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Ex-atacante da Seleção Palestina, Suleiman Al-Obeid morre em ataque a Gaza

Com informações da CNN
Foto: arquivo

Suleiman Al-Obaid tinha 41 anos

Ex-atacante da Seleção Palestina, Suleiman Al-Obeid morreu nesta quarta-feira, dia 6, após ser atingido por um ataque de Israel a Gaza enquanto aguardava por ajuda humanitária ao lado de outros palestinos.

A informação da morte de Al-Obeid foi divulgada pela PFA (Associação Palestina de Futebol). Ainda segundo a entidade, 321 pessoas ligadas ao futebol do país já morreram desde o início dos conflitos.

Al-Obaid nasceu em 24 de março de 1984 na Cidade de Gaza. Era casado e tinha dois filhos e três filhas. Al-Obaid, que tinha 41 anos, fez história no Markaz Khadamat Al-Shatea e era chamado, segundo a própria PFA, de Pelé palestino.

Ele começou sua carreira em seu clube natal, o Services Beach Club. Em seguida, mudou-se para a Cisjordânia, onde jogou pelo Centro Juvenil Al-Amari de 2009 a 2013, conquistando o título da primeira edição da Liga Profissional Palestina na temporada 2010-2011.

Depois do Al-Amari, Al-Abeed retornou ao Al-Shati'a Services e jogou por uma temporada, antes de ingressar no Gaza Sports Club, onde ganhou o título de artilheiro da Southern Governorates Premier League na temporada 2015-2016, marcando 17 gols. Al-Abid retornou ao seu clube de origem, o Al-Khadama Beach Club, onde conquistou o título de artilheiro da Premier League na temporada 2016-2017, marcando 15 gols.


Suas habilidades impressionantes e velocidade em campo lhe renderam uma vaga na seleção nacional, onde jogou 24 partidas internacionais, marcando dois gols, o mais famoso dos quais foi um chute de tesoura contra o Iêmen durante o Campeonato da Federação de Futebol da Ásia Ocidental de 2010.

Durante sua longa carreira esportiva, Al-Abeed marcou mais de 100 gols, tornando-se uma das estrelas mais brilhantes do futebol palestino. Com a morte de Al-Abeed, o número de falecidos da família do esporte e do escotismo aumentou para 662 desde o início da guerra de extermínio israelense em 7 de outubro de 2023. O número de mortos no futebol chegou a 321, incluindo jogadores, treinadores, administradores, árbitros e membros do conselho do clube.

Profissionais de futebol brasileiros que estavam em zonas de conflito no Sudão voltam para casa

Com informações da CBF
Foto: arquivo pessoal

Brasileiros estavam trabalhando no Al-Merreikh

Foram dias de tensão e pânico, mas os nove brasileiros - jogadores e membros da comissão técnica do Al-Merreikh – que tentavam sair do Sudão em meio a conflitos generalizados naquele país, jamais perderam a esperança de voltar ao Brasil sãos e salvos. Nesta sexta (28), o grupo desembarcou em São Paulo e alguns deles seguiram depois para o Rio.

A CBF agiu para ajudá-los, estabelecendo contato com os ministérios da Justiça e das Relações Exteriores, a fim de que o caso fosse solucionado.

“Passamos por momentos complicados, em áreas de graves distúrbios, com escassez de alimentos e de energia elétrica. Foi importante o apoio da CBF, a quem agradecemos. Conseguimos cruzar a fronteira e chegar ao Egito. A partir de então, as coisas ficaram mais amenas”, contou Esdras Lopes, que trabalhava como assistente técnico e analista de desempenho do Al-Merreikh, time da Primeira Divisão do Sudão.

Ele também citou o empenho do Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Saferj), de vários parlamentares e do Itamaraty para que conseguissem deixar o Sudão.


Esdras pisou em solo brasileiro ao lado de outros quatro colegas da comissão técnica do Al-Merreikh e dos atacantes Rafael e Paulo Sérgio, do meia Matheuzinho e do lateral-direito Alex Silva. Foram recebidos por parentes e amigos, todos bastante aliviados com o desfecho da história para o grupo.

