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A campanha do Sevilla no título da Copa do Rei da temporada 1934-1935

Por Ricardo Pilotto
Foto: arquivo

A equipe campeã da Copa do Rei 1934/1935

Em 30 de junho de 1935, o Sevilla conquistou a Copa del Rey da temporada 1934-1935. É o primeiro título da equipe na competição em sua história. Foi uma grande campanha do clube da Andaluzia até a final diante do Sabadell, realizada na capital espanhola.

Após esperar por quatro fases eliminatórias para entrar na disputa pelo título, o time de Sevilla entrou nas oitavas de final. Seu primeiro adversário foi nada mais nada menos do que o Real Madrid, que era o atual campeão da competição. Mesmo assim, os Hispalenses não se intimidaram e venceram pelo placar de 1 a 0 na partida de ida e seguraram um empate em 0 a 0 na volta, garantindo sua passagem para a fase seguinte.

Nas quartas de final, foi a vez de enfrentar o outro clube de Madrid. Desta vez, diante do Atlético, a equipe da Andaluzia empatou em 2 a 2 jogando fora de casa. Na volta, o time Rojiblanco conquistou uma vitória sensacional em seus domínios. Na partida da volta dramática em Sevilla, a equipe local venceu o clube Colchonero pelo placar de 3 a 2 e carimbou seu passaporte para se tornar um dos quatro melhores times na competição.

Já nas semifinais foi a vez de encontrar o Osasuna. No jogo de ida, o clube Sevillista conseguiu encaminhar bastante a sua classificação ao conquistar uma vitória maiúscula pelo placar de 4 a 1 atuando diante da sua torcida. Já na volta, foi a vez dos brancos e vermelhos venceram de novo os Rojillos, mas naquela oportunidade, o triunfo foi por um placar magro de 1 a 0.

A grande decisão - No dia 30 de junho de 1935, o Sevilla estaria apenas a um degrau de conquistar a copa nacional em toda a sua história. Mas para que esse sonho se tornasse realidade após o apito final, o time da Andaluzia teria de passar pelo Sabadell, que eliminou clubes como Celta de Vigo nas oitavas, Real Betis na fase de quartas e o Levante nas semifinais. Algo que marcou bastante aquela decisão no fator extra-campo, foram as críticas que vinha da imprensa local sobre os Rojiblancos, que haviam eliminado os dois times madrilenos.


No estádio Chanmartín, localizado na cidade de Madrid, a equipe Rojiblanca conseguiu uma vitória convincente por 3 a 0 para cima dos Arlequinats. Quatro minutos após um pênalti desperdiçado por Euskalduna, o Sevilla marcou primeiro gol da partida aos 36' por Campanal, que recebeu passe de López e encobriu Arlequim Massip, goleiro do Sabadell. Já na segunda etapa, o mesmo Campanal seria o responsável pelo gol que encaminharia o título para os Sevillistas através de um chute de fora da área na marca dos 76'. Já na reta final da partida, foi a vez de Bracero receber assistência de López, anotar o terceiro e último tento da partida aos 42'. Após o fim da partida o clube de Andaluzia confirmou o título do torneio.

Naquela ocasião, o Sevilla conquistou a Copa del Rey da temporada 1934-1935 com o seguinte elenco: Alcázar, Ayuela, Bracero, Campanal I, Caro, Cortón, Deva, Eizaguirre, Epelde, Euskalduna, Fede, Guillamón, Huesa, López, Muñoz, Núñez, Palencia, Sánchez, Segura, Tache, Tejada, Torrontegui y Viri.

O Juventus campeão paulista de 1934

Com informações do CA Juventus e GE
Foto: arquivo

O Fiorentino, hoje Juventus, campeão paulista de 1934

Nesta quinta-feira, dia 23, a Federação Paulista de Futebol reconheceu o título Paulista da Primeira Divisão do Clube Atlético Juventus, conquistado no ano de 1934 sob a denominação de Clube Atlético Fiorentino, eternizando o Moleque Travesso na seletiva galeria dos grandes campeões paulistas de futebol.

O pedido para o reconhecimento desse título, anteriormente formulado, teve como base a documentação elaborada e juntada pelo historiador e membro do Conselho Deliberativo do Clube Atlético Juventus, Sr. Angelo Eduardo Agarelli. Ele se baseou no livro "Esquecidos", que contou com a pesquisa de vários jornalistas do Estado de São Paulo e que também elaboraram o livro dos 125 anos do futebol paulista, que confirma o título.

O presidente Antonio Ruiz Gonsalez, em nome do Clube Atlético Juventus, recebeu das mãos do presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, uma placa alusiva ao fato. No encontro dos dirigentes, na sede da FPF, foi apresentado o Troféu conquistado na época. O feito foi inserido na obra "125 Anos de História- A Enciclopédia do Futebol Paulista" - lançada nesta data.

Além do Moleque Travesso, o Albion, time que já foi extinto e hoje não tem qualquer resquício de sua existência, também passa a ser considerado campeão paulista de 1933, ao lado do Palestra Itália.

A campanha do título - O Clube Atlético Fiorentino teve uma campanha perfeita no Campeonato Paulista Amador de 1934. Foram sete vitórias e um empate, além de outras três vitórias por W.O. No jogo que garantiu o título, o Fiorentino venceu a Ponte Preta, por 5 a 3, na Rua Javari, com gols marcados Euvaldo, Euclydes, Raul, Bellacosa e Moacyr.

A conquista da competição credenciou a equipe a disputar a decisão do Campeonato Estadual contra a Ferroviária de Pindamonhangaba, campeã amadora do interior. O Fiorentino venceu a partida de ida, fora de casa, por 5 a 0, e sacramentou a conquista com mais uma vitória na Rua Javari, por 3 a 1. Já em 1935 o Juventus retomou o profissionalismo e passou a jogar novamente com o seu nome atual.


