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Em 1933, São Paulo da Floresta goleava o Santos no primeiro jogo profissional da história do Brasil

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

As duas equipes perfiladas 

O dia 12 de março de 1933 foi um marco histórico para o futebol brasileiro. Naquele dia, em um amistoso na Vila Belmiro, ocorria o primeiro jogo de futebol totalmente profissional no Brasil, que até então tinha torneios essencialmente amadores. O duelo ocorreu na Vila Belmiro e terminou com uma goleada do São Paulo da Floresta, precursor do São Paulo atual, sobre o Santos por 5 a 1, num jogo que também começou o apelido de "Peixe" do time da Vila, já que foi quando os torcedores do tricolor chamaram os santistas de Peixeiros.

A história do profissionalismo no futebol brasileiro é cheia de idas, vindas e diversos fatos. Em 1933, quando ocorreu esse duelo, já aconteciam cisões entre times que queriam ser profissionais e outros que queriam se mantar no amadorismo. Nessa época ocorreu em São Paulo a cisão da Associação Paulista de Esportes Atléticos, muito graças as tentativas da CBD de evitar o profissionalismo no futebol.

O amistoso na Vila Belmiro foi uma prévia de um Campeonato que já seria profissional no ano de 1933. O duelo botou em campo um timaço do São Paulo da Floresta, que tinha dentro de suas linhas o cracaço eterno Arthur Friendereich contra um Santos que começava a arquitetar o time que seria campeão dois anos depois. Apenas uma semana antes do duelo, em 5 de março daquele ano, as regulamentações oficiais da APEA determinaram que os times deveriam se formar por, em sua maioria, atletas remunerados e registrados.

No contexto do profissionalismo, inclusive, o São Paulo da Floresta teve enorme papel. Foi um time que surgiu da cisão de atletas insatisfeitos com a recusa do Paulistano e do AA das Palmeiras em adotar o profissionalismo. Acabou sendo o clube embrião do que viria a se tornar o São Paulo Futebol Clube, sendo inclusive considerado pelo Tricolor como sua verdadeira origem. 


O duelo, na Vila, foi um atropelo do time tricolor em cima do Santos. Friendenreich marcou o primeiiro gol profissional da história do futebol brasileiro naquela tarde. Araken Patusca, que inclusive seria destaque do primeiro título santista dois anos depois, fez o segundo antes do fim da primeira etapa. No começo do segundo tempo, Logú fez o gol alvinegro, Waldemar de Brito fez o terceiro e o quarto e Araken fechou a goleada.

Naquele ano, o Paulistão já profissionalizado acabou vencido pelo Palestra Itália, hoje o Palmeiras, sendo o 5º título do Verdão. Foi o início de uma história que culminou na fundação da FPF em 1941 e na grativa adoção do profissionalismo no futebol brasileiro como um todo, sendo a campanha do terceiro lugar na Copa do Mundo de 1938 já ocorrendo numa seleção profissional. 

Os 89 anos do primeiro jogo do futebol profissional brasileiro

Com informações de Santos FC e São Paulo FC
Foto: arquivo

Jogadores de Santos e São Paulo reunidos na foto antes do início do primeiro jogo profissional

Santos e o antigo São Paulo Futebol Clube (extinto em 1935 e que inspirou o atual) tiveram a honra de inaugurar oficialmente o profissionalismo no futebol brasileiro, em 1933. O primeiro jogo dessa nova era ocorreu em 12 de março daquele ano e não podia deixar de ser uma goleada, para ficar bonito na história: 5 X 1 para o Tricolor sobre o Peixe, apelido ganho exatamente neste embate, na Vila Belmiro.

Logu marcou o tento único do Alvinegro Praiano, que sofreu gols de craques consagrados no time adversário como Friedenreich que marcou o primeiro gol no regime profissional seguido por Araken Patusca e Waldemar de Brito com dois gols cada um. Waldemar de Brito anos mais tarde seria conhecido como a pessoa que trouxe o garoto Pelé para a Vila Belmiro.

