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Há 67 anos, o Rei do Futebol estreava pela Seleção Brasileira

Com informações do G1 Santos
Foto: arquivo

Mesmo estreando na Seleção Brasileira com derrota, Pelé marcou gol

O domingo (7) marca 67 anos da estreia de Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, pela Seleção Brasileira. O primeiro jogo dele com a amarelinha foi contra a Argentina em 1957, em jogo que terminou em 2 a 1 para o outro país, no dia 7 de julho de 1957, no Maracanã.

Com Pelé, o Brasil conquistou três das cinco copas do mundo. O Atleta do Século morreu aos 82 anos, em 29 de dezembro de 2022 em decorrência de um câncer.

Certa vez, em entrevista sobre a estreia pela Seleção, Pelé disse: " Quando meu pai [Dondinho] falou que eu tinha sido convocado para defender a seleção eu sorri e dei uns passos como sambista, achando que era brincadeira dele. Mas quando ele falou: Não brinca por que é verdade, eu quase chorei de alegria".

A data que marca a estreia do maior jogador de futebol da história poderia ser de dupla celebração, com a conquita do Brasil às semifinais da Copa America, mas, a equipe comandada por Dorival Jr, acabou eliminada pelo Uruguai nos pênaltis, na noite de Sábado (6), nos EUA.


Alguns fatos marcantes do Rei no Maracanã:

1957: aos 16 anos, estreou com a camisa da seleção brasileira e marcou um gol;

1961: marcou um golaço contra o Fluminense, driblando oito adversários; o feito deu origem à expressão "gol de placa", usada até hoje para definir belos gols;

1968: Pelé recebe a taça simbólica das mãos da rainha da Inglaterra, Elizabeth 2, após amistoso entre as seleções paulista e carioca, vencida por SP;

1969: marcou, de pênalti contra o Vasco, seu time do coração, o milésimo gol da carreira;

1971: aos 31 anos, se despediu da seleção brasileira.

O São Paulo campeão paulista de 1957 na noite das garrafadas

Por Ricardo Pilotto
Foto: Arquivo

O Tricolor foi campeão paulista de 57

No dia 29 de dezembro de 1957, o São Paulo bateu o Corinthians no Pacaembu pelo placar de 3 a 1, numa noite que ficou marcada por garrafadas em direção gramado, e conquistou o Campeonato Paulista daquele ano. O título veio num momento crucial, uma vez que o clube do Morumbi só voltou a ser levantar um caneco após 13 anos de fila.

A competição foi dividida em duas fases: na primeira, todos os vinte times participantes se enfrentaram num único turno. Já na segunda, todas as agremiações que terminaram na primeira metade da tabela se classificavam à Série Azul, que levava à caminho do título. Caso houvesse empate entre mais de uma equipe na 10ª colocação, era previsto um jogo-desempate para decidir quem ficaria com a vaga.

Nesta Série Azul, todos os times se enfrentaram no formato de pontos corridos, em dois turnos. A contagem de pontos não era agregada à fase anterior. Um eventual empate entre os líderes, ao fim das rodadas, provocaria um jogo-desempate para definir quem ficaria em primeiro. Os dez últimos colocados na primeira fase, tiveram de jogar a Série Branca, que rebaixou o pior time à Segunda Divisão estadual. A disputa também foi por pontos corridos, com todas as equipes se enfrentando em turno e returno. Outra semelhança com a outra Série é que os pontos não era somados à etapa anterior do campeonato.

Para algumas partes, somente a Série Azul é considerada como o verdadeiro Paulistão de 57. Foi justamente nesta fase, que o Corinthians fez uma campanha espetacular: ficou invicto, e ainda terminou com cinco pontos à mais em relação à Santos e Portuguesa. Um dos triunfos do clube Alvinegro no Parque São Jorge foi diante do Santos, por 2 a 1. O clássico aconteceu no dia 21 de julho, e acabou sendo a última vitória do Timão sobre o Peixe em campeonatos estaduais até 68.

Do outro lado, o São Paulo, comandado pelo treinador húngaro Bela Guttmann, iniciou a sua participação na fase classificatória preocupando a sua torcida, mas conseguiu garantir a sua vaga para a reta final do torneio sem grandes dificuldades. A diretoria são paulina reforçou time trazendo o já veterano Zizinho, que mesmo com 37 anos de idade, era considerado o maior craque do futebol brasileiro naquela época. Sua estreia no Tricolor aconteceu no 10 de novembro, quando o clube do Morumbi venceu o Palmeiras por 4 a 2. Cerca de quatro partidas depois, participou também de uma goleada por 6 a 2 sobre a equipe do Santos num jogo do segundo turno da última e decisiva fase.

O Coringão foi bastante regular na fase decisiva e conseguiu sustentar uma invencibilidade de 35 jogos que durou até a penúltima rodada. Inclusive, o Time do Povo chegou a conquistar a Taça dos Invictos, que veio numa vitória história contra o Santos. Em contrapartida, bastou uma derrota magra por 1 a 0 para o próprio Peixe, na Vila Belmiro, no 23 de dezembro, para embolar o campeonato: São Paulo e Corinthians somavam 28 pontos, e viam o Santos, com 27, no retrovisor. Como o regulamento previa confronto direto entre os primeiros colocados na última rodada, um eventual empate no Majestoso, somado a um triunfo santista em cima do Palmeiras, deixaria três clubes juntos com 29 pontos, forçaria uma decisão.

Em 28 de dezembro, um dia antes de Tricolor e Timão se digladiarem, o Alvinegro Praiano goleou o Palmeiras por 4 a 1. Esta vitória fez com que os dois times fizessem uma partida tensa no gramado do Pacaembu. Não só porque um simples vitória para qualquer um dos lados seria o suficiente o título, mas sim porque no primeiro turno, no empate em 1 a 1, Alfredo Ramos, lateral do Coringão que tinha acabado chegar do próprio São Paulo, acabou fraturando a perna num choque com Maurinho, do São Paulo, lance que fez com que Luizinho e Gino Orlando passassem a discutir bastante até o fim da partida. No dia seguinte, Gino e alguns outros jogadores tricolores foram visitar o ex-companheiro de equipe no hospital, e Luizinho apareceu para acertar uma tijolada na testa de Gino na saída.


Todo aquele nervosismo dos minutos iniciais do jogo só foi esfriando quando o Tricolor inaugurou o marcador com gol de Amaury, anotados aos 17 minutos da etapa complementar. Dois minutos depois, o time do Morumbi aproveitou que o Alvinegro cedeu espaços ao sair para o jogo e ampliou a vantagem com Canhoteiro. Logo em seguida, Rafael fez um golaço de bicicleta e conseguiu diminuir o prejuízo. No auge da pressão da equipe corintiana, que buscava o empate, Maurinho decretou o placar final, matou o confronto num lance que o time do Parque São Jorge reclamou de impedimento, mas o auxiliar inglês Lynch , não marcou a irregularidade e ainda provocou o goleiro Gylmar, tanto antes quanto após o findar da jogada.

O São Paulo acabou sendo campeão, mas não pode fazer a tradicional volta olímpica. Isso porque, a torcida corintiana, muito revoltada por conta do lance do terceiro e último gol do rival, começou a arremessar garrafas na direção do campo e fez com que a partida ficasse marcado na história como a história como "A Tarde das Garrafadas".

A passagem do paraguaio Juan Cañete no Botafogo nos anos 50

Por Fabio Rocha
Foto: arquivo

Juan Cañete diurante sua passagem pelo Fogão

Juan León Cañete nasceu no Paraguai, no dia 27 de julho de 1929, participando da Copa do Mundo de 1950 e com passagens por diversos clubes de seu país. Além disso, o atacante atuou no futebol brasileiro, tendo um momento marcante no Botafogo.

A sua carreira começou no Club Presidente Hayes, atuando na lateral-esquerda, chamando a atenção em seu país. Após um período no profissional da equipe, o jogador acabou mudando de posição, começando a atuar no atacante, pois tinha uma forte força ofensiva.

Depois de alguns jogos na nova posição, o jogador conseguiu se destacar muito, tanto que começou a ser convocado para a Seleção Paraguaia, onde ficou por algum tempo, e chegou a disputar a Copa do Mundo de 1950.

O seu futebol chamava a atenção em seu país, mas as suas partidas pela seleção o elevaram de patamar, mostrando para o resto do mundo que tinha muito potencial. Juan rodou por alguns clubes do futebol sul-americano, continuando a boa performance.

Em 1956, o jogador veio para o futebol brasileiro para atuar no Botafogo, mas ainda sem muito conhecimento por parte dos torcedores. Juan não era uma contratação de peso, mas vinha com boas expectativas por parte da diretoria do clube carioca.