Como a guerra que completa um ano mudou o esporte na Rússia e na Ucrânia

Com informações do UOL Esporte
Foto: Vasile Mihai-Antonio/Getty Images

Dinamo de Kiev entra em campo com a bandeira da Ucrânia no primeiro jogo oficial

A guerra entre Rússia e Ucrânia completa um ano nesta sexta-feira (24). Desde o início dos ataques russos, o mundo do esporte também teve desdobramentos e punições. Nos últimos dias, o COI (Comitê Olímpico Internacional) manteve as sanções à Rússia e a Belarus devido à guerra. A entidade deixou os dois países de fora da organização de qualquer evento esportivo internacional.

O COI ainda manteve proibição da exibição em competição de bandeiras, hinos ou outros símbolos. O Comitê, porém, defendeu no início do ano permitir atletas russos e bielorrussos na próxima Olimpíada, sob condições específicas, e competindo como "neutros". A Ucrânia busca apoio para impedir a medida. Em resposta, o COI deixou claro que "os governos não devem decidir quais atletas podem participar de quais competições e quais não podem".

Punições no futebol - Uma das punições mais significativas foi a liberação de jogadores e treinadores estrangeiros de clubes russos e ucranianos. A Fifa permitiu que todos assinassem com outras equipes ao suspender os contratos.

Antes da guerra, 30 brasileiros atuavam na Ucrânia. Os 13 do Shakhtar Donetsk deixaram o país. O clube se juntou a oito clubes russos para processar a Fifa, mas teve recurso rejeitado na Corte Arbitral do Esporte (CAS). Hoje, são 19 no total.

Na Rússia, o número de brasileiros passou de 13 para 17. Alguns nomes, como Yuri Alberto e Ayrton Lucas, voltaram ao futebol brasileiro, mas o efeito foi menor. Personalidades e marcas também foram afetadas. Roman Abramovich escolheu vender o Chelsea após receber punições. A "Gazprom" perdeu contratos com o Schalke 04 e a Uefa. A Adidas também encerrou o contrato com a seleção russa de efeito imediato.

Exclusão de competições - A seleção russa masculina foi excluída das Eliminatórias para a Copa do Mundo do Qatar, que aconteceu no ano passado, e da Liga das Nações. O time feminino também saiu da Eurocopa e do Mundial de 2023. Os clubes russos foram excluídos de competições da Uefa na atual temporada. O Spartak Moscou, que estava nas oitavas da Liga Europa na época, foi eliminado.

Shakhtar Donetsk, Dínamo de Kiev e Dnipro, da Ucrânia, atuaram normalmente nas competições europeias da atual temporada. Todas as partidas do campeonato nacional estão sendo disputadas na região da capital Kiev e mais duas províncias ao oeste do país. Um dos primeiros desdobramentos foi a decisão da Uefa de retirar a final da Liga dos Campeões de São Petersburgo. A decisão foi levada para Paris.

Na Ucrânia, o futebol local foi suspenso de imediato e a temporada 2021/22 não teve campeões ou rebaixados. O esporte retornou em agosto de 2022 com medidas como militares nos estádios e portões fechados.


Tentativa de voltar - Dirigentes da Federação Russa de Futebol realizarão conversas na próxima terça-feira (24) com integrantes da Uefa para discutir o possível alívio das sanções aos times do país. No final de dezembro foi criado um grupo de trabalho ao lado da Uefa na tentativa de encontrar um possível caminho de volta aos torneios.

Depois de ser afastada das competições da Uefa, a Rússia cogitou deixar a organização europeia e se candidatar para se juntar à sua contraparte asiática, a Confederação Asiática de Futebol, mas a ideia foi descartada.

Pelé inaugurou ação de marketing com chuteira e abriu guerra entre gigantes

Com informações do UOL Esporte
Foto: arquivo

Pelé foi garoto propaganda da Puma

Entre tantos feitos do camisa 10 mais famoso do mundo está também o fato de ter inaugurado o "marketing de guerrilha". Durante a Copa do Mundo de 1970, Pelé, que morreu na última quinta-feira, assinou contrato de patrocínio para usar a chuteira Puma King e quebrou o "pacto Pelé", um acordo informal entre as empresas de material esportivo Puma e Adidas que visava não contratar o jogador.

As duas empresas alemãs de material esportivo tinham uma rivalidade que transcende o negócio. Nos anos 20, os irmãos Adolf (Adi) e Rudolf Dassler criaram a Adidas na pequena cidade alemã de Herzogenaurach. A Adidas cresceu e foi pioneira na Olimpíada de Berlim, em 1936. Mas com o início da Segunda Guerra Mundial, e o fato de Rudolf ser recrutado para defender as trincheiras alemãs durante o confronto, a situação começou a mudar.

