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Puskas 90 anos – A excursão do Honvéd pelo Brasil

Por Lucas Paes

O Flamengo recebe a taça pela vitória na primeira partida

No sábado, dia 1 de Abril, um dos maiores gênios do futebol de todos os tempos faria aniversário: Ferenc Puskas, lendário jogador húngaro, completaria 90 anos. Aqui no Curioso do Futebol, já tivemos um texto sobre o místico time do Honvéd que era base da seleção húngara e ganhou o apelido de Magiares Poderosos. Nesta matéria, o assunto será a passagem da equipe pelo Brasil, no ano de 1957.

No contexto de um país que enfrentava uma revolução, onde estudantes e jovens buscavam derrubar o governo comunista, apesar de ter o apelido de “Exército Vermelho”, os Magiares ficaram a favor da revolução. Com uma pressão do governo húngaro, a FIFA decidiu por colocar o time na ilegalidade, determinando que ele deveria acabar em 1956. Isso não evitou a continuidade da excursão europeia da equipe.

Os jogadores daquele esquadrão foram tratados como celebridades quando vieram ao Brasil, no ano de 1957, para realizar um total de cinco jogos. A excursão do clube por aqui, ainda que sem que ninguém soubesse na época, representou uma passagem de bastão e talvez um aprendizado para ambos os lados. Nas décadas seguintes, seria o Brasil, e não mais a Hungria, que ganharia do mundo a fama pelo jogo bonito, vistoso e ofensivo.

O Honved do primeiro jogo no Brasil

Apesar das negociações para a vinda do time húngaro, iniciadas e lideradas pelo Flamengo, terem evoluído e ambos os lados chegarem a um acordo, o governo do país tentou de todas as formas evitar as exibições do Honvéd. A FIFA acabou ajudando nisso, determinando punições a clubes que descumprissem a determinação da equipe não realizar jogos. Só que muita gente no Brasil era favorável aos jogos com a lendária equipe de Puskas. Mesmo assim, a Federação Paulista de Futebol, com uma ordem direta do seu presidente na época, proibiu a equipe de fazer qualquer jogo em solo paulista.

Não era só a equipe da Gávea que tencionava enfrentar os Magiares: times como Vasco e Santos também queriam enfrentar os húngaros, mas ordens de federações impediram. Numa situação que passou até pelo antigo Conselho Nacional de Desportes, a viagem e estadia da equipe foi autorizada e, numa última tentativa de evitar a excursão, a Federação Húngara de Futebol proibiu o uso do nome Honvéd. A decisão, porém foi rechaçada pelos jogadores dos Magiares, num desafio ao autoritarismo do governo.

Os atletas que formavam a delegação do “Exército Vermelho” não eram apenas pertencentes ao clube, outros jogadores de rivais, como o MTK (na época Voros Lobogó), do Ferencvaros (na época Kiniszi) e do Ujpest se juntaram a equipe. Os treinos, realizados na Gávea, atraiam as pessoas, encantadas com o modo de jogar dos húngaros.

Bela Guttman comandou o Honved 
na passagem pelo Brasil

Numa distante noite de um sábado, dia 19 de Janeiro de 1957, o Flamengo de Fleitas Solich era o adversário dos húngaros, comandados por Bela Guttman, na sua estreia na passagem pelo país. Mais de 100 mil pessoas foram ao Maracanã, esperando ver um show dos Magiares, só que o espetáculo foi do lado flamenguista: vitória do Mengão por 6 a 4, num show de Evaristo de Macedo. O eterno craque rubro-negro marcou duas vezes. Dida, Henrique, Moacir e Paulinho marcaram os outros gols cariocas. Puskas, duas vezes, Budai e Szusza marcaram para o Honvéd. A passagem de bastão do futebol arte começava ali.

A segunda partida aconteceu apenas quatro dias depois, no mesmo Maracanã, contra o Botafogo. E se o Flamengo havia jogado com um time cheio de garotos, sem contar com os jogadores da seleção do Rio de Janeiro, o Botafogo veio com força máxima, com nomes como Garrincha, Didi e Nilton Santos. 

