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25 anos da Batalha de Rosário - O Santos campeão da Copa Conmebol de 1998

Com informações do Santos FC
Foto: arquivo

Eduardo Marques e Alessandro tentam levar o Peixe ao ataque

Tiros, pedaços de gesso arremessados, janelas quebradas, ameaças de morte, insegurança, medo. Parece até cenário de guerra, mas foi o que o Santos precisou enfrentar na chegada ao estádio Gigante de Arroyito, em Rosário, para vencer o time da casa, o Rosário Central, e conquistar a edição de 1998 da Copa Conmebol. Foi o primeiro título internacional pós-Era Pelé, que completa 25 anos neste 21 de outubro de 2023.

A conquista do Torneio Rio-São Paulo de 1997 deu ao Santos o direito de disputar, no ano seguinte, a VII Copa Conmebol, competição que reunia algumas forças emergentes do futebol sul-americano.

Há 29 anos sem um título internacional oficial – desde junho de 1969, quando bateu a Internazionale, em Milão, e conquistou a Recopa Mundial –, o Alvinegro Praiano, formado por uma mescla de veteranos e novatos e treinado pelo técnico Émerson Leão, iniciou a disputa eliminatória nas oitavas de final, contra o então pouco conhecido Once Caldas, da Colômbia.

Na Vila Belmiro, em 15 de julho, Narciso e Viola marcaram para dar a vitória ao Santos por 2 a 1. Quatro dias depois, em Palo Grande, Colômbia, Jorginho marcou aos oito minutos, mas o Once Caldas virou para 2 a 1 e a decisão ficou para as penalidades, que o Santos venceu por 3 a 2. Como se sabe, cinco anos depois esse mesmo Once Caldas surpreendeu a vários gigantes sul-americanos, entre eles o Santos, e se tornou campeão da Libertadores derrotando o Boca Juniors na final.

Nas quartas o adversário foi a Liga Deportiva Universitária, de Quito, popularmente conhecida como LDU. Como o Once Caldas, na época a equipe equatoriana não era muito conhecida, mas dez anos depois, em 2008, também seria campeã da Copa Libertadores, batendo o Fluminense na final.

Em Casa Blanca, Quito, os santistas Jorginho e Lúcio marcaram no empate de 2 a 2. Seis dias depois, na Vila Belmiro, com um gol de Claudiomiro e dois de Viola, o Alvinegro venceu a LDU por incontestáveis 3 a 0 e se classificou para a semifinal diante do surpreendente Sampaio Corrêa, do Maranhão, campeão da Copa Norte daquele ano.

Invicto, com três vitórias e um empate, o popular time maranhense já havia eliminado o América de Natal, campeão da Copa Nordeste, e o Deportes Quindio, da Colômbia. Seus inflamados torcedores anteviam a primeira grande conquista internacional do “Tricolor de Aço”.

O otimismo dos maranhenses aumentou quando o time dirigido por Julio Espinoza, mesmo com um jogador expulso, conseguiu empatar o jogo de ida em 0 a 0. Naquela melancólica noite de quarta-feira, 9 de setembro, apenas 2.171 torcedores pagaram ingressos na Vila Belmiro.

Um clima bem diferente esperou pelos santistas no estádio Castelão, em São Luís. Nada menos do que 95.720 pessoas – um recorde ainda não superado no Norte do País – se acotovelaram para testemunhar aquele que, acreditavam, seria o maior momento da história do Sampaio Corrêa.

Nunca se comemorou um gol com tal estrondo no Norte do Brasil como o de Ivan, aos 32 minutos do primeiro tempo. O jogador veio de trás, penetrou na defesa santista e bateu colocado na saída de Zetti. Mas aí o Santos reagiu. Lúcio empatou sete minutos depois e, pouco antes de terminar o primeiro tempo, Argel, de cabeça, desempatou a partida.

Na segunda etapa, Eduardo Marques, aos dois minutos, Adiel, aos 20, e Viola, aos 24 definiram a goleada por 5 a 1 que levou o Santos para a grande final com o Rosário Central, da Argentina, time aguerrido que já tinha sido campeão da Conmebol em 1995, quando empreendeu uma virada realmente espetacular contra o Atlético Mineiro.

No Mineirão, lotado, o Rosário foi goleado por 4 a 0. Para ser campeão teria de, no mínimo, devolver o mesmo placar em seu campo e ainda vencer nas penalidades. Parecia impossível, mas foi isso mesmo que aconteceu. Zonzo, o time brasileiro, dirigido por Procópio Cardoso, não conseguiu impedir uma das maiores reviravoltas do futebol, assistida por 43 mil fanáticos rosarinos.

Garra, catimba, violência… e até futebol - Houve de tudo nos dois jogos finais com o catimbeiro Rosário Central, da Argentina. Na noite de 17 de outubro os 14.175 pagantes na Vila Belmiro viram de tudo: garra, catimba, violência… e até futebol.

Cinco jogadores saíram expulsos, entre eles os santistas Viola e Jean. O técnico Leão também recebeu cartão vermelho do árbitro uruguaio José Luis da Rosa. Mas, só no futebol, o Santos foi melhor e deveria ter goleado, não fossem as muitas chances perdidas.

Claudiomiro marcou aos 28 minutos, de cabeça, aproveitando um escanteio, mas a vantagem santista parou por aí. O lateral-esquerdo Athirson ainda teve a oportunidade de ampliar aos 27 minutos da segunda etapa, mas chutou um pênalti para fora.

Em muitos ficou a impressão de que 1 a 0 tinha sido uma vitória insuficiente para garantir o título no inferno de Rosário. Até porque o Santos estaria desfalcado de Viola, seu maior artilheiro, e do experiente Jean.

Leão escalou o time para a batalha no estádio Gigante Arroytio com Zetti, Anderson, Sandro, Claudiomiro e Athirson; Marcos Bazilio, Elder. Narciso e Eduardo Marques; Fernandes (Baiano) e Alessandro (Adiel).

O técnico Edgardo Bauza montou o Rosário Cnetral com Buljubasich, Marra (Cappelletti), Gerbaudo, Cuberas e Jara; Hugo González (Ezequiel González) Daniele, Rivarola e Gaintán; Flores e Maceraeis (Ruiz).

Prevendo um clima hostil, o Santos levou um batalhão de seguranças para a Argentina. Mesmo assim, quando o ônibus santista se aproximou do estádio – tomado por cerca de 50 mil pessoas, sete mil a mais do que a lotação oficial – os torcedores do Rosário tentaram cercá-lo e foi preciso que a polícia local atirasse várias vezes para o alto para limpar o caminho.

As confusões se sucediam e Leão, que já tinha sido agredido gravemente no rosto na final do ano anterior, em Lanús, também na Argentina, ameaçou não colocar o time em campo. Só depois de um atraso de 40 minutos a partida foi iniciada.


O time local buscou tomar a iniciativa, mas o Santos se defendeu bem e ainda conseguiu um ou outro ataque. Apenas com dois reservas de linha no banco, o Alvinegro não podia ter jogadores machucados, mas também não podia evitar as divididas. Assim seguiu a partida, repleta de lances bruscos e intimidações.

Eduardo Marques perdeu a cabeça e foi expulso. Pouco depois o argentino Daniele também apelou e teve a mesma sorte. O árbitro paraguaio Ubaldo Aquino soube usar a sua experiência para levar o jogo até o final.

O Santos se fechava na defesa quando a partida terminou, sem gols. Inflamado, o goleiro Zetti, escolhido como o melhor jogador da final, conclamava os santistas para comemorar um título que foi, sem dúvida, o mais brigado da história do Peixe. Em todos os sentidos.