O atacante não conseguiu ganhar a posição absoluta, era titular em alguns jogos, banco em outras, mas quase sempre entrava em campo. Juan teve um momento especial no clube, que marcou os torcedores da época, e que fizeram ele ter um reconhecimento maior.

No Campeonato Carioca de 1956, o Flamengo vinha caminhando rumo ao tetracampeonato, mas na última rodada tinha o enfrentamento contra o Botafogo. Na partida, Juan marcou um belo gol de trivela, que tirou o título do Rubro-Negro, dando o troféu para o Vasco da Gama.


O gol ficou marcado em sua carreira, pois foi seu momento mais especial pelo Botafogo. Além disso, em 1957, o jogador foi Campeão Carioca pelo clube, conquistando um título importante. O atacante participou de alguns jogos, não teve muita relevância na conquista do campeonato.

Ao final da temporada, acabou deixando o clube, indo atuar no Vasco da Gama. onde teve rápida passagem. Depois, voltou ao Presidente Hayes e em 1959 foi para a Argentina, onde atuou por Huracán, Temperley e Almagro, clube onde se aposentou em 1962.

A estreia de Pelé pela Seleção Brasileira

Por Ricardo Pilotto
Foto: Arquivo

Pelé marcando o seu primeiro gol pelo Brasil

Neste dia 7 de julho de 1957, se completam 66 da estreia de Pelé na Seleção Brasileira. Na ocasião, a Amarelinha jogou diante da Argentina, pela Copa Roca, atualmente conhecido como Superclássico das Américas. O duelo foi realizado no Maracanã para cerca de 80 mil pessoas.

Mesmo com o revés por 2 a 1 para os rivais, esta data ficou marcada na história do futebol brasileiro. Isso porque, o eterno Rei fez o seu primeiro gol pela equipe Canarinho neste debute.

Com 30 minutos da etapa inicial, Labruna inaugurou o marcador. No segundo tempo, o jovem Pelé na época empatou, mas pouco tempo depois, Juárez recolocou os argentinos na frente de o triunfo para a Albiceleste. 


Naquela época, a Copa Roca precisava de dois jogos para definir o supercampeão. Na partida de volta segundo, o Brasil acabou ficando com o título com uma vitória por 2 a 0, num duelo disputado no Pacaembu. Pelé e Mazzola marcaram os gols brasileiros.

Baltazar, o "Cabecinha de Ouro", no Juventus em 1957

Foto: arquivo

Baltazar passou pouco tempo no Juventus

Em 14 de janeiro de 1926 nascia um dos grandes centroavantes do futebol brasileiro. Baltazar, o "Cabecinha de Ouro", foi ídolo do Corinthians e Seleção. Porém quando saiu do Timão, foi defender o Juventus, no ano de 1957.

Nascido em Santos, Oswaldo da Silva começou no Jabaquara, de sua cidade natal. Chamou tanto a atenção de todos que logo o Corinthians o buscou, quando ainda tinha 19 anos, em 1945. Seus gols de cabeça logo lhe deram o apelido de "Cabecinha de Ouro".

Permanecendo no clube de Parque São Jorge entre 1945 e 1957, e ele mesmo reconhecia não ter muita habilidade com os pés, mas os mais antigos torcedores alvinegros não se esquecem da excelência nas jogadas aéreas.

Após sair do Corinthians, foi jogar no Juventus. Na Moóca, foi recebido com estatus de grande jogador. Mas ele já não era o mesmo centroavante dos tempos de Timão. Fez poucas partidas no Moleque Travesso e deixou o clube ainda em 1957.


Ainda passou novamente por Jabaquara, clube que o revelou, e encerrou sua carreira pelo União Paulista em 1959, aos 33 anos. Baltazar veio a falecer em 25 de março de 1997, com 71 anos, em São Paulo, em decorrência de seus múltiplos problemas físicos.

O São Paulo campeão paulista de 1957 na "Noite das Garrafadas"

Por Ricardo Pilotto
Foto: Arquivo

O Tricolor venceu o Paulistão de 1957

Nesta quinta-feira, dia 29 de dezembro de 2022, se completam 65 anos que o São Paulo conquistou o Campeonato Paulista de 1957, diante do Corinthians, no Pacaembu. Na ocasião, o Tricolor bateu o Corinthians pelo placar de 3 a 1, em um episódio que ficou conhecido como a "Noite das Garrafadas" e também marcou o início de um período de 13 anos em que o time do Morumbi ficou na fila.

Naquela época, o time são paulino, comandado por um treinador húngaro Bela Guttmann, não jogou um futebol que chamasse muita atenção, mas conseguiu passar da primeira fase sem muitos sustos. A diretoria conseguiu adquirir Zizinho, que era considerado o maior craque do futebol brasileiro daquele tempo apesar dos seus 37 anos idade, por empréstimo.

Por outro lado, o Corinthians conseguiu sustentar uma excelente campanha durante a fase decisiva, além de manter uma sequência de 35 jogos sem perder a penúltima. O Timão chegou até a vencer a Taça dos Invictos, vencida sobre o Santos, com um gol de empate já na reta final da partida.

Todo aquele nervosismo de começo de partida esfriou quando o Tricolor inaugurou o marcador aos 17', através de Amaury. Na sequência, clube Alvinegro do Parque São Jorge partiu em busca do empate, mas sofreu outro tento, desta vez anotado por Canhoteiro dois minutos depois. Pouco depois, veio a resposta corintiana, com um golaço de bicicleta de Rafael. 

Animado, o Coringão passou a pressionar, mas foi justamente nesse mnomento, que Maurinho, supostamente em posição irregular, deu números finais ao confronto na marca dos 34'. Na ocasião, o auxiliar inglês Lynch, não apontou o impedimento e ainda provocou o goleiro Gilmar.


Apesar da conquista da taça, os jogadores tricolores não puderam fazer a volta olímpica. Isso porque, a torcida do Corinthians, que estava muito perplexa com a jogada do que deu o terceiro gol ao clube do Morumbi, começou a arremessar garrafas no campo. Não à toa, este fato acabou ficando marcada para a história do futebol como "A Noite das Garrafadas".

Há 65 anos, Corinthians empatava com o Santos e conquistava a sua segunda Taça dos Invictos

Com Informações do Meutimão.com
Foto: Arquivo

O Timão empatou em 3 a 3 com o Peixe e conquistou a Taça dos Invictos

Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos, as quatro forças do futebol paulista, já haviam vencido a Taça dos Invictos antes mesmo do dia 3 de novembro de 1957. Foi justamente nesta data, que o clube alvinegro do Parque São Jorge chegou a marca de 25 jogos de invencibilidade e acabou ficando com a taça definitivamente. Tal fato aconteceu em um empate, super movimentado, por 3 a 3, disputado no gramado do tradicional Pacaembu.

O time da capital paulista largou na frente do marcador com gol marcado por Boquita, na marca dos 15'. Porém, aos 16 o Alvinegro Praiano foi buscar o empate e, já com 19' de bola rolando, virou para 2 a 1. Depois, foi a vez de Goiano balançar as redes para o clube corintiano. 

Com isso, as agremiações desceram aos vestiários com o empate em 2 a 2 na primeira metade do confronto. Naquele momento de intervalo, o escrete paulistano tinha o interesse de garantir a Taça dos Invictos naquele embate. Do outro lado, o Peixe, queria impedir a vibração do rival de qualquer maneira àquela altura.

Com bola rolando já na etapa complementar, o Santos retomou a liderança no placar com o segundo tento de Pelé, que já tinha ido às redes na virada santista. A vitória parcial do Alvinegro da Vila pelo placar de 3 a 2 prevaleceu até cerca dos 44', justamente no momento em que Paulo, atuando na meia direita mesmo sendo o camisa 9, igualou a partida e deu a Taça dos Invictos ao Coringão.


Depois deste clássico entre os alvinegros, o Corinthians ainda permaneceu invicto por mais dez jogos no Campeonato Paulista. Com isso, o Coringão foi de 25 a 35 partidas sem sofrer nenhum revés durante toda a competição estadual.

Há 65 anos Didi marcou, de folha seca, e colocou o Brasil a Copa do Mundo de 1958

Por Fabio Rocha
Foto: arquivo

A clássica foto com a bola nas redes e Didi saindo para comemorar

Há 65 anos, a Seleção Brasileira fazia uma partida dificílima no Maracanã em busca da classificação para a Copa do Mundo de 1958. Na tarde do dia 21 de Abril de 1957, a Amarelinha enfrentou o Peru pela partida de volta, venceu por 1 a 0 e foi ao Mundial onde se sagraria campeão. Na ida, o jogo terminou empatado em 1 a 1.