Depois da Guerra, os irmãos se separaram e Rudolf criou primeiro a "Ruda", que depois virou a Puma. E iniciou-se uma briga entre as duas companhias pela hegemonia na confecção de materiais esportivos. Passaram a contratar esportistas e para ampliar as marcas. Mas estabeleceram uma "regra", que era não abordar Pelé. Imaginavam que assinar com o atleta do século levaria as empresas à falência.
Na Copa de 1970, no México, Adolf e Rudolf não estavam mais à frente das empresas, que eram administradas pelos filhos de ambos, Horst e Armin, respectivamente. Horst se aproximou das federações esportivas e conseguiu fechar um contrato de exclusividade com a Fifa, que perdura até os dias de hoje.

"Ao que tudo indica, a Puma enviou um representante da empresa para a seleção brasileira e após algumas negociações Pelé aceitou um lucrativo acordo para vestir chuteiras Puma. A Adidas ficou naturalmente furiosa porque a Puma violou o 'Pacto Pelé' e a feroz rivalidade entre as duas empresas recomeçou", conta Mario Leo, CEO da RESULT Sports, uma empresa que coleta e analisa dados e estatísticas digitais de esportes com sede na Alemanha.

De acordo com Barbara Smit em seu livro Sneaker Wars: The Enemy Brothers Who Founded Adidas and Puma and the Family Feud That Forever Changed the Business of Sports (Guerra do tênis: os irmãos inimigos que fundaram a Adidas e a Puma e a rivalidade familiar que mudou para sempre o negócio dos esportes, em tradução livre), Pelé recebeu US$ 120 mil (algo perto de US$ 1 milhão corrigidos para os dias atuais, ou R$ 5,2 milhões) para ser o "outdoor" da chuteira por apenas alguns segundos.

Assim, criou-se a icônica cena de Pelé ajoelhando antes do início do jogo contra o Peru, quando o camisa 10 amarrou pacientemente sua chuteira. A cena foi registrada pelas câmeras da transmissão e retransmitida ao vivo mundo afora — a Copa de 1970 foi a primeira a ser transmitida ao vivo —, e reabriu a crise entre as empresas de material esportivo Adidas e Puma. Pelé, então, inaugurou uma nova modalidade, a do patrocínio pessoal. Que cresceu e hoje contempla jogadores mundo afora.

"Terminada a sua fantástica carreira de jogador, Pelé manteve-se muito próximo do futebol! Tornou-se um especialista em TV, não só no Brasil, mas em emissoras do mundo todo. Durante a Copa do Mundo de 2006 na Alemanha, acompanhei sua análise pela TV alemã. Foi um ícone global, o que o tornou também muito interessante para marcas e produtos. Ele viveu dessa fonte de renda por décadas após sua grande carreira", analisa o especialista em marketing esportivo.


A parceria com a Puma continuou por toda a vida do Rei do futebol. E quase 50 anos depois, a marca alemã assinou contrato com Neymar, atual camisa 10 da seleção brasileira.

"Se Pelé pudesse jogar hoje, estaria no Top 5 dos maiores patrocínios globais. Seu legado e marca permanecerão relevantes. O mundo inteiro, desde jogadores antigos e atuais, clubes, ligas e federações mudaram seu conteúdo de mídia social para lamentar a morte de um ícone e lenda global. Seu legado viverá para sempre, pois o esporte e principalmente a família do futebol valorizam a contribuição de Pelé para o futebol, como jogador e depois de sua carreira como embaixador e pessoa", finaliza Mario Leo.

Lei da SAF protege clube-empresa do Brasil de riscos como os do Chelsea

Foto: reprodução

Exigências como governança, conselho de administração e CNPJ distinto garantem independência entre finanças do investidor e o caixa do time de futebol

Os impactos da guerra na Ucrânia e das sanções econômicas à Rússia na gestão do Chelsea, atual campeão mundial de futebol, trouxeram à tona o debate quanto à segurança de um modelo de negócio em expansão no Brasil: a transformação de clubes em empresas.

