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CBF reconhece Atlético Mineiro como campeão brasileiro de 1937

Com informações da CBF
Foto: arquivo

O time do Galo em 1937

O Atlético Mineiro foi oficialmente reconhecido como campeão brasileiro de 1937. A decisão foi confirmada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em documento assinado nesta sexta-feira (25) pelo presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues.

Conforme resolução da presidência nº 03/2023, a CBF “reconhece o Torneio dos Campeões como o Campeonato Brasileiro de 1937 e, com isso, o Clube Atlético Mineiro – CAM o Campeão Brasileiro daquele ano”.

Foram citados requerimentos feitos por diversos clubes para reconhecimento dos títulos da Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o “Robertão”, dos anos de 1959 a 1970, que deram origem à resolução publicada em 2010.

Como não existia requerimento formalizado pelo Atlético sobre o Torneio dos Campeões de 1937, a análise ficou inviável à época.

Documento da CBF

“Torneio extremamente relevante à época” - A CBF considerou que “o Torneio dos Campeões disputado em 1937, foi sim de um torneio extremamente relevante à época em meio aos debates e divisões geradas no futebol brasileiro em função da defesa da implementação do profissionalismo entre os clubes, abandonado o modelo amador, debate esse que já vinha desde a década de 20”.

Além disso, a entidade destacou o Torneio dos Campeões de 1937 “como o primeiro torneio interestadual e de relevância nacional que contou com a participação de clubes de migraram para o modelo profissional (o campeão Mineiro – Clube Atlético Mineiro – CAM, o campeão do Distrito Federal – Fluminense, o campeão paulista – Portuguesa, o campeão capixaba, Rio Branco e, ainda, o Campeão do Estado do Rio de Janeiro – Alliança e a Liga da Marinha”.


Fifa e Conmebol serão notificadas - Também foram levados em consideração o dossiê apresentado pelo Atlético para pedido de reconhecimento do título e os pareceres jurídicos que reconhecem a possibilidade de acolher o pedido do Galo.

A Fifa e a Conmebol devem ser notificadas da decisão “para devidos fins”. Consta no documento da CBF, ainda, que o reconhecimento não vai provocar mudanças em rankings de clubes mantidos pela entidade, em especial o Ranking Nacional de Clubes (RNC), assim como os rankings mantidos pela Fifa e Conmebol.

A resolução entra em vigor nesta sexta-feira (25), data de publicação.

O Atlético Mineiro "Campeão dos Campeões"

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

O Atlético campeão da Copa dos Campeões

Em 25 de março de 1908, há exatamente 113 anos atrás, era fundado um dos grandes clubes do futebol brasileiro e, porque não, sul-americano, o Atlético Mineiro. O Galo possui orgulho por ter uma das mais fanáticas e fiéis torcidas do Brasil e tem diversos episódios marcantes em sua história. Recentemente, o título da Libertadores em 2013 e, talvez o primeiro grande feito da sua trajetória que entrou até no hino, o "Campeão dos Campeões", quando a equipe ganhou a Copa dos Campeões de 1937.

Aquela competição foi organizada pela antiga Federação Brasileira de Football, a FBF, a competição de caráter nacional, primeira deste tipo entre clubes, envolveu campões estaduais de 1936. Além do Atlético, tivemos o Fluminense, inicialmente grande favorito, a Lusa, campeã paulista de 1936, o Rio Branco, campeão capixaba de 1936, o Aliança, campeão campista de 1936 e a Liga Sportiva Marinha, dirigida por Nicolas Ladanyi.

Atlético e Fluminense foram os grandes rivais, por assim dizer, durante o torneio. Na abertura da competição para os miniros, o Fluzão enfiou 6 a 0 no Galo nas Laranjeiras, se recuperando da derrota para a Lusa na sua primeira partida. Na segunda partida, o Galo empatou por 1 a 1 contra o Rio Branco, no Governador Bley, em Vitória. O gol mineiro foi de Alfredo Bernardino. A primeira vitória veio contra a Lusa, no Estádio de Lourdes, em BH, com quatro gols de Paulista e um gol contra de Dulio. Depois, a revanche contra os Tricolores, num 4 a 1 que só não terminou num placar mais amplo pois os cariocas fugiram de campo.

