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Disputa pelo título na Grécia é a história mais legal do fim da temporada europeia

Por Lucas Paes
Foto: Divulgação/Panathinaikos

Bernard é o grande nome do Panathinaikos

Diversos campeonatos Europa a dentro estão já com campeões praticamente definidos neste fim de temporada. O Bayer Leverkusen foi campeão com cinco rodadas de antecedência, mas Real Madrid, Internazionale e PSG caminham a passos largos para conquistar os torneios de seus países. Na Inglaterra, o título caiu novamente no colo do City enquanto Portugal tem uma insana disputa entre Benfica e Sporting. Em meio à essas brigas, se destaca o final do campeonato grego, que coloca quatro times com chances de título numa luta ponto a ponto.

O Campeonato Grego, também conhecido pelo nome oficial de Superleague, não é exatamente conhecido pelo equilíbrio. Se em outros esportes o Panathinaikos simplesmente domina praticamente todos os cenários no país, no futebol o Olympiakos se destaca e é o maior time local, apesar de não ter nem de perto as campanhas do arquirrival no continente. Nos últimos anos, porém, a liga da Grécia tem variado de maneira interessante seus campeões, apesar do título permanecer no núcleo Atenas-Tessalônica. 

Nos últimos seis anos, em meio a um tricampeonato do Olympiakos, o título nacional chegou a passar pelo AEK, em 2019 e na última temporada e pelo PAOK. O Panathinaikos ficou muito perto de quebrar o jejum na temporada passada, mas falhou contra o Volos em casa num jogo que acabou o custando o título na fase decisiva. Este ano, a disputa está insana entre PAOK, AEK e Panathinaikos, com o Olympiakos inclusive correndo por fora.

Atualmente, a classificação da fase final da disputa pelo título, que coloca de frente os seis primeiros colocados na disputa pela taça, tem uma vantagem do PAOK, que tem um jogo a menos e se vencer esta partida diante do Olympiakos, em Pireu, seguirá lider, já que vai a 70 pontos. Com um jogo a mais, atualmente o líder é o AEK, com 69 pontos, um ponto na frente do Panathinaikos. O Olympiakos corre por fora e tem 63, mas se vencer o PAOK possivelmente volta de vez para a disputa, que promete ser pesada nas últimas rodadas.

O formato de campeonato que coloca frente a frente os seis primeiros colocados brigando pelo título são os confrontos diretos dessa fase final, que permitem as equipes chegarem aos 36 jogos e enfrentarem os concorrentes em turno e returno. Na fase regular, o Olympiakos era o vice-líder e concorrente do PAOK, mas o time perdeu fôlego nesta fase final e vê diante dos seus olhos Panathinaikos e AEK serem os times que de fato brigam contra o PAOK. Ironicamente, o Olympiakos pode inclusive ajudar um deles se vencer o PAOK, dando talvez o título de bandeja a algum rival.


É claro que, com seis jogos por disputar, não dá para descartar a chance do título terminar na mão dos Gavros, mas a maior probabilidade, até pelos resultados em confrontos diretos é mesmo da conquista do PAOK, que inclusive já surrou o Panathinaikos dentro do Apostolos Nikolaidis recentemente. A campanha dos comandados de Lucescu é impressionante e pode culminar no quarto título grego dos alvinegros, que fazem uma campanha incrível nesta temporada.

Seja qual for o fim dessa história, o final do Campeonato Grego é talvez a definição mais interessante do fim da temporada europeia junto com a decisão da Ekstraklasa e da segunda divisão inglesa. Para quem tiver a curiosidade de assistir as partidas, os jogos da Superliga grega estão disponíveis no Brasil no Star+. A Grécia é uma prova de que, em muitas vezes, as melhores histórias do futebol do Velho Continente estão nos campeonatos que você sequer cogita assistir. 

O sensacional Panathinaikos fecha o primeiro turno invicto na Grécia e cada vez sonha mais

Por Lucas Paes
Foto: Divulgação/Panathinaikos

O Panathinaikos segue líder na Grécia

O futebol é, além de tudo o que o esporte representa, um cenário de histórias maravilhosas, de contos que criam um magnetismo especial com este esporte. No futebol europeu neste ano uma da histórias mais legais do esporte bretão é o desempenho incrível do Panathinaikos, que segue voando no Campeonato Grego e neste fim de semana, na última partida antes da Copa do Mundo, venceu o Atromitos e fechou o primeiro turno da competição com incríveis 12 vitórias e apenas um empate.