Nessa partida amistosa os torcedores do time do São Paulo da Floresta, decidiram provocar os torcedores santistas chamando-os pejorativamente de “Peixeiros” só que o termo criado em função do clube ser de uma cidade praiana, acabou sendo incorporado com orgulho pela gente santista e tornou-se o apelido do time Alvinegro e de sua massa torcedora que assumiram o apelido dizendo “Peixeiros, sim com muita honra”. O apelido pegou e até hoje o insuperável Alvinegro é chamado por todos carinhosamente de “Peixe”.

Curiosidade - Ninguém no clube ignora que a baleia é um mamífero, forte, bonito e poderoso como é o Santos FC. Conforme o Estatuto Social do clube, aprovado no dia 12 de março de 2011, 78 anos depois da partida pioneira, na qual os santistas adotaram com orgulho o apelido de “Peixe” ficou decidido no Capítulo 1 art.º 4 que o Santos FC tem como mascote oficial a majestosa Baleia, outro animal aquático. Portanto, ter a alcunha de “Peixe” e como mascote a Baleia enriquece cada vez mais a rica, vitoriosa e centenária história do Alvinegro mais famoso do mundo.

Em 1921, pela primeira vez o Santos FC foi identificado e representado por um peixe, o jornal paulistano Ítalo Paulista, Pasquino Coloniale, apresentava o símbolo em uma charge, o desenho mostrava um representante do Palestra Itália à beira-mar, admirando um peixe que representava o Santos FC.


Nos anos de 1930, um português chamado João Brito, já ilustrava o peixe nas páginas da Gazeta Esportiva, em 1943 esse mesmo desenhista sugeria que o Santos FC adotasse como mascote um marinheiro nas páginas da Gazeta Esportiva Ilustrada. No ano seguinte, o peixe ganhou grande popularidade com as divertidas charges feitas pelo artista plástico de nome Nino Borges.

O desenho da Baleia como símbolo do Santos FC foi feito pelo cartunista Messias de Melo do jornal A Gazeta Esportiva nos anos 50, em Santos quem divulgou a Baleia como símbolo santista foi o cartunista JC Lobo nas páginas do jornal A Tribuna. No entanto a Baleia que é usada pelo clube como mascote na realidade é uma orca.

A criação da Liga Carioca de Football em 1933 e o grande passo rumo ao profissionalismo

Por Ricardo Pilotto


Um encontro entre representantes do Fluminense, Vasco, Bangu e America, em 23 de janeiro de 1933, oficializou a criação da Liga Carioca de Football. O movimento foi liderado por ninguém mais ninguém menos do que Arnaldo Guinle, que havia deixado a presidência do Tricolor dois anos depois, e foi um grande passo para o início a profissionalização do futebol no Brasil.

Antes do surgimento da competição, os clubes pagavam gratificações e vencimentos aos seus respectivos atletas, praticando assim o chamado "amadorismo marrom". Com isso, times do Uruguai, da Argentina e da Europa, que já tinham se profissionalizado na época, contratavam os principais jogadores das agremiações que pertenciam, principalmente, ao eixo Rio-São Paulo.

Foi em 1932, que o profissionalismo no futebol se tornou uma meta para os cartolas cariocas. Pouco tempo depois, o presidente do clube das Laranjeiras Arnaldo Guinle, montou uma comissão às escondidas e começou a estudar para entender como funcionava a regulamentação implantada nos outro países. Logicamente, foi preciso adaptar à realidade do desporto na época, para que fosse publicado no dia 23 de janeiro de 33, o estatuto.

Clubes como Botafogo e Flamengo, deram optaram por continuar no amadorismo. Essa ideia do time alvinegro e da equipe alvinegra foram de encontro com o pensamento da Confederação Brasileira de Desportos, que também era adversa à profissionalização. O reflexo disso veio na Copa de 34, quando a Seleção fracassou por ter levado atletas amadores para disputa o torneio.

