Zagallo conquistou seu primeiro título como treinador do Botafogo em 67
Mário Jorge Lobo Zagallo, ex-jogador e treinador alagoano conhecido apenas como Zagallo, está celebrando o seu 92º ano de vida nesta quarta-feira, dia 9 de agosto de 2023. Apesar de ter atuado como jogador, o Velho Lobo fez seu nome como treinador, e logo no seu primeiro ano ocupando tal cargo, venceu o título carioca pelo Botafogo em 67.
Antes disso acontecer, Zagallo defendeu três clubes quando atuava dentro das quatro linhas. Foram eles: o América-RJ, onde foi revelado em 48 e ficou até o ano seguinte e depois passou pelo Flamengo entre 50 e 58. Encerrou a sua trajetória como atleta no Botafogo, equipe na qual jogou de 58 até o começo de 66. No Fogão, teve a oportunidade de jogar junto com Nílton Santos, Garrincha e Didi.
Chegou ao comando do time profissional do Alvinegro Carioca após treinar as categorias de base da Estrela Solitária. Conseguiu conquistar logo no início da sua caminhada em uma nova função
Durante a campanha, o Fogão venceu 15 partidas, empatou duas e perdeu apenas um jogo em 18 disputados. Nos dois turnos, o time de General Severiano foi líder: no primeiro, somou 19 pontos, enquanto no segundo, ficou com 13.
Na sequência de sua carreira como técnico, o Velho Lobo ainda teve outras três passagens pelo Botafogo. Flamengo, Fluminense, Vasco, Al-Hilal e Portuguesa foram outros clubes que ele também treinou. Neste período, comandou as seleções da Arábia Saudita, do Kwait e do Brasil. Na Amarelinha, também foi coordenador técnico.
A década de 1960 foi a mais gloriosa de toda a trajetória do Santos Futebol Clube no esporte bretão. Naquele período, o Alvinegro Praiano encantou o planeta com diversas excursões e ganhou basicamente tudo que era possível para um time sul-maericano. Há 55 anos, no dia 21 de dezembro do distante 1967, no Morumbi, o Peixe bateu o São Paulo por 2 a 1 e se consagrou campeão paulista pela 10ª vez em sua história, iniciando a caminhada do seu segundo tricampeonato estadual.
O Peixe chegou na situação de possibilidade de título devido a tropeços do próprio São Paulo. O Tricolor precisava de uma vitória em dois jogos para ser campeão estadual, mas acabou levando o empate do Corinthians no último minuto de jogo, o que tirou o título e fez com que Santos e São Paulo precisassem de um jogo desempate para decidir que sairia com o título do Paulistão naquele ano.
Sem se intimidar com o Morumbi, que não estava lotado, o Peixe começou em cima e não demorou muito para conseguir boa vantagem no jogo. Aos dez minutos, Edu aproveitou bobeira da defesa tricolor após boa jogada do Santos e apareceu na lateral da pequena área para abrir o placar. Dois minutos depois, na pressão, Tergal roubou a bola e rolou para Toninho Guerreiro tocar na saída de Picasso e marcar o segundo gol do Alvinegro Praiano na partida.
Com a desvantagem, o Tricolor passou a pressionar, mas esbarrou no azar e na boa atuação da defesa santista. O Alvinegro Praiano chegava em contra-ataques, incluindo um torpedo na trave do Rei Pelé. Na segunda etapa, o Peixe voltou pressionando, num jogo onde ambas as equipes pararam na trave algumas vezes. Aos 43 minutos do segundo tempo, o Tricolor até diminuiu com Babá, mas o gol não mudou o final da partida, que terminou com vitória alvinegra.
Com a vitória, o Alvinegro garantiu a primeira colocação geral e o título de campeão do Paulistão de 1967. Aquele triunfo iniciaria a segunda sequência na história do clube de três títulos estaduais seguidos, se completando com as conquistas de 1968 e 1969. Depois disso, o Alvinegro Praiano só voltaria a conquistar um tricampeonato com Neymar, já nos anos 2010.
Jogadores do Santos comprimentam a torcida: não se podia 'vacilar' contra aquele Peixe
Há exatos 54 anos, Santos e São Paulo tiveram de fazer um jogo de desempate para decidir que seria o novo campeão paulista no ano de 1967. Nessa ocasião, o Peixe levou a melhor no confronto e conquistou o 10º título estadual da sua história.
Na última rodada do segundo turno do campeonato, o Tricolor Paulista teve a chance de se sagrar o grande campeão da competição, em um clássico Majestoso diante do Corinthians. Neste jogo, o time do Morumbi estava garantindo o título até os 44 minutos do segundo tempo, mas acabou sofrendo um gol marcado por Benê, que igualaria o marcador e forçaria a "final" disputada no San-São.
Por conta do empate entre Santos e São Paulo, que ocupavam a liderança na tabela de classificação e somavam 21 pontos cada, estas duas equipes teriam que fazer um tira-teima para saber quem conquistaria o título do Paulistão.
Foi então, que no dia 21 de dezembro de 1967, Peixe e Tricolor se enfrentaram no Pacaembu para decidir o campeonato. Nas arquibancadas do Estádio Paulo Machado de Carvalho, tinham 43.627 pessoas para assistir ao clássico.
Nos minutos iniciais da partida, a equipe alvinegra conseguiu imprimir um ritmo muito intenso e logo aos 10', Edu abriu o placar para o Santos. Sem muito tempo para deixar o São Paulo assimilar o golpe, Toninho Guerreiro ampliou o marcador nos 12'. Apesar da grande movimentação no restante da primeira etapa, as equipes foram para o intervalo com a vitória parcial por 2 a 0 para o Alvinegro Praiano.
Já na segunda etapa, a partida continuou com algumas chances de gol para ambos os lados, mas o gol saiu apenas aos 43', marcado por Babá. Mesmo que o tento da equipe Tricolor tivesse saído nos minutos finais do jogo, o time da capital paulista tentou buscar o empate, mas acabou não tendo sucesso.
Após o apito final, o Santos conseguiu uma belíssima vitória pelo placar de 2 a 1 no Pacaembu e conquistou o título do Paulistão de 1967. Nos dois anos seguintes, o Peixe venceu a competição estadual e se sagrou tricampeão do torneio.
O futebol e a cultura sempre se cruzaram das mais diversas formas e há quem defenda com certa razão que o esporte bretão é, além de esporte, arte e cultura. O maior nome da história do futebol sempre será Pelé e nos anos 1960, o Rei do Futebol passou pela experiência de ser "coadjuvante" na série humorística Família Trapo, protagonizada pelo histórico humorista Ronald Golias, que quebrava recordes de audiência no Brasil nos anos 1960.
A participação de Pelé se deu num episódio no ano de 1967. Segundo relatos da época, o Rei, que vivia o auge da carreira no Santos, estava nervoso no palco do teatro onde era realizada a gravação da série humorística, com medo de esquecer as falas. Ronald Golias acabava por consolar e encorajar o camisa 10 do Alvinegro Praiano na época antes de subir ao palco para a gravação.
