título do Santos.

Gol de Placa - Entre os presentes no Maracanã estava o jovem jornalista paulista Joelmir Beting, que cobria o jogo para o jornal O Esporte. Joelmir decidiu que aquele gol merecia uma placa. Ele mesmo mandou confeccioná-la, de bronze, pagou do seu bolso e foi levá-la ao estádio, em nome do jornal em que trabalhava. Nela estava escrito: Neste campo no dia 5-3-1961 Pelé marcou o tento mais bonito da história do Maracanã. O Esporte.

Joelmir fazia questão de dizer que não era o autor da expressão “gol de placa”, mas a verdade é que ela se consagrou após o gol de Pelé e a placa que doou ao Maracanã. Em 2011, quando o gol completou 50 anos, Pelé enviou uma placa de acrílico a Joelmir com os seguintes dizeres: Ao Joelmir Beting. Gratidão eterna do autor do gol de placa ao autor da placa do gol. Edson Pelé.


A imprensa se rende ao Santos - Muito além do gol eternizado, a placa é também um marco do reinado do Santos na era de ouro do futebol brasileiro. O Alvinegro encantava e se destacava na imprensa.

Matérias sobre o jogo do Maracanã publicadas no Jornal O Globo, na Folha de São Paulo, como no Jornal do Brasil, três jornais de grande influência no País, conferem a mesma visão do grande esquadrão do Santos:

Torna-se cada vez mais difícil encontrar adjetivos para traduzir o que está jogando o Santos. No mínimo teríamos que repetir o chavão, frisando que é verdadeira máquina. Máquina que se encontra bem ajustada, engrenada e azeitada, peças perfeitas e que se ajustam de forma incrível. Começaríamos por Pelé e Coutinho que, no futebol, repetem os fechos das histórias românticas: nasceram um para o outro… (O Globo)

O Santos demonstrou, mais uma vez, ser o maior esquadrão brasileiro da atualidade. A torcida carioca soube reconhecer as grandes qualidades do Santos, sendo inúmeras vezes aplaudida com entusiasmo a tabelinha entre Pelé e Coutinho. O grande meia Pelé demonstrou ser insubstituível (Folha de São Paulo).

O Santos deu, domingo, no Maracanã, uma amostra de seu poderio, confirmando que é, no momento, o melhor team brasileiro – e consequentemente do mundo – ao derrotar o Fluminense, sem se empregar e jogar tudo o que sabe, por 3 a 1, com relativa facilidade (…). É muito difícil explicar o que é o Santos, o que joga o Santos, o que representa o Santos. O seu padrão de jogo atual é, talvez, o que houve de melhor em futebol. Como equipe é quase insuperável e individualmente tem figuras da maior categoria. A alta qualidade de cada jogador se soma para formar um team uniforme, em que os homens se completam sucessivamente. O resultado é um futebol de primeira, um futebol de luxo, belo e prático, fabuloso e objetivo. E une a tudo isso o gênio Pelé (Jornal do Brasil).

Os 80 anos de Lima, o Curinga da Vila

Por Ricardo Pilotto
Foto: Arquivo

Foto mostrando que fora a função de goleiro, o 'Curinga' poderia jogar em qualquer lugar do campo

Nascido no dia 18 de janeiro de 1942 na cidade do Rio de Janeiro, Antônio Lima dos Santos, popularmente conhecido como 'Curinga', está completando 80 anos de idade nesta terça-feira. Por isso, hoje vamos relembrar a vitoriosa e longeva passagem de 12 anos do Curinga pelo Santos.

O polivalente Lima foi revelado nas categorias de base do Juventus e acabou sendo levado ao time profissional com apenas 16 anos de idade. Ele foi descoberto por José Carlos Bauer, conhecido popularmente como "Gigante do Maracanã", quando atuava na equipe de aspirantes.

Antes de rumar para o Alvinegro Praiano, Lima chegou a jogar contra o poderoso Santos de Pelé em 1959. Este confronto aconteceu no dia 2 de agosto, em partida válida pelo Campeonato Paulista daquele ano, quando Pelé fez um dos gols mais bonitos da sua carreira. O Rei recebeu cruzamento vindo de Dorval, chapelou Julinho, Homero e Clóvis. Por fim ainda deu um lençol no goleiro Mão de Onça, deixando o arqueiro Grená com o rosto sujo de lama no chão, e deu um toque sutil de cabeça para marcar o seu terceiro gol na partida e sacramentar a goleada santista por 4 a 0, em plena Rua Javari. 

Nesse jogo, Lima estava jogando no meio de campo do Moleque Travesso e dois anos depois, Lula, treinador do Peixe na época, indicou a contratação do Curinga para que ele exercesse a mesma função com a camisa do Alvinegro da Vila. No dia 19 de abril de 1961, o jovem jogador debutou no time do litoral paulista em uma partida realizada no Pacaembu contra o Flamengo, válida pelo Torneio Rio-São Paulo daquele ano. O Santos acabou sendo goleado pelo placar de 5 a 1. 

