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Jair Rosa Pinto e sua grande história pelo Palmeiras

Por Fabio Rocha
Foto: arquivo

Jair Rosa Pinto com a camisa do Verdão

Jair Rosa Pinto nasceu em Barra Mansa, Rio de Janeiro, no dia 21 de março de 1921, e faleceu na mesma cidade, no dia 28 de julho de 2005. Ele se tornou um dos principais jogadores da década de 1940 e 50. O meia passou por grandes clubes, construindo lindas histórias, e não foi diferente pelo Palmeiras.

O jogador começou sua carreira no Barra Mansa, clube de sua cidade natal, mas rapidamente foi atuar no Madureira, onde ficou alguns anos até chamar a atenção de clubes grandes. Após a boa passagem, o meia foi para o Vasco da Gama, uma das grandes equipes do estado.

Depois do Vasco, o jogador foi para o rival Flamengo, onde teve um um péssimo final na equipe. Em 1949, Jair foi acusado de ter sido subornado em uma partida que o clube perdeu por 5 a 2 para o Vasco. O Rubro-Negro Ary Barroso, o viu almoçando com Major Póvoas, um dirigente cruzmaltino. O rapaz espalhou a história, e a torcida do Flamengo acabou ficando muito irritada após a derrota, colocando fogo em sua camisa.

Por causa do acontecimento, o jogador se transferiu para o Palmeiras. No Alviverde as coisas foram diferentes, o meia conseguiu mostrar um grande futebol e entrou para a história do clube, sendo decisivo em títulos importantes e por momentos importantíssimos para o Palmeiras.

Em 1949, o jogador chegou ao clube, mas não conseguiu conquistar nenhum título, porém já era uma peça completamente importante para o time, sendo um diferencial no meio campo. Mas no ano seguinte, protagonizou um dos seus grandes momentos pelo clube, e que entrou para a história.

O clube foi para a decisão do Campeonato Paulista, contra o São Paulo, que havia ganho nos últimos dois anos. A torcida e o time alviverde não queriam deixar que o tricampeonato do rival acontecesse, então foi uma grande mobilização para a final da competição.

O Palmeiras precisava de um empate para garantir o título da competição, mas no primeiro tempo o tricolor abriu o placar e estava levando o troféu. Jair cobrou toda sua equipe, mas o jogo estava muito difícil, pois o Pacaembu estava com muita lama por causa das fortes chuvas. Mesmo com o campo ruim, o Verdão conseguiu o empate, e ficou com o título. A partida ficou conhecida como o “Jogo da Lama”, tendo Jair como um dos principais atletas em campo.


Além disso, o jogador fez parte da conquista da Copa Rio em 1951, o que os palmeirenses consideram como o primeiro mundial interclubes. Ainda em 1951, conquistou o Torneio Rio-São Paulo. Jair ficou no clube até 1955, mas acabou não conquistando mais títulos, porém marcou uma linda história pelo clube. O meia fez 206 jogos e marcou 71 gols pelo alviverde. O jogador deixou o Verdão para atuar no Santos. Ele foi encerrar a carreira em 1963, pela Ponte Preta.

A passagem de Jair Rosa Pinto pelo São Paulo

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

Jair jogou pouco tempo no São Paulo

Neste dia 21 de março chegaria ao centenário um dos maiores jogadores do futebol brasileiro entre os anos 1940 e 1960, o atacante Jair Rosa Pinto. Apesar da idolatria vestindo o alviverde do Palmeiras, o carioca jogou por outros clubes paulistas e já no finalzinho de sua trajetória dentro dos gramados chegou ao São Paulo, em 1961.

Depois de viver o inicio da era de ouro do Santos FC e perder espaço para a incrível geração que começava a surgir na Vila Belmiro, Jair chegou ao Morumbi em 1961 para tentar reforçar o São Paulo na concorrência com o absurdo Santos de Pelé e com o Palmeiras que começava a ter sua academia de futebol. Era a grande esperança do Tricolor, apesar dos 40 anos de idade.

Conseguiu desenvolver bem seu futebol com a camisa são-paulina. Apesar de não chegar a conquistar nenhum título com a camisa tricolor, fez boas partidas, por mais que seus números não fossem exatamente empolgantes analisando sob a ótica de hoje. Foram, segundo o site do São Paulo, 31 jogos e dois gols vestindo a camisa do clube.

Acabou permanecendo no Morumbi até meados do ano seguinte, quando foi negociado e transferido para a Ponte Preta, clube pelo qual encerrou a carreira em 1963. Não conseguiu nenhuma grande conquista no Morumbi, chegando ao clube numa ingrata era onde a concorrência era muito pesada para os são-paulinos. Já demonstrava, é claro, sinais de queda física e técnica normais da idade.


Jair esteve entre nós até 2005, quando faleceu de embolia pulmonar após uma cirurgia. Uma curiosidade é que seu nome acabou por inspirar o batismo do atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, cujo pai era palmeirense e fã de Jair da Rosa Pinto.

Jair Rosa Pinto no Santos FC

Com informações do Centro de Memória e Estatística do Santos FC
Foto: arquivo

Jair Rosa Pinto ficou no Peixe entre 1956 e 1960

O meia Jair Rosa Pinto nasceu no dia 21 de março de 1921, uma segunda-feira. Jajá de Barra Mansa, como ficou eternizado no mundo da bola, na verdade era de Quatis, cidade carioca que em 1990 se emancipou do município de Barra Mansa. Seu outro apelido, dado por companheiros e adversários do futebol, era “Coice de Mula”, pois, apesar das pernas finas, batia na bola com uma potência incrível.