Há 30 anos, Botafogo conquistava a Copa Conmebol

Com inforações da Super Rádio Tupi
Foto: arquivo

O título foi o primeiro internacional do Botafogo

30 de setembro é uma data especial para o Botafoguense. O clube completa neste sábado exatos 30 anos da conquista do título da Taça Conmebol em 1993, no Maracanã, contra o Peñarol, do Uruguai. A conquista foi a primeira internacional na história do Botafogo.

Depois de empatar em 1 a 1 na partida de ida no estádio Centenário, em Montevidéu, o Glorioso empatou em 2 a 2, no Maracanã, sagrando-se campeão nos pênaltis por 3 a 1. Eliel e Sinval marcaram para o Alvinegro. Bengoechea e Otero fizeram para os uruguaios no tempo normal.

Em entrevista concedida em abril desse ano ao site “ge”, Mauro Ney Palmeiro, presidente da época do Fogão, afirmou que Gerson canhotinha de ouro ajudou na montagem do elenco para a competição.

"A montagem do elenco, nós pedimos o apoio de uma pessoa que se diz tricolor, mas é muito botafoguense, que é o Gerson Canhotinha de Ouro (risos). Ele nos ajudou muito, foi ver quais os jogadores que poderiam ser aproveitados imediatamente no profissional. O Gerson foi lá, assistiu vários treinos e nos disse que Willian, goleiro, André, Cláudio, Rogério, Clei, André Silva, Moisés, Nelson, Marcelo e Marcos Paulo poderiam ser aproveitados imediatamente no time principal, que dariam conta do recado, e que o Botafogo precisaria de uns quatro ou cinco reforços, que foram trazidos", disse.

E completou. "No caso, o Perivaldo, que veio do Pelotas, e dois jogadores do São Paulo: Eraldo e Eliel. Do Londrina, vieram Carlão e Alécio, e da Portuguesa o Sinval. Assim foi feito o time. Um time modesto, mas um dos mais intensos da história do Botafogo. Não tinha bola perdida para aqueles jogadores", explicou.

A diretoria vai homenagear os campeões em um evento na sede de General Severiano, às 10h, onde será disputado um jogo festivo entre o time de 93 x Master do Botafogo. Os ex-atletas receberão uma medalha comemorativa e uma camisa personalizada. O contato com a torcida será antes da partida com o Goiás quando os ex-jogadores darão uma volta olímpica no Nilton Santos.

"Representou muito na minha vida e na dos jogadores que conquistaram esse título dentro do Maracanã. Ficamos muito contentes com a homenagem que será feita pelo clube em vida. Estou indo para o Rio para desfrutar esse momento", afirmou Sinval.

Além do jogo festivo, haverá também show do grupo Samba 7. A entrada é gratuita para sócios do clube e convidados. Para não-sócios, os ingressos estão sendo vendidos a R$ 15 pelo site Bilheteria Digital.


Relembre a campanha:

Oitavas de final

Botafogo 3 x 1 Bragantino
Bragantino 2 x 3 Botafogo

Quartas de final

Caracas-VEN 0 x 1 Botafogo
Botafogo 3 x 0 Caracas-VEN

Semifinal

Atlético-MG 3 x 1 Botafogo
Botafogo 3 x 0 Atlético-MG

Final

Peñarol-URU 1 x 1 Botafogo
Botafogo 2 x 2 Peñarol-URU; (Bota 3 x 1, nos pênaltis)

Unificação dos títulos da Copa Conmebol com a Sul-Americana? Atlético Mineiro vai pleitear!

Com informações do GE.com
Foto: arquivo

Galo campeão em 1997

Uma comitiva do Atlético Mineiro estará na próxima terça-feira em Assunção, no Paraguai. O destino final da viagem é a sede da Conmebol. Lá, representantes do Galo - o presidente Sérgio Coelho e o vice José Murilo Procópio - vão apresentar um pleito para que as conquistas da extinta Copa Conmebol sejam consideradas equivalentes à Sul-Americana.

A reunião deve ser com o presidente da entidade máxima do futebol sul-americana, Alejandro Domínguez. A proncípio, ão se trata de um movimento coletivo de clubes. Mas outras equipes farão o mesmo pleito, juntando forças para o reconhecimento.

Um dos impactos no reconhecimento é o ranqueamento dos times na Conmebol, que reflete em competições organizadas pela entidade. Porém, que a Conmebol não confirma que já esteja em processo de avaliação do pleito de reconhecimento. "Não há nada oficial sobre pedido ou aprovação", disse uma fonte.

Se a Conmebol confirmar a informação, Atlético Mineiro (1992 e 1997), Botafogo (1993) , São Paulo (1994) e Santos (1998), passam a ser campões da Copa Sul-Americana pelo Brasil. Além dos brasileiros, A Argentina também terá mais três títulos, com Rosário Central (1995), Lanús (1996) e Talleres (1999).

Se a mudança se concretizar, o Brasil passará a ter dez conquistas, somando as do Internacional (2008), São Paulo (2012), Chapecoense (2016) e Athletico Paranaense (2018).


Apesar do regulamento da Copa Conmebol ser similar à de algumas edições da Copa Sul-Americana, a competição não chegou a vingar na época. A competição tinha concorrência de outros torneios continentais, como a Supercopa e as Copas Mercosul e Merconorte.

Na atual edição da Sul-Americana, Atlético Goianiense, Ceará e São Paulo seguem na competição, pelas quartas de final. Quem mais ganhou a competição foi a Argentina com 12 conquistas, seguida pelo Brasil com 10, Equador 2 e com 1 tem Colômbia, México, Chile e Peru.

Numa extraordinária proeza, Rosario Central conquistava a Copa Conmebol de 1995

Com informações da Conmebol

Comemoração após a virada histórica sobre o Atlético Mineiro

Há situações em jogos de futebol que parecem tiradas de uma história ou um filme. Essas circunstâncias que, ao vê-las no cinema ou em um livro, parecem apenas propriedade da ficção. Mas este esporte é tão maravilhoso. Por coisas como as que ocorreram na terça-feira, 19 de dezembro de 1995, no estádio do Rosario Central, que está completando 132 anos de fundação neste 24 de dezembro, onde o time da casa conquistou a Copa Conmebol ante o Atlético Mineiro, consumando uma remontada incrível.

Uma semana antes a primeira partida foi disputada no Brasil e lá a equipe de Belo Horizonte mostrou no resultado uma enorme superioridade, consumada no 4 a 0 final, com gols de Ezio, Cairo, Paulo Robero e Silva. Como era lógico supor, parecia assunto concluído, história selada, apesar de que o futebol sempre guarda um espaço para a surpresa, este não parecia ser o caso.

Parecia que essa derrota esmagadora ofuscava o excelente curso que tinham cumprido ali os homens liderados pelo sábio veterano de mil batalhas, com sangue azul e amarelo nas veias, chamado Angel Tulio Zof. A campanha do Central tinha sido extraordinária, vencendo os seis jogos desde a estreia e as semifinais: 3 a 1 e 2 a 1 sobre Defensor Sporting; 2 a 0 e 3 a 1 no Cobreloa; 2 a 0 e 3 a 1 sobre o Atlético Colegiales.

O marco do estádio "Gigante de Arroyito" naquela noite era sensacional, com uma torcida que parecia transmitir aos seus jogadores uma sábia renovada. Aos 22 minutos veio a abertura quando Ruben Da Silva definiu na área, depois de um cruzamento de Ordonez. 15 minutos mais tarde, veio o segundo com um tiro de Carbonari (um dos defensas) que escorregou entre as mãos de Taffarel. O primeiro tempo não ia ficar sem outra emoção sem par: o grande Ruben Da Silva tomou uma bola para a entrada da área passando para Martin Cardetti, que entrou pela direita e venceu o goleiro com um disparo rasteiro. Era o 3-0 e uma ilusão que crescia no ritmo dos gols.