A primeira vez que o clube entrou em campo finalmente como profissional foi em um amistoso contra o Corinthians no dia 16 de abril de 1933. A partida realizada no Estádio das Laranjeiras terminou com um empate por 4 a 4.

Já profissionalizado, o Fluminense conseguiu reforçar seu plantel com jogadores de várias regiões diferentes do Brasil, como eram os casos de Romeu, Russo, Tim, Brant e Hércules. Eles fizeram parte de uma época vencedora do clube e foram ídolos tricolores, já que conquistaram cinco títulos em seis anos. 


Vale lembrar que em São Paulo já existia a Associação Paulista de Esportes Atléticos, conhecida popularmente como Apea, e que se profissionalizou em março do daquele ano. Como o calendário da entidade estava ativo, eles orgnaizaram a primeira partida entre duas equipes profissionais, no dia 12 do mesmo mês, com um clássico entre São Paulo e Santos.

Tim e a relação com o Botafogo de Ribeirão Preto

Foto: arquivo

A história de Tim no futebol começa no Botafogo de Ribeirão Preto

Elba de Pádua Lima, o Tim, é um dos maiores personagens da história do futebol brasileiro. Nascido em um 20 de fevereiro, no ano de 1916, ele foi o "El Peón" como jogador, passou a ser o "Estrategista" como treinador, mas toda essa caminhada no esporte bretão começou no Botafogo de Ribeirão Preto.

Nascido na cidade de Rifaína, Tim perdeu o pai muito cedo, com apenas sete anos. Isso fez com que ele se mudasse com a mãe para a Vila Tibério, tradicional bairro de Ribeirão Preto. Foi lá que ele descobriu que tinha talento para o futebol. Em 1928, quando tinha apenas 12 anos, após várias peladas nas cercanias de onde morava, foi levado ao Botafogo.

No Pantera, foi ganhando destaque nas equipes de base e em 1934, com apenas 18 anos, foi alçado para a equipe principal. Com seu bom futebol, desbancou o maior craque do time até então, o atacante Piquetote, tornando-se, assim, ídolo da torcida botafoguense.

No ano seguinte, foi vendido para a Portuguesa Santista, pela quantia de quinhentos mil réis, onde sua carreira viria a deslanchar. Com o bom futebol apresentado na Portuguesa Santista, que ficou em terceiro lugar no Paulistão de 1936, Tim alcançou a Seleção Paulista, onde conquistou o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, vencendo o Rio Grande do Sul no Estádio São Januário do Rio de Janeiro 2 a 0, em 2 de agosto.

Em dezembro, chegou à Seleção Brasileira, participando do grupo que foi ao Campeonato Sul-Americano de 1937. Foi nessa competição que ganhou o apelido de El Peón, por "conduzir o time brasileiro como um peão (peón) conduz a sua manada".

Quando retornou ao Brasil, após o Sul-Americano, decidiu ficar perto da família e voltou a defender o Botafogo, mas ficaria apenas pouco mais de quatro meses no time ribeirão-pretano: em abril de 1937, transferiu-se para o Fluminense, quando lhe foram ofertados vinte contos de réis e mais um conto mensal. No Flu, viveria o auge de sua carreira, formando com Romeu Pellicciari "uma das duplas mais famosas do futebol brasileiro". Foi no Flu onde foi convocado para a Copa do Mundo de 1938.

Depois do Fluminense, passou pelo Nacional paulistano, São Paulo e Olaria, onde pela primeira vez teve sua experiência como treinador, acumulando também a função de jogador. Em 1947, ele volta mais uma vez ao Botafogo e continua atuando nas duas frentes, assim como foi no time do Rio de Janeiro.


A decisão de voltar ao Botafogo foi explicada assim ao Diário Popular: "O futebolista no Brasil conta com muita coisa a seu favor, mas tem ainda mais elementos contra. Um deles: a incompreensão do dirigente. Outro: a ingratidão do público. Acho, por isso, que se deve trabalhar para que a situação do 'ás' seja diferente. Ingressando como técnico do Botafogo, tudo farei para levantá-lo e para o bem do futebol de Ribeirão Preto."