O episódio tinha um roteiro até simples e interessante. Pelé interpretava a si mesmo e era chamado pelo mordomo Gordon, interpretado por Jô Soares, para dar um susto em Bronco, interpretado por Golias, que perderia sua vaga no time da rua para o Rei do Futebol. O episódio começa a ficar incrível quando Bronco não percebe que está falando do Rei do Futebol e começa a tecer críticas a Pelé, dizendo que queriam inclusive "enterrar o time".
Um dos aspectos mais interessantes é que a gravação não tem cortes ou algo do tipo, foi feita ao vivo já que o "Família Trapo" também era uma peça de teatro. Em vários momentos é possível perceber que Jô Soares, Ronald Golias e, claro, o próprio Pelé, estão se segurando para não cair na risada junto ao público, que foi a loucura durante toda a participação do Rei Pelé no especial. Há um momento onde Pelé tropeça em meio a cena e Golias faz um improviso incrível em cima disso, o que torna ainda mais cativante a atuação.
O episódio está inteiro disponível no Youtube e é um dos poucos que sobrou depois que um incêndio destruiu o acervo da Record. O jornalista Juca Kfouri disse certa vez que Golias fora a "única pessoa a fazer com que Pelé ficasse menor que ela", coisa que o próprio humorista discordava. Golias tinha um orgulho enorme da participação do Rei em seu programa e dizia que foi algo que mudara sua vida.
O Família Trapo foi ao ar entre 1967 e 1971 na TV Record e revelou nomes como Jô Soares para o entretenimento. Foi um dos programas de maior audiência da história da televisão brasileira. Nos anos 80, a Bandeirantes chegou a fazer uma nova versão, com vários atores da obra original, inclusive Golias, chamada 'Bronco', que apesar de também engraçada, teve sucesso menor. O humorista Ronald Golias, por sua vez, faleceu em 29 de setembro de 2005, na cidade de São Paulo, depois de trabalhar em outros programas como a Escolinha do Golias e A Praça é Nossa.
União Agrícola Barbarense Futebol Clube completa hoje 107 anos, fundado em Santa Bárbara d'Oeste, no interior do estado de São Paulo, no dia 22 de novembro de 1914. Conhecido como Leão da 13, com uniforme alvinegro, conquistou seu primeiro título como profissional em 1967, que foi a Segunda Divisão Paulista de Profissionais, equivalente a atual Série A3.
O clube estreou no profissional apenas em 1964, quando entrou no quadro da Federação Paulista de Futebol, e seu jogo de estreia não foi dos mais felizes diante do Alumínio, teve uma derrota de 3 a 1, por uma partida válida pela pela 3° Divisão de Acesso.
Três anos depois da sua temporada de estreia no profissional, o clube conseguiu seu primeiro título. Foi campeão do Paulistão da 2° Divisão, um time que era comandado pelo técnico Carlos Verginelli (Lilo), na equipe do alvinegro constavam: Wilson Mancha Negra,Tato, Guidão, Joca, Ademir Gonçalves, Fandão, Pireli, Zé, Dênis Moço, Zezé, Esquerdinha Guedes, Zé 21, Nadico, Ditinho Flecha, Chicão Preto, Catula, Odair e Zamuner. E Casemiro Alves da Silva, o conhecido Pinguim, 86 anos, que comandava a diretoria do União Barbarense em 1967, foi presidente por cinco anos.
A conquista aconteceu após uma vitória diante do Fernandópolis por 3 a 0, em Araraquara, mas o título só pode ser comemorado na estrada, pois defendia de outro resultado para que a equipe fosse campeã. Pinguim lembra do futebol de antigamente com mais raça, mais responsabilidade. "Os jogadores não visavam tanto o dinheiro como hoje. Alguns jogavam sem receber", salienta.
Na campanha do título, o União fez ótimos jogos e passou na primeira fase com certa tranquilidade. Na primeira fase passaram os líderes dos quatros grupos, e o Leão da 13 teve a melhor campanha de todos, com 25 pontos em 16 jogos, foram 11 vitórias, 3 empates e 2 derrotas. Já na segunda fase, que foi a decisiva, foi o grupo com os quatros classificados, que consagrou a equipe campeã com 5 pontos, obtendo duas vitórias e um empate. O vice foi o São Bento de Mrília que teve uma vitória e dois empates.
Na mesma temporada do título, o União decidiu adotar "Leão da 13" como mascote do clube, em homenagem aos torcedores fiéis que apoiavam com garra o time (como leões). A expressão foi dada pelo Pinguim e Zinhao, após uma briga em Serra Negra, quando os poucos torcedores do Santa Bárbara enfrentaram a torcida adversária. "Eles foram verdadeiros leões e como o União ficava na Rua 13 o nosso time passou a denominar-se Leão da 13".
Para Pinguim o grande ídolo no futebol local foi o artilheiro Zé 21. "O Zé era perfeito. Sabia como fazer gol. Se atuasse hoje, estaria na Europa". Além do título, o ex-presidente ressaltou outro momento bom, que foi a inauguração da parte social. "Tenho saudade do que fiz, e tudo foi com muita vontade, com amor e para o bem do União", disse.
Após o primeiro título, o clube teve algumas conquistas importantes também, mas demorou para ser campeão novamente. Voltou a ocorrer em 1998, quando levantou a taça do Campeonato Paulista Série A2 e no ano seguinte ganhou o Campeonato Paulista do Interior. Mas a conquista mais importante aconteceu em 2004, quando o clube ganhou o Brasileiro Série C e foi o último título do clube.
A equipe do Racing que conquistou a Copa Intercontinental de 1967
Em um dia como hoje, 4 de novembro, há 53 anos, o Racing tocou o céu com as mãos com um grupo de heróis campeões mundiais. Era o primeiro time argentino a conquistar a Copa Intercontinental.
"Animais". É assim que os ingleses da época chamavam os argentinos, depois do que para eles a Copa do Mundo de 1966 havia sido violenta pela Seleção Nacional. A Argentina até aquele momento não tinha títulos mundiais de clubes ou nacionais, agregava respeito aos jogadores, mas precisava confirmá-lo com troféus. E Racing foi o primeiro campeão mundial.
O Racing de José tinha acabado de vencer o torneio local com uma série invicta de 39 jogos e a mais longa Copa Libertadores da história (eles disputaram 20 jogos), derrotando o Nacional de Uruguai na final. Na frente estava o Celtic da Escócia, o primeiro time das Ilhas Britânicas a ganhar uma Copa da Europa e nada mais nada menos que o Inter de Helenio Herrera, um time fantástico e vencedor. Eles queriam conquistar o Intercontinental e surpreender o mundo, mas à frente estava o Racing.