A vitória que garantiu o título ao Galo veio contra o Rio Branco, jogando em Belo Horizonte. Sem tomar conhecimento dos capixabas, o time mineiro venceu por 5 a 1, terminando a campanha com 4 vitórias, um empate e uma derrota, somando 9 pontos e com isso sagrando-se campeão da competição. Na época, o clube mineiro foi tratado como "campeão brasileiro".


Além de campeão, o Atlético, do treinador Floriano Peixoto também forneceu o artilheiro da competição, o atacante Paulista, com 8 gols. Anos depois, o título da Copa dos Campeões entrou no hino do clube, no trecho "Nós somos Campeões dos Campeões, somos o orgulho nacional". Além disso, em 1971, quando ganhou o Brasileirão, boa parte dos veículos ressaltou que aquele era o segundo título nacional atleticano, o que é um fato.

Tim e a relação com o Botafogo de Ribeirão Preto

Foto: arquivo

A história de Tim no futebol começa no Botafogo de Ribeirão Preto

Elba de Pádua Lima, o Tim, é um dos maiores personagens da história do futebol brasileiro. Nascido em um 20 de fevereiro, no ano de 1916, ele foi o "El Peón" como jogador, passou a ser o "Estrategista" como treinador, mas toda essa caminhada no esporte bretão começou no Botafogo de Ribeirão Preto.

Nascido na cidade de Rifaína, Tim perdeu o pai muito cedo, com apenas sete anos. Isso fez com que ele se mudasse com a mãe para a Vila Tibério, tradicional bairro de Ribeirão Preto. Foi lá que ele descobriu que tinha talento para o futebol. Em 1928, quando tinha apenas 12 anos, após várias peladas nas cercanias de onde morava, foi levado ao Botafogo.

No Pantera, foi ganhando destaque nas equipes de base e em 1934, com apenas 18 anos, foi alçado para a equipe principal. Com seu bom futebol, desbancou o maior craque do time até então, o atacante Piquetote, tornando-se, assim, ídolo da torcida botafoguense.

No ano seguinte, foi vendido para a Portuguesa Santista, pela quantia de quinhentos mil réis, onde sua carreira viria a deslanchar. Com o bom futebol apresentado na Portuguesa Santista, que ficou em terceiro lugar no Paulistão de 1936, Tim alcançou a Seleção Paulista, onde conquistou o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, vencendo o Rio Grande do Sul no Estádio São Januário do Rio de Janeiro 2 a 0, em 2 de agosto.

Em dezembro, chegou à Seleção Brasileira, participando do grupo que foi ao Campeonato Sul-Americano de 1937. Foi nessa competição que ganhou o apelido de El Peón, por "conduzir o time brasileiro como um peão (peón) conduz a sua manada".

Quando retornou ao Brasil, após o Sul-Americano, decidiu ficar perto da família e voltou a defender o Botafogo, mas ficaria apenas pouco mais de quatro meses no time ribeirão-pretano: em abril de 1937, transferiu-se para o Fluminense, quando lhe foram ofertados vinte contos de réis e mais um conto mensal. No Flu, viveria o auge de sua carreira, formando com Romeu Pellicciari "uma das duplas mais famosas do futebol brasileiro". Foi no Flu onde foi convocado para a Copa do Mundo de 1938.

Depois do Fluminense, passou pelo Nacional paulistano, São Paulo e Olaria, onde pela primeira vez teve sua experiência como treinador, acumulando também a função de jogador. Em 1947, ele volta mais uma vez ao Botafogo e continua atuando nas duas frentes, assim como foi no time do Rio de Janeiro.


A decisão de voltar ao Botafogo foi explicada assim ao Diário Popular: "O futebolista no Brasil conta com muita coisa a seu favor, mas tem ainda mais elementos contra. Um deles: a incompreensão do dirigente. Outro: a ingratidão do público. Acho, por isso, que se deve trabalhar para que a situação do 'ás' seja diferente. Ingressando como técnico do Botafogo, tudo farei para levantá-lo e para o bem do futebol de Ribeirão Preto."