No caso dos Blues, as restrições à Rússia adotadas na Europa levaram o bilionário Roman Abramovich, dono do time inglês desde 2003, a virar alvo de pressão da opinião pública. O resultado foi a decisão do empresário em entregar o comando do Chelsea à fundação de caridade e anunciar que vai vender o clube.

No Brasil, entretanto, problemas como esse são protegidos pela Lei 14.193/2021, que trata da transformação dos times em empresas por meio da criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Especializado no tema e responsável pela transição no clube paulista União São João de Araras, o advogado Jean Cioffi, observa que a legislação resguarda os clubes caso o investidor tenha problemas econômicos.

“A lei prevê a exigência de um conselho de administração e de um conselho fiscal permanentes. Além disso, determina que a SAF tenha uma diretoria profissional e com dedicação exclusiva. Ou seja, a SAF obrigatoriamente deve ser gerida por meio de governança bem organizada e profissional, sem interferências políticas dos clubes e preservando as regras de transparência e responsabilidade corporativa”, explica Cioffi, que é CEO do escritório JRCLaw.

Grandes times brasileiros se transformaram em SAF recentemente, como Botafogo, Vasco e Cruzeiro, este que foi comprado pelo ex-atacante Ronaldo Nazário. Além deles, o Atlético Mineiro, atual campeão brasileiro e da Copa do Brasil, encaminha a venda para este ano como saída para solucionar seu endividamento bilionário.

Cioffi observa que a “pessoa jurídica” da SAF é distinta da dos acionistas, pois é criado um novo CNPJ, e que o clube-empresa precisa criar estruturas internas de administração, o que afasta risco de situações pessoais do investidor afetarem diretamente a gestão do time de futebol. No entanto, o advogado alerta para importância de os contratos serem pensados minuciosamente antes da mudança.


“É importante formalizar instrumentos societários bem elaborados, prevendo regras de proteção, como cláusula de impenhorabilidade das ações, por exemplo”, ressalta.

Além de proteger o clube de problemas pessoais do investidor, a SAF traz mais possibilidades de superar as dificuldades financeiras, já que permite o uso de apenas 20% da nova receita para cobrir as dívidas.

“O modelo atual de gestão, muitas vezes sendo uma associação civil sem fins lucrativos, resultou em vários contratos rompidos e no acúmulo de dívidas feito por presidências anteriores. Com a SAF, os clubes passarão a ser administrados de forma profissional, transparente e auditável”, acredita Cioffi.

Ex-Ponte e Santos, Júnior Moraes chega ao Brasil após escapar da guerra

Com informações da Agência Futebol Interior
Foto: reprodução

Júnior Moraes com a família

O atacante Júnior Moraes, ex-Ponte e Santos, chegou ao Brasil na manhã desta quinta-feira, dia 3, após conseguir deixar a Ucrânia. O jogador, naturalizado ucraniano e que atuava pelo Shakhtar Donetsk, desembarcou no aeroporto de Guarulhos bastante emocionado.

“Não desejo a guerra para ninguém. Estou feliz por estar com minha família, por abraçá-los. Desde o início, foi só nisso que pensei”, disse ele.

Fundamental - Com muitos contatos no país invadido, Moraes foi peça importante na saída dos brasileiros de lá.

“Só pensei em ajudar a tirar o pessoal de lá. Tinha muito bebê, muita criança, todo mundo muito assustado.(…) Eu ficava o tempo todo tentando achar uma solução, uma saída, tentando achar leite para as crianças, fraldas. Para passar à minha família que eu estava bem, eu virava para uma parede, tirava uma foto, dava um sorriso e dizia: “Ó, tá tudo OK”.

O jogador ainda temia a chance de ser convocado pelo governo para defender a Ucrânia na guerra, já que é naturalizado: “Eu não nasci para entrar em zona de confronto de guerra. Eu não sabia se ia sair ou não”.


“Tem mais brasileiros lá, a guerra continua, estou tentando fazer o máximo para tirar as pessoas de lá, tem famílias ucranianas também precisando de ajuda. De fora, é difícil ajudar, é mais o pessoal local que pode dar um suporte pra gente. Como estou no país há quase dez anos, conheço muita gente e estou tentando fazer o máximo para poder ajudar”, finalizou ele.