Diversas foram as maneiras que permitiram ao Panatha chegar a este patamar no campeonato. Durante toda a campanha, o time venceu alguns jogos dando show, como diante de PAS Giannina e Volos, venceu clássicos com competência, como contra Aris e PAOK e dominou o jogo até conseguir marcar, como neste domingo diante do Atromitos. Até quando não venceu, a história foi incrível, com o gol de empate no clássico diante do Olympiakos vindo literalmente no último lance do jogo. 

O início espetacular de 11 vitórias seguidas fez com que o time abrisse gordura na ponta da competição. Nem a gravíssima lesão do artilheiro Aitor parece conseguir fazer com que o time de Jovanovic diminua seu ritmo. Num campeonato de nível técnico fragilizado, o Panathinaikos cumpre suas obrigações diante dos adversários mais fracos e mostra competência e frieza quando se depara com os principais concorrentes ao título. 

Em projeções do pontuação, o time já fez quase metade dos pontos do que geralmente é necessário para um time ser campeão da Ethniki. A campanha do time alviverde surpreende pois os investimentos não foram muito altos, diferente do Olympiakos que trouxe diversos nomes, como James Rodriguez e Marcelo. O principal reforço do PAO foi o meia brasileiro Bernard, que só agora vai encaixando na equipe, ainda que não tenha marcado gols.

Se o investimento foi pequeno, Jovanovic parece potencializar o que tem a disposição. O goleiro italiano Brignoli tem sido espetacular quando exigido, a defesa também tem ido bem, mas lá na frente o que tem feito a diferença é a forma espetacular de nomes como Sporar, Verbic e agora Bernard, além dos infernais Aitor e Palacios nos flancos, grandes artilheiros e causadores de dor de cabeça alheia nos rivais. 


Com um futebol agradável e principalmente uma competência incrível na defesa, o Panathinaikos segue caminhando a passos largos para encerrar seu jejum de títulos nacionais e festejar mais um título do Campeonato Grego. Aos poucos, os alviverdes vão voltando ao topo do futebol de seu país depois de uma crise que quase destruiu o clube. Seguiremos acompanhando a saga de uma das histórias mais legais do futebol em 2022.

A passagem de Nikopolidis pelo Panathinaikos

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

Nikopolidis atuando no Panathinaikos

O time da Grécia que disputou e venceu a Eurocopa de 2004 virou casa de alguns dos jogadores que mais marcaram o futebol mundial no ano 2000, seja por carisma ou por histórias. Neste dia 14, o goleiro daquele time, um dos maiores ídolos do futebol grego, Nikopolidis está completando 51 anos. Dono de uma marcante cabeça cheia de cabelos brancos desde muito novo, o arqueiro foi um gigante dentro do futebol grego e tem grande história no Panathinaikos.

Começou a carreira no time de sua cidade natal, o Annagenesi Arta e durou pouco tempo no pequeno time do futebol grego, sendo negociado com o Panathinaikos ainda muito jovem, no início da temporada 1989/1990. Começava a partir dali uma das grandes histórias do futebol grego, de um dos maiores nomes da liga local.

Nikopolidis não se tornou titular do gol panathinaiko logo de cara. Amargou alguns anos na reserva para sequer ser cogitado no time titular do alviverde. Esteve no banco enquanto seu time comemorava o bicampeonato nacional nas temporadas 1989/1990 e 1990/1991. Na temporada do título de 1994/1995 já jogou algumas partidas com mais destaque. Era reserva do time que surpreendeu a Europa e quase alcançou a segunda final da Liga dos Campeões em sua história, perdendo para o Ajax nas semifinais.

