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Rock & Futebol - As bandas preferidas de Jorge Sampaoli

Com informações do site oficial do Santos FC
Foto: Ivan Storti / Santos FC

O novo técnico do Santos FC é um grande fã de bandas de rock da Argentina

Quem conhece bem Jorge Sampaoli sabe que o argentino tem duas características marcantes. A primeira é montar equipes agressivas e que sempre buscam o ataque, coisa que o Santos FC está bastante acostumado, afinal, é o clube mais artilheiro da história do futebol, com 12.510 gols marcados em 106 anos de vida.

Porém, o técnico de 58 anos não chama a atenção só pelo ‘DNA ofensivo’, mas também pelas várias tatuagens espalhadas pelos braços. E a maioria delas são homenagens para bandas de rock da Argentina. Pensando nisso, separamos uma lista com os grupos preferidos do novo comandante do Peixe.

Veja a lista abaixo:

1 – Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota - Conhecida como ‘Los Redondos’, a banda tem um espaço reservado no braço direito do treinador, representado pelo disco Oktubre (1986). Liderada por Indio Solari e Skay Beilinson, é considerado um dos grupos mais influentes no rock argentino.

2 – Callejeros - Se ‘Los Redondos’ está estampado no braço direito, o lado esquerdo ficou reservado para os Callejeros. A banda acabou em 2004 depois de uma tragédia com uso de sinalizadores numa casa de shows que matou 194 pessoas.

3 – Don Osvaldo - Formada com remanescentes da Callejeros, incluindo Pato Fontanet, amigo pessoal de Sampaoli, a banda também está tatuada no braço esquerdo do técnico.

4 – Los Piojos - Quando estava na Seleção Argentina, Sampaoli pediu para pintarem frases de músicas no CT da equipe na Rússia, antes da Copa do Mundo. E a banda Los Piojos foi representada com a frase ‘La tierra está vibrando’ (a terra está vibrando), da música ‘Civilización’.

5 – La Renga - Considerada como uma das melhores bandas de rock argentino de todos os tempos, foi criada em 1988 e segue na ativa até hoje.

Em 1998, o time do Iron Maiden enfrentava o Benfica

Por Lucas Paes 

Steve Harris cumprimenta o goleiro Bento, capitão dos veteranos do Benfica

Na turnê do “Virtual XI”, em 1998, o Iron Maiden usou do futebol como forma de divulgação dos shows e passou a fazer jogos em todas as cidades onde a banda tocava. A decisão de incluir o esporte na temática do disco veio devido a Copa do Mundo de 1998 e na capa do CD há o desenho de um jogo de futebol que parece muito com Brasil x Inglaterra. Neste contexto, no dia 20 de maio de 1998, quando a turnê passava por Portugal, o time do Iron Maiden enfrentou o Benfica, no Estádio da Luz, em Lisboa. 

Uma das maiores bandas de Heavy Metal de toda a história, a “Donzela” tem longa ligação com o esporte bretão. Com o baixista e líder Steve Harris sendo apaixonado por futebol, tendo inclusive jogando na base do West Ham quando jovem e possuindo um adesivo dos Hammers em um de seus baixos, a banda diversas vezes tem lançamentos de produtos relacionados ao esporte, incluindo até mesmo uma linha de camisas de futebol, que pode ser encontrada no site oficial do Maiden. Além disso, o clipe de Holy Smoke, do álbum “No Prayer for the Dying” se passa em parte num campo de futebol. Em 1998, o álbum “Virtual XI”, já citado no primeiro parágrafo, tinha fotos dos membros da banda com camisas esportivas da banda, um produto de sucesso que começou a ser vendido naquela época e dura até hoje. 

O único integrante músico do Iron Maiden a jogar naquela tarde em Lisboa foi Steve Harris, que vestia a camisa 11. O resto do time era formado por ex-jogadores como Ian Bishop e membros do staff da Donzela. O desempenho do time até ali tinha sido bom, já que não havia perdido nenhuma das partidas disputadas. Porém, os times enfrentados até ali eram formados por jornalistas, fãs da banda e convidados, nunca por um verdadeiro time de futebol, mesmo que de veteranos.

Lance da partida entre Maiden e Benfica

Mas em Lisboa não houve chances para o Iron. Com uma equipe de veteranos benfiquistas que tinha nomes como o lendário Eusébio e o brasileiro Mozer, os Encarnados aplicaram sonoros 10 a 1. No primeiro tempo, o placar foi de “apenas” 3 a 0. No segundo tempo a porteira abriu e o time português fez mais sete gols. Entre os gols lusitanos, três foram do brasileiro Mozer, que jogou no ataque. Apesar disso, o momento mais marcante daquela tarde foi o gol do Iron Maiden, marcado num chute da entrada da área de um dos membros do staff da banda. 

O Benfica teve como titulares Bento; Bastos Lopes, Rui Pereira, Hernani, Padinha; Adolfo, Zé Luis, Scheu, Eusébio; Mozer e Chalana, com Nuno, Sanches, Miguel Bento, Teixeira, João Gonçalves e Baião no banco. Já o Maiden alinhou com Jeff Lovel; Jonh Shakeshaft, Ray Freeman, Squelch Wilson, Richie Martin; Geen Wilkie, Ian Bishop, Neil Webb, Mark Abery; Tommy Newton e Steve Harris. No banco ainda figuravam Chris Rowlatt, Graham Lamb e Manu da Silva. 

O público, baixo devido à partida acontecer numa tarde de quarta-feira, foi de quase duas mil pessoas. A renda foi toda revertida para uma instituição que ajudava crianças necessitadas na região de Mandragoa, em Lisboa, capital portuguesa. 

Reportagem da época sobre a partida

A turnê do Virtual XI foi uma das mais fracassadas da história do Iron Maiden, num álbum que já tinha feito um sucesso bastante limitado, sendo o pior da história da banda nas paradas inglesas desde o início. Com as tensões entre o vocalista Blaze Bayley e o resto dos integrantes já num nível altíssimo ao final da tour, as coisas caminharam para a volta de Bruce Dickinson, que acabou acontecendo no ano seguinte. E o Iron Maiden continuou fazendo os seus jogos.