Apesar do atleta ter começado a jogar na lateral direita, neste jogo diante do Mengão, Lula colocou Lima para atuar junto de Formiga no meio de campo da equipe santista. Porém, em um momento de improvisação necessária, o treinador Alvinegro colocou o jovem talento em diversas posições diferentes. Com o rendimento do atleta continuava muito bom, ele acabou sendo transformado no maior 'curinga' do nosso futebol.

Lima foi uma peça fundamental para a equipe do Santos nas conquistas dos dois títulos mundiais em 1962 e 1963, tendo ótimas atuações no meio de campo. Em 1966, cumpriu a mesma função na Copa de 1966 realizada na Inglaterra, defendendo a Seleção Brasileira. Foi tão bem, que foi um dos poucos jogadores que foi intocável dentro da equipe.

A última vez que o Curinga vestiu a camisa do Santos foi no dia 30 de outubro de 1971. O Peixe enfrentou o Corinthians no Pacaembu, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro e o versátil atleta atuou ao lado de Clodoaldo no meio de campo. O clássico alvinegro terminou empatado em 1 a 1.


Em 12 anos defendendo as cores do Santos, Lima jogou 692 partidas e anotou 63 gols. Curinga é o quarto jogador que mais atuou com a camisa santista, ficando atrás apenas de Pelé, Zito e Pepe. De quebra conquistou 22 títulos pelo Peixe, além dos torneios que o clube litorâneo também venceu. Foram eles:

Mundial: 1962 e 1963;
Libertadores: 1962 e 1963;
Brasileiro: 1961, 1962, 1963, 1964, 1965 e 1968;
Torneio Rio-São Paulo: 1963, 1964 e 1966;
Paulista: 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968 e 1969;
Recopa Sul-Americana: 1968;
Recopa Mundial: 1968

Depois que seu vínculo com o Sanos terminou, foi jogar no futebol mexicano e por lá ficou até 1974. Quando retornou aos Brasil, defendeu o Fluminense, e em 1975, jogou também nos Estados Unidos. Para encerrar a sua carreira como jogador de futebol profissional, voltou para a Baixada Santista, mas desta vez, para defender a Portuguesa Santista.

A passagem de Jair Rosa Pinto pelo São Paulo

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

Jair jogou pouco tempo no São Paulo

Neste dia 21 de março chegaria ao centenário um dos maiores jogadores do futebol brasileiro entre os anos 1940 e 1960, o atacante Jair Rosa Pinto. Apesar da idolatria vestindo o alviverde do Palmeiras, o carioca jogou por outros clubes paulistas e já no finalzinho de sua trajetória dentro dos gramados chegou ao São Paulo, em 1961.

Depois de viver o inicio da era de ouro do Santos FC e perder espaço para a incrível geração que começava a surgir na Vila Belmiro, Jair chegou ao Morumbi em 1961 para tentar reforçar o São Paulo na concorrência com o absurdo Santos de Pelé e com o Palmeiras que começava a ter sua academia de futebol. Era a grande esperança do Tricolor, apesar dos 40 anos de idade.

Conseguiu desenvolver bem seu futebol com a camisa são-paulina. Apesar de não chegar a conquistar nenhum título com a camisa tricolor, fez boas partidas, por mais que seus números não fossem exatamente empolgantes analisando sob a ótica de hoje. Foram, segundo o site do São Paulo, 31 jogos e dois gols vestindo a camisa do clube.

Acabou permanecendo no Morumbi até meados do ano seguinte, quando foi negociado e transferido para a Ponte Preta, clube pelo qual encerrou a carreira em 1963. Não conseguiu nenhuma grande conquista no Morumbi, chegando ao clube numa ingrata era onde a concorrência era muito pesada para os são-paulinos. Já demonstrava, é claro, sinais de queda física e técnica normais da idade.


Jair esteve entre nós até 2005, quando faleceu de embolia pulmonar após uma cirurgia. Uma curiosidade é que seu nome acabou por inspirar o batismo do atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, cujo pai era palmeirense e fã de Jair da Rosa Pinto.

As finais do Palmeiras na Copa Libertadores

Por Kauan Sousa
Foto: arquivo

O Palmeiras na final da Libertadores de 1961, contra o Peñarol

Na tarde do próximo sábado, dia 30, o Palmeiras disputará a sua quinta final da Libertadores da América. O time palmeirense vai em busca do segundo título, em jogo contra o Santos, no Maracanã. As outras aparições do Palmeiras na final da competição foram em 1961, 1968, 1999, ano em que foi campeão e 2000.