Três jogos foram disputados para essa final. O primeiro foi em Glasgow, perante 103.000 espectadores, que terminou com uma vitória dos locais por 1 a 0. O segundo foi em Avellaneda e nessa partida dizem que foram 120.000 pessoas. O confronto dos dois jogadores mais carismáticos naquele jogo ainda é lembrado, Johnstone (o melhor jogador de futebol escocês de todos os tempos) e o quarterback Perfumo. O Racing venceu por 2 a 1, com gols de Raffo e Cárdenas.
Não houve gol do visitante, nenhuma disputa de pênaltis. Houve uma terceira e definidora festa, mais tarde chamada de "batalha de Montevidéu" . Foi disputado na capital uruguaia em 4 de novembro de 1967, que marca hoje o 51º aniversário. A equipe Pizzutti formada com Cejas, Martín, Perfumo, Basile, Chabay; Rulli, Cardoso, a tigela de Maschio; Raffo, JJ.Rodriguez e o chango Cárdenas.
O que se segue a esta história é conhecido. Foi um jogo infernal por causa de quão intenso e duro foi, até que aos 11 minutos do segundo tempo, o chute de todos os tempos de Chango acertou a rede e declarou o título histórico para um time histórico.
A cidade inteira comemorou. Os torcedores de outros clubes, famílias inteiras, todos saíram de suas casas para aplaudir a primeira grande vitória do futebol argentino. Foi a conquista de um país, representado por este time de feras, de “bichos”, que ergueu a bandeira e mudou para sempre a história do futebol.
Os campeões de 1985 - Em pé: Cícero, Sansão, Toreca, Ari, Galloti e Raimundo
Agachados: Catita, Sima, Xavier, Geraldo José e Hélio Baiano
Neste 15 de agosto de 2020, o Piauí Esporte Clube, agremiação que leva o nome de seu estado está completando 72 anos de fundação. O Enxuga Rato tem cinco títulos piauienses em sua história, o tetracampeonato entre 1966 e 1969 e o último em 1985.
Sem dúvidas que a maior era do Piauí foi nos anos 60. Antes, uma equipe que não fazia frente aos grandes do estado, em 1960 foi vice-campeão, repetindo o feito em 1961. Porém, o melhor viria na segunda metade da década.
Em 1966 conquistou o primeiro título de Campeão Piauiense, sob a presidência de Pedro Rocha e direção técnico de Ênio Silva, além do diretor de Futebol Reinaldo Ferreira, derrotando o Flamengo nas finais. Vitória por 4 a 0 e empate de 1 a 1.
O time campeão: Batista; Tuica; Nonato II; Aluísio e Chico; Nonato Leite e Pila; Quinha, Carrinho (Barbosa), Dunga e Sanega. O campeão Manuelzinho estava contundido e não jogou as finais. Mas o Piauí ainda continuaria a marcar sua história no futebol local.
Nos anos de 1967, 1968 e 1969, o Piauí conquistou mais três títulos de campeão. Era um legítimo tetracampeão e o penta ficou por um tris, já quem em 1970 foi vice-campeão. Ainda na década de 60, conquistou grandes vitórias na Taça Brasil e no Torneio Nordestão.
Na década de 70 e no início dos 80, o Enxuga Rato entrou em uma decadência. Porém, tudo mudaria em 1985. Sob a Presidência de João Gualberto Franco, o Piauí montou um grande time, com nomes que ficaram conhecidos, como o de Sima, o grande artilheiro da história do futebol estadual, chamado por muitos de "O Pelé do Piauí".
Pois naquele ano o Piauí, mesmo tendo perdido a final do Torneio Início, nos pênaltis, para o Flamengo, foi passando por todos os adversários e na final bateu o mesmo Flamengo e ficou com o título, o primeiro desde o tetracampeonato, 16 anos depois.
Depois do título de 1985, o Piauí nunca mais conseguiu repetir o feito. Foi vice em 1987, 2005 e 2014, além de outras boas campanhas, ficando entre os quatro primeiros. Porém, a torcida ainda tem fé que um título estadual voltará para as mãos do Enxuga Rato.
No dia 08 de junho de 1967, a “Primeira Academia”, comandada por Djalma Santos, Dudu, Ademir da Guia e Cesar Maluco, conquistou o seu primeiro título nacional -o segundo da história do Palmeiras. Com dois gols de César Maluco, que se tornou o artilheiro da competição, o Palmeiras venceu o Grêmio e levantou o título do Torneio Roberto Gomes Pedrosa.
O campeonato era dividido em duas fases -na primeira, as 15 equipes foram separadas em dois grupos, um com sete e outro com oito. Os dois primeiros de cada agrupamento garantiam vaga para a próxima fase. O Palmeiras classificou em primeiro no Grupo B, com 19 pontos -sete vitórias, cinco empates e duas derrotas. Corinthians e Internacional classificaram pelo Grupo A e o Grêmio foi o outro a garantir vaga ao lado do Palmeiras. Na segunda fase do torneio, as quatro equipes se enfrentavam em ida e volta, ficando com o título quem conquistasse mais pontos.
Na última rodada, o Palmeiras precisava apenas de um empate com o tricolor gaúcho para ficar com o título -se o Grêmio vencesse, o título ficaria com o rival Internacional. Mas o time comandado por Aymoré Moreira não deixou de jogar o futebol que vinha apresentado durante todo o torneio, com lances rápidos e muita velocidade.
A equipe paulista começou pressionando o adversário desde o começo e, logo aos oito minutos, Ademir da Guia cruzou a bola na área e César, mesmo marcado, conseguiu tocar a bola, mandando para o fundo das redes. Mesmo em vantagem, os donos da casa não deixavam de atacar e, aos 24 minutos, foi a vez de Tupãzinho servir o artilheiro, em jogada pela esquerda, que Cesar Maluco chutou cruzado, saindo da marcação.
O gol do time gaúcho veio apenas no final do segundo tempo, quando o clima de festa já tomava conta do Pacaembu. Aos 38 minutos, o juiz assinalou pênalti de Baldochi, com Ari Ercílio batendo e convertendo. Antes do apito final, o defensor palmeirense Ferrari foi expulso, por reclamação. Mesmo com um a menos, o Palmeiras conseguiu a vitória e conseguiu o título, sendo o primeiro título daquele ano. No fim daquela temporada, o Palmeiras ainda conquistaria a Taça Brasil.
Artilheiro - César Maluco começou a carreira no Flamengo e, em 1967, chegou por empréstimo ao Palmeiras, clube onde fez história. Foi contratado de forma definitiva justamente pelo desempenho que teve no torneio nacional. Com os dois gols na final, ele assumiu a artilharia, com 15 tentos no total.
Além disso, César é o único jogador que já vestiu a camisa do Palmeiras a ser artilheiro do Campeonato Brasileiro e o único também que foi artilheiro por duas competições diferentes (o camisa 9 também foi quem mais marcou no Campeonato Paulista de 1971, com 18 gols). Ao todo, foram oito anos de clube, com 327 jogos e 182 gols, sendo o segundo maior artilheiro da história alviverde.