Todos imaginavam um segundo tempo com o time da casa atropelando para os visitantes, mas estes souberam como acalmar o contra-ataque rival, com o talento de Doriva, deixando os nervos devorar a equipe argentina. Mas a proeza aconteceu apenas dois minutos do final, quando o lendário Omar Palma efetuou um cruzamento onde Carbonari marcou de cabeça, para o estalar da metade da cidade de Rosario e realizar a façanha de vencer por quatro gols e forçar o jogo aos pênaltis.


E ali, com o estádio transformado em uma caldeira, Central abraçou a glória, porque os dois primeiros executantes do Atlético Mineiro (Doriva e Leandro) desviaram suas execuções, deixando a estrada asfaltada até o título, que culminou com o pênalti de Ruben Da Silva. Foi a primeira Copa Conmebol para o futebol argentino e será sempre lembrada, como a façanha inigualável do Rosario Central.

O Santos campeão da Copa Conmebol de 1998 na Batalha de Rosário

Por Gabriel Pierin, do Centro de Memória do Santos FC
Foto: arquivo

O time que saiu jogando em Rosário

Ao vencer o seu quinto Torneio Rio-São Paulo, em 1997, o Santos ganhou o direito de disputar a VII Copa Conmebol, torneio criado no ano de 1992. E após passar por diversas dificuldades, principalmente na grande final, no dia 21 de outubro de 1998, o Santos FC conquistou a Copa Conmebol, o seu 7º título internacional, ao empatar com a equipe do Rosário Central em 0 a 0.

A competição era disputada no formato eliminatório, e para chegar até a decisão, o Santos enfrentou as equipes do Once Caldas, da Colômbia, nas oitavas de finais, LDU, do Equador, nas quartas de finais, e o Sampaio Correia, nas semifinais.

Na primeira partida da grande final diante do time argentino, no dia 7 de outubro, o Peixe venceu na Vila Belmiro com um tento solitário de Claudiomiro. Os atletas santistas Viola e Jean, além do técnico Emerson Leão, foram expulsos de campo. Já do lado do adversário, foram expulsos três jogadores.


No embate decisivo, além dos dois jogadores expulsos, o Santos também não pode contar com Argel, Lúcio e Jorginho, que estavam lesionados. Prevendo um clima hostil, a comissão técnica santista exigiu, após reunião com o presidente da entidade sul-americana, Nicolas Leoz, que houvesse mais segurança para todos os membros da delegação santista, que contava com apenas 15 jogadores para o confronto.

E com diversas mudanças, assim o técnico Emerson Leão escalou o time para a batalha no estádio Gigante Arroytio: Zetti, Anderson, Sandro, Claudiomiro e Athirson; Marcos Bazilio, Elder, Narciso e Eduardo Marques; Fernandes (Baiano) e Alessandro (Adiel).

Quando o ônibus santista se aproximou do estádio – tomado por cerca de 50 mil pessoas, sete mil a mais do que a lotação oficial – os torcedores do Rosário tentaram cercá-lo e foi preciso que a polícia local atirasse várias vezes para o alto para limpar o caminho.

Após diversas confusões, a partida iniciou com um atraso de 40 minutos - O time da casa buscou tomar a iniciativa, mas o Santos se defendeu bem e ainda conseguiu um ou outro ataque. Apenas com dois reservas de linha no banco, o Alvinegro não podia ter jogadores machucados, mas também não podia evitar as divididas.


Eduardo Marques perdeu a cabeça e foi expulso. Pouco depois o argentino Daniele também apelou e teve a mesma sorte. O árbitro paraguaio Ubaldo Aquino soube usar a sua experiência para levar o jogo até o final. Com uma enorme garra e uma grande atuação do goleiro Zetti, o Santos segurou o empate em 0 a 0, e conquistou o título mais brigado de sua história.

Os heróis - Na campanha vitoriosa, o Peixe utilizou os seguintes jogadores: Zetti, Argel, Athirson, Anderson, Claudiomiro, Sandro, Lúcio, Narciso, Viola, Jorginho, Adiel, Nando (g), Jean, Baiano, Dutra, Élder, Marcos Bazílio, Fernandes, Alessandro, Baez, Fernando Fumagalli, Fernando, Eduardo Marques, Gustavo Nery e Ronaldo Marconato

Os valores revelados pelo "Expressinho" do São Paulo na Conmebol de 1994

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

O São Paulo campeão da Copa Conmebol de 1994

As categorias de base do São Paulo seguem rendendo ótimos frutos ao Tricolor Paulista, uma tradição que também vem de muitos anos. Em 1994, exatamente no dia 21 de dezembro, misturando jovens da base e outros jogadores contratados que ainda não tinham espaço no excelente time principal tricolor, o SPFC ganhou a Copa Conmebol com seu "expressinho", que revelou diversos ótimos jogadores para o futuro do clube e do futebol como um todo.

O expressinho funcionava de maneira semelhante aos times Bs ou Castillas que vemos na Europa. Garotos advindos da base, ainda em idade de categoria sub-20 e reservas mais experientes que não conseguiam espaço dentro do absurdo time de Telê Santana jogavam partidas de torneios onde o São Paulo optava por colocar equipes reservas para atuar. A diferença essencial é que não havia a disputa de torneios oficiais propriamente ditos pelos garotos, o que mudou com a equipe sendo jogada para atuar na Copa Conmebol.

Os reservas e os garotos são-paulinos conquistaram aquele campeonato com uma goleada por 6 a 1 pra cima do Peñarol no Morumbi na primeira partida e até perdendo por 3 a 0 em Montevidéu, porém sem riscos de uma virada. Antes de falar de bons jogadores, a primeira peça que tem de ser destacada no contexto do time é Muricy Ramalho. Ex-jogador que já havia passado pelo Morumbi quando profissional, Muricy naquela altura era o principal auxiliar de Telê e foi incumbido de comandar o "expressinho" na Conmebol, depois de vencer com os garotos o torneio de Croix, na França. 

O primeiro grande nome que aquela equipe trouxe ao Soberano foi um tal goleiro chamado Rogério Ceni. Numa época onde Zetti ainda era o dono das metas tricolores, Ceni foi um dos destaques da equipe. Aos poucos, começaria a ganhar espaço, assumindo definitivamente a titularidade em 1997. O resto, a partir daí, é história. A bonita história do maior ídolo da trajetória do São Paulo. 

Na linha defensiva, Pavão chegou a conseguir algum destaque na carreira na Áustria, mas não passou muito disso. Nelson não foi muito longe também, mas Bordon teve uma trajetória incrível na Alemanha, onde se tornou ídolo das torcidas de Schalke e Stuttgart, fazendo sucesso na Bundesliga e sendo até hoje bem lembrado. Ronaldo Luis era um dos reservas mais experientes e teve uma carreira de altos e baixos, porém viveu bons momentos no Tricolor, sendo inclusive parte da equipe bicampeã da Libertadores.

No meio, Mona acabou não conseguindo grande destaque, tendo apenas alguns momentos bons no próprio tricolor, Pereira também não ficou muito famoso, mas Denilson se tornou uma das grandes revelações do clube e teve uma carreira boa, sendo inclusive campeão da Copa do Mundo de 2002 com a Seleção Brasileira. No meio de campo, entre os reservas, figurava ainda um jovem Juninho, que vinha do Ituano e ainda pouco atuava, mas que depois ficaria famoso com o apelido de Juninho Paulista e também faria uma carreira espetacular, se tornando um dos maiores brasileiros a passar pelo futebol inglês, sendo ídolo do Middlesbrough e também fazendo parte da Seleção campeã do mundo em 2002.