O ano de 1961 foi marcado pela presença de um clube brasileiro na final da Libertadores pela primeira vez, o Palmeiras enfrentou o uruguiao Peñarol, campeão do ano anterior. Na primeira partida, o time uruguaio venceu por 1 a 0 e na partida de volta as equipes ficaram no empate por 1 a 1, decretando assim o Peñarol bicampeão da América, contra um Palmeiras que contava com craques como o goleiro Valdir de Morais, Djalma Santos e Juninho Botelho.

Em 1968, em sua segunda final da Libertadores, após eliminar o Peñarol na semifinal, o Palmeiras perdeu o título para o Estudiantes da Argentina. No jogo de ida sendo disputado na Argentina, o time da casa venceu por 2 a 1, na volta a partida aconteceu no Pacaembu e o Palmeiras venceu por 3x1 com dois gols marcados por Tupãzinho e um por Rinaldo. Como a regra era diferente da atual, aconteceu uma nova partida de desempate em campo neutro, dessa vez o jogo foi no Uruguai e a equipe Argentina venceu por 2 a 0, tornando-se campeã daquela edição.

Campeão - Em 1999, após bater duas vezes na trave, enfim o Palmeiras foi campeão da Libertadores. Campeão da Copa do Brasil no ano anterior, o Palmeiras se classificou para disputar a competição. Comandado pelo técnico Luiz Felipe Scolari, o alviverde passou da primeira fase como vice líder, atrás do seu rival Corinthians. Nas oitavas de final, eliminou o Vasco e nas quartas, eliminou o Corinthians, após cada um ter vencido uma partida por 2 a 0, levando assim a decisão para os pênaltis, com um destaque para o Goleiro Marcos. Na semifinal foi a vez de eliminar o River Plate da Argentina.

Na final o Verdão enfrentou o Deportivo Cali, da Colômbia. No jogo de ida os colombianos venceram por 1 a 0 e na volta o Palmeiras venceu por 2 a 1, assim levando a decisão para os pênaltis e sendo campeão. O time campeão tinha em seu elenco grandes nomes como Marcos, Roque Júnior, Júnior, Zinho, César Sampaio, Alex, Evair.


No ano seguinte, o Palmeiras voltou a disputar a final da Libertadores pela quarta vez. Em busca do bicampeonato, o alviverde passou da primeira fase na liderança de seu grupo, eliminou o Peñarol nas oitavas de final, em disputa de pênaltis, nas quartas de final deixou o Atlas do México pelo caminho e o Corinthians na semifinal, mais uma vez nos pênaltis. Na final o sonho do Bi, ficou pelo caminho após dois empates contra o Boca Juniors é uma derrota nos pênaltis, no estádio do Morumbi.

Agora, pela quinta vez na final, o Palmeiras buscando o segundo título da Libertadores, enfrentando o Santos, neste sábado, dia 30, às 17 horas, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, em partida única. Em caso de empate no tempo normal, haverá prorrogação e, se insistir a igualdade, a definição do campeão será nas penalidades

A primeira Taça Brasil do Santos FC

Foto: Arquivo Santos FC

O time do Santos FC que conquistou a Taça Brasil de 1961

No dia 27 de dezembro de 1961 o Santos FC tornava-se campeão de uma competição nacional pela primeira vez em sua secular história, ao vencer a equipe do EC Bahia pelo placar de 5 a 1, na Vila Belmiro. Essa conquista inédita para o time santista foi na então III Taça Brasil, o que hoje com a unificação dos títulos nacionais pela CBF, corresponde ao Campeonato Brasileiro.

Nessa vitória diante do “Tricolor da Boa Terra” os autores dos tentos santistas foram Pelé (3) e Coutinho (2) formando o campeão com: Laércio (Silas); Lima, Mauro (Olavo) e Dalmo; Calvet e Zito; Dorval, Tite, Coutinho, Pelé e Pepe. O técnico era Luiz Alonso Perez, o Lula.

Um dos 18.662 torcedores presentes no Estádio Urbano Caldeira nessa goleada foi o ex-presidente santista Rubens Quintas, que até hoje lembra saudoso dessa primeira conquista do título nacional, citando a formação do time baiano que jogou com: Nadinho; Helio, Henrique e Florisvaldo; Vicente e Pinguela (Antoninho); Nilsinho, Alencar, Didico, Mario e Marito.


Curiosidade - A primeira participação do Santos FC na Taça Brasil foi no ano de 1959 quando então disputou a finalíssima contra o mesmo EC Bahia no Maracanã e foi derrotado por 3 a 1, o Santos FC poderia ter em seu painel de títulos mais uma conquista nacional se houvesse aceitado a proposta da diretoria do time baiano que houvera proposto a diretoria santista que os dois clubes fossem proclamados campeões do certame pois não havia data disponível para se saber quem levaria o título da 1ª Taça Brasil.

