Mostrando postagens com marcador Fábio Lázaro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fábio Lázaro. Mostrar todas as postagens

O "11 ideal" do Palmeiras nos anos 2010

Por Fábio Lázaro
Foto: divulgação Palmeiras

Dudu foi considerado pelo autor o grande jogador do Palmeiras nos anos 2010

Os anos 2010 para o Palmeiras foi uma verdadeira "montanha russa". Apesar de ter terminado bem (ficou entre os três primeiros do Brasileirão nos últimos quatro anos) teve anos terríveis, como o rebaixamento em 2012, mesmo tendo ganho a Copa do Brasil no mesmo ano, e na volta à Série A, em 2014, escapou por pouco de outra degola.

Porém, os grandes momentos do Verdão tiveram grandes jogadores e dá para fazer um time com os melhores das últimas 10 temporadas. Assim, cheguei à este time:

Fernando Prass


Técnico, raçudo, vencedor e identificado com a torcida, Fernando Prass é a maior referência de ídolo no Palmeiras nos últimos dez anos. O goleiro chegou ao Verdão em 2013, com o Palestra recém rebaixado à Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. Além disso, tinha como missão suprir a lacuna deixada pelo ídolo Marcos, que se aposentara um ano antes. Prass fez parte da reconstrução palmeirense entre o acesso em 2013 e quase novo descenso em 2014 e os títulos da Copa do Brasil em 2015 e Brasileiros em 2016 e 2018.

Na conquista de 2015 foi fundamental e decisivo. Grandes defesas em momentos cruciais, defesas na disputa por pênaltis da semifinal e final e, ainda por cima, convertendo o pênalti derradeiro que deu o título ao Verdão. Em 2016, tornou-se o melhor goleiro em atividade do Brasil e, mesmo próximo dos 40 anos de idade, foi convocado a seleção brasileira para a disputa dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, mas se machucou às vésperas do torneio e foi cortado. Mesmo assim, atuou por praticamente metade do Brasileirão em 2016, no qual o Palmeiras foi campeão. Em 2018, esteve no elenco do novo titulo nacional, mas dessa vez sendo reserva de Jailson na primeira parte do campeonato e Weverton na segunda.

Marcos Rocha


Diferentemente de Fernando Prass, unanimidade entre os palmeirenses, Marcos Rocha é uma figura ainda controvérsia. O lateral chegou ao Palmeiras no início de 2018 com um currículo vencedor, já que fez parte do elenco titular das conquistas da Libertadores, Recopa e Copa do Brasil no Atlético-MG entre 2013 e 2014. Em sua primeira temporada no Palmeiras, Rocha foi lateral titular na Copa Libertadores que o clube chegou até a semifinal, fazendo a sua melhor campanha em 15 anos. Na conquista do Brasileiro de 2018 não foi tão fundamental quanto o seu companheiro de posição, Mayke, que devido ao revezamento dos atletas entre Libertadores e Brasileiro naquele ano foi mais ativo na arrancada decisiva do Palmeiras ao título nacional. Em 2019, assumiu a titularidade definitiva durante toda a temporada e foi um dos atleta mais regulares de um time irregular e que fechou o ano sem títulos. 

Marcos Rocha está na seleção mais pela ausência de outros grandes laterais-direitos no Verdão nos últimos dez anos do que exatamente pelos seus feitos. 

Yerry Mina


Tecnicamente o melhor zagueiro do Palmeiras nos últimos 15 anos. Alto, quase perfeito nas jogar áreas (tanto defensivas, quanto ofensivas) e com ótimo posicionamento, Mina não esteve em muitas partidas na campanha do título brasileiro do Palmeiras em 2016, mas a sua chegada arrumou a defesa palmeirense, dando segurança para o, até o então inconstante, Vitor Hugo, seu companheiro de zaga, que passou a ter uma regularidade mesmo quando Mina não jogava devido a constantes convocações e algumas lesões. Além disso, o zagueiro colombiano foi decisivo em partidas fundamentais para o título brasileiro do Palmeiras em 2016, como, por exemplo, os clássicos contra Corinthians e São Paulo.

Gustavo Gómez


Tecnicamente, o zagueiro que chegou mais próximo de Mina. Titular durante boa parte da conquista do Brasileirão em 2018, superou a carência do colombiano, que havia deixado o Palmeiras no final de 2017. Em 2019, foi o melhor zagueiro em atividade do Brasil no primeiro semestre, mas o fato dele ter desperdiçado uma cobrança na disputa de pênaltis pelo Paraguai contra o Brasil nas quartas de final da Copa América e, posteriormente, ter desperdiçado outra cobrança, dessa vez pelo Palmeiras na disputa contra o Internacional, em jogo que eliminou o Verdão da Copa do Brasil, mexeu com o seu psicólogo e o fez cair de rendimento. A queda de Gómez fez com que o time do Palmeiras, como um todo, sentisse, tamanho a importância de Gustavo Gómez em dar um equilíbrio defensivo a equipe.

Zé Roberto


Um dos grandes responsáveis pela remontagem do Palmeiras em 2015, Zé chegou ao clube com mais de 40 anos de idade e não teve o mesmo desempenho técnico como em seu começo de carreira, o seu auge pelo futebol europeu ou em sua época de seleção brasileira. Contudo, só a sua figura em campo e o seu discurso emblemático de que o "Palmeiras é grande" na primeira partida do Verdão em 2015 foram o suficiente para colocá-lo nessa seleção. 

