2025 foi um ano especial para o Primavera. Pela primeira vez em 98 anos, o clube conquistou o acesso para a elite do futebol paulista e garantiu vaga na sua primeira competição nacional.
Sob o comando do técnico Fernando Marchiori, o Fantasma chegou em duas finais em seis meses. Além disso, o clube atingiu a sua maior sequência invicta na história, ficando 20 jogos sem perder entre a Copa Paulista 2024 e a Série A2 2025.
A solidez defensiva foi destaque. Em 39 jogos, o Primavera sofreu apenas 24 gols, chegando a 22 clean sheets (jogos sem sofrer gols). Durante a A2, a equipe alcançou o feito de ficar seis partidas consecutivas sem ser vazada.
No ataque, o Primavera teve o artilheiro da Copa Paulista, Brunão, que marcou 12 gols em 18 jogos. No total, o Fantasma balançou as redes 49 vezes, com uma média de 1,26 gol/jogo.
“Estamos há 17 meses na frente do clube, onde estamos em um trabalho em conjunto com a diretoria, funcionários, atletas, staff. Estamos crescendo muito, chegamos em duas finais, dois feitos inéditos para o clube. Também estamos negociando jogadores, crescendo, evoluindo constantemente. Então acho que foi um ano mágico, magnífico, e cada vez mais teremos desafios maiores”, comemorou Marchiori.
Neste domingo, o Brusque vivenciou uma tarde de fortes emoções e a torcida presente no Augusto Bauer demonstrou que o amor por um clube pode transcender qualquer resultado. Apesar da perda do título da Série C de 2023 para o Amazonas, em casa, a torcida brusquense deixou claro que o orgulho e o reconhecimento pelo acesso à Série B do Campeonato Brasileiro em 2024 estão acima de tudo.
Dentro do Augusto Bauer, os instantes finais da partida e o pós-jogo se tornaram um momento à parte. Em um coro uníssono, os torcedores locais aplaudiam o time e entoavam cânticos como, “time de guerreiros”, “Bruscão Ê Ô” e “O Brusque vai jogar a Série B”, em reconhecimento ao acesso conquistado pelos catarinenses e pela campanha da equipe na Série C de 2023. Além disso, parte da torcida também aplaudiu o campeão Amazonas no momento da entrega dos troféus, em um gesto de respeito e desportividade.
2023 foi um ano de superação para os brusquenses. Após ser rebaixado na Série B de 2022, o Quadricolor vivia grave crise fora de campo, com a perda de patrocinadores e a falta de dinheiro para bancar o time em 2023. Além disso, sem as cotas televisivas da Série B e patrocinador master por mais de seis meses, o Marreco sofreu com uma queda de arrecadação de mais de 70%.
Apesar disso, a direção administrou eficazmente a situação com seus jogadores, mantendo uma comunicação próxima e prevenindo que os problemas afetassem o desempenho em campo. Como resultado, o time conquistou o vice-campeonato estadual e assegurou a promoção à Série B, mesmo com atrasos salariais. A dedicação e profissionalismo dos atletas em campo foram notáveis e, também por isso, acabaram reconhecidas após o jogo de hoje.
O Ipatinga segue confirmado na elite do Campeonato Mineiro. O clube, acusado de falsificação de documentos durante o Módulo II, foi absolvido pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) de Minas Gerais nesta segunda-feira. No entanto, o estadual continua suspenso, até a decisão do STJD.
O TJD já enviou a decisão para o STJD em uma tentativa de liberar o início do Campeonato Mineiro, já que foi uma liminar do próprio Superior Tribunal de Justiça Desportiva que impede a realização do campeonato.
Apesar do Ipatinga ter sido absolvido, o presidente do clube, Nicanor Pires, recebeu uma multa de R$ 10 mil e foi afastado do cargo por 540 dias. O clube foi julgado nos artigos 234, 214 e 220A e acabou absolvido em relação à perda de pontos conquistados na última edição Módulo II. O clube, no entanto, recebeu uma multa de R$ 20 mil.