Rock & Futebol - Alexi Lalas, o zagueiro roqueiro

Por Lucas Paes

Alexi Lalas ficou muito conhecido durante a Copa de 1994, nos Estados Unidos

Nascido em 1970, Panayotis Alexander Lalas é um ex-jogador de futebol norte-americano. Zagueiro, ficou conhecido por ser o primeiro jogador do país a jogar no Campeonato Italiano, na época o principal do mundo. O defensor ficou famoso na Copa do Mundo de 1994 pelo seu estilo, já que seus cabelos longos e sua grande barba ruiva o diferenciavam dos demais atletas. 

Em sua carreira como jogador teve alguns sucessos, principalmente pelo Los Angeles Galaxy, onde ganhou inclusive um dos poucos títulos de equipes estadunidenses da Copa dos Campeões da CONCACAF. Apessar de ter sido o primeiro jogador dos EUA jogando a Liga Italiana, não ficou tão famoso vestindo a camisa do Pandova. Na América do Sul, ele passou pelo Emelec, do Equador.

Mas há outro aspecto de Lalas além dos carrinhos e das partidas na MLS, inclusive ainda em sua época de jogador, pois além de seus títulos e jogos, ele também tem talentos musicais. Desde o ensino médio, Lalas fazia parte de uma banda chamada The Gypsies, que abriu diversos concertos nos Estados Unidos, incluindo um show da banda Hootie & The Blowfish, em 1998.

Jogando na Itália, pelo Padova

Além de tocar nos Gypsies, ele também tem cinco álbuns em sua carreira solo, sendo que dois deles foram gravados na época de jogador (Ginger, em 1998 e Far from Close, em 1996). Depois da aposentadoria, ficou um longo tempo sem lançar nada, voltando doze anos depois com So It Goes, em 2010. Após isso, vieram Infinity Spaces, em 2014 e Shots, em 2016. Com os Gypsies, os registros infelizmente são raros, não tendo sobrevivido até os dias atuais.

Musicalmente, Lalas segue uma linha onde flerta com diversos gêneros do Rock, desde o funk misturado ao country como em “One More Time With You” do álbum “Far from Close” ao rock mais clássico em “Pretty Mess” do álbum Ginger e ao acústico em “Walk Away”, também do “Far from close”. Além de se provar um ótimo vocalista, com um bom alcance vocal, as letras dos CDs também são boas e as batidas das músicas empolgam.

Pretty Mess, música do álbum Ginger de Alexi Lalas

No aplicativo de streaming de música Spotify, a música mais escutada de Alexi é “American Outlaw”, do seu álbum mais recente, Shots. Aliás, boa parte das 10 mais populares no aplicativo estão neste CD, a exceção de Crash e Sweet Mercy Ride, ambas do Far From Close. Enquanto no Itunes, a líder é a musica Watch you Go, do Empty Spaces. 

A despeito de seus álbuns, não há registros de concertos ou turnês de Alexi Lalas, que leva a música como um hobby. Apesar da fama como comentarista e jogador, ele não arrastou a fama para a música. Porém, isso não ocorre por falta de talento, suas composições mostram um rock de qualidade e interessante no cenário tão carente atualmente no gênero. Para quem quiser conferir, ficará a dica. Todos os álbuns estão disponíveis no Spotify, exceto Ginger.

Rock & Futebol – Pepinho Macia

Pepinho Macia na época em que dirigia o Sub-20 do Santos FC (foto: assessoria Santos FC)

Depois de alguns meses, a série Rock & Futebol volta em O Curioso do Futebol com, provavelmente, a pessoa que mais se identifica com os dois assuntos juntos: Alexandre Macia, o Pepinho.

Filho de um dos maiores jogadores e treinadores da história do futebol brasileiro, o ponta esquerda Pepe, que fez história no Santos FC e foi bicampeão mundial com a Seleção Brasileira, Pepinho ficou muito conhecido no meio do rock/metal da Baixada Santista e São Paulo ainda na década de 80, pois promovia excursões de Santos para os shows na Capital Paulista, organizou shows, apresentou programa em rádio e teve uma das melhores lojas do estilo de todo o país: a Metal Rock, que ficava no bairro do Gonzaga, em Santos.

Na segunda metade da década de 90, Pepinho tomou um outro rumo: virou treinador de futebol e também teve sucesso. Chegou a ser assistente de seu pai em alguns clubes, com destaque para a campanha da Portuguesa Santista semifinalista do Paulistão 2003, e depois fez belíssimo trabalho dirigindo as equipes de base do Santos FC, com destaque para os títulos da Copa do Brasil de 2013 e Copa São Paulo de 2014, ambos no sub-20.

Tarso (Carnal Desire) e Pepinho, em frente à loja no Gonzaga
(foto: Arquivo Pessoal / Pepinho Macia)

Batemos um papo com este grande cara, que você pode conferir abaixo:

O Curioso do Futebol - Pepinho Macia, primeiramente obrigado por estar nos atendendo. Antes de mais nada, além de você ser filho do Pepe, um dos maiores jogadores da história do futebol, qual foi a sua relação com o esporte na infância e adolescência? Você chegou a jogar nas categorias de base de algum clube?

Pepinho Macia - Olá Victor! Prazer falar com você! Meu contato com o futebol começou praticamente no berço. Quando nasci, meu pai ainda era jogador de alto nível daquele Santos mágico da década de 60. Depois, na década de 70, ele seguiu como Treinador e o futebol sempre esteve incutido na minha vida, infância e adolescência. Eu joguei por cinco anos na base do Santos e um ano na Portuguesa Santista 

OCDF - E a paixão pelo rock. Quando e como começou?

PM - A paixão pelo Rock começou mesmo na adolescência, final dos anos 70, com amigos de rua, sem influências de ninguém da família. Coisa minha mesmo, amor a primeira vista!! 

OCDF - Quando foi que você montou a Metal Rock? De onde veio a ideia?