Em 1948, ele ainda sairia do Botafogo e foi defender o Atlético Junior Barranquilla, na Liga Pirata Colombiana, onde também acumulou as funções de jogador e treinador. Em 1950, "pendurou as chuteiras e foi de vez para o banco, onde teve carreira de sucesso, conquistando vários títulos, inclusive um Campeonato Argentino pelo San Lorenzo, e ainda levou o Peru para a Copa do Mundo de 1982, na Espanha.

Tim morreu em 1984, de insuficiência hepática seguida de hemorragia gástrica, menos de três anos após a campanha histórica com a Seleção Peruana nas Eliminatórias da Copa de 1982. Mais de cem pessoas compareceram a seu enterro, no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, onde foi enterrado.

A passagem de Leônidas pelo Peñarol

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

Leônidas vestindo a camisa do Peñarol

Antes de ganhar seu primeiro título mundial, em 1958, o Brasil já começava a produzir craques de quilate absurdo em suas terras. Antes do time absurdo de 1950, a primeira seleção que encantou o mundo vindo das terras tupiniquins veio em 1938 e nela havia um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro e mundial, o craque Leônidas da Silva, que neste 6 de setembro de 2020 completa-se 107 de seu nascimento. Entre os vários clubes pelo qual o Diamante Negro jogou, ele teve uma passagem simplesmente absurda pelo Peñarol, gigante uruguaio.

Leônidas foi visado pelos uruguaios após seus dois anos ótimos jogando pelo Bonsucesso. Ainda em 1933 ganhou o campeonato brasileiro de seleções sendo destaque do time carioca e vencendo o torneio diante da Seleção Paulista que tinha um tal Friendenreich. Assim acabou sendo contratado pelo time de Montevidéu, para ser o grande craque da equipe.

Na equipe carbonera, o Diamante Negro acabou sendo atrapalhado pelas lesões, que o impediram de mostrar todo o futebol que já havia exibido com seus ainda tenros 20 anos de idade na época. Ainda assim, jogou bem o suficiente para ganhar o apelido de homem de borracha, devido a habilidade absurda que mostrava com a bola no pé e a facilidade assustadora para driblar e fintar adversários de todas as maneiras possíveis.


Acabou por jogar apenas um ano pelo Peñarol, retornando para jogar pelo Vasco da Gama em 1934. No total, segundo dados da Wikipedia, marcou 11 gols em 16 jogos pelos Carboneros. Há uma discordância, já que a brasileira afirma 28 gols em 25 jogos. Infelizmente, por tudo ter ocorrido em tempos onde o futebol estava no máximo se profissionalizando, é difícil encontrar números oficiais. 

Independente disso, mesmo não tendo um super desempenho vestindo aurinegro, Leônidas ficou marcado na história do Peñarol por sua habilidade e inventividade e é um dos grandes nomes a vestir a camisa do clube. A lenda do futebol brasileira deixou esta terra para o plano dos craques eternos no início de 2004, mais precisamente em 24 de janeiro, deixando um imenso legado e histórias de seu grande futebol.

Há 87 anos, Athletico vencia o lendário “Atletiba da Gripe”

Com informações do Athletico Paranaense
Foto: arquivo

Time do Athletico Paranaense de 1933

Uma partida que ficou para sempre marcada na história do Athletico e do futebol paranaense completa 87 anos nesta quinta-feira (21). No dia 21 de maio de 1933, o Furacão venceu o Coritiba por 2 a 1, em um jogo que se tornou lendário e ficou conhecido como o “Athletiba da Gripe”.

O clássico abriria o Campeonato Paranaense de 1933. Mas, dias antes, um surto de gripe acometeu grande parte do elenco athleticano. Alguns dos principais jogadores do Rubro-Negro, como o goleiro Alberto, o zagueiro Zanetti, o meia Falcini e o artilheiro Marreco estavam claramente debilitados.