“O julgamento reconhece uma grave falsidade do Ipatinga em relação a uma aparente falsidade de documentos no registro de atletas. Contudo, a aferição de condição de jogo é um critério muito objetivo pelo regulamento da competição e diz respeito à publicação do atleta no BID. Com isso, o Tribunal não entendeu punir o Ipatinga com a perda de pontos por escalação irregular, mas reconhecendo as graves infrações cometidas, aplicou punições ao presidente do Ipatinga e multas ao clube e ao dirigente”, disse o presidente do TJD, Guilherme Doval.
A decisão cabe recurso do Betim, que deve levar o caso até a última instância. O clube está pleteando a vaga do Ipatinga na elite do Campeonato Mineiro usando como base os documentos que teriam sido falsificados pelo rival no Módulo II. No entanto, esta é a segunda vez que o tribunal decide por inocentar o Ipatinga. O Campeonato Mineiro, que começaria no próximo final de semana, segue suspenso até o momento.
Por Fernando Bassoli / Corneta Caipira Foto: Arquivo AD São Caetano
Jogadores do Azulão comemoram gol que abriu o marcador contra o Olímpia: levaram a virada
Entre 2000 e 2004, o São Caetano assombrou o futebol. Um time pequeno, do ABC Paulista, neste período, encarou os grandes do futebol brasileiro de igual para igual. Uma destas grandes campanhas do Azulão foi o vice da Copa Libertadores de 2002. Confira como seguiram as carreiras dos 11 titulares do jogo final contra o Olímpia, onde chegaram a estar vencendo por 1 a 0, no Pacaembu, mas levaram a virada (tinham ganho em Assunção) e perderam o título nas penalidades.
SILVIO LUIZ
O goleiro seguiu no clube até abril de 2006, quando se transferiu para o Corinthians. Após passagem frustrada pelo Timão, Silvio seguiu para o Vasco. Na sequência passou por clubes como Boavista, Juventude, Duque de Caxias e São Gonçalo.
RUSSO
Com passagem pela seleção brasileira, o lateral direito se transferiu para o Vasco logo após a decisão. Problemas extracampo prejudicaram a carreira do jogador que ainda passou por Spartak Moscou, Sport, Santa Cruz, Central de Caruaru, Anapolina e Brasil de Farroupilha.
DININHO
O zagueiro Irondino Ferreira Neto se transferiu para o Sanfrecce Hiroshima (Japão) em 2005, e retornou ao futebol brasileiro no ano seguinte para jogar no Palmeiras. Dininho também chegou a atuar pelo Flamengo em 2008 e passou por Santo André, Mirassol e Catanduvense.
DANIEL
Um dos homens de confiança do mister Jair Picerni, o zagueiro foi reforçar o Palmeiras na Série B do Campeonato Brasileiro de 2003. Daniel seguiu no verdão até 2006, quando retornou ao São Caetano para encerrar a carreira.
RUBENS CARDOSO
O lateral se transferiu para o Palmeiras ainda em 2002, tendo retornado ao Santos (dono dos seus direitos econômicos) em 2003. Rubens foi campeão mundial pelo Internacional em 2006 e também passou por Atlético Mineiro, Coritiba, Bahia, Sertãozinho e Jabaquara.
MARCOS SENNA
O volante se transferiu para o Villareal (Espanha) logo após a competição e permaneceu no clube por 10 temporadas. Naturalizado espanhol, Marcos disputou a Copa do Mundo de 2006 e a Eurocopa de 2008, nesta última sendo campeão. Senna ainda passou pelo New York Cosmos no fim da carreira.
ADÃOZINHO
O meio-campista José Elvino foi reforçar o Palmeiras na série B do Campeonato Brasileiro de 2003 a pedido do mister Jair Picerni. Adãozinho deixou o Palmeiras em 2004 e se tornou um verdadeiro andarilho da bola passando por mais de 10 clubes entre 2005 e 2011.
AÍLTON
Decisivo na campanha que levou o azulão a decisão da Copa Libertadores, o meia encerrou a carreira já em 2003 após passagens por América Mineiro e Santo André.
