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Bebeto e a Seleção Brasileira

Com informações da CBF
Foto: Fifa

Bebeto e a clássica comemoração do ninar o bebê contra a Holanda

Titular na campanha do tetracampeonato mundial, José Roberto Gama de Oliveira, o Bebeto, completa 58 anos nesta quarta-feira, dia 16 de fevereiro de 2022. Com a Amarelinha, foram 81 jogos, somando 54 vitórias, 17 empates e apenas dez derrotas.

Na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, o atacante marcou três gols, sendo o mais importante contra os donos da casa e que garantiu a classificação da Seleção às quartas de final. Ele também balançou as redes contra Camarões, vitória por 3 a 0 na primeira fase, e Holanda, no suado triundo por 3 a 2 nas quartas, onde na comemoração fez o movimento de ninar um bebê, em homenagem ao filho Matheus, que havia nascido dias antes.

Além disso, participou de outros dois mundiais, em 1990, quando entrou em apenas uma partida, e 1998, sendo titular e tendo marcado mais três gols. Também conquistou com a Amarelinha o Torneio Pré-Olímpico (1987), a Taça das Nações (1988) e a Copa da Amizade (1992). Completando a carreira vitoriosa pela Canarinho, ganhou a Copa América (1989) e a Copa das Confederações (1997).

O ex-atacante também teve boa passagem pela Seleção Olímpica, onde disputou 30 jogos, somando 19 vitórias, seis empates e cinco derrotas. Foi medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Seul e bronze nas Olimpíadas de Atlanta.

Bebeto também teve passagens vitoriosas por grandes clubes do Brasil e do mundo. Revelado pelo Vitória-BA, conquistou o Brasileirão de 1983 pelo Flamengo-RJ, e o título nacional de 1989 pelo Vasco da Gama-RJ. No exterior, o atacante teve grande destaque no Deportivo La Coruña, da Espanha, onde foi campeão da Copa do Rei (1995). Também jogou por Sevilla, Toros Neza, Gavilanes Tampico (ambos do México), Kashima Antlers (Japão) e Al-Ittihad (Arábia Saudita).


Também jogou por outras importantes equipes do cenário nacional, como Cruzeiro, onde só fez um jogo, o da final do Mundial de Clubes de 1997, contra o Borussia Dortmund, e Botafogo, onde não conquistou título, mas foi vice-campeão da Copa do Brasil de 1999.

A Seleção Brasileira vestindo branco depois da Copa de 1950

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

Equipe do Brasil perfilada para amistoso contra a Itália em 1956

O Maracanaço é um dos episódios mais lembrados e tristes da história do Brasil no futebol e no país como um todo. Ocorrida há exatos 70 anos, em 16 de julho de 1950, a derrota para os uruguaios no Maracanã deixou uma ferida aberta na história do futebol brasileiro e criou vilões que carregaram o fardo até a verdadeira vergonha passada pelos Canarinhos em 2014. Entre tantas lendas relacionada a esse jogo, uma das mais difundidas foi como o Brasil aposentou a camisa branca devido a essa derrota, pois ela foi acusada de dar azar. Porém, a história conta que não foi bem assim.

Para começar a vasculhar a história não se precisa nem caminhar muito. O branco voltou a ser usado pelo Brasil imediatamente depois da Copa do Mundo de 1950. Foram basicamente 2 anos onde a equipe não jogou até a disputa do Campeonato Pan-Americano de 1952, onde a seleção jogou a competição com o mesmo uniforme que usava em 1950: camisas brancas, calções azuis e meias brancas. O título inclusive fica com os brasileiros naquela competição.

O fato é que aquela década na verdade, como comentou o jornalista Mário C. Gonçalves, que estuda a história de uniformes de futebol, representou mudança na questão de uniformes como um todo no mundo, não só envolvendo os brasucas. Segundo ele: "antes dessa época, se os uniformes de times e seleções fossem iguais, uma das equipes pegava emprestado o uniforme de um clube ou da seleção local, geralmente". Ele ainda complementou que "acontecia bastante também das equipes simplesmente jogarem com uniformes parecidos mesmo". Foi o que ocorreu por exemplo quando Leonidas e seus companheiros enfrentaram a Polônia na Copa do Mundo de 1938 e a futura terceira colocada da competição usou uma camisa azul clara que provavelmente pertencia ao Racing Estrasburgo.

Tem se no imaginário popular a questão do concurso para a definição de um "novo" uniforme para o Brasil, que realmente ocorre, promovido pelo jornal Correio da Manhã, em 1953, em que vence o uniforme amarelo com detalhes em verde, calções azuis e meias brancas, desenhado pelo gaúcho Aldyr Garcia. Curiosamente, um ano antes a combinação já havia sido usada nos Jogos Olímpicos de Helsinque. Porém, isso não necessariamente representou uma aposentadoria do uniforme branco de uma vez só ou mesmo a imediata adoção da camisa "canarinho". No Sul-Americano de 1953, por exemplo, o Brasil ainda usa o uniforme branco nas partidas.