PM - A Metal Rock Discos foi fundada em 1983, graças ao incentivo de amigos que frequentavam minha casa quase diariamente pra curtir um som. Nessa época, eu já estava cultivando uma bela coleção de discos, que hoje beira os 30 mil itens!

Com o Viper, no inicio da década de 90
(foto: Arquivo Pessoal / Pepinho Macia)

OCDF - E o programa de rádio. Como começou?

PM - O Hard n'Heavy surgiu ainda nos anos 80, na extinta 95 FM. Nessa época pós Rock in Rio I, o Rock/Metal estava em alta e começava a ter espaço nas rádios. Foram cinco anos na 95 FM e mais dois na 98 FM, ambas emissoras da Baixada Santista. A audiência era incrível! Primeiro lugar da Rádio!

OCDF - Além disso, você também promovia shows. Quais bandas você organizou shows?

PM - O final dos anos 80 e início dos 90 foram de muito trabalho! O Rock estava no ápice de popularidade mundial. Nessa época, além da loja, a gente tinha o programa na Rádio, as Excursões para os Shows que rolavam em São Paulo, e que até hoje continuam, o selo que laçou três álbuns e os shows em Santos.

A gente trouxe várias vezes para Santos bandas como Viper, Ratos de Porão, Korzus, Sepultura, Dorsal Atlântica, Angra, Dr. Sin, entre muitos outros. Depois, nos anos 90, vieram os shows gringos e a gente entrou de cabeça nas produções. Trouxemos pra Santos alguns shows incríveis que a gente conta pra galera mais nova e eles ficam boquiabertos ao saber que já tocaram em Santos bandas como Saxon, King Diamond, Mercyful Fate, Gamma Ray, Bioharzard, Exodus, Napalm Death, NOFX, Millencollin, Shelter, Rotting Christ, Madball, entre outros (N.R.: muitos desses com a presença deste entrevistador).

OCDF - Nesta época, mesmo sendo um “profissional do rock”, você acompanhava o futebol? Tinha interesse em trabalhar com o esporte naquela época?

PM - Nessa época nunca deixei de acompanhar a carreira do meu pai como treinador vitorioso que sempre foi e, paralelo a isso tudo, a gente tinha envolvimento com o futebol de várzea de Santos. Tínhamos um time que ganhava tudo! E eu já acumulava a função de jogador e treinador.

Com o pai, em casa (foto: Arquivo Pessoal / Pepinho Macia)

OCDF - Quem o conhece sabe que você tem um ‘olho clínico’ para ver qual jogador tem futuro e quase sempre acerta, mesmo na época em que você se dedicava 100% ao rock. Quando veio a ideia de trabalhar com futebol?

PM - Modéstia à parte, realmente tenho facilidade em apontar jogadores que acabam despontando futuramente, foi assim durante os quase oito anos trabalhando nas categorias de base do Santos. Em 1996, eu fechei a Metal Rock, pois era a época da chegada da internet e o desinteresse pela compra de CDs e LPs era grande. Então, pra não dar murro em ponta de faca, resolvi encerrar as atividades da loja. Nessa época, meu interesse por seguir carreira no futebol havia aumentado muito, já tinha feito alguns cursos de técnico de futebol e meu pai me incentivou a ir por esse caminho. Ele achava que eu levava jeito pra coisa.

OCDF - Antes de chegar ao Santos FC, você passou por quais clubes? Em quais deles você chegou a dirigir a equipe profissional e em quais você foi assistente técnico de seu pai, o Pepe?

PM - Pouca gente sabe, mas quando fui trabalhar no Santos eu já havia trabalhado em 14 equipes! Não era um paraquedista, pois já tinha certa experiência. Meu primeiro clube foi o Independente de Limeira, onde comecei em 1998, como técnico do Sub-17, depois Sub-20 e auxiliar do Profissional. Depois vieram muitos outros: fui técnico do time Profissional do Lemense, Velo Clube, São Vicente, Independente de Limeira, Juventude-MT e Balneário Camboriú. Em outros clubes, atuei como técnico da base ou auxiliar do Profissional, como Paulista de Jundiaí, Ferroviária e Bragantino. Com meu pai, trabalhei em três clubes, todos com muito sucesso. Portuguesa Santista, onde além de tirarmos de um rebaixamento quase inevitável, no ano seguinte fizemos a maior campanha da Briosa em um Paulistão, no Guarani de Campinas, no Brasileirão, e no Al Ahli, do Qatar, onde o nosso principal jogador era o Guardiola, hoje um dos técnicos tops do futebol mundial.

OCDF - Um capítulo à parte. Você foi assistente técnico do Pepe na Portuguesa Santista, assumindo o cargo em 2002, quando o clube lutava contra o rebaixamento. Ainda dirigiu o sub-20 do clube no mesmo ano e fez parte da comissão técnica na bela campanha de 2003. Como foi trabalhar no clube?

PM - Na Portuguesa Santista foi uma coisa de amar o que faz mesmo, de ter carinho pelo Clube. Pegamos a equipe em 2002 em último lugar, há cinco pontos do penúltimo lugar faltando cinco rodadas, onde tudo indicava o rebaixamento, mas conseguimos juntamente com os jogadores e comissão uma reação incrível e a Briosa não caiu. No ano seguinte, montamos o time do zero e conseguimos encaixar uma equipe forte. Quando os grandes abriram os olhos, a gente estava na semifinal jogando por dois empates contra o São Paulo de Kaká e cia. Ganhamos do Santos, que havia acabado de ser Campeão Brasileiro, por 2 a 0 e eles não viram a cor da bola. Foi lindo!

Passando orientações ao volante Lucas Otávio
(foto: Assessoria Santos FC)

OCDF - Quando você chegou ao Santos FC? Quem foi que te levou ao clube e como foi a recepção? Em algum momento você chegou a sentir a pressão por ser filho do Pepe?

PM - No Santos, quem me levou foi o Marcelo Teixeira. Claro que sempre houve desconfiança por ser filho do Pepe, sabia que teria que carregar para sempre essa desconfiança e pressão. Sabia que só quando a oportunidade aparecesse eu poderia apagar essa imagem e a oportunidade veio.