Pedido de reconhecimento - O Juventus lutava pelo reconhecimento do título paulista de 1934 há alguns anos. Em 2018 o então presidente do clube, Domingos Sanches, esteve na sede da Federação Paulista e pediu isso ao presidente Reinaldo Carneiro Bastos.

Na ocasião, o dirigente juventino entregou diversos documentos em dossiê elaborado por um conselheiro clube, na tentativa de comprovar que a conquista deveria ser considerada oficial, algo que passa a valer a partir de agora.

A passagem de Leônidas da Silva pelo Vasco da Gama

Por Ricardo Pilotto
Foto: arquivo

Leônidas jogou pouco tempo no Vasco 

Neste 6 de setembro de 2021, está completando 108 anos do nascimento de Leônidas da Silva, um dos maiores atacantes da história do futebol brasileiro. Gênio da bola, o grande nome no país no esporte, ele teve uma curta passagem, que durou três meses, pelo Vasco da Gama em 1934.

Após ser revelado nas categorias de base no futebol profissional do São Cristóvão, o Diamante Negro ainda passou por clubes como o agora instinto Syrio Libanez, Bonsucesso e Peñarol. Foi então, que no dia 20 de janeiro do ano de 1934, Leônidas chegou para a Cidade Maravilhosa de navio para assinar um contrato que constava que no Cruzmaltino, o jogador receberia metade do salário que ganhava quando atuava no Uruguai. Claudionor Corrêa, ex-jogador do Vasco e então cartola, aguardava o meia atacante. A partir daquele momento, o meia teria a chance de atuar ao lado dos melhores jogadores negros que se encontravam no futebol nacional.

A estreia do Homem-Borracha pelo Gigante da Colina aconteceu em um amistoso com o Palmeiras no estádio São Januário. Naquela oportunidade, o Vasco venceu o Verdão pelo placar de 3 a 0, mas Leônidas não conseguiu marcar nenhum gol enquanto esteve em campo. A torcida vascaína pode comemorar de fato o primeiro tento marcado pelo Diamante Negro no clube em 13 de abril, quando o Vascão derrotou o Bonsucesso por 2 a 0. Esta partida foi válida pelo Campeonato da Liga Carioca de Football daquela temporada.

Antes mesmo de anotar o seu primeiro gol, o jogador já havia atuado em outras duas partidas em que o Vasco ganhou, mas acabou não balançando as redes. O clube carioca havia vencido o América-RJ por 2 a 1e o Bangu por 2 a 0. A última partida de Leônidas com a camisa do Vascão aconteceu no dia 22 de abril de 1934.

Diamante Negro se despediu do Cruzmaltino conquistando o Campeonato Carioca de 1934, que era disputada no formato de pontos corridos apenas. Naquela campanha, o Vasco somou 8 vitórias, 2 empates e 2 derrotas em 12 partidas disputadas e encerrou a competição quatro pontos a frente do São Cristóvão, que foi o vice campeão estadual naquele ano.

Logo após sua passagem pelo time do Rio de Janeiro, Leônidas disputou duas Copas do Mundo. Pela Seleção, o meia participou de 5 jogos e fez 8 gols. Esteve presente em três vitórias, um empate e uma derrota.


Em sua trajetória por clubes, Homem-Borracha ainda jogou como SC Brasil, Botafogo, Flamengo e encerrou a sua carreira como jogador de futebol profissional no São Paulo em 1950. Quando encerrou a sua caminhada como atleta, seguiu trabalhando com futebol se tornando treinador. Porém comandou apenas o Tricolor Paulista entre 1950 a 1955.

Depois de alguns anos, Leônidas passou por problemas graves de saúde e acabou sendo internado na Clínica São Camilo, onde teve de passar seus últimos anos de vida. Foi então que no dia 24 de janeiro de 2004, Diamante Negro veio a falecer aos 90 anos de idade.

Eles igualaram (e ultrapassaram) Dadá!

Por Diego Dantas
Fotos: arquivos

Mascote, do Sampaio Corrêa, e Carlos Walber, do São José-AP, quando estava no Remo

Em 2015 escrevemos um pouco sobre o famoso recorde de dez gols em uma só partida, feito pertencente ao folclórico Dadá Maravilha. Mas o que pouco se comenta é que ele além de não ostentar a marca sozinho, ele na verdade não alcançou o recorde máximo (!). Na crônica de hoje vamos falar um pouco sobre os "recordistas coadjuvantes".

Mascote


Durval Broxado - o popular Mascote - do alto de seus aproximadamente 1,5 metros de altura, é tido como um dos grandes atacantes da história do Sampaio Correia, bem qual do futebol maranhense. Além de conquistar alguns canecos junto a Bolívia Querida, Mascote também é tido como o legítimo recordista de gols marcados em partida única do futebol brasileiro.

Na partida entre Sampaio Corrêa 20 a 0 Santos Dumont pelo Campeonato Maranhense de 1934, o jogador foi as redes em 13 (!) oportunidades (algumas fontes citam "apenas" 10 gols). Ao final do estadual, Mascote foi o artilheiro geral com 26 gols, ajudando o Sampaio Correa a se sagrar campeão estadual.

Carlos Walber


Pelo Campeonato Amapaense de 2004, vinte e oito anos depois da façanha de Dadá, outro atleta igualaria sua marca. O meia Carlos Walber foi as redes também em dez oportunidades na sonora goleada do São José sobre o Santos por 17 a 2. Vale lembrar que nesta ocasião, o Santos entrou em campo com apenas oito atletas de seu elenco. O São José que nada tinha a ver com a situação do adversário, não só garantiu vaga na final do torneio como selou o rebaixamento do Peixe da Amazônia.