Em pé: Pelé, Galego, Odenir, Osvaldo, Cigano, Cauby, Adi, Nilson, Arrepio, Pipe e Darcy
Agachados: Melão, Carioca, Zinho, Richetti, Serramalte, Barros, Valter e Torrado
Na história do futebol brasileiro não é raro um clube ser fundado por funcionários de alguma empresa e a agremiação acabar levando o nome da mesma. Em Santa Catarina, durante a fase dos grandes frigoríficos, também aconteceu este fenômeno e uma dessas equipes acabou tendo sucesso: a Perdigão conquistou o estadual de 1966.
A história da Sociedade Esportiva Perdigão havia iniciado em 1964 quando um grupo de apaixonados por futebol, encabeçados por Flávio e Fioro Brandalise se reuniu nas dependências da Perdigão para deliberar sobre a formação de uma nova equipe, que durou apenas cinco temporadas (1965 a 1969), mas gravou seu nome na história do futebol catarinense.
A primeira competição foi o campeonato municipal diante de tradicionais equipes do município, como Alvorada, Floresta e a Associação Atlética Videirense, que há muitos anos vencia o citadino. A conquista foi de maneira invicta, credenciando a Perdigão a disputar o campeonato catarinense daquele ano, integrando o zonal Oeste. As rudimentares rodovias, a maioria de terra, não foram obstáculo para a equipe de Videira. A delegação rubra viajava em duas Kombi. e chegou à quarta colocação do estadual.
A boa colocação na competição de estreia motivou o grupo e diretoria. Em 1966 nova conquista no municipal e mais uma vez a vaga no estadual. No Grupo B (Oeste) além, da Perdigão estavam: Comercial (Joaçaba), Sadia (Concórdia), Guarani (Xaxim), Vasco da Gama (Caçador), Guaycurus (Concórdia), Cruzeiro (Joaçaba) e Atlético (Chapecó). A Perdigão terminou em primeiro, com o Comercial em segundo, garantindo os dois para o quadrangular final diante de Almirante Barroso (Itajaí) e o Metropol (Criciúma), que era o grande bicho-papão no Estado (campeão cinco vezes na década de 60).
A primeira fase do estadual foi disputada no ano de 66, mas o quadrangular final iniciou apenas no dia 12 de março de 1967 quando a Perdigão recebeu o Almirante Barroso e fez 3 a 0 sem chances ao adversário. No dia 19 o jogo que foi considerado chave por todos os jogadores do elenco. A Perdigão foi até Criciúma enfrentar o Metropol e saiu de lá com um heróico 0 a 0. No dia 26 novo jogo no Luiz Leoni e mais uma vitória por 3 a 0, desta vez diante do Comercial.
Na abertura do returno do quadrangular final a Perdigão foi a Itajaí, mas voltou de lá com uma derrota por 2 a 0, recolocando o Barroso na disputa pelo título. No dia 09 de abril Videira parou para assistir o confronto diante do Metropol. Funcionários da Perdigão foram dispensados para acompanhar a partida e cerca de 12.000 pessoas foram ao Estádio Municipal Luiz Leoni ver a vitória por 2 a 0.
Na última rodada a Perdigão jogava no Estádio Oscar Rodrigues da Nova, em Joaçaba diante do Comercial, enquanto que em Criciúma se enfrentavam Metropol e Almirante Barroso. O scratch videirense liderava o quadrangular e dependia apenas de si para levantar o caneco.
O jogo começou movimentado e logo 11 minutos do primeiro tempo Barra Velha abriu o marcador para os joaçabenses, mas Zinho, artilheiro do estadual naquele ano, deixou tudo igual aos 43 do primeiro tempo. No segundo tempo muito equilíbrio e jogo duro até que Barra Velha, cobrando pênalti, fez o segundo do Comercial aos 24 minutos da etapa final. A apreensão tomou conta do elenco ao final do jogo, pois diferentemente dos dias atuais a comunicação não era tão ágil assim e não se sabia o resultado do outro confronto.
Lá em Criciúma Gama fez 1 a 0 para o Metropol aos cinco minutos de jogo, mas aos seis Ubirajara deixou tudo igual. A pressão do Almirante Barroso seguiu durante todo o jogo, mas a defesa do Metropol parecia intransponível. Aos 40 minutos da etapa final, em um contra-ataque, Idésio marcou o gol da vitória dos criciumenses e, consequentemente, o gol que garantiu o campeonato catarinense de 1966 para a Sociedade Esportiva Perdigão.
Toninho emendou cinco títulos estaduais seguidos entre as passagens por Santos e São Paulo
Um dos maiores centroavantes que o Brasil teve nas décadas de 60 e 70, Toninho Guerreiro marcou época vestindo as camisas de Santos e São Paulo. Seus gols por ambas as equipes que ele atingiu uma marca que nenhum outro jogador da história do futebol profissional paulista conseguiu: ser pentacampeão estadual, pois ele emendou um tri do Peixe com um bi do Tricolor.
Antonio Ferreira nasceu no dia 10 de agosto de 1942, em Bauru. Ele chegou a Santos em 1962, aos 20 anos, depois de disputar o Campeonato Paulista pelo Noroeste, de sua cidade natal, e anotado 17 gols. Toninho estreou pelo Peixe em 16 de fevereiro de 1963, contra o Vasco da Gama, no Maracanã. A partida, válida pelo Torneio Rio-São Paulo, terminou empatada em 2 a 2, com dois golaços de Pelé.
Porém, aquela era a época do auge da dupla Pelé e Coutinho e ninguém imaginava que o centroavante vindo de Bauru iria conquistar seu espaço. Porém a raça demonstrada nos treinos, que o fez ganhar a alcunha de "Guerreiro", os gols que fazia quando tinha chance e queda da forma física de Coutinho fizeram com que Toninho tornasse a nova dupla de ataque de Pelé no Peixe.
Fez dupla com Pelé no Santos FC
Assim, a partir da segunda metade dos anos 60, ele se tornou o camisa 9 do Santos e começaria a atingir uma interessante marca. Bicampeão paulista em 1964 e 1965, Toninho Guerreiro virou um dos grandes do Peixe no tricampeonato de 1967, 1968 e 1969.
A última partida de Toninho Guerreiro no Santos ocorreu em 24 de junho de 1969, quando marcou também um de seus gols mais importantes. Ao aproveitar o rebote do goleiro após uma falta cobrada por Pelé, Toninho Guerreiro fez o gol solitário que deu o título da Recopa Mundial ao Santos diante da Inter de Milão, no Estádio San Siro.