O presidente Athyé Jorge Couri e o vice-presidente Modesto Roma não aceitaram a proposta preferindo disputar a partida decisiva em campo neutro, no caso no Maracanã. Nas partidas disputadas no mês de dezembro de 1960, o Santos perdeu a primeira na Vila Belmiro por 3 a 2 venceu a segunda jogando no Estádio da Fonte Nova em Salvador por 2 a 0 e só foi jogar a final no dia 29 de março de 1960 no Estádio do Maracanã deixando escapar a vitória que lhe daria o inédito título.

Zizinho e o seu fim de carreira no Audax Italiano do Chile

Foto: arquivo Audax Italiano

Zizinho, com a camisa 10 do Audax Italiano, com companheiro de clube

Neste 14 de setembro de 2019, está completando 98 anos do nascimento de um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos: Tomás Soares da Silva, ou simplesmente Zizinho. O grande nome do futebol brasileiro dos anos 40 e 50, Mestre Ziza brilhou com as camisas de Flamengo, Bangu, São Paulo e Seleção Brasileira. Porém, já no início da década de 60, perto de completar 40 anos, o meia teve o último capítulo de sua carreira, defendendo o Audax Italiano do Chile.

Zizinho, em sua carreira, colecionou títulos pelas equipes que passou e prêmios individuais, sendo considerado, inclusive, o melhor jogador da Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil. Porém, a perca do título o fez se afastar da Seleção e deixou de ser convocado com frequência, mesmo mostrando que era um dos melhores do país, já defendendo o São Paulo FC. Ele era tão importante que foi considerado o futebolista mais completo antes do surgimento de Pelé, que já declarou várias vezes que tinha Mestre Ziza como ídolo.

Já o Audax Italiano, na época, era um dos grandes times chilenos. Com quatro títulos nacionais (1936, 1946, 1948 e 1957), só ficava atrás do Colo-Colo e conquistas e à frente de Universidad de Chile e Catolica. Porém, depois do campeonato de 1957, o clube amargava o meio da tabela e a pressão era grande. A solução: contratar um grande craque, mesmo em fim de carreira, como Zizinho.

Quando chegou a Audax, no início de 61, Zizinho não tinha mais a mesma velocidade, mas manteve a essência, a alegria e a capacidade de envergonhar as defesas. "Há duas coisas que não perdi: o estado físico e o que aprendi sobre o futebol. Acho que com os dois posso me defender em qualquer lugar. Se não fosse assim, não teria vindo", disse ele em sua apresentação. 

Com 40 anos, ele entregou seus últimos lampejos em campos chilenos e depois se despediu ao retornar silenciosamente para o Rio de Janeiro. Ele jogou 16 jogos no Audax, converteu três gols e deixou frases como essa. "Acho que uma das coisas fundamentais do futebol é fazer as coisas com facilidade. Muitas vezes, a velocidade é confusa rapidamente. Protegendo o passe, dominando bem a bola, você ganha tempo: perde-se ao fazer tudo a 100 quilômetros por hora".

Os resultados do Audax Italiano não mudaram muito com sua chegada. O time continuou no meio da tabela enquanto ele esteve vestindo a camisa 10 do clube. Aliás, o Audax Italiano continua assim até os dias de hoje, tanto que seu último título do Campeonato Chileno é ainda o de 1957. Porém, nada apagará da memória do clube a passagem do grande Zizinho por sua equipe.

O Flamengo campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1961

Com informações do site oficial do Flamengo
Foto: Arquivo Flamengo

O Flamengo que se recuperou de uma goleada sofrida e conquistou o Rio-São Paulo de 1961

Há exatos 58 anos, o Flamengo sagrava-se campeão do Torneio Rio-São Paulo, maior competição da época. E o título de 1961 não poderia ter maior expressão para o Rubro-negro, afinal foi o único conquistado pelo clube nos áureos tempos da competição. Capitaneado por Dida, um dos maiores ídolos da história do clube, e com o talento do violino Carlinhos, o time campeão ainda revelou um grande craque para o mundo: Gerson, o canhota de ouro, eleito pelos jornais da época grande jogador do torneio.

A conquista do primeiro e único Torneio Rio–São Paulo levantado pelo Flamengo em sua história. E numa campanha em que também sofreu goleada, essa em pleno Maracanã: 7 a 1 para o Santos, que tinha o histórico ataque formado por Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, na terceira rodada. O Flamengo tinha: Ari, Joubert e Bolero; Jadir, Carlinhos e Jordan; Joel, Gérson, Henrique, Dida e Germano.

O Flamengo chegou apenas em terceiro lugar de seu grupo na primeira fase. Sob o comando de um dos maiores treinadores que o Brasil já viu, o paraguaio Fleitas Solich, o time rubro-negro foi crescendo de produção ao longo da competição.