O Brasil precisava de um resultado simples para conseguir a classificação sobre o Peru e o gol que deu a vitória foi logo no início da partida. Aos 11 minutos, após uma cobrança espetacular de Didi, que ficou famoso e conhecido como folha seca, que enganou o bom goleiro Asca.

A partida foi muito disputada, com lances fantásticos das duas equipes. O Maracanã recebeu naquela tarde 137 mil pessoas, o maior estádio do mundo na época recebia um público espetacular, mas todos estavam apreensivos e nervosos com o grande jogo que viam.

O Brasil conseguiu segurar o resultado durante a partida e após o apito final gerou alívio a toda a nação. Mais uma vez a seleção iria para a Copa do Mundo e entrava com umas das favoritas aos títulos, o que foi concretizado no ano seguinte, com o Brasil levantando a taça.


A Seleção entrou em campo com: Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Zózimo e Nílton Santos; Roberto Belangero e Didi; Joel, Evaristo, Índio e Garrincha. Treinador: Oswaldo Brandão. Já o Peru foi para o jogo com Asca, Benítez, Lozán e Fleming; Rovay e Calderón; Sánchez, Maximo Mosquera, Manuel Rivera, Alberto Terry e Juan Seminario. Treinador: Gyouri Orth.

Há 65 anos, Santos conquistava o bicampeonato Paulista em cima do São Paulo

Por Fabio Rocha
Foto: arquivo

O Santos campeão Paulista de 1956, com a final sendo em 3 de janeiro de 1957

Há 65 anos, o Santos conquistava seu terceiro título Paulista. Depois de um campeonato muito regular, que começou em 1956, mas acabou terminando no dia 3 de janeiro de 1957, com um grande jogo contra o São Paulo, que terminou em 4 a 2. A partir desse jogo o clássico ficou conhecido como "San-São", nome dado pelo jornalista Thomaz Mazzoni, que trabalhou por muitos anos no jornal "A Gazeta Esportiva".

O Campeonato Paulista de 1956 era formado por 18 times, e todos os clubes se enfrentavam. Os dez primeiros colocados se classificavam para a Série Azul, e os outros restantes iam para a Série Branca, pois não houve rebaixamento neste ano. O Santos passou com tranquilidade, com 30 pontos, o Peixe ficou em primeiro lugar, com 13 vitórias e 4 empates, sem derrotas.

Os dez primeiros foram: Santos, Corinthians, São Paulo, Portuguesa, Palmeiras, São Bento, XV de Piracicaba, XV de Jaú, Taubaté e Juventus. Na fase final, os clubes se enfrentaram em dois turnos. Foram 18 jogos para cada equipe, e o Santos liderava até a última rodada, mas o São Paulo na partida final venceu o Palmeiras por 5 a 3, e empatou na pontuação, levando o Campeonato Paulista para o jogo final entre as duas equipes.

O Santos tinha a vantagem de jogar em casa, pois teve uma primeira fase melhor. No dia 3 de janeiro de 1957, o Pacaembu recebeu essa grande partida. Para mais de 51 mil pessoas, o San-São entrou em campo, e proporcionaram uma final grandiosa.

O São Paulo começou o jogo melhor, e logo no começo abriu o placar com Zezinho aos 8 minutos. Mas não demorou muito, e o Peixe empatou aos 20 com Feijó, o tricolor continuou melhor mesmo após o empate, e com insistência conseguiu fazer o segundo no final do primeiro tempo. Aos 42 minutos, novamente Zezinho marcou, deixando o tricolor em vantagem para o segundo tempo.

Tudo caminhava bem para o São Paulo conquistar o título, mas no segundo tempo, as coisas começaram a mudar. O Santos mudou sua postura, e com o apoio do seu torcedor chegou ao empate aos 18 minutos com Tite. Não demorou muito para o Peixe conseguir a virada, e logo aos 26 minutos, Del Vecchio marcou, ele se tornaria o homem do jogo. Praticamente nos minutos seguintes, Del Vecchio consolidou o título, com o quarto gol aos 34 minutos.


A partida acabou em 4 a 2, com uma grande virada do Santos, conquistando seu 3 título Paulista, e seria o Bicampeonato, pois o clube já havia vencido em 1955. O time campeão de 1956 era formado por: Manga, Wilson e Feijó; Ramiro, Formiga e Zito; Tite, Del Vecchio, Pagão, Jair Rosa Pinto e Pepe. Lula comandava esse time. O melhor jogador da história do futebol, Pelé, já fazia parte do Santos, mas só havia jogado no amador (que na época era a base) pelo clube.

Botafogo campeão carioca de 1957 - O título de João Saldanha como treinador

Foto: arquivo

João Saldanha sendo carregado por torcedores após o título de 1957

Neste 3 de julho de 2021 está completando 104 anos do nascimento de João Saldanha. Jogador frustrado na juventude, jornalista que comentava de tudo, por isso ganhou o apelido de João "Sem Medo" e militante do PCB, ele também foi treinador em poucas oportunidades, mas com enorme sucesso. Em sua primeira experiência na função, conquistou o Campeonato Carioca de 1957 pelo Botafogo.

João Alves Jobin Saldanha nasceu dia 3 de julho de 1917, na cidade de Alegrete – RS. Aos 14 anos de idade, sua família mudou-se para o Rio de Janeiro, onde jogou por alguns anos no Botafogo. Formou-se em Direito pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual UFRJ. Estudou jornalismo e se tornou um dos mais destacados escritores de esportes, antes de se tornar comentarista no rádio e na televisão.

Como jornalista esportivo, ele frequentemente criticava jogadores, técnicos e times de futebol. Porém, Enxergava tão bem o jogo que muita gente começou a questionar se ele não seria mais competente que boa parte dos técnicos que criticava com propriedade.

Aí veio o grande desafio. Botafoguense declarado, João Saldanha recebeu a proposta de dirigir a Estrela Solitária em 1957. E ele aceitou. Apesar da constelação de craques, o Fogão não ganhava o Campeonato Carioca desde 1948 e a tentativa do título ficou a cargo de um treinador sem experiência.

Suas críticas como comentarista eram únicas, pois enxergava longe e onde ninguém via nada. No microfone, João colocava sua voz, dedos e olhar. Com estas condições intelectuais, ele transportou tudo isto para dentro de campo. E deu certo!

O Botafogo foi medindo forças com os outros grandes do Rio de Janeiro e acabou conquistando o campeonato estadual daquele ano, em uma final histórica, em que goleou o Fluminense por 6 a 2, com um time que contava com Garrincha, Didi e Nílton Santos. Paulo Valentim marcou cinco vezes e o Anjo das Pernas Tortas mais um.

Deu tanto certo que João Saldanha foi carregado pelos torcedores ao fim do jogo. No ano seguinte, o seu último desta passagem pelo Botafogo, foi cotado para assumir a Seleção Brasileira que iria disputar a Copa do Mundo na Suécia. O cargo acabou ficando com Vicente Feola, que foi campeão.


A chance de João Saldanha na Seleção Brasileira veio em 1969. Nas Eliminatórias, "As Feras do Saldanha" atropelaram os adversários e conquistaram a vaga na Copa com facilidade. Porém, em 1970, a situação não ficou boa e sua demissão veio após o presidente-ditador Emílio Médici ter pedido Dario na Seleção. "Ele escala o ministério e eu a Seleção", disse Saldanha. Zagallo assumiu o posto e também foi campeão do mundo.

João Saldanha voltou para o cronismo esportivo. Ele morreu em Roma dia 12 de julho de 1990, onde foi cobrir naquele ano a Copa do Mundo para a Rede Manchete. Até hoje não se sabe a razão. Fontes mais seguras dizem que Saldanha morreu de um efizema pulmonar, devido ao vício tabagista.