Quem pensava que o fato da Estrela Solitária vir com força máxima atrapalharia a equipe de Puskas e cia, acabou se surpreendendo: Encontrando mais facilidades para praticar seu futebol, o time húngaro venceu por 4 a 2, três de Kocsis e um de Puskas. O Glorioso marcou com Garrincha e Paulinho Valentim. Era a primeira vitória dos Magiares em terras tupiniquins.

Gol dos Magiares no Pacaembu

O terceiro jogo foi um drible Flamenguista na FPF. Realizado no Pacaembu, a revanche entre os rubro-negros e o Honved teve portões abertos, para não envolver a Federação, numa manobra arquitetada diretamente com o prefeito de São Paulo. Seria a oportunidade para o povo paulista ver de perto as estrelas húngaras e, também, o bom time flamenguista.

Em uma atuação de gala, com quatro gols de Puskas, um de Budai e um de Sandor, o mágico time húngaro devolveu os 6 a 4 (marcaram, para o Flamengo, Moacir, Evaristo, duas vezes, e Dida.). O duelo seguinte foi, de novo, contra o Fla, e terminou com outra vitória dos comandados de Bela Guttman. Puskas e seus companheiros ficaram impressionados com o volume de jogo dos rubro-negros, mas conseguiram vencer de maneira apertada por 3 a 2 (Budai, Sador, Szusza para o Honved, Henrique e Evaristo para os brasileiros.).

A excursão chegaria ao fim no dia 7 de Fevereiro, em outra partida no Maracanã. Desta vez, um combinado de Botafogo e Flamengo foi a campo para ser o adversário dos Magiares, em seu último jogo no país. E a exibição do combinado foi de encher os olhos dos torcedores e, talvez, servir de alerta ao mundo para o que surgia das terras brasileiras, que encantariam o mundo em três das próximas quatro Copas do Mundo.

Puskas, o grande destaque
daquele time

Em noite inspirada, o combinado, que poderia facilmente ser uma seleção nacional, venceu por 6 a 2. Garrincha abriu o placar. Kocsis deixou tudo igual, em um belo gol. Dida marcou um golaço de fora da área para abrir vantagem. No segundo tempo, Evaristo e Didi marcam, mas Puskas diminui. O último gol da partida, numa bela troca de passes, é marcado por Evaristo, que passa por dois zagueiros e pelo goleiro antes de ir as redes.

Apesar do fim da “turnê” pelo país, aquele não foi o último jogo entre os rubro negros e os húngaros, as duas equipes ainda se encontrariam outras duas vezes, jogando na Venezuela. Uma vitória Flamenguista por 5 a 3 e um empate por 1 a 1. 

O período posterior à excursão sul-americana do Honvéd seguiu com o fim da equipe. Os jogadores daquela equipe saíram para diversas equipes europeias. Alguns, como Puskas, fariam história. O treinador Béla Guttman, que comandou a equipe durante a turnê, aceitou trabalhar no São Paulo. Uma protocolar suspensão ao Flamengo e ao Botafogo, que seriam impedidos de excursionar para fora do país, foi desfeita depois da Federação Húngara de Futebol dar o caso por encerrado.

Kocsis, outro grande jogador 
dos Magiares


Números do Honvéd na passagem pelo Brasil:

Jogos: 5
Vitórias: 3
Derrotas: 2
Gols feitos: 19
Gols sofridos: 20
Artilharia:

Puskas: 8 gols
Kocsis: 4 gols
Budai: 3 gols
Szusza: 2 gols
Sandor: 2 gols

Budapest Honvéd e os "Magiares Poderosos"

Por Lucas Paes*

O time que dominou a Europa no período pré Copa dos Campeões

O Budapest Honvéd é, muito provavelmente, o clube húngaro mais conhecido do futebol mundial. A agremiação foi fundada em 1909, sob o nome de Kispesti AC, e passou por diversas mudanças de nome durante a sua história. Mas, foi sobre o nome de Budapest Honvéd SE que o time viveu suas páginas mais gloriosas. Na época de sua formação, Kispesti era uma vila separada da cidade de Budapest.

Nos primeiros anos, o único titulo de expressão veio em 1926, com a conquista da Copa da Hungria. Em 1934, o pai de Puskas (Ferenc Puskas I), que era jogador do time, fez parte do elenco que disputou a Copa do Mundo daquele ano, na Itália, pela Hungria.