Ao final daquele campeonato, Carlos Walber até terminou como principal artilheiro geral com 14 gols, porém, o São José foi vice-campeão estadual ao perder o título nos penaltis para o Ypiranga por 6 a 5, após empate em 2 a 2.


Vale lembrar que algumas fontes citam que Caio Mário, do CSA, também marcou 10 gols em uma única partida no triunfo sobre o Esporte Clube Maceió pelo Campeonato Alagoano de 1944, porém outros portais citam que o atleta anotou "apenas" nove gols na partida em questão.

Há 84 anos, Teleco marcava seu primeiro gol pelo Corinthians

Com informações do site oficial do Corinthians
Foto: arquivo Corinthians

Teleco em ação pelo Corinthians: terceiro maior artilheiro da história do clube

No dia 30 de dezembro de 1934, após duas partidas com o manto do Alvinegro, Uriel Fernandes, o grande Teleco, marcava seu primeiro gol pelo Timão. Teleco marcou ao todo 256 gols pelo Corinthians em 249, tendo média de 1,02 gol por partida. Esta marca o faz ser o terceiro maior artilheiro da história do Timão.

O primeiro gol de Teleco saiu na vitória por 4 a 1 do Corinthians sobre a Portuguesa Santista, no Ulrico Mursa, em Santos, em um jogo amistoso. Recém-chegado até então, Teleco marcou aos 15 minutos da primeira etapa o gol de empate do Timão. Na mesma partida, no segundo tempo, Teleco marcou novamente o gol da virada, conduzindo o Alvinegro a vitória.

Teleco é conhecido pela sua alta média de gols. Ao todo, o atacante possui 256 gols em 249 jogos - com média de mais de 1 gol por partida, o que dá a ele o status de terceiro maior goleador da história Alvinegra. Ele só fica atrás de Cláudio, com 305, e Baltazer, que fez 265.

A Seleções finalistas que nunca foram campeãs mundiais

Por Victor de Andrade

A Holanda é a recordista: foram três finais, 1974, 1978 (foto) e 2010, mas nunca foi campeã

A Croácia, na quarta-feira, dia 11, deu um passo importantíssimo na história do futebol ao conseguir chegar pela primeira vez a uma final de Copa do Mundo, ao vencer a Inglaterra pelo placar de 2 a 1, com o gol da vitória saindo na prorrogação. A seleção croata tornou-se a 13ª do mundo a conseguir se classificar para a decisão.

Agora, no domingo, dia 15, a partir das 12 horas, no horário de Brasília, no Luzhniki Stadium, em Moscou, iremos ver se a Croácia conquistará o seu primeiro título mundial, se juntando a Brasil, Alemanha, Itália, Argentina, Uruguai, Inglaterra, Espanha e França (adversária na final), ou será apenas a quinta seleção na história a chegar ao menos em uma final e nunca ter levantado a taça de campeã. Confira as outras quatro seleções que já chegaram à decisão e nunca conquistaram um título:

TCHECOSLOVÁQUIA
1934 - 1962

O time da Tchecoslováquia em 1962, que perdeu a decisão para o Brasil

A primeira seleção a figurar nesta lista não existe mais. A antiga Tchecoslováquia, hoje dividida entre Chéquia e Eslováquia, curiosamente, perdeu títulos para as únicas duas seleções que ganharam Copas seguidamente. Primeiro, os tchecos foram derrotados em 1934 pela Itália, que jogava em casa e depois ganharia o título em 1938, por 2 a 1, na prorrogação. 28 anos depois, no Chile, a Tchecoslováquia encararia o Brasil, campeão de 1958, na decisão. Apesar de terem saído na frente, os tchecos foram derrotados por 3 a 1 e nunca mais chegaram a uma final. A última participação da seleção em uma Copa do Mundo foi em 1990. Porém, tanto a Chéquia como a Eslováquia já jogaram mundiais.

HUNGRIA
1938 - 1954

Em 1954, a Hungria assombrou o mundo: só faltou o título

Após conquistar a Copa de 1934, jogando em casa, a Itália encarou outra seleção que nunca conquistou a taça em 1938, na França: a Hungria. Porém, os italianos, com um time ainda mais forte do que quatro anos antes, fez 4 a 2 nos húngaros e foi a campeã. Em 1954, na Suíça, a grande sensação do futebol mundial era a Hungria, que estava a quatro anos invicta, foi campeã olímpica em 1952, e contava com craques como Kócsis e Puskas. Porém, na decisão, a Alemanha Ocidental virou o jogo para 3 a 2, conquistou o seu primeiro título, fazendo uma das maiores surpresas da história das Copas. Depois, a Hungria nunca mais foi a mesma e seu último Mundial foi em 1986.

SUÉCIA
1958

Suécia parou no time brasileiro em 1958

A Copa do Mundo de 1958 foi realizada na Suécia e a dona da casa não fez feio. Pelo contrário! Semifinalista em 1938 e em 1950, os suecos fizeram um bom torneio e conseguiram chegar à final da Copa do Mundo. O adversário foi o Brasil, de Pelé, Garrincha e Didi, que com seu futebol envolvente, ganhou dos donos da casa por 5 a  2 e conquistaram o primeiro dos cinco títulos mundiais que detém, iniciando uma grande dinastia. Já a Suécia, entre fases e gerações, voltou à uma semifinal em 1994 e na Copa da Rússia, em 2018, caiu nas quartas de final.

