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O Corinthians tricampeão paulista em 1939

Por Emerson Gomes
Foto: Reprodução

Esquadrão que ficou para a história corinthiana

O dia 31 de dezembro de 1939 ficou marcado como um dia histórico para o Corinthians. Nesta data, o Timão conquistou o terceiro título seguido do Campeonato Paulista. No dia 31 de dezembro de 1939, o Alvinegro goleava o Santos por 4 a 1, na Fazendinha, e conquistava o troféu do Campeonato Paulista pela terceira vez seguida, depois de vencer também em 1937 e 1938.

O inicio do campeonato da equipe já foi arrebatador, vencendo o Juventus por 6 a 0. Contra o Palestra Itália (Atual Palmeiras), um empate em 3 a 3, e depois mais três vitórias contra Hespanha (atual Jabaquara), Comercial da Capital, ambos por 4 a 0 e Ypiranga, por 5 a 1. Daí veio a primeira derrota, 2 a 1 para o São Paulo, a primeira derrota do Corinthians no Paulistão em duas temporadas. O revés contra o Tricolor só fez o esquadrão alvinegro ficar ainda mais forte, depois vieram vitórias contra a Lusa, por 2 a 1, empate com o Santos em 0 a 0, e fechando o primeiro turno foram mais duas vitórias: 3 a 2 no SPR e 3 a 1 sobre a Portuguesa Santista.

No segundo turno, só vitórias! O Timão 3 a 0 no Juventus, 1 a 0 no Palestra Itália, 6 a 0 no Hespanha, 5 a 1 na Portuguesa, 4 a 0 no Comercial, 2 a 1 no Ypiranga e 1 a 0 no São Paulo. No dia 31 de dezembro de 1939, o Corinthians bateu o Santos, por 4 a 1 e comemorou o título antecipado.  Os gols corintianos foram marcados por Teleco (duas vezes) e Carlinhos (duas vezes). Com ainda mais dois jogos a cumprir, o conjunto corinthiano bateu o SPR, por 3 a 1, e a Portuguesa Santista, por 4 a 2, fechando a bela campanha com 17 vitórias, dois empates e uma derrota, marcando 63 gols e sofrendo apenas 16.


A campanha Corinthiana foi impecável, com 17 vitórias em 20 jogos e apenas 1 derrota, sendo que o Timão tornaria-se Tri Campeão Paulista pela terceira vez em sua história, com duas rodadas de antecedência. Depois, o Corinthians ainda conquistaria mais um tricampeonato paulista em sua história. O time do Parque São Jorge venceu o estadual nos anos de 2017, 2018 e 2019. Aliás, o título alcançado quatro anos atrás foi o último do Timão na competição.

O dia em que Dondinho, pai de Pelé, fez 5 gols de cabeça

Foto: arquivo

Dondinho é o quinto em pé na foto do Yuracán de Itajubá

João Ramos do Nascimento nasceu dia 2 de outubro de 1917, na cidade de Campos Gerais – MG. Ao falarmos seu nome, certamente pouquíssimas pessoas saberão quem é, mas se falarmos que seu apelido era Dondinho, certamente muitos saberão que se trata do pai do maior jogador de futebol de todos os tempos, o Rei Pelé. Mas Dondinho também foi um jogador, inclusive fez algo que seu filho não fez em toda carreira, ou seja, marcou 5 gols de cabeça numa só partida, tanto é que era também chamado de “maleável”, tal era a facilidade que tinha para subir para o cabeceio.

Entregador de leite, alto e forte, ele era a estrela do time de Campos Gerais. Driblava todo time adversário e, depois, fazia gol de cabeça. Os torcedores da época garantem que Dondinho era melhor que Pelé. Até que um dia, em um jogo contra o time de Alfenas, Dondinho e a bola estavam incompatíveis. Dondinho deveria estar doente. O time local perdeu e a torcida ficou furiosa com o jogador. O presidente do clube, o padeiro Alcides, demitiu Dondinho e ele teve que deixar Campos Gerais, por causa da fúria da torcida. Foi para Três Corações, onde entrou no time do Exército e abriu seu coração. Casou e, em outubro de 1940, nasceu Edson, o Pelé. Este é o único caso em que a fúria da torcida gerou um rei.

Eram tempos de amadorismo. Raros eram os jogadores que recebiam alguns trocados para jogar. Os principais atletas do interior mineiro pipocavam de clube em clube. Defendiam uma camisa, mas eram chamados para vestir outras e iam sem problemas, por mais que houvesse rivalidade local, geralmente para disputar um ou outro jogo e depois voltar à equipe de sua cidade.

Dondinho era o maior astro. Recebia convites o tempo todo. E abria exceções em seu coração, cujo maior afeto era dividido entre o Atlético de Três Corações e o Vasco de São Lourenço. Um assédio comum era do Yuracan, de Itajubá. Na cidade, ainda hoje com menos de 100 mil habitantes, raros eram os eventos que interessavam mais do que o clássico contra o Smart. Pois em 1939 Dondinho foi chamado para disputar a grande partida local.