Em 1948, ele ainda sairia do Botafogo e foi defender o Atlético Junior Barranquilla, na Liga Pirata Colombiana, onde também acumulou as funções de jogador e treinador. Em 1950, "pendurou as chuteiras e foi de vez para o banco, onde teve carreira de sucesso, conquistando vários títulos, inclusive um Campeonato Argentino pelo San Lorenzo, e ainda levou o Peru para a Copa do Mundo de 1982, na Espanha.

Tim morreu em 1984, de insuficiência hepática seguida de hemorragia gástrica, menos de três anos após a campanha histórica com a Seleção Peruana nas Eliminatórias da Copa de 1982. Mais de cem pessoas compareceram a seu enterro, no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, onde foi enterrado.

83 anos da Ilha do Retiro, a casa do Sport

Com informações do Sport Recife
Foto: Williams Aguiar / Sport

A Ilha do Retiro, o estádio do Sport Recife, está completando 83 anos

Casa de todos os rubro-negros, o Estádio Adelmar da Costa Carvalho, a Ilha do Retiro, completa 83 anos de fundação neste 4 de julho. Um templo em concreto, com alicerces impregnados de “Cazá, Cazá”. E a turma da fuzarca, que atualmente representa uma legião de quase 2 milhões de torcedores, viu nesse palco títulos nacionais, estaduais e regionais. Além do estádio, a Ilha abriga um um complexo para os esportes olímpicos e amadores, qualificando-se como a maior estrutura de um Clube do Norte e Nordeste.

E durante toda essa caminhada, alguns momentos são inesquecíveis. Mostramos abaixo alguns desta gloriosa trajetória. Confira:

Jogo de estreia - Em 4 de julho de 1937, o esquadrão rubro-negro pisava pela primeira vez na Ilha do Retiro, dois anos depois da aquisição do terreno. E o palco da inauguração teve como protagonista um Clássico das Multidões. Sport e Santa Cruz jogaram um amistoso e os leoninos venceram por 6×5, em uma partida com 11 gols, sendo o primeiro deles marcado pelo rubro-negro Arthur Danzi. Uma vitória para começar com o pé direito no seu próprio estádio, antes mesmo de ter o nome que tem atualmente.

O primeiro jogo oficial foi na semana seguinte, no dia 11 de julho. Pelo Campeonato Pernambucano, o Leão empatou com o Tramways por 2×2.

Batismo - Ainda levando apenas “Ilha do Retiro” como nome, o estádio rubro-negro iria homenagear um grande rubro-negro. Durante a segunda reforma que o campo recebeu, durante o ano de 1953, e visando o cinquetenário do Clube, Adelmar da Costa Carvalho foi um dos que mais ajudaram financeiramente a reforma e, por isso, o estádio passou a levar seu nome. Na ocasião, foram contruídos um poço artesiano, campo de treinamento, bilheteria, ampliação de arquibancada e nova instalação de iluminação.

Maior público - O dia em que a Ilha do Retiro mais ferveu foi na final do Campeonato Pernambucano de 1998, que contemplou o maior público da história do Clube. O adversário era o Porto e o Leão venceu o jogo por 2 a 0, sagrando-se tricampeão estadual, com os gols marcados por Irani. Ao todo, 56.875 leoninos fizeram a festa. No mesmo ano, o Leão recebeu o Corinthians sob os olhares de 53.033 torcedores, sendo o segundo maior público.


Recebendo a Copa - A primeira Copa do Mundo no Brasil, em 1950, guarda muitas lembranças para o povo brasileiro até os dias de hoje. Para os rubro-negros, o Mundial traz também uma recordação histórica. No dia 2 de julho, a Ilha do Retiro recebeu o único jogo daquela Copa realizado fora do eixo Sul/Sudeste. O jogo Chile 5×2 Estados Unidos contou com a presença do então presidente da FIFA, Jules Rimet, nas tribunas de honra.

O jogo foi trazido para a Ilha graças a um esforço do Sport, em parceria com Prefeitura do Recife, Governo do Estado e Federação Pernambucana de Desportos, que organizaram com perfeição o duelo entre Flamengo e Fluminense na casa do Leão, em 1947. O clássico carioca em solo pernambucano deu ainda mais respaldo para que a Ilha do Retiro fosse palco de uma partida da Copa do Mundo.