Apesar de utilizada em 1952, a camisa amarela ganha de vez a popularidade que teria em 1954, na Copa do Mundo onde o Brasil joga todas as partidas com a clássica combinação canarinho, azul, branco. Corroborando com o que foi dito por Mário, de fato os brasileiros sequer levaram um segundo uniforme a Suíça. Naquele ano, a equipe caiu para a Hungria nas quartas de final. 

Um ano muito interessante nessa questão toda é 1956, quando o Brasil joga apenas ou de branco ou de azul. Em todas as partidas daquele ano a equipe utilizou ou uniformes azuis ou uniformes brancos, como por exemplo em amistoso contra a Itália, onde os futuros canarinhos acabam duelando de branco, a exemplo da foto que abre essa matéria. Em 13 de março de 1957 ocorre o que foi por muito tempo último registro da futura campeã mundial usando camisas brancas em um jogo competitivo, quando enfrenta o Chile e vence por 4 a 2.

A partir daí, se inicia um longo hiato na utilização da camisa branca. O primeiro título da Copa do Mundo, em 1958, com a campanha sendo quase toda jogada com a "amarelinha", vem na verdade jogando de azul, já que a Suécia também jogava de amarelo e foi preciso buscar um uniforme as pressas para a final, vindo também daí a história relacionando a camisa ao manto de Nossa Senhora de Aparecida, difundida por Paulo Machado de Carvalho. Há também a versão que diz que aquela camisa já seria usada pela equipe normalmente. O fato é que naquele dia o azul entrou pra história e passou a ser fixamente o segundo uniforme brasileiro.

Mesmo campeã mundial, mesmo com o azul já também marcado na sua história, a "bagagem" brasileira para a Copa do Mundo disputada no Chile, no ano de 1962, tinha ainda um uniforme branco. Procurando evitar problemas de falta de uniforme, a CBD levou para aquela competição três camisas diferentes. A canarinho, o azul campeão quatro anos antes e o branco, caso necessário. A segunda e terceira opções acabaram não sendo utilizada e então tivemos o que é entendido como a aposentadoria da camisa branca.


Foi só em 2004, num amistoso que comemorava o centenário da FIFA, envolvendo brasileiros e franceses, que voltamos a ver o Brasil usar camisas brancas. No primeiro tempo daquele duelo, disputado em Paris, os atuais campeões do mundo na época usaram uma camisa semelhante a primeira usada em todos os tempos pelo país, que tinha ainda os calções brancos e meiões azuis. Então, entramos em outro hiato até a primeira partida da Copa América de 2019, disputada no Brasil, quando os donos da casa voltam a utilizar branco na estreia diante da Bolívia, no Morumbi, em 14 de junho. Mesmo jogando apenas para o gasto, os comandados de Tite vencem por 3 a 0.

Setenta anos depois daquela que era a pior derrota da Seleção Brasileira até o vexame passado diante da Alemanha, não há na verdade grandes motivos para se temer uma volta do uniforme branco. O modelo usado no ano passado foi e ainda é um sucesso de vendas e entra facilmente no hall de camisas mais bonitas da história da Seleção Brasileira. Apesar de não ser o plano, a Confederação Brasileira de Futebol poderia passar sim a usar a camisa como uma terceira opção possível, fazendo quem sabe justiça a alma de todos os envolvidos no Maracanaço, já que se uma derrota em uma decisão é azar, o que seria um 7 a 1 dentro de casa sofrido jogando de amarelo?

Brasil de 1970 - Um time muito a frente de seu tempo

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo CBF


Brasil perfilado antes do jogo contra a Inglaterra

Pouquíssimos times da história do futebol mundial foram tão magníficos quanto a Seleção Brasileira que conquistou a Copa do Mundo de 1970, ganhando o terceiro título da história dos Canarinhos de maneira magnífica e fazendo uma competição irretocável. Com um elenco dono de muita técnica e de muita categoria, o selecionado brasuca era dono de um jogo e de conceitos que tornaram aquele time uma equipe muito a frente do seu tempo. Nas repetições das partidas, feitas recentemente no Sportv, foi possível ver o quanto aquele tima tinha conceitos que seriam importantes até hoje, aliás, seriam inspiração para o grande Pep Guardiola, a quem se credita a última grande revolução tática do futebol.

Vamos lembrar primeiro neste artigo primeiro da preparação física. Com Zagallo, o eterno Velho Lobo, como treinador e com Parreira, que futuramente se tornaria também campeão como treinador, como parte da equipe de preparação física, o Brasil começou os treinamentos físicos bem antes do mundial, chegando a Copa do Mundo muito melhor que seus concorrentes, sendo inclusive uma área onde o país estava muito a frente do mundo do futebol na época. Tamanho cuidado fez muita diferença, principalmente em jogos que os brasileiros resolveram na segunda etapa, quando outras equipes mostravam claros sinais de exaustão. A própria final é um exemplo claro disso.

