quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Quando a Internazionale virou Ambrosiana

Por Lucas Paes

A Ambrosiana-Inter da temporada 1937/1938, time que contava com o grande Meazza

O futebol e a política muitas vezes estão estritamente ligados e quando regimes totalitários assumem o governo de um país, o esporte costuma ser atingido. Entre as décadas de 20 e 40, a Itália viveu o período do Fascismo de Mussolini, que atingiu o nome de uma das maiores equipes do país. 

A Internazionale surgiu como símbolo do mundo e o nome não foi escolhido a toa. A Beneamata foi fundada por antigos sócios do Milan que não aceitavam o fato do clube não permitir jogadores estrangeiros. Uma frase famosa da fundação dos Nerazzurri é que ela se chamaria Internazionale  por serem amigos do mundo e teria as cores da noite de Milão, azul e preta.

Naturalmente, um clube com tal histórico incomodaria um regime ultra nacionalista. Mas a época também era de guerra contra o comunismo. Numa ordem do governo italiano, a Inter foi forçada a mudar de nome, para não fazer referencia a Internacional Comunista.

Mas não foi só o internacionalismo que causou a mudança. Com a intenção de reduzir o número de clubes da cidade, o prefeito de Milão na época forçou a fusão da US Milanese e da Inter. Ao fim da temporada de 1927/1928, a Inter virava Ambrosiana.


Por pouco tempo, a Ambrosiana passou a usar uma camisa branca com a cruz vermelha de Milão e o símbolo do Facio ao centro. Porém a pressão popular fez com que o clube logo voltasse a usar azul e preto.

A primeira temporada com o novo nome, em 1928/1929 coincidiu com uma das maiores crises da história interista. Com péssima posição no campeonato, o time estava afundado financeiramente e o presidente da equipe a época, Ernesto Torrussio, também prefeito milanês, deixou o comando para Oreste Simonetti, presidente do Casale, que botou a equipe nos trilhos.

Na temporada seguinte, surgiu um tal de Giuseppe Meazza. Aos 19 anos, os 31 gols do atacante que viraria lenda levaram a Inter ao terceiro Scudetto, o primeiro como Ambrosiana. Meazza seria só o maior jogador da história do clube. Os 31 gols foram o recorde de um estreante na Série A, até hoje não batido.

Em 1932, a Federação Italiana autorizou o uso de alguma referencia ao nome Inter. Assim, a equipe passou a se chamar Ambrosiana-Inter. Em 1934 o título bateu na trave, mas foi perdido para a Juventus.


Na temporada de 1937/1938, veio o quarto título. Com Alberto Castelazzi na casamata e Meazza no auge, a conquista foi um presságio do que Giuseppe faria na Copa do Mundo de 1938. Aqueles anos seriam de ouro para os interestadual. Na temporada seguinte veio a primeira Copa Italia e em 1940 mais um título italiano.

Três anos depois, a Segunda Guerra mundial forçou a pausa nas atividades esportivas na Itália. Ao fim do confronto, a queda do regime de Mussolini fez com que a Inter imediatamente voltasse ao nome original: Football Club Internazionale. Mas foi o início da era do Grande Torino. Vinte anos depois, viria a era da Grande Inter, de Facchetti, Suarez, Helenio Herrera e cia, responsáveis por tornar a Inter o gigante que é hoje.
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