domingo, 29 de dezembro de 2019

O São Paulo campeão paulista de 1957 na "Noite das Garrafadas"

Fotos: arquivo São Paulo FC

O time do São Paulo campeão em 1957

Em 29 de dezembro de 1957, o São Paulo vencia o Corinthians no Pacaembu, por 3 a 1, em uma noite que voou garrafas no gramado do Municipal, e conquistava o Campeonato Paulista daquele ano. O título seria importante, já que o Tricolor só voltaria a ser campeão em 1970, ficando 13 anos na fila.

O campeonato foi dividido em duas fases. Na primeira fase, de classificação, os vinte clubes se enfrentaram, todos contra todos, em turno único. Os dez melhores times classificaram-se para a Série Azul, para disputar o título. Em caso de empate entre mais de um time na décima posição, haveria um jogo-desempate. A Série Azul foi disputada em pontos corridos, com todos os times se enfrentando em turno e returno. A contagem de pontos da Série Azul foi independente da pontuação na primeira fase. Havendo empate na primeira posição, ao término das rodadas, haveria um jogo-desempate. Os dez piores classificados na primeira fase, disputaram a Série Branca, torneio que rebaixou à Segunda Divisão o último colocado. A disputa foi em pontos corridos, todos contra todos em turno e returno, também com contagem de pontos independente da primeira fase.

A fase de classificação não é computada por alguns autores como parte do campeonato. Para esses autores, apenas a Série Azul (os turnos decisivos) é considerada como o Campeonato Paulista de 1957. Nessa fase de classificação, o Corinthians "passeou", invicto, e terminou cinco pontos à frente de Santos e Portuguesa. Uma das vitórias do time foi sobre o Santos, por 2 a 1, em 21 de julho, e foi a última vitória corintiana sobre os santistas em campeonatos paulistas até 1968.

Outro marco importante na fase de classificação foi a primeira partida de Pelé em um Paulistão. Foi em 14 de julho, contra o XV de Piracicaba, na Vila Belmiro. Ele marcou um gol na vitória por 5 a 3. Pela fase decisiva, a estréia de Pelé foi em 20 de outubro, contra o Botafogo, em Ribeirão Preto. O Santos perdeu por 4 a 2 e Pelé não balançou as redes. Ele só viria a marcar seu primeiro gol na fase decisiva no terceiro jogo, uma vitória por 4 a 3 sobre o Palmeiras.

Pacaembu lotado para o jogo decisivo

Já o São Paulo, com o técnico húngaro Bela Guttmann no banco, começou a fase classificatória de maneira claudicante, mas garantiu a vaga no torneio decisivo sem maiores sustos. A diretoria ajudou a melhorar o time com a contratação por empréstimo de Zizinho, considerado, mesmo aos 37 anos, o maior craque do futebol brasileiro à época. A estréia foi nos 4 a 2 sobre o Palmeiras, em 10 de novembro. Nos quatro jogos seguintes, já no segundo turno da fase decisiva, mais goleadas, incluindo 6 a 2 sobre o Santos.

O Corinthians manteve a boa campanha na fase decisiva e sustentou uma invencibilidade de 35 jogos até a penúltima rodada, com direito até à Taça dos Invictos, conquistada justamente na vitória sobre o Santos e de forma dramática, com o gol de empate no último minuto de jogo. A derrota para o Santos, por 1 a 0, na Vila Belmiro, em 23 de dezembro, embolou o campeonato: São Paulo e Corinthians tinham 28 pontos, com o Santos logo na cola, com 27. Como a tabela previa para a última rodada o confronto direto entre os dois líderes, um empate nesse jogo, somado a uma vitória santista contra o Palmeiras, deixaria três times empatados com 29 pontos, forçando uma decisão.

O Santos fez a sua parte e ganhou do Palmeiras por 4 a 1, no dia 28 de dezembro. No dia seguinte, São Paulo e Corinthians entraram tensos em campo no Pacaembu. Não só porque a vitória daria o título a qualquer um dos dois times: na partida do primeiro turno, empate em 1 a 1, Alfredo Ramos, lateral corintiano que tinha acabado de ser contratado junto ao próprio São Paulo, fraturou a perna em um choque casual com Maurinho, do São Paulo, e o corintiano Luizinho e o são-paulino Gino Orlando discutiram bastante durante o resto da partida — no dia seguinte, Gino e outros jogadores são-paulinos foram visitar o ex-companheiro Alfredo no hospital, e na saída, Luizinho apareceu e acertou uma tijolada na testa de Gino.

Maurinho foi o grande nome do jogo

O nervosismo do início do jogo só começou a arrefecer quando o São Paulo abriu o placar, com um gol de Amaury aos 17 minutos do segundo tempo. Como o resultado não interessava nem um pouco, o Corinthians teve de se abrir, e Canhoteiro ampliou dois minutos depois. Outros dois minutos se passaram, e Rafael, de bicicleta, descontou para o alvinegro, que começou a pressionar. No auge dessa pressão, aos 34 minutos, Maurinho decretou o placar final, supostamente em posição de impedimento, não marcada pelo bandeirinha inglês Lynch , além de ter ´provocado o goleiro Gylmar antes e depois do lance.

O São Paulo foi campeão, mas não houve volta olímpica: a torcida do Corinthians, revoltada com o lance do terceiro gol são-paulino, começou a jogar garrafas na direção do campo. Não por acaso, a ocasião passou para a história como "A Tarde das Garrafadas".
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