A era de ouro do Hercílio Luz, o primeiro clube catarinense em competições nacionais

Por Tiago Cardoso
Foto: arquivo

O time bi-campeão catarinense

No ano de 1957 a corrida espacial entre as superpotências Estados Unidos e União Soviética estava a pleno vapor, o que culminou na ida da cadelinha Laika, uma vira-latas que perambulava pelas ruas de Moscou, ao espaço, tornando-se o primeiro ser vivo a cruzar a órbita da Terra. Laika tripulou o satélite Sputnik 2, mas infelizmente não resistiu e morreu horas depois do lançamento. Na Cidade das Estrelas, área do programa espacial russo em Moscou, uma placa e uma estátua homenageiam a heroína peluda e de quatro patas. O Rei do Futebol, Pelé, estreia pela Seleção Brasileira aos 16 anos de idade, numa partida pela Copa Rocca, no Maracanã, contra a Argentina. Pelé saiu do banco para empatar o jogo, que seria vencido pela Argentina pelo placar de 2x1, sob os olhares atentos de 80 mil pessoas. Na volta, três dias depois, no Pacaembu, desta vez titular, Pelé abre o placar no jogo que dá a vitória de 2x0 e, por conseguinte, o título do torneio ao escrete canarinho, o primeiro do Rei do Futebol com a camisa da Seleção Brasileira. Em Roma, potências europeias assinam um tratado que dá início a Comunidade Econômica Europeia, o embrião da União Europeia. Israel se retira da Península do Sinai, dando fim ao impasse político com o Egito iniciado no ano anterior. 

No ano de 1958, o Brasil conquistava pela primeira vez a Copa do Mundo, na Suécia, e Pelé era coroado o Rei do Futebol aos dezessete anos, enquanto Garrincha deixava mais um “João”, como chamava todos seus adversários, pelo chão, disciplinadamente, como certa vez dissera Nilton Santos, lateral esquerdo daquela conquista e para muitos o maior da posição em todos os tempos, que lhe conferiu a alcunha de Enciclopédia do Futebol. No Magreb, como é conhecido o Norte da África, é proclamado o Governo Provisório da República Argelina, a qual estava mergulhada desde 1954 numa guerra de independência contra a metrópole francesa, numa década em que iniciara-se um paulatino processo de descolonização do continente. Um novo movimento cultural brasileiro surgia, a Bossa Nova, com a gravação da mítica “chega de saudade”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, por João Gilberto, expoente do gênero.


Em 1959, o distrito federal ainda era o Rio de Janeiro, embora Brasília já estivesse em fase de conclusão para ser inaugurada no ano seguinte, ao passo que o presidente JK seguia sua política de “planos de metas” que prometia fazer o Brasil crescer 50 anos em 5, num país onde a maioria da população ainda era rural. Numa ilha a 150 quilômetros dos Estados Unidos, dois jovens, Fidel e Chê Guevara, consolidam a Revolução Cubana, no outrora quintal dos Estados Unidos. Em Clear Lake, Iowa, EUA, caía o avião que levava os roqueiros The Big Popper, Buddy Holly e Ritchie Valens, silenciando para sempre o jovem cantor que ficou eternizado com a música “la bamba”. 

Enquanto isto, no sul de Santa Catarina, a 133 quilômetros da capital Florianópolis, na cidade de Tubarão, polo cerâmico importante do estado, o Hercílio Luz, que hoje milita na segunda divisão catarinense, vivia seus anos dourados. O clube, que homenageia em seu nome um ex-governador do estado de Santa Catarina, conquista o bicampeonato estadual em 1957 e 1958, ainda hoje suas únicas conquistas. A conquista de 1958, possibilitou que o clube participasse da primeira edição da Taça Brasil, criada em 1959 para apontar um representante brasileiro na Libertadores da América, que passaria a ser disputada a partir de 1960. 

A participação do Hercílio Luz na Taça Brasil é a primeira participação de um clube catarinense numa competição nacional, mas para isto o clube precisou trilhar um árduo percurso. 

O Hercílio Luz voltava ao campeonato estadual após um hiato de quatro anos de ausência, uma vez que não participava da competição desde 1953, onde caiu nas quartas de final. Em 1957, o campeonato estadual era regionalizado na primeira fase, razão pela qual o Hercílio Luz fez parte do grupo Zona Sul, ou 3ª Zona, junto ao Ferroviário, também da cidade de Tubarão, o Henrique Lage, da cidade de Lauro Muller, e o Comerciário, atual Criciúma. O Hercílio Luz foi o campeão do grupo, o que, por sua vez, garantiu-lhe uma vaga nas semifinais, onde se juntou ao Sadia, da cidade de Concórdia, campeão da Zona Leste, ou 1ª Zona, ao Carlos Renaux, da cidade de Brusque, campeão da Zona Leste, ou 2ª Zona, e ao Ypiranga, de São Francisco do Sul, campeão da Zona Norte, ou 4ª Zona. Coube ao Hercílio Luz enfrentar o Ypiranga, contra o qual não teve dificuldades para se classificar à final, vencendo fora de casa pelo placar de 5x2 e em casa, na cidade de Tubarão, pelo placar de 3x1. Na grande final, o adversário foi o Carlos Renaux, que não tomou conhecimento do Sadia, vencendo os dois jogos por goleadas, 5x0 como visitante e 6x1 como anfitrião. Diante de um adversário mais duro, o Hercílio perdeu o primeiro duelo da decisão pelo placar de 3x1, disputado na cidade de Brusque. Entretanto, na revanche, em Tubarão, o Hercílio Luz venceu o duelo pelo placar de 4x2. Deste modo, um terceiro jogo foi necessário para definir o campeão. Na cidade de Florianópolis, no dia 08 de junho de 1957, veio a consagração, com uma vitória pelo placar de 2x0. O Hercílio Luz entrou em campo naquele dia, na capital catarinense, no sistema 2-3-5, com Bateria; Rato e Pinto; Mário, Adir e Ernani; Giovani, Betinho, Waldir, Ernesto e De Lucas. O Hercílio Luz terminou a partida com apenas sete jogadores, pois o árbitro José Silva expulsou os jogadores Waldir, Betinho, De Lucas e Pinto. Do Carlos Renaux, foi expulso o atleta Júlio Camargo. Na sua nona participação na história do estadual, disputado desde 1924, o Hercílio Luz colocava a cidade de Tubarão no mapa do futebol barriga verde, e começava a escrever as páginas mais belas de sua centenária história tornando-se o primeiro clube do sul do estado a se sagrar campeão estadual.


Em 1958, o formato do campeonato foi mudado, desta vez dezesseis times se enfrentavam em jogos de ida e volta, eliminatórios. Para chegar as semifinais, o Hercílio Luz bateu o Inter de Lages nas oitavas de final e o Barriga Verde de Laguna nas quartas de final. Nas semifinais, o Hercílio Luz não teve dificuldades para eliminar o Marcílio Dias. Com uma vitória de 3x1 na cidade de Tubarão e uma nova vitória, desta vez pelo placar de 2x1, na cidade de Itajaí, o Leão do Sul como é conhecido, habilitava-se a disputar a final, que mais uma vez seria contra o Carlos Renaux, que havia despachado o Comerciário, atual Criciúma, na outra semifinal. No primeiro jogo, em Brusque, o Hercílio Luz foi goleado pelo placar de 4x1. Na volta, em Tubarão, o Hercílio Luz precisava evitar nova vitória do Carlos Renaux e forçar um terceiro jogo. O confronto foi eletrizante, terminando em incríveis 5x5. Deste modo, o Hercílio Luz foi salvo pelo regulamento, que, naquela temporada, previa que o campeão precisaria marcar quatro pontos nos dois jogos. Numa época em que a vitória valia dois pontos, o Carlos Renaux não alcançou o número de pontos necessários para se sagrar campeão, o que novamente forçou a realização de um terceiro jogo em campo neutro, na capital. Assim, o Hercílio Luz novamente percorreu os 133 quilômetros que separam a cidade de Tubarão da capital para disputar o título de melhor time de futebol do estado, no dia 29 de março de 1958, e vencer o Carlos Renaux pelo placar de 3x1. O Hercílio Luz sagrava-se bicampeão estadual, pois havia feito melhor campanha ao longo do campeonato, por isso, mesmo marcando os mesmos três pontos que seu adversário nos duelos finais, foi coroado novamente o rei do estado. 