Fifpro confirma morte de dois jogadores na invasão da Rússia na Ucrânia

Com informações da Agência Estado
Foto: reprodução

Vitalii Sapylo e Dmytro Martynek

As primeiras mortes no futebol causadas pela invasão da Rússia na Ucrânia foram relatadas nesta segunda-feira. Vitalii Sapylo, de 21 anos, e Dmytro Martynek, de 25, foram mortos no conflito enquanto serviam o exército ucraniano. Ambos defendiam equipes das ligas inferiores do país.

A informação foi confirmada, via redes sociais, em um anúncio da Fifpro (Federação Internacional de Futebolistas Profissionais).

“Nossos pensamentos estão com as famílias, amigos e colegas de equipe dos jovens jogadores de futebol ucranianos Vitallii Sapylo (21 anos) e Dmytro Martynenko (25 anos), as duas primeiras derrotas do futebol nesta guerra. Que ambos descansem em paz”, escreveu a entidade.

De acordo com o jornal Sky Sports, Sapylo, que era jogador do Karpaty, foi morto em uma batalha nas redondezas de Kiev.


Atacante do FC Hostomel, Martynenko, foi o melhor jogador e o artilheiro da temporada passada da segunda divisão. Ele e sua mãe acabaram mortos após uma bomba atingir a casa da família. A irmã de sete anos do atleta ficou gravemente ferida. E seu pai sobreviveu ao bombardeio.

Fifa proíbe a Rússia de disputar Eliminatórias e Copa do Mundo

Com informações do GE.com
Foto: divulgação

Sede da Fifa

A Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa) suspendeu a Federação de Futebol da Rússia (RFU). O que significa que o país está proibido de disputar as Eliminatórias para a Copa do Mundo do Qatar e consequentemente do próprio Mundial.

A decisão, que foi tomada em conjunto com a Uefa, envolve todas as seleções russas, incluindo seleções de base, masculinas e femininas, além dos clubes do país. O Spartak Moscou, por exemplo, foi eliminado da Liga Europa. A Rússia pode recorrer da decisão ao TAS (Tribunal Arbitral do Esporte). As sanções podem cair em caso de acordo de paz entre as nações.

A federação de futebol da Rússia se manifestou sobre a exclusão das equipes nacionais e dos clubes das competições internacionais. A entidade "discorda categoricamente" da suspensão. "Acreditamos que essa decisão vai contra as normas e princípios das competições internacionais, assim como contra o espírito do esporte. Ela tem óbvio caráter discriminatório e prejudica um largo número de atleta, técnicos, funcionários, clubes e seleções e, mais importante, milhões de Rússia e torcedores estrangeiros", declarou a RFU.

As medidas foram tomadas pelo Bureau do Conselho da Fifa, instância da entidade que inclui os presidentes das seis confederações continentais de futebol, e pelo Comitê Executivo da Uefa – órgão que toma todas as decisões mais importantes do futebol europeu. A Uefa também anunciou a rescisão do contrato de patrocínio com a empresa estatal russa Gazprom.

A dura medida ocorre no mesmo dia em que o COI (Comitê Olímpico Internacional) recomendou às federações de cada modalidade que excluam atletas de Rússia e Belarus de todas as competições internacionais.


A Rússia disputaria uma partida pela repescagem das Eliminatórias para a Copa no dia 24 de março, contra a Polônia, que se recusava a participar do jogo e enfrentar a Rússia em qualquer circunstância. A mesma posição era compartilhada por República Tcheca e Suécia, que também se enfrentam pelas Eliminatórias num jogo cujo vencedor pegaria quem ganhasse entre Rússia e Polônia.

Atuando no futebol da Letônia, Marquinhos Pedroso teme conflito no leste europeu

Foto: Divulgação/ FK Liepāja

Marquinhos Pedroso em ação pelo FK Liepāja

A tensão entre Rússia e Ucrânia segue deixando o mundo em alerta máximo para um possível confronto armado entre os dois países. Atuando no FK Liepāja, da Letônia, desde o ano passado, o brasileiro Marquinhos Pedroso acompanha de perto as notícias sobre o conflito.

"Estamos todos apreensivos por aqui. As notícias começaram a se intensificar e as movimentações militares também. Agora estamos na Turquia finalizando a pré-temporada, mas na minha cidade, que é um dos caminhos mais próximos para chegar na Ucrânia pelo mar, já tem uns navios ancorados", revelou o lateral.