HOLANDA
1974-1978-2010

Holanda em 1974 encantou o mundo, mas perdeu para a  Alemanha Ocidental

Aqui temos um caso de "tri-vice". A Holanda, devido às suas boas campanhas em Copas, é considerada por muitos uma grande seleção, mesmo sem ter um título. E tudo isto começou em 1974, sob o comando de Rinus Michels e com craques como Cruyff em campo. Porém, apesar de favorita, os holandeses perderam a final para os donos da casa, a Alemanha Ocidental, por 2 a 1, de virada. Quatro anos depois, mesmo sem Cruyff e sem dar show, a Holanda conseguiu chegar à decisão novamente, mas encarou outra dona da casa: a Argentina, que foi campeã vencendo por 3 a 1, sendo que os dois gols que deram a vitória saíram na prorrogação. Ainda tinha mais, em 2010, na África do Sul, com um time com Sneidjer e Robben, com o segundo perdendo uma grande chance ainda no tempo normal, os holandeses perderam o título para a Espanha, na prorrogação.

A Argentina caindo na primeira fase das Copas

Por Victor de Andrade

Argentinos desolados após empate contra a Suécia em 2002: eliminados na fase de grupos

Umas das maiores potências do futebol mundial, a Seleção Argentina corre o risco de ser eliminada na fase de grupos na Copa do Mundo Rússia 2018 nesta terça-feira. Estando no Grupo B, onde a Croácia já está classificada, a Albiceleste joga contra a Nigéria e precisa vencer. Além das duas equipes, a Islândia, que enfrenta os croatas, também têm chance de classificação. Aliás, são os argentinos que têm a tarefa mais complicada, pois não dependem apenas de suas próprias forças.

Porém, cair na primeira fase de uma Copa do Mundo não seria novidade para a Seleção Argentina. Além de ter boicotado as copas de 1938, 1950 e 1954 (por achar que o evento deveria ser em seu país), além de ter caído ainda nas Eliminatórias, para o Peru, na Copa de 1970, os argentinos foram eliminados na primeira fase em quatro Mundiais. Confira abaixo as campanhas:

1934 - Itália

Argentina foi derrotada pela Suécia, de virada, por 3 a 2

Depois de ter sido vice-campeã em 1930, a Argentina desembarcou na Itália querendo fazer melhor e ficar com o título. O regulamento daquele Mundial era cruel, já que mata-mata era desde a primeira fase e quem perdesse o primeiro jogo, já voltava para casa. O sorteio apontou a Suécia como adversária da Albiceleste. No dia 27 de maio, em Bolonha, a Argentina saiu na frente, com Belis, Jonasson empatou ainda no primeiro tempo e Galateo colocou a Albiceleste em vantagem no início da segunda etapa. Porém, novamente Jonasson e Kroon deram a vitória aos suecos e o passaporte de volta para os argentinos em apenas um jogo.

1958 - Suécia

A goleada sofrida para a Tchescoslováquia, por 6 a 1

Depois de boicotarem as Copas de 1938, 1950 e 1954, a Argentina voltou ao Mundial em 1958, na Suécia, querendo mostrar que sua seleção era sim uma grande força mundial. Porém, estrearam com uma derrota por 3 a 1 para a então campeã Alemanha Ocidental. Na segunda rodada, a Albiceleste bateu a Irlanda do Norte, de virada, por 3 a 1. Na última rodada, uma simples vitória contra a Tchecoslováquia colocaria os argentinos nas quartas de final, mas não foi o que aconteceu: levaram uma sonora goleada de 6 a 1, ficaram em último no Grupo 1 e voltaram mais cedo para casa novamente. Para piorar, ainda viram o Brasil conquistar a sua primeira Copa do Mundo. Em resumo, seus dois maiores rivais do continente já tinham levantado a taça e eles não.

1962 - Chile

O 0 a 0 contra a Hungria eliminou a Argentina

A Copa do Mundo voltava ao continente sul-americano e por ser vizinho do Chile, apesar das brigas territoriais, os argentinos iam para os jogos para torcer por sua seleção. Porém, dentro de campo, novamente não deu certo. A Albiceleste estreou no Grupo 4 vencendo a Bulgária, por 1 a 0, mas foi derrotada pela Inglaterra, no segundo jogo, por 3 a 1. Mesmo assim, uma vitória contra a Hungria, na última rodada, colocaria a Argentina nas quartas da competição, mas o 0 a 0 eliminou a Albiceleste, que apesar de ter empatado em pontos com a Inglaterra, perdeu a vaga no gol average. O detalhe é que o Brasil conquistaria o bi-campeonato, se igualando ao Uruguai. Os dois rivais com dois títulos e a Argentina ainda sem.

2002 - Coreia do Sul e Japão

Empate em 0 a 0 com a Suécia eliminou a Argentina em 2002

Depois de 40 anos, duas Copas do Mundo vencidas (1978 e 1986) e grandes jogos, a Argentina finalmente se tornaria uma das grandes do planeta e chegou para a Copa do Mundo de 2002, ao lado da França, como a grande favorita, por estar jogando muito bem. A Albiceleste foi a cabeça de chave do Grupo F, jogando no Japão, e estreou vencendo a Nigéria por 1 a 0. Porém, na segunda rodada, os argentinos acabaram sendo derrotados pela Inglaterra, por 1 a 0, o que obrigou a vitória contra a Suécia, na última rodada. Pressionados, os argentinos não fizeram um bom jogo e só ficaram no empate em 1 a 1, acabando em terceiro no grupo, com quatro pontos, e eliminados na primeira fase. E, por coincidência, o Brasil conquistava a Copa novamente, a quinta!

A vitória da Alemanha sobre a Suécia nas quartas da Copa de 1934

Por Victor de Andrade

Os capitães Nils Rosen, da Suécia, e Fritz Szepan, da Alemanha

Neste sábado, dia 23 de junho, Alemanha e Suécia se enfrentam pela quinta vez na história das Copas do Mundo, às 15 horas (horário de Brasília), no Fisht Stadium, em Sochi. Com grande vantagem, três vitórias contra apenas uma dos suecos, a vantagem alemã em confrontos pelos Mundiais começou em 1934, na Itália.