ROBERT
O meia foi contratado por empréstimo junto ao Santos para reta final da Copa Libertadores. No mesmo ano, Robert retornou ao clube do litoral para se tornar campeão brasileiro. Na sequência, Robert passou por Consadole Sapporo (Japão), Corinthians, Bahia e America do Rio.
SOMÁLIA
O atacante deixou o clube pela primeira vez em 2003 para jogar no Al Hilal e entre idas e vindas no azulão também passou por Goiás, Grêmio, Fluminense, Náutico, Brasiliense, Duque de Caxias, Princesa de Solimões, Clube Atlético Taboão da Serra, entre outros clubes.
ANAÍLSON
Talvez o grande craque do time, Anaílson guiou sua carreira de uma forma bem aleatória. Deixou o azulão em 2005 para jogar no Marília. Na sequência, passou a rodar por diversos times como o Atlético Goianiense, Interporto, União Rondonópolis, entre outros clubes.
Eli Sabiá foi vice-campeão da ISL com o Chennaiyin FC
O zagueiro Eli Sabiá defendeu o Chennaiyin FC na Indian Super League nesta temporada. A equipe teve uma campanha de recuperação e chegou à final, que foi disputada no sábado, mas acabou sendo derrotada pelo ATK por 3 a 1. No Brasil, ele passou por Santos, Paulista, Botafogo, São Caetano entre outros.
Esta foi a segunda temporada do defensor brasileiro de 31 anos no clube inidiano. Para ele, chegar até a final foi um grande feito do Chennaiyin diante do início irregular. "O nosso torcedor elogiou bastante a superação da nossa equipe. Ninguém ficou revoltado com o vice-campeonato. Muito pelo contrário. Todos exaltaram a luta que tivemos para levar a equipe até a final. Claro que entre nós fica aquela chateação de poder levantar um troféu para o clube, mas infelizmente não foi possível", afirmou Sabiá.
O Chennaiyin esteve por grande parte da competição nas últimas colocações. Nas rodadas finais, conseguiu chegar a incríveis 7 jogos sem derrota (6 vitórias e um empate) e buscou a classificação para as semifinais na última rodada.
"Nosso time teve uma crescente na competição. Foi emocionante. Chegamos nas semifinais contra o Goa, que é um dos times mais tradicionais da Índia, que foi líder em todo o campeonato. Passamos por eles nas semifinais (vitória por 4 a 1 e derrota por 4 a 2) e chegamos na final. Muitos atletas do nosso elenco ainda não tinham vivido essa experiência de chegar em uma final e isso pesou um pouco também na decisão contra o ATK", lembrou o zagueiro.
Futuro - Com o final da Indian Super League (ISL), Eli Sabiá retornará ao Brasil e aguarda para saber qual será seu futuro, já que seu contrato com o Chennaiyin é até o dia 30 de março. "Vamos aguardar. Vou voltar para o Brasil com a minha família e aguardar. Minha intenção é permanecer no clube. Gostei muito da Índia. Minha família está adaptada. O clube é muito bom para trabalhar. Mas vou esperar um contato deles e estudar junto com a família também sobre outras possibilidades", finalizou.
O time do Hespanha (hoje Jabaquara) vice-campeão Paulista de 1927 da LAF
Fundado em 15 de novembro de 1914, o Jabaquara Atlético Clube está completando 105 anos. O tradicional Leão da Caneleira, fundador da Federação Paulista de Futebol, tem algumas glórias em sua história, como os títulos da Terceira Divisão, em 1993, e da B-3, em 2002. Porém, poucos lembram que o Jabuca, em 1927, quando ainda era chamado de Hespanha, foi vice-campeão Paulista da Liga Amadora de Futebol, a LAF.
Era uma época em que se discutia a popularização do futebol e os clubes que eram a favor fundaram a Associação Paulista de Sports Athleticos (APSA, que depois, com a mudança da grafia, virou APEA). Já os que eram contra, liderados pelo Paulistano, criaram a Liga dos Amadores de Futebol (LAF). O primeiro campeonato da LAF foi em 1926 e o próprio Paulistano conquistou o título.