O técnico João Saldanha o convocou para a Seleção Brasileira que disputaria a Copa de 1970, no México. No entanto, ele foi cortado daquela seleção que apresentou o melhor futebol entre todas as Copas. O motivo alegado foi uma sinusite. Segundo os médicos da seleção, ele teria problemas com a elevada altitude do México. Porém, há uma tese de que o presidente mineiro Emilio Garrastazu Médici, na época da ditadura militar, pressionou para que Dario, do Atlético, fosse convocado. Zagallo teria cedido e trocou os centroavantes. Toninho jogou duas partidas pela seleção canarinho em 1969 e marcou quatro gols.
Depois do Santos, Toninho Guerreiro foi para o São Paulo, que estava em uma fila desde 1957, muito por causa da construção do Morumbi, e com seu estádio já concretizado, queria voltar aos títulos. O Tricolor Paulista "foi às compras" e trouxe diversos jogadores para fortalecer o seu elenco, como o meia Gerson e o próprio Toninho. A equipe ficou com um time forte.
Foi importantíssimo no São Paulo
E agora vem a marca interessante: Já tricampeão pelo Santos, ele foi peça importantíssima do São Paulo, que conquistou os Paulistas de 1970 e 1971, fazendo com que o centroavante atingisse uma marca pessoal fenomenal: na era profissional, ele é o único jogador pentacampeão estadual. Em sua ótima passagem pelo São Paulo FC, Toninho atuou em 170 jogos (80 vitórias, 51 empates, 39 derrotas) e marcou 85 gols.
O jogador deixou o São Paulo em 1972, depois de ser artilheiro do Campeonato Paulista pela terceira vez. Com 31 anos, teve breve passagem pelo Flamengo e pelo Operário de Mato Grosso do Sul antes de encerrar a carreira em 1974, pelo Noroeste de sua cidade natal.
Toninho Guerreiro faleceu de derrame cerebral, na Capital Paulista, em 26 de janeiro de 1990, aos 47 anos. No Alvinegro Praiano, time que vestiu a camisa em 368 oportunidades, ele marcou 279 gols, o que o coloca como o quarto artilheiro da história do clube, atrás apenas de Pelé, Pepe e Coutinho.
Brandão é até hoje um nome inesquecível para a torcida do Rojo
Osvaldo Brandão foi um dos maiores treinadores que o Brasil já teve. Dono da marca de ser o técnico com mais jogos pelos rivais Corinthians e Palmeiras, tem diversas conquistas na carreira, incluindo o histórico Campeonato Paulista de 1977 pelo Timão, e títulos nacionais pelo Palmeiras. Entre seus feitos na carreira, Osvaldo conseguiu virar idolo de uma torcida argentina, de um dos maiores clubes do país, quando teve duas passagens pelo Independiente, a segunda de enorme sucesso.
Exigente e Austero, Osvaldo conseguia extrair muito de seus jogadores sem necessariamente ser um mago estrategista. Vendo suas qualidades, o Indpeendiente o contratou pela primeira vez em 1961. Ele ficou no clube de Avellaneda até 1963 e apesar de não ganhar nenhum título, formentou o caminho para a primeira "copa" do "Rey". Seria em 1967 que Brandão entraria para sempre na galeria de ídolos e para muitos dinvidades do Rojo.
Em 1967, houveram dois campeonatos argentinos, o Metropolitano, envolvendo apenas times de Buenos Aires e arredores, ganho pelo Estudiantes, torneio onde o Independiente fora eliminado pelo Racing, seu arquirrival. Já o Nacional envolvia os melhores times daquele torneio e campeões de outras províncias. Este foi o palco do que até hoje é uma das maiores campanhas de toda a história do futebol argentino, quando o Rojo não tomou conhecimento de ninguém e foi campeão com aproveitamento absurdo de pontos.
Osvaldo armava sua equipe no 4-2-4, num time que tinha como grandes destaques Luis Artime, Yazalde, Pastoriza e o lendário arqueiro Miguel Santoro. Se no primeiro semestre de 1967 nem tudo deu certo para os diabos, no segundo, num campeonato de turno único e pontos corridos com 15 times, o Independiente não tomou conhecimento de ninguém para conquistar o título.
O começo dos rojos foi absurdo, com 8 vitórias nos 8 primeiros jogos incluindo goleadas como 6 a 0 no Central Córdoba, 5 a 2 no Lánus, 3 a 0 no San Lorenzo, entre outras. A metade final do torneio teve a única derrota do time na competição, por 3 a 1 para o San Lorenzo. Vitórias contra Boca e River, este segundo em pleno Monumental de Nuñez, fizeram com que o Independiente basicamente dependesse de sí diante do Racing para ser campeão. Ai, veio talvez o maior jogo de Osvaldo Brandão com o Independiente, que o garantiu na galeria de imortais ídolos rojos.
Filme da campanha Roja
O Clássico de Avellaneda é desde sempre um pulsar de rivalidade absurda envolvendo os dois primeiros campeões da Libertadores na Argentina. Portanto, justamente no ano em que La Academia ganhou "La Copa", era impensável não vencer. O primeiro tempo sem gols deixou as coisas abertas, mas o segundo tempo foi um verdadeiro passeio dos homens de vermelho. Tarabini abriu a contagem a dois minutos, Artime marcou outros dois gols e garantiu a artilharia da competição e já no finalzinho Savoy fechou a histórica goleada e o título. A Argentina era vermelha.
Porém, Brandão, apesar dos apelos dos torcedores, não ficou. Voltou ao Brasil, para auxiliar na Seleção Brasileira. Abriu, porém, o caminho para Tim, que indicado por ele, que rejeitou diversas propostas portenhas, assumiu o San Lorenzo e ganhou o Campeonato Argentino, no caso o Metropolitano. Porém, mesmo com apenas um ano, o apelido de Maestro ficou e até hoje, Brandão é um dos maiores ídolos na casamata do Independiente. Sendo sempre lembrado pela torcida Roja.
O time do Verdão que conquistou a Taça Brasil de 1967
A temporada de 1967 foi marcante para a consolidação da Primeira Academia de Futebol do Palmeiras como um dos mais fantásticos times da história. Só naquele ano foram dois títulos nacionais, o segundo conquistado em 29 de dezembro com a equipe comandada por Mário Travaglini: a Taça Brasil.
Diferente do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, realizado no primeiro semestre, a Taça Brasil foi disputada em sistema eliminatório, composta apenas pelo atual campeão e pelos vencedores dos estaduais de 1966, indicando, ao final do certame, os representantes do Brasil na Taça Libertadores da América do ano seguinte.
Favorecido por ostentar o título de campeão paulista, o Alviverde entrou diretamente na semifinal, encarando um forte Grêmio, pentacampeão gaúcho na época. Primeiros em uma na chave com Ferroviário (Paraná) e Perdigão (Santa Catarina), os gaúchos receberam os palmeirenses e obtiveram um indigesto 2 a 1 no Estádio Olímpico; Alcino e Joãozinho marcaram para os donos da casa, enquanto Áureo (contra) foi o autor do tento palestrino. Mas, contando com um inspirado César Maluco e com toda a força de seu torcedor, o Verdão, com duas vitórias no Pacaembu, avançou à fase final – 3 a 1 e 2 a 1.