Tecnicamente, mesmo Zé Roberto estando longe do seu melhor momento, ele fez muito dentro de campo, sendo lateral-esquerdo titular na conquista da Copa do Brasil de 2015, convertendo pênaltis nas semifinais e final e alterando lateral e meio de campo na conquista do Palmeiras no Brasileiro de 2016, afinal, quem não se lembra do golaço de cobertura marcado por Zé contra o Santa Cruz fora de casa?

Felipe Melo


Amado por muitos e odiado por outros tantos, Felipe Melo, mesmo cheio de excessos, precisa ser considerado um dos grandes atletas do Palmeiras nos últimos dez anos. O volante ao Verdão após uma vitoriosa carreira na Europa, com discurso de dar a vida em campo pelo Palmeiras, sempre honrando o discurso e, consequentemente, a camisa, dentro e fora de campo. 

Por algumas vezes realmente tomou cartões desnecessários, que prejudicaram o Palmeiras, o principal exemplo foi a expulsão contra o Grêmio no jogo de ida das quartes de final, onde ficou de fora do jogo decisivo que selou a eliminação palmeirense. Por outro lado, Felipe foi um dos grandes jogadores na conquista do Palmeiras no Brasileirão de 2018. 

Em 2019, o volante mostrou o seu lado artilheiro, com presença de área principalmente em jogadas atrás, marcando gols importantes em clássicos como contra o São Paulo e o Corinthians. Já na Libertadores, gols contra o Melgar na fase de grupas e o primeiro contra o Godoy Cruz no empate em 2 a 2 no jogo de ida das oitavas de final, quando a partida estava 2 a 0 para os argentinos. 

Marcos Assunção


Chegou ao Palmeiras em final de carreira, após fazer ótimo campeonato Paulista pelo Grêmio Barueri no primeiro semestre de 2010, sendo contratado pelo Verdão no mesmo ano. Entre o segundo semestre de 2010 e 2012, falta próximo a área do Palmeiras era sinônimo de gol de Assunção. Foram 31 gols marcados em duas temporadas e meia pelo Palmeiras, a maioria deles em bolas paradas. 

Marcos Assunção foi a principal referência técnica do Alviverde enquanto atuou pelo clube e mesmo em tempos de vacas magras foi fundamental na conquista da Copa do Brasil em 2012, dando assistência perfeita para o gol do título em uma cobrança de falta na cabeça de Betinho. 

Moisés


Fundamental na conquista do Brasileiro do Palmeiras em 2016. O contrapeso entre meio campo e ataque, atuando como segundo volante e meia armador. Foi o homem forte do esquema tático de Cuca. Nos anos posteriores, no entanto, sofreu com uma série de lesões, mas a sua regularidade enquanto esteve apto e a sua importância na conquista do primeiro brasileiro do Palmeiras em 26 anos o credencia a estar na posição, superando, inclusive, Valdívia, que mesmo amplamente superior tecnicamente, em sua segunda passagem pelo Palestra não manteve regularidade.

Gabriel Jesus


A grande revelação do Palmeiras desde Vagner Love em 2003, Gabriel Jesus atuou com destaque pelo Verdão durante duas temporadas. Antes disso, havia conquistado diversos títulos pelo Alviverde nas categorias de base. Em 2016, foi decisivo e fundamental na conquista do Brasileirão, antes de se transferir ao Manchester City, da Inglaterra. Pelo Palmeiras, também, Jesus chegou a seleção brasileira, tanto olímpica, na qual foi medalhista de ouro, quanto principal, onde se tornou camisa nove e centroavante titular com o técnico Tite.

Hernan Barcos


O Pirata atuou apenas um ano pelo Palmeiras, mas caiu nas graças da torcida em tempos de vacas magras. Chegou ao Verdão em janeiro de 2012 prometendo 28 gols na temporada, meta cumprida a risca. Foi fundamental na conquista da Copa do Brasil daquele ano, embora uma crise de apendicite tenha o tirado da decisão. No mesmo ano foi, junto com Marcos Assunção, um dos únicos a serem poupados pela torcida pela queda à segunda divisão. 

Dudu


O melhor jogador do Palmeiras nos últimos dez anos. Unindo técnica, garra, conquistas e identificação com a torcida, chegou ao Verdão já aclamado, já que o Palmeiras contratou o atleta sem nenhum alarde, dando um chapéu nos seus dois maiores rivais, Corinthians e São Paulo, que se degladiavam pelo jogador.

Em seu primeiro ano de Palestra, foi decisivo para a conquista da Copa do Brasil, marcando os dois gols do Alviverde na decisão contra o Santos no tempo normal. Em 2016, foi muito importante para o título brasileiro, mas ainda como coadjuvante de Moisés e Gabriel Jesus. Já na conquista do Brasileirão de 2018, foi o craque da competição e levou o Palmeiras nas costas. Assim como Fernando Prass, Dudu é unanimidade nessa seleção. 

Luiz Felipe Scolari


Cheio de nuances, o treinador campeão da inédita Libertadores pelo Palmeiras em 1999 teve duas passagens pelo Palmeiras entre 2010 e 2019. A primeira, entre 2010 e 2012, chegou cheio de prestígio, voltando a um clube brasileiro depois de oito anos, com uma conquista de Copa do Mundo com a seleção brasileira, uma passagem importante pela seleção de Portugal na bagagem. Na ocasião, Felipão tinha na mão um Palmeiras infinitamente inferior do que pegou em sua última passagem pelo clube, entre 2018 e 2019, mas alterou bons momentos, como a conquista da Copa do Brasil de 2012, com vexames, como a eliminação em casa contra o Goiás na semifinal da Sul-Americana de 2010 e o rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2012, no qual Scolari pulou do barco antes do fim da competição.