Eram outros tempos. Um futebol ainda em desenvolvimento, em fase pré-guerra. A Alemanha estava passando pelo início do governo nazista e ainda não era considerada uma grande potência no futebol, alcunha carregada por Inglaterra, que se recusava a jogar a Copa, por se achar muito superior, Uruguai, que rejeitou ir à Itália, pois achava que deveria ser sempre sede (escondendo que a renovação feita depois de 1930 não foi adequada) e a própria dona da casa. A Suécia também estava longe de seu melhor momento no futebol mundial.

Porém, as duas equipes estrearam bem na Itália. Na primeira fase, os alemães passaram com facilidade pela Bélgica, pelo placar de 5 a 2. Já a Suécia encarou o vice-campeão do primeiro Mundial, a Argentina, e, apesar das dificuldades pelo difícil adversário, venceu de virada pelo placar de 3 a 2.

Portanto, no dia 31 de maio, o Estádio San Siro, em Milão, foi palco da partida entre Alemanha e Suécia, pelas quartas de final do Mundial. Como nenhuma das duas equipes estiveram quatro anos antes no Uruguai, aquele era o segundo embate de ambos na história das Copas. Com tudo isto, a expectativa era grande.

Era uma época onde o futebol tinha muitos gols. Placares de 5 a 2 ou 3 a 2, feitos pelas duas equipes na primeira fase, eram mais comuns do que nos dias de hoje. Porém, o primeiro tempo foi um jogo truncado, onde tanto a Alemanha como a Suécia pouco criaram. Com tudo isto, os 45 minutos iniciais terminaram com o marcador sem ser mexido.

O time sueco naquela partida

No segundo tempo, a situação mudou. A Alemanha passou a comandar as ações e com 15 minutos iria aparecer a estrela de Karl Hohmann. Na estreia germânica, ele não foi tão bem, mas naquele 31 de maio Hohmann abriu o marcador para a sua equipe. O mais interessante é que o próprio jogador, três minutos depois, marcou novamente, deixando os alemães em vantagem por 2 a 0.

Vendo a eliminação de perto, a Suécia resolver partir para cima, para mudar o resultado. Naquela época, viradas eram muito comuns e era nisto que o time nórdico acreditava. Aos 37', Gösta Dunker diminuiu para os suecos, que se animaram e foram para cima, mas não conseguiram balançar as redes novamente. Assim, os alemães conquistaram a vitória e avançaram, enquanto a Suécia deu adeus em seu primeiro Mundial.

A Alemanha começava ali uma grande dinastia de quase sempre chegar, no mínimo, nas semifinais. Porém, no jogo em que definiria um dos finalistas, os germânicos foram derrotados pela Tchecoslováquia por 3 a 1, sobrando apenas o terceiro lugar, após vitória por 3 a 2 sobre a Áustria.

Os gols de Leônidas em Copas

Por Lucas Paes

Leônidas em ação contra a Polônia, em 1938: foram oito gols em Copas

O maior craque do país nos anos 30 e 40, Leônidas da Silva, o Diamante Negro, foi o primeiro brasileiro a ser artilheiro de uma Copa do Mundo. No total, ele marcou oito gols em mundiais, sendo um em 1934 e sete em 1938. 

A história do Diamante em Copas começa no dia 27 de Maio de 1934, no Estadio Luigi Ferrari, em Genoa, na Itália, quando o Brasil estreava no torneio contra a Espanha. Em um chute forte, que venceu o lendário Zamora, ele balançou as redes. O gol foi o de honra do Brasil na derrota por 3 a 1 para a Fúria. Como aquele Mundial era no sistema eliminatório em todas as fases, aquele foi o único jogo brasileiro na competição.

Quatro anos depois, na França, ele deu show! Na estreia brasileira, em Estrasburgo, contra a Polônia, no dia 5 de junho,  ele marcou três vezes, a primeira recebendo na area e finalizando no cantinho, na segunda, o craque brasuca estava sem a chuteira, que rasgou no meio do campo enlamaçado,as pegou a sobra de uma falta e foi as redes. O ultimo neste jogo também veio em chute de esquerda. O Brasil venceu por 6 a 5.

Nas quartas, contra a Tchecoslováquia, foram necessários dois jogos em Bordeuax. No primeiro, no dia 12 de junho, o Diamante Negro abriu o marcador, mas o Brasil sofreu o empate, o que foi necessário um novo jogo dois dias depois. E Leônidas apareceu fazendo o gol de empate (Roberto marcou o da vitória). Os duelos foram marcados pelo alto número de faltas, onde houveram três expulsões no primeiro.

Foi o maior craque brasileiro dos anos 30 e 40

Sem o Diamante Negro, o Brasil sucumbiu diante da Itália nas semifinais. Na decisão do terceiro lugar, contra a Suécia, em Bordeaux, no dia 19 de junho, o "Homem de Borracha" esteve impossível. Primeiro, ele marcou com um toquinho de cobertura o gol que empatou o jogo em 2 a 2. O segundo dele veio em um torpedo de fora da área e botou o Brasil em vantagem. O jogo terminou 4 a 2. O Diamante Negro foi o artilheiro da Copa. 

O desempenho espetacular de Leônidas em 1938 reservou à ele um lugar na história. Era muito provável que seus gols em Copas poderiam ter números ainda maiores, caso a Segunda Grande Guerra não cancelasse os eventos dos anos 40. Nesta época, o Diamante Negro jogou o 'fino da bola' no São Paulo.

Os jogos pós-Copa do Mundo da Seleção Brasileira em 1930 e 1934

Por Victor de Andrade

O time do Brasil que encarou a Iugoslávia logo após a Copa de 1934

Nos dias de hoje, é comum as seleções mundo afora se prepararem para a Copa do Mundo realizando amistosos. Neste domingo, dia 3, o Brasil encara a Croácia, no primeiro jogo pré-Rússia 2018. Porém, houve uma época em que isto era totalmente diferente. A Seleção Brasileira foi para os mundiais de 1930, no Uruguai, e 1934, na Itália, sem ter feito uma partida no ano antes de estrear na competição e logo em seguida realizou alguns embates.

