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Um Merseyside Derby dos desesperados ocorrerá nesta segunda-feira pela Premier League

Por Lucas Paes
Foto: Getty Images

Desespero e tensão devem imperar em Anfield

Nos últimos anos, os clássicos entre Liverpool e Everton, conhecidos como Merseyside Derby, colocam frente a frente times que costumam estar em situações opostas na classificação. Enquanto os Toffees brincam com fogo nos últimos anos, conseguindo posições cada vez mais baixas na classificação, os Reds vinham de anos em sequência brigando por títulos. Mais tarde, porém, nesta segunda, dia 13, os dois times da cidade dos Beatles duelarão num clássico dos desesperados em Anfield Road.

Pelo lado do Everton, o desespero não é uma surpresa. O time azul segue uma caminhada perigosa, estreitamente próxima do abismo já há algum tempo. Temporada após temporada o time de Goodison Park despenca posições, briga mais embaixo e a luta contra o rebaixamento no biênio 2021/2022 parece não ter ensinado nada ao outrora gigante time. Sem surpresas, este ano a briga contra o descenso é ainda mais contundente e talvez não haja fuga.

Já no lado do Liverpool, o desespero é uma completa surpresa. Ninguém imaginava que depois de brigar por todos os títulos possíveis, o time Klopp voltasse tão mal. No início da temporada, os Reds garantiram a Supercopa da Inglaterra batendo o City e deram impressão de força. Só que ficou só na impressão. Como se fosse um cadáver andante aproveitando do que um dia já foi, o maior clube inglês sofre absurdos a cada jogo, não venceu ainda na Premier League em 2023 e começa a olhar com algum medo para a rabeira da tabela, por mais incrível que isso soe.

O conto dos Toffees é uma das tragédias mais anunciadas de todos os tempos. Como já citado, o time vinha caindo posições e a bem da verdade não contratou bem para a temporada 2022/2023. Perdeu seu destaque, Richarlison, para o Tottenham e não trouxe nenhum jogador de garbo parecido. A decisão de trazer Lampard ao comando também se mostrou errada e a chegada de Sean Dyche tenta dar um fôlego a um time que possuí muitas fraquezas. Só o tempo dirá se é suficiente, mas não há surpresas no drama evertoniano.

Já a tragédia do Liverpool é uma bola de neve de erros de anos que cobram um preço caro de uma vez só. A contratação de Darwin Nuñez não pode nem ser julgada do ponto de visto do campo, já que o time mal cria para que o uruguaio marque. O meio de campo cheio de jogadores que tendem a se lesionar não foi renovado e sendo o setor mais crucial do time, ele simplesmente degringolou na temporada. O resto é uma tragédia de uma bola de neve que não acaba. As laterais, outrora confiáveis, viraram avenidas inúteis, o ataque, outrora mortal, é um acúmulo de lances bizarros de todos. O gol é o único setor confiável e mesmo assim é incapaz de evitar tragédias.


O Anfield Road será palco de um clássico que poderá dar paz para um dos lados ou continuar o inferno em ambos. Seja lá qual seja o resultado final, este clássico decidirá muita coisa para a continuidade da temporada, incluindo nessa conta e sendo o principal a briga em que cada um dos rivais de Liverpool se concentrará nos últimos meses de um ano que se mostra infernal para ambos. 

Celtic, Liverpool, Everton e o desprezo pelo Reino Unido

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

Torcida do Celtic se orgulha das origens irlandesas

Recentemente, o mundo viu a história ser escrita e foi balançado pela notícia da morte da Rainha Elizabeth II, do Reino Unido. A notícia rodou o país inteiro e gerou comoção e adiamentos, incluindo ai respingos no futebol, com a rodada do futebol sendo adiada tanto na Inglaterra, quanto na Escócia, quanto no País de Gales. Porém, a morte da monarca não causou o mesmo tipo de comoção em alguns clubes. O Everton prestou suas condolências e foi inundado por "carinho" da torcida, o Liverpool foi o último clube inglês a prestar luto e ainda fechou a publicação. O Celtic segue sem sequer se enlutar. A história e origem permitem nos entender o porque disso.

Antes de mais nada é preciso esclarecer que ainda que Elizabeth passassem imagem simpática, a rainha representava uma coroa que é sim com muita justiça odiada por muitos povos. O Reino Unido foi responsável pelo sofrimento de diversos povos, desde as covardias desumanas cometidas na África até a guerra das Malvinas que envolveu a Argentina. A cidade de Liverpool e o Celtic possuem motivos mais específicos para não lamentar a morte da monarca.

