terça-feira, 26 de abril de 2016

Grandes surpresas da Champions League - O Steaua Bucaresti de 1986

Por Lucas Paes

Os campeões europeus de 1986

A Liga dos Campeões está afunilando e a série das surpresas da competição em O Curioso do Futebol também. Mas, neste texto, falaremos do que talvez é a maior surpresa da história da competição, pois até aqui falamos de times que vieram do Reino Unido, que apesar de tudo é um país tradicional no esporte bretão. O especial de hohe é sobre um time da Romênia: o Steua Bucaresti.

A façanha do Steaua seria impensável em 2016, quando você percebe que do outro lado estava o Barcelona. Mas, neste período, o Barça ainda lutava pela primeira taça. Porém, muita água rolou debaixo da ponte até a conclusão dessa história em uma definição por pênaltis em Sevilha e tudo começa com a volta para a casa de um treinador e ex-jogador do clube que já tinha construído alguma história no Steua, Emerich Jenei.

O Steaua chegava à temporada de 1984/1985 amargando um jejum de 6 anos sem conquistar o Campeonato Romeno. A espera terminaria dando início a uma sequência histórica do melhor time da história do Steaua, que contando com Piturca como artilheiro da equipe, foi campeão nacional e se classificou para disputar a Liga dos Campeões de 1985/86. Por sinal, o título veio de maneira apertada: foram apenas dois pontos de vantagem para o rival Dinamo Bucaresti.

Piturca comemora gol na semifinal

A caminhada na Liga dos Campeões começou contra os dinamarqueses do Vejle, empatando em 1 a 1 na Dinamarca e vencendo por 4 a 1 na Romênia, com gols de Piturca, Boloni, Balint e Stoica. Nas oitavas de final viria o histórico Budapest Honved, que já foi destaque de post aqui no site há algum tempo atrás. 

Contra os húngaros, a primeira partida terminou com derrota de 1 a 0. Na volta, em Bucaresti, outra goleada por 4 a 1, desta vez protagonizada por Piturca, Barbulescu, Majearu e Lacatus, garantiria a passagem para a fase seguinte. E pelo que se percebia, a sorte estava do lado do Steua naquele ano mesmo, já que no sorteio das quartas de final determinou que o adversário seria o Kuusysi da Finlândia, evitando titãs como Barcelona, Juventus ou Bayern. A empreitada europeia, pelo visto, iria mais longe.

Mas apesar do pouco nome do adversário, o Steaua suou para vencer os finlandeses. Empate em 0 a 0 na Romênia e vitória suada e sofrida na Finlândia por 1 a 0, com o gol salvador sendo marcado por Piturca. A vaga nas semifinais estava garantida para os romenos. E quem seria o adversário? Outra surpresa: o Anderlecht da Bélgica que havia eliminado só o Bayern de Munique.

Levantando a taça de campeão europeu

E no primeiro jogo das semifinais, o Anderlecht se deu bem e venceu por 1 a 0, gol de Enzo Scifo, que já havia sido o grande responsável pela eliminação do Bayern na fase anterior. Mas na volta, o Steua se superou! Fez uma belíssima partida e venceu os campeões belgas por 3 a 0, com noite inspirada de Piturca, que marcou duas vezes (o outro gol foi de Balint). A história estava escrita, mas o adversário na final seria só o Barcelona.

Ao mesmo tempo em que fazia história na Liga dos Campeões, o Steaua caminhava tranquilo em um histórico Campeonato Romeno, onde seria campeão sem perder. Aliás, aquele time seria responsável por um recorde quase imbatível: 104 jogos invictos no campeonato nacional, entre 1986 e 1989. Se você somar as outras 15 da Copa da Romênia, são 119 partidas de invencibilidade. Isso é um recorde mundial até os dias atuais.

Duckadam pegou quatro pênaltis na decisão

Em 7 de maio de 1986, o Steaua entrou em campo para o jogo mais importante de sua história, a final da Liga dos Campeões contra o Barcelona. Não bastava o adversário ser forte, ele ainda jogava praticamente em casa, já que a partida era em Sevilha, na Espanha. Os prognósticos eram desanimadores para o time de Jenei, mas a equipe já tinha mostrado muita competência em situações adversas.