No ataque, uma história trágica vem de Catê, que veio para o Morumbi trazido do Guarany de Cruz Alta e era um reserva de luxo no time, sendo um dos "experientes" naquele expressinho. Teve ainda boas passagens por Cruzeiro e Universidad Católica, mas foi mais um andarilho no futebol e acabou sendo vítima de um acidente automobilistico aos 38 anos em 2011. Toninho, outro integrante do trio ofensivo, também teve uma carreira de andarilho, sem conseguir explodir o potencial que mostrava. Já Caio Ribeiro se tornou uma das grandes revelações do São Paulo, porém não conseguiu grande sucesso na Europa, mesmo assim teve uma sólida carreira no futebol brasileiro. 

O Expressinho Tricolor foi aos poucos sendo desmantelado, principalmente depois da saída de Telê Santana do comando do clube. Hoje, o São Paulo não tem mais um time dedicado a seus jogadores reservas, mas segue colocando jogadores jovens na equipe titular, sendo uma das chaves para o sucesso do atual time, que luta e tem certa vantagem na busca pelo título do Campeonato Brasileiro de 2020.

Em 1995, Rosário Central protagonizou uma virada histórica e ganhou a Copa Conmebol

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

Time do Rosário, que tinha Coudet, operou um milagre

No dia 19 de dezembro de 1995, há exatos 25 anos e um dia atrás, o Estádio Gigante de Arroyto estava abarrotado para apoiar o Rosário Central em uma de suas mais difíceis batalhas na busca por um título. La Acade tinha pela frente uma enorme desvantagem de 4 a 0 contra o Atlético Mineiro. Nada disso importou, pois o time azul e amarelo de Rosário fez história e venceu nos pênaltis, após reverter o 4 a 0.

A história dessa decisão começa com uma atuação de gala do Galo, em um Mineirão relativamente vazio, na primeira partida da decisão. Èzio, Cairo, Paulo Roberto e Silva marcaram os gols do placar amplo da equipe mineira, comandada por Procópio Cardoso. O placar fez com que a vantagem ampla desse quase a certeza do título, mas havia ainda a batalha no intimidador Gigante de Arroyto, na Argentina.

No jogo em Rosário, pressionando, o time da casa pulou na frente logo aos 23 minutos, com Da Silva. Num final de primeiro tempo desastroso para o time brasileiro, Carbonari marcou aos 39' um golaço de falta da intermediária para ampliar e o terceiro veio logo depois praticamente Cardetti marcou o terceiro, levando o jogo para um segundo tempo que prometia muitas emoções, já que o Central estava há um gols dos pênaltis e a dois do título, o que nem parecia tão difícil naquele momento. 

Na etapa final, porém, o Galo conseguiu segurar um pouco mais o ímpeto do time da casa e parecia conseguir evitar o pior, até que aos 43 minutos do segundo tempo, em uma bola cruzada na área, Carbonari subiu mais que a zaga atleticana e fez o gol que levou a decisão para os pênaltis, o que no fundo nem era tão vantajoso para quem teria de enfrentar um tal de Taffarel do outro lado.


Doriva, porém, fez com que o Atlético começasse mal, batendo um pênalti pra muito longe do gol na primeira cobrança da decisão da marca fatal. Palma, por sua vez, começou muito bem as cobranças da Academia. Na segunda cobrança, Leandro Tavares também perdeu e deixou o Rosário em ótima vantagem. Pobersnik confirmou o 2 a 0. Ronaldo Guiaro marcou na terceira cobrança alvinegra, seguida também pelo acerto de Carbonari, decisivo no jogo. Taffarel então, finalmente apareceu, batendo bem sua cobrança e evitando a primeira chance de conquista no chute de Colosso. Euller, o filho do vento, até acertou sua batida, mas o gol de Da Silva garantiu a taça para o Central.

Essa conquista é considerada até hoje o maior título da história do Rosário Central, que nunca conseguiu ir além das semifinais da Libertadores, nos anos de 1975 e 2001. A virada doeu no torcedor e no time do Atlético Mineiro, que já havia ficado fora das semifinais do Campeonato Brasileiro de 1995 por um único ponto de desvantagem para o Santos. Entre os destaques do time do Central, estavam Carbonari, Da Silva e um tal de Eduardo Coudet, que há pouco treinava o Internacional.

A boa passagem de Claudiomiro pelo Santos FC

Por Lucas Paes
Foto: Rogério Soares/Folha Imagem

Claudiomiro em duelo diante do Rosário Central

Completando 49 anos neste dia 25 de agosto, o zagueiro Claudiomiro foi enquanto jogador muitas vezes responsável pelo trabalho sujo nas equipes onde passou, com fama de violento, ainda que tivesse também uma boa técnica e conseguisse fazer boas jogadas. Chegou ao Santos em 1998, trazendo direto do Coritiba, onde tinha passado por ótimo início de carreira, chamando a atenção do Alvinegro Praiano. 

Chegou para jogar pelo time de 1998 que acabou sendo um da década de 1990. Fez parte da equipe que foi muito bem no Brasileirão, dando um imenso trabalho ao Corinthians na semifinal e também fez o gol que basicamente foi o do título da Copa Conmebol, já que a vitória de 1 a 0 na Vila Belmiro, com gol do zagueiro. Naquele ano, teve também um gol não marcado no jogo do Troféu Joan Gamper diante do Barcelona que poderia ter dado a vitória aos santistas. 

Seguiu sendo regularmente titular da equipe na temporada de 1999, mas o Santos passou distante do bom futebol que apresentou no ano anterior. Claudiomiro foi também titular durante todo o ano de 2000, onde jogou por 46 vezes com a camisa do Santos. Foi um dos bons jogadores da campanha do vice-campeonato estadual naquele ano, ajudando também o Santos a chegar nas semifinais da Copa do Brasil, num primeiro semestre razoável.


Em 2001, fez seus últimos jogos pelo Santos, jogando poucas vezes com a camisa do Peixe. Acabou deixando o clube naquele ano, passando a jogar pelo Grêmio, time de seu coração. Fechou sua passagem pelo Santos marcando 11 gols, um número bom para um zagueiro, fez eles usando de seu bom desempenho na bola área. Esteve para se tornar jogador do Benfica naquela temporada, mas o negócio acabou travando e ele foi para o Imortal Tricolor.

Claudiomiro jogou até o ano de 2005, quando pendurou as chuteiras jogando pelo Vitória, passando então a trabalhar alguns anos depois como auxiliar-técnico em algumas equipes. Hoje está trabalhando na equipe do Joinville.

Os guerreiros do Peixe na Batalha de Rosário de 1998

Por Victor de Andrade
Fotos: acervo Santos FC

Jogadores do Santos comemoram o título após o fim da partida: uma verdadeira batalha

Neste 21 de outubro de 2018, está completando 20 anos em que o Santos FC conquistou da Copa Conmebol. O título veio com um empate em 0 a 0 contra o Rosario Central, no Gigante de Arroyito, e aquele dia aconteceu de tudo, onde a delegação do Peixe passou diversos apuros para chegar ao estádio e chegou a até se recusar a entrar em campo.

Porém, voltamos ao início da competição. O Santos, para chegar à decisão, passou por Once Caldas, LDU Quito e Sampaio Corrê para chegar à decisão. No primeiro jogo da final, no dia 7 de outubro, na Vila Belmiro, a partida foi violenta dentro de campo. Com muita catimba e provocação, o Peixe venceu o Rosario Central por 1 a 0, gol de Claudiomiro. Porém, houve um saldo negativo na questão de disciplina: Viola e Jean (na verdade era para ser o Narciso, que agrediu um jogador argentino, mas o árbitro se enganou) levaram cartões vermelhos. Até o técnico Emerson Leão também foi expulso. Você pode conferir como foi a campanha aqui.

Aí vem o grande problema: o Santos até tinha um bom elenco naquela temporada (foi o terceiro no Brasileirão), mas por causa de negociações depois da data limite de inscrições na competição (vale lembrar que para o Campeonato Brasileiro, que acontecia paralelamente e era a prioridade, as inscrições ainda estavam abertas), uma série de jogadores contundidos (alguns titulares absolutos, como o zagueiro Argel e o meia Jorginho) e as suspensões, o Alvinegro só tinha 15 jogadores para serem relacionados para o jogo de volta, sendo que três eram goleiros.