OCDF - Você teve belos momentos no Sub-20 do Santos FC, conquistando a Copa do Brasil de 2013 e a Copa São Paulo de 2014, ganhando todos os jogos. O que você lembra desta etapa?

PM - Sim, foram anos incríveis quando tive a chance de tomar conta do Sub-20 do Santos. Antes, nós já havíamos tido êxito sendo campeões da Copinha de 2013, como auxiliar técnico do Claudinei Oliveira, que de forma brilhante comandou a equipe ao título (antes disso, três títulos de Campeão Paulista já estavam no bolso nas categorias de base). Quando o Claudinei assumiu o comando do Profissional, eu acabei assumindo o Sub-20. Minha estreia foi no Paulistão da Categoria, um Santos 4 a 2 no São Vicente. Foram dois anos e meio no Sub-20 regados de muito êxito! Diversos títulos como a Copa do Brasil, Mundialito da África do Sul, em uma semifinal contra o Boca Juniors e final contra o Benfica, mas o mais incrível foi o título da Copa São Paulo de Juniores de 2014. Foram oito jogos, oito vitórias, 24 gols marcados e apenas dois sofridos! Uma das maiores campanhas da história! E o mais importante de tudo: dezenas de jogadores revelados atuando no time de cima. O Santos chegou a entrar em campo  com dos 18 relacionados, 12 trabalharam com a gente! 

OCDF - Ao final da primeira fase do Paulista Sub-20 de 2015, você saiu do comando técnico da equipe. Houve convites para treinar outras equipes? Há algo em vista?

PM - Em 2015, houve mudanças no gerenciamento da base e total incompatibilidade de ideias e o melhor foi sair, infelizmente. De lá pra cá, bem... prefiro não comentar. Tive algumas conversas, mas nada se concretizou. Recentemente, estive na China por duas semanas a convite do Governo local, mas não acertei nada ainda por não ser uma função que estou acostumado. Quero seguir como técnico de futebol, pois sei que sou bom e já provei isso. Continuo sem clube no momento.

No comando de Pepinho, o Santos FC conquistou a Copa SP de Juniores de 2014

OCDF - Mesmo trabalhando com o futebol, você nunca deixou o rock de lado, inclusive continuando a promover shows e excursões, mesmo que de modo menos intenso que nos anos 80 e 90. Como foi conciliar as duas atividades?

PM - Sim, na época que era auxiliar era mais tranquilo, mas quando assumi o posto de treinador ficou difícil e parei com a produção de shows em Santos. Atualmente voltei com as excursões, pois tenho que pagar minhas contas e nada como fazer algo que você gosta. Quando eu ganhei tudo no Santos, o pessoal achava legal o técnico roqueiro. Depois que a campanha não foi tão boa, diziam que não queria saber de nada, só do Rock. Isso é ridículo! Sempre fui 100% empenhado e concentrado em meu trabalho no Santos e nos outros clubes por onde passei e uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas futebol é assim .

OCDF - O Curioso do Futebol agradece a sua atenção e deixa o espaço para você acrescentar algo.

PM - Queria te agradecer pelo espaço! Grande abraço e aproveitar para parabenizar a Briosa, diretoria e comissão técnica que levaram à Portuguesa ao título e acesso a Série A-3. Valeu!!

Se você quiser conhecer mais o trabalho do Pepinho Macia, há duas páginas no Facebook onde fala da parte de futebol, onde mostra os seus trabalhos e novidades, e do rock, onde anuncia as excursões. Entrem e curtam!

Rock e Futebol - Visitantes e a paixão pelo futebol e o Ramalhão

Capa do CD dos Visitantes

Voltando com a série Rock e Futebol, O Curioso do Futebol entrevistou os Visitantes. Com seu punk rock / HC visceral, a banda formada por Mau, Mari, Gui, Jão e Enrique canta a sua paixão pelo EC Santo André, o Ramalhão, em suas letras. Batemos um papo com o guitarrista e vocalista Mauricio Noznica, o Mau, que contou a história da banda, que está lançando o CD "Louca e Inexplicável Emoção".

Show em Buenos Aires

O Curioso do Futebol: Como surgiu a ideia de criar uma banda com temáticas de futebol?
Mau: Surgiu da nossa própria vivência, principalmente entre eu, a Mari e o Gui, que sempre víamos os jogos do Santo André juntos e fazíamos algumas ações diferentes, como faixas, adesivos e colagens pela cidade. Também tínhamos ainda um projeto chamado Futebol Rompendo Fronteiras, que foi uma série de viagens que fizemos juntos a países da América Latina para ver futebol. Como sempre estivemos ligados à cena punk, era comum a gente ir em shows nesses países e um dia nos perguntamos: "por que não montar uma banda só pra tocar nessas viagens?" O Gui tocava bateria e eu guitarra. Então, sobrou pra Mari aprender o básico para tocar baixo (em menos de 20 dias) e nos acompanhar primeiro em um show/ensaio em Buenos Aires e depois em uma mini tour.

Saudosa Maloca, versão do clássico de Adoniram Barbosa

OC: Quando a banda começou?
M: Consideramos o começo da banda esse primeiro "show/ensaio" em Buenos Aires, em 2013, como disse na pergunta anterior.

OC: Qual é a atual formação da banda? Qual o time de cada um dos membros? A banda já teve trocas na formação?
M: A banda sempre teve como formação quatro torcedores do Santo André: Mau, Mari, Gui e Jão. Recentemente, tivemos a entrada do Enrique, que não tinha uma ligação tão forte com o meio futebolístico, mas que começa a entender o mundo do Ramalhão.

Hino do Ramalhão

OC: Os membros tocam ou já tocaram em outras bandas? Se sim, quais?
M: Eu fiz parte do Tercera Classe e Fora de Jogo; o Gui do PPA, Fora de Jogo e Sweet Subúrbia, onde ainda toca; o Jão esteve no Fora de jogo; o Enrique no Explorados; e no caso da Mari é sua primeira banda.