Antes de começar a falar das partidas, vale lembrar que o mundo pré-segunda guerra mundial era muito diferente do atual. Como não havia a facilidade de viagens de avião (não existia, por exemplo, uma ligação aérea comercial entre Europa e América do Sul), tudo era feito de navio, levando um tempo muito maior, além de se fazer diversas escalas. E assim, foi que a Seleção Brasileira acabou fazendo jogos depois destas duas Copas.

Em 1930, a delegação brasileira foi para Montevidéu de navio, fez dois jogos na Copa (derrota para a Iugoslávia, por 2 a 1, e vitória sobre a Bolívia, 4 a 0) e voltou para o Brasil. Só que outras seleções, ao fim do Mundial no Uruguai, faziam escalas de navio no porto do Rio de Janeiro, e por causa disto, houveram três jogos amistosos nas Laranjeiras, principal estádio da cidade na época.

Iugoslávia x Brasil na Copa de 30: revanche menos de um mês depois

Em 1º de agosto de 1930, a França enfrentou o Brasil, que se reforçou com os paulistas que não foram ao Mundial, como Friedenreich, e realizaram um grande jogo. Os franceses abriram 2 a 0, mas os brasileiros venceram por 3 a 2. Nove dias depois, a revanche contra a Iugoslávia e o desempenho foi totalmente diferente do jogo em Montevidéu: 4 a 1 para o time da casa. No último jogo da série, no dia 17, foi a vez dos brasileiros enfrentarem os Estados Unidos e mais uma vitória do time tupiniquim: 4 a 3.

Quatro anos depois, a Seleção Brasileira, novamente desfalcada por brigas entre cartolas de times profissionais e amadores, foi para a Itália de navio e fez apenas um jogo no Mundial, derrota por 3 a 1 para a Espanha, com destaque para o primeiro gol de Leônidas em Copas. Após o jogo, ao invés de retornarem direto, foi feita uma excursão à Europa, mas com resultados diferentes dos de quatro anos antes.

O primeiro jogo foi em Belgrado, contra a Iugoslávia, no dia 3 de junho de 1934. Apesar dos quatro gols de Leônidas, o placar final foi de 8 a 4 para o time da casa e este é o jogo onde a Seleção tomou mais gols até hoje. Quatro dias depois, o Brasil encarou o Gradanski, em Zagreb (na atual Croácia), e ficou no empate em 0 a 0.

Depois de perder para a Espanha na Copa de 34, Brasil fez excursão pela Europa

Nove dias depois, o Brasil desembarcava na Espanha e fazia dois amistosos contra a Seleção da Catalunha, perdendo o primeiro, por 2 a 1, em Barcelona, e empatando o segundo, em 2 a 2, em Girona, no dia 24. Em 1º de julho, o adversário foi o Barcelona e novo empate: 4 a 4. Apesar de ter um Leônidas que quase sempre marcava, a excursão era um fracasso.

A última perna da excursão pós-Copa de 1934 foi em Portugal. A Seleção encarou um combinado formado por jogadores do Benfica e Belenenses, no dia 12 de julho, e finalmente venceu: 4 a 1. Três dias depois, nova vitória, desta vez contra o Sporting: 6 a 1. A campanha foi encerrada com um empate em 0 a 0 contra o Porto, em 22 de julho.

Esta foi a última vez que algo do tipo aconteceu. Em 1938, o Brasil não fez nenhum jogo preparatório pré-Copa do Mundo e nem depois da bela campanha, onde ficou em terceiro lugar. Já em 1950, a aviação comercial havia crescido muito, aproveitando-se do avanço tecnológico da guerra, e fora a Itália, que tinha perdido a base de sua seleção no acidente aéreo envolvendo a delegação do Torino, em 1949, todas as outras equipes vieram ao Brasil de avião e retornaram rapidamente aos seus países após a competição.

O Egito na Copa do Mundo de 1934

Por Victor de Andrade

O Egito na Copa do Mundo de 1934: a primeira das duas participações da Seleção

Considerada uma das maiores seleções da África na história, tendo sido campeão continental em sete oportunidades, o Egito estará na Copa do Mundo da Rússia em 2018 em um grande momento para a equipe, já que uma das grandes sensações do futebol europeu atualmente é Mohamed Salah, do Liverpool.

Porém, Os Faraós são conhecidos por quase sempre baterem na trave nas Eliminatórias e dificilmente conseguirem a vaga para o Mundial. Só para se ter uma ideia, o Egito fica atrás, em número de participações, de seleções como a de Camarões, Nigéria, Marrocos, Argélia e Tunísia.  Esta é apenas a terceira vez que os egípcios estarão na Copa, as outras duas vezes foram em 1934 e 1990, ambas na Itália. E vamos falar da primeira vez em que eles jogaram o Mundial.

Para a segunda edição Copa do Mundo, realizada em 1934, na Itália, por causa do número de 32 inscritos , a Fifa organizou uma Eliminatória para definir os 16 participantes do Mundial (sim, o país-sede teve que jogar, foi a única vez em que isto aconteceu). Entre as vagas, uma ficou para o Oriente Médio, já que o Egito e a Palestina (então colônia inglesa, formada por palestinos e judeus no território onde hoje fica Israel) resolveram tentar a sorte.

Capitães de Egito e Palestina, antes da partida pelas Eliminatórias

Para a disputa da vaga no Oriente Médio, foi determinado um play-off entre as duas equipes. Se em caso de dois resultados iguais, uma terceira partida, em campo neutro, seria realizada. No dia 16 de março de 1934, as seleções entraram no British Army Ground, no Cairo, para o primeiro jogo, que foi um passeio egípcio. Rafai, três vezes, Taha, duas, e Latif, com Nudelmann descontando, construíram o placar de 7 a 1.