Canarinho na Ilha - A Seleção Brasileira já jogou na Ilha por duas vezes! As partidas aconteceram contra a Seleção Pernambucana nos anos de 1956 e 1969, ambas em caráter amistoso. No dia 1º de abril de 1956, ocorreu o primeiro embate, quando o Brasil venceu Pernambuco por 2×0, com casa cheia no Adelmar da Costa Carvalho. Na época, a arquibancada frontal da Ilha ainda estava em construção. A renda da partida foi de Cr$ 601.970, mas o público oficial não foi divulgado – até então só os números da bilheteria eram revelados.

O segundo confronto foi em 13 de julho de 1969, com a Canarinho goleando os pernambucanos por 6×1. A partida contou com o rei Pelé em campo, perto de chegar ao milésimo gol da carreira. O astro foi cercado pela imprensa na ocasião. Além disso, sete paraquedistas da brigada aérea fizeram um pouso no gramado durante o intervalo. O público foi de 26.929 pagantes, com uma renda de Cr$ 282.114.

Estrutura - Com o estádio de capacidade para 29.300 pessoas, a Ilha do Retiro não se resume apenas a seu estádio. Atualmente, o Clube abriga um complexo aquático com piscina de medidas olímpicas para os atletas leoninos. Ginásio de futsal e basquete, quadras de vôlei, tênis e hóquei e salas de taekwondo, judô, futebol e tênis de mesa. Além disso, são três campos auxiliares que atendem os jogadores de futebol de base e futebol feminino, que também são atendidos pelos alojamentos.

No complexo futebolístico, o Clube possui vestiários com aparelhos de academia, fisioterapia e médico. Uma sala de imprensa para dar suporte à mídia local e conceder entrevistas coletivas, além de salas de apoio para a assessoria de imprensa.

Ilha como a "primeira casa" - Atualmente, a Ilha do Retiro tem cerca de 80 atletas hospedados. São dois alojamentos direcionados para os garotos da base e as meninas do futebol feminino profissional. Com alimentação montada pela nutricionista, os atletas fazem suas refeições dentro do próprio Clube e usufruem de toda a infraestrutura oferecida. Essa estrutura de ponta é um diferencial no momento de revelar jogadores e montar equipes fortes. Reativado este ano, o futebol feminino ganhou muitas atletas com as condições oferecidas.

“Aqui é a nossa casa. Trocamos ideias, conversamos, ficamos mais próxima enquanto equipe. A estrutura que o Sport oferece é fora de série e todas as meninas que vão chegando durante o ano ficam impressionadas. A Ilha do Retiro é um grande ponto de união”, disse a atacante Juliana, que está há seis meses no Clube.


É campeão! - Os dois maiores títulos da vitoriosa e centenária história do Sport Club do Recife foram conquistados justamente na temida Ilha do Retiro. A primeira decisão foi pelo Campeonato Brasileiro de 1987, que por conta do imbróglio jurídico só aconteceu no início do ano seguinte. Sport e Guarani disputaram a taça. Após o empate em 1 a 1, em Campinas, o estádio Adelmar da Costa Carvalho recebeu a finalíssima, no dia 7 de fevereiro.

Com gol do zagueiro Marco Antônio, o Leão venceu por 1 a 0 e proporcionou uma festa inesquecível à torcida, que não pensou duas vezes em invadir, em peso, o gramado. Outro dia que não sai da memória dos torcedores foi o 11 de junho de 2008. Data da finalíssima entre Sport x Corinthians, pela Copa do Brasil, quando o Maior do Nordeste conquistou o Brasil pela segunda vez.

Apelidada carinhosamente de “La Bombonilha”, a Ilha foi fundamental na conquista do título, já que em casa o time rubro-negro venceu todos os seus adversários por dois ou mais gols de diferença. Era justamente o que o Sport precisava para ser campeão. Com gols de Carlinhos Bala e Luciano Henrique, o Leão fez 2 a 0 nos paulistas se tornou o primeiro e único do Nordeste a levantar a segunda taça mais importante do país.