OC: Como a banda define o seu estilo e quais são as suas influências?
M: A banda faz um rock n'gol, um estilo que ainda possui poucas bandas, mas que fazem a alegria de quem curte futebol e rock n'roll. Nessa linha, as influências para o Visitantes são: Tango 14, Flicts, 88Não, A77aque, Antibanda, Stiff Litle Fingers e Ramones. Além disso, trazemos muitas características de nossas ex-bandas, além dee muita coisa que cada um ouve, que vai de Raul Seixas, e Zé Ramalho a Vela Puerca, Eskorbuto e Bad Religion. Enfim, é muita coisa!

A vibrante 'Aqui é A2'

OC: Os membros da banda costumam a acompanhar seus times na arquibancada?
M: Não só acompanhamos nosso time, como, normalmente, o fazemos juntos. Respondo essas perguntas ainda rouco depois de um Juventus 1 x 1  Santo André, onde estivemos eu, Mari e Gui, mais uma vez juntos!

OC: Pelo que percebi, a banda tem uma espécie de intercâmbio com outros grupos. Quais são eles, de onde são e a temática também é sobre futebol?
M: Os intercâmbios são realizados com bandas e torcedores que se identificam com o nosso jeito de pensar, sempre contra qualquer tipo de pensamento racista, xenófobo, fascista, homofóbico e que, acima de tudo, curta mais viver do que apenas resmungar. Daí já surgiram muitas amizades na América Latina, junto a várias torcidas argentinas, uruguaias, chilenas, além de outras. Também temos contatos na Europa, junto ao pessoal do St Pauli, do Sant Andreu, do Rayo Vallecano, entre outros.

Show na Argentina em 2014

OC: Já fizeram shows? Quais foram os mais legais?
M: Fazemos poucos shows. Somos andreenses demais pra conseguir tocar em qualquer lugar do Brasil que não seja aqui em Santo André (risos). Acabamos tocando na sede da Fúria Andreense (NR: torcida organizada do EC Santo André) sempre que possível e nas viagens que fazemos por outros países.

OC: Quais as músicas preferidas?
M: Ainda temos poucas músicas, as "preferidas" são as cinco primeiras que acabamos de gravar para o disco "Louca e Inexplicável Emoção". São elas: o 'Hino do Santo André', 'Dona Tosca', 'Aqui é A2', 'Ai que Saudades Que Dá' e 'Jogo Fora'.

Clipe de 'Dona Tosca'

OC: Caso queira, fique a vontade para acrescentar alguns assuntos:
M: Agradecemos ao Victor (NR: editor de O Curioso do Futebol) que além de amigo de arquibancada (que fique claro, além de torcedores do Santo André, somos admiradores do futebol como cultura, e possuímos outros projetos paralelos seja o As Mil Camisas ou o Expulsos de Campo) é também um grande "registrador" de histórias do futebol e está aí registrando nossa primeira entrevista.

Os Visitantes têm os seguintes canais de comunicação: através do e-mail punkabc@ig.com.br ou através de sua página no Facebook. Através destas vias, você pode entrar em contato com a banda, conhecer ainda mais o trabalho e também adquirir o CD "Louca e Inexplicável Emoção".

Rock e Futebol - Rod Stewart e seu fanatismo pelo Celtic

Rod Stewart com o agasalho e camisa de seu time do coração

Além de ter inúmeros sucessos em sua carreira, o cantor Rod Stewart não esconde de ninguém que é um grande fã de futebol. Aliás, mais do que isso: Rod Stewart é um torcedor fanático do Celtic, um dos grandes do futebol escocês, e da Seleção da Escócia.

Apesar desse fanatismo, Rod Stewart não é escocês de nascimento. Nascido em Highgate, região de Londres, capital da Inglaterra, em 10 de janeiro de 1945, o cantor é o único filho de Robert e Elsie Stewart nascido na Inglaterra. Porém, não ter nascido na terra do kilt não o impediu de torcer para um dos maiores times da região e também para a seleção local.

O cantor entregando a taça para o capitão do Celtic

Aliás, a relação entre Rod Stewart e o futebol começou cedo. Seu pai e seu avô foram jogadores amadores e a família toda era louca por futebol. Aos 16 anos, Rod chegou a tentar a carreira de jogador no Brentford, mas a paixão pela música falou mais alto, sem que isso o fizesse abandonar completamente o esporte.

Rod Stewart estourou no mundo musical em 1971, com a música Maggie May. Já consagrado, em 1977, o cantor invadiu o gramado do Wembley, após a Escócia vencer a Inglaterra, por 2 a 1, pelo Home British Championship. No entanto, o momento mais inesquecível para o cantor no futebol tem a ver com o Celtic.

Em 1977, Rod Stewart invadiu o gramado do Wembley

“Alguém me perguntou quando eu realmente fiquei fascinado por alguém no futebol. Eu conheci a Rainha e um monte de estrelas do cinema, o que não me abalou completamente. Mas quando me reuni com os Leões de Lisboa, os jogadores do Celtic que venceram a Champions em 1967, isso me comoveu. Fui para o campo com eles antes de um jogo em Parkhead e estava absolutamente sem palavras. Sentar com eles no vestiário foi uma experiência fantástica. Seria ótimo pensar que alguns desses jogadores, que conquistaram tanto, gostavam da minha música. Isso seria fascinante”, contou o astro à revista “Rolling Stone”, sobre a vitória do Celtic por 2 a 1 sobre a Inter de Milão na final da Liga dos Campeões da Europa.

A emoção de Rod Stewart sobre esse jogo é tão grande que ele incluiu o Celtic em uma canção lançada em 1978: “You’re in my Heart”. Obviamente, a música virou um hit no estádio do time escocês.

“You’re Celtic (…) You’re the best team I’ve ever seen”, diz a letra.

Rod Stewart chora após o Celtic vencer o Barcelona

Rod Stewart é figura constante no Celtic Park. Ele acompanhou a lendária vitória do time da casa sobre o poderoso Barcelona, de Messi em 2012. O cantor não conteve as lágrimas no estádio.