O segundo confronto foi realizado em 6 de abril, no Tamarim Field, em Jerusalem, e o Egito novamente tomou conta da partida. Rafai, duas vezes, Latif e Fawzy marcaram para Os Faraós, enquanto Suknik fez o gol de honra da Palestina. Com as duas vitórias, o Egito se tornava o primeiro país fora da América e da Europa a jogar uma Copa do Mundo.

O formato do Mundial de 1934, que também foi feito quatro anos depois, era cruel! Mata-mata desde a primeira fase. Em resumo, se perdesse na estreia, a equipe se despedia da competição. Em caso de empate, era realizado um jogo desempate 48 horas depois. Considerado o azarão na competição, o Egito acabou sendo sorteado para enfrentar a Hungria.

O goleiro egípcio, Mansour, em ação durante o Mundial

Então, no dia 27 de maio, menos de dois meses depois de garantir a classificação para a competição, a Seleção Egípcia entrava no gramado do Estádio Giorgio Ascarelli, em Nápoles, para encarar os húngaros. E quem achou que os magiares iriam passear em campo, ficaram espantados com a disposição d'Os Faraós, que venderam caro a derrota.

A Hungria abriu o marcador aos 11 minutos, com Teleki, e ampliou aos 27', com Todi. Porém, os egípcios acordaram e foram buscar o empate ainda no primeiro tempo, com dois gols de Fawzi, aos 31' e 39'. Os presentes já estavam se perguntando se iria acontecer alguma surpresa, já que ninguém esperava o bom desempenho dos africanos.

Na segunda etapa, os húngaros impuseram o seu ritmo e construíram o placar que lhes deram a vitória, com gols de Vincze, aos 8', e novamente Todi, aos 16'. Os 4 a 2 no marcador eliminaram Os Faraós de sua primeira Copa do Mundo e eles demorariam 68 anos para voltar a disputar a competição, já em 1990, novamente na Itália. Mas isto já é tema para um outro dia.

Filó - o primeiro jogador nascido no Brasil campeão do mundo

Filó defendeu as seleções Brasileira e Italiana

Se você acha que os primeiros jogadores nascidos no Brasil campeões do mundo de futebol foram os que defenderam a Seleção Canarinho na Copa de 1958, na Suécia, está completamente enganado. O primeiro atleta natural destas terras a conseguir o feito foi Anfilóquio Guarisi Marques, o Filó, paulistano que, naturalizado, defendeu a Itália campeã da Copa de 1934, realizada no país da bota.

Filó começou no futebol na Portuguesa em 1922, onde chamou a atenção de todos os adeptos do esporte na cidade de São Paulo, mesmo com menos de 20 anos de idade. Não demorou muito e o Paulistano, a maior equipe da época, o levou para o clube, onde foi três vezes campeão Paulista (1926-27-29) e participou da célebre excursão do clube à França, fazendo uma bela dupla com Friedenreich.

Início de carreira na Lusa

Ainda em 1929, Filó foi para o Corinthians, onde se tornou ídolo. Como jogador do alvinegro, chegou a ser convocado para a seleção brasileira e disputou uma espécie de torneio Sul-Americano. Era nome certo para integrar o time na Copa de 30, no Uruguai. Só que uma celeuma entre paulistas e cariocas fez com que o escrete nacional fosse formado basicamente por atletas do Rio. Pela Seleção Brasileira, Filó fez quatro jogos e marcou dois gols.

Em 1931, Filó foi para a Itália jogar pela Lazio, adaptando seu nome (Amphilóquio Guarisi) para Anfilogino Guarisi. O clube romano trouxera também seus colegas de Corinthians De Maria, Del Debbio, Rato e Amílcar; do rival Palestra, Pepe, Duílio Salatin e Enzio Serafini; do Palestra mineiro (atual Cruzeiro), a família Fantoni: Ninão, Nininho e Niginho, que na equipe romana ficaram conhecidos respectivamente como Fantoni I, Fantoni II e Fantoni III. E também André Tedesco (do Santos) e Benedito (do Botafogo). O elenco acabou ficando conhecido como "Brasilazio".

Na Itália, Filó era conhecido pelo seu sobrenome Guarisi. Sendo considerado cidadão italiano, por ser filho de uma italiana e jogando muito pela Lazio, o técnico da Squadra Azzurra, Vittorio Pozzo, não teve dúvidas: convocou o jogador para defender a seleção da Itália.

O primeiro agachado no time do Corinthians

O ditador italiano Benito Mussolini não poupou esforços para montar uma equipe vencedora e apoiou a convocação dos oriundis. Além de Filó, existiam outros quatro atletas naturalizados naquele time, todos da Argentina, que havia sido vice-campeã na Copa de 30.

O jogador defendeu a Azzurra nas Eliminatórias, onde fez gol contra a Grécia. Na Copa de 1934, só esteve em campo na estreia, vitória de 7 a 1 contra Estados Unidos. De qualquer forma, foi o primeiro jogador nascido no Brasil campeão mundial de futebol. Seu retrospecto pela Seleção Italiana foram seis jogos e apenas um gol.

Pela Azzurra: o segundo agachado

Filó defendeu a Lazio até 1937, onde fez 134 jogos e marcou 43 gols. Na volta ao Brasil, o jogador voltou para o Corinthians, jogando mais dois anos e encerrou a carreira no Palestra Italia em 1940, com 35 anos.

Infelizmente, alguns brasileiros acusaram Filó de ser fascista, pois tinha defendido a Itália no regime totalitário de Mussolini. "Outras ditaduras pelo mundo fizeram o mesmo, naturalizando atletas para tentar a vitória a todo custo. Mas isso não significa que os jogadores eram fascistas. No caso de Filó, essa associação acabou sendo feita por algumas pessoas de forma equivocada", disse o historiador Marco Antonio Villa, em reportagem para o Esporte Espetacular, da TV Globo, em 2010.