Passou a atuar de titular de maneira constante na temporada 1997/1998, apesar de ter jogado algumas partidas no título grego em 1995/1996. A partir do momento que virou titular, acabou dando o azar de viver anos em que o Olympiakos passou a ter maior domínio em território nacional, passando a ser titular do time numa seca de títulos. Era, porém, o goleiro do marcante time da temporada 2001/2002, que foi parado a muito sangue pelo Barcelona nas quartas da Liga dos Campeões.


Na temporada 2003/2004, sua derradeira pelo PAO, foi peça crucial do time que conquistou o doblete, sendo campeão da Liga e da Copa da Grécia. Foi para a Eurocopa com a moral de ser uma das figuras de um dos maiores clubes do país e se tornou, como já sabemos, peça essencial na histórica conquista da Grécia em Portugal, calando a Luz com a derrota dos donos da casa que veio muito também pelas defesas de Nikopolidis.

Curiosamente, depois da Eurocopa ele acabou acertando com o arquirrival do Panathinaikos, indo jogar no Olympiakos, onde se tornaria o primeiro jogador grego a conquistar um doblete por dois times diferentes. No total, defendeu o gol do Panathinaikos em 242 partidas, ao longo dos mais de 14 anos em que esteve a serviço do clube. Curiosamente, o gene do pai é forte, já que Giannis segue carreira de goleiro, no momento sendo titular do New York Red Bulls II, time secundário do Red Bulls que joga na USL.

Na Grécia, Panathinaikos dá sinal de retorno e começa o campeonato voando

Por Lucas Paes
Foto: Divulgação/Panathinaikos

Aitor é o grande destaque do Panatha

Com exceção de dois anos seguidos onde o PAOK e o Aris aprontaram, o Campeonato Grego vinha cada vez mais nos últimos anos se tornando um torneio de um só time. O Olympiakos dominava o cenário do futebol nacional muito devido ao seu principal rival, o Panathinaikos, ter perdido força no esporte bretão após a crise na Grécia. Se segue dominando o país no basquete, o Panatha sofria muito nos últimos anos da Alfa Ethniki e sequer conseguia ser vice-campeão. Pois parece que na temporada 2022/2023 os alviverdes estão afim de voltar ao topo, já que o começo de temporada é animador.

Os sinais já foram mais positivos para os alviverdes no final da temporada 2021/2022. Ainda antes do final do biênio, a diretoria trouxe o sérvio Ivan Jovanovic, que enquanto jogador fez muito sucesso pelo Iraklis, na própria Grécia, para ocupar o cargo de treinador. Ele encerrou a temporada contando com um gol de Aitor para conseguir o título da Copa da Grécia e quebrar uma seca de oito anos do PAO. 

Para a temporada 2022/2023, os Tryfili trouxeram diversos reforços, o mais caro deles sendo o meia Sporar, trazido do Sporting por 3 milhões de Euros. Os outros, incluindo o brasileiro Bernard, que foi o grande destaque da janela do time, vieram ou de graça, como é o caso do ex-Galo, ou por preços baixíssimos. O time, porém, perdeu Alexandropoulos, jovem e ótimo jogador da base que foi vendido ao Sporting. 

O time base, porém, ainda mantém muito da temporada passada. Brignoli, Kotsiras e Juankar seguem formando a defesa, porém, o croata Sarija, que já fazia parte do time no último período parece ser mais constante na titularidade agora. As mudanças principais, porém, parecem vir no meio e ataque, já que o meia Cerin e principalmente o ponta Sporar tem feito um grande começo de temporada. Nenhum deles, porém, chega perto do arrasto causado até o momento por Aitor.

O ponta espanhol formado no Barcelona já tinha feito um bom ano, ficando, porém, atrás de Lopes e Palácios na artilharia da equipe. Neste ano, Aitor não só é artilheiro como é o nome mais infernal do Panatha no início de temporada, sendo quase o homem que carrega o ataque sozinho, já que aparece como principal goleador por um abismo. O resto do time, porém, tem funcionado como uma engrenagem interessante.

Até então, porém, nestes primeiros seis jogos, o Panathinaikos só havia enfrentado na liga, pelo menos, o AEK de adversários mais conhecidos e venceu o rival ateniense por 2 a 1 no Apostolos Nikolaidis, sua acanhada (e infernal) casa. Neste sábado, porém, visitou o PAOK, saiu atrás do placar e mesmo assim buscou os três pontos em uma virada que mais uma vez se concretizou devido a uma atuação espetacular de Aitor, com dois gols.