Rod Stewart, que foi uma das estrelas do último Rock In Rio, também já deixou uma marca com o seu futebol no Brasil. Na virada do ano de 1994 para 95, o astro fez um show inesquecível na Praia de Copacabana. Principalmente para os donos do Copacacabana Palace. Na ocasião, Rod promoveu um jogo de futebol na sua suíte no hotel, deixando um rastro de destruição. Coisas de astro do rock. E da bola.

* Com informações do blog Na Bola.

Rock e Futebol - Sepultura e o show do Tetra

Max durante o show depois da conquista do Tetra pela Seleção Brasileira

O ano de 1994 foi um dos melhores da carreira do Sepultura, a maior banda brasileira de metal de todos os tempos. Em turnê de divulgação do álbum Chaos A.D., a banda nunca tinha tocado tantas vezes na vida quanto naquele período. Não era o momento do metal. Poucas as bandas do estilo cresceram nos anos 90. Uma delas foi o Sepultura.

No meio de 1994, a agenda da banda estava lotada. O Sepultura tocaria no famoso Monsters Of Rock, no autódromo de Donnington Park, na Inglatera, o mesmo que, um ano antes, Ayrton Senna fez uma das suas melhores provas de sua carreira. Depois, a banda sairia em turnê pelos Estados Unidos junto com Pantera e Bioharzard.

Os shows vinham sendo um sucesso. Três dos maiores nomes da cena metal/punk no palco. Além disso, as três bandas eram amigas. "Saíamos juntos para beber e farrear, era um clima muito legal, parecia férias", contra Paulo Junior. Esse clima descontraído resultou em várias jams e participações especiais: todas as noites, Biohazard e Pantera subiam no palco durante o show do Sepultura para tocar “Kaiowas”. Andréas, por sua vez, tocava “Walk” com o Pantera.

A turnê coincidiu com a Copa do Mundo de Futebol, que era realizada nos Estados Unidos. A final, marcada para o dia 17 de julho no estádio Rose Bowl, em Pasadena, cidade localizada na grande Los Angeles. Tanto que a sede oficial era a famosa cidade californiana.

Andreas sendo 'enfeitado' para o jogo

Por sorte, a turnê do Sepultura marcava para o mesmo dia um show em Laguna Hills, localizada a cerca de 200 km de Los Angeles. Os quatro membros da banda, Andreas Kisser, Paulo Junior, Max e Igor Cavalera, fanáticos por futebol, ficaram afim de ver a partida. Ainda mais depois da confirmação do Brasil na final da Copa.

Como a partida estava marcada para às 12h30 no horário local, os quatro músicos e os roadies da banda não teriam problema em ver a partida, comemorar em caso de vitória do Brasil, viajar 200 km e tocar à noite para os fãs em Irvine. E assim, eles foram para a partida.

Os ingressos foram obtidos através de cambistas, a US$ 350, e amigos, colocaram os músicos bem atrás do gol onde seriam batidos os decisivos pênaltis. Mas, o que poucos sabem e foi revelado no livro "Sepultura: Toda a História", de André Barcinski e Silvio Gomes, é que eles fizeram uma baita festa durante o jogo.

No dia da final entre Brasil e Itália, banda e roadies foram ao estádio Rose Bowl vestindo camisas da seleção brasileira e com os rostos pintados de verde e amarelo e improvisaram um pagode com peças da bateria de Igor. Depois da vitória, foram direto para Laguna Hills, onde seria o concerto na mesma noite.

O Sepultura em 1994: fase áurea

O show foi uma festa: até Phil Anselmo, vocalista do Pantera, entrou na onda e se apresentou vestido de Romário. Eddie, então roadie de Igor, lembra: “Todo mundo estava bêbado, nem me lembro direito do que fizemos. Só sei que entramos várias vezes no meio do show do Pantera com bandeiras do Brasil, foi uma zona inacreditável”. Andréas recorda: “Que dia! Primeiro o jogo, com a adrenalina a mil; depois fomos pro show, todo mundo maluco, bebendo e se abraçando. Foi um dia muito especial”.

Como o futebol não era muito popular nos Estados Unidos na época, mesmo com o mundial sendo realizado no país, algumas pessoas do público ficaram sem entender, mas entraram na onda. A festa foi grane e, até hoje, este é considerado um dos momentos memoráveis da carreira, de acordo com todos os membros do grupo.

Rock e Futebol - Rita Lee, Casão, Sócrates e Wladimir

Sócrates, Rita Lee, Wladimir e Casão: tabelinha entre futebol e rock

Podemos dizer que no ano de 1982 teve início um dos movimentos mais marcantes do futebol brasileiro: a Democracia Corintiana. Em uma época em que o país vivia o período de ditadura militar, falar em democracia por aqui era um risco grande. Por isso, o elenco corintiano da primeira metade da década de 80 marcou época, inclusive participando do movimento Diretas Já, além de algumas atitudes no relacionamento com a diretoria do clube.

Uma das atitudes democrática do Corinthians dos anos 80 foi incentivar a população a votar em 15 de novembro de 1982, a primeira eleição para governadores dos estados em anos. O Timão entrou em campo em alguns jogos com os seguintes dizeres: "Dia 15 Vote". Esta história já foi contada por O Curioso do Futebol.

Mas o que a Democracia Corintiana tem haver com o Rock? Simples: um dos líderes do movimento, Casagrande, roqueiro assumido, batia cartão nos shows em São Paulo das principais bandas e cantores do estilo.

Em novembro, o Ginásio do Ibirapuera seria palco de um grande show da Rita Lee. Corintiana fanática, a cantora, que é conhecida como a Rainha do Rock no Brasil, convidou os jogadores do Timão a irem no show. Casagrande, é claro, não só aceitou o convite, como prometeu: "vou te dar uma camisa autografada".

Parte do documentário sobre a Democracia Corintiana

No dia do show, Casão, Sócrates e Wladimir foram juntos para o concerto. Chegando no Ibirapuera, um olhou pro outro e se tocaram que tinham esquecido a camisa da Rita Lee. A saída, o próprio Casagrande contou em uma participação no programa Arena SporTV.