Desde menino Jair sonhava com a bola, até porque tinha um exemplo em casa, seu irmão, Orlando, que se consagrou na ponta-esquerda Vasco da Gama numa época em que o grêmio cruzmaltino tinha uma grande equipe, com craques como Leônidas, Fausto e Domingos da Guia, entre outros. O irmão de Orlando começou no futebol em Mendes, outra cidade da região, no time do frigorífico local. De lá, foi para o Barra Mansa FC.

Em 1938 Jajá de Barra Mansa era um garoto franzino, de 17 anos, e disputou o campeonato carioca pelo modesto Madureira. No ano seguinte o renomado técnico Ademar Pimenta o escalou na equipe principal e ele formou um trio sensacional com Isaías e Lelé e Jair. Foram chamados, carinhosamente, de “Os Três Patetas”, numa alusão aos atores Curly, Larry e Moe, famosos pelos filmes de comédia nos anos de 1935 e 1941.

Em 1943, junto com seus dois companheiros, Jair foi contratado pelo Vasco da Gama, clube em que passou quatro anos e no qual despontou para o futebol brasileiro.


Em 1947 foi jogar no Flamengo. Entretanto, após uma derrota de 5 a 2 para o ex clube, em 1949, alguns dirigentes rubronegros o responsabilizaram pela goleada sofrida, queimaram sua camisa 10 no vestiário e o afastaram da Gávea. Então, o Palmeiras se interessou pelo craque das canelas finas, mas que tinha um canhão no pé esquerdo, e Jair seguiu para o Alviverde do Parque Antártica.

No ano seguinte, 1950, Jair disputou a Copa do Mundo no Brasil. A equipe acabou fracassando na final, como se sabe, mas ele foi um dos melhores jogadores da Seleção Brasileira.

Com a camisa da Seleção Canarinho, que usou pela primeira vez em 1940, numa desconfortante goleada de 6 a 1 sofrida para a rival Argentina (o gol do Brasil foi dele), Jair Rosa Pinto foi campeão sul-americano em 1949, vice mundial em 1950 e se notabilizou por fazer parte de um ataque inesquecível, ao lado de Tesourinha, Zizinho, Heleno de Freitas e Ademir de Menezes.

Fez 41 jogos pela Seleção Brasileira, dos quais venceu 25, empatou cinco e perdeu 11. Marcou 24 gols, ou seja, não passou em branco em 58% dos jogos.


A experiência que faltava ao Santos - Em 1956, Jajá se transferiu para o Santos. Tinha 35 anos, era bem experiente e caiu como uma luva no meio campo do time da Vila Belmiro. No Peixe, jogou ao lado do Rei Pelé e foi campeão paulista em seu primeiro ano no clube praiano.

Pelé relembra, saudoso, dos tempos de convivência e aprendizado com o mestre Jair:
“Tenho por ele muita admiração e uma enorme gratidão. Ele me orientou demais no começo da minha carreira”.

O futuro Rei do futebol tinha 15 anos quando começou a jogar na equipe santista. Temido pelos goleiros, Jair tinha um chute forte na perna canhota e costumava fazer gols em tiros de longa distância.

O ponta-esquerda Pepe, que jogou ao seu lado, afirma que a barreira até saía da frente quando Jair ia cobrar uma falta. Foi o grande líder que faltava no jovem time santista que estava em formação, e que anos mais tarde, se tornaria o grande esquadrão do Santos, da década de 60. Com toda a sua experiência e genialidade, foi fundamental para a formação de Pelé, Pepe e Coutinho.


Uma de suas melhores performances no Santos ocorreu na histórica vitória sobre o Palmeiras por 7 a 6, no Pacaembu, pelo Torneio Rio São Paulo de 1958, diante de 43.068 espectadores.

Ele ficaria no Alvinegro Praiano de 1956 até o final dos anos 1960, marcando 34 gols e sagrando-se campeão paulista em 1956/1958 e 1960 e do Torneio Rio São Paulo em 1959. Ao deixar a Vila foi contratado pelo São Paulo, e antes de encerrar a carreira, aos 42 anos, ainda defendeu a Ponte Preta.

Ao se aposentar, virou treinador e dirigiu a equipe santista em 1972. Permaneceu 31 jogos no comando do time Alvinegro, o suficiente para deter a maior marca de invencibilidade de um treinador à frente do Santos, com 25 jogos sem sofrer um revés.

Em seus últimos anos de vida, curtindo sua merecida aposentadoria, Jajá de Barra Mansa dedicava maior parte de seu tempo à criação de passarinhos que mantinha em sua casa na Barra da Tijuca um bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro.


Ele, que odiava ser chamado de Jair “da” Rosa Pinto, só não se conformava com uma coisa: não ter ganho a Copa de 50. “Isso eu vou levar para a cova, mas, lá em cima, perguntarei para Deus por que perdemos o título mais ganho de todas as Copas, desde 1930”, brincava, lembrando a derrota para o Uruguai, na partida final.

Jair Rosa Pinto morreu na madrugada de 28 de julho de 2005, aos 84 anos, vítima de embolia pulmonar. O inesquecível meia esquerda de Vasco, Palmeiras e Santos estava internado no Hospital da Lagoa, Rio de Janeiro, onde se recuperava de uma cirurgia no abdômen. Seu corpo foi velado no cemitério do Caju e cremado no mesmo dia de sua morte.

O Curioso do Futebol

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