O Athletico pediu o adiamento da partida, mas o Coritiba não concordou e exigiu o cumprimento da tabela. A diretoria pensou em abrir mão dos pontos, mas os atletas não aceitaram. Mesmo gripados, alguns com febre, entrariam em campo e fariam o que fosse possível.


No gramado do Belfort Duarte, casa do rival, o time athleticano colocou em campo toda a mística da camisa rubro-negra. O Furacão saiu na frente, após Mimi passar pela defesa adversária e tocar para Rosa marcar. O Coritiba empatou logo depois. Mas em uma falta na entrada da área, Marreco soltou uma bomba e colocou o Athletico de novo na frente!

No dia seguinte, todos os jornais destacavam a bravura do time rubro-negro. E, a partir daquele dia, o Athletico ficou conhecido para sempre como o “Time da Raça”.

Coritiba 1×2 Athletico Paranaense

Campeonato Paranaense 1933: Primeira rodada
Data: 21/05/1933
Local: Estádio Belfort Duarte, em Curitiba
Árbitro: Athayde Santos

Coritiba: Esmanhotto; Anjolillo e Pizzatto; Guarany, Ninho e Contim; Laudelino (Cuka), Levoratto, Emílio, Pizzatinho e Érico - Gol: Levoratto

Athletico Paranaense: Alberto; Zanetti e Normando; Canoco, Falcine e Cid; Levorattinho (Naná), Marreco, Rosa, Mimi e Firmino - Gols: Rosa e Marreco

Reportagem no Diário da Tarde sobre a vitória do Furacão no clássico

Palestra Itália campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1933

Com informações do site oficial do Palmeiras
Foto: Arquivo Palmeiras

O grande escrete do Palmeiras, campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1933

Em uma época onde os torneios nacionais não existiam ou, quando foram criados, não atraiam um grande interesse, a grande coqueluche era o Torneio Rio-São Paulo, principalmente entre as décadas de 50 e 60. Porém, a primeira edição da competição foi realizada em 1933 e o Palestra Itália, atual Palmeiras, levantou a taça de campeão.

O final da década de 20 foi apreensiva para o Palestra Italia, pois a geração bicampeã paulista em 1926 e 1927 já não estava presente e, além da aposentadoria de Bianco, o clube acertou as transferências de Heitor (para o Americano-SP), Ministrinho (para a Juventus-ITA) e Serafini (para a Lazio). O lado positivo foi que, a partir destas mudanças, entraram em cena os gols de Romeu Pellicciari e os desarmes de Junqueira. Assim, não demorou muito para o clube voltar à rotina de levantar troféus.

Ostentando o título de campeão estadual de 1932, o Verdão venceu logo no ano seguinte a primeira edição do Torneio Rio-São Paulo, competição marcada por ser a primeira da era do profissionalismo e cujas partidas somavam pontos tanto na competição interestadual quanto nos Campeonatos Paulista e Carioca – ou seja, os embates entre os clubes do mesmo estado valiam pelas duas competições.

O certame foi disputado por 12 equipes, no sistema de pontos corridos e jogos de ida e volta. Além dos confrontos com os paulistas (Corinthians, Portuguesa, Santos, São Bento, São Paulo e Ypiranga), o Palestra teve como adversários cinco cariocas (América, Bangu, Bonsucesso, Fluminense e Vasco).

Algumas das 22 partidas foram históricas, como a vitória por 6 a 0 diante do Bangu, já que foi o primeiro jogo do Estádio Palestra Italia após a sua primeira grande reforma. Porém, o principal embate deste campeonato foi mesmo o Palestra 8 x 0 Corinthians do dia 5 de novembro, com um verdadeiro show dos atacantes Romeu Pellicciari e Gino Imparato, os comandados de Humberto Cabelli marcaram oito vezes sobre o rival, aplicando a maior goleada da história do confronto (Romeu marcou quatro, Imparato três e Gabardo completou).