Assim, o Hercílio Luz garantia sua vaga na Taça Brasil de 1959, juntando-se ao Grêmio, campeão gaúcho, e ao Atlético, campeão paranaense, formando o Grupo Sul. O Hercílio Luz enfrentaria o Atlético Paranaense. O vencedor do duelo enfrentaria o Grêmio na fase seguinte, para posteriormente alcançarem as quartas de final. No primeiro jogo, disputado no dia 23 agosto de 1959, no lendário estádio Aníbal Costa, o Hercílio Luz saiu atrás do placar, tomando gol aos 9 e 23 minutos do primeiro tempo. O time até tentou reagir, descontando aos 29 minutos do segundo tempo, com gol de Luizinho, mas não teve forças para empatar. Agora o Hercílio Luz tinha a indigesta missão de vencer o Atlético Paranaense em Curitiba, mas novamente foi derrotado, desta vez pelo placar mínimo. Encerrava-se, no dia 30 de agosto de 1959, a era gloriosa do Hercílio Luz, que no campeonato catarinense de 1959, concluído somente em 1960, ainda conseguiria vencer o campeonato da Zona do Sul do estado, mas não conseguiria chegar entre os quatro primeiros no octogonal final que decidiu o torneio daquele ano. Em 1960, não conseguiria chegar às semifinais, sendo eliminado pelo extinto Metropol, o qual seria o campeão, e que se tornaria uma potência do futebol catarinense na década vindoura. Em 1961, o Hercílio Luz sequer se inscreve para a disputa do estadual. Assim mesmo, o time se mantém entre os principais do estado na década de 1960 e início dos anos 1970, disputando os campeonatos de 1962 e todos entre 1964 e 1973. Entretanto, devido a uma forte enchente, que destruiu a cidade de Tubarão no ano de 1974, o clube teve que se licenciar, disputando ainda o campeonato de 1975, voltando apenas em 1984, ocasião na qual disputou o estadual de forma ininterrupta até o ano de 1991, quando foi rebaixado. Em 1993 conseguiu novamente o acesso à primeira divisão, mas se licenciou e só voltou à primeira divisão em 1995. Além de não disputar a primeira divisão em 1994, após conseguir o acesso em 1993, cedeu seu estádio ao rival citadino, Tubarão, em forma de pagamento de dívidas que assolavam o clube. Após disputar o campeonato estadual de 1995, o clube entrou em crise profunda e se licenciou, voltando ao profissionalismo somente em 2008. Em 2017, ao conquistar o vice-campeonato da segunda divisão, garantiu seu retorno à elite do futebol do estado, onde ficou até 2018, quando foi novamente rebaixado. 

Quando o Hercílio Luz sagrou-se bicampeão catarinense em 1959, somente Avaí, com 9 títulos, Figueirense, com 6 títulos, América de Joinville, com 4 títulos, e o Caxias de Joinville, com 3 títulos, tinham mais conquistas que o Leão do Sul. América e Caxias se fundiram em 1976, criando, assim, o Joinville, que já conquistaria seu primeiro título naquele ano. Atualmente, o Joinville é o terceiro maior campeão estadual com 12 títulos. As outras duas potências estaduais, Criciúma e Chapecoense, só foram conquistar seus primeiros títulos em 1968 e 1977, respectivamente. Ou seja, em 1959, o Hercílio Luz só tinha menos conquistas que os dois gigantes da capital, Avaí e Figueirense, entre os clubes que seguiram sua história, pois América e Caxias não existem mais desde 1976. 

Mas o destino mudou sua rota e o Leão do Sul se apequenou, foi rebaixado, fechou, retornou. Enquanto o Criciúma, que só foi ser campeão em 1968, ainda com o nome de Comerciário, tornou-se o único catarinense campeão da Copa do Brasil em 1991, e a Chapecoense, que só foi ser campeã em 1977, chegou a uma final de Copa Sulamericana em 2016, a qual não aconteceu em razão do fatídico acidente aéreo que vitimou setenta e uma pessoas, entre elas quase todos os atletas do elenco, em Cerro Gordo, na Colômbia. 

O que aconteceria com o clube se a famigerada enchente de 1974 não destruísse a cidade de Tubarão, o patrimônio do clube e por conseguinte suas finanças, obrigando-o a se licenciar do futebol não sabemos, até porque já completava-se quinze anos da última glória, mas seus torcedores ainda içam suas bandeiras alvirrubras em suas casas na esperança de um retorno aos grandes do futebol barriga verde. 

Na segunda divisão, o Hercílio Luz, clube que revelou Zenon, nascido na cidade, ídolo do Guarani, onde foi campeão brasileiro em 1978, e do Corinthians, com passagens pela Seleção Brasileira, busca retomar suas glórias pelo estado. O lendário Aníbal Costa, inaugurado em 1941, onde foi disputada a primeira partida de uma competição nacional em solo barriga verde, foi vendido a um grupo de investidores, entretanto uma nova arena, moderna e funcional, está sendo construída com previsão de inauguração no ano de 2022. Até lá, o Leão do Sul vai se despedindo do estádio onde viveu suas maiores glórias, uma vez que poderá usá-lo até dezembro de 2021. 

A notícia boa é que o estadual de 2021 passará a contar com doze times, dois times a mais que no campeonato deste ano, portanto três clubes subirão à divisão de elite do estado no ano seguinte, facilitando, em tese, o retorno do clube ao lugar de onde seus torcedores, os leoninos, acreditam que nunca deveria ter saído.

O primeiro gol de Friaça pelo Guarani

Por Natanael Oliveira / FPF
Foto: arquivo Guarani

Friaça defendeu o Guarani entre 1957 e 1958

Um ponta-direita rápido, forte chute e com passadas que deixavam os marcadores para trás. Assim poderia ser descrito o histórico jogador Albino Friaça Cardoso -mais conhecido apenas como Friaça- um dos grandes nomes do futebol brasileiro nas décadas de 40 e 50, sendo ídolo em clubes como o Vasco-RJ e com passagens por São Paulo e pela dupla campineira Guarani e Ponte Preta. Inclusive, o seu primeiro gol pelo clube bugrino completa 63 anos neste 19 de maio, justamente diante do maior rival.

Além de já demonstrar qualidade desde cedo, Friaça se notabilizou por ter feito o único gol brasileiro na derrota diante do Uruguai na primeira Copa do Mundo que o Brasil sediou, em 1950. Na ocasião, a seleção foi surpreendida pelos uruguaios diante de um Maracanã lotado, sendo derrotada por 2 a 1, de virada, em episódio que ficou conhecido como 'Maracanaço'. Além disso, Friaça ainda conquistou uma medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos de 1952, sediado pelo Chile.

Carreira - Nascido na cidade de Porciúncula, interior do estado do Rio de Janeiro, o atacante começou a sua carreira pelo Vasco. Notabilizando-se pela qualidade com a bola e um faro de artilheiro, venceu os campeonatos cariocas de 1945 e 1947. Pelo cruzmaltino, foi autor de mais de 100 gols.

Após o sucesso no Rio de Janeiro, Friaça chegou ao futebol paulista para defender o São Paulo. Pelo Tricolor, brilhou na conquista do Campeonato Paulista de 1949, sendo um dos líderes do elenco que foi campeão com folgas do estadual, sendo parceiro de ataque do ídolo são-paulino Leônidas da Silva. Além disso, foi o artilheiro da competição com 24 bolas na rede.


Terminando sua passagem pelo Tricolor com 45 gols em 64 partidas, Friaça voltou a atuar por um pequeno período no Vasco. Após passagem pela sua terra natal, retornou ao futebol paulista em 1953, para iniciar a sua trajetória pelos rivais Guarani e Ponte Preta.

Primeiro gol pelo Guarani - Após boa passagem pela Ponte Preta, Friaça rumou ao Guarani. O destino quis que o jogador marcasse seus primeiros gols pelo novo clube em cima do maior rival, em jogo disputado há exatos 63 anos, no dia 19 de maio de 1957. Na ocasião, o amistoso entre as duas equipes terminou com vitória por 3 a 0 do Guarani, com dois gols do atacante.

Friaça veio a falecer aos 84 anos, no dia 12 de janeiro de 2009. Sendo um dos principais jogadores das décadas de 40 e 50, deixou sua marca na história do futebol brasileiro.

O América Mineiro campeão em 1957

Com informações do Acervo do Coelho
Foto: Arquivo

Jardel, Fantoni, Moacir, Gaia, Wilson Santos, Gilson, Leônidas, Capeta, Toledo, Ernane e Goiano.
E o massagista Djalma que fazia dupla com o Bolão

O ano de 1957 é muito especial na história do América Futebol Clube, de Belo Horizonte. O Coelho dominou as competições organizadas pela Federação Mineira de Futebol, conquistando os títulos no profissional, juvenil e aspirantes. Um fato inédito até então.

O Campeonato de Belo Horizonte, que era como o torneio era chamado até, justamente, aquele ano, contou com a participação de 10 equipes da capital de Minas Gerais e municípios vizinhos. Além do América, a competição tinha a Associação Atlética Asas (Lagoa Santa), Clube Atlético Mineiro (Belo Horizonte), Cruzeiro Esporte Clube (Belo Horizonte), Democrata Futebol Clube (Sete Lagoas), Esporte Clube Siderúrgica (Sabará), Meridional Esporte Clube (Conselheiro Lafaiete), Metalusina Esporte Clube (Barão de Cocais), Sete de Setembro Futebol Clube (Belo Horizonte) e o Villa Nova Atlético Clube (Nova Lima).