Nas próximas rodadas o Panatha enfrenta Asteras, em casa, Lamia, fora, Aris, este sim um jogo complicado, em casa e o Volos, uma grata surpresa deste início, em casa, antes do jogo que parará a Grécia se as coisas continuarem como estão diante do vice-líder Olympiakos, um jogo que ocorre na casa alviverde. O Olympiakos não vence um clássico há quatro jogos e inclusive perdeu os dois na última temporada. 


Não é possível prever se o Panathinaikos finalmente quebrará a fila e será campeão grego depois de 12 anos, mas o começo de temporada é positivo. Depois dos 23 jogos dos dois turnos, os alviverdes ainda terão de enfrentar o playoff decisivo entre os seis primeiros colocados ao final da competição, mas se continuar assim e abrir distância, talvez ele seja apenas uma formalidade. Independente disso, o que parece claro é que o Panathinaikos está sim, aos poucos, retornando. 

As odisseias do Panathinaikos na Liga dos Campeões

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

A equipe do Panathinaikos finalista da Liga dos Campeões de 1971

O futebol grego não é necessariamente um dos titãs da Europa. Apesar da seleção nacional ter ganho a Eurocopa em 2004, são poucas as histórias de sucesso dos times helênicos em competições europeias. Apesar de ser disparado o time de mais sucesso no futebol local, não é o Olympiacos que viveu os principais momentos do país na Liga dos Campeões e sim o Panathinaikos, que hoje já não tem a mesma força de outros tempos.

Nos anos 1970, o PAO montou um dos melhores times da história do futebol grego, se não o melhor. Sob o comando do eterno Puskas, os alviverdes foram campeões do Campeonato Grego da temporada 1969/1970. O título classificou a equipe para a Liga dos Campeões da temporada seguinte, onde o time grego ficou a um passo de fazer história, mas não foi páreo para o absurdo Ajax de Cruyff.

A campanha europeia dos alviverdes começou com uma classificação tranquila sobre o Jeunesse Esch, de Luxemburgo. Uma vitória por 2 a 1 fora de casa e uma goleada por 5 a 0 no Apostolos Nikolaidis. Na fase seguinte, contra o Slovan Bratislava, o caldeirão do Apostolos Nikolaidis cozinhou os tchecos, que levaram 3 a 0 na Grécia e não conseguiram reverter em casa, vencendo por 2 a 1, placar insuficiente.

Nas quartas de final, o adversário foi só o campeão inglês Everton, oponente complicado. O Panatha, porém, foi forte, segurou os Toffees no Goodison Park e ainda saiu na frente com o matador Antoniadis, craque daquele time, porém, já nos acréscimos, Johson empatou o jogo. Na volta, num abarrotado Apostos Nikolaidis, o empate por 0 a 0 garantiu os gregos na semifinal. Lá, diante de um fortíssimo Estrela Vermelha, o sonho parecia acabar num 4 a 1 sofrido no Marakana, mas na volta, um 3 a 0 garantiu a classificação para a final. Nela, o Panathinaikos pegou o Ajax em Wembley e não foi páreo para o fortíssimo time holandês, que venceu por 2 a 0. Com 10 gols, porém, Antoniadis terminou como artilheiro da competição.

Vinte e quatro anos depois, na temporada 1995/1996, o PAO chegava de novo como campeão grego. Naquele ano, precisou primeiro eliminar o Hadjuk Split nas preliminares, passando com um empate de 1 a 1 fora de casa e um 0 a 0 em casa, nos gols fora de casa. Então, na primeira fase de grupos, os gregos caíram numa chave com Nantes, Porto e Aalborg, onde passaram na primeira posição, com 11 pontos, contra 9 do Nantes. Destaque para as vitórias contra o Nantes em casa por 2 a 0 e contra o Porto em Portugal por 1 a 0.