Na final, encarou seu algoz no Campeonato Brasileiro de 1966, quando caiu para o mesmo Náutico nas quartas de final. O então pentacampeão pernambucano passava por um dos melhores momentos de sua história – eliminou o América (Sergipe) na 3ª fase, o Atlético-MG (Minas Gerais) nas quartas e na semifinal passou pelo campeão da edição de 1966, o Cruzeiro (Minas Gerais).
No primeiro encontro, César, Zequinha e Lula surpreenderam os nordestinos e garantiram a vitória para o Palmeiras em plena Ilha do Retiro, porém, na partida de volta foi a vez de Fraga e Ladeira garantirem um 2 a 1 para o Náutico; Baldocchi descontou. A última e decisiva partida foi marcada para o Maracanã e, assim como no título mundial de 1951, o Verdão deixou a capital carioca com o título – César Maluco e Ademir da Guia garantiram o triunfo por 2 a 0. A Academia de Futebol se consagrava no cenário nacional.
Zito se despediu do Santos FC marcando um gol em jogo realizado no Ceará
O grande esquadrão do Santos FC na década de 60 rodava o Brasil e o mundo fazendo amistosos, levando grandes públicos aos estádios, com o torcedor querendo ver o grande ídolo do futebol mundial: Pelé. No dia 7 de novembro de 1967, aparentemente, o Peixe fazia mais um destes amistosos, contra o combinado Fortaleza / Ferroviário, no Estádio Presidente Vargas, na capital cearense. Porém, este jogo marcou o último jogo do eterno capitão do Alvinegro Praiano: Zito.
O jogo acabou sendo fácil para o Santos, que ganhou pelo placar de 5 a 0, mas o mais interessante é que Zito, que até marcava seus gols, mas não era tão constante em balançar as redes, fez um dos gols do Peixe no jogo. Os outros tentos foram marcados por Silva (2), Pelé e Coutinho.
Na despedida de Zito, o Peixe formou com Laércio, Carlos Alberto (Turcão), Joel Camargo (Oswaldo), Orlando e Geraldino; Lima e Zito (Negreiros); Orlandinho (Abel), Silva (Coutinho), Pelé e Edu. O técnico era Antônio Fernandes, o Antoninho.
Em sua homenagem o brilhante jornalista De Vaney, um dos maiores setoristas do Peixe na época, escreveu: “Não houve antes de Zito, não existe depois dele. Não existe agora e ninguém sabe quando aparecerá um estimulador de time, um transmissor de ânimo, um orientador tão hábil e tão enérgico, um comunicador de tão absoluto equilíbrio”.
Zito estreou no Alvinegro no dia 29 de junho de 1952, na vitória frente ao Madureira na Vila Belmiro, em partida amistosa vencida por 3 a 1 com gols de Hugo (2) e Tite. Durante os anos de 1952 a 1967 defendeu o time praiano em 727 partidas, marcando 57 gols. Nesse período jogou pela Seleção Brasileira em 51 oportunidades, marcando três gols e se sagrou bicampeão mundial em 1958 e 1962. Zito nasceu em Roseira no dia 08 de agosto de 1932 e faleceu em Santos no dia 14 de junho de 2015. Em sua homenagem foi erguida uma estátua, em frente ao Estádio Urbano Caldeira.
Pepe foi o único atleta do Santos a receber a honraria (foto: arquivo Santos FC)
João Evangelista Belfort Duarte foi um entusiasta do futebol nos primórdios da modalidade no Brasil. Rodou o país divulgando o esporte que veio da Inglaterra, colocando em prática as regras, divulgando campeonatos e fundando times. Além disto, era um entusiasta do jogo limpo, o famoso Fair Play.
Em 1945, mais precisamente no dia 16 de agosto, o Conselho Nacional do Desporto resolveu criar um prêmio para um jogador que atingisse no mínimo 200 jogos, em um prazo de 10 anos, sem ser expulso e deu o nome ao mesmo de "Prêmio Belfort Duarte". Vários atletas conquistaram o prêmio, entre eles José Macia, o Pepe.
No dia 21 de setembro de 1967, o eterno “Canhão da Vila, José Macia, o querido Pepe recebia da Confederação Brasileira de Desportos o diploma Belfort Duarte e uma medalha de prata. Esse diploma foi ofertado ao craque santista pois durante sua trajetória como futebolista nunca foi expulso de campo. Pepe jogou pelo Santos FC 741 partidas desde a primeira no dia 23 de maio de 1954.
Além da medalha de prata e do diploma o craque Pepe também recebeu uma carteirinha que lhe concede entrada gratuita em qualquer campo no Brasil. Depois de ter sido extinta essa premiação, em 1981, o prêmio voltou a ser concedido pela CBF, a partir de 1995, a entidade no entanto, fez uma alteração: somente jogadores aposentados poderiam requerer o prêmio.
O Prêmio Belfort Duarte tornou-se, a partir de 2008, uma premiação de futebol criada pela Rede Globo, destinada anualmente ao jogador mais bem disciplinado do Campeonato Brasileiro de Futebol. Porém, isto durou apenas dois anos e seu atual detentor é Gilmar, que fez apenas 9 faltas em 21 jogos atuando pelo Náutico em 2009. Mas, juntando todas as fases da premiação, Pepe foi o único atleta do Santos a conquistá-la.
Com o elenco parecido com o do estadual de 1966, o Bangu venceu o Torneio dos Campeões
Completando 114 anos neste 17 de abril, o Bangu Atlético Clube tem uma das páginas mais bonitas do futebol brasileiro. Tradicional agremiação do Rio de Janeiro, a equipe tem alguns títulos importantes, jogando contra grandes adversários. Entre estas conquistas, está a do Torneio dos Campeões de 1967.
Realizado algumas vezes durante as décadas de 20 e 30, pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD), o Torneio dos Campeões consistia e uma competição rápida, reunindo os campeões estaduais, que já eram campeonatos consolidados. Na primeira edição, em 1920, o Paulistano foi o campeão, em 1930 o Botafogo e em 1937 o Atlético Mineiro conquistou a taça.
Foto da partida decisiva em O Estado de Minas
Trinta anos depois, a Federação Mineira de Futebol, com a anuência da CBD, resolveu retomar o torneio, o realizando no início de 1967, como uma espécie de pré-temporada. Então, para isto, convidou campeões de 1966: Cruzeiro, que havia conquistado o Mineiro e a Taça Brasil, o Palmeiras, que venceu o Paulista, o Bangu, que havia levantado a taça no Carioca, e o Grêmio, campeão Gaúcho. Porém o Tricolor do Rio Grande do Sul declinou do convite e para seu lugar foi chamado o Atlético Mineiro, vice-campeão estadual e um dos "donos da casa".