Em sua segunda passagem pelo Palmeiras na década, Felipão chegou sem o mesmo prestígio de 2010, depois de ter sido fundamental para o rebaixamento Alviverde em 2012 e ter comandado a seleção brasileira em seu maior vexame da história, a derrota por 7 a 1 em casa diante da Alemanha na semifinal da Copa do Mundo de 2014. Em 2018, Luiz Felipe assumiu um Verdão de maior investimento e grandes jogadores, levou o time até a semifinal da Libertadores, melhor campanha palmeirense em 15 anos e arrancando uma sequência invicita de mais de 20 jogos no Campeonato Brasileiro e sendo campeão. Em 2019, iniciou o ano do mesmo jeito que terminou 2018, com o Palmeiras voando. Mesmo com a eliminação nos pênaltis em casa na semifinal do Campeonato Paulista contra o São Paulo, o Verdão encerrou a primeira fase da Libertadores com a melhor campanha e foi o líder disparado do Campeonato Brasileiro até a Copa América. Porém, a segunda metade da temporada foi desastrosa pro clube: queda de rendimento e perda de liderança no Campeonato Brasileiro e a eliminação nas quartas de final da Libertadores foram fundamentais para a demissão de Felipão que, mesmo com duas passagens bastante irregulares, ainda foi o treinador palmeirense mais relevante dos últimos dez anos.

Um chip a menos, dez taças a mais

Por Fábio Lázaro
Foto: Ricardo Moraes / Reuters

Deyverson comemora com Luiz Felipe Scolari: dois grandes personagens da conquista

"Explicar a emoção de ser palmeirense, a um palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense é simplesmente impossível". A frase do ícone da torcida palestrina, Joelmir Beting, pode até estar batida, mas bate no fundo da alma de cada palmeirense a cada vez que é lida ou ouvida. Pois não se explica. 

Assim como batia a dúvida da torcida que não se explica, ao tentar explicar o que Deyverson fazia no Palmeiras. Mas, convenhamos, num time que teve um Maluco como um dos maiores atacantes da história, ter alguém com um chip a menos lá na frente não é nada mal. E não se explica. 

Se vive. Se pinta o sete. Do Dudu guerreiro. Se apaga o sete. Do genial Felipão. Devolvendo o Brasil ao seus braços. E prova pra quem tem sete que quem tem mais, tem dez. 

E não se explica. Independentemente de se ter, ou não, um chip a menos. Pois se tem mais. Mais vitórias consecutivas na história do Brasileiro. Mais títulos nacionais. E mais do que provar. Provar que, na verdade, no Brasil o mais brasileiro é quem ostenta a sua fibra. Ostentando as suas taças.

A raiz da Nutella

Por Fábio Lázaro

Cristiano Ronaldo na Juventus é a grande atração da nova temporada do futebol europeu
(foto: Massimo Pinca/Reuters)

Que o futebol europeu tem crescido constantemente nos últimos 15 anos não é novidade para ninguém. E que esse crescimento levou a criação de uma geração de fãs dos clubes do Velho Continente também não é novidade. E nos tempos onde o tradicional é raiz e o novato é Nutella, é importante sabemos o ponto de partida deste choque de cultura – não é, Rogerinho?

E essas referências iniciais do texto, seja o título que remete a um termo que ganhou proporções nas redes sociais ou a relação da expressão “choque de cultura” com a série do YouTube, diz muito sobre a raiz da linguagem europeia no público do futebol brasileiro. A era digital, os jogos de videogame, bem como o impulsionamento das redes sociais, somados aos principais craques brasileiros atuarem massivamente no futebol europeu no século atual, geraram em seu embrião fãs alucinados de clubes e ligas alemãs, espanholas, inglesas, portuguesas, italianas…

A “Geração Nutella” que por muito tempo foi chamada de “Geração Playstation” tem total influência nos jogos digitais, ou o grande amante dos consoles não se lembra dos temas do FIFA 18, Winning Eleven com narração em japonês, o Bomba Patch atualizado que é ruim de aturar e que hoje vive o duelo constante entre Konami e EA em busca da massificação do PES contra o FIFA? Brasfoot, Elifoot, se tornaram Footbal Manager, e por aí caminha a humanidade virtual. A grande questão da evolução digital ser responsável pela ascensão do futebol europeu, deve-se sempre as suas altas pontuações em relação aos clubes dos demais continentes. Embora questionadas, essas pontuações se devem muito pelo investimento dos clubes europeus em montarem seleções mundiais em suas ligas.

O reflexo dessa ascensão tem se mostrado nas campanhas das últimas Copas do Mundo, no qual os quatro últimos mundiais foram vencidos por europeus. Em 2018, por sinal, com quatro seleções europeias chegando às decisões, com a França, país onde atua o principal jogador brasileiro na atualidade, Neymar, se sagrando campeã. Em 2014, no Brasil, a Alemanha foi a primeira seleção da Europa a conquistar uma Copa do Mundo em solos americanos, confirmando a hegemonia que vem desde 2006, com a Itália se sagrando campeã mundial (com França, Alemanha e Portugal completando as quatro primeiras colocações) e passando pela Espanha se sagrando, de forma inédita, campeã em 2010 e integrando um grupo de cinco seleções europeias campeãs do Mundo, contra três seleções americanas campeãs.

Se até a década de 90 víamos os craques brasileiros atuando em solo nacional, vide Edmundo em 97 pelo Vasco, Raí entre 92 e 93 pelo São Paulo, Alex em 99 pelo Palmeiras etc, a geração de 2002 para frente, com Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká etc brilharam na Europa, muito embora saísse com um certo renome no Brasil. Agora, a geração é outra, de jogadores que são pouco, ou até nada, conhecidos do público nacional, até explodirem diretamente na Europa.