Briosa 1936 à 1941 - Disputa de títulos, jogadores de seleção e Beristain

Foto: arquivo

A equipe da Briosa de 1937: o segundo dos três terceiros lugares consecutivos no Paulistão

Fundada em 20 de novembro de 1917, a Portuguesa Santista é um dos clubes mais tradicionais do futebol paulista, sendo, inclusive, fundadora da Federação. Como qualquer clube, a Briosa teve grandes períodos ao longo de sua história e o primeiro deles foi na segunda metade da década de 30, quando o time Rubro Verde passou perto do título paulista, teve jogadores de Seleção Brasileira e contou também com o extraordinário argentino Tomas Beristain.

A Briosa estreou no futebol estadual em 1929, pela Liga Amadora de Futebol (LAF), ainda no período amador e volta à competição em 1935, pela Liga Paulista de Futebol (LPF), a mais forte no momento. Neste ano, a Portuguesa Santista foi a quinta colocada entre as sete participantes e ainda viu o rival Santos ser campeão pela primeira vez e o Hespanha, outro concorrente citadino, ficar em quarto.

Pois em 1936 o cenário muda de figura. O time Rubro Verde reforça a sua equipe e com nomes de jogadores que ficariam famosos no futebol brasileiro, como os de Tim e Argemiro, disputou as primeiras posições com Palestra Itália e Corinthians. Porém, a Briosa viu as duas equipes conquistarem um turno cada e acabou ficando de fora da decisão, com o terceiro posto no geral, com dois pontos a menos que o Timão e quatro do atual Verdão, que acabou sendo campeão em uma melhor de três jogos, com as últimas partidas sendo definidas já em 1937.


Falando em 1937, o belo desempenho da Portuguesa Santista chamou a atenção de todos que acompanhavam futebol e Tim acabou sendo convocado para a Seleção Brasileira que disputou o Sul-Americano, realizado na Argentina. O Brasil não conquistou o título, mas por comandar o meio-de-campo, o jogador Rubro-Verde foi apelidado pelos argentinos de "El Peón". Quando voltou ao país, Tim deixou a Briosa, ficou um tempo em Ribeirão Preto e acabou acertando com o Fluminense.

Mas mesmo com a saída de Tim, a Portuguesa Santista continuou forte para 1937. Trouxe Rato, que era do Corinthians, para o lugar de seu grande craque, mas no primeiro turno daquele Paulistão foi apenas razoável, ficando em quarto, com 11 pontos, atrás do Santos, o terceiro, e distante dos dois primeiros: Palestra Itália e Corinthians. Mas isto foi o suficiente para colocar a equipe no segundo turno, onde avançaram apenas os seis primeiros. A Briosa cresceu na segunda parte da competição e ficou apenas a dois pontos do segundo Palestra e a três do campeão Timão. Mas pasmem: se vencesse o Estudantes, em seu último jogo, que perdeu por 4 a 1, teria sido vice-campeão.


Mais uma vez, o belo desempenho da Briosa no Paulistão levou um jogador à Seleção Brasileira: o médio Argemiro. Com isto, ele acabou sendo um dos 22 jogadores que defenderam o escrete nacional na Copa do Mundo de 1938, realizada na França, atuando na vitória sobre a Tchecoslováquia.

Em 1938, o cenário para a Portuguesa Santista foi muito similar. A equipe fez mais um bom Campeonato Paulista e no final ficou novamente em terceiro, com 13 pontos, um a mais que o quarto Palestra Itália, um a menos que o vice São Paulo e quatro do bi-campeão Corinthians. Sim, naquele momento, era a Briosa que se intrometia entre o trio de ferro paulistano.


Porém, o sucesso da equipe fez com que seus jogadores passassem a ser cobiçados pelos poderosos times de São Paulo e Rio de Janeiro. Argemiro, por exemplo, acabou indo para o Vasco. Com a desmontagem da equipe, a Briosa acabou indo mal no Paulistão de 1939, ficando apenas na nona colocação. Porém, o destino faria com que aquela era fosse fechada com verdadeiros shows dentro dos gramados.

Em 1940, chegava à Portuguesa Santista o argentino Tomas Beristain. A princípio, ele não vinha para a Briosa, já que tinha embarcado em um navio, em Buenos Aires, com destino à Europa, que recebia muitos jogadores argentinos na época. Porém, ao fazer uma escala em Santos, o jogador perguntou onde poderia se exercitar para um portuário e ele indicou a Portuguesa Santista, onde fez um treino, gostou do clube e da cidade e resolveu ficar.