Como na primeira fase o regulamento previa que todos os 10 times participantes se enfrentassem, o Flamengo teve tempo de "arrumar a casa". Entrou como o terceiro carioca melhor classificado para a fase final e, aí arrancou de vez. Venceu todos os seus três jogos da etapa decisiva e no dia 23 de abril sagrou-se campeão no Maracanã lotado: 2 a 0 sobre o Corinthians, com gols de Joel e Dida.

O Rio-São Paulo, além de ser a competição de maior prestígio da época, valeu muito para o Flamengo. Afinal, este foi o primeiro grande título de Carlinhos como jogador do clube e o último de uma geração espetacular: Jadir (capitão na época e remanescente do tri-estadual de 1953/54/55), Joel (campeão do mundo em 1958 e craque do time tricampeão em 1955), Henrique Frade (terceiro maior artilheiro de todos os tempos com 216 gols) e Babá (também remanescente do tri de 1955 e jogador mais baixo da história do futebol brasileiro, com 1,54m). 

Curiosidade - Nos jornais da época, o sucesso de Gerson na competição foi tão grande que clubes estrangeiros, inclusive o Boca Juniors mostraram-se interessados em contratá-lo. No entanto, o negócio não foi para a frente. Campanha do título:

Primeira Fase
04/3 - Flamengo 2x1 São Paulo - Pacaembu
08/3 - Flamengo 3x2 Palmeiras - Pacaembu
11/3 - Flamengo 1x7 Santos - Maracanã
16/3 - Flamengo 0x2 Fluminense - Maracanã
22/3 - Flamengo 0x3 Botafogo - Maracanã
25/3 - Flamengo 2x0 Portuguesa - Maracanã
29/3 - Flamengo 2x1 América-RJ - Maracanã
02/4 - Flamengo 2x1 Vasco - Maracanã
08/4 - Flamengo 0x3 Corinthians - Pacaembu

Fase Final
16/4 - Flamengo 3x1 Palmeiras - Maracanã
19/4 - Flamengo 5x1 Santos - Pacaembu
23/4 - Flamengo 2x0 Corinthians - Maracanã

O gol de placa de Pelé no Maracanã em 1961

Com informações do Centro de Memória e Estatística do Santos FC
Foto: arquivo O Estado de São Paulo

Pelé, no meio dos jogadores do Fluminense: o gol ficou eternizado!

Hoje a expressão se vulgarizou, mas o primeiro e legítimo Gol de Placa foi batizado assim pelo jornalista Joelmir Beting, um dos quase 40 mil espectadores privilegiados que testemunharam a obra de arte no finzinho do primeiro tempo de um jogo em que o Santos venceu o Fluminense por 3 a 1, no Maracanã, pelo Torneio Rio-São Paulo de 1961.

Era domingo, 5 de março, e o maior estádio do mundo recebia 39.990 torcedores para ver aquele Santos endiabrado, que três dias antes, no Pacaembu, tinha goleado o Vasco por 5 a 1. O jogo era bom e o Alvinegro vencia por 1 a 0, gol precoce de Pelé, quando surgiu a jogada que causou assombro e entusiasmo inusitado entre os presentes.

Das muitas descrições do lance, a mais inspirada é a do jornalista que acabaria dando o nome ao Maracanã. Pernambucano, morador no Rio de Janeiro, Mario Filho Nascimento, ou apenas Mario Filho (Recife, 3 de junho de 1908 – Rio de Janeiro, 17 de setembro de 1966), assim imortalizou esse momento inesquecível no livro “Viagem em torno de Pelé”:
O Santos vencia por um a zero, o primeiro tempo se aproximava do fim… Foi quando se viu Mengálvio, da área do Santos, passar para Pelé. Pelé estava a cinco passos na frente. Veio andando, os olhos abertos, cutucando a bola. Clóvis foi para cima dele. Pelé passou por Clóvis. Telê colocou-se na frente. Pelé continuou. Chegou a vez de Edmilson, a vez de Jair Marinho. À medida que avançava Pelé alargava os passos. Agora ia para o gol. Não para o gol. Embicou na direção de Pinheiro, à esquerda. Pinheiro ficou esperando Pelé. De repente Pelé virou para o gol. Pinheiro estava a cinco metros dele, esperando. Foi dri blado de longe e caiu. Castilho saía do gol, atirava-se nos pés de Pelé. A bola foi rolando por debaixo de Castilho, em câmara lenta.
Era um gol visto do princípio ao fim, como nunca se vira outro. Então aconteceu uma coisa inédita. A multidão não se levantou. Continuou sentada. Mas prorrompeu em palmas. Não houve um só espectador que não batesse palmas. Era uma ovação de Teatro Municipal. As palmas não paravam aumentando de intensidade. Batia-se palmas olhando para o campo, para Pelé. Pelé ouviu as palmas e olhou para as arquibancadas do Maracanã. Depois levantou o braço e acenou com a mão, agradecendo. Recebia os abraços de Coutinho, de Zito, de Pepe, de Dorval e continuava a escutar as palmas… Correu para o meio de campo, acenando com a mão levantada, agradecendo. Era aquela a homenagem mais bela que recebera…
A placa dada pelo jornalista Joelmir Beting
As palmas só cessaram quando Valdo deu a nova saída. Iam recomeçar logo depois, pois acabava o primeiro tempo e Pelé saía de campo. A diferença é que agora a multidão se pôs de pé para aplaudir Pelé. Quando Pelé desapareceu no túnel, ninguém ficou quieto. A vontade que todo mundo tinha era de se abrir, de compartilhar com alguém a alegria do gol de Pelé. Formavam-se grupos. Gente que não se conhecia tornava-se íntima pelo milagre do gol de Pelé.
Seis dias depois ao Gol de Placa, a vítima seria o Flamengo, goleado por 7 a 1 em um Maracanã com mais de 90 mil pessoas. O Santos vivia um momento irresistível. Só mesmo o cansaço pode explicar a queda da equipe na reta final e a perda do título daquele Rio-São Paulo.