"Eu tinha falado com a Rita e prometi que ia levar uma camisa número 9. Jogamos à tarde, fomos para casa, chegamos no ginásio do Ibirapuera e eu pergunto para o Magrão (Sócrates): 'Está tudo certo, né? Você trouxe a camisa?' Ele disse que não. Wlad (Wladimir) também não. Então vimos um cara que estava com a namorada vendo o show com a camisa do Corinthians. Fui lá e ele disse: 'Casão, meu ídolo, Magrão, Wladimir, que prazer'. Eu falei: 'Você pode dar a sua camisa? Prometi para a Rita'. Ainda falei para ele: 'pode passar no Parque São Jorge que te dou outra autografada'. Nem sei nem se ele passou depois", disse o Casão.

Os três jogadores foram convidados pela cantora a subirem no palco. Casagrande deu a camisa para Rita Lee e ainda participaram do show. "Aproveitei e convidei a Rita para assistir a final do Campeonato Paulista, no dia 12 de dezembro".

O atacante fez um dos gols da vitória sobre o São Paulo por 3 a 1. "Eu também prometi fazer o Gol Rita Lee. O Osmar Santos estava na Rádio Globo e eu comentei com ele, que faria o Gol Rita Lee. Foi o único gol em que eu coloquei nome, em que eu homenageei alguém".

Casagrande foi o artilheiro do Campeonato Paulista de 1982, com 28 gols. No ano seguinte, o clube seria bicampeão estadual, vencendo novamente o São Paulo na decisão.

Gol Rita Lee com narração de Osmar Santos

Rock e Futebol - A tabelinha entre Silvio Luiz e o Dr. Sin

Dr. Sin

Quem diria que o Hard Rock técnico e virtuoso do Dr. Sin e os bordões do lendário narrador Silvio Luiz dariam jogo. Não é? Pois bem, isto aconteceu na música Futebol, Mulher e Rock'n'Roll, que a banda paulista gravou no disco Insinity, em 1997.

Formado pelos irmãos Andria (baixo e vocal) e Ivan Busic (bateria), além do grande guitarrista Edu Ardanuy, o Dr. Sin surgiu em 1991, após os três músicos terem feito parte da banda de apoio do Supla (é isso mesmo! Tanto que considero o Supla de 1991 como o melhor disco do filho do ex-senador Eduardo Suplicy). Mesmo assim, os três já eram muito conhecidos no cenário Hard'n'Heavy de São Paulo, pois já haviam tocado em bandas como Platina, Cherokee, A Chave do Sol e The Key.

Silvio Luiz

Em 1993, a banda gravou o primeiro disco auto-intitulado. Dois anos depois, gravou Brutal. Para o terceiro disco, Insinity, que estava previsto para ser lançado em 1997, a banda assinou contrato com a gravadora Paradoxx Music, que atirava para todos os lados. O selo lançava vários discos de Dance Music, Sertanejo, Punk, Hardcore, Hard Rock e Heavy Metal e MPB.

E foi por causa da MPB que Dr. Sin e Silvio Luiz se cruzaram. A esposa do narrador é a cantora Marcia, que fez muito sucesso nos anos 60 e 70. Os dois estavam na sede da gravadora quando os membros do Dr. Sin o encontraram, tietaram e surgiu uma ideia: por que não uma música sobre futebol com a participação de Silvio Luiz? O narrador aceitou na hora!

O clip de Futebol, Mulher e Rock'n'Roll

Os três membros do Dr. Sin compuseram então Futebol, Mulher e Rock'n'Roll, que foi a primeira música em português da banda. Com várias alusões ao esporte bretão e frases de duplo sentido, a música se encaixou perfeitamente aos bordões do narrador. No início da música você já escuta o "aperte o seu aí que eu arredondo o meu aqui. Está valendo" e no meio dela ouve-se "papai gostou", "confira comigo no replay" ou "vai mandar o sabugo nela".

A música fez muito sucesso entre 1997 e 1998, devido até a proximidade com a Copa do Mundo. Futebol, Mulher e Rock'n'Roll virou hit das rádios rock em todo o país e também na MTV Brasil, onde o clip era veiculado com frequência. Aliás, o vídeo conta com a participação de um Silvio Luiz de óculos escuros e empunhando uma guitarra, além da atriz Mariana Ximenez, antes da fama.

Clip em homenagem ao Rogerio Ceni

A gravação da música fez com que a banda e Silvio Luiz estreitassem relações. "Inclusive nós ficamos amigos da família dele, da esposa, dos filhos, após esse clipe. E ele sempre foi um ídolo para nós, eu e o Andria passamos a infância vendo jogo somente com a narração dele, jogávamos futebol de botão imitando ele", disse Andria Busic em entrevista ao site Whiplash em 2006.

A relação entre Dr. Sin e futebol não parou por aí. São-paulinos e amigos de Rogerio Ceni, os músicos compuseram uma música em homenagem ao goleiro. Mas a banda, neste ano, anunciou sua turnê de despedida dos palcos, o que vai deixar os fãs órfãos. Porém, a relação com o futebol deste trio nunca será esquecido.

Rock e Futebol - A carreira do CPM 22 e sua relação com o futebol

* Por Lucas Paes

Logo da turnê de 20 anos da banda lembra um escudo de time de futebol

Completando 20 anos de carreira em 2015, o Caixa Postal 1.022 ou, simplesmente, CPM 22 é uma das bandas mais consagradas do cenário do Rock e do Hardcore brasileiro. Expoentes do hardcore melódico e principais responsáveis pelo sucesso do gênero no final dos anos 90 e começo dos 2000 com hits como “Regina Let’s Go”, “Dias Atrás” e “Um minuto para o fim do mundo” a banda possui também uma história ligada ao futebol.

E são várias as ligações, desde as destacáveis participações da banda nos antigos Rockgols da MTV até o fato da música tema do antigo programa Joga 10, reality show que foi transmitido pela Rede Bandeirantes, em parceria com a Nike, ser uma versão modificada de um dos sucessos da banda, a música “Sonhos e Planos” do álbum “Chegou a hora de recomeçar” de 2002.