Em uma campanha que prevaleceu altos e baixos, o Coelho venceu 12 partidas, empatou 11 e perdeu apenas 1 (para o Siderúrgica). Ao todo, marcou o dobro de gols do que sofreu: foram 50 gols marcados e 25 sofridos em 24 jogos. Curiosamente, o América venceu apenas uma partida nas sete primeiras rodadas, mas reagiu com uma incrível sequência de 9 vitórias em 11 jogos para conseguir o título histórico.

O América também contou com a revelação de quatro jogadores campeões mineiros de juniores do mesmo ano para levar a taça, entre eles o popular goleiro Jardel, conhecido como “O Cavaleiro Negro”,e o talentoso Zuca, autor de 78 gols com a camisa alviverde. O artilheiro do América na competição foi Miltinho, com 12 gols, enquanto o o meia Toledo foi eleito o melhor jogador do Campeonato Mineiro.


A Tríplice Coroa de 1957 serviu para consagrar uma safra de ídolos americanos. Afinal, entre 1957 e 1961, aquela geração composta por craques como Zuca, Jardel, Gunga, entre outras lendas, levou o clube ao topo das decisões do futebol mineiro durante quatro oportunidades em cinco anos: Além do título em 1957, o melhor resultado daquela geração, Coelho também brilhou durante as campanhas estaduais de 1958, 1959 e 1961, quando foi vice-campeão estadual três vezes em quatro anos. Não à toa, o América era a base da Seleção Mineira de Futebol no período. Em 1957, por exemplo, o clube chegou a enviar seis representantes, cinco deles titulares, para o Torneio de Seleções Estaduais de 1957, realizado na cidade de Barbacena-SP. Os enviados foram:

– Gunga: segundo maior artilheiro da história do clube;
– Edgar: único jogador mineiro convocado para a Seleção Brasileira durante a temporada;
– Wilson Santos e Dôdô: jogadores decisivos para o futuro título estadual;
– Geraldo: atacante do clube por mais de dez anos, também é famoso por ser um dos dois americanos presentes na inauguração do Mineirão, em 1965, ao lado de Jair Bala;
– Tonho: goleiro reserva do Selecionado Mineiro, foi terceiro jogador que mais atuou pelo América na história, com 231 partidas. Além disso, Tonho foi o único jogador do clube campeão estadual em 48 e 57, ao lado do zagueiro Gaia.

O São Paulo campeão paulista de 1957 na "Noite das Garrafadas"

Fotos: arquivo São Paulo FC

O time do São Paulo campeão em 1957

Em 29 de dezembro de 1957, o São Paulo vencia o Corinthians no Pacaembu, por 3 a 1, em uma noite que voou garrafas no gramado do Municipal, e conquistava o Campeonato Paulista daquele ano. O título seria importante, já que o Tricolor só voltaria a ser campeão em 1970, ficando 13 anos na fila.

O campeonato foi dividido em duas fases. Na primeira fase, de classificação, os vinte clubes se enfrentaram, todos contra todos, em turno único. Os dez melhores times classificaram-se para a Série Azul, para disputar o título. Em caso de empate entre mais de um time na décima posição, haveria um jogo-desempate. A Série Azul foi disputada em pontos corridos, com todos os times se enfrentando em turno e returno. A contagem de pontos da Série Azul foi independente da pontuação na primeira fase. Havendo empate na primeira posição, ao término das rodadas, haveria um jogo-desempate. Os dez piores classificados na primeira fase, disputaram a Série Branca, torneio que rebaixou à Segunda Divisão o último colocado. A disputa foi em pontos corridos, todos contra todos em turno e returno, também com contagem de pontos independente da primeira fase.

A fase de classificação não é computada por alguns autores como parte do campeonato. Para esses autores, apenas a Série Azul (os turnos decisivos) é considerada como o Campeonato Paulista de 1957. Nessa fase de classificação, o Corinthians "passeou", invicto, e terminou cinco pontos à frente de Santos e Portuguesa. Uma das vitórias do time foi sobre o Santos, por 2 a 1, em 21 de julho, e foi a última vitória corintiana sobre os santistas em campeonatos paulistas até 1968.

Outro marco importante na fase de classificação foi a primeira partida de Pelé em um Paulistão. Foi em 14 de julho, contra o XV de Piracicaba, na Vila Belmiro. Ele marcou um gol na vitória por 5 a 3. Pela fase decisiva, a estréia de Pelé foi em 20 de outubro, contra o Botafogo, em Ribeirão Preto. O Santos perdeu por 4 a 2 e Pelé não balançou as redes. Ele só viria a marcar seu primeiro gol na fase decisiva no terceiro jogo, uma vitória por 4 a 3 sobre o Palmeiras.

Pacaembu lotado para o jogo decisivo

Já o São Paulo, com o técnico húngaro Bela Guttmann no banco, começou a fase classificatória de maneira claudicante, mas garantiu a vaga no torneio decisivo sem maiores sustos. A diretoria ajudou a melhorar o time com a contratação por empréstimo de Zizinho, considerado, mesmo aos 37 anos, o maior craque do futebol brasileiro à época. A estréia foi nos 4 a 2 sobre o Palmeiras, em 10 de novembro. Nos quatro jogos seguintes, já no segundo turno da fase decisiva, mais goleadas, incluindo 6 a 2 sobre o Santos.

O Corinthians manteve a boa campanha na fase decisiva e sustentou uma invencibilidade de 35 jogos até a penúltima rodada, com direito até à Taça dos Invictos, conquistada justamente na vitória sobre o Santos e de forma dramática, com o gol de empate no último minuto de jogo. A derrota para o Santos, por 1 a 0, na Vila Belmiro, em 23 de dezembro, embolou o campeonato: São Paulo e Corinthians tinham 28 pontos, com o Santos logo na cola, com 27. Como a tabela previa para a última rodada o confronto direto entre os dois líderes, um empate nesse jogo, somado a uma vitória santista contra o Palmeiras, deixaria três times empatados com 29 pontos, forçando uma decisão.

O Santos fez a sua parte e ganhou do Palmeiras por 4 a 1, no dia 28 de dezembro. No dia seguinte, São Paulo e Corinthians entraram tensos em campo no Pacaembu. Não só porque a vitória daria o título a qualquer um dos dois times: na partida do primeiro turno, empate em 1 a 1, Alfredo Ramos, lateral corintiano que tinha acabado de ser contratado junto ao próprio São Paulo, fraturou a perna em um choque casual com Maurinho, do São Paulo, e o corintiano Luizinho e o são-paulino Gino Orlando discutiram bastante durante o resto da partida — no dia seguinte, Gino e outros jogadores são-paulinos foram visitar o ex-companheiro Alfredo no hospital, e na saída, Luizinho apareceu e acertou uma tijolada na testa de Gino.

Maurinho foi o grande nome do jogo

O nervosismo do início do jogo só começou a arrefecer quando o São Paulo abriu o placar, com um gol de Amaury aos 17 minutos do segundo tempo. Como o resultado não interessava nem um pouco, o Corinthians teve de se abrir, e Canhoteiro ampliou dois minutos depois. Outros dois minutos se passaram, e Rafael, de bicicleta, descontou para o alvinegro, que começou a pressionar. No auge dessa pressão, aos 34 minutos, Maurinho decretou o placar final, supostamente em posição de impedimento, não marcada pelo bandeirinha inglês Lynch , além de ter ´provocado o goleiro Gylmar antes e depois do lance.

O São Paulo foi campeão, mas não houve volta olímpica: a torcida do Corinthians, revoltada com o lance do terceiro gol são-paulino, começou a jogar garrafas na direção do campo. Não por acaso, a ocasião passou para a história como "A Tarde das Garrafadas".

O primeiro jogo de Pelé fora do Estado de São Paulo

Com informações do Centro de Memória e Estatísticas do Santos FC
Foto: arquivo Santos FC

Foi em Santa Catarina o primeiro jogo de Pelé fora do estado de São Paulo

Joinville, no Norte de Santa Catarina, a 180 quilômetros da capital Florianópolis, foi a cidade brasileira que viu o Pelé jogar a sua primeira partida interestadual com a camisa do Santos Futebol Clube. Tal fato se deu em 17 de fevereiro de 1957, um domingo, no Estádio Edgar Schneider. Naquele dia, o Santos goleou o América local por 5 a 0.

O curioso é que Pelé, que se tornaria o maior artilheiro de todos os tempos, não marcou nenhum gol nessa partida, enquanto um desconhecido, Zinho, fez dois gols da goleada, completada por mais dois gols de Dorval e um de Jair Rosa Pinto.

