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Aos 40 anos, Gabigol da Torcida anuncia que vai jogar o Cariocão B2 pelo 7 de Abril

Com informações da Agência Futebol Interiot
Foto: divulgação

Gabigol da torcida ao lado de Nelri Leite, presidente do 7 de Abril

Mesmo com o sucesso dentro de campo, o Flamengo também é capaz de chamar a atenção fora das quatro linhas com o carisma de seus torcedores, entre eles Jeferson Sales, 40 anos, também conhecido como Gabigol da Torcida, apelido que ganhou pela semelhança com o ex-jogador do time da Gávea que hoje veste as cores do Cruzeiro.

Jeferson conta com mais de 500 mil seguidores no Instagram e está prestes a realizar o sonho de muitos brasileiros: ser jogador profissional. O torcedor que carrega o apelido do ídolo rubro-negro defenderá o 7 de Abril na Série B2 do Campeonato Carioca, equivalente à quarta divisão do estadual. Esta é a segunda vez que isso acontece, já que em 2022, ele chegou a ser anunciado pelo Nova Cidade.

Fanático por futebol desde criança, Jeferson sempre esteve próximo do esporte, mas longe de atuar profissionalmente. Durante a sua infância, chegou inclusive a jogar em uma escolinha do Vasco, maior rival do Flamengo.

“Sempre gostei de jogar bola. Desde moleque, jogava na rua com os amigos, pelada de fim de semana, escolinha do Vasco e de bairro, mas nunca cheguei a jogar em base de clube. A vida foi me levando por outros caminhos, principalmente depois que comecei com as redes sociais, mas a paixão pelo futebol sempre permaneceu, era aquele sonho guardado.”, explica o agora jogador, que não escondeu o entusiasmo pela oportunidade.

“Minhas expectativas são as melhores possíveis. Sei que é um campeonato disputado, que exige muito preparo físico e mental, mas estou muito motivado. Quero dar o meu máximo, aprender com os companheiros e, claro, ajudar o clube dentro do que for possível.”

Jeferson fez questão de agradecer ao presidente Nelri Leite e o técnico Márcio Vieira pela oportunidade de realizar o seu sonho. Ele também menciona velhos conhecidos do futebol carioca que passaram pelo 7 de Abril, como Carlos Alberto Santos e Maurinho, que tiveram passagens marcantes por Botafogo e Flamengo, respectivamente.

“Aceitei esse desafio maravilhoso porque é a realização de um sonho. Sempre quis viver como jogador profissional, vestir a camisa e entrar em campo valendo três pontos. Desde a criação do clube, nomes como Carlos Alberto Santos, do Botafogo, e Maurinho, do Flamengo, marcaram história e deram força para o profissional. Agora, chegou a minha vez de dar continuidade e me juntar a essa galeria de ídolos. Não posso deixar de agradecer ao nosso presidente Nelri Leite e ao técnico Márcio Vieira e toda comissão técnica pela oportunidade, além dos meus companheiros e amigos do time do 7 de abril.”

“Fui muito bem recebido pelos jogadores. Os caras me trataram com respeito, deram força desde o primeiro dia. Brincadeiras sempre rolam, mas no fundo senti que eles me aceitaram de verdade no grupo, e isso faz toda a diferença.”

Rotina pesada - Jeferson confessa que é difícil conciliar a vida de jogador com a de Gabigol da Torcida, mas afirma que está tentando equilibrar. O trabalho como influencer chama atenção nas redes sociais e o jogador é presença constante em diversos eventos festivos. Ele define a experiência como única e projeta mostrar para as pessoas que nunca é tarde para correr atrás dos sonhos.

“É puxado, pois ser influencer já exige tempo, criação de conteúdo e contato com marcas, e agora tem treino, viagem e concentração. Estou tentando equilibrar, organizar bem os horários. No fim, acho que uma coisa vai acabar ajudando a outra, porque posso mostrar nos bastidores como é viver esse sonho.”

“Eu encaro como uma experiência única. Já não tenho idade para pensar em carreira longa no futebol, mas quero aproveitar cada minuto dessa chance. É viver o agora, realizar esse sonho e mostrar para muita gente que nunca é tarde para correr atrás do que você ama.”

Parceria forte - O presidente Nelri Leite comentou sobre o objetivo do 7 de abril na temporada. Caracterizado pelo seu DNA Social e por dar oportunidades a garotos da Zona Oeste do Rio de Janeiro, especialmente do bairro de Paciência, o clube conta com Jeferson para conseguir grandes parceiros e alcançar uma boa visibilidade na mídia esportiva.