Nas quartas de final, o adversário foi Legia, que acabou batido por 3 a 0 no Olímpico de Atenas, após um empate por 0 a 0 na Polônia. Nas semifinais veio então o Ajax, engasgado desde 1971 e surpreendentemente, em pleno Olímpico de Amsterdã, o PAO venceu por 1 a 0. Porém, na volta, num lotado e esperançoso Apostolos Nikolaidis, o Ajax tratou de mandar os gregos para o espaço com um sonoro 3 a 0, acabando novamente com o sonho. Naquele ano, o grande destaque alviverde era o polonês Warzycha, até hoje maior artilheiro da história do clube.


O PAO ainda protagonizou outras campanhas interessantes na Liga dos Campeões. Em 2000/2001, caíram na segunda fase de grupos. Na temporada seguinte, foram até as quartas de final, onde deram um enorme trabalho ao Barcelona, apesar da eliminação (Puyol tirou um gol que daria a classificação aos gregos em cima da linha). Na mais recente das odisseias deles na Liga dos Campeões, em 2009, o Panatha passou na primeira posição num grupo onde estava a Internazionale, que inclusive foi superada em Milão pelos gregos, mas caiu nas oitavas para o Villareal. Desde então, o clube caiu muito de rendimento e já há muitos anos sequer joga uma UCL, ficando outras grandes campanhas apenas nos sonhos dos torcedores.

Stratos Apostolakis e uma transferência que cancelou a Supercopa da Grécia

Por Lucas Paes
Foto: Sportime.gr

Apostolakis no primeiro clássico pelo Panathinaikos

O futebol é um esporte de contrastes e rivalidades, seja em países tradicionais no esporte, como no Brasil e na Argentina, ou mesmo em alguns de menos sucesso como a Sérvia. Na Europa um dos países com maiores rivalidades e com torcedores mais fanáticos é a Grécia. Em 1990, a transferência de um volante diretamente do Olympiakos para o Panathinaikos causou o cancelamento da Supercopa da Grécia devido ao temor da reação de torcidas. Esse jogador era o aniversariante do dia, Stratos Apostolakis, que completa 57 anos neste dia 17.

Apostolakis começou sua trajetória como jogador no Panetolikos e por lá ficou durante os cinco primeiros anos de sua carreira antes de ser adquirido pelo Olympiakos Pireu. Nos Gavros, ficou durante cinco anos onde se consolidou, chegando a Seleção Grega. Polivalente, jogava tanto na lateral-direita, sua principal posição, quanto de volante e de meiocampista. Jogando com o maior campeão grego, foi campeão nacional na temporada 1986/1987 e ganhou a Copa da Grécia em 1989/1990.

Foi depois dessa competição que aconteceu o episódio do título, pois mesmo sendo um um dos pilares do Olympiakos, Apostolakis acabou se transferindo para o Panathinaikos ao fim da temporada 1989/1990. Tal negociação causou enorme revolta na torcida alvirrubra, acedendo ainda mais o pavio de uma rivalidade que já é normalmente absurdamente incandescente. O temor da reação negativa de torcedores fez com que a Supercopa da Grécia, que colocaria frente a frente Panathinaikos e Olympiakos, fosse cancelada.

O fato é que jogando no time de Atenas Apostolakis foi muito mais significativo. Se converteu num dos grandes nomes da história do Panathinaikos. Ganhou três vezes o Campeonato Grego, quatro vezes a Copa da Grécia e duas vezes a Supercopa, torneio que ele causou o cancelamento em 1990. Foram no total 249 jogos e 21 gols pelo Panatha, clube pelo qual ele foi convocado para defender seu país na Copa do Mundo de 1994. Fez parte também de um dos mais significativos times da história do alviverde de Atenas, a equipe semifinalista da Liga dos Campeões em 1996, quando o PAO quase cometeu uma das maiores zebras da história do futebol europeu, vencendo o Ajax, campeão continental, em Amsterdam, mas deixando a vaga na final escapar em Atenas.


Apostolakis se aposentou do futebol ao fim da temporada 1998/1999. Investiu numa carreira de treinador depois, tendo pouco sucesso, mas ficando marcado por treinar a Seleção Grega na Olímpiada de 2004, em Atenas. Seu filho atualmente joga pelo APOEL Nicósia, do Chipre, tendo já passado inclusive pelo Panathinaikos.