Beristain entrou na Briosa no meio do Paulistão de 1940 e abrilhantava os torcedores com suas jogadas fora de série. Diziam que ele cobrava escanteio e pênaltis com uma chaleira. Naquele primeiro estadual com Beristain, a Portuguesa Santista ficou em quinto. O argentino, que até nas folgas chamava a atenção de todos, ao fazer embaixadinhas mirabolantes na orla da praia, deixou o clube em 1941, voltando para a sua terra natal.

Depois desta fase, a Briosa voltaria a ter grandes brilhos em 1959, quando conquistou a Fita Azul do Futebol Brasileiro, em 1964, quando foi campeã da Divisão de Acesso Paulista, e na primeira metade da década de 2000, onde novamente voltou a se intrometer entre as grandes equipes do estado.

Dr. Silveirinha e a história do Bangu "marqueteiro" em 1937

Por Diely Espíndola
Foto: Arquivo Histórico / Bangu AC

Atletas do Bangu e o escudo que era, na verdade, o logo da fábrica: ideia do Dr. Silveirinha

Nos dias de hoje, no início das temporadas de futebol pelo mundo afora, uma das grandes expectativas dos torcedores paira sobre os patrocínios que seus clubes do coração irão ostentar em suas camisas. Um bom patrocínio significa dinheiro, e quanto mais dinheiro, maiores as chances de montar um time competitivo. Este ciclo já faz parte da cultura do futebol, certo? Mas nem sempre foi assim.

Até a década de 80, a FIFA não permitia que os clubes exibissem nenhuma marca em suas camisas. Mas o que fazer então quando uma empresa propunha investir dinheiro em um clube, em troca de publicidade? Recusar não era uma opção. Assim, os clubes e diretorias passaram a pensar em alternativas para driblar a proibição e garantir a sua fatia de investimentos.

Quando pesquisamos sobre os primeiros clubes a exibirem patrocínios em suas camisas, a história comumente nos fala sobre o Eintracht Braunschweig, clube alemão que chegou a ser campeão da Bundesliga em 1967. Em 1973, numa partida contra o Schalke 04, o clube entrou com sua camisa normal de todas as partidas, mas com uma pequena diferença: não era exibido o escudo do time. Ao invés dele, podíamos ver a logo do licor Jagermaister. Como o clube não exibia a logo como um item extra na camisa, como patrocínios costumam ser, acabou conseguindo driblar a regra da FIFA.


Mas muito antes disso, o Bangu já dava uma aula de marketing, e de maneira genial, abriria as portas do futebol para os patrocínios como conhecemos hoje.

Para entender a história do Bangu como clube, precisamos entender o Bangu como bairro, e como ele está intrinsecamente ligado ao futebol. A Fábrica Bangu, uma das maiores potencias industriais do Rio de Janeiro, empregava muitos funcionários britânicos. Estes foram um dos principais responsáveis pela introdução do futebol no Brasil, pois traziam pra cá o hábito de praticar o esporte que cada vez mais se popularizava na Inglaterra. Assim, nos intervalos laborais, os operários comumente promoviam partidas amadoras.

Em 1904 o Bangu era oficialmente inaugurado como clube de futebol, e a maioria de seus jogadores eram operários da Fábrica Bangu. 

Confira o vídeo do Brisa Esportiva explicando toda a história

Em 1937, o dono da Fábrica, Dr. Silveirinha, passou a ser também o presidente do Bangu Atlético Clube. Decidido a investir no futebol, Dr. Silveirinha construiu o estádio Guilherme da Silveira, o Moça Bonita, até hoje casa do Bangu. Investiu em jogadores, e contratou Zizinho, um dos maiores nomes do futebol na época. Com este time o Bangu excursionou pelo Brasil e pelo mundo, e viveu uma de suas eras de ouro. Mas tudo isso não poderia vir de graça, não é?

Dr. Silveirinha queria estampar a marca da Fábrica Bangu na camisa do clube, mas como driblar a FIFA e passar por cima da proibição? A resposta é simples.

A solução do Bangu foi estampar a logo da Fábrica, de mesmo nome do clube, e somente ela. Quem poderia dizer que era patrocínio e não o nome do próprio clube? 