O contexto de Liverpool e Everton se relaciona diretamente a cidade do qual eles são parte. O município de Liverpool é uma zona de indústrias e de um porto que sempre foi muito miscigenada com imigrantes e sofreu ao longo de toda sua história com preconceito e desprezo por parte dos londrinos. O sentimento de não pertencimento só aumentou durante o governo de Margareth Tatcher, que foi responsável pelo fechamento de diversas fábricas e fechou o cerco aos sindicatos. O catalisador final, porém, ocorreria em 1989 e seria diretamente relacionado ao futebol.

A tragédia de Hillsborough, onde 96 torcedores do Liverpool morreram no Estádio de Hillsborough na semifinal da FA Cup daquele ano, foi durante muitos anos atribuída de maneira errônea e injusta ao comportamento de torcedores dos Reds. A movimentação feita pelo governo Tatcher através do Relatório Taylor e a campanha do jornal The Sun promovendo a versão de que os próprios torcedores não deixavam o resgate ocorrer romperam qualquer tipo de relação da cidade, já que o Everton ofereceu solidariedade, quanto ao governo central. Desde então, a população da terra dos Beatles odeia Londres e tudo que ela representa. Portanto, não é de se estranhar que o Liverpool tenha demorado tanto a prestar condolências e que o Everton tenha sofrido uma enxurrada de comentários negativos de sua própria torcida. Pelo menos no caso da rainha, só houve o desprezo e não a literal festa na morte de Tatcher.

Já o Celtic sequer se prestou a mostrar condolências. O principal time da Escócia segue, mesmo após quase uma semana da morte, sem sequer colocar luto nas suas redes sociais. O caso dos alviverdes é muito mais profundo e, de certa forma, muito mais pesado do que o motivo do Liverpool, já que o clube se orgulha das suas origens Irlandesas e, não surpreendentemente, na Irlanda a morte de Elizabeth foi motivo de festa.

Não necessariamente a rixa irlandesa é pessoal com Elizabeth, que nem era nascida na época da guerra de separação da Irlanda, mas sim com o governo britânico como um todo. A Irlanda, hoje uma república, teve de travar sangrentas batalhas para poder se separar do governo central e milhares de mortes ocorreram, o que criou um sentimento de ódio da população quanto a Londres. O sentimento nunca diminuiu e a morte de Elizabeth acabou sendo comemorara pelos irlandeses. O Celtic honra completamente suas origens ao sequer lamentar o fato.


No fim das contas, o desprezo da cidade de Liverpool (e principalmente da torcida dos Reds) e do Celtic com a morte de Elizabeth parte de um mesmo sentimento: não pertencimento. Não raro é comum ver em Anfield bandeiras que afirmam que os torcedores "não são ingleses e sim scousers". A cultura e o próprio sotaque da cidade diferem muito do resto do país. De certa forma, o time por muitos anos foi o principal do futebol inglês (e segue sendo um deles) não se importaria de não ser parte da Inglaterra ou do Reino Unido. Da mesma forma o Celtic também não se importaria de não ser escocês. No fim das contas, é isso que explica porque estes clubes tão pouco se importam com o Reino Unido.

Com direito a virada, invasão de campo e festa, Everton permanece na Premier League

Por Lucas Paes
Foto: Emma Simpson/Everton FC via Getty Images

Richarlison fez um dos gols do Everton

O drama de um dos mais tradicionais times do futebol inglês acabou. O Everton brigou durante o campeonato inteiro contra o histórico vexame de um rebaixamento que entraria negativamente na história do clube e chegou ao jogo contra o Crystal Palace, na tarde desta quinta, dia 19, aqui no Brasil e noite em Liverpool, em um lotado Goodison Park que explodiu em uma invasão de campo com o gol de Calvert Lewin aos 40 minutos do segundo tempo.

A torcida do Everton fez uma festa imensa antes do jogo. O time foi recebido diante de um fumacê azul nos arredores do Goodison Park digno de uma partida que valia título. Numa soma de erros que entra pra história dos Toffees, o Everton fez de tudo para se complicar durante toda a competição, a campanha do time foi péssima, mas a torcida fez seu papel desde antes do jogo e sofreu muito antes de poder comemorar.