A conquista veio antecipadamente, no dia 12 de novembro, quando em um jogo contra o São Paulo da Floresta, o Palestra Itália venceu pelo placar de 1 a 0. O time do Parque Antarctica ainda teve que cumprir tabela e na última rodada, dia 10 de dezembro, triunfou frente ao Fluminense por 2 a 1, gols de Gabardo e Dula.

Campanha do Palestra Itália
Jogos: 22 (17 vitórias, 2 empates e 3 derrotas)
Gols marcados: 67
Gols sofridos: 25

Em 1933, Palestra Italia goleava Corinthians por 8 a 0

Por Victor de Andrade

O time do Palestra em 1933 - Em pé: Junqueira, Valponi, Carneira, Tunga e Cambon
Sentados: Avelino, Gabardo, Nascimento, Romeu, Carazo e Imparato

Neste domingo, dia 5 de novembro, o Palmeiras enfrenta o Corinthians, em Itaquera, em jogo que pode encaminhar o futuro das duas equipes no Campeonato Brasileiro em relação ao título da competição. Porém, exatamente 84 anos atrás, o então Palestra Italia aplicava a maior goleada na história do Derby: 8 a 0.

Em 5 de novembro de 1933, o Palestra Italia recebia o Corinthians no Parque Antarctica. Era o início da era profissional no futebol paulista e este confronto já aflorava os ânimos, pois a rivalidade era grande. O Palestra era o atual campeão estadual, com 100% de aproveitamento, no último certame amador.

A partida era válida pela penúltima rodada do Campeonato Paulista e também pelo Rio-São Paulo (o primeiro da história). O Palestra liderava a competição com tranquilidade, enquanto o Corinthians não vivia um grande momento. Ao final do certame, o clube chegaria apenas à 4ª colocação no Paulistão (que, naquela edição, contava com apenas 8 times). e já havia sido goleado pelo antigo São Paulo FC (que era conhecido como o 'da Floresta') e pelo Santos, ambas as partidas por 6 a 0.

Os torcedores do Corinthians não esperavam que aquele prélio que estava por vir deixaria uma mancha eternizada na história do clube, ainda maior que as outras goleadas. Foram os 8 a 0. O Palestra aplicava a maior goleada já vista no clássico até hoje, e o Corinthians sofria a maior derrota de sua história.

Foto do jogo: Palestra dominou na goleada

O grande destaque da partida foi, sem dúvidas, Romeu Pellicciari, que já havia brilhado no Paulistão do ano anterior. Naquele jogo, Romeu teve a oportunidade de balançar as redes do rival nada menos do que quatro vezes – foi o primeiro jogador a assinalar quatro tentos em um único jogo entre Palmeiras e Corinthians.

Outro palestrino que viu sua estrela brilhar foi Gino Imparato, que teve a oportunidade de marcar três vezes no clássico. O futebol já estava no sangue do palestrino. Gino tinha dois irmãos que também brilharam no futebol e que, inclusive, tiveram passagens pelo próprio Palestra Italia antes dele. Seus irmãos Ernesto e Caetano ficaram conhecidos como “Imparato I” e “Imparato II” respectivamente. Logo, Gino, ficou marcado como “Imparato III”.

A partida ficou marcada também pela maneira como Palestra Italia pressionou o rival. As jogadas mais características do embate foram as triangulações de Lara, Gabardo e Avelino, que sempre levavam perigo à defesa corintiana.

A goleada coroou a grande conquista Alviverde, que tornou-se bi-campeão paulista (o primeiro da era profissional e ainda venceria em 1934, tornando-se tri) e também do Torneio Rio-São Paulo. Sem dúvida, uma era vitoriosa do atual Palmeiras.

Manchete do jornal A Gazeta no dia seguinte

Ficha Técnica
PALESTRA ITÁLIA 8 X 0 CORINTHIANS

Data: 5 de novembro de 1933
Local: Estádio Palestra Itália - São Paulo-SP
Árbtiro: Haroldo Dias da Mota (SP)

Gols
Palestra Itália: Romeu Pelliciari, aos 7' do primeiro tempo, 7', 30' e 40' do segundo tempo. Elísio Gabardo, aos 1', Gino Imparato aos 9', 35' e 40' do segundo tempo.

