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Disputa pelo título na Grécia é a história mais legal do fim da temporada europeia

Por Lucas Paes
Foto: Divulgação/Panathinaikos

Bernard é o grande nome do Panathinaikos

Diversos campeonatos Europa a dentro estão já com campeões praticamente definidos neste fim de temporada. O Bayer Leverkusen foi campeão com cinco rodadas de antecedência, mas Real Madrid, Internazionale e PSG caminham a passos largos para conquistar os torneios de seus países. Na Inglaterra, o título caiu novamente no colo do City enquanto Portugal tem uma insana disputa entre Benfica e Sporting. Em meio à essas brigas, se destaca o final do campeonato grego, que coloca quatro times com chances de título numa luta ponto a ponto.

O Campeonato Grego, também conhecido pelo nome oficial de Superleague, não é exatamente conhecido pelo equilíbrio. Se em outros esportes o Panathinaikos simplesmente domina praticamente todos os cenários no país, no futebol o Olympiakos se destaca e é o maior time local, apesar de não ter nem de perto as campanhas do arquirrival no continente. Nos últimos anos, porém, a liga da Grécia tem variado de maneira interessante seus campeões, apesar do título permanecer no núcleo Atenas-Tessalônica. 

Nos últimos seis anos, em meio a um tricampeonato do Olympiakos, o título nacional chegou a passar pelo AEK, em 2019 e na última temporada e pelo PAOK. O Panathinaikos ficou muito perto de quebrar o jejum na temporada passada, mas falhou contra o Volos em casa num jogo que acabou o custando o título na fase decisiva. Este ano, a disputa está insana entre PAOK, AEK e Panathinaikos, com o Olympiakos inclusive correndo por fora.

Atualmente, a classificação da fase final da disputa pelo título, que coloca de frente os seis primeiros colocados na disputa pela taça, tem uma vantagem do PAOK, que tem um jogo a menos e se vencer esta partida diante do Olympiakos, em Pireu, seguirá lider, já que vai a 70 pontos. Com um jogo a mais, atualmente o líder é o AEK, com 69 pontos, um ponto na frente do Panathinaikos. O Olympiakos corre por fora e tem 63, mas se vencer o PAOK possivelmente volta de vez para a disputa, que promete ser pesada nas últimas rodadas.

O formato de campeonato que coloca frente a frente os seis primeiros colocados brigando pelo título são os confrontos diretos dessa fase final, que permitem as equipes chegarem aos 36 jogos e enfrentarem os concorrentes em turno e returno. Na fase regular, o Olympiakos era o vice-líder e concorrente do PAOK, mas o time perdeu fôlego nesta fase final e vê diante dos seus olhos Panathinaikos e AEK serem os times que de fato brigam contra o PAOK. Ironicamente, o Olympiakos pode inclusive ajudar um deles se vencer o PAOK, dando talvez o título de bandeja a algum rival.


É claro que, com seis jogos por disputar, não dá para descartar a chance do título terminar na mão dos Gavros, mas a maior probabilidade, até pelos resultados em confrontos diretos é mesmo da conquista do PAOK, que inclusive já surrou o Panathinaikos dentro do Apostolos Nikolaidis recentemente. A campanha dos comandados de Lucescu é impressionante e pode culminar no quarto título grego dos alvinegros, que fazem uma campanha incrível nesta temporada.

Seja qual for o fim dessa história, o final do Campeonato Grego é talvez a definição mais interessante do fim da temporada europeia junto com a decisão da Ekstraklasa e da segunda divisão inglesa. Para quem tiver a curiosidade de assistir as partidas, os jogos da Superliga grega estão disponíveis no Brasil no Star+. A Grécia é uma prova de que, em muitas vezes, as melhores histórias do futebol do Velho Continente estão nos campeonatos que você sequer cogita assistir. 