E assim, o Bangu lançou uma de suas camisas mais famosas e emblemáticas, vestida por uma equipe histórica e que fez do clube, ainda que pequeno, carregado de tradição e gigante em sua história.

♩♪♫♬♭ Nós somos campeões dos Campeões... ♩♪♫♬♭

Por Ismael Pereira

Time do Atlético Mineiro que conquistou o título de 1937: o "Campeão dos Campeões"

O título usado para esta matéria é uma citação do hino do Clube Atlético Mineiro, escrito por Vicente Mota, em 1968, quando na quarta estrofe cita um feito de 1937. Em 3 de fevereiro daquele ano, o Galo conquistava o título da Copa dos Campeões, nome dado à competição.

O torneio foi organizado ela Federação Brasileira de Football (FBF), uma dissidência da  então Confederação Brasileira de Desportos (CBD). Os membros da entidade achavam que o futebol deveria ter uma associação própria e causou dissidências em vários locais brasileiros. Com isto, a FBF organizou, em 1937, uma competição com seus campeões e assim surgia a Copa dos Campeões de 1937.

O torneio tinha como principal meta consagrar um campeão nacional no Brasil por meio dos vencedores estaduais do ano anterior. Então, foram chamadas seis equipes de cinco estados: Fluminense (campeão carioca), Portuguesa (campeã paulista), Atlético Mineiro (campeão mineiro), Rio Branco (campeão capixaba), o Aliança (campeão campista), e a Liga Sportiva da Marinha (equipe convidada).

A taça da conquista

O time do Atlético chegou ao título depois de quatro vitórias, uma derrota e um empate, fazendo 9 pontos. A única derrota foi para o então favorito Fluminense, em uma goleada por 6 a 0 na estreia. Mas, no jogo de volta o Galo vingou, vencendo o campeão carioca por 4 a 1, dando mostras de que surgia ali outro favorito ao título. O Fluminense foi o vice, com 6 pontos, sendo três vitórias e o mesmo número de derrotas.

Campanha completa do título da primeira competição interestadual promovida no Brasil:

13/01 - Fluminense 6 X 0 CAM 
20/01 - Rio Branco (ES) 1 X 1 CAM
24/01 - CAM 5 X 0 Portuguesa
31/01 - CAM 4 X 1 Flu
03/02 - CAM 5 X 1 Rio Branco (ES)
14/02 - Portuguesa 2 X 3 CAM

Com o título, o Atlético Mineiro ficou conhecido como o "Campeão dos Campeões", até porque a Copa dos Campeões foi o primeiro torneio envolvendo clubes de mais de dois estados brasileiros até então (em 1933, houve o primeiro Rio-São Paulo). O mais engraçado é que ainda em 1937, a FBF se incorporaria à CBD, ficando apenas uma entidade regendo o futebol brasileiro. E muitos anos depois é que a CBD se desmembraria, criando uma Confederação para cada modalidade esportiva, o que a FBF sempre defendeu.

Os jornais da época deram grande destaque à conquista atleticana. Os jornais mineiros consideravam o time e BH como o primeiro clube campeão Brasileiro. Tal repercussão chegou aos solos europeus. Treze anos depois, em dezembro de 1950, o jornal francês Le Monde estampava um amistoso e do clube mineiro diante do francais, no Estade de France, denominando-o como Campeão Brasileiro.

Jornal dos Sports destacando o título do Galo

Vale lembrar que o feito de 1937 do Galo não foi até hoje reconhecido pela atual CBF (o Atlético Mineiro nunca reivindicou o título). Os historiadores dizem que não houve continuação do torneio, como os já reconhecidos (a partir de 2010), como Taça Brasil e Roberto Gomes Pedrosa, realizados a partir de 1959 (em um reconhecimento que foi mais político do que estudado, diga-se).

Mas, independentemente de ser oficializado ou não, o feito atleticano de 1937 está marcado na história do clube, com registro na quarta estrofe do hino oficial do galo de BH. Sendo assim, não é atoa que os atleticanos do Brasil e do mundo cantam com orgulho, batendo no peito: "Nós somos Campeões dos Campeões. Somos orgulho do Esporte Nacional", com toda honra e merecimento. É o que diz a história do famoso e centenário Galo de Belo Horizonte.

O Curioso do Futebol

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