Porque o primeiro tempo do time de Lampard mostrou porque o Everton brigou até o penúltimo jogo contra o descenso. Apático, fraco e sem conseguir se criar dentro de campo, os Toffees viram o Crystal Palace dominar completamente as ações e os gols de Mateta e Ayew vieram quase que naturalmente de um time que dominava completamente as ações em Liverpool. O alívio do torcedor do Everton, no primeiro tempo, era de não ter tomado mais gols que complicariam ainda mais a situação. Ainda chegou a notícia de que o Burnley vencia o Aston Villa por 1 a 0 fora de casa.

Pois o jogo sofreu uma transformação completa no segundo tempo. Como se fosse o histórico time que teve nos anos 1980, o Everton voltou engolindo o Palace, ganhando todas as divididas e quando não dava no tático, deu na emoção e no coração. Keane diminuiu o placar logo aos nove minutos numa bobeira imensa da defesa do time londrino. A pressão ficou ainda maior e quando arrefeceu Pickford salvou em uma oportunidade onde Zaha quase fez o terceiro. Richarlison, brasileiro iluminado, um ídolo do torcedor, empatou o jogo na metade do segundo tempo.

Já aos 40 minutos, quando tensão e festa eram idênticos no Goodison Park, Calvert Lewin explodiu o grito da permanência, com direito a invasão de campo e tudo. Ao final dos 90 minutos, outra invasão de uma torcida que comemorou a permanência como se fosse um título. A fumaça azul anunciava não um novo eleito, mas sim que o velho Everton permaneceria na Premier League na temporada 2021/2022, numa imensa festa em seu estádio.


É preciso, porém, que o time azul de Liverpool entenda que uma situação como a que ocorreu na temporada 2021/2022 é inaceitável para uma entidade do tamanho e da importância do Everton. Com um incômodo jejum de quase 30 anos sem títulos, os Toffees precisam entender que uma campanha apenas para permanecer não é digna do tamanho do clube. A invasão de campo em Goodison Park não tem de ser por uma permanência na primeira divisão, mas sim por vagas em finais e taças, estas sim muito mais congruentes com a história do time que costumeiramente parava um dos maiores esquadrões do futebol britânico nos anos 1980.

A tragédia de Heysel e os anos perdidos pelo Liverpool e pelos ingleses

Por Lucas Paes
Foto: Getty Images


A tragédia de Heysel é uma mancha irreparável nas histórias de Liverpool e Juve

O futebol inglês hoje é um dos mais badalados do mundo. A Premier League é celeiro de times com muito dinheiro, com ideias modernas e em sua maiora clubes que contam hoje com fãs em todo o mundo. Nem sempre, porém, o futebol inglês foi essa maravilha que é. Até poucas décadas atrás, a Inglaterra vivia a sombra do hooliganismo e seus fãs causavam terror no continente inteiro. A maior demonstração desse terror ocorreu em 1985, em Bruxelas, quando torcedores do Liverpool causaram, devido a sua violência, 39 mortes. Aquele episódio, que ficou conhecido como a "Tragédia de Heysel", causaria, para o futebol inglês, anos perdidos e uma imagem destroçada. Para os italianos, uma ferida que nunca cicatrizou. 

Não haverá aqui neste texto grande extensão sobre o que foi a Tragédia de Heysel. Em resumo, uma combinação de erros de planejamento, falta de estrutura e claro, acima de tudo, selvageria dos hooligans ingleses e italianos causou 39 mortes inocentes, quando diversas pessoas tentavam fugir da briga generalizada e acabaram encontrando um muro no caminho, um muro que desabou sobre 39 vidas e incontáveis feridos. O torcedor mais jovem a morrer tinha apenas 11 anos. A partida, realizada num estádio condenado e precário, com erros crassos de segurança e envolvendo duas das torcidas mais violentas do mundo na época era a crônica de uma tragédia anunciada. Pouco importa nisto tudo, mas a Juventus venceu o jogo por 1 a 0 e se sagrou campeã européia. Porém, entendemos o que, dentro de campo, a tragédia causou aos ingleses.

Obviamente, a situação causou uma sensação de raiva generalizada em diversos níveis de envolvimento no futebol. O Liverpool se viu em desgraça total. Os Reds, antes mesmo de qualquer ação de punição da UEFA, se auto-impuseram um banimento de competições européias, que acabou sendo de seis anos para o time de Merseyside e de cinco anos para demais clubes ingleses. Heysel foi o caso mais grave de uma série de problemas envolvendo torcedores do país pela Europa. Desde os anos 1970, com torcedores do Tottenham causando problemas na Holanda até brigas envolvendo torcedores da própria seleção inglesa. Heysel foi a gota d'água. 