Nessa que foi a quinta partida de Pelé na equipe principal do Santos o técnico Lula escalou o time com Manga, Ivan, Wilson (depois Hélvio), Cássio (Zezinho) e Fioti; Urubatão e Jair Rosa Pinto; Alfredinho (Raimundinho), Pelé, Zinho e Dorval.

Todos os jogos interestaduais do Rei - Das 1.116 partidas que disputou pelo Alvinegro da Vila Belmiro, Pelé fez 763 delas em território brasileiro, nas quais marcou 727 gols. Setenta e sete por cento dos jogos, ou 567 deles, foram realizados em São Paulo. Os outros Estados em que o Rei se exibiu foram:

2 – Rio de Janeiro, 55 partidas.
3 – Minas Gerais, 28.
4 – Rio Grande do Sul, 22.
5 – Pernambuco, 16.
6 – Bahia, 16.
7 – Paraná, 15.
8 – Ceará, 8.
9 – Goiás, 6.
10 – Sergipe, 5.
11 – Amazonas e Santa Catarina, 4.
13 – Rio Grande do Norte, 3.
14 – Alagoas, Brasília, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará e Paraíba, 2.
20 – Espírito Santos e Mato Grosso, 1.

A primeira expulsão de Pelé na carreira

Com informações do Centro de Memória e Estatística do Santos FC
Foto: arquivo Santos FC

Pelé foi expulso pela primeira vez em um jogo contra o Corinthians

No dia 22 de dezembro de 1957, o garoto Edson Arantes do Nascimento, com apenas 17 anos de idade, era expulso do gramado pela primeira vez em sua magistral carreira. Tal fato se deu na partida vencida pelo Santos FC diante do Corinthians, pelo placar de 1 a 0, com Dorval marcando o tento solitário santista que formou com: Manga; Urubatão, Dalmo, Fiote e Ramiro; Zito e Jair Rosa Pinto; Dorval, Guerra, Pelé e Pepe. O técnico era Luiz Alonso Perez, o Lula.

No time adversário foi expulso o zagueiro Olavo Martins, que viria jogar no Alvinegro praiano nos anos de 1961/1965 e ser o técnico do Peixe nos anos de 1975/76. No time da capital nessa partida válida pelo Campeonato Paulista, jogaram os atletas Gilmar, Olavo, Cláudio e Zague que também tiveram em suas carreiras partidas disputadas com a camisa do Santos FC.

O técnico do Timão nesse jogo era Oswaldo Brandão, que também dirigiu o Peixe no período de 1948/50 e que comandando o time da Vila Belmiro contra o Corinthians nunca perdeu nenhuma partida. Em seis jogos, venceu cinco e empatou apenas uma. Essa partida foi a segunda partida do famoso “Tabu” que durou de 1957 a 1968 época em que o time santista ficou sem perder para o time do Parque São Jorge em partidas do Paulistão.

Além da partida citada, o eterno Rei Pelé, foi expulso de campo em partidas nas quais defendeu o Alvinegro mais famoso do mundo, exatas 11 partidas, sendo que a última vez em que deixou forçosamente as quatro linhas foi no dia 23 de novembro de1969 na partida disputada contra o CA Mineiro no Mineirão, em Belo Horizonte.

O primeiro gol de Pelé pelo Paulistão

Com informações do site da Federação Paulista de Futebol

Pelé fez seu primeiro gol em um Paulista em 1957 e já foi artilheiro do certame naquele ano

Há 60 anos, no dia 14 de julho de 1957, Pelé, o 'Rei do Futebol' marcava o seu primeiro gol em um Campeonato Paulista, logo na estreia pela competição, no triunfo do Santos por 5 a 3 contra o XV de Piracicaba, na Vila Belmiro.

Em confronto válido pela terceira rodada do Paulista, Pelé, aos 16 anos, fazia a sua estreia na competição estadual, já que ficou ausente da equipe santista nas duas primeiras rodadas - triunfos do Alvinegro Praiano por 7 a 1 contra o Linense e 5 a 2 diante do São Bento.

O placar já apontava 4 a 3 para o Santos quando, aos 43 minutos do segundo tempo, o Rei do Futebol balançou as redes e decretou o resultado da partida. O jogo foi o 37º em sua carreira, enquanto o tento foi o 28º, em seu segundo ano no clube.

Nesta mesma edição do Campeonato Paulista, Pelé foi o artilheiro com 17 gols, e até os dias atuais é consagrado como o goleador mais jovem da competição. De 1957 a 1965, o jogador foi artilheiro em todas as edições do campeonato estadual, e posteriormente em 1969 e 1973, totalizando 11 vezes e mais de 450 gols.

Durante os seus 18 anos atuando dentro das quatro linhas com a camisa do time alvinegro, Pelé marcou 1.091 gols em 1.116 jogos disputados.

Ficha Técnica
SANTOS FC 5 X 3 XV DE PIRACICABA

Data: 14 de julho de 1957
Local: Vila Belmiro - Santos-SP
Árbitro: Dino Passini

Gols
Santos FC: Del Vecchio, aos 23’ do 1º tempo, e 30’ do 2º tempo, Tite, aos 31’ do 1º tempo, Dorval, aos 3', e Pelé, aos 43’ do 2º tempo
XV de Piracicaba: Arlindo, aos 5’, Gatão, aos 32’, e Nelsinho, aos 35’ do 2º tempo.

Santos FC: Láercio; Hélvio, Ivan, Fioti e Brauner; Zito e Jair Rosa Pinto; Dorval, Del Vecchio, Pelé e Tite - Técnico: Lula

XV de Piracicaba: Canarinho; Salvador e Tico Renzi; Biguá, Pepino e Geraldo; Arlindo, Guerra, Xixico, Gatão e Nelsinho.

A primeira vez de Pelé com a "Amarelinha"

Pelé estreou pela Seleção Brasileira no Maracanã, contra a Argentina, e marcou

O futebol é conhecido por escrever histórias. O primeiro capítulo da mais bela e vitoriosa narrativa de todas foi iniciado há exatos 60 anos. No dia 7 de julho de 1957, 80 mil privilegiados acompanharam Brasil e Argentina pelo primeiro jogo da Copa Roca daquele ano. Aos 46 minutos, o locutor do Maracanã informou: "sai Del Vecchio, entra Pelé". Ainda com 16 anos, o menino franzino precisou de apenas dez minutos para balançar a rede na estreia pela Seleção Brasileira, e ainda nem poderia imaginar tudo o que iria conquistar.

Apesar de o resultado não ter sido bom para o Brasil - derrota por 2 a 1 -, o jogo entrou para a história do futebol brasileiro. Pelé estreou pela Seleção e ainda marcou o seu primeiro gol. Labruna abriu o placar para os argentinos aos 30 minutos do primeiro tempo. Pelé empatou na segunda etapa e, em seguida, Juárez colocou a Argentina novamente na frente. 

Três dias depois, no entanto, o maior craque de todos os tempos, já na condição de titular, marcou o primeiro gol e abriu o caminho para a vitória por 2 a 0 sobre os argentinos, garantindo o título da Copa Roca no segundo duelo. Partindo desta primeira conquista, com tudo o que foi feito pelo camisa 10 na sequência, não seria exagero afirmar que a história da Seleção Brasileira pode ser entre duas eras: pré e pós Pelé.

Se o troféu daquela Copa Roca não foi difícil para se levantar, Pelé tem dificuldades para segurar de uma vez todas as taças de Copa do Mundo que conquistou com a Seleção Brasileira. Na condição de jogador, só ele pode dizer que ajudou a bordar três estrelas no lado esquerdo do peito da camisa que representava. E a Amarelinha o amava. Se sentia tão bem quando envergada por seu maior maior 10 que chegou a exibir um coração. Nosso sentimento é o mesmo. Obrigado por tudo, Rei!

Fichas Técnicas
BRASIL 1 x 2 ARGENTINA 

Data: 7 de julho de 1957
Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (Brasil)
Público: 80.000 espectadores.
Árbitro: Erwin Hieger (Áustria)
Assistentes: Guálter Gama de Castro (Brasil), José Monteiro (Brasil).

Gols
Brasil: Pelé, aos 31' do segundo tempo
Argentina: Labruna, aos 30' do primeiro, e Juárez, aos 32' do segundo tempo.

Brasil: Castilho, Paulinho de Almeida, Bellini, Jadir e Oreco; Zito (Urubatão, aos 70) e Luisinho; Maurinho, Mazzola (Moacir, aos 46), Del Vecchio (Pelé, aos 46) e Tite - Treinador: Sylvio Pirillo.