Todos esses fatores respondem a pergunta capital: aonde está a raiz dessa geração Nutella? São esses determinados assuntos que respondem. E com isso, vamos acompanhando a ponta do iceberg, com o público brasileiro se deliciando com mais uma temporada do futebol europeu, que iniciou neste final de semana e tende a entreter admiradores de Real, Barça, Juventus, United, PSG, City, Bayern…

Verde ou maduro

Por Fábio Lázaro

Felipão estreou pela terceira vez no Palmeiras neste domingo, contra o América Mineiro
(foto: Cesar Greco/Agência Palmeiras)

Foram duas passagens pelo Palmeiras. E duas passagens pela Seleção Brasileira. A primeira passagem pelo Palmeiras deixou saudades, já a segunda... A primeira passagem pela Seleção Brasileira também deixou saudades, já a segunda... 

Foi uma conquista continental pelo Palmeiras. E uma conquista mundial pela Seleção. Foi ressuscitar um meia quase emprestado ao Botafogo, pelo Palmeiras. E achar um meia do Atlético-PR titular em plena Copa do Mundo, pela Seleção. Foi pegar um Palmeiras improvável e levá-lo ao título invicto da Copa do Brasil. E pegar uma Seleção desacreditada e levá-la ao título invicto da Copa das Confederações. 

Mas também foi insistir em Luan no Palmeiras E em Hulk na Seleção. Foram os narizes de palhaço no Palmeiras. E as lágrimas na Seleção. Foi a Segunda no Palmeiras. A quarta na Seleção. 

Foi 1 do Brasil. Foram 7 da Alemanha. 

Foi Luis Felipe. Se tornou Felipão. Se tornou Felipinho. Hoje é apenas Scolari. Que fez escola, mas não estudou. Parou no tempo e não se atualizou. Um treinador maduro que ao passar dos anos esverdeou, principalmente quando amarelou de verde e amarelo. 

E agora, para provar que está maduro, Scolari é Verde novamente.

Em nome do pai, do filho...

Neymar pai, ao lado do filho, preferiu desrespeitar uma jornalista ao invés de responder a pergunta
(foto: Getty Images)

Vamos brincar de "Neymar Amarela"? Eu começo! Neymar amarela e a gente caga pra ele na panela, quem falar dele primeiro ele vai pra festa com a mãe dela. É um, é dois, é três e já... 

Então, Camila Mattoso, repórter do jornal "Folha de São Paulo", quebra o hiato e liga para Neymar. Porém, o pai. E muito embora a pauta dessa vez não fosse o futebol do "Juninho" e o seu mal crônico e excessivo de cair do pé mesmo longe de estar maduro, quem "foi para a festa" com "Seo Neymar" foi justamente a mãe da jornalista. 

O tratamento hostil de "Neymar Pai" ao se sentir encurralado a uma simples pergunta, demonstra que ele também amarela e a sua postura respinga na do seu filho, real centro das atenções. 

E mesmo nos embaraçando nesta linha tênue entre desempenho e caráter, se não duvidamos do futebol de Neymar Jr., por que, então, concordamos que ele amarela? Ou quem amarela é minha mãe, sua mãe, a mãe da Camila Mattoso? 

Realmente amarelamos, quando vestimos a camisa amarela e nos enchemos de expectativa frustrada. Quando vemos que o esporte que nos impulsiona se tornou uma "Revista Caras", nossa cara murcha por causa de quem não dá a sua cara a tapa. 

No caso de Neymar, pai, ele gerou quem é o Neymar, filho, que fundidos são uma espécie de Neymar, espírito santo, que não aceitam nada a não ser "amém". 

E como o nosso negócio é bola, por mais que a nossa cabeça redonda interfira, e muito, no esporte bretão, preferimos só falar daquela que rola nos gramados afora. 

Então, vamos brincar novamente de Neymar Amarela?

Crônicas de um karaokê - Ainda ontem chorei de saudade

Por Fábio Lázaro

A Copa do Mundo terminou neste domingo. Saudade (foto: Getty Images.com/Fifa.com)

Neste final de semana resolvi sair com alguns amigos. No sábado, fui a um karaokê. Tenho como opinião pessoal que é num karaokê que se canta músicas antigas, hits “peculiares” e aquelas canções que faz a galera de todas as idades cantarem juntas. Enfim, logo ao chegar peguei o cardápio musical e uma canção me chamou atenção em especial, “Ainda ontem chorei de saudade”, do Moacyr Franco. Lembrei-me que há temos que não escutava aquela música, tampouco a cantava. Então, pedi…

Quando o microfone chegou até a minha mão e eu comecei a degustar cada palavra daquela poesia, compreendi o motivo dela ter me saltado aos olhos em meio a tantas outras opções. Não é que ela refletia nitidamente o meu sentimento em relação ao futebol num ano de Copa do Mundo? E principalmente da forma que temos o visto em terras tupiniquins nos dias atuais?

É como se ao iniciar a Copa eu escrevesse uma carta para que futebol nacional desaparecesse, que ele nunca mais me procurasse e sempre me esquecesse. Mas, ao final do Mundial, me deparando que tudo é futebol e o que me resta é ver Vasco e Bahia numa noite de segunda-feira e não um Espanha e Portugal numa tarde de sexta, entendesse que esquecer é bobagem, é tempo perdido.

E olha, até acho que o futebol poderia fazer a minha vontade, atender o meu pedido, e nem mais me procurasse, até porque, olhe as minhas falas, as minhas redes sociais, minhas conversas de botequim, eu só o odeio, o julgo e o caço. Mas é à frente da televisão numa tarde de domingo, noite de quarta-feira, ou até mesmo no concreto da arquibancada, cadeira da arena, no sol a pino e o mal de sono do domingo de manhã, que eu o beijo e o abraço.