Dentro de campo, é claro, poucos times poderiam ter tanto prejuizo quanto o próprio Liverpool. Os Reds viviam nos anos 1980 seu auge e eram o time mais temido da Europa (notadamente, dentro de campo e nas arquibancadas.). Deixando de participar da Liga dos Campeões até 1991, o Liverpool deixou de jogar três edições em que teria, teoricamente, time para buscar mais uma conquista européia. Não há ainda um entendimento preciso sobre o impacto que estes anos tiveram sobre o time vermelho da cidade dos Beatles, que ainda passariam por outra tragédia, desta vez como as vítimas, em Hillsbrough. 

No que se refere a questão da imagem do clube, esta foi irreversivelmente afetada por Heysel. E, verdade seja dita, o clube de Anfield pouco fez para limpar a imagem naquele periodo. Segundo o Anfield Wrap, um dos maiores fansites dos Reds, o anuário dado aos torcedores para a temporada 1985/1986 fazia pouquissimas menções a Heysel, citando que a torcida deveria deixar a situação para trás e trazer de volta a atmosfera do estádio, ressucitando uma imagem boa para o clube. Não haviam referências diretas ao que aconteceu. Demoraram muitos anos para que a própria cidade de Liverpool passasse a reconhecer a tragédia, algo que aconteceu só para meados de 2000. Hoje há um memorial sobre Heysel em Anfield, mas também foram muitos anos para que houvesse reconhecimento do ocorrido e até pedidos de desculpas do gigante inglês. 

É claro que a situação pioraria ainda mais para os Reds com Hillsbrough, onde os torcedores foram durante praticamente três décadas culpados injustamente pela tragédia, que levou 96 vidas e mudou para sempre a segurança nos estádios ingleses, de maneira até exagerada. Claro, muito disso incentivado pelo "Relatório Taylor", que culpou os torcedores vermelhos. Atualmente, a luz da verdade sobre Hillsbrough e a luz da verdade sobre Heysel, é de se questionar porque em três anos não se fez nada para mudar a segurança nos estádios e para os torcedores, principalmente sabendo-se que, em ambos os casos, num deles mais e num deles menos, a estrutura precária foi peça chave do desastre.

Dentro de campo, porém, o Liverpool não foi o único afetado. Aliás, o rival citadino dos Reds, o Everton, é um dos times onde a punição acabou significando mais perdas. Os Toffees foram campeões ingleses na temporada 1984/1985 com uma campanha espetacular, terminando 13 pontos na frente do próprio Liverpool. A equipe, comandada por Howard Kendall é talvez a melhor da história do clube de Goodison Park e poderia perfeitamente buscar um título da Liga dos Campeões, o que obviamente foi impedido pelo banimento dos clubes ingleses. O Everton tinha em seu elenco nomes como o bom goleiro Neville Southall, o habilidoso Peter Reid e, é claro, o matador Graeme Sharp, artilheiro do time na temporada. Até a Copa da UEFA poderia ter vindo, quando o Everton fora vice-campeão na temporada seguinte, com Gary Lineker no elenco.

Outro clube afetado foi o time que mais concorria com o Liverpool em sua era de ouro, o Arsenal. Os comandados de George Graham conquistaram o título inglês na temporada de 1988/1989, numa corrida sinistra com o Liverpool que só foi definida no último jogo, que era um confronto direto, graças a um gol nos acréscimos. Alan Smith era o grande destaque dos Gunners, que tinham bons nomes e poderiam levar o inédito título europeu. Aquela, porém, seria a única chance dos Gunners neste período, já que quando o clube voltou a ganhar o campeonato, já não valia mais o banimento de clubes ingleses e o Arsenal fez péssima campanha.

Além do que se refere a Liga dos Campeões, obviamente houveram os campeões da FA Cup que não puderam jogar a Recopa Européia. Neste caso, deixaram de participar da competição o Manchester United, o Everton, o Conventry City, o Wimbledon, estes dois últimos clubes que não voltariam a ter outra chance e o Liverpool. Curiosamente, no caso da Recopa Européia, no primeiro ano em que ingleses voltaram a jogar, o Manchester United garantiu o título da competição. A Inglaterra, aliás, é o país com mais títulos da antiga competição.