“O Jeferson já vem nos ajudando desde o começo de maio. O filho dele participou do Campeonato Carioquinha sub-9, que foi disputado no Parque Olímpico da Barra. Nós tivemos boas participações em todas as categorias de base, fomos campeões da categoria sub-8 e tivemos o primeiro contato com a família do Gabigol da Torcida.”

“O carisma do Jeferson com as crianças é muito grande. Ele é morador de Paciência, tem um vínculo muito forte com o clube e vai fazer parte do elenco profissional. Entretanto, está buscando a posição dele dentro de campo, pois quem define os relacionados será o treinador. Ele tem feito os esforços necessários para isso. Fora do campo, precisamos de visibilidade e projeção. Nossos jogos são transmitidos pelo Youtube e ele terá a oportunidade de contribuir com o fortalecimento da imagem do clube.”


“O 7 de Abril busca sempre honrar a camisa nos campeonatos. Nós não fazemos cobranças ao Jeferson dentro de campo. Ele é um grande homem, esperamos parceiros fortes e iluminar a imagem do clube na mídia esportiva com essa parceria.”

Estreia - Com o badalado reforço à disposição da comissão técnica, a estreia do 7 de Abril na Série B2 do Carioca acontecerá no dia 14 de setembro, contra o Belford Roxo. O duelo terá início às 14h45.

Segunda vez - Esta não é a primeira vez que Gabigol da Torcida anuciou que iria estrear profissionalmente. Em 2022, ele chegou a assinar contrato com o Nova Cidade, que na época estava na Série B1 do Cariocão. O influencer e sósia foi até registrado no BID da CBF, mas acabou não sendo relacionado para as partidas.

Pérolas Negras vence o 7 de Abril no tempo normal e nas penalidades e conquista o Carioca B2

Foto: Marcos Faria / FFERJ

Comemoração do Pérolas Negras em um dos gols da partida

O Pérolas Negras conquistou o título do Campeonato Carioca da Série B2 de 2020. Em jogo realizado no Estádio Nivaldo Pereira, em Austin, em Nova Iguaçu, o Pérolas Negras venceu o tempo normal pelo placar de 2 a 0 e nas penalidades foi melhor, triunfando por 4 a 3, e comemorou o título.

No primeiro jogo entre as duas equipes, realizado na última quarta-feira, dia 3, no Estádio Ítalo del Cima, em Campo Grande, no Rio de Janeiro, o 7 de Abril levou a melhor e venceu por 2 a 0, abrindo vantagem em busca pelo título. Porém, se o Pérolas Negras vencesse pelo mesmo marcador, a decisão iria para as penalidades.

Porém, querendo descontar a vantagem do 7 de Abril, o Pérolas Negras, em um campo encharcado devido à chuva que caiu antes da partida, foi para cima logo no início e abriu o marcador no primeiro minuto de partida. Guilherme chegou pela direita e cruzou para MV. Ele dominou a bola, driblou o zagueiro e balançou as redes do Nivaldo Pereira, fazendo 1 a 0.

O Pérolas Negras continuou pressionando o 7 de Abril, criando chances e levando perigo à defesa adversária. No final da primeira etapa, o time adversário até equilibrou as ações, chegando mais ao ataque, mas o primeiro tempo terminou com o placar de 1 a 0 para os mandantes.

O segundo tempo começou mais aberto, mas aos poucos o Pérolas Negras foi dominando novamente e chegou ao segundo gol aos 16 minutos. Pietro recebeu a bola de Chula na área, bateu cruzado, o goleiro espalmou e Josimar não perdoou, fazendo 2 a 0. Com este placar, a decisão do título foi para as penalidades.


Nas cobranças, o 7 de Abril foi melhor nas primeiras cobranças, chegando a ter o pênalti que se convertesse ficava com o título. Entretanto, ao fim das cobranças, o Pérolas Negras venceu por 4 a 3 e ficou com a taça de campeão.

O campeão Pérolas Negras, o vice 7 de Abril e os semifinalistas do Campeonato Carioca da Série B2 de 2020, Campo Grande e Carapebus, conquistaram o acesso para o Campeonato Carioca da Série B1 de 2021, que no próximo ano será o terceiro escalão do futebol do Rio de Janeiro com a criação da A2.

7 de Abril faz 2 a 0 no Pérolas Negras e sai na frente na decisão do Cariocão B2

Foto: divulgação FFERJ

7 de Abril conquistou uma importante vitória

Na tarde desta quarta-feira, dia 3, no Estádio Ítalo del Cima, em Campo Grande, no Rio de Janeiro, 7 de Abril e Pérolas Negras fizeram o primeiro jogo da decisão do Campeonato Carioca da Série B2 de 2020. E quem levou a melhor foi o 7 de Abril, que venceu por 2 a 0 e abriu vantagem na briga pelo título da competição.