Palestra Italia: Nascimento; Carnera e Junqueira; Tunga, Dula e Tuffy; Avelino, Elísio Gabardo, Romeu Pelliciari, Lara e Gino Imparato - Técnico: Humberto Cabelli

Corinthians: Onça; Rossi e Bazani (Nascimento); Jango, Brancário e Carlos; Carlinhos, Baianinho, Zuza, Chola e Gallet - Técnico: Pedro Mazzulo

Suécia 6 x 2 Estônia - o primeiro jogo de Eliminatórias da Copa do Mundo

O time sueco na Eliminatórias na Copa de 1934

A primeira Copa do Mundo, realizada em 1930 no Uruguai, foi disputada apenas por seleções convidadas. Apesar desta particularidade, o torneio foi considerado um sucesso e a FIFA marcou a edição seguinte para 1934, na Itália.

Para a fase final da competição estavam previstas 16 vagas. Porém, 32 seleções de três continentes (América, Europa e África) se inscreveram para a competição e a FIFA foi obrigada a organizar as primeiras Eliminatórias para o Mundial de futebol.

Ao contrário de como é feito atualmente, onde não há jogo válido pelas Eliminatórias no mesmo ano da Copa do Mundo, a maioria dos jogos do classificatório para o Mundial de 1934 foi realizado no mesmo ano. Porém, algumas partidas aconteceram em 1933.

Os grupos foram formados, na maior parte, pela proximidade dos países. Por exemplo, Portugal e Espanha se enfrentaram no Grupo 2. O Grupo 1 contava com três equipes: Suécia, Estônia e Lituânia, sendo que nenhuma delas estiveram no Uruguai, em 1930. Seria desse grupo o primeiro jogo da história válido pelas Eliminatórias.

Foi o destino que definiu que suecos e estonianos, povos com um histórico de conflitos no passado, se enfrentassem na primeira partida da história das Eliminatórias, no dia 11 de junho de 1933, no Estádio Olímpico de Estocolmo, capital da Suécia.

Partida foi realizada no Estádio Olímpico de Estocolmo

Quando os dois países se enfrentaram em campo pela primeira vez, mais de dois séculos já haviam transcorrido desde que a Suécia perdera o controle da Estônia para o Império Russo. Os estonianos haviam começado no mundo do futebol em 1920 e tido a sua participação mais importante no Torneio Olímpico de 1924, sendo derrotados pelos Estados Unidos na única partida que disputaram. Bernhard Rein era, naquele momento, apenas o segundo treinador de origem estoniana a dirigir a seleção do país.

A Suécia, por sua vez, chegava com maior tradição. Havia participado do Torneio Olímpico de 1908 e organizado o de 1912. Em 1924, tinha ficado com a medalha de bronze. No ano de 1930, começara a participar de competições regionais com outros países escandinavos. Depois de não ser convidada para o Mundial disputado no Uruguai, decidiu disputar as eliminatórias para a Itália 1934.

A história conta que o atacante Knut Kroon foi o autor do primeiro gol das eliminatórias. Por outro lado, vale destacar que aquele tento gerou a primeira contradição estatística do torneio, já que alguns veículos de imprensa da época afirmaram que ele teria sido obra do goleiro e capitão estoniano Evald Tipner.

Independentemente do autor, o gol foi um balde de água fria para a seleção visitante e animou os suecos, que antes dos 15 minutos já venciam por 3 a 0 graças a Lennart Bunke e Bertil Ericsson. Torsten Bunke, irmão de Lennart, anotou o quarto antes do intervalo.

Em um dia de muito calor, gols de Leonhard Kaas e Richard Kuremaa recolocaram os estonianos no jogo. Porém, mais um tento de Bertil e outro de Sven Andersson fecharam o placar de 6 a 2 para alegria dos mais de oito mil espectadores presentes.