O torneio era simples: mata-mata com semifinal e final, com todos os jogos sendo realizados no Mineirão, em Belo Horizonte. A abertura foi em uma rodada dupla, no dia 18 de janeiro. No primeiro jogo, o grande Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes foi derrotado pelo Bangu: 2 a 0, com gols de Paulo Borges e Aladim. No jogo de fundo, o Atlético bateu o Palmeiras por 3 a 1. Então, o Alvirrubro e o Galo fariam a final.
No dia 22 de janeiro mais uma rodada dupla. Na preliminar, o Cruzeiro bateu o Palmeiras por 3 a 2 e ficou com o terceiro posto. Depois, Atlético e Bangu fizeram a grande decisão. Paulo Borges, aos 28 do primeiro tempo e Norberto, aos 7 minutos da segunda etapa, colocaram o Alvirrubro na frente e o time do castor sentiu o título de perto.
Matéria do Jornal do Brasil, com
pouco destaque sobre o título
Porém, o Galo reagiu. Aos 13 minutos da etapa complementar, Edgard Maia diminuiu e aos 27', Santana deixou o placar empatado. O regulamento do torneio não previa o desempate em caso de igualdade no marcador e como não havia data disponível para uma outra partida, uma dúvida ficou no ar. Depois de muita conversa, foi decidido que o jogo entre as duas equipes no Mineirão, no dia 13 de março, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão, também decidiria o título do Torneio dos Campeões.
O Bangu, já com outro treinador, Martim Francisco assumiu no lugar de Plácido Montores, foi melhor naquele 13 de março e com um gol de Cabralzinho, logo aos 8 minutos de jogo, pôde comemorar o título do Torneio dos Campeões de 1967.
Em 1967, Dorval fez 20 jogos pelo Verdão, mas não balançou as redes
Atacante com uma ligação muito forte com o Santos, onde fez parte de um ataque temido, mortal e que virou quase uma rima no linguajar do futebol, Dorval não vestiu só preto e branco em sua carreira. Iniciando sua trajetória no Força e Luz, do Rio Grande do Sul ele passou por diversos outros clubes durante os 17 anos de atividade no esporte bretão. Um deles foi o Palmeiras, maior concorrente dos santistas na era de ouro do clube.
Depois de se destacar no Força e Luz, foi levado por um empresário a vários times de São Paulo e acabou indo parar no Santos. Lá, depois de um ano no clube, foi emprestado ao Juventus da Moóca, depois, retornou ao Peixe. Passou também pelo Bangu, antes de fazer parte do maior quinteto de ataque da história do Alvinegro Praiano e talvez do futebol brasileiro (Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe).
Em 1964, após passagem pelo Atlético Paranaense, foi negociado com o Racing, da Argentina. Em Avellaneda, ficou durante pouco tempo, fazendo 25 jogos e 4 gols. Apesar de ter sido vendido para o clube argentino, o Racing acabou não pagando o Santos. Retornou a Vila Belmiro por mais dois anos antes de parar no Parque Antártica, em 1967. Foram 612 partidas e 198 gols vestindo o preto e branco santista.
Dorval e Carlos Alberto Torres em 1967, antes de um clássico
No Alviverde Imponente, a passagem do ponta-direita foi curta. Foram 20 jogos fardando o manto palestrino. Com 12 vitórias, quatro empates e quatro derrotas. Entre estas 20 partidas, um clássico contra o Santos. O duelo, disputado na Vila Belmiro, no dia 6 de agosto daquele ano, ficou empatado por 1 a 1. Dorval não terminou a partida, sendo substituído por Ferrari, já no finalzinho do jogo.
Deixou o Palestra em 1968. Retornou ao Atlético Paranaense, onde ficou mais três anos, ganhando o Campeonato Paranaense de 1970, único título de sua carreira por clubes fora do Santos. Depois, foi ao Carabobo, da Venezuela, e Saad, de São Caetano do Sul, onde encerrou a carreira, em 1972.
Ontem, dia 19 de Setembro, o America Football Club, do Rio de Janeiro, completou 113 anos. Hoje, falaremos sobre o homem que dá nome ao estádio do Mequinha, Giulite Coutinho. Ex-presidente do clube e da CBF.
Empresário do ramo imobiliário e torcedor fanático americano, Coutinho assumiu pela primeira vez a presidência do time em 1956, ficando até o ano seguinte. Mesmo quando esteve fora da diretoria, seguiu ajudando o clube no que podia. Voltaria anos depois, em 1970, ficando mais uma vez até o ano seguinte.
Seria, porém, fora do America que ele faria sua maior realização como dirigente. Em 1980, ele virou presidente da recém criada CBF, que surgia para substituir a CBD. Giulite construiu o famoso CT da Granja Comari, feito para a que a Seleção Brasileira treinasse para a Copa do Mundo de 1982. Naquela copa, apesar da traumática eliminação para a Itália, ficou famoso o jogo bonito do time canarinho.
No America, a direita da foto
Giulite deixou a presidência da CBF em 1985. Ele tinha firmes convicções que gestões muito longas eram ineficientes. Se tornou forte crítico do enorme período em que Ricardo Teixeira esteve a frente da confederação, sendo um dos grandes opositores dele.
Além do futebol, Coutinho esteve na presidência da antiga Associação Brasileira de Exportadores. Em 2009, após uma cirurgia na boca, ele faleceu devido a uma parada cardíaca, na sua própria casa, no Rio de Janeiro. Como homenagem ao dirigente, o America deu a Giulite o título de Presidente In Memoriam, após sua morte, além de de batizar seu estádio com seu nome.
Hoje em dia, a Champions League é marcada por, via de regra, ter os mesmos times chegando às semifinais quase sempre, como Real Madrid, Bayern e Barcelona. Porém, houve épocas em que o torneio admitia apenas os campeões nacionais e isso permitiu algumas surpresas durante a história. Nesta série, falaremos sobre algumas delas, começando pelo escocês Celtic, o primeiro time do Reino Unido campeão Europeu, em 1967.
O time montado pelos Celtas não era fraco: conquistou um pentacampeonato escocês em sequência, além de diversos títulos em esfera nacional. Mas ninguém esperava que chegasse tão longe na Copa dos Campeões e muito menos que batesse um dos grandes times da época: a Internazionale de Helenio Herrera, também conhecida como “A Grande Inter”.
O time que ficaria conhecido como “Leões de Lisboa” foi essencialmente montado em casa, com jovens valores das categorias de base do alviverde escocês. Uma aposta arriscada em uma época em que o time estava há 10 anos sem ganhar o campeonato local.
Confronto com o Nantes
Curiosamente, Jack Stein, o treinador responsável por montar o que se tornaria o maior time da história do Celtic, era protestante e aqui cabe uma explicação: O Celtic é conhecido por possuir uma torcida católica. Este é um dos ingredientes que apimenta o Old Firm, clássico contra o Glasgow Rangers, clube de religião protestante. O clássico constitui em uma das maiores rivalidades do mundo.