Em 1927, a competição da LAF teve, a princípio, 15 times. Um dos estreantes era o Hespanha, equipe de Santos, o segundo time da cidade na liga, que já contava com o Atlético. Ambas as equipes queriam seguir os passos do Santos FC, que jogava pela APSA e naquele mesmo ano seria vice-campeão.
O Campeonato Paulista da LAF de 1927 era disputado no sistema de pontos corridos, em turno único. O vencedor da partida somava dois pontos e em caso de empate, os dois times levavam um ponto cada. O favorito, mais uma vez, era o Paulistano, que já tinha nove títulos estaduais. Porém, cinco times abandonaram o torneio e foram para a APSA com os jogos em andamento (Corinthians, Independência, Taubaté, Sílex e Sírio) e, com isto, só as partidas contra os times que ficaram até o fim foram computados.
O Hespanha não começou bem a competição, já que estreou, em 17 de abril, com um empate em 2 a 2 com o Sílex. Uma semana depois, foi goleado pelo Paulistano por 4 a 0 e, em seguida, um empate em 2 a 2 no confronto citadino contra o Atlético Santista, e uma goleada sofrida para o Germânia por 6 a 2. Parecia que o rubro-amarelo iria mal na competição.
A situação começou a mudar a partir de 5 de junho, quando o Hespanha goleou o Paulista de Jundiaí por 4 a 1. O time embalou com a vitória, vindo outro 4 a 1 sobre o Antarctica, 2 a 0 na AA Palmeiras, 2 a 1 na AA São Bento, 2 a 1 no SC Internacional e 5 a 0 no Sant'Anna. No meio destes jogos houve uma goleada sofrida para o Independência, por 6 a 1, mas como o adversário foi um dos times que desistiram, o resultado não foi computado.
Ao fim, o Hespanha, nos nove jogos computados, somou 13 pontos em seis vitórias, um empate e duas derrotas, marcando 23 gols e sofrendo 16. O Rubro-Amarelo ficou apenas dois pontos atrás do Paulistano, que acabou conquistando o seu 10º e penúltimo título estadual de sua história. Mas o atual Leão da Caneleira ficou com aquele vice-campeonato.
Jogadores do Americano comemoram o título da Copa Rio 2018 (Crédito: Carlos Grevi)
Torcedores, dirigentes e jogadores do Americano sabem o quanto foi ruim e doloroso o ano de 2017. A eliminação para o maior rival na semifinal e a perda da Copa Rio serviram para uma renovação completa e a volta por cima acabou vindo já em 2018.
Logo após a derrota para o Goytacaz, em Nova Friburgo, o clube começou a sua reconstrução, atingindo seus objetivos nessa temporada, com o acesso para a Série A do Estadual e a conquista da Copa Rio, que lhe assegurou uma vaga na Copa do Brasil-2019.
Um dos primeiros atos da diretoria foi renovar o contrato de três jogadores: Espinho, Rafinha e Abuda. Hoje, os três e ainda o goleiro Patrick, outro remanescente do ano passado, comemoram a volta por cima:
"Fica um sentimento de dever cumprido. Depois de um ano triste, conseguimos alcançar as três metas que cumprimos no início do projeto, exatamente um ano após aquela derrota. Estou muito feliz de fazer história no Americano e fazer a felicidade do pessoal do CT e dos torcedores. É algo que nenhum dinheiro compra", disse o lateral-esquerdo Rafinha.
Antes de voltarem a vestir a camisa alvinegra, Espinho, Rafinha e Patrick levantaram outra taça. Emprestados ao Serra/ES, os três foram campeões capixabas. "Este ano de 2018 foi todo de superação. Não foi nada fácil o ano passado e agora conseguimos conquistar os objetivos nesta temporada. Gratidão é a palavra que explica todo este momento que estamos vivendo. Devolvemos o Americano para o lugar de onde nunca deveria ter saído", falou Espinho, que completou 12 anos de clube.