Na época, ele já se banhava na fama de goleador, especialmente de cabeça. Os adversários bem sabiam quão perigoso ele era. Mas não adiantou. Mal começou o jogo, ele já fez o primeiro com a testa. E depois mais um. E outro. E outro mais. E um último. Cinco gols, todos de cabeça. Dondinho assombrava. E o jogo terminou com a vitória do Yuracan por 6 a 2, com cinco gols de Dondinho e os cinco de cabeça. O próprio Dondinho gostava de se gabar do feito para Pelé. Dizia que o filho tinha feito de tudo, menos cinco gols de cabeça no mesmo jogo.


Há controvérsias sobre o placar da partida. O site oficial do Yuracan diz que foi 6 a 2. No filme "Pelé Eterno", aparece uma manchete de jornal com 6 a 3. Registros da imprensa da época e a passagem da história por gerações mantiveram a lenda viva. O próprio Dondinho gostava de se gabar do feito para Pelé. Dizia que o filho tinha feito de tudo, menos cinco gols de cabeça no mesmo jogo. O camisa 10 adotou a história. Gostava de manusear uma revista com a descrição do feito.

As reportagens que Dondinho mostrava a Pelé, a foto resgatada na cidade, a história passada de boca a boca por sete décadas, tudo isso dá respaldo a um episódio que não tem registro oficial, mas que entrou no imaginário do futebol. E com concorrência. Em Três Corações, onde Pelé nasceu, também se fala que Dondinho marcou cinco gols de cabeça. Mas com outra camisa, em outro jogo, contra outro adversário. Mas isto fica para uma outra história

Briosa 1936 à 1941 - Disputa de títulos, jogadores de seleção e Beristain

Foto: arquivo

A equipe da Briosa de 1937: o segundo dos três terceiros lugares consecutivos no Paulistão

Fundada em 20 de novembro de 1917, a Portuguesa Santista é um dos clubes mais tradicionais do futebol paulista, sendo, inclusive, fundadora da Federação. Como qualquer clube, a Briosa teve grandes períodos ao longo de sua história e o primeiro deles foi na segunda metade da década de 30, quando o time Rubro Verde passou perto do título paulista, teve jogadores de Seleção Brasileira e contou também com o extraordinário argentino Tomas Beristain.

A Briosa estreou no futebol estadual em 1929, pela Liga Amadora de Futebol (LAF), ainda no período amador e volta à competição em 1935, pela Liga Paulista de Futebol (LPF), a mais forte no momento. Neste ano, a Portuguesa Santista foi a quinta colocada entre as sete participantes e ainda viu o rival Santos ser campeão pela primeira vez e o Hespanha, outro concorrente citadino, ficar em quarto.

Pois em 1936 o cenário muda de figura. O time Rubro Verde reforça a sua equipe e com nomes de jogadores que ficariam famosos no futebol brasileiro, como os de Tim e Argemiro, disputou as primeiras posições com Palestra Itália e Corinthians. Porém, a Briosa viu as duas equipes conquistarem um turno cada e acabou ficando de fora da decisão, com o terceiro posto no geral, com dois pontos a menos que o Timão e quatro do atual Verdão, que acabou sendo campeão em uma melhor de três jogos, com as últimas partidas sendo definidas já em 1937.


Falando em 1937, o belo desempenho da Portuguesa Santista chamou a atenção de todos que acompanhavam futebol e Tim acabou sendo convocado para a Seleção Brasileira que disputou o Sul-Americano, realizado na Argentina. O Brasil não conquistou o título, mas por comandar o meio-de-campo, o jogador Rubro-Verde foi apelidado pelos argentinos de "El Peón". Quando voltou ao país, Tim deixou a Briosa, ficou um tempo em Ribeirão Preto e acabou acertando com o Fluminense.

Mas mesmo com a saída de Tim, a Portuguesa Santista continuou forte para 1937. Trouxe Rato, que era do Corinthians, para o lugar de seu grande craque, mas no primeiro turno daquele Paulistão foi apenas razoável, ficando em quarto, com 11 pontos, atrás do Santos, o terceiro, e distante dos dois primeiros: Palestra Itália e Corinthians. Mas isto foi o suficiente para colocar a equipe no segundo turno, onde avançaram apenas os seis primeiros. A Briosa cresceu na segunda parte da competição e ficou apenas a dois pontos do segundo Palestra e a três do campeão Timão. Mas pasmem: se vencesse o Estudantes, em seu último jogo, que perdeu por 4 a 1, teria sido vice-campeão.


Mais uma vez, o belo desempenho da Briosa no Paulistão levou um jogador à Seleção Brasileira: o médio Argemiro. Com isto, ele acabou sendo um dos 22 jogadores que defenderam o escrete nacional na Copa do Mundo de 1938, realizada na França, atuando na vitória sobre a Tchecoslováquia.