O time foi montado com jogadores nascidos num raio de 30 milhas em volta da cidade de Glasgow e, por ser formado essencialmente por jogadores jovens, demorou à encontrar um padrão de jogo. Stein primava pelo jogo ofensivo e veloz, na direção contrária do Catennacio interista, baseado numa defesa forte e em lampejos de seus craques. Depois de algum tempo o time começou a dar resultado.
Na temporada de 1964/1965 vieram as conquistas da Copa da Escócia e da Copa Glasgow. Na temporada seguinte, o Celtic voltou a vencer a Copa Nacional e também conquistou a Liga, com um ataque que marcou 106 gols em 34 jogos (27v, 3e, 4d), conquistando assim a vaga para a Copa dos Campeões. Na Recopa Européia, o time foi parado nas semifinais pelo Liverpool.
Semifinal contra o Dukla Praga
A temporada de 1966/1967 seria a mais inesquecível e lendária da história do clube. O título escocês veio com outra campanha avassaladora: 26 vitórias, seis empates e duas derrotas, com 111 gols (!) marcados e 33 sofridos. A Copa da Liga foi conquistada com um gol salvador de Lennox e a Copa da Escócia veio com vitória por 2 a 0 sobre o Aberdeen.
A Champions League (Copa dos Campeões da Europa na época) tinha um formato diferente do atual, com o mata-mata acontecendo desde o começo da competição(algo como o que ocorre na Copa Sul-Americana). O Celtic estreou naquela edição batendo o Zurique por 2 a 0, em Glasgow, e depois por 3 a 0, na Suiça, fazendo 5 a 0 no agregado. Aquele era apenas o começo da jornada.
Na fase seguinte, os Celtas voltaram a vencer as duas partidas, desta vez contra o Nantes da França, fazendo 6 a 2 no agregado (3 a 1 nos dois jogos). Nas quartas de final, duelo complicado contra o Vojvodna da Iugoslávia (hoje Sérvia): 1 a 0 para os Iugoslavos na ida, em Vojvodna, e 2 a 0 para o Celtic, em Glasgow, com gol da classificação aos 45 minutos marcado por McNeill.
Vídeo da grande final
Nas semifinais, o Celtic pegou o Dukla Praga, da atual República Tcheca (Tchecoslováquia na época). A equipe iniciou a etapa vencendo por 3 a 1 na Escócia e empatando por 0 a 0 fora de casa, chegando assim à final contra a Internazionale, em Lisboa.
A Inter chegou a final como ampla favorita, já que tinha ganhado duas das três edições anteriores da competição. Porém, a Inter tentava se redimir das perdas do Campeonato Italiano e da Copa Itália na temporada. Já o Celtic chegava como zebra, mas poderia, com o título da Copa dos Campeões, ser campeão de todos os campeonatos que disputou.
O embate também colocava frente a frente duas filosofias totalmente contrárias: a Inter era conhecida pela forte defesa e por ter o treinador mais bem pago do Planeta na época, Helenio Herrera. Enquanto isso, o Celtic era um time rápido, ofensivo e goleador. Stein declarou na época que o time naquela final atacaria como nunca havia feito antes.
Comemoração após o apito final
Porém, o que se viu no jogo foi a Inter atacando duas vezes no começo e conseguindo abrir o placar com o brasileiro Mazzola, de pênalti, com apenas seis minutos jogados. A partir disso, a Inter recuou e o Celtic passou a controlar a partida. Porém, sem conseguir ser muito eficiente em quebrar a muralha defensiva da Inter.
Somente no segundo tempo o Celtic conseguiria furar o bloqueio defensivo interista. Primeiro com um chutaço de Gemmel e, depois, aos 39 minutos da etapa final, Chalmers desviou chute de Murdoch e marcou para dar a vitória aos Escoceses por 2 a 1. A muralha da Internazionale havia sido destruída pelos Leões de Lisboa.
Na Copa Intercontinental, o Celtic acabou perdendo o título à duras penas para o Racing de Avellaneda, com vitória por 1 a 0 em Glasgow, derrota por 2 a 1 em Avellaneda. No terceiro e decisivo jogo, nova derrota por 1 a 0 em Montevidéu.
O time também foi finalista na temporada 1969/1970
O Celtic chegaria de novo à final da Copa dos Campeões em 1970, mas perderia para o Feyenoord, que começava a mostrar a força do “futebol total” holandês. Naquele ano ficou marcado o fato de nas semifinais o time registrar o recorde histórico de público numa competição europeia, quando 136 mil pessoas viram a vitória sobre o Leeds United nas semifinais por 2 a 1.
* Lucas Paes é estudante de jornalismo e torce para o Santos FC.
Um dos melhores jogadores da história do futebol brasileiro e maior do Botafogo, Mané Garrincha, o Anjo das Pernas Tortas, é um daqueles que está acima de qualquer rivalidade e merece sempre ser lembrado pelo amante de futebol.
Todos lembram de sua ligação com o clube de General Severiano. Alguns ainda lembram da passagem dele pelo Corinthians, mas o que poucos sabem é que o Vasco da Gama tem um pequeno capítulo na carreira de Mané.
Com dirigentes antes do início da partida
Após a péssima campanha da Seleção Brasileira na Copa de 1966 e a frustrada passagem pelo Corinthians, o famoso camisa 7 foi emprestado ao Vasco. Esta era considerada uma de suas 'últimas chances no futebol'. E assim, Mané desembarcou em São Januário.
Visivelmente fora de forma e afetado pelo consumo excessivo de álcool, Garrincha disputou apenas uma partida amistosa pelo Clube da Colina. O adversário era a Seleção de Cordeiro, cidade localizada no interior do estado do Rio de Janeiro.
Equipe do Vasco. Garrincha é o primeiro agachado
Garrincha ficou em campo os 90 minutos, mas ficava claro que estava fora de forma e mal conseguia completar as jogadas. Porém, Mané não passou em branco, marcou de falta, aos 20 minutos do segundo tempo, o quinto gol vascaíno na goleada de 6 a 1 sobre o time local.
Porém, infelizmente, este foi o único jogo de Garrincha com a camisa cruz-maltina. O corpo do eterno camisa 7 da Seleção
já não suportava mais e o Vasco não estendeu o empréstimo.
FICHA
DO JOGO
Vasco
6 x 1 Seleção de Cordeiro
Data:
20/7/1967
Local:
Cordeiro (RJ)
Gols:
Bianchini 14m/1ºt, Bianchini 18m/1ºt, Zezinho 21m/1ºt, Bianchini 35m/1º t,
Milano 10m/2ºt, Garrincha 20m/2ºt e Valfrido 35m/2ºt
Vasco:
Édson Borracha (Celso); Djalma, Ivan (Joel), Álvaro e Almir; Paulo Dias e Ézio;
Garrincha, Bianchini (Sílvio), Zezinho (Valfrido) e Okada (William). Técnico:
Ademir Menezes.
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