Giovanni - O "Messias" que virou quase um deus na Grécia

Por Lucas Paes
Foto: Getty Images

Giovanni é uma lenda no Olympiakos

O futebol é em muitos momentos quase uma religião para seus seguidores mais fiéis, já que há torcidas que cultuam santos, milagreiros, bruxos e até um Messias. Foi com esse status que Giovanni, que completa 49 anos neste dia 4, deixou o Santos em 1996. Alguns anos depois, parecia que havia falhado na carreira européia ao chegar ao Olympiakos. Ledo engano dos leigos, pois foi vestindo vermelho e branco que Giovanni, quase que literalmente, entrou no panteão, virou mágico, quase um deus e mudou para sempre a forma de um país todo ver o futebol.

Não dá para dizer que o paraense, super identificado com a torcida do Santos, falhou em Barcelona. Teve duas temporadas ótimas na Catalunha, sendo considerando um dos melhores e mais promissores jogadores do mundo, mas acabou perdendo espaço em rusgas com Van Gaal e foi negociado com o Olympiakos. Uma liga teoricamente fraca, mas onde o paraense encontraria a devoção de uma torcida que pode ser comparada com poucas no planeta.

Ele contou em entrevista que "não queria inicialmente jogar" pelos gregos, tendo na mesa propostas do Celta e do Benfica, por exemplo. Mas, como evangélico, "pediu um sinal divino" e acabou ouvindo de duas pessoas que "deveria conhecer as Ilhas Gregas". Acabou aceitando a proposta do time do Pireu, assustado por ser um pioneiro. Porém, acabou virando muito rapidamente um rei jogando no Campeonato Grego.

Desde o início se mostrou um grande artilheiro e um craque vestindo vermelho e branco. Chegou em meio à era de ouro do Olympiakos, num período onde os Thrylos simplesmente dinamitaram qualquer equilíbrio que existia no futebol contra o arquirrival Panathinaikos. Giovanni foi responsável direto por muitas vitórias em clássicos e principalmente por cinco títulos gregos seguidos. Foi artilheiro do campeonato na temporada 2003/2004.


Deixou o Olympiakos em 2005, quando acertou seu retorno ao Santos, sob a adoração de uma torcida que até hoje entoa seu nome entre os vários cantos na arquibancada e que até hoje faz sua camisa 10 ser a mais vendida na loja do clube. Foram 98 gols em 207 jogos vestindo a camisa vermelha e branca, marca que o coloca como o quarto maior artilheiro da história do clube, ainda que seja, provavelmente sem sombra o dúvidas, o maior jogador.

Volante Doriva, ex-São Bento, é contratado por clube da Grécia

Foto: divulgação Diagoras Rhodes

Doriva foi apresentado pelo Diagoras neste sábado e sua estreia está prevista para 1º de novembro

Após dois anos no São Bento de Sorocaba, o volante Doriva acertou sua transferência para o futebol grego. O meio-campista com passagens também pelo Guarani, América Mineiro e Figueirense assinou contrato com o Diagoras Rhodes válido até junho de 2021.

“Depois que rescindi com o São Bento, em julho, recebi sondagens de diversos clubes do Brasil. Mas achei que era o momento de buscar uma nova experiência no exterior. O Diagoras tem um projeto bem bacana de conquistar o acesso para a divisão principal do Campeonato Grego e chego bastante motivado para ajudar o clube a alcançar esse objetivo”, declarou.

Jogar na Grécia não é novidade para o volante. Entre 2008 e 2011, o volante vestiu as camisas do Xanthi, Thrasyvoulos e Karditsa, além de ter atuado pelo Matsumoto Yamaga do Japão, em 2015.


“Além desses anos em que joguei por lá, sou casado com uma grega. Por isso, estou totalmente adaptado ao idioma e à cultura da Grécia. Isso também foi determinante em minha escolha pelo Diagoras”, acrescentou o atleta cuja carreira é gerenciada pela empresa BL Sports e que, na transferência para o clube europeu, contou com a intermediação do agente Giu Vela.

Estreia dia 1º de novembro - O Diagoras estreia na Superliga 2 no dia 1º de novembro, quando enfrenta o Ierapetra, fora de casa. Na temporada 2020/2021, a equipe de Doriva ainda irá disputar a Copa da Grécia.