Argentina: Carrizo, Pizarro e Vairo; Gianserra, Rossi (Guidi, aos 77) e Urriolabeitia; Oreste Corbatta, Herrera (Antonio, aos 70), Juárez (Blanco, aos 41), Labruna e Moyano - Treinador: Guillermo Stábile.


BRASIL 2 x 0 ARGENTINA 

Data: 10 de julho de 1957
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo (Brasil)
Público: 38.441 espectadores.
Árbitro: John Husband (Inglaterra)
Assistentes: Antonio Musitano (Brasil), Catão Montes Júnior (Brasil).

Gols
Brasil: Pelé, aos 20' da primeira etapa, e Mazzola, aos 12' do segundo tempo

Brasil: Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Jadir e Oreco; Zito e Luisinho; Maurinho, Mazzola (Del Vecchio, aos 61), Pelé e Pepe - Treinador: Sylvio Pirillo.

Argentina: Carrizo (Musimessi, aos 69), Biaggioli e Vairo; Gianserra, Rossi (Guidi, aos 87) e Urriolabeitia; Oreste Corbatta, Juárez, Herrera (Antonio, aos 46), Labruna e Sesti - Treinador: Guillermo Stábile.

Puskas 90 anos – A excursão do Honvéd pelo Brasil

Por Lucas Paes

O Flamengo recebe a taça pela vitória na primeira partida

No sábado, dia 1 de Abril, um dos maiores gênios do futebol de todos os tempos faria aniversário: Ferenc Puskas, lendário jogador húngaro, completaria 90 anos. Aqui no Curioso do Futebol, já tivemos um texto sobre o místico time do Honvéd que era base da seleção húngara e ganhou o apelido de Magiares Poderosos. Nesta matéria, o assunto será a passagem da equipe pelo Brasil, no ano de 1957.

No contexto de um país que enfrentava uma revolução, onde estudantes e jovens buscavam derrubar o governo comunista, apesar de ter o apelido de “Exército Vermelho”, os Magiares ficaram a favor da revolução. Com uma pressão do governo húngaro, a FIFA decidiu por colocar o time na ilegalidade, determinando que ele deveria acabar em 1956. Isso não evitou a continuidade da excursão europeia da equipe.

Os jogadores daquele esquadrão foram tratados como celebridades quando vieram ao Brasil, no ano de 1957, para realizar um total de cinco jogos. A excursão do clube por aqui, ainda que sem que ninguém soubesse na época, representou uma passagem de bastão e talvez um aprendizado para ambos os lados. Nas décadas seguintes, seria o Brasil, e não mais a Hungria, que ganharia do mundo a fama pelo jogo bonito, vistoso e ofensivo.

O Honved do primeiro jogo no Brasil

Apesar das negociações para a vinda do time húngaro, iniciadas e lideradas pelo Flamengo, terem evoluído e ambos os lados chegarem a um acordo, o governo do país tentou de todas as formas evitar as exibições do Honvéd. A FIFA acabou ajudando nisso, determinando punições a clubes que descumprissem a determinação da equipe não realizar jogos. Só que muita gente no Brasil era favorável aos jogos com a lendária equipe de Puskas. Mesmo assim, a Federação Paulista de Futebol, com uma ordem direta do seu presidente na época, proibiu a equipe de fazer qualquer jogo em solo paulista.

Não era só a equipe da Gávea que tencionava enfrentar os Magiares: times como Vasco e Santos também queriam enfrentar os húngaros, mas ordens de federações impediram. Numa situação que passou até pelo antigo Conselho Nacional de Desportes, a viagem e estadia da equipe foi autorizada e, numa última tentativa de evitar a excursão, a Federação Húngara de Futebol proibiu o uso do nome Honvéd. A decisão, porém foi rechaçada pelos jogadores dos Magiares, num desafio ao autoritarismo do governo.

Os atletas que formavam a delegação do “Exército Vermelho” não eram apenas pertencentes ao clube, outros jogadores de rivais, como o MTK (na época Voros Lobogó), do Ferencvaros (na época Kiniszi) e do Ujpest se juntaram a equipe. Os treinos, realizados na Gávea, atraiam as pessoas, encantadas com o modo de jogar dos húngaros.

Bela Guttman comandou o Honved 
na passagem pelo Brasil

Numa distante noite de um sábado, dia 19 de Janeiro de 1957, o Flamengo de Fleitas Solich era o adversário dos húngaros, comandados por Bela Guttman, na sua estreia na passagem pelo país. Mais de 100 mil pessoas foram ao Maracanã, esperando ver um show dos Magiares, só que o espetáculo foi do lado flamenguista: vitória do Mengão por 6 a 4, num show de Evaristo de Macedo. O eterno craque rubro-negro marcou duas vezes. Dida, Henrique, Moacir e Paulinho marcaram os outros gols cariocas. Puskas, duas vezes, Budai e Szusza marcaram para o Honvéd. A passagem de bastão do futebol arte começava ali.

A segunda partida aconteceu apenas quatro dias depois, no mesmo Maracanã, contra o Botafogo. E se o Flamengo havia jogado com um time cheio de garotos, sem contar com os jogadores da seleção do Rio de Janeiro, o Botafogo veio com força máxima, com nomes como Garrincha, Didi e Nilton Santos. 

Quem pensava que o fato da Estrela Solitária vir com força máxima atrapalharia a equipe de Puskas e cia, acabou se surpreendendo: Encontrando mais facilidades para praticar seu futebol, o time húngaro venceu por 4 a 2, três de Kocsis e um de Puskas. O Glorioso marcou com Garrincha e Paulinho Valentim. Era a primeira vitória dos Magiares em terras tupiniquins.

Gol dos Magiares no Pacaembu

O terceiro jogo foi um drible Flamenguista na FPF. Realizado no Pacaembu, a revanche entre os rubro-negros e o Honved teve portões abertos, para não envolver a Federação, numa manobra arquitetada diretamente com o prefeito de São Paulo. Seria a oportunidade para o povo paulista ver de perto as estrelas húngaras e, também, o bom time flamenguista.

Em uma atuação de gala, com quatro gols de Puskas, um de Budai e um de Sandor, o mágico time húngaro devolveu os 6 a 4 (marcaram, para o Flamengo, Moacir, Evaristo, duas vezes, e Dida.). O duelo seguinte foi, de novo, contra o Fla, e terminou com outra vitória dos comandados de Bela Guttman. Puskas e seus companheiros ficaram impressionados com o volume de jogo dos rubro-negros, mas conseguiram vencer de maneira apertada por 3 a 2 (Budai, Sador, Szusza para o Honved, Henrique e Evaristo para os brasileiros.).

A excursão chegaria ao fim no dia 7 de Fevereiro, em outra partida no Maracanã. Desta vez, um combinado de Botafogo e Flamengo foi a campo para ser o adversário dos Magiares, em seu último jogo no país. E a exibição do combinado foi de encher os olhos dos torcedores e, talvez, servir de alerta ao mundo para o que surgia das terras brasileiras, que encantariam o mundo em três das próximas quatro Copas do Mundo.

Puskas, o grande destaque
daquele time

Em noite inspirada, o combinado, que poderia facilmente ser uma seleção nacional, venceu por 6 a 2. Garrincha abriu o placar. Kocsis deixou tudo igual, em um belo gol. Dida marcou um golaço de fora da área para abrir vantagem. No segundo tempo, Evaristo e Didi marcam, mas Puskas diminui. O último gol da partida, numa bela troca de passes, é marcado por Evaristo, que passa por dois zagueiros e pelo goleiro antes de ir as redes.

Apesar do fim da “turnê” pelo país, aquele não foi o último jogo entre os rubro negros e os húngaros, as duas equipes ainda se encontrariam outras duas vezes, jogando na Venezuela. Uma vitória Flamenguista por 5 a 3 e um empate por 1 a 1. 

O período posterior à excursão sul-americana do Honvéd seguiu com o fim da equipe. Os jogadores daquela equipe saíram para diversas equipes europeias. Alguns, como Puskas, fariam história. O treinador Béla Guttman, que comandou a equipe durante a turnê, aceitou trabalhar no São Paulo. Uma protocolar suspensão ao Flamengo e ao Botafogo, que seriam impedidos de excursionar para fora do país, foi desfeita depois da Federação Húngara de Futebol dar o caso por encerrado.

Kocsis, outro grande jogador 
dos Magiares


Números do Honvéd na passagem pelo Brasil:

Jogos: 5
Vitórias: 3
Derrotas: 2
Gols feitos: 19
Gols sofridos: 20
Artilharia:

Puskas: 8 gols
Kocsis: 4 gols
Budai: 3 gols
Szusza: 2 gols
Sandor: 2 gols

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