Aos 28 anos e com passagens pelo futebol turco, americano, romeno, húngaro e búlgaro, Pedroso jamais tinha presenciado algo semelhante.

"Já morei em vários países com muita história importante no cenário mundial, como a Hungria, por exemplo. Esse é o momento mais tenso que estou presenciando. Os jogadores aqui não falam muito sobre isso internamente, mas eu sigo acompanhando tudo com muita atenção", revelou.

Após quase trinta dias de pré-temporada em Antalya, na Turquia, e vários amistosos, o FK Liepāja retorna à Letônia no próximo domingo. A estreia na Liga da Letônia (Virsliga) está marcada para o dia 11 de março, contra o Super Nova, dentro de casa.


"Tivemos um excelente período de preparação e amistosos interessantes, como o dessa semana contra o Astana, que já disputou Champions League. Agora é encerrar a preparação em casa e iniciar bem o campeonato", finalizou.

Ações militares da Rússia contra a Ucrânia começam a refletir no futebol

Foto: Reprodução/BBC

Jogadores brasileiros querem sair de Kiev

A Rússia avançou seu exército sobre a Ucrânia na madrugada desta quinta, dia 24. A movimentação, que já causa estremecimento na geopolítica mundial e faz inclusive surgir temor de uma guerra pan-europeia que possa virar um terceiro conflito mundial, obviamente reflete no futebol do velho continente e de certa forma até fora dele, já que times ucranianos possuem jogadores de todas as partes do planeta. Vários foram os reflexos até agora e eles seguem acontecendo. 

O primeiro enorme reflexo se deu diretamente na definição da sede da final da Liga dos Campeões da Europa. Como esperado, a UEFA já anunciou que a decisão não será mais em São Petersburgo, cidade russa que seria o local da final deste ano. Londres surge como favorita para receber a final, mas concorre com outras, como Instambul e Madrid. Uma reunião definirá essa questão, se não hoje, nos próximos dias.

Outro problema que a UEFA já sabe que terá em suas mãos se refere a classificação para a Copa do Mundo de 2022. Polônia e Suécia, que enfrentariam a Rússia na fase decisiva da repescagem já declararam que não vão entrar em território russo. Os jogos ocorrerão em março. Este problema deve também envolver a FIFA, já que ela organiza todos os trâmites relacionados à Copa do Mundo de 2022. 

Já na Alemanha, outra ação esperada que se confirmou neste dia vem do Schalke 04. O tradicional clube de Gelsenkirchen tem patrocínio da Gazprom, empresa russa que produz gás para obtenção de calor e energia, mas já anunciou que não usará mais a marca da empresa em sua camisa enquanto ocorrer o conflito entre Rússia e Ucrânia. A declaração foi divulgada nas redes sociais do clube.

Por fim, todos os jogadores brasileiros de Shakhtar Donnest e Dinamo de Kiev pediram ajuda ao governo de Jair Bolsonaro para que possam retornar ao Brasil o mais breve possível. O apelo dos jogadores, que estão juntos em um hotel ucraniano, foi divulgado em vídeo em várias redes de televisão. O Itamaraty ainda não declarou oficialmente como será feito este retorno. O campeonato local foi paralisado.


Outros reflexos, como por exemplo especulações sobre a Inglaterra tomar o Chelsea do russo Romam Abrahmovic e outras situações ainda poderão ocorrer neste dia. Os reflexos ainda estarão ocorrendo pelos próximos dias e, é claro, uma guerra continental mudaria totalmente o cenário do futebol mundial e não só europeu. 

Guerra do Futebol - Quando o esporte gerou um conflito armado

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

Em 1969, o futebol gerou um conflito entre Honduras e El Salvador

O futebol é um esporte que muitas vezes salva. O jogo bonito já parou guerras, já gerou trégua de natal no maior conflito da história da humanidade e sempre será um fio de esperança para uma criança em situação ruim, às vezes salvando vidas de famílias e comunidades inteiras. Mas, o esporte também pode ser cruel, seja nas brigas entre torcedores, nas tristes histórias de corrupção ou mesmo gerando guerras. Em 14 de julho de 1969, alguns dias após jogos entre Honduras e El Salvador, se iniciou um conflito entre os países conhecido como a "Guerra do Futebol".