Badauí e Japinha são corintianos fanáticos

No que se refere ao Rockgol em 7 participações o CPM ficou 6 vezes entre os 4 primeiros, com 2 títulos e 2 vices campeonatos e o baterista da banda, Japinha, é um dos maiores destaques da história da competição e inclusive é o maior artilheiro da história do RockGol com mais de 50 gols em suas participações.

Entre os membros da banda Badauí (vocalista) e Japinha (baterista) são os mais fanáticos, torcedores do Corinthians ambos costumam ir ao estádio quando podem e diversas vezes podem ser vistos com camisas do Timão em diversos eventos, inclusive participaram da banda do Corinthians no programa Altas Horas em 2009, Japinha também chegou a jogar futebol de base, ironicamente, pelo Palmeiras.

Participando do Rockgol

Entre as músicas destaque também para “10 mil vozes” que foi laçada as vésperas da Copa de 2010 e faz diversas menções ao futebol durante a letra inteira e como já citado a “Sonhos e Planos”, no que se refere aos CDs e logotipos, o último logotipo usado na coletânea e na turnê de 20 anos lembra muito um escudo de time de futebol.

Apesar disso a banda nunca aproveitou o futebol em turnês e/ou comercialmente (como foi o caso, por exemplo, do Iron Maiden) porém há dentro dos membros do CPM uma ligação com o esporte bretão que não pode ser ignorada, seja pelo fanatismo de Japinha e Badauí, seja pelo desempenho excelente no rockgol o rock e o futebol se conectam no com 22.

Música 10 mil vozes

Abertura do Joga 10


* Lucas Paes é estudante de jornalismo e guitarrista.

Rock e Futebol - Iron Maiden e o Virtual XI

Em pé: Pearce, Asprilla, Harris, Gascoigne, Bayley e Wright.
Sentados: McBrain, Murray, Vieira, Gers e Overmars. 
Este era o time do Iron Maiden no Virtual XI 

O rock e o futebol muitas vezes se cruzaram. Muitos músicos do estilo são fãs do esporte bretão e, por isso, deixam transparecer essa paixão em seus discos. Um dos casos mais claros está no Virtual XI, o 11º disco de estúdio do Iron Maiden.

Steve Harris, baixista, principal compositor e líder da banda de heavy metal britânica, uma das maiores no estilo, é torcedor do West Ham United e até chegou a jogar nas categorias de base do clube londrino. O músico sempre deixou transparecer seu fanatismo pela sua equipe do coração. Um exemplo disso é que o baixo que ele toca nos shows tem o escudo do West Ham.

Capa do disco

A banda já havia utilizado o futebol no clip de Holy Smoke, música do álbum No Prayer For The Dying (1990), além de alguns jogos de futebol em algumas visitas. Porém, não passou disso. Então, no disco de estúdio 11 (número da camisa que ele gosta de usar), o Virtual XI, lançado em 1998, o baixista resolveu colocar temáticas sobre futebol na arte do álbum. Logo na capa, no canto esquerdo baixo, é possível ver uma ilustração de uma partida entre Brasil e Inglaterra.

Mas é no encarte onde há claras citações de futebol. As fotos dos membros da banda na época, Blaze Bayley (vocalista), Dave Murray, Janick Gers  (guitarristas) e Nicko McBrain (baterista), além do próprio Steve Harris, são com uma camisa de futebol do próprio Iron Maiden. A camisa fez tanto sucesso, que a cada turnê, é lançado um novo modelo.

Detalhe do jogo de futebol na capa

Mas além dos cinco músicos, o time do Iron Maiden ganhou alguns reforços para completar o onze inicial da equipe. Nas fotos do encarte, aparecem Marc Overmars, Ian Wright, Faustino Asprilla, Patrick Vieira, Stuart Pearce e Paul Gascoigne, formando o timaço da 'Donzela de Ferro'.

Apesar de toda essa temática legal sobre futebol, o Virtual XI é um dos discos com menor aceitação pelos fãs da banda. A culpa não foi da modalidade esportiva. Longe disso! Também não foi o caso de o Iron Maiden ter feito um som mais comercial. O problema estava na voz. Isso mesmo!

Os cinco membros da banda com a camisa do time Iron Maiden

Na primeira metade da década de 90, Bruce Dickinson deixou o Iron Maiden para seguir carreira solo. A banda acabou recrutando Blaze Bayley, ex-Wolfsbane. O primeiro disco dele pela 'Donzela', The X-Factor, com uma temática sombria, deixou os fãs em dúvida, dando voto de confiança, perdido após o início da turnê. No segundo disco gravado por Blaze, o Virtual XI, a paciência dos seguidores e críticos da imprensa especializada acabou e o disco recebeu inúmeras avaliações baixas.

A turnê promocional do disco também teve o futebol envolvido. Os músicos se espalharam pelo mundo, falando sobre o novo álbum e, quase sempre, visitavam os times de futebol da cidade. Aqui no Brasil, Dave Murray e Nico McBrain foram ao CT Rei Pelé, do Santos Futebol Clube. Quem gostou disso foi o goleiro Zetti, que aproveitou a deixa para que a dupla de guitarristas autografassem seus discos da banda.

Harris e seu baixo com o escudo do West Ham

Já na turnê de shows, Steve Harris fez questão que em cada país que a banda visitasse, um jogo de futebol fosse organizado. Como citado anteriormente, o Iron Maiden até já promovia estas partidas, mas na Virtual XI tour ela foi intensificada. Os shows passaram pelo Brasil, tendo São Paulo (com este que vos escreve presente) e Curitiba com os concertos principais. O ponto negativo foi o cancelamento do show em Campinas, que seria no Brinco de Ouro da Princesa, devido às fortes chuvas que caíram na cidade no dia.

Gers e Murray visitando o CT do Santos

Com todas as críticas negativas para o disco e a fraca performance de Blaze Bayley nos shows, o futebol não conseguiu segurar o vocalista na banda. Ao final da Virtual XI Tour, o Iron Maiden anunciava a volta de Bruce Dickison ao comando do microfone, além do retorno de Adrian Smith, fazendo com que a banda ficasse com três guitarristas.

O Curioso do Futebol

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