Em 1938, o cenário para a Portuguesa Santista foi muito similar. A equipe fez mais um bom Campeonato Paulista e no final ficou novamente em terceiro, com 13 pontos, um a mais que o quarto Palestra Itália, um a menos que o vice São Paulo e quatro do bi-campeão Corinthians. Sim, naquele momento, era a Briosa que se intrometia entre o trio de ferro paulistano.


Porém, o sucesso da equipe fez com que seus jogadores passassem a ser cobiçados pelos poderosos times de São Paulo e Rio de Janeiro. Argemiro, por exemplo, acabou indo para o Vasco. Com a desmontagem da equipe, a Briosa acabou indo mal no Paulistão de 1939, ficando apenas na nona colocação. Porém, o destino faria com que aquela era fosse fechada com verdadeiros shows dentro dos gramados.

Em 1940, chegava à Portuguesa Santista o argentino Tomas Beristain. A princípio, ele não vinha para a Briosa, já que tinha embarcado em um navio, em Buenos Aires, com destino à Europa, que recebia muitos jogadores argentinos na época. Porém, ao fazer uma escala em Santos, o jogador perguntou onde poderia se exercitar para um portuário e ele indicou a Portuguesa Santista, onde fez um treino, gostou do clube e da cidade e resolveu ficar.


Beristain entrou na Briosa no meio do Paulistão de 1940 e abrilhantava os torcedores com suas jogadas fora de série. Diziam que ele cobrava escanteio e pênaltis com uma chaleira. Naquele primeiro estadual com Beristain, a Portuguesa Santista ficou em quinto. O argentino, que até nas folgas chamava a atenção de todos, ao fazer embaixadinhas mirabolantes na orla da praia, deixou o clube em 1941, voltando para a sua terra natal.

Depois desta fase, a Briosa voltaria a ter grandes brilhos em 1959, quando conquistou a Fita Azul do Futebol Brasileiro, em 1964, quando foi campeã da Divisão de Acesso Paulista, e na primeira metade da década de 2000, onde novamente voltou a se intrometer entre as grandes equipes do estado.

O Corinthians tricampeão paulista em 1939

Foto: Arquivo Corinthians

O time corintiano tricampeão paulista em 1939

O Corinthians é o grande detentor de títulos da história do Campeonato Paulista. O Timão tem, em sua sala de troféus, 30 taças de campeão estadual. Apesar de nunca ter conseguido um tetracampeonato, façanha feita apenas pelo Paulistano, na era amadora, o Timão tem quatro tricampeonatos, sendo que o terceiro deles, que foi um recorde que durou muitos anos, foi conquistado em 1939.

O Timão era o grande favorito do certame em 1939, já que havia sido bicampeão, nos anos de 1937 e 1938, de forma invicta no último campeonato. Então, o Corinthians era "o time a ser batido". Os times, principalmente o Palestra Itália, queria desbancar o Alvinegro. Porém, naquela época, o São Paulo, vice em 1938, ainda tentava se firmar, o Santos, campeão em 1935, não estava com uma equipe forte e a Portuguesa Santista, terceira colocada no estadual nos três anos anteriores, já havia perdido a base do time dos anos anteriores.


E a equipe do Parque São Jorge começou o Campeonato com tudo, vencendo o Juventus por 6 a 0. Depois, teve um empate com o Palestra Itália, em 3 a 3, e depois mais três triunfos: Hespanha (atual Jabaquara), Comercial da Capital (ambos por 4 a 0) e Ypiranga, por 5 a 1. Em seguida, um revés: 2 a 1 para o São Paulo, a primeira derrota do Corinthians no Paulistão em duas três temporadas.

O revés contra o Tricolor não abateu o Corinthians. Pelo contrário! O Timão venceu a Lusa, por 2 a 1, e empatou com o Santos, em 0 a 0, e depois 'atropelou' todo mundo. O final do primeiro turno foram com mais duas vitórias: 3 a 2 no SPR e  3 a 1 sobre a Portuguesa Santista.


No segundo turno, o Timão voou! 3 a 0 no Juventus, 1 a 0 no Palestra Itália, 6 a 0 no Hespanha, 5 a 1 na Portuguesa, 4 a 0 no Comercial, 2 a 1 no Ypiranga e 1 a 0 no São Paulo. No dia 30 de dezembro de 1939, o Corinthians bateu o Santos, por 4 a 1, e comemorou o título antecipado. Ainda teve mais dois jogos e o Timão não decepcionou, batendo o SPR, por 3 a 1, e a Portuguesa Santista, por 4 a 2, fechando a bela campanha com 17 vitórias, dois empates e uma derrota, marcando 63 gols e sofrendo apenas 16.

O Corinthians já havia tido duas trincas, em 1922/1923/1924 e 1928/1929/1930. O terceiro tricampeonato, em 1939, fez o Timão ter um recorde no futebol paulista que só foi igualado pelo Santos em 2012 (tricampeão em 1960/1961/1962, 1967/1968/1969 e 2010/2011/2012). Porém, em 2019, o Timão passou a ser novamente o recordista isolado quando o assunto é tricampeonato, vencendo nos anos de 2017/2018/2019.

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