Nesta segunda já temos Vasco e Bahia pela Copa do Brasil
(foto: Carlos Gregório Jr/Vasco da Gama)

A Taça Libertadores é obsessão e os títulos os meus sonhos a noite. E os meus sonhos são meus, ninguém rouba e nem tira. Afinal, melhor sonhar a mentira de um mundial contra o campeão europeu do que viver a verdade de um campeonato estadual, por exemplo.

Leio, então, novamente a carta que para mim era alforria e que hoje é utopia. Num ato impensado e lapso de troca cuspi no prato que comi. E comi o banquete que me ofereceram. E agora que acabou? Já diria outra canção: “O meu coração chorou”. E chora. De saudade. Que ainda ontem chorei. Relendo a carta e sentindo o perfume da grama brasileira que, seja lá quantas Copas passarem, comerei até o fim da minha vida.

Fica então a pergunta: o que fazer com essa dor que me invade? Mato esse amor? Me mata o ciúme? Absolutamente! Mato o ciúme daqui quatro anos e vivo esse amor incondicional com o futebol do meu país.

Schmeichel: de pai para filho

Por Fábio Lázaro

Kasper Schmeichel foi o escolhido como melhor em campo, mesmo com a Dinamarca eliminada

(Atenção! Me desculpe o spoiler, mas preciso adiantar: esse texto contém catarse - ao menos que você seja torcedor ou simpatizante da seleção croata).

Quanto vale uma história? Vale uma classificação? Vale uma vitória? Vale um heroísmo? Ou uma história vale simplesmente uma história? 

De todas as opções acho a última suficientemente convincente, já que as histórias contam a história e na tarde (horário de Brasília) deste domingo (1) podemos ver a história sendo reescrita diante dos nossos olhares. 

É fato, a Croácia se classificou às quartas de final da Copa do Mundo. A Dinamarca está eliminada, sim, é fato. Mas histórias não são feitas apenas de vitórias. E para a história se escrever na história, muita derrota doída se fez arder. Tão doído quanto a pancada croata em cima dos argentinos, que fez hermanos chorar, mas que também fez a Croácia chegar às oitavas de final como favorita contra uma Dinamarca, longe de ser "Dinamáquina", independentemente do seu futebol mecânico.é 

A única semelhança entre o time de 2018 e a seleção dinamarquesa que encantou o Planeta na década de 90 não era mera coincidência, Schmeichel. E não que o lendário goleiro ex-Manchester United não tenha parado de jogar futebol, mas Peter Shcmiechel deixou um Kasper para seguir produzindo futebol de bom nível em seu país de origem. 

Kasper Schmeichel, apresentado ao mundo da bola após ser campeão da Premier League há duas temporadas com o modesto Leicester City, ainda precisa conviver com a sombra do pai. Ou, ao menos, precisava até hoje. Independentemente da conquista do Campeonato Inglês em 2016, foi ofuscado por Vardy, Kanté e Marhez. No ano seguinte, nas oitavas de final da Champions Legue contra o Sevilla/ESP, pegou um pênalti no tempo normal que garantiu a classificação às quartas de final do clube de King Power. Mas faltava algo. Claro que ainda deixa de faltar. Mas podemos dizer que de tudo que ainda falta, hoje falta menos um, a sua identidade. 

Em Nizhny Novgorod, Cro[acia e Dinamarca fizeram uma partida eliminatória que não teve emoção do início ao fim, mas que emocionou no início e no fim. Logo no primeiro minuto de jogo o zagueiro Mathias Jorgessen foi o nunca inimaginável jogador que fez o inimaginável gol de abertura de placar para a Dinamarca.

No fim, Modric, mesmo perdendo pênalti na prorrogação, comemorou

Ainda estávamos todos de cara, quando menos de cinco minutos depois o torpedo do lateral croata Vrsaljko que tinha como endereço a lateral oposta, atingiu a cara do também lateral, mas este dinamarquês, Knudsen que sentiu um golpe duplo, na face e no coração. Após acertar o seu rosto, a bola se ofereceu na pequena área para o atacante Mário Mandzukic, que emedou para um gol de empate da Croácia que nem se os dois Schmeichels estivessem defenderiam. 

E a partida monótona esperou o fim para contar a história. Virar história. Entrar para a história. Tínhamos um anti-herói em potencial. Terminamos com um herói, no final. Lembram do Mathias Jorgessen, que havia feito o gol dinamarquês no primeiro minuto de jogo? Pois bem, ele vacilou aos 10 minutos do segundo tempo da prorrogação e deixou Rebic entrar sozinho na cara de Schmeichel, que não conseguiu o pará-lo. Então, o último recurso de Jorgessen foi cometer um pênalti. E foi aí que entrou a figura de um herói (des)conhecido, Schmeichel. Faltando menos de cinco minutos para o fim do segundo tempo-extra, o craque do Real Madrid, Luka Mordic, foi para o pênalti. E bateu. Mas não acertou. Pois na meta tinha Kasper. Tinha Schmeichel. 

E o tal pênalti perdido fez que não tinha nada a er com o jogo ganhar uma decisão por pênaltis par assistir. E logo na primeira cobrança, o arqueiro croata Subasic se redimiu do erro no gol da Dinamarca defendendo como Kasper, já que na sequência Ksper defendeu a primeira cobrança da série croata como Schmeichel. Após isso, quatro pênaltis convertidos na segunda e terceira série, postergado por mais uma "Kasperzada" de Subasic, seguida por uma "Schmeichada" de Kasper. 

