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A passagem de Feitiço pelo Peñarol

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

Feitiço atuando no Peñarol 

O futebol é cheio de histórias de jogadores que tiveram um legado incrível ao longo de suas carreiras, ainda que algumas ficaram perdidas devido ao tempo que já passou desde que esse legado ocorreu. Um dos maiores nomes da era amadora do futebol brasileiro foi o atacante Feitiço, artilheiro que trouxe o termo ao país e corajoso, que peitou até o Presidente da República em um ido episódio de sua carreira. Já no final de sua carreira dentro das 4 linhas, passou pelo Peñarol, num futebol uruguaio que na época era profissional.

Chegou ao clube uruguaio após passagem breve pelo Corinthians, já como um nome consagrado no futebol brasileiro, cheio de fãs no futebol paulista. Na época, era o grande reforço de um aurinegro que já era brilhante no período. Chegou ao clube como uma grande estrela e acabaria honrando bastante a gloriosa camisa do Peñarol.

Ao longo dos três anos em que esteve no Uruguai, sofreu também com algumas lesões e outras situações que acabaram o tirando de alguns jogos, mas foi brilhante quando esteve em campo. Seu terceiro gol em amarelo e preto foi o de número 400 em sua carreira, diante do Wanderers, mas seria só em 1935 que faria um grande ano com a camisa aurinegra.

Naquele ano, depois de atuações boas esporádicas, Feitiço foi um dos grandes destaques do time que foi campeão do Campeonato Uruguaio em 1935, marcando vários gols e trazendo para o Brasil a alcunha de artilheiro dada a um jogador que atuava justamente no Manya. Algumas fontes dizem inclusive que chegou a jogar pela Seleção Uruguaia neste período, mas não há confirmações oficiais. O que é certo é que jogou por um combinado local.


Deixou o Peñarol já em 1936, rumando ao Vasco da Gama, onde inclusive seria campeão do Campeonato Carioca. Segundo consta, marcou 35 gols com a camisa do Peñarol. Feitiço ainda atuaria no futebol até 1940, quando pendurou as chuteiras atuando pelo São Cristóvão. Feitiço nos deixou em 1985, aos 83 anos. 

O dia em que Feitiço enfrentou o presidente da República

Com informações do site oficial do Santos FC

A Seleção Paulista de 1927, com Feitiço (no meio, agachado) e Tuffy (de branco)

Luiz Macedo, ou simplesmente Feitiço, um dos maiores artilheiros que já defendeu as cores do Santos FC e ocupa a 5ª colocação no ranking da artilharia alvinegra, é o personagem principal de uma história que entrou em definitivo no folclore do futebol brasileiro. Ela é contada de tempos em tempos não só pela imprensa esportiva como também pelos estudantes que pesquisam fatos políticos envolvendo o esporte nacional.

O fato marcante aconteceu no dia 13 de novembro de 1927, na partida final do Campeonato Brasileiro de Seleções envolvendo a Seleção Paulista e a do Rio de Janeiro, então capital federal, no novíssimo estádio de São Januário, que em abril daquele ano havia sido inaugurado pelo time santista na vitória diante do Vasco da Gama por 5 a 3.

“Na partida final entre as seleções paulista e a carioca ocorreu um lance discutível com um desfecho inusitado. O Dr. Washington Luiz, Presidente da República do Brasil, que da tribuna de honra assistia ao prélio, decidiu interferir na disputa para solucionar o impasse. Um cronista esportivo descreveu o incidente. ‘E correu, (o árbitro) bola debaixo do braço, para a marca fatal. Os paulistas envolveram o árbitro. Um paulista chutou a bola para longe. Os cariocas correram para buscá-la e dá-la ao juiz. O juiz colocou a bola na marca. E ficou-se assim, uma porção de minutos, nesse tira-bola, bota-bola. De vez em quando, os paulistas, como Feitiço e Amílcar à frente, cercavam o juiz. E tome empurrão. Foi à altura do 15º minuto de interrupção que apareceu em campo, todo cheio de alamares sobre o ombro, o ajudante de ordens do Dr. Washington Luiz (com uma orientação para o árbitro): O exmo Sr. Dr. Presidente da República mandou dizer aos paulistas que deixem bater o pênalti para que a partida possa continuar‘”.

Feitiço deu a seguinte resposta: “Pois diga ao exmo Sr. Dr. Presidente da República que ele manda no Brasil, mas quem manda no selecionado paulista somos nós”. Os paulistas não aceitaram a interferência do Presidente e nem a decisão do árbitro, que exigia a cobrança do pênalti e se retiram do Estádio de São Januário. O pênalti foi batido e os paulistas derrotados. Este episódio marcou a história da vida de Feitiço e de seus companheiros da Seleção Paulista de Futebol, dentre eles vários jogadores pertencentes ao time do Santos Futebol Clube.

O jogo estava com o placar apontando empate em 1 a 1, com Oswaldynho marcando para os Cariocas, aos 31 minutos do primeiro tempo e o próprio Feitiço empatando para os paulistas, aos 10' da etapa complementar. Depois de muita confusão, Fortes, já nos acréscimos bateu o pênalti, com o gol vazio, que deu o título ao time do Rio de Janeiro.

Na volta a Santos, os atletas Feitiço e o goleiro Tuffy foram expulsos do clube praiano por determinação expressa do presidente santista, Guilherme Gonçalves. No ano seguinte, Feitiço foi reintegrado ao time santista. Já o goleiro Tuffy Neugen, o Satanás Negro, nunca mais vestiu a camisa do time da Vila Belmiro.

O Curioso do Futebol

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