Mas, nem só no físico se destacavam os canarinhos. Zagallo tomou a iniciativa de promover revoluções táticas que começariam a mudar o panorama do futebol e inspirariam times que são montados até hoje. A primeira grande e notável característica daquele time era um meio de campo completamente leve, um dos pontos fortes da equipe. O Velho Lobo colocou naquele meio campo Clodoaldo, o jogador de características mais defensivas, na época um jovem jogador do Santos,  que mesmo assim tinha muita qualidade com a bola nos pés, Gerson e Rivelino, um driblador arisco e voraz. Mais a frente, jogavam Pelé, Jairzinho e Tostão, que dispensam qualquer tipo de apresentação. Além disso, o setor de zaga ainda tinha Piazza, volante que foi improvisado como zagueiro para melhor a saída de jogo.

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Da linha de meio e ataque vem outro conceito que atravessaria eras. Pelé, Rivelino, Jairzinho e Tostão pouco guardavam posições. Havia muita movimentação no ataque brasileiro, com outro conceito que, apesar de não ser necessariamente uma novidade (o próprio Uruguai jogava aquele mundial com um atacante não tão fixo) era uma ideia que seria mais usada nos tempos atuais. pois Tostão era, para todos os efeitos, um "falso nove.". Para muitos que se impressionam, com justiça,  diga-se, com o jogo de Firmino no Liverpool, Tostão era, explicando de uma maneira muito rasa, como um Firmino muito mais técnico e habilidoso, jogador de um talento impressionante e assustador que foi capaz de ainda muito jovem desmantelar a dinastia do Santos de Pelé sem dó nem piedade.

A grande movimentação era outro aspecto daquele time que estava a frente de seu tempo e que destacava aquela equipe, encantadora de ver jogar. Porém, uma observação interessantíssima vendo aos jogos foi que o Brasil já na época tinha uma espécie de ataque em bloco. Os Canarinhos formavam suas atuações de ataques com blocos de 6 ou 7 jogadores, com avanço inclusive constante do lateral Carlos Alberto Torres, que naquele mundial reinventou a posição para sempre, tornando os laterais ainda mais parte de um jogo ofensivo, evoluindo ainda mais uma mudança que havia começado com Nilton Santos. Junto a isso, era possível também notar aspectos do tão citado jogo posicional, que o time usava durante a troca de passes. Além disso, havia certa compactação, ainda muito rudimentar, porém já possível de ser notada. Essas características muito modernas para a época podem ser facilmente observadas no gol do Capita contra a Itália, fechando o placar da final.

Se faltava na época a velocidade e intensidade do jogo atual, sobrava naquele time uma técnica que, na opinião deste que vos escreve, jamais foi vista em nenhum time. Se formos falar particularmente de jogadores, temos de começar por Carlos Alberto Torres, lateral que subia e marcava bem. Na meia cancha, tanto Clodoaldo, vulgo Corró, quanto Gerson e ainda mais Rivelino, faziam do meio brasileiro um setor leve e eficiente ao extremo na criação de jogadas e como já dito, o ataque, com Pelé, Jair e Tostão dispensa comentários. Jairzinho mostrou, naquele mundial, uma eficiência na hora de marcar gols pouquíssimas vezes vista na história e conseguiu até ter desempenho melhor que o do Rei.


Aliás, é com o Rei, nossa eterna majestade que encerrarei este artigo sobre as impressões modernas do time do Tri. Pelé era um verdadeiro super-humano, um viajante de períodos. O camisa 10 parecia manipular o espaço-tempo e ver o jogo de outra altura do campo, pensando seus movimentos muito a antes de serem feitos e tendo um controle sobre o jogo que só pode ser visto em jogadores que parecem vir de outros mundos. Messi, dono de características semelhantes na questão de parecer ver o jogo de outra dimensão, é chamado de ET por muitos. Talvez o argentino seja do mesmo planeta de onde veio o Rei, já que segundo Pepe, companheiro mortal de ataque do Rei no Santos: "Pelé era de Saturno.". Em 1970, mesmo já longe do auge, fez uma Copa do Mundo espetacular e mostrou porque é famoso como é.

O mais importante de se entender sobre esse time, vendo os jogos nos tempos atuais é que realmente não é atoa que a Seleção do Tri é considerado a melhor seleção de todos os tempos. A técnica, tática e estilo de jogo atravessaram gerações, influenciariam diversos nomes e deveriam ser eterna inspiração para o futebol brasileiro, porque ali está a raiz da identidade do jogo brasileiro: um futebol encantador, bonito, eficiente e acima de tudo vencedor. Vencedor jogando bonito. 

O Curioso do Futebol

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