No caso da Copa da UEFA, na época as vagas iam para os times que ficavam entre a segunda e a quinta colocação, além do campeão da Copa da Liga Inglesa. O Norwich City acabou afetado nessa segunda categoria, junto a times como Oxford United, Luton Town e o Nottigham Forest. Entre os que acabaram por não jogar a Copa da UEFA, temos equipes como o Southampton, o West Ham, o Sheffield Wednesday, entre outros. Em alguns casos, seria a primeira disputa européia de algumas equipes.

Antes, porém, de lamentar pelos clubes que deixaram de ter suas chances no futebol europeu, é preciso lembrar que a violência entre torcidas não era um problema de exclusividade dos Reds. A violência no futebol inglês era um problema predominante no país todo e pode-se imaginar que mais problemas ocorreriam envolvendo torcidas inglesas no periodo em que os times ficaram banidos. Foi apenas depois de Hillsbrough que a Inglaterra revolucionou a segurança e a estrutura de seus estádios. De uma maneira geral, quando os clubes ingleses voltaram as competições européias, a violência já deixava de ser um problema. 

Hoje, se questiona, com certa razão, os exageros envolvidos nessas mudanças, mas a grande maioria delas foi bem vinda e virou exemplo para diversos lugares do mundo. Uma das discussões que ocorre hoje no país (e no Reino Unido como um todo) é o direito de se torcer de pé, a criação das "safe-stands", seguindo o exemplo de Dortmund, entre outras ações. A segurança não precisa significar que estádios virem teatros e hoje a Terra da Rainha percebe isso. Porém, quando vemos o que se tornou a Premier League é preciso lembrar que infelizmente, vidas foram perdidas e sangue foi derramado pela violência e também pela negligência. É preciso que se cobre sempre, para que as tragédias continuem sendo um passado distante.

Rodrigo "Beckham" no Everton

Por Victor de Andrade

Depois de apenas quatro jogos, lesão no joelho atrapalhou Rodrigo "Beckham" no Everton
(foto: divulgação Everton FC)

O clube inglês Everton, da cidade de Liverpool, anunciou esta semana a contratação do atacante Richarlison, ex-Fluminense, que já atuava no futebol britânico, mais precisamente no Watford. Porém, a primeira experiência do Elefante com jogadores brasileiros não foi tão positiva: em 2002, o meia Rodrigo "Beckham" foi uma das contratações da equipe.

Revelado pela Portuguesa Santista em 1997, Rodrigo teve uma passagem apagada pelo Guarani antes de ser o destaque do Gama no título da Série B de 1998. Isto chamou a atenção do Botafogo que o contratou para a temporada de 1999. No Fogão, teve uma boa fase, principalmente com gols de bola parada e fora da área. Isto, somado a aparência, fizeram com que ele ganhasse a alcunha de "Beckham", o famoso jogador inglês.

Em 2002, Rodrigo "Beckham" foi emprestado ao Atlético Mineiro, no primeiro semestre, mas teve uma lesão nos ligamentos do joelho em uma jogada com Jussiê, em um clássico contra o Cruzeiro. Mesmo se recuperando da lesão, aceitou uma proposta do Everton e rumou para a Inglaterra.

Chegou com grande expectativa, já que vinha fazendo seus gols no futebol brasileiro, principalmente por causa de seu chute. Alguns comentaristas que acompanhavam o Everton, na época, diziam que ele e o dinamarquês Tomas Gravensen seriam os atletas mais importantes do clube na temporada.

As boas impressões aumentaram em um amistoso contra o Wrexham, do País de Gales, onde o meia fez uma bela atuação. Porém, não foi o que aconteceu ao início da Premier League, já que o treinador, o escocês David Moyes, o colocou no banco de reservas e pouco entrava nas partidas, dando a entender que vinha perdendo espaço no elenco.

Quando chegou no mês de setembro, Rodrigo Beckham tinha feito apenas quatro jogos pelo Everton, quando o joelho lesionado ainda no Atlético Mineiro voltou a dar problemas. Infelizmente, a lesão no joelho de Rodrigo não foi diagnosticada corretamente no início, levando a uma série de operações mal feitas que comprometeram qualquer chance de recuperação completa.

Ao fim da temporada, Rodrigo voltou ao Brasil, onde passou curtas temporadas no Corinthians, Juventude, Atlético Paranaense e Vasco da Gama, Paraná, Boavista e Fortaleza. Ele encerrou a carreira de jogador em 2010, atuando pelo Red Bull Brasil, e chegou a ser gerente do Boavista

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