Em 1943, Puskas e Bozsik estrearam pelo profissional do clube, que era comandado pelo lendário Bela Guttman (que treinou o São Paulo FC e o Benfica). Mas, a era de ouro do Honvéd começou efetivamente em 1949, quando se tornou o time das forças armadas húngaras. Inclusive, o nome Honvéd deriva de Honvedseg, que é como as forças armadas húngaras eram chamadas. Neste período, todos os times húngaros foram estatizados pelo governo comunista e o Honvéd acabou beneficiado por isso.

Puskas com o agasalho do clube

É difícil falar sobre esse time do Honvéd sem citar o auge da seleção da Hungria. Nos anos 50, o clube foi tetra campeão nacional com uma formação que incluía nomes como Ferenc Puskas, Sandor Kocsis, Josef Bozsik e Zoltán Czibor, formação que ficou conhecida por dar origem aos Magiares Poderosos, o melhor time da Hungria em todos os tempos.

A equipe da Hungria, que tinha seu núcleo no Honvéd, é até os dias atuais a seleção que mais jogos ficou invicta na história do futebol mundial, com uma sequência de 32 partidas sem perder. A derrota veio quando menos poderia acontecer, contra a Alemanha Ocidental, na final da Copa do Mundo, em um jogo que ficou conhecido como Milagre de Berna.

O homem por trás tanto da seleção húngara quanto do time do Honvéd era Gusztav Sebes. Ele acabou formando um dos maiores times de futebol da história, já que a equipe de Budapeste era a base da seleção húngara.

O Honvéd era a base da Seleção da Hungria da primeira metade dos anos 50

A era de ouro da Hungria terminou em 1956. A Revolução Húngara acabou causando problemas que destruíram o mágico time do Honvéd. No período, o time excursionava no exterior e se recusou a voltar para a Hungria e foi colocado na ilegalidade pelo governo. Apesar disso, o clube continuou com a tour pela Europa, com resultados expressivos e, posteriormente, seus principais jogadores foram jogar em países do Oeste Europeu, como Puskas, que faria história no Real Madrid.

O time, neste período, chegou a se qualificar para a Copa dos Campeões da Europa (a atual Champions League) na temporada 1956/1957, onde foi eliminado pelo Athletic Bilbao. A equipe já não era mais a mesma. O Honvéd havia perdido o primeiro jogo, em Bilbao, por 3 a 2 e não conseguiu reverter o resultado em casa, empatando em 3 a 3.

O time ficou conhecido na época por jogar um futebol bonito, ofensivo, conhecido também como “total”. Um jogo que mais de 20 anos depois seria a inspiração para outro time mágico, o carrossel holandês, mas isso é outra história. Mas há coincidências: os times, favoritos, perderam a final da Copa do Mundo e ambos para a Alemanha Ocidental.

Depois da revolução, começou um período de vacas magras para o clube. O Honvéd ganhou apenas uma Copa Mitropa, em 1959, e uma Copa da Hungria, em 1964. Este período sem muitas conquistas só terminaria nos anos 80 quando, o Honvéd teria uma segunda era de ouro.

O belo gol de Puskás contra a Inglaterra

Entre 1980 e 2000 o Honvéd ganhou sete ligas nacionais, incluindo duas dobradinhas (Copa e Liga) em 1985 e 1989, e também ganharam a Copa da Hungria em 1996. No meio destas conquistas, o time trocou de nome outra vez, passando a se chamar Kispest Honvéd. Isto antecedeu um período terrível, onde o clube foi rebaixado e envolvido num escândalo por sonegar impostos da empresa que o administrava. Todo o problema causou a volta do nome Budapest Honvéd, em 2007, após turbulentos julgamentos e intervenções da Liga Húngara. 

Em 2009, houve um momento de luz no fim do túnel para o Honvéd, quando ganhou outra Copa da Hungria. Porém, o clube segue sem conquistar a Liga Nacional desde 1993, quando ainda atuava sobre o nome de Kispesti Honvéd.

Um dos jogadores dos magiares faria história vestindo branco. Ferenc Puskas é, até hoje, um dos maiores, se não o maior, ídolo da história do Real Madrid. O prêmio de gol mais bonito do ano da FIFA recebe seu nome, entre os gols mais épicos de Puskas está um contra a Inglaterra.

O Curioso do Futebol

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