Para chegar à decisão, o 7 de Abril eliminou o Carapebus, sendo que perdeu o primeiro jogo, pelo placar de 4 a 3, e venceu o segundo por 3 a 0. Já o Pérolas Negras passou pelo Campo Grande na outra semifinal, empatando a partida de abertura em 1 a 1 e triunfando a seguinte por 1 a 0.

E o 7 de Abril mostrou que queria o caneco logo no início do jogo. Com menos de um minuto, a defesa do Pérolas Negras errou na saída de bola e Davi aproveitou para marcar. O time da capital continuou melhor depois do gol, criou chances, mas o primeiro tempo terminou com o placar de 1 a 0.


Na segunda etapa, o jogo ficou no mesmo panorama e aos 9 minutos, o 7 de Abril fez o segundo e novamente com Davi. Ele recebeu um lançamento e deu um belo toque de cobertura na saída do goleiro, marcando um bonito gol no Ítalo del Cima. No fim, o Pérolas Negras foi para cima, tentando diminuir o marcador, mas deixando espaços para o adversário contra-atacar. Porém, o jogo ficou mesmo no 2 a 0.

A partida de volta da grande final está marcada para o sábado, dia 6 de fevereiro, às 15h30, no Estádio Nivaldo Pereira, no Bairro de Austin, em Nova Iguaçu. Além dos dois finalistas, Carapebus e Campo Grande conquistaram o acesso para o Carioca B1 de 2021.

7 de Abril e Pérolas Negras vão decidir o Cariocão B2 2020

Foto: Marcos Farias

Pérolas Negras conquistou a classificação neste domingo

Os times que estarão na final do Campeonato Carioca da Série B2 de 2020 já estão definidos. O 7 de Abril, que eliminou o Carapebus, irá encarar o Pérolas Negras, que passou pelo Campo Grande. Os jogos de volta das semifinais foram realizados neste final de semana.

O 7 de Abril conquistou a classificação para a final ao bater o Carapebus por 3 a 0, na tarde deste sábado, dia 30, no Alzirão, em Itaboraí. O 7 de Abril conseguiu reverter a vantagem do Carapebus, que havia vencido o jogo de ida por 4 a 3.

Aos 7 minutos, o 7 de Abril abriu o marcador com Edmílson, mas ainda assim o Carapebus garantia vaga na decisão. Mas aos 18 minutos, Matheus Passarinhos acertou um chute cruzado, e ampliou. Aos 43 minutos, Matheus Passarinho ampliou e fez 7 de Abril 3 a 0.

Já no domingo, dia 31, com gol de MV, o Pérolas Negras derrotou o Campo Grande por 1 a 0, no estádio Nivaldo Pereira, em Austin, e se garantiu na decisão do Estadual da Série B2. O primeiro jogo entre as duas equipes tinha sido 1 a 1.


As partidas da decisão estão marcadas para os dias 03 e 06 de fevereiro, às 15h.

Quarta-feira (03/02)
7 de abril x Pérolas Negras
Local: CFZ

Sábado (06/02)
Pérolas Negras x 7 de Abril
Local: Nivaldo Pereira

Carapebus sai na frente na semi da B2 Carioca. Campusca e Pérolas empatam

Foto: Ramon Pachoal / FFERJ

Comemoração do Carapebus

Na tarde desta quarta-feira, dia 27, foram realizados os jogos de ida das semifinais do Campeonato Carioca da Série B2 de 2020. O Carapebus venceu o 7 de Abril e saiu na frente no confronto, enquanto Campo Grande e Pérolas Negras empataram. As quatro equipes já estão garantidas na B1 2021.

No Centro de Futebol Zico (CFZ), no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, o Carapebus levou a melhor sobre o 7 de Abril e venceu pelo placar de 4 a 3. Agora, o Carapebus joga no fim de semana com a vantagem no empate. O gol da vitória foi de Mamute, aos 43 do segundo tempo.

O jogo foi bastante movimentado, com muita rede balançado para os dois lados. Os sete gols da partida foram marcados por Werley, Donôvan e Mamute (2x) para o Carapebus e André, Leandrinho e Passarinho para o 7 de Abril.

Na outra semifinal, no Ítalo del Cima, Campo Grande e Pérolas Negras empataram em 1 a 1. O gol do Pérolas foi de MV, enquanto Jackson empatou para o Campusca. Em caso de empate no jogo de volta, a decisão será nos pênaltis.