Mas o jogo em si foi, no mais sincero termo possível, chato. O Steaua contou com sua forte defesa para neutralizar as ações catalãs, mas pouco conseguiu chegar nos contra ataques. Após 120 minutos de pouquíssimas chances, a partida foi para os pênaltis que, por sua vez, consagrariam outro herói para o clube romeno: Helmuth Duckadam.

Lacatus disputa lance com goleiro do Barça

O começo das penalidades foi um show dos dois goleiros, na verdade. Tanto Duckadam, quanto Urruti pegaram as duas primeiras cobranças de cada lado. Apenas na terceira batida as redes balançaram, com a cobrança de Lacatus. Depois, o goleiro romeno virou herói! Primeiro, Pichi Alonso bateu e Duckadam defendeu. Depois, outro acerto do Steaua, com Balint. Para manter o Barça vivo, Marcos precisava fazer, mas Duckadam pegou de novo e deu o inédito título para os romenos, calando a imensa maioria dos torcedores em Sevilha.

As quatro cobranças defendidas por Duckadam criaram outro recorde ainda não batido é até hoje recorde em finais Liga dos Campeões. Recorde não batido nem por Buffon, nem por Kanh, nem por Neuer, tampouco Casillas. Só o goleiro do Steaua foi capaz disso! Duckadam usou suas mãos para escrever a história!

A temporada terminou ainda com o Steaua conquistando um triplete pois, além do título continental, a equipe foi campeã romena e da Copa da Romênia (ambos invictos). !ual seria o limite para aquele time? O bicampeonato seria realmente um sonho impossível? Só as próximas temporadas responderiam essas perguntas.

Lance durante a final

O time passou a contar na temporada de 1986/1987 com o craque George Hagi, que seria o grande destaque da Romênia na década de 90 e ídolo no Galatasaray da Turquia. Porém, perdeu Jenei mas, mesmo assim ainda haveriam algumas campanhas de destaque na Europa e um recorde histórico nos certames romenos. No começo da temporada, o time bateu o Dynamo de Kiev na Supercopa Européia, mas não foi páreo para o River Plate na Copa Intercontinental, disputada no Japão, em Dezembro.

No que diz respeito aos certames nacionais, o Steaua conquistou ainda outros três campeonatos romenos sem perder nenhum jogo até a temporada de 1989/1990, quando ficaria com o vice-campeonato nacional, perdendo o título por um ponto de desvantagem para o Dinamo. Na Copa da Romênia também veio um tricampeonato (86/87, 87/88 e 88/89), todos invictos. 

Na Europa, o time decepcionou em 1986/87, caindo logo na segunda fase para o Anderlecht. Mas na temporada 1987/1988, o clube foi semifinalista, sendo eliminado para o vice-campeão Benfica, empatando por 0 a 0 em casa e perdendo no Estádio da Luz por 2 a 0. Mas a temporada seguida traria outro voo alto em céus europeus.

Decisão por pênaltis que deu o título ao Steua

Em 1989, o Steaua chegou mais uma vez à final da Liga dos Campeões, passando pelo Sparta Praga, pelo Spartak Moscou, pelo IFK Gotemburgo e pelo Galatasaray, fazendo boas diferenças no placar agregado em todos esses jogos. Curiosamente, a final daquele ano foi na casa do Barcelona, adversário do primeiro título. Mas o Milan venceu a final por 4 a 0, com shows de Gullit e Van Basten, destaques de um dos maiores times da história do rossonero.

Aquela derrota marcou o fim da histórica era de ouro do Steaua. Com a eclosão de uma guerra civil no país e a derrubada de Ceasescu do Governo local, houve uma abertura de mercado na Romênia, que fez com que jogadores debandassem para todos os lugares da Europa. Os estrelados acabaram sendo os maiores “prejudicados” pela debandada e nunca mais tiveram o mesmo sucesso em campos europeus.
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