Thomas Mavros - O super-goleador grego

Por Lucas Paes
Foto: Neoskosmos

Pelo AEK, Mavros foi campeão grego

A Grécia não é exatamente um país conhecido pelo bom futebol. Os helênicos, porém, tem um título de Eurocopa, que é o grande feito da história do berço da civilização ocidental no esporte bretão. No que se refere a seus clubes, Panathinaikos, AEK e Olympiakos já se aventuraram bem pela Europa, principalmente os alviverdes, finalistas de uma Liga dos Campeões. Internamente, porém, os gregos tem uma lenda artilheira pouco conhecida: o atacante Thomas Mavros, que completa 66 anos neste dia 31.

Crescendo rapidamente na base do Panionios, Mavros estreou muito jovem pelo clube e foi o jogador mais jovem a marcar um gol pelo campeonato grego. Também foi o jogador do país mais novo a atuar em um jogo por uma competição europeia, em partida diante do Atlético de Madrid, em dezembro de 1971. Já em 1972 estreou pela Seleção Grega. Começou a ter números expressivos pelo Panionios na temporada de 1973/1974 e rapidamente chamou a atenção do AEK, que avançou para tentar tira-lo de seu clube de juventude. Os aurinegros conseguiram isso graças a descoberta de que Mavros havia assinado seu primeiro contrato ainda sendo menor de idade, o que levou ele a ser invalidado e deixou o atacante livre para assinar pelo AEK. Foram 35 gols em 135 jogos pelo Panionios.

Foi pelos Énosis que Mavros viveria seu auge. Ja na primeira temporada, fez parte de um time que levou o clube grego até a semifinal da Copa da UEFA, onde acabou eliminado pela Juventus de Turim. Marcou 21 gols naquela temporada, sendo o artilheiro da equipe. No biênio de 1977/1978, foi o grande destaque do time que conquistou o doblete nacional para o AEK. Na Copa da Grécia, marcou um dos gols na final diante do PAOK. Na temporada seguinte, foi mais uma vez artilheiro do campeonato, com incríveis 31 gols e ajudou na conquista de mais um título. Também ficou, naquela temporada, na vice-artilharia europeia, atrás apenas do holandês Kist, do AZ Alkmaar. Seus gols, principalmente os que marcava contra o Olympiakos, fizeram com que a torcida o apelidasse de "Deus".


Continuaria marcando seus gols pelo AEK, mas não conquistaria mais nenhum título do Campeonato Grego em sua carreira. Na teporada de 1982/1983, conquistou a segunda Copa da Grécia pelo clube amarelo e preto de Atenas. Em 1984, chegou a fazer parte do "World XI" que foi aos Estados Unidos jogar contra o Cosmos, levando 20 mil gregos ao estádio. No biênio de 1984/1985, foi outra vez artilheiro da liga nacional, mas viu o troféu ir para o PAOK, que ficou três pontos a frente de AEK e Panathinaikos. Já experiente e vivendo certa decadência, deixou o AEK em 1987, para retornar ao Panionios, naqueles que seriam seus últimos anos dentro de campo.

A despeito da idade, fez ainda três temporadas muito boas pelo clube, sendo de novo artilheiro do Campeonato Grego na temporada 1989/1990, com 22 gols marcados. Pendurou as chuteiras na temporada seguinte, marcando um total de 51 gols em 89 jogos na sua segunda passagem pelo Panionios. Viveu um momento histórico em 1989, quando teve seu nome cantado pela torcida do AEK ao marcar um gol contra o ex-clube. Com 260 gols em 501 jogos, ele ainda é o maior artilheiro da história do Campeonato Grego. Terminou a carreira com 285 gols em 571 jogos.

O nome de Mavros acabou aparecendo em páginas policiais quando o ex-atleta foi colocado sob custódia devido a problemas de dividas com o estado grego quando esteve na direção do AEK. O ex-clube de Mavros viveu intensa crise financeira e chegou a ser rebaixado para a terceira divisão como punição por problemas financeiros. Renascido, o clube conquistou o título grego da temporada 2017/2018. 

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