Thomas Mavros - O super-goleador grego

Por Lucas Paes
Foto: Neoskosmos

Pelo AEK, Mavros foi campeão grego

A Grécia não é exatamente um país conhecido pelo bom futebol. Os helênicos, porém, tem um título de Eurocopa, que é o grande feito da história do berço da civilização ocidental no esporte bretão. No que se refere a seus clubes, Panathinaikos, AEK e Olympiakos já se aventuraram bem pela Europa, principalmente os alviverdes, finalistas de uma Liga dos Campeões. Internamente, porém, os gregos tem uma lenda artilheira pouco conhecida: o atacante Thomas Mavros, que completa 66 anos neste dia 31.

Crescendo rapidamente na base do Panionios, Mavros estreou muito jovem pelo clube e foi o jogador mais jovem a marcar um gol pelo campeonato grego. Também foi o jogador do país mais novo a atuar em um jogo por uma competição europeia, em partida diante do Atlético de Madrid, em dezembro de 1971. Já em 1972 estreou pela Seleção Grega. Começou a ter números expressivos pelo Panionios na temporada de 1973/1974 e rapidamente chamou a atenção do AEK, que avançou para tentar tira-lo de seu clube de juventude. Os aurinegros conseguiram isso graças a descoberta de que Mavros havia assinado seu primeiro contrato ainda sendo menor de idade, o que levou ele a ser invalidado e deixou o atacante livre para assinar pelo AEK. Foram 35 gols em 135 jogos pelo Panionios.

Foi pelos Énosis que Mavros viveria seu auge. Ja na primeira temporada, fez parte de um time que levou o clube grego até a semifinal da Copa da UEFA, onde acabou eliminado pela Juventus de Turim. Marcou 21 gols naquela temporada, sendo o artilheiro da equipe. No biênio de 1977/1978, foi o grande destaque do time que conquistou o doblete nacional para o AEK. Na Copa da Grécia, marcou um dos gols na final diante do PAOK. Na temporada seguinte, foi mais uma vez artilheiro do campeonato, com incríveis 31 gols e ajudou na conquista de mais um título. Também ficou, naquela temporada, na vice-artilharia europeia, atrás apenas do holandês Kist, do AZ Alkmaar. Seus gols, principalmente os que marcava contra o Olympiakos, fizeram com que a torcida o apelidasse de "Deus".


Continuaria marcando seus gols pelo AEK, mas não conquistaria mais nenhum título do Campeonato Grego em sua carreira. Na teporada de 1982/1983, conquistou a segunda Copa da Grécia pelo clube amarelo e preto de Atenas. Em 1984, chegou a fazer parte do "World XI" que foi aos Estados Unidos jogar contra o Cosmos, levando 20 mil gregos ao estádio. No biênio de 1984/1985, foi outra vez artilheiro da liga nacional, mas viu o troféu ir para o PAOK, que ficou três pontos a frente de AEK e Panathinaikos. Já experiente e vivendo certa decadência, deixou o AEK em 1987, para retornar ao Panionios, naqueles que seriam seus últimos anos dentro de campo.

A despeito da idade, fez ainda três temporadas muito boas pelo clube, sendo de novo artilheiro do Campeonato Grego na temporada 1989/1990, com 22 gols marcados. Pendurou as chuteiras na temporada seguinte, marcando um total de 51 gols em 89 jogos na sua segunda passagem pelo Panionios. Viveu um momento histórico em 1989, quando teve seu nome cantado pela torcida do AEK ao marcar um gol contra o ex-clube. Com 260 gols em 501 jogos, ele ainda é o maior artilheiro da história do Campeonato Grego. Terminou a carreira com 285 gols em 571 jogos.

O nome de Mavros acabou aparecendo em páginas policiais quando o ex-atleta foi colocado sob custódia devido a problemas de dividas com o estado grego quando esteve na direção do AEK. O ex-clube de Mavros viveu intensa crise financeira e chegou a ser rebaixado para a terceira divisão como punição por problemas financeiros. Renascido, o clube conquistou o título grego da temporada 2017/2018. 

O Curioso do Futebol

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