O Americano estreia na primeira fase do Campeonato Carioca dia 22 de dezembro, contra o America.
Brasiliense na final contra o Corinthians: vice-campeão da Copa do Brasil em 2002
(foto: Lance!)
Fundado em 1º de agosto de 2000, o Brasiliense teve uma ascensão meteórica no começo deste século. No ano de fundação, ganhou o Campeonato Brasiliense da segundona e no ano seguinte foi vice-campeão brasiliense da primeira divisão. Com isso, classificou-se a Copa do Brasil e a Série C. E é aí que a história começa a mudar.
O Jacaré começou a competição sem muito favoritismo. Na primeira fase, o Jacaré pegou o Vasco, do Acre, e perdeu no primeiro jogo por 2 a 1. Na volta, porém, em Taguatinga, o Brasiliense venceu por 1 a 0, gol de Xavier, para a equipe brasiliense. O time avançou para a segunda fase, onde pegariam o Náutico, time comandado a época por Muricy Ramalho. Era uma parada dura para os estreantes.
No primeiro jogo, em casa, um partidaço na Boca do Jacaré. O Brasiliense, em grande atuação de Wellington Dias, que seria artilheiro daquele time e de Gil Baiano, o Jacaré venceu por 3 a 2 e levou a vantagem para Pernambuco, para tentar bater um Náutico que seria bicampeão pernambucano ainda naquele ano. No segundo jogo, numa partida dificílima, o Brasiliense segurou o 0 a 0 e conseguiu a classificação para pegar o Confiança.
Só o fato de classificar-se diante daquele bom time do Timbu surpreendia, mas o Brasiliense queria mais. Os candangos pegaram o Confiança nas oitavas e tinham a faca e o queijo para ir mais longe. Depois de segurar o empate em 0 a 0 na cidade de Aracajú. No segundo jogo, brilhou de maneira absurda a estrela de Gil Baiano. O lateral marcou os quatro gols da goleada do Jacaré por 4 a 1. No primeiro tempo, Márcio Gaia até chegou a empatar o duelo, mas o gol do lateral do time da casa logo no começo da segunda etapa desmontou o time nordestino, que acabou demolido e justamente eliminado da Copa do Brasil.
A vítima na semifinal foi o Atlético Mineiro
Nas quartas de final, parecia que o sonho acabaria. O adversário era o Fluminense, time forte e que seria semifinalista do Brasileirão daquele ano. No primeiro jogo, em Taguatinga, a Boca do Jacaré ficou pequena para a pressão do time do Distrito Federal, que acabou vencendo por 1 a 0, gol de pênalti de Wellington Dias. Resultado reversível, certo? Errado. Nervoso, o Flu errou muito no Maracanã e o goleiro Murilo viu Wellington marcar após roubar a bola de seus pés o gol que levou o Esquadrão Amarelo para as semifinais.
O Atlético Mineiro vinha com enorme favoritismo contra a surpresa na semifinal. O primeiro jogo, no Mineirão, era tido por muitos como o dia do fim do sonho do Brasiliense. Mas se o Galo tinha Milagres em sua meta, quem alcançou a divindade naquele dia foram Wellington Dias, Gil Baiano e cia. Ainda no primeiro tempo, Gil Baiano botou o Jacaré na frente num golaço de falta. No segundo tempo, Weldon fez o segundo, após falha da defesa do Galo e Wellington Dias, sempre ele, fechou o caixão do Galo. No segundo jogo, dois gols de Wellington Dias garantiram a vaga do Jacaré, que ainda viu o Galo fazer um, que nada adiantou.