Vavá no Atlético de Madrid

Por Victor de Andrade
Foto: arquivo Atlético de Madrid

Vavá, no Atlético de Madrid, entre Garrincha e Didi, em um amistoso contra o Botafogo

Em 19 de janeiro de 2002, o mundo do futebol dava adeus a um dos maiores centroavantes da história: Edvaldo Izídio Neto, o Vavá. Bicampeão mundial com a Seleção Brasileira nas Copas de 1958 e 1962, o atacante foi ídolo das torcidas de Vasco da Gama e Palmeiras. Mas entre ter defendido estes dois grandes times Brasileiros, ele teve uma passagem marcante pelo Atlético de Madrid.

Nascido em Recife, 12 de novembro de 1934, Vavá foi descoberto com 14 anos por olheiros do América Pernambucano. Após passar, pela base, no Íbis e Sport, ele foi para o Rio de Janeiro, onde defendeu o Vasco, tornou-se um dos maiores atacantes brasileiros e virou jogador de Seleção Brasileira, titular na final da Copa do Mundo de 1958.

Por seu vigor físico, impressionante reflexo e faro de gol, chamou atenção da Europa durante a Copa do Mundo e foi negociado com o Atlético de Madrid, chegando no clube ainda em 1958. É claro que a chegada de um campeão mundial pela Seleção Brasileira chamaria a atenção de qualquer um e foi isto o que aconteceu com Vavá. E ele não decepcionou.

Logo de cara chegou marcando gols e conquistando a torcida. O "Peito de Aço" ia conquistando o seu espaço dentro da equipe. Na sua passagem pelo clube, ganhou duas Copas del Rey consecutivas (1959–1960 e 1960–1961) batendo o Real Madrid em ambas as decisões, e foi vice-artilheiro da Liga dos Campeões de 1958–59.

Podemos dizer que dos jogadores brasileiros que foram campeões do mundo em 1958 e se aventuraram na Europa, Vavá foi um dos que mais tiveram sucesso. Foram 31 gols em 71 partidas pelo Atlético de Madrid. Uma excelente marca! Porém, visando a Copa do Mundo de 1962, Vavá resolveu voltar ao Brasil ao final da temporada 1960/1961 e foi defender o Palmeiras (na época, jogadores que atuavam no exterior não eram convocados).

A mudança deu certo, já que Vavá foi novamente titular no bicampeonato. Depois do Verdão, ele ainda defendeu o América do México, o San Diego Toros dos Estados Unidos e a Portuguesa Carioca, onde encerrou a carreira em 1969. Ainda foi ser treinador na Espanha e no Qatar. Vavá faleceu em 19 de janeiro de 2002, vítima de um infarto agudo no miorcádio.

A primeira Taça Brasil do Santos FC

Com informações do site oficial do Santos FC
Foto: acervo Santos FC

O Santos goleou o Bahia, vingou-se de 1959 e conquistou a Taça Brasil de 1961

No dia 27 de dezembro de 1961 o Santos Futebol Clube tornava-se campeão de uma competição nacional pela primeira vez em sua secular história, ao vencer a equipe do EC Bahia pelo placar de 5 a 1 na Vila Belmiro. Essa conquista inédita para o time santista foi na então III Taça Brasil, o que hoje com a unificação dos títulos nacionais, corresponde ao campeonato brasileiro, sendo que o time praiano possui 9 conquistas nacionais (8 campeonatos nacionais e uma Copa do Brasil).