Suécia 6 x 2 Estônia - o primeiro jogo de Eliminatórias da Copa do Mundo

O time sueco na Eliminatórias na Copa de 1934

A primeira Copa do Mundo, realizada em 1930 no Uruguai, foi disputada apenas por seleções convidadas. Apesar desta particularidade, o torneio foi considerado um sucesso e a FIFA marcou a edição seguinte para 1934, na Itália.

Para a fase final da competição estavam previstas 16 vagas. Porém, 32 seleções de três continentes (América, Europa e África) se inscreveram para a competição e a FIFA foi obrigada a organizar as primeiras Eliminatórias para o Mundial de futebol.

Ao contrário de como é feito atualmente, onde não há jogo válido pelas Eliminatórias no mesmo ano da Copa do Mundo, a maioria dos jogos do classificatório para o Mundial de 1934 foi realizado no mesmo ano. Porém, algumas partidas aconteceram em 1933.

Os grupos foram formados, na maior parte, pela proximidade dos países. Por exemplo, Portugal e Espanha se enfrentaram no Grupo 2. O Grupo 1 contava com três equipes: Suécia, Estônia e Lituânia, sendo que nenhuma delas estiveram no Uruguai, em 1930. Seria desse grupo o primeiro jogo da história válido pelas Eliminatórias.

Foi o destino que definiu que suecos e estonianos, povos com um histórico de conflitos no passado, se enfrentassem na primeira partida da história das Eliminatórias, no dia 11 de junho de 1933, no Estádio Olímpico de Estocolmo, capital da Suécia.

Partida foi realizada no Estádio Olímpico de Estocolmo

Quando os dois países se enfrentaram em campo pela primeira vez, mais de dois séculos já haviam transcorrido desde que a Suécia perdera o controle da Estônia para o Império Russo. Os estonianos haviam começado no mundo do futebol em 1920 e tido a sua participação mais importante no Torneio Olímpico de 1924, sendo derrotados pelos Estados Unidos na única partida que disputaram. Bernhard Rein era, naquele momento, apenas o segundo treinador de origem estoniana a dirigir a seleção do país.

A Suécia, por sua vez, chegava com maior tradição. Havia participado do Torneio Olímpico de 1908 e organizado o de 1912. Em 1924, tinha ficado com a medalha de bronze. No ano de 1930, começara a participar de competições regionais com outros países escandinavos. Depois de não ser convidada para o Mundial disputado no Uruguai, decidiu disputar as eliminatórias para a Itália 1934.

A história conta que o atacante Knut Kroon foi o autor do primeiro gol das eliminatórias. Por outro lado, vale destacar que aquele tento gerou a primeira contradição estatística do torneio, já que alguns veículos de imprensa da época afirmaram que ele teria sido obra do goleiro e capitão estoniano Evald Tipner.

Independentemente do autor, o gol foi um balde de água fria para a seleção visitante e animou os suecos, que antes dos 15 minutos já venciam por 3 a 0 graças a Lennart Bunke e Bertil Ericsson. Torsten Bunke, irmão de Lennart, anotou o quarto antes do intervalo.

Em um dia de muito calor, gols de Leonhard Kaas e Richard Kuremaa recolocaram os estonianos no jogo. Porém, mais um tento de Bertil e outro de Sven Andersson fecharam o placar de 6 a 2 para alegria dos mais de oito mil espectadores presentes.

Na Copa, a Suécia enfrentou a Argentina

Graças ao triunfo sobre a Estônia, a Suécia precisaria de apenas um empate na Lituânia para garantir um lugar na Itália 1934. A partida foi disputada em 29 de junho na cidade de Kaunas diante de seis mil torcedores, mas o ambiente não afetou os suecos, que venceram por 2 a 0. O resultado, com gols de Knut Hansson, assegurou o primeiro lugar do grupo e a presença na segunda edição da Copa do Mundo da FIFA. Como os dois países já estavam desclassificados, a partida entre Estônia e Lituânia foi cancelada.

No Mundial, a Suécia causou uma das grandes surpresas da primeira fase ao derrotar por 3 a 2 a Argentina, vice-campeã quatro anos antes. Naquele dia, o gol da vitória foi marcado por Kroon, que escreveu o nome em outra página importante da história do futebol sueco. O sonho dos escandinavos acabou nas quartas de final, quando foram derrotados pela Alemanha por 2 a 1.

Ficha Técnica

Suécia 6 x 2 Estônia

11 de junho de 1933 - Estádio Olímpico de Estocolmo

Gols: Knut Kroon (SWE) 7/1ºT, Lennart Bunke (SWE) 10/1ºT’, Bertil Ericsson (SWE) 13/1ºT, Torsten Bunke (SWE) 43/1ºT, Leonhard Kaas (EST) 2/2ºT, Richard Kuremaa (EST) 16/2ºT, Bertil Ericsson (SWE) 25/2ºT, Sven Andersson (SWE, pên) 34/2ºT.

Suécia: Gösta Krusberg, Otto Andersson, Sven Andersson, Walfrid Persson, Harry Johansson, Ernst Andersson, Gunnar Olsson, Torsten Bunke, Bertil Ericsson, Lennart Bunke e Knut Kroon. Técnico: John Petterson.

Estônia: Evald Tipner, Eugen Einman, Artur Neumann Tarmiäe, Otto Reinfeldt Reinlo, Karl-Rudolf Silberg-Sillak, Egon Parbo, Georg Siimenson, Richard Kuremaa, Leonhard Kaas, Heinrich Uukkivi e Friedrich Karm. Técnico: Bernhard Rein.

* Fonte: Fifa.com
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