Mas no dia 21 de outubro, a delegação do Santos passou por um grande perrengue para chegar ao Gigante de Arroyito. O ônibus que levava a equipe não conseguiu entrar no estádio e todos tiveram que fazer o resto do caminho a pé, no meio de xingamentos, cusparadas e pedras. Até tiro rolou. Com isto, o Santos se negou a entrar em campo, alegando falta de segurança e até simulou que o massagista havia sido atingido por um dos tiros.

O então presidente da Conmebol, Nicolás Leoz, querendo que o jogo, acontecesse, interviu. Conseguiu com que a polícia argentina (que no início dizia que não tinha como fazer nada) fizesse um cordão de isolamento em volta do banco do Santos e permitiu que o técnico Emerson Leão, que estava suspenso, fosse a campo.

Apesar do nervosismo, da pressão do Rosario Central e dos diversos desfalques importantes, o Santos se portou bem dentro de campo, conseguiu segurar o ímpeto do adversário e o placar de 0 a 0 deu o título ao Peixe. Conheça os 13 jogadores (11 titulares e os dois reservas que entraram no decorrer da partida) que foram os grandes guerreiros em Rosario naquele 21 de outubro de 1998:

Zetti: o mais experiente dos que estiveram em campo. Zetti, que na carreira já havia conquistado tudo quanto era competição, fez uma partida fenomenal e suas defesas garantiram o título ao Peixe. Aliás, esta foi o último troféu conquistado pelo goleiro na carreira.

Ânderson Lima: o bom lateral-direito não vivia um bom momento com a camisa do Santos e era criticado pela torcida. Porém, teve sangue frio para segurar os ataques do time argentino pelo seu setor. Depois de sua passagem pelo Santos, ele defendeu o São Paulo e fez parte de bons times do Grêmio e São Caetano.

Sandro: o zagueiro-central pernambucano era famoso por ter um chute fortíssimo de perna direita. Em vários momentos de sua passagem pelo Santos, foi titular, mas naquela fase era reserva de Argel, que não jogou, pois estava machucado. Depois do Santos, Sandro teve boa passagem pelo Botafogo e chegou a defender o Vitória.

Claudiomiro: foi naquele semestre de 1998 que Claudiomiro foi recuado por Emerson Leão de volante para zagueiro e fez uma dupla famosa com Argel, por ser muito dura. Ele acabou sendo o autor do gol do título, já que a rede não foi balançada no segundo jogo. Claudiomiro, depois, defendeu o Grêmio.

Athirson: o então jovem lateral-esquerdo foi emprestado pelo Flamengo em uma negociação envolvendo vários atletas de ambos os lados. Já mostrava muito talento e alguns defeitos, normais para um jogador da idade dele. Era a válvula de escape, pela esquerda, naquele time de Leão. Depois, voltou ao Flamengo, chegou a defender a Seleção e rodou o mundo.

Marcos Basílio: o volante era um Menino da Vila e estava procurando o seu espaço naquele elenco do Santos. Marcos Basílio não era titular da equipe, mas jogou a final por causa das contusões, suspensões e jogadores não inscritos para a competição. Quando saiu do Santos, em 2000, virou um andarilho da bola pelo Brasil e hoje é técnico nas categorias de base da Portuguesa Santista, onde faz bom trabalho.

Élder: Élder tem uma história muito parecida com a de Marcos Basílio. Não era um Menino da Vila (veio do Novorizontino, junto com Alessandro e teve uma passagem pelo Vasco) e também não estava entre os titulares absolutos daquela equipe, mas também saiu jogando naquela final. Depois rodou o Brasil, chegou a jogar na Grécia e Hungria e atualmente também é treinador das categorias de base da Portuguesa Santista, com bons resultados.

Narciso: Dos 13 jogadores que entraram em campo naquele dia, Narciso era, ao lado de Zetti, um dos jogadores mais importantes do elenco. Se fosse nos dias de hoje, ele não jogaria a final, já que Jean foi expulso injustamente no primeiro jogo, já que ele havia agredido o jogador argentino. Narciso depois teve um problema de Leucemia e teve que encurtar sua carreira e hoje é treinador.

Os titulares da batalha

Eduardo Marques: outro Menino da Vila, Eduardo Marques era um meia com potencial, já que se movimentava bastante, tinha habilidade e chutava bem de fora da área. Porém, a displicência dentro de campo (sumia algumas vezes da partida) o atrapalhava. Foi expulso naquele jogo. Foi outro que rodou o mundo da bola.

Fernandes: apesar das poucas opções de Leão, Fernandes foi a surpresa daquele time que saiu jogando contra o Rosario Central, já que dificilmente ele era titular. Fernandes foi ídolo no Figueirense, tendo defendido o clube em quatro passagens. Também passou pelo Palmeiras, onde não foi bem.

Alessandro: Revelado pelo antigo Novorizontino, o atacante, que depois recebeu o apelido de "Cambalhota", por comemorar os seus gols com piruetas, já se mostrava ser um bom atacante e foi importante naquele 1998, mas seu auge com a camisa do Santos foi no primeiro semestre de 1999, onde chegou a ser convocado para a Seleção. Depois da passagem pelo Alvinegro, Alessandro rodou o mundo e encerrou a carreira no time em que fundou, o atual Novorizontino.

Baiano: outro Menino da Vila, Baiano ainda atuava mais como volante do que como lateral-direito (posição em que seguiu em boa parte da carreira). Chegou a ser titular em alguns jogos daquele time, mas na final começou no banco de reservas e entrou no lugar de Fernandes, aos 21' do segundo tempo, para segurar o resultado. Ele, depois jogou no Vitória, Las Palmas, Palmeiras e até Boca Juniors e encerrou a carreira recentemente, no futebol de Brasília.

Adiel: mais um Menino da Vila, mas Adiel era, naquele momento, a grande joia do clube, já que havia sido campeão mundial sub-17 (no time que tinha Ronaldinho Gaúcho) em 1997. Leão gostava do futebol dele e chegou a lançá-lo como titular em alguns jogos. Entre empréstimos para times brasileiros e asiáticos, Adiel esteve no elenco campeão brasileiro de 2002 e nos últimos anos defendeu Juventus e Portuguesa Santista.

O Atlético Mineiro campeão da Copa Conmebol de 1997

Por Lucas Paes

Valdir na volta olímpica do título da Copa Conmebol de 1997, o segundo do Galo

Uma das competições que ajudou a dar origem a Copa Sul-Americana, a Copa Conmebol foi disputada entre 1992 e 1999 e teve certo domínio dos times brasileiros. Em 17 de dezembro, o segundo título da competição do Atlético Mineiro completou 20 anos.

Classificado devido ao terceiro lugar no Brasileirão de 1996, o Galo, que havia conquistado o título da primeira edição da competição, vinha com uma ótima equipe, que tinha como destaques o goleiro Taffarel, o meia Jorginho e o atacante e artilheiro Valdir. Com um bom time, sob o comando de Emerson Leão, os mineiros eram particularmente eficientes fora de casa, onde tiveram cem por cento de aproveitamento. Na estreia, golearam a Lusa em pleno Canindé por 4 a 1, classificando-se com um empate sem gols no Mineirão. 

Nas quartas, diante do America de Cali, outra vez os atleticanos mostraram que eram visitantes enjoados, vencendo por 2 a 1 dentro do Pascual Guerrero. Na volta, os Diablos Rojos até assustaram com o gol de Cardona, mas Edgar empatou e garantiu a vaga dos brasileiros.