Na Copa, a Suécia enfrentou a Argentina

Graças ao triunfo sobre a Estônia, a Suécia precisaria de apenas um empate na Lituânia para garantir um lugar na Itália 1934. A partida foi disputada em 29 de junho na cidade de Kaunas diante de seis mil torcedores, mas o ambiente não afetou os suecos, que venceram por 2 a 0. O resultado, com gols de Knut Hansson, assegurou o primeiro lugar do grupo e a presença na segunda edição da Copa do Mundo da FIFA. Como os dois países já estavam desclassificados, a partida entre Estônia e Lituânia foi cancelada.

No Mundial, a Suécia causou uma das grandes surpresas da primeira fase ao derrotar por 3 a 2 a Argentina, vice-campeã quatro anos antes. Naquele dia, o gol da vitória foi marcado por Kroon, que escreveu o nome em outra página importante da história do futebol sueco. O sonho dos escandinavos acabou nas quartas de final, quando foram derrotados pela Alemanha por 2 a 1.

Ficha Técnica

Suécia 6 x 2 Estônia

11 de junho de 1933 - Estádio Olímpico de Estocolmo

Gols: Knut Kroon (SWE) 7/1ºT, Lennart Bunke (SWE) 10/1ºT’, Bertil Ericsson (SWE) 13/1ºT, Torsten Bunke (SWE) 43/1ºT, Leonhard Kaas (EST) 2/2ºT, Richard Kuremaa (EST) 16/2ºT, Bertil Ericsson (SWE) 25/2ºT, Sven Andersson (SWE, pên) 34/2ºT.

Suécia: Gösta Krusberg, Otto Andersson, Sven Andersson, Walfrid Persson, Harry Johansson, Ernst Andersson, Gunnar Olsson, Torsten Bunke, Bertil Ericsson, Lennart Bunke e Knut Kroon. Técnico: John Petterson.

Estônia: Evald Tipner, Eugen Einman, Artur Neumann Tarmiäe, Otto Reinfeldt Reinlo, Karl-Rudolf Silberg-Sillak, Egon Parbo, Georg Siimenson, Richard Kuremaa, Leonhard Kaas, Heinrich Uukkivi e Friedrich Karm. Técnico: Bernhard Rein.

* Fonte: Fifa.com

Bangu - o primeiro campeão carioca profissional

A equipe campeã de 1933

Em 1933, o Rio de Janeiro teve dois campeonatos de futebol. Um organizado pela Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (Amea), que era ligada à Confederação Brasileira de Desportos (CBD). A entidade defendia que o futebol deveria continuar amador. Nesta competição, disputada por 10 clubes, o campeão foi o Botafogo.

Porém, Bangu, América, Vasco da Gama, Flamengo, Fluminense e Bonsucesso, que naquele ano estavam entre os melhores times da Cidade Maravilhosa, queriam a profissionalização do futebol e montaram a Liga Carioca de Football. Com isto, também organizaram um novo campeonato.

E o Bangu dominou a competição. A campanha do Banguzão foi primorosa. No primeiro turno, cinco jogos, com três vitórias, com um 6 a 2 sobre o rival America, e apenas dois empates. Na segunda parte veio a única derrota no campeonato: 3 a 0 para o Vasco. Porém, nos outros quatro jogos, apenas vitórias. O artilheiro da competição foi o atacante Tião, autor de 13 gols.

Trecho do documentário de 100 anos do
Bangu explicando o que aconteceu em 1933

O título veio na penúltima rodada, no dia 12 de novembro, com incontestáveis 4 a 0 sobre o Fluminense, em pleno estádio das Laranjeiras, com três do artilheiro Tião e Plácido fechando o marcador.

O time de Luiz Vinhaes alinhou com Euclides, Mário e Camarão; Ferro, Santana e Médio; Paulista, Ladislau, Tião, Plácido e Orlandinho. Ladislau da Guia, o “Tijoleiro” e Plácido também estiveram entre os maiores marcadores do campeonato, a grande glória do Alvirrubro e se tornando o primeiro campeão profissional do Rio de Janeiro.

Com informações do genial FutRio.

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