Dr. Silveirinha e a história do Bangu "marqueteiro" em 1937

Por Diely Espíndola
Foto: Arquivo Histórico / Bangu AC

Atletas do Bangu e o escudo que era, na verdade, o logo da fábrica: ideia do Dr. Silveirinha

Nos dias de hoje, no início das temporadas de futebol pelo mundo afora, uma das grandes expectativas dos torcedores paira sobre os patrocínios que seus clubes do coração irão ostentar em suas camisas. Um bom patrocínio significa dinheiro, e quanto mais dinheiro, maiores as chances de montar um time competitivo. Este ciclo já faz parte da cultura do futebol, certo? Mas nem sempre foi assim.

Até a década de 80, a FIFA não permitia que os clubes exibissem nenhuma marca em suas camisas. Mas o que fazer então quando uma empresa propunha investir dinheiro em um clube, em troca de publicidade? Recusar não era uma opção. Assim, os clubes e diretorias passaram a pensar em alternativas para driblar a proibição e garantir a sua fatia de investimentos.

Quando pesquisamos sobre os primeiros clubes a exibirem patrocínios em suas camisas, a história comumente nos fala sobre o Eintracht Braunschweig, clube alemão que chegou a ser campeão da Bundesliga em 1967. Em 1973, numa partida contra o Schalke 04, o clube entrou com sua camisa normal de todas as partidas, mas com uma pequena diferença: não era exibido o escudo do time. Ao invés dele, podíamos ver a logo do licor Jagermaister. Como o clube não exibia a logo como um item extra na camisa, como patrocínios costumam ser, acabou conseguindo driblar a regra da FIFA.


Mas muito antes disso, o Bangu já dava uma aula de marketing, e de maneira genial, abriria as portas do futebol para os patrocínios como conhecemos hoje.

Para entender a história do Bangu como clube, precisamos entender o Bangu como bairro, e como ele está intrinsecamente ligado ao futebol. A Fábrica Bangu, uma das maiores potencias industriais do Rio de Janeiro, empregava muitos funcionários britânicos. Estes foram um dos principais responsáveis pela introdução do futebol no Brasil, pois traziam pra cá o hábito de praticar o esporte que cada vez mais se popularizava na Inglaterra. Assim, nos intervalos laborais, os operários comumente promoviam partidas amadoras.

Em 1904 o Bangu era oficialmente inaugurado como clube de futebol, e a maioria de seus jogadores eram operários da Fábrica Bangu. 

Confira o vídeo do Brisa Esportiva explicando toda a história

Em 1937, o dono da Fábrica, Dr. Silveirinha, passou a ser também o presidente do Bangu Atlético Clube. Decidido a investir no futebol, Dr. Silveirinha construiu o estádio Guilherme da Silveira, o Moça Bonita, até hoje casa do Bangu. Investiu em jogadores, e contratou Zizinho, um dos maiores nomes do futebol na época. Com este time o Bangu excursionou pelo Brasil e pelo mundo, e viveu uma de suas eras de ouro. Mas tudo isso não poderia vir de graça, não é?

Dr. Silveirinha queria estampar a marca da Fábrica Bangu na camisa do clube, mas como driblar a FIFA e passar por cima da proibição? A resposta é simples.

A solução do Bangu foi estampar a logo da Fábrica, de mesmo nome do clube, e somente ela. Quem poderia dizer que era patrocínio e não o nome do próprio clube? 

E assim, o Bangu lançou uma de suas camisas mais famosas e emblemáticas, vestida por uma equipe histórica e que fez do clube, ainda que pequeno, carregado de tradição e gigante em sua história.
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