A equipe campeã

Na semifinal, a rotina não mudou e o Universitário de Lima foi a nova vítima, vendo o Galo vencer por 2 a 0 dentro do Estádio Nacional. A volta coincidiu com a única vitória atleticana em casa no torneio, uma sonora sapecada de 4 a 0 que provavelmente fez os peruanos perderem o rumo de casa. 

Hoje o adversário na final não seria recebido com surpresa, mas em 1997, o Lanús era apenas um time anônimo da Argentina. A Fortaleza granate obviamente sempre teve ar de caldeirão, mas sem sentir tal clima, o Galo fez uma partidaça na final e goleou o Lanús por 4 a 1, de virada. O título estava praticamente garantido.

Porém, apesar da goleada, o Atlético ainda teve que passar por uma outra luta, desta vez literalmente. Após o apito final, jogadores de ambas as equipes se engalfinharam em uma das maiores brigas campais da história do futebol. Alguns torcedores também entraram na pancadaria. O treinador Emerson Leão teve que até fazer uma cirurgia facial. Mas isto não tirou o brilho da partida do Galo!

Primeiro jogo da final, que terminou em pancadaria

Na volta, o clima no Mineirão era de festa. Era difícil pensar que o desconhecido Lanús fosse algum problema e o gol de Jorginho aos 10 minutos apenas ampliou a festa. Nem o gol de Trimarchi mudou o clima do estádio, celebrando o segundo título da CONMEBOL do Galo. Festa ampliada pela derrota do arquirrival Cruzeiro no Mundial, duas semanas antes. Complementar a taça, Valdir foi o artilheiro da competição, com sete gols marcados. 

Aquele título foi o último internacional do Atlético Mineiro em muito tempo. Depois de um período crítico nos anos 2000, com um rebaixamento em 2005, a chegada de Ronaldinho e a montagem de um bom time levaram ao título da Libertadores de 2013, quebrando um jejum de 16 anos sem conquistas internacionais.

Santos campeão da Copa Conmebol 1998

Por Lucas Paes

Em pé: Zetti, Anderson, Élder, Sandro, Claudiomiro e Marcos Bazílio. 
Agachados: Athirson, Eduardo Marques, Alessandro, Fernandes e Narciso

Apesar da conquista do brasileiro de 2002 ter sido um marco histórico para o Santos FC, quatro anos antes, em 1998, o Alvinegro Praiano conquistou um título importante naquele momento: a Copa Conmebol. Percursora da atual Sul-Americana, a conquista quebrou um jejum de 29 anos sem taças internacionais para a equipe alvinegra.

O Peixe conquistou o direito de participar da competição através do título do Rio-São Paulo do ano anterior. A estreia ocorreu diante do Once Caldas, na Vila Belmiro, com vitória de 2 a 1. Narciso abriu o placar para o Santos, Valentierra deixou tudo igual para os colombianos, mas Viola deu a vitória aos santistas. No segundo jogo, o Once Caldas devolveu o 2 x 1, mas o Alvinegro da Vila Belmiro se classificou nos pênaltis.

Nas quartas, foi a vez da LDU. No primeiro jogo, no Casablanca, empate por 2 a 2. No segundo, vitória impiedosa do Santos por 3 a 0, com um gol de Claudiomiro e dois de Viola. Na semifinal, o confronto seria brasileiro, contra o Sampaio Corrêa, campeão da Copa Norte e com um dos melhores times de sua história.

Semifinal contra o Sampaio

No primeiro jogo, na Vila Belmiro, as duas equipes não saíram do zero. No segundo, em São Luis, goleada alvinegra por 5 a 1. Mais detalhes dessa semifinal podem ser conferidos no texto sobre a campanha histórica dos maranhenses naquela Conmebol.  

Na decisão, o adversário santista seria o Rosário Central, que na época era comandado por Edgardo Bauza. Na primeira partida, diante de um ótimo público na Vila Belmiro, o jogo foi extremamente violento. O Santos desperdiçou uma boa chance de sair com mais vantagem. O único gol da partida foi marcado por Claudiomiro aos 28 da segunda etapa. Por sinal, o autor do gol está completando 46 anos hoje.

O Peixe ainda desperdiçou um pênalti e teve um gol anulado já aos 45 da segunda etapa. Num jogo de seis expulsões (três para cada lado) o placar acabou sendo mesmo uma vitória simples por 1 a 0, que garantiu ao Alvinegro Praiano a vantagem do empate no mítico Gigante de Arroyto.


A primeira partida da final

O segundo jogo foi outra verdadeira guerra, os 55 mil torcedores que lotaram o estádio incentivaram os Canallas durante toda a partida. Apesar de algumas chances criadas pelo Peixe, foi Zetti, com grande atuação, que garantiu o título. A equipe santista fora recebida com muita violência antes do jogo, objetos foram atirados nos jogadores durante toda a partida e houve intimidação e ameaça até dos policiais argentinos.

Apesar do clima hostil, a equipe santista conseguiu trazer a taça para Santos. Aquela equipe de 1998, inclusive, bateu na trave no Brasileirão, sendo eliminado pelo Corinthians nas semifinais. Artilheiro do Brasileirão naquele ano, Viola também terminou com a artilharia da Conmebol, com 4 gols, junto a Morales, da LDU.

Para quem quiser saber mais detalhes da campanha, os portais Acervo Santos FC e Acervo Santista possuem os detalhes completos da competição, incluindo fichas técnicas de todas as partidas. Foi um título importante, na época em que o torcedor do Alvinegro Praiano não estava acostumado com as conquistas.

O jogo do título

O Expressinho Tricolor campeão da Copa Conmebol de 1994

O Time que Goleou o Peñarol por 6 a 1. Em pé: Mona,Rogério Ceni,Nélson,Bordon e Ronaldo Luís
Abaixados: Pavão,Catê,Toninho,Pereira,Denílson e Caio

No Campeonato Brasileiro de 1993, o São Paulo FC (que naquele ano conquistou o bi-campeonato da Libertadores e da Copa Intercontinental) ficou em quarto lugar. A colocação deu direito ao Tricolor de disputar a Copa Conmebol do ano seguinte (competição muito similar à atual Copa Sul-Americana). Como o clube do Morumbi disputava muitos torneios, a diretoria e comissão técnica resolveu utilizar o Expressinho, como era conhecido o time reserva da agremiação e, mesmo assim, conquistou o título continental.

O Expressinho já jogava junto, normalmente, diversas oportunidades, principalmente quando o calendário apertava para a equipe principal, que por causa dos diversos títulos conquistados, disputava muitas competições. Apesar de ser um time reserva, era muito forte, já que alguns nomes da equipe depois fariam sucesso, como Denilson, Juninho (que ganhou o 'sobrenome' Paulista quando foi para o Rio de Janeiro, depois de passar pela primeira vez na Europa), Caio, Bordon, o treinador Muricy Ramalho e o maior ídolo da história tricolor, Rogério Ceni.

O sorteio colocou o Tricolor encarando o Grêmio na primeira fase. Em 2 de novembro de 1994, as duas equipes empataram em 0 a 0 no Olímpico, em Porto Alegre. No Morumbi, oito dias depois, outra igualdade sem gols e a decisão foi para as penalidades. Nas cobranças, o São Paulo brilhou e venceu por 6 a 5. Um detalhe: Rogério Ceni bateu um dos pênaltis, o último para ser mais preciso, e converteu.

Juninho recebendo a taça de Nicolas Leoz

Seis dias depois, o São Paulo voltava a jogar no Morumbi, quando encarou o Sporting Cristal. Os peruanos surpreenderam no primeiro tempo e abriram o marcador com Palacios. Na segunda etapa, Muricy colocou Juninho, que empatou. Caio e Denilson definiram o placar de 3 a 1 para o São Paulo. 