Mas quando na última série Subasic defendeu a sua terceira, Kasper não teve mais forças para agarrar a quarta.

A Dinamarca caiu fora da Copa do Mundo. Mas Kasper caiu de pé. Não na Copa do Mundo. Mas, sim, no mundo da Copa. O mundo do futebol. Que finalmente o reconhece por ser Kasper, por sua atuação como Shcmiechel.

Quero que o mundo se acabe em Copa

Por Fábio Lázaro
Foto: Getty Images.com/Fifa.com

Agora são quatro jogos por dia, que vão decidir os confrontos das oitavas

Com o término da segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo, chegamos oficialmente à metade do torneio, no que se diz a respeito a número de jogos. A partir de agora, o número de horários de partidas cairão em relação às duas primeiras rodadas. Em compensação, o número de duelos por dia aumenta. Se nas primeiras rodadas aconteceram três confrontos ao dia (com exceção da terceira data de copa, 16 de junho, que contou com uma partida a mais), na rodada derradeira acontecerão quatro jogos entre os dias 25 e 28 de junho, para que as quatro seleções de cada grupo joguem no mesmo horário.

Para o amante do futebol, essa overdose de bola é incrível. Então, os que têm olhos que vejam, da maneira que for. Dividindo um olho em cada televisão, deixando os olhos serem guiados pela retina audível do rádio, no tempo real do aplicativo do celular ou site da internet, dividindo a atenção entre duas partidas simultaneamente, passando de canal em canal, assistindo o tape do jogo não visto após o encerramento do jogo assistido, enfim… São inúmeras as oportunidades para não se desperdiçar um segundo sequer de Copa do Mundo. Afinal, a Copa é a nossa maior e melhor oportunidade de respirar futebol 24 horas ao dia, mas só acontece a cada quatro anos.

O que ainda embeleza essa chuva de jogos diariamente é o caráter decisivo que eles trazem. Claro, há exemplo de situações relativamente resolvidas com antecedência, como no primeiro grupo, o A, no qual Egito e Arábia Saudita se enfrentarão em um dos duelos das 11h desta segunda (25) já eliminadas. Por outro lado, se apenas um duelo importa no grupo, que ainda no exemplo do A é Rússia e Uruguai, ele vale definitivamente a primeira colocação da chave, o que tem bastante relação com os cruzamentos futuros da competição.

Ainda há grupos como o F, no qual três seleções chegam vivas podendo cada uma ter vencido a outra dentro das três rodadas, por exemplo: a Alemanha que perdeu para o México na estreia, venceu a Suécia na segunda rodada e enfrenta a Coreia do Sul, que perdeu para México e Suécia, na terceira rodada. Já a Suécia, que venceu a Coreia, mas perdeu da Alemanha, encara o México e se vencer embolará todo o grupo fazendo com que três equipes cheguem a três pontos e os critérios de desempate decidirão os classificados e as posições, justamente no grupo que cruzará com o da Seleção Brasileira nas oitavas de final.

Já a nossa seleção tem uma situação semelhante, onde os critérios de desempate podem definir os cruzamentos, já que Brasil e Suíça são as únicas equipes que ainda não perderam no grupo E. Enquanto o Brasil encara a Sérvia, que ainda tem chances, mas joga a vida contra a Amarelinha, já que apenas a vitória classificaria os sérvios para o mata-mata, a Suíça enfrenta a já eliminada Costa Rica, sendo que se o os brasileiros vencerem a Sérvia pelo mesmo placar que os suíços venceram e a Suíça bata os costarriquenhos pelo mesmo resultado no qual o Brasil os venceu, o posicionamento para a fase seguinte pode ser definida até pelos cartões.

Situações curiosas onde os cartões também podem decidir estão nos grupos B e G. Enquanto no segundo grupo, Portugal e Espanha estão com todos os critérios básicos empatados, já que empataram no confronto de estreia e venceram Irã (Espanha) e Marrocos (Portugal) pelo mesmo placar mínimo na segunda rodada. Portugueses e espanhóis, alá Tratado de Tordesilhas, se enfrentarão à distância na rodada derradeira. Enquanto Portugal encara um Irã ainda com chances remotas, devido a vitória contra Marrocos na estreia, a Espanha encara a já eliminada Seleção Marroquina. Caso confirme-se o favoritismo português e espanhol, a definição sobre quem terminará o grupo B como líder será decidida por quem vencer com um placar mais elástico na última rodada. Se os placares se espelharem, teremos que ter uma decisão por meio dos critérios de desempate. Já no grupo G, Inglaterra e Bélgica já estão classificadas, mas possuem todos os critérios de desempates idênticos entre si. A diferença entre ingleses e belgas para Portugal e Espanha, é que na última rodada Inglaterra e Bélgica se enfrentam em confronto direto.

Para todos os efeitos, duas coisas não faltarão nesta semana esportiva: futebol e emoção. E parafraseando mais um dos famosos poetas contemporânea da Música Popular Brasileira, eu quero que o mundo se acabe em Copa só pra eu morrer assistindo.

Pro Brasil pintar o sete

Por Fábio Lázaro

A Seleção Brasileira que estará na Rússia: em busca do sexto título (foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Há quatro anos pintavam o sete pra cima da seleção brasileira. Hoje, pintamos o sete de verde e amarelo para apagar da memória qualquer vexame do nosso futebol. Até porque, se há quatro anos a coisa estava russa no Brasil, agora ela está brasileira lá na Rússia.