As duas partidas estão marcadas para o próximo domingo, com início para 15 horas. Carapebus e 7 de Abril se reencontram no Alzirão, em Itaboraí, enquanto Pérolas e Campo Grande jogam no Nivaldo Pereira, em Austin, distrito de Nova Iguaçu.

Ex-capitão do Equador vai jogar a Série B2 do Rio de Janeiro

Ivan Hurtado foi apresentado pelo diretor de futebol Bruno Suzano (foto: divulgação 7 de abril)

Duas Copas do Mundo, oito Copas América e 168 jogos por sua seleção. Esse é o currículo do mais novo reforço do 7 de Abril para a Série B2 do Campeonato Carioca. Trata-se de ninguém menos do que o histórico zagueiro equatoriano Iván Hurtado, que acertou com o clube da Zona Oeste para voltar ao futebol profissional aos 43 anos. Ele inclusive já treinou com os demais companheiros de elenco no CT da Fazenda Marambaia, em Campo Grande, e foi apresentado pelo diretor de futebol Bruno Suzano.

"Estou muito feliz com o projeto apresentado pelo 7 de Abril. O Bruno é um grande amigo, fez o convite e achei interessante fazer alguns jogos no campeonato. Será a minha primeira vez no futebol brasileiro e estou me sentindo muito bem. É como estar iniciando a carreira agora", diz Iván Hurtado.

O defensor foi capitão de sua Seleção

O defensor ficará no Brasil até a próxima segunda-feira, quando retornará ao Equador para cumprir sua agenda de compromissos. Por lá, a expectativa é que ele comente a Copa do Mundo da Rússia, regressando ao Brasil com a abertura da janela de transferências internacionais. Ex-companheiro de clube de Iván Hurtado, Bruno Suzano falou de como serão as próximas etapas dele no Cação Vermelho:

"Ele veio para cá, já treinou com a equipe e se apresentou oficialmente. Porém, o Hurtado ainda tem alguns compromissos por ser uma pessoa de tamanha representatividade em seus país. Entramos em acordo e ele voltará ao Equador, retornando após a Copa para realizar os restantes dos jogos da Série B2", explica o diretor de futebol.

Ivan Hurtado, pelo Real Murcia, enfrentando Raul

Técnico responsável por conduzir o 7 de Abril à Série B2 logo no seu primeiro ano como profissional, Carlos Alberto Santos rasgou elogios a Iván Hurtado. Ele ressaltou o interesse do equatoriano pelo projeto do clube, não escondendo a felicidade pelo experiente reforço:

"Tecnicamente foi um dos melhores que vimos jogar e é um dos melhores sul-americanos de todos os tempos. A sua liderança, competência técnica e exemplo de ser humano, sem qualquer dúvida, só irá agregar ao clube. É um projeto que está sendo sedimento e ele se mostrou motivado. Só dele se interessar pelo projeto e assumir publicamente essa ideia no Equador, já é válido. Nessa história, nós somos os grandes privilegiados", afirma Carlos Alberto.

O zagueiro iniciou a carreira no Emelec

A carreira - Natural de Esmeraldas, Hurtado tem uma carreira invejável. O zagueiro ficou por 22 anos defendendo a Seleção do Equador, sendo o responsável por carregar a faixa de capitão por boa parte do tempo. Revelado pelo Emelec, ele passou pelos mexicanos Celaya, Tigres, Querétaro e Pachuca. Atuou também pelo espanhol Real Murcia, pelos colombianos Atlético Nacional e Millionarios, e por Al-Arabi e Al-Ahli Dona, do Catar.

No Equador, Iván Hurtado defendeu o Barcelona de Guayaquil, Deportivo Quito e Grecia, além do clube emelecista. Após parar de atuar, ele foi eleito para compor a Assembleia Nacional e atualmente preside a Associação de Jogadores Profissionais, tornando-se referência na política do país.

João Saldanha - sucesso como cronista esportivo e treinador

João Saldanha com o agasalho da Seleção

O 7 de abril é uma data importante para este site. Hoje completamos 1 ano de atividades. Além disso, a data é importante para os profissionais de comunicação, já que se comemora o Dia do Jornalista. O Curioso do Futebol relembra alguns casos de cronistas esportivos que assumiram cargos de treinador na história do futebol brasileiro.

Antes de falar de João Saldanha, vamos, rapidamente, lembrar do caminho inverso. É comum no rádio e na televisão ex-jogadores e treinadores assumir vagas de comentaristas esportivos. Alguns, só com o conhecimento de campo mas sem técnicas de comunicação, acabam não passando a informação de forma completa. Outros, resolvem se especializar, fazem, inclusive, a faculdade de Jornalismo e acabam unindo as duas profissões.