Nessa vitória diante do “Tricolor da Boa Terra” os autores dos tentos santistas foram Pelé (3) e Coutinho (2) formando o campeão com: Laércio (Silas); Lima, Mauro (Olavo) e Dalmo; Calvet e Zito; Dorval, Tite, Coutinho, Pelé e Pepe. O técnico era Luiz Alonso Perez, o Lula.

Um dos 18.662 torcedores presentes no Estádio Urbano Caldeira nessa goleada foi o ex-presidente santista Rubens Quintas, que até hoje lembra saudoso dessa primeira conquista do título nacional, citando a formação do time baiano que jogou com: Nadinho; Helio, Henrique e Florisvaldo; Vicente e Pinguela (Antoninho); Nilsinho, Alencar, Didico, Mario e Marito.

Revanche - A primeira participação do Santos FC na Taça Brasil foi no ano de 1959, quando então disputou a finalíssima contra o mesmo EC Bahia no Maracanã e foi derrotado por 3 a 1. O Santos FC poderia ter em seu painel de títulos mais uma conquista nacional se houvesse aceitado a proposta da diretoria do time baiano que houvera proposto a diretoria santista que os dois clubes fossem proclamados campeões do certame, pois não havia data disponível para se saber quem levaria o título da 1ª Taça Brasil. O presidente Athié Jorge Couri e o vice-presidente Modesto Roma não aceitaram a proposta preferindo disputar a partida decisiva em campo neutro, no caso no Maracanã.

Nas partidas disputadas no mês de dezembro de 1959, o Santos perdeu a primeira na Vila Belmiro por 3 a 2 venceu a segunda jogando no Estádio da Fonte Nova em Salvador por 2 a 0 e só foi jogar a final no dia 29 de março 1960, no Estádio do Maracanã deixando escapar a vitória que lhe daria o inédito título.

José Águas - Uma verdadeira lenda benfiquista

Por Lucas Paes

O confronto contra Águas não costumava terminar bem para os goleiros

O Benfica é um dos maiores clubes da Europa, ainda que seus tempos recentes façam-se haver dúvidas deste fato. Assim como os rivais do Porto, os Encarnados tem uma história que ultrapassa por muitos os limites portugueses, já que na década de 1960, os benfiquistas tiveram um dos times mais brilhantes da história do futebol mundial. O time que marcou época e revelou ao mundo Eusébio, tinha, durante parte deste tempo, um líder nato e tão perigoso e artilheiro quanto o Pantera: o atacante José Águas, que completaria 88 anos neste dia 9.

Nascido em Luanda, capital de Angola que na época era ainda então uma colônia lusitana, Águas chegou a trabalhar como datilógrafo numa empresa concessionária da Ford em Lobito, passando a jogar pelo time da firma e sendo chamado pelo Lusitano, time da cidade. Torcedor fanático do Benfica desde "miúdo", como dizem em Lisboa, acabou tendo, em 1950, a chance de enfrentar o seu time de coração num amistoso em terras africanas. O Lusitano venceu por 3 a 1, dois gols de Águas, que instantaneamente chamou a atenção dos dirigentes encarnados. Chegou a receber um convite do Porto, mas acabou acertando com seu time de coração, após um imbróglio com o serviço militar.

Chegou em Lisboa em 18 de Setembro de 1950. Estreou diante do Atlético de Portugal, num jogo que terminou empatado. Na segunda partida sua pelo clube, quatro gols numa goleada por 8 a 2 pra cima do Braga. Era apenas o início de uma das mais brilhantes histórias do ludopédio luso. Pois a relação entre o "Cabecinha D'Oiro" e o gol era intima, perfeita e invejável. Incontáveis vezes levou os torcedores encarnados a máxima vibração, seja onde fosse. Seu espírito de liderança fez com que rapidamente se tornasse o capitão encarnado. Seria ele o responsável por levantar as taças das maiores conquistas da história do alvirrubro lisboeta.

Suas atuações fizeram eco na Europa no ano de 1961. A Águia finalmente alçava voos mais longos pelo velho continente e Águas foi parte crucial da primeira conquista européia benfiquista. Foram 11 gols do matador lusitano, artilheiro da competição. Na final, diante do Barcelona de Kocsis e cia, marcou o primeiro gol da vitória por 3 a 2. Ao final do jogo, foi responsável por levantar a primeira taça européia dos encarnados.

Tinha intima relação com o gol

Nessa época, já se formava uma das duplas mais mortais que o futebol viu atuar. Chegava ao Benfica um tal de Eusébio, que ao lado de Águas fez um dos mais mortais esquadrões que o futebol já viu. Se a Liga dos Campeões escapou em 1961, ela voltou a vir em 1962. Com 6 gols de Águas na competição e outros cinco de Eusébio, a dupla consumou mais uma conquista continental para os encarnados. Na vitória por 5 a 3 sobre o Real Madrid na final, Águas marcou novamente, mas o destaque foi de seu "herdeiro" Eusébio, que marcou dois gols e acabou com os defensores espanhóis.