Pintam-se o sete de esquecimento na mesma medida que pintam-se as ruas de esperança, essa, sim, comprovada que é a última que morre por um menino que há quatro anos pintava a calçada do seu bairro na periferia e agora o Peri fará festejar. Esse menino que tinha um pincel nas mãos, agora é desenho pintado na sua quebrada e ainda, de quebra, quebra a maldição da camisa 9 instaurada por quem não Fred e nem cheira, passando o Grafite em quem nunca “Jôgou” tanto assim para ser convocado para uma Copa do Mundo, abominando, então, a ultrajante afirmação de que os centroavantes brasileiros morreram, sendo em si a ressurreição. Afinal, é só Jesus na causa, pra mostrar que santo de casa faz milagre, sim.

E o camisa 10 da seleção? Que me desculpe o Seo Zagallo, ou até mesmo Luiz Américo, “laiá, laiá, laiá, laiá” é passado, o presente é “Neymar, Neymar, Neymar, Neymar”. O garoto revelado pelo Santos está longe de ser Pelé, mas tem o Coutinho que merecemos ao seu lado. Estrelas, que formam à frente de uma constelação de seis estrelas.

É num tridente tão forte que tem até Jesus, que dizimar austríaco é realmente um treino para quem quer destruir alemão quando estiver valendo. Para isso, é preciso ter concentração atrás das câmeras para que o desafio venha ser vencido sem, ao menos, pensar em orgulho judeu.

E se há quatro anos tudo virou passeio, em 2018 quem quer da rum rolê somos nós.

É melhor Jair ficando Roger

Por Fábio Lázaro

Jair Ventura e Roger Machado se mantêm com os triunfos de suas equipes

Pontue o título como quiser. Separe, junte tudo, coloque ou tire vírgulas. Emita a sua opinião. Se é melhor já ir ficando, Roger. Se é melhor já ir, Roger. Se é melhor já ir o Jair. Ou até mesmo se o melhor é o Jair. Pontue. O título. Ganhe. Os títulos.

Nas frases avulsas e no campo, o importante é a pontuação e os títulos. E nem me venham com chorumelas de falar que desempenho conta, torcedor, já que desde sempre sabemos que o que importa de verdade é a pontuação, pois é ela que determina se o seu time será campeão e se a sua frase terminará com exclamação ou ponto final.

O que não é errado, por sinal. É passional. É torcedor. Quando o primeiro tempo do seu time não é daquele jeito que você esperava o técnico geralmente é burro, mas quando, no segundo tempo, tudo vira, até o burro vira gênio. Ou quando os primeiros tempos da vida têm decepcionado, o protesto na Vila ganha formas de festa por goleada.

É, torcedor, só não é torcedor quem usa da força do braço e quer gritar mais alto para impor ser ouvido. Ou sai do tom uníssono do som das arquibancadas. Que berra ódio ao invés do apoio.

Afinal, somos 200 milhões de treinadores buscando apenas os três pontos. E somos 200 milhões de pessoas buscando apenas uma boa vida. Mas sabemos que assim como na vida de treinador, o nosso início sempre terá um prazo de validade para ser tornar fim.

Afinou!

Por Fábio Lázaro

O goleiro do Liverpool Loris Karius falhou em dois gols e prejudicou sua equipe

Quem nunca foi Karius que atire a primeira pedra. Distraído ou confiante, botando tudo a perder. Perdendo. Como no futebol. Como na vida. E o arqueiro do Liverpool sentiu tudo isso na pele carregando tudo isso nas costas. 

O goleiro que parece o Thor, descobriu da pior maneira possível que não é herói, tampouco deus. E nessa guerra cívil, entre o céu da decisão e o inferno da derrota, Karius ficará eternamente no purgatório da opinião popular. 

Esta que santifica e demoniza ao seu bel prazer, faz de vencedor na bola perdedor moral. Na decisão, o Capitão Europa virou Thanos, mas, na real, é Ramos. Que com ou sem histórico e intenção foi o vilão que atacou o potencial herói em seu ponto fraco. E no final do filme, comprovou-se a catarse. 

Afinal, é final, já diria o outro. E uma final que entorta o varal nos metralha de emoções a torto e a direito. Como num filme, ficamos apreensivos com a lesão de Salah, atônitos com o choro de Carvajal, espantados com a perspicácia de Benzema, empolgados com o empate de Mané, contemplados com a entrada de Bale. Vitoriosos, como o Real. Virtuosos, como o Liverpool.

Ah Deus, adeus!

Por Fábio Lázaro
Fotos: Josep Lago/AFP

O Camp Nou fez uma grande festa para a despedida de Iniesta do Barcelona

O destino poderia ter sido menos maldoso conosco e pular o penúltimo final de semana de abril de 2018. Não só para cair direto na decisão da Champions League, mas principalmente para nos poupar de tão amargo adeus. Talvez lá no ano que vem é que venhamos a entender como passou tão rápido. Não esta temporada do futebol, mas a grande passagem de Andrés Iniesta pelo Barcelona.

Quando as luzes do Camp Nou se apagaram, Iniesta ainda estava lá. Provavelmente se despedindo a luz do escuro do palco que mais o viu brilhar. A casa do Barça foi também a sua casa e viu o seu surgimento, as suas maiores atuações, mas não o seu ponto mór de estrelato.

Soccer City, Johanesburgo, África do Sul. 11 de julho de 2010. O tempo regulamentar já tinha esgotado e a prorrogação caminhava para o final. Três minutos separavam a decisão da Copa do Mundo FIFA, entre Espanha e Holanda, da marca da cal. Ou melhor, três minutos separavam a decisão da Copa do decisivo Iniesta. Aos 12 minutos do segundo tempo extra, Andrés recebeu a bola na meia direita na entrada da grande área e com olhos fitos na meta, como um touro fixo na vermelha bandeira do toureiro, encheu o pé com toda fúria espanhola para encher o coração espanhol de emoção. É de Iniesta o gol da única copa da Seleção Roja.