Fumando e dirigindo o Botafogo

A história mais conhecida de um cronista esportivo que assumiu o cargo de treinador foi a de João Saldanha. Gaúcho de Alegrete, nascido em 3 de julho de 1917, João Alves Jobin Saldanha passou a infância em Curitiba e depois radicou-se no Rio de Janeiro. Na juventude, chegou a jogar no Botafogo mas, depois, estudou Direito e Jornalismo e começou a carreira de cronista na Rádio Guanabara.

Em 1957, então com 40 anos, o Botafogo resolveu contratar João Saldanha para treinador. Mesmo sem experiência no cargo, o cronista dirigiu a equipe que foi campeã carioca naquele ano e ficou no cargo até 1959. Depois disso, resolveu priorizar a carreira na carreira de cronista esportivo.

João Saldanha sendo entrevistado

Com opiniões fortes e contundentes, mas sempre mostrando conhecimento técnico e tático, João Saldanha fazia muito sucesso nas rádios, televisões e jornais do Rio de Janeiro. Filiado do Partido Comunista Brasileiro (PCB) sua escolha para dirigir a Seleção Brasileira em 1969 surpreendeu muita gente, já que vivíamos a época do regime militar. Porém, o presidente da então Confederação Brasileira de Desportos (CBD), João Havelange, o escolheu alegando que o contratou na esperança de que os jornalistas fizessem menos críticas à seleção nacional, tendo um deles como técnico.

Até a entrada do cronista esportivo no cargo, a maior crítica à Seleção Brasileira era a falta de base. João Saldanha foi, exatamente, na principal crítica: montou a equipe em cima dos times de Santos, Cruzeiro e Botafogo, os melhores do país naquele momento. O time, que ganhou o apelido de "As Feras de Saldanha" era: Félix; Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel e Rildo; Piazza e Gerson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Edu.

As 'feras' Gerson e Pelé com o treinador

E não é que vinha dando certo! Nas Eliminatórias, o Brasil atropelou seus adversários e a torcida voltou a apoiar com fervor a Seleção, algo que havia se perdido após a pífia campanha na Copa do Mundo de 1966. Mas o temperamento explosivo de Saldanha começou a atrair inimigos.

Mesmo com as vitórias, o famoso técnico Dorival Knipel, o Yustrich, do Flamengo, criticava Saldanha abertamente. Até que um dia, o treinador da Seleção ameaçou o rival com um revólver. Além disso, diziam que Saldanha não entendia da parte física, o que causava desentendimentos com a Comissão Técnica, acarretando o pedido de demissão de seu auxiliar. Muitos diziam que era impossível conviver com o temperamento do treinador.

Comentando jogo no Maracanã

A gota d'água, segundo o próprio Saldanha, foi um pedido. O treinador negou uma solicitação do então presidente ditador do Brasil, o militar Emílio Garrastazu Médici, que pedia o centroavante Dario, o Dadá Maravilha, no escrete canarinho. O pedido, é claro, não foi atendido pelo comunista João Saldanha. Com tudo isso, João Saldanha foi demitido da Seleção Brasileira poucos meses antes da Copa do Mundo de 1970.

A CBD foi, primeiramente, atrás de Dino Sani para comandar a Seleção Brasileira. Com a negativa dele, a entidade que comandava o futebol contratou Mário Jorge Lobo Zagallo. E essa história todos nós conhecemos, que terminou com o título de campeão do mundo, mas com muitos dizendo que os jogadores mandavam mais que o treinador.

Famosa entrevista no Roda Viva em 1987

Após a demissão da Seleção Brasileira, João Saldanha voltou à sua carreira no Jornalismo. Criou vários citações que ficaram na história do nosso futebol, como: "o futebol brasileiro é uma coisa jogada com música". No final da vida, foi um dos maiores críticos da europeização do futebol brasileiro, com a adoção de esquemas mais defensivos e a perda de algumas de nossas principais características, como o jogo hábil e voltado ao ataque.

Em 1985, João Saldanha foi candidato à vice-prefeito do Rio de Janeiro, pelo PCB, em chapa encabeçada por Marcelo Cerqueira, do PSB. Nos últimos anos de vida, o cronista estava debilitado, principalmente devido ao cigarro, que usava com muita freqüência. Mesmo assim, ele foi até a Itália, para trabalhar na cobertura da Copa do Mundo de 1990, pela extinta Rede Manchete. E foi lá, no dia 12 de julho de 1990, que João Saldanha veio a falecer, mas fazendo o que mais gostava, que era falar sobre futebol.

O Curioso do Futebol

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