Finalista. Ninguém esperava isso daquele time, nem mesmo o próprio Brasiliense. O adversário na final era o Corinthians, considerado o melhor time do Brasil na época. No primeiro duelo, no dia 8 de maio, em um Morumbi abarrotado, Deivid botou o Timão na frente. Mas mal deu tempo do Corinthians comemorar, porque pouco depois, Gil Baiano fez uma jogadaça e Maurício empatou. A polêmica histórica dessa decisão começa aí, porque Símon, que naquele mesmo ano seria o árbitro do pênalti das oito pedaladas, não viu falta de Gil sobre Tiago, mas esse ainda é um lance interpretativo, que, porém, valeu o segundo gol do Corinthians. Pouco depois, porém, Simon ignorou pênalti claríssimo de Anderson em cima de Carioca. O jogo terminou com a vitória do Timão. Simon acabou suspenso até o Brasileirão daquele ano, que ocorreria no segundo semestre.
O segundo jogo da decisão
No segundo jogo, sete dias depois, ainda no primeiro tempo, Wellington Dias botou o Brasiliense na frente, em belíssima cobrança de falta. O resultado daria o título ao time do Distrito Federal. No segundo tempo, o Corinthians voltou bem e empatou com Deivid, artilheiro daquela competição e recordista de gols numa edição só de Copa do Brasil, com 13, recorde posteriormente batido por um tal de Neymar. Depois, Wellington Dias furou uma bola de frente com Dida. O título acabou com Corinthians, nada que tirasse o brilho da espetacular campanha do Brasiliense, que por muito pouco não acabou em título.
O auge da equipe ainda viria. O Brasiliense seria campeão da Série C em 2002 e da Série B em 2004. Na Série A de 2005, porém, acabou rebaixado após péssima campanha. Ainda foi semifinalista da Copa do Brasil em 2007, antes de passar por grande queda e hoje estar apenas na Série D. Este ano, acabou eliminado pelo Campinense, nas oitavas de final.
A torcida comemorou o exuberante futebol da Portuguesa Santista
(foto: Alberto Ferreira/Agência Briosa)
Ai, futebol. Esse exuberante futebol. Que neste primeiro semestre de 2018 foi da Portuguesa, fizesse chuva de alagar gramado de interior ou sol a pino do litoral em domingos às 10h da manhã. Desde o dia 17 de janeiro, que essa coluna nem tinha o sonho, tampouco o planejamento, de nascer, já nascia o tema do primeiro texto.
No Canindé, no tal 17 de janeiro, a Briosa estreava no Campeonato Paulista da Série A3 empatando com o Rio Preto. Naquela ocasião, sobrou futebol, faltaram-se os gols. Esse jogo, enfim, foi mais um na página do passado e da história da Portuguesa Santista. Entretanto, foi o pontapé inicial de 24 capítulos que fizeram com que os seus atletas fossem acobertados de glória e o seu presente ficasse ainda mais fabril.
A Fita Azul foi briosa em campos verdes do Brasil. Mesmo quando a primeira bola só foi entrar no 112º minuto em campo, o primeiro ponto só veio na segunda partida e a primeira vitória só foi garantida na quarta rodada. Demorou, mas no final chegou a hora dessa camisa provar que é pesada e seus jogadores comprovarem que têm a façanha e a bola no pé, e todos provaram.
A massa, em delírio, mais do que gritou olé, seguiu o plantel a cada dia, em Ulrico Mursa, Canindé, Itapira, Marília, Guaratinguetá, Bebedouro, Osasco, Indaiatuba, Santa Bárbara, Monte Azul, Capivari, São Carlos, Barretos e Bragança, provando pra quem diz que é uma torcida de velhos, que há juventude noite e dia. Dos jovens e crianças que vestem a camisa da Briosa. Ou da velha guarda que mesmo com a condição física desgastada é jovem de espírito para seguir a Portuguesa.
O elenco que conquistou mais um acesso para a Briosa
(foto: Douglas Teixeira/Agência Briosa)
Por fim, veio a classificação. Não veio o título. Veio o mais importante. Mas faltou o “grand finale”. Pouco importa, afinal, o seu lema é “Não desista”.
Se a Briosa nadou, não sabemos, o que sabemos é que jogou. Também sabemos que, definitivamente, ela não morreu na beira da praia. Afinal, é no litoral que se comprovou que há resgate, ressurreição e vida. É na praia que se enxerga a Mais Briosa, a Portuguesa Santista.
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