E Iniesta só não foi além, pois alguém do além jogava junto com ele, Lionel Messi. Numa injustiça humana, sempre decidiram que Messi era o melhor jogador do planeta à frente de Ini, mas esqueciam sempre que Messi é tudo, menos do Planeta Terra.

Muitos consideram o meia o melhor espanhol de todos os tempos

Talvez sempre colocaram o argentino em um patamar acima do espanhol, pois sabiam que Iniesta nunca foi só um, foi dois. E a chave para desvendar esse segredo é o Xavi que o acompanhou desde as Canteiras da Catalunha. Era o cara naoqual Iniesta trocava as camisas 6 e 8 entre clube e seleção com a mesma naturalidade em que trocava passes no Barcelona e na Espanha. Exímio exemplo de regularidade contínua, que não dependia de camisa vestia. As metades da laranja, dois “armantes”, dois irmãos.

Mas foram mais que duas forças que se atraíram. Eram muitas. Imantado-a com a bola no pé. Cerebrais.

Sonho lindo de se ver. E nós vimos.

Iniesta, eu já tô morrendo de saudade de você.

Afinal, a final

Por Fábio Lázaro

Mohamed Salah e Cristiano Ronaldo: os dois grandes nomes da final da Champions League

Na Real, creio que até os próprios madridistas estão cansados de final. Afinal, será o terceiro ano consecutivo no qual o time merengue decide a Champions League.

Enquanto isso, em outras ruas da Europa quatro novos personagens distintos voltam a atravessar uma avenida em Liverpool. 48 anos depois, Abbey Road dá lugar a Anfield Road e John, Paul, Ringo e George dão lugar a Mané, Salah, Firmino e Klopp.

Enquanto, de um lado os brancos espanhóis estão face a face com o tricampeonato, que significaria o 13º de sua história, os vermelhos ingleses estão de volta a uma decisão continental após dez anos. E sabe o que isso significa numa final? Absolutamente nada.

No mundo da bola, a terra da rainha se rende a coroa de quem é Real e realmente joga o melhor futebol do mundo nos últimos anos. Por outro lado, nesse mesmo mundo da bola, quem é rei também perde a majestade. E se quem tem reinado na Europa é um gajo português, em 2018 um discreto menino egípcio tem escrachado o seu “Eis me aqui”.

Então, nesse miscigenado mundo da bola, onde a Espanha é liderada por Portugal, numa aversão à Tordesilhas, e que a Inglaterra, civilização inventora do futebol, se rende a uma moderna cultura egípcia, podemos entender que não entendemos nada neste planeta, que também é redondo. Nos deixamos, então, apenas sentir, neste esporte sensitivo que nunca acaba. Nem na final. Que é o ponto final de uma infinita reticências.

Afinal, é final. Afinal, é futebol!

É uma história Portuguesa, com certeza

Por Fábio Lázaro 

A torcida comemorou o exuberante futebol da Portuguesa Santista
(foto: Alberto Ferreira/Agência Briosa)

Ai, futebol. Esse exuberante futebol. Que neste primeiro semestre de 2018 foi da Portuguesa, fizesse chuva de alagar gramado de interior ou sol a pino do litoral em domingos às 10h da manhã. Desde o dia 17 de janeiro, que essa coluna nem tinha o sonho, tampouco o planejamento, de nascer, já nascia o tema do primeiro texto. 

No Canindé, no tal 17 de janeiro, a Briosa estreava no Campeonato Paulista da Série A3 empatando com o Rio Preto. Naquela ocasião, sobrou futebol, faltaram-se os gols. Esse jogo, enfim, foi mais um na página do passado e da história da Portuguesa Santista. Entretanto, foi o pontapé inicial de 24 capítulos que fizeram com que os seus atletas fossem acobertados de glória e o seu presente ficasse ainda mais fabril. 

A Fita Azul foi briosa em campos verdes do Brasil. Mesmo quando a primeira bola só foi entrar no 112º minuto em campo, o primeiro ponto só veio na segunda partida e a primeira vitória só foi garantida na quarta rodada. Demorou, mas no final chegou a hora dessa camisa provar que é pesada e seus jogadores comprovarem que têm a façanha e a bola no pé, e todos provaram.

A massa, em delírio, mais do que gritou olé, seguiu o plantel a cada dia, em Ulrico Mursa, Canindé, Itapira, Marília, Guaratinguetá, Bebedouro, Osasco, Indaiatuba, Santa Bárbara, Monte Azul, Capivari, São Carlos, Barretos e Bragança, provando pra quem diz que é uma torcida de velhos, que há juventude noite e dia. Dos jovens e crianças que vestem a camisa da Briosa. Ou da velha guarda que mesmo com a condição física desgastada é jovem de espírito para seguir a Portuguesa.

O elenco que conquistou mais um acesso para a Briosa
(foto: Douglas Teixeira/Agência Briosa)

Por fim, veio a classificação. Não veio o título. Veio o mais importante. Mas faltou o “grand finale”. Pouco importa, afinal, o seu lema é “Não desista”. 

Se a Briosa nadou, não sabemos, o que sabemos é que jogou. Também sabemos que, definitivamente, ela não morreu na beira da praia. Afinal, é no litoral que se comprovou que há resgate, ressurreição e vida. É na praia que se enxerga a Mais Briosa, a Portuguesa Santista.

O Curioso do Futebol

O Curioso do Futebol
Site do jornalista Victor de Andrade e colaboradores com curiosidades, histórias e outras informações do mundo do futebol. Entre em contato conosco: victorcuriosofutebol@gmail.com

Aceisp