Aqueles eram as últimas passagens das lendas com a camisa encarnada. Em 1963, acabou não jogando a final onde o Benfica foi derrotado pelo Milan, numa opção do técnico chileno Fernando Riera. Ao fim da temporada 1962/1963, despediu-se dos encarnados com o peso de 378 gols em 379 jogos com a camisa vermelha. Naquela altura, o maior artilheiro e jogador da história do time. Seria ultrapassado nos números por Eusébio, que divide o trono da monarquia benfiquista com Águas.

Também jogou pela Seleção Portuguesa, onde marcou 11 gols em 25 jogos, numa época onde os lusos estavam longe de ser a equipe que é respeitada como é hoje. Ainda passou pelo Austria Viena antes de se aposentar, na temporada seguinte. Deixou o plano dos mortais para morar no plano dos eternos em 10 de dezembro de 2000, sendo para sempre lembrando nos corações, cérebros e sentimentos da torcida do Benfica.

O primeiro titulo mundial do Peñarol

Por Lucas Paes

Jogadores e dirigentes do Peñarol comemorando o título (foto: acervo Peñarol)

Há alguns dias, falamos aqui no site sobre o título mundial do Real Madrid, do esquadrão de Puskas, Di Stefano e cia. para cima do titã Peñarol. Hoje, num dia 19 de setembro, lembramos o último duelo do confronto entre Peñarol e Benfica, da conquista que colocou o Peñarol no caminho de se tornar uma das maiores equipes do Planeta Terra. No dia 19 de setembro de 1961, os uruguaios definiram o primeiro título mundial numa partida difícil no Estádio Centenário.

Naquele ano, o Manya entrou na Libertadores nas quartas de final, em época onde a competição era muito diferente. Eliminou o Universitário e o Olimpia antes de chegar a decisão contra o Palmeiras, time que constantemente fazia duelos épicos com o Santos de um tal de Pelé. No primeiro duelo contra o Alviverde Imponente, vitória simples com gol de Spencer, no segundo, empate e título uruguaio na Libertadores.

Já o Benfica teve mais trabalho na Copa dos Campeões. Passou por Hearts, Ujpest, Aarhus, Rapid Viena e bateu o Barcelona na final, em um jogaço, vencendo por 3 a 2. Os Encarnados tinham na época Coluna, Águas e outros nomes que levaram o Benfica ao topo, além é claro do lendário treinador Bela Gutmann. Eusébio chegaria para o mundial, mas não estava no time campeão europeu.

O primeiro duelo foi definido por um gol de Coluna, já aos 15 minutos da etapa final. Só que o segundo jogo, onde o Peñarol não podia perder, jogado no Estádio Centenário, foi uma verdadeira demolição. Diante do caldeirão dos hinchas aurinegros, a Águia se atordoou e viu o duelo ser definido no primeiro tempo. Sasia, de pênalti, Joya, duas vezes e Spencer marcaram os gols que deixaram a primeira etapa em 4 a 0. Na etapa complementar, deu tempo de Spencer deixar mais uma marca na rede portuguesa, fechando o duelo em 5 a 0 e deixando tudo aberto para o terceiro e decisivo jogo.

A equipe do Peñarol que conquistou o título

Assim, naquele 19 de setembro de 1961, o Centenário, de uma final de Copa do Mundo e de uma final de Mundial Interclubes no ano anterior, testemunhava a decisão da segunda edição do Mundial Interclubes. Abençoado, Sasia foi responsável por colocar os uruguaios a frente logo aos 5 minutos de jogo, dando a sensação de que poderia haver mais uma goleada. Porém, o Benfica, com sua forte equipe, equilibrou o jogo e Eusébio deixou tudo igual aos 35’. A comemoração portuguesa durou pouco, porque em outro pênalti, Sasia se consagrou e marcou o gol do primeiro dos três mundiais Carboneros.

Fortíssimo na América do Sul naquela década, o Peñarol ainda conquistaria sua terceira Libertadores e seu segundo Mundial em 1966. Depois, conquistaria os títulos continentais de 1982 e 1987 e o mundial de 1982. Apesar do jejum internacional, o Campeón del Siglo ainda é um dos maiores clubes de futebol do Mundo, sendo um verdadeiro ícone do futebol sul-americano. O Benfica, de tantas conquistas, viu-se amaldiçoado por Bela Gutmann e segue sem conseguir torneios internacionais desde a saída do húngaro. Ainda que domine o futebol luso junto ao Porto atualmente, já que o Sporting vive constante decadência.

O Curioso do Futebol

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