Aliás, esta partida foi preliminar do jogo onde o time principal do Tricolor derrotou o Grêmio também por 3 a 1. O mais interessante é que Juninho também participou desta partida, fazendo dois confrontos no mesmo dia. Voltando à Conmebol, no jogo de volta, em Lima, o São Paulo segurou o 0 a 0 e garantiu vaga na fase seguinte.

Nas semifinais, o adversário seria o rival Corinthians, que entrou naquele confronto com sua equipe titular. No primeiro jogo, no Pacaembu, uma chuva de gols. Casagrande, Branco e Marques marcaram para o Timão, mas os três de Juninho e mais um de Catê deram a vitória ao Tricolor, por 4 a 3.

Os gols do primeiro jogo da final

Na partida de volta, no Morumbi, foi a vez do Corinthians fazer 3 a 2, com Daniel Franco, Tupãzinho e Viola marcando para o Timão e Caio e Juninho fazendo os tentos do Tricolor. Na penalidades, o São Paulo levou a melhor e garantiu sua vaga na final. Rogério Ceni novamente bateu e fez, já demonstrando o que poderia fazer na carreira.

Na final, o São Paulo encarou o temido Peñarol. Porém, toda essa força do time uruguaio caiu por terra no primeiro jogo, realizado no Morumbi. Naquele 13 de dezembro, acho que nem o grande time titular do Tricolor derrotaria o Expressinho. O placar da partida foi de 6 a 1, com um detalhe: o Peñarol abriu o marcador, aos 4 minutos, com Aguilera. Mas Caio, duas vezes, Catê, três, e Toninho fizeram na goleada.

Com o marcador dilatado, a segunda partida, no dia 21 de dezembro, no Centenário, em Montevidéu, foi apenas protocolo. O Expressinho segurou o Peñarol até os 12 minutos do segundo tempo, mas Rodriguez, duas vezes, e Silva fizeram 3 a 0 para o Aurinegro. Porém, a taça foi do Tricolor e com o seu time considerado reserva.

O Botafogo campeão da Copa Conmebol de 1993

A equipe comemorando o inesperado título: o Fogão foi campeão da Copa Conmebol de 1993

Aquela quarta-feira, dia 29 de setembro de 1993, ficará gravada para sempre na memória dos torcedores do Botafogo. Foi neste dia que o clube conqusitou o seu primeiro (e até agora único) título internacional no estádio Maracanã, ante um grande rival como Peñarol e em um dramático encontro.

Antes de falar da competição, vale ressaltar que aquele segundo semestre não foi tão feliz para o time da estrela solitária, que estava indo mal no Campeonato Brasileiro. Porém, na competição sul-americana, o clube reagia e deixava para trás Bragantino (com duas vitórias, 3 a 1 e 3 a 2), Caracas ( dois triunfos, 1 a 0 e 3 a 0), e Atlético Mineiro, que era o detentor do título da Copa (derrota por 3 a 1 no Mineirão e vitória por 3 a 0 no Maracanã).

Disputa de bola no meio de campo

Com estes resultados, o Botafogo chegou à final da competição, onde encararia o tradicional Peñarol. Vale lembrar também que os bons resultados no torneio internacional empolgaram a equipe, que se recuperou no Campeonato Nacional.

O primeiro jogo da final foi em Montevidéu e terminou com o placar de 1 a 1, com Otero marcando para o Carbonero e Perivlaldo empatando. Uma imensa expectativa fez com que o torcedor botafoguense lotasse as instalações do Maracanã para a definição do título. E, quem diria, de um ano perdido para um título!

Comemoração foi grande

Desde o início do jogo, o time carioca atacou de forma sistemática, convertendo na figura de Gerardo Rabajda, o arqueiro rival, o melhor em campo. Porém, na primeira investida, aos 34 minutos, os visitantes abriram o placar por intermédio de Pablo Bengoechea, que aproveitou um erro da defesa alvinegra.

O alívio dos torcedores que lotavam o Maraca veio aos 7' da segunda etapa, com o empate através de Eliel, de falta. O delírio se apoderou no estádio, quando Sinval anotou um gol espetacular de 30 metros de distância, que deixou impotente o goleiro Rabajda. Começou a abundar o jogo brusco de ambos os lados e por seus reiterados protestos, o árbitro argentino Francisco Lamolina expulsou Carlos Alberto Torres, técnico local e uma glória do futebol mundial.

Matéria sobre o título do Fogão

Tudo parecia controlado por Botafogo, que sentia o 'cheiro' do título, até que no último minuto, o fantasma do Mundial 1950 sobrevoou pelo Maracanã novamente, quando Marcelo Otero fez o empate definitivo, tocando sobre a cabeça de William e mandando a decisão da taça para os pênaltis.

Ali, todo o esforço do Peñarol se derrubou por sua pouca eficácia: dos quatro jogadores que bateram as penalidades, só anotou Da Silva. William defendeu o de Ferreyra, enquanto que Gutiérrez e Dos Santos chutaram para fora. A glória foi para o Botafogo, já que só Sinval perdeu (defendido por Rabajda). Suelio, Perivaldo e André deram o título ao Fogão. Um grande time da América tinha sua merecida conquista internacional.

Campanha

Oitavas de final
Botafogo 3×1 Bragantino
Botafogo 3×2 Bragantino

Quartas de final
Botafogo 1×0 Caracas (VEN)
Botafogo 3×0 Caracas (VEN)

Semifinal
Botafogo 1×3 Atlético-MG
Botafogo 3×0 Atlético-MG

Final
Botafogo 1×1 Peñarol (URU)
Botafogo 2 (3) x (1) 2 Peñarol (URU)

Galo - Campeão da primeira Copa Conmebol

Final contra o Olimpia

No início dos anos 90, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) organizava dois torneios de clubes: no primeiro semestre, a Copa Libertadores, e no segundo a Supercopa, com times que já haviam conquistado a primeira.

Naquela época, a Uefa, entidade que controlava o futebol europeu, organizava três competições: a Copa dos Campeões da Europa (atual Champions League), a Recopa Européia (com os campeões das copas nacionais) e a Copa da Uefa (atual Liga Europa). Baseado neste último torneio é que a Conmebol idealizou a Copa Conmebol.

A primeira edição da competição, que contaria com os melhores clubes nos campeonatos de cada país sul-americano que não estavam na Libertadores, foi marcada para 1992, com 16 clubes. Do Brasil, Bragantino, Atlético Mineiro, Fluminense (respectivamente segundo, terceiro e quarto do Brasileirão do ano anterior) e Grêmio (vice da Copa do Brasil) estariam na Copa Conmebol.

Antes da primeira partida final

O Atlético Mineiro entrava na competição como um dos favoritos. Na primeira fase, o Galo enfrentou a equipe do Fluminense. No jogo de ida, o Atlético saiu derrotado 2 a 1 em Juiz de Fora, mas conseguiu a classificação após golear a equipe carioca pelo placar de 5 a 1, em jogo realizado no Mineirão.

Nas quartas de final o adversário foi o Atlético Junior da Colômbia. Em Barranquilla, os dois times empataram por 2 a 2 e no jogo da volta em Belo Horizonte, o Galo venceu por 3 a 0, classificando-se para a fase seguinte.

Na semifinal, outro páreo duro para a equipe mineira. Pela frente, o El Nacional do Equador na cidade de Quito, conhecida por sua elevada altitude. No jogo de ida, o Atlético acabou derrotado pelo placar de 1 a 0. Entretanto, no jogo da volta, com muita raça, venceu a equipe equatoriana pelo placar de 2 a 0, classificando-se para grande decisão.

Foto dos campeões com a Taça

A final da primeira edição da competição foi realizada contra o Olimpia do Paraguai. No primeiro jogo, realizado em Belo Horizonte, com um futebol pragmático e convincente, o alvinegro venceu os paraguaios por 2 a 0, com dois gols de Negrini, levando a vantagem para a grande decisão em Assunção, capital paraguaia.