Obviamente, as motivações da guerra não foram necessariamente os resultados dos duelos entre as duas seleções, eles foram apenas um pequeno catalisador. Os dois países viviam tensões econômicas e sociais já há algum tempo. No início da década de 1960, a população salvadorenha aumentou vertiginosamente, deixando o país sem muitas terras para trabalhadores camponeses. As manifestações dessa parcela da população eram frequentemente reprimidas com violência, o que gerou uma fuga em massa de camponeses para Honduras. O que foi bem visto por empresários dos EUA, donos de terras para produção de banana. A população de ambos os lados não tinha grande rivalidade, com ambos os lados próximos em costumes e na língua. Porém, as relações diplomáticas eram péssimas.

Tudo começa a piorar quando Honduras tem um golpe militar em meio à uma crise politica e econômica. Primeiro, em 1962, os hondurenhos aprovam uma lei que só permite a nativos possuirem terras produtivas. Quando o Coronal Osvaldo Arellano assumiu o poder, em um golpe de estado no ano de 1963, aumentam a crise econômica e a corrupção e o governo usa os salvadorenhos como bode expiatório, passando a assassinar e perseguir tal população através de braços armados, aumentando a temperatura na panela de pressão que se formava.

As tensões eclodiram em três partidas sequenciais que definiriam um classificado para a final das eliminatórias da CONCACAF para a Copa do Mundo de 1970. No dia 8 de junho, em Tegucigalpa, vitória hondurenha por 1 a 0. A torcida local não deixou os jogadores visitantes dormirem, se reunindo em frente ao hotel e jogando rojões, pedras, além de muita cantoria, rojões entre outras coisas. O cansaço da Seleção de El Salvador foi nítido e o gol veio só no finalzinho. No outro lado da fronteira, vendo o jogo pela TV e decepcionada, a estudante Amelia Bolaños, de apenas 18 anos, se matou com o revólver de seu pai.

Um dos jogos entre as duas equipes

Na segunda partida, no dia 15, em San Salvador, vitória dos salvadorenhos por 3 a 0. Nesse dia, houve um ódio absurdo aos visitantes, sejam torcedores ou jogadores, com inclusive um ataque ao hotel onde estava a delegação salvadorenha de forma muito mais violenta. Carros de torcedores visitantes foram queimados e um torcedor morto. A tensão era imensa e a torcida além de toda a vaia em cima dos salvadorenhos, fez questão de derrubar a bandeira do país, num jogo que tinha um clima de ódio muito maior que qualquer clássico do futebol

Na partida decisiva e ponto de ebulição do conflito, em 27 de junho, na Cidade do México, outra vitória para El Salvador, por 3 a 2, que definiu a classificação salvadorenha. Nesse dia, a futura sede do mundial fez um enorme esquema de segurança para evitar problemas nesse jogo, que acabou sendo mais pacífico, apesar da emoção do gol decisivo na prorrogação. Porém, os problemas na fronteira entre El Salvador e Honduras já eram não solucionáveis.

Então chegamos ao pós duelos pela classificação ao mundial de 1970. Em 14 de julho, menos de um mês depois do duelo decisivo na capital mexicana, com o rompimento de relações diplomáticas, a guerra acaba declarada. Um resultado claro dos problemas quase diários ocorrido na fronteira entre os dois países. O conflito envolve civis e militares e consegue ser extremamente curto, porém extremamente sangrento. Em quatro dias, tempo necessário para a Organização dos Estados Americanos negociar um cessar-fogo, foram 6 mil mortes, entre civis e militares, outros milhares de feridos e um prejuízo inimaginável em questão socioeconômica. Serviu de consolo para El Salvador a classificação para a Copa do Mundo, diante do Haiti.


Apesar do cessar-fogo quatro dia depois, um tratado de paz entre os dois países só foi assinado em 1980. Os resultados econômicos e sociais do conflito demoraram anos a serem melhorados e os resultados dessa guerra ainda podem ser vistos em ambos os lados. Fica na história o registro de uma vez onde o futebol foi catalisador de um conflito. Em 2019, 50 anos depois da guerra, o confronto entre El Salvador e Honduras na Copa Ouro foi até tranquilo. A surpreendente goleada hondurenha eliminou os rivais da competição, mas nas arquibancadas os torcedores conviviam em paz. Já as relações políticas entre os países seguem estremecidas, ainda que sequer serem próximas das que geraram um dia uma guerra.

O Curioso do Futebol

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