Brasil de 1970 - Um time muito a frente de seu tempo

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo CBF


Brasil perfilado antes do jogo contra a Inglaterra

Pouquíssimos times da história do futebol mundial foram tão magníficos quanto a Seleção Brasileira que conquistou a Copa do Mundo de 1970, ganhando o terceiro título da história dos Canarinhos de maneira magnífica e fazendo uma competição irretocável. Com um elenco dono de muita técnica e de muita categoria, o selecionado brasuca era dono de um jogo e de conceitos que tornaram aquele time uma equipe muito a frente do seu tempo. Nas repetições das partidas, feitas recentemente no Sportv, foi possível ver o quanto aquele tima tinha conceitos que seriam importantes até hoje, aliás, seriam inspiração para o grande Pep Guardiola, a quem se credita a última grande revolução tática do futebol.

Vamos lembrar primeiro neste artigo primeiro da preparação física. Com Zagallo, o eterno Velho Lobo, como treinador e com Parreira, que futuramente se tornaria também campeão como treinador, como parte da equipe de preparação física, o Brasil começou os treinamentos físicos bem antes do mundial, chegando a Copa do Mundo muito melhor que seus concorrentes, sendo inclusive uma área onde o país estava muito a frente do mundo do futebol na época. Tamanho cuidado fez muita diferença, principalmente em jogos que os brasileiros resolveram na segunda etapa, quando outras equipes mostravam claros sinais de exaustão. A própria final é um exemplo claro disso.

Mas, nem só no físico se destacavam os canarinhos. Zagallo tomou a iniciativa de promover revoluções táticas que começariam a mudar o panorama do futebol e inspirariam times que são montados até hoje. A primeira grande e notável característica daquele time era um meio de campo completamente leve, um dos pontos fortes da equipe. O Velho Lobo colocou naquele meio campo Clodoaldo, o jogador de características mais defensivas, na época um jovem jogador do Santos,  que mesmo assim tinha muita qualidade com a bola nos pés, Gerson e Rivelino, um driblador arisco e voraz. Mais a frente, jogavam Pelé, Jairzinho e Tostão, que dispensam qualquer tipo de apresentação. Além disso, o setor de zaga ainda tinha Piazza, volante que foi improvisado como zagueiro para melhor a saída de jogo.

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Da linha de meio e ataque vem outro conceito que atravessaria eras. Pelé, Rivelino, Jairzinho e Tostão pouco guardavam posições. Havia muita movimentação no ataque brasileiro, com outro conceito que, apesar de não ser necessariamente uma novidade (o próprio Uruguai jogava aquele mundial com um atacante não tão fixo) era uma ideia que seria mais usada nos tempos atuais. pois Tostão era, para todos os efeitos, um "falso nove.". Para muitos que se impressionam, com justiça,  diga-se, com o jogo de Firmino no Liverpool, Tostão era, explicando de uma maneira muito rasa, como um Firmino muito mais técnico e habilidoso, jogador de um talento impressionante e assustador que foi capaz de ainda muito jovem desmantelar a dinastia do Santos de Pelé sem dó nem piedade.

A grande movimentação era outro aspecto daquele time que estava a frente de seu tempo e que destacava aquela equipe, encantadora de ver jogar. Porém, uma observação interessantíssima vendo aos jogos foi que o Brasil já na época tinha uma espécie de ataque em bloco. Os Canarinhos formavam suas atuações de ataques com blocos de 6 ou 7 jogadores, com avanço inclusive constante do lateral Carlos Alberto Torres, que naquele mundial reinventou a posição para sempre, tornando os laterais ainda mais parte de um jogo ofensivo, evoluindo ainda mais uma mudança que havia começado com Nilton Santos. Junto a isso, era possível também notar aspectos do tão citado jogo posicional, que o time usava durante a troca de passes. Além disso, havia certa compactação, ainda muito rudimentar, porém já possível de ser notada. Essas características muito modernas para a época podem ser facilmente observadas no gol do Capita contra a Itália, fechando o placar da final.

Se faltava na época a velocidade e intensidade do jogo atual, sobrava naquele time uma técnica que, na opinião deste que vos escreve, jamais foi vista em nenhum time. Se formos falar particularmente de jogadores, temos de começar por Carlos Alberto Torres, lateral que subia e marcava bem. Na meia cancha, tanto Clodoaldo, vulgo Corró, quanto Gerson e ainda mais Rivelino, faziam do meio brasileiro um setor leve e eficiente ao extremo na criação de jogadas e como já dito, o ataque, com Pelé, Jair e Tostão dispensa comentários. Jairzinho mostrou, naquele mundial, uma eficiência na hora de marcar gols pouquíssimas vezes vista na história e conseguiu até ter desempenho melhor que o do Rei.


Aliás, é com o Rei, nossa eterna majestade que encerrarei este artigo sobre as impressões modernas do time do Tri. Pelé era um verdadeiro super-humano, um viajante de períodos. O camisa 10 parecia manipular o espaço-tempo e ver o jogo de outra altura do campo, pensando seus movimentos muito a antes de serem feitos e tendo um controle sobre o jogo que só pode ser visto em jogadores que parecem vir de outros mundos. Messi, dono de características semelhantes na questão de parecer ver o jogo de outra dimensão, é chamado de ET por muitos. Talvez o argentino seja do mesmo planeta de onde veio o Rei, já que segundo Pepe, companheiro mortal de ataque do Rei no Santos: "Pelé era de Saturno.". Em 1970, mesmo já longe do auge, fez uma Copa do Mundo espetacular e mostrou porque é famoso como é.

O mais importante de se entender sobre esse time, vendo os jogos nos tempos atuais é que realmente não é atoa que a Seleção do Tri é considerado a melhor seleção de todos os tempos. A técnica, tática e estilo de jogo atravessaram gerações, influenciariam diversos nomes e deveriam ser eterna inspiração para o futebol brasileiro, porque ali está a raiz da identidade do jogo brasileiro: um futebol encantador, bonito, eficiente e acima de tudo vencedor. Vencedor jogando bonito. 
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