No segundo jogo, suportando forte pressão da torcida local em um estádio abarrotado de torcedores, o Galo conseguiu segurar o resultado e só foi tomar um gol aos 44 do segundo tempo, com Cavallero. Os acréscimos foram de sufoco para o Atlético, mas o time do técnico Procópio Cardozo conseguiu segurar o ímpeto dos paraguaios e foi derrotado pelo placar mínimo de 1 a 0, sagrando-se campeão de uma competição sul-americana pela primeira vez em sua história.

Vídeo que fala da conquista

Em todas as oito edições da Copa Conmebol, o Atlético Mineiro foi a equipe de melhor desempenho na história da competição, que não chegou nos anos 2000. O Galo foi campeão novamente em 1997, vice em 1995 e ainda conseguiu chegar à semifinais em 1993 e 1998.

Fichas Técnicas das Finais

Jogo de Ida

Atlético 2 x 0 Olimpia

Local: Estádio Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Público: 60.116
Data: 16 de setembro de 1992
Árbitro: Hernán Silva (CHI)

Gols: Negrini aos 30 do primeiro e aos 13 do segundo tempo

Atlético: João Leite (Humberto), Alfinente, Luís Eduardo, Ryuler e Paulo Roberto; Éder Lopes, Moacir e Negrini; Sérgio Araújo, Aílton e Claudinho - Técnico: Procópio Cardoso

Olimpia: Goycochea, Cáceres, Ramírez, Núñez e Suárez; Jara, Vidal Sanabria, Campos e González (Meza); Amarilla (Samaniego) e Miguel Sanabria - Técnico: Roberto Perfumo

Jogo de Volta

Olimpia 1 x 0 Atlético

Local: Estádio Manuel Ferreira, em Assunção (PAR)
Público: 23.000
Data: 23 de setembro de 1992
Arbitro: Ernesto Filippi (URU)

Gols: Caballero aos 44 minutos do segundo tempo

Olimpia: Goycochea, Cáceres (Meza), Ramírez, Núñez e Suárez; Jara, Vidal Sanabria, Campos (Caballero) e González; Miguel Sanabria e Samaniego - Técnico: Roberto Perfumo

Atlético Mineiro: João Leite, Alfinente, Luís Eduardo, Ryuler e Paulo Roberto; Éder Lopes, Moacir e Negrini (André Figueiredo); Sérgio Araújo, Aílton (Toninho Pereira) e Claudinho - Técnico: Procópio Cardoso

CSA vice-campeão da Copa Conmebol de 1999

A equipe do primeiro jogo da final

A Copa Conmebol teve sua última edição disputada em 1999. Mas a competição, em seu último ano de existência, teve um clube que se tornou a sensação: o Centro Sportivo Alagoano, ou, simplesmente CSA. A equipe nordestina foi passando fase por fase e, por muito pouco, não chegou ao título do torneio. É até hoje a única equipe do Nordeste a chegar à final de uma competição sul-americana.

O CSA conseguiu vaga para a Copa Conmebol via Copa do Nordeste do mesmo ano. Como os três primeiros colocados do torneio nordestino desistiram da competição sul-americana, o clube alagoano, que era o outro semifinalista, ficou com a vaga. E assim, o time azul e branco de Maceió começaria a fazer história.

O CSA estreou no Copa Conmebol no dia 19 de outubro de 1999, no Rei Pelé, em Maceió, contra o Vila Nova de Goiás. A equipe alagoana não teve muitas dificuldades e vendeu a partida por 2 a 0, com gols de Missinho e Mazinho.

Disputa de bola na grande final

Na partida de volta, realizada no Serra Dourada, em Goiânia, Juninho e Reinaldo Aleluia devolveram os 2 a 0 para o Vila Nova e a decisão foi para os pênaltis. Após quatro cobranças certas do CSA e três da equipe goiana, Luiz Cláudio perdeu a penalidade e deixou o time alagoano em vantagem. Williams poderia colocar o CSA na segunda fase da competição, mas perdeu a cobrança. Se Kal Baiano fizesse, a decisão iria para as cobranças alternadas. Mas o jogador do Vila Nova perdeu e o CSA avançou.

Nas quartas-de-final, o CSA encarou o Estudiantes de Mérida, da Venezuela. No dia 3 de novembro, a equipe alagoana conseguiu segurar o 0 a 0 em território venezuelano e, com isso, uma vitória simples colocaria o time azul e branco nas semifinais do torneio.

No dia 9 de novembro, o CSA entrou no gramado do Rei Pelé fazendo pressão na equipe venezuelana. Aos 4 minutos, de pênalti, Mimi abiu o marcador para os alagoanos. Aos 24, também de pênalti, o Estudiantes de Mérida empatou com Martínez, mas os venezuelanos não comemoraram por muito tempo, já que três minutos depois, Márcio Pereira colocou o CSA novamente em vantagem. Na segunda etapa, Márcio Pereira, de novo, marcou, aos 33, e os 3 a 1 levaram a equipe alagoana para a semifinal.

Talleres campeão da Copa Conmebol

A semifinal foi entre duas surpresas brasileiras: CSA e São Raimundo de Manaus. No primeiro jogo, em 17 de novembro, no antigo Vivaldão, no Amazonas, os alagoanos não foram bem e perderam por 1 a 0, com gol de Marcos Luiz, aos 28 minutos do segundo tempo. Assim, no jogo de volta, o CSA tinha que pensar apenas em uma coisa: vencer.

Em 24 de novembro, mais de 28 mil torcedores estiveram presentes no Estádio Rei Pelé para um jogo que foi teste para cardíaco. Aos 12 minutos, Fábio Magrão abriu o placar para o CSA, fazendo com que a torcida explodisse de alegria. Mas, oito minutos depois, Marcelo Araxá empatou para o São Raimundo. O CSA foi para cima, pressionou os amazonenses o jogo inteiro, mas o gol que levou a decisão para os pênaltis só saiu aos 46 do segundo tempo, com Jivago. E a vaga para a final ficou para os pênaltis.

Melhores momentos do primeiro jogo da final

Nas cobranças, Fábio Magrão, Márcio Pereira, Souza (sim, o ex-jogador de Botafogo, Guarani, Portuguesa Santista, São Paulo, Paris Sain German, Grêmio, Cruzeiro, Portuguesa e  Ceará, na época com apenas 20 anos e recém profissionalizado), Missinho e Williams foram perfeitos e não erram os pênaltis. Já o São Raimundo perdeu sua última cobrança e o CSA conseguiu se classificar para a final.

Na decisão, os alagoanos enfrentaram o Talleres, da cidade de Córdoba, na Argentina. A primeira partida foi realizada no primeiro dia do mês de dezembro, no Rei Pelé, que recebeu mais de 30 mil pessoas. Logo de cara, o CSA fez 1 a 0 com Missinho e ampliou aos 15 com Fábio Magrão. Aguilar descontou para o Talleres, três minutos depois. Missinho, que estava impossível, fez mais dois, aos 38 do primeiro e 3 do segundo tempo, deixando o placar de 4 a 1 para o CSA. Porém, aos 41, Astudillo diminuiu para os argentinos. E seria esse gol que faria toda a diferença no final.

A partida decisiva

E em 8 de dezembro, a equipe do técnico Otávio Oliveira não teve uma noite muito feliz. O Talleres, que contava no banco com o treinador Ricardo Gareca, ex-Palmeiras, com a força de sua torcida jogando em Córdoba, fez uma bela partida. Silva, Gigena e Maidana fizeram 3 a 0 para os argentinos, que conquistaram a última Copa Conmebol.

Apesar de perder o título, o CSA acabou fazendo história, já que até hoje é a única equipe nordestina a chegar a uma final de torneio sul-americano.
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