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O Hespanha vice-campeão Paulista da LAF em 1927

Foto: arquivo pessoal Sérgio Silveira/A Tribuna

O time do Hespanha (hoje Jabaquara) vice-campeão Paulista de 1927 da LAF

Fundado em 15 de novembro de 1914, o Jabaquara Atlético Clube está completando 105 anos. O tradicional Leão da Caneleira, fundador da Federação Paulista de Futebol, tem algumas glórias em sua história, como os títulos da Terceira Divisão, em 1993, e da B-3, em 2002. Porém, poucos lembram que o Jabuca, em 1927, quando ainda era chamado de Hespanha, foi vice-campeão Paulista da Liga Amadora de Futebol, a LAF.

Era uma época em que se discutia a popularização do futebol e os clubes que eram a favor fundaram a Associação Paulista de Sports Athleticos (APSA, que depois, com a mudança da grafia, virou APEA). Já os que eram contra, liderados pelo Paulistano, criaram a Liga dos Amadores de Futebol (LAF). O primeiro campeonato da LAF foi em 1926 e o próprio Paulistano conquistou o título.

Em 1927, a competição da LAF teve, a princípio, 15 times. Um dos estreantes era o Hespanha, equipe de Santos, o segundo time da cidade na liga, que já contava com o Atlético. Ambas as equipes queriam seguir os passos do Santos FC, que jogava pela APSA e naquele mesmo ano seria vice-campeão.

O Campeonato Paulista da LAF de 1927 era disputado no sistema de pontos corridos, em turno único. O vencedor da partida somava dois pontos e em caso de empate, os dois times levavam um ponto cada. O favorito, mais uma vez, era o Paulistano, que já tinha nove títulos estaduais. Porém, cinco times abandonaram o torneio e foram para a APSA com os jogos em andamento (Corinthians, Independência, Taubaté, Sílex e Sírio) e, com isto, só as partidas contra os times que ficaram até o fim foram computados.


O Hespanha não começou bem a competição, já que estreou, em 17 de abril, com um empate em 2 a 2 com o Sílex. Uma semana depois, foi goleado pelo Paulistano por 4 a 0 e, em seguida, um empate em 2 a 2 no confronto citadino contra o Atlético Santista, e uma goleada sofrida para o Germânia por 6 a 2. Parecia que o rubro-amarelo iria mal na competição.

A situação começou a mudar a partir de 5 de junho, quando o Hespanha goleou o Paulista de Jundiaí por 4 a 1. O time embalou com a vitória, vindo outro 4 a 1 sobre o Antarctica, 2 a 0 na AA Palmeiras, 2 a 1 na AA São Bento, 2 a 1 no SC Internacional e 5 a 0 no Sant'Anna. No meio destes jogos houve uma goleada sofrida para o Independência, por 6 a 1, mas como o adversário foi um dos times que desistiram, o resultado não foi computado.

Ao fim, o Hespanha, nos nove jogos computados, somou 13 pontos em seis vitórias, um empate e duas derrotas, marcando 23 gols e sofrendo 16. O Rubro-Amarelo ficou apenas dois pontos atrás do Paulistano, que acabou conquistando o seu 10º e penúltimo título estadual de sua história. Mas o atual Leão da Caneleira ficou com aquele vice-campeonato.

Jabaquara 101 anos - Parabéns ao Leão da Caneleira

Hespanha, Espanha e Jabaquara. Este é o aniversariante do dia!

O dia 15 de novembro é marcado por ser a data onde se comemora a Proclamação da República, feita em 1889. Já no futebol, vários clubes comemoram o seu aniversário neste dia. Os vários XVs espalhados pelo país (Piracicaba, Jaú, Campo Bom, Caraguatatuba...) e até o Flamengo (apesar de ter sido fundado em 17 de novembro de 1895, comemora no dia 15). Alguns até brincam, dizendo: "feriado? O que vamos fazer? Já sei, fundar um clube que tenha futebol entre seus esportes".

Entre os aniversariantes do dia, há um tradicional clube de Santos que completa 101 anos. Sim, é o Jabaquara Atlético Clube. Fundado em 15 de novembro de 1914, como Hespanha Foot Ball Club, no bairro do mesmo nome atual. Como a própria denominação de fundação propõe, a agremiação foi formada por imigrantes espanhóis que moravam na cidade do litoral paulista.

Santos vivia uma febre de futebol. Foi a primeira cidade fora da capital São Paulo a ter times disputando o certame estadual da modalidade: o CA Internacional e o SC Americano, ambos em 1907. Na cidade, clubes como o Santos FC (que também disputou o Paulistão em 1913) e o Atlético Santista já jogavam pelos campos do município. Todos queriam participar desta modalidade e os espanhóis também.

Gylmar no juvenil do Jabuca

Aliás, a fundação do até então Hespanha incentivou a outra colônia estrangeira da cidade a montar o seu próprio clube. Vendo um jogo do Leão no Jabaquara, um grupo de portugueses pensou: "se eles podem, porque nós não?". Exatamente três anos e cinco anos depois, a Associação Atlética Portuguesa, a mais Briosa, era fundada, tornando-se um dos principais rivais do Hespanha.

O Hespanha estreia no certame estadual, organizado pela Liga Amadora de Futebol (LAF), em 1927 e já com um vice-campeonato, perdendo o título para o Paulistano por apenas dois pontos. Com o fim da LAF, em 1929, o Hespanha só voltaria a disputar o Paulistão em 1935, mas já sem o H. No início dos anos 30, houve acordo ortográfico da Língua Portuguesa, e a palavra Espanha começou a ser grafada da forma atual. O clube, acompanhando a alteração, mudou seu nome.

Na década de 40, outra mudança. Era a época da 2º Guerra Mundial e o Brasil apoiou os Aliados, liderados por Estados Unidos, Inglaterra e União Soviética. Com isso, o Governo Federal, na época presidido por Getúlio Vargas, baixou um decreto proibindo que associações fizessem alusões aos países do Eixo em seus nomes. O Palestra Itália de São Paulo virou Palmeiras, o de Belo Horizonte mudou para Cruzeiro e o tradicional Germânia chama-se até hoje Pinheiros.

Equipe campeã de 1993

Com o Espanha não foi diferente. A diretoria resolveu adotar o nome do bairro que viu a agremiação nascer, virando Jabaquara Atlético Clube, mas sem se afastar de suas raízes espanholas. Depois disso, muitas coisas aconteceram. O Jabuca, como é carinhosamente conhecido, mudou de bairro algumas vezes, passando pelo Macuco, Ponta da Praia e Caneleira, na Zona Noroeste de Santos, onde está até hoje e construiu o seu estádio, o Espanha.

A história do Jabaquara é bela e, é claro, com muitas alegrias e algumas tristezas: as vitórias contra os rivais Santos e Portuguesa sempre foram motivos de muita festa. Os títulos Paulistas da Terceira Divisão, em 1993, e da B-3, em 2002, fizeram com quem os jabaquarenses comemorassem muito. Mas as derrotas, principalmente para os mesmos rivais, e alguns rebaixamentos, sendo o de 1963 o mais doloroso (foi a última temporada na divisão principal do futebol de São Paulo), fizeram com quem saíssem algumas lágrimas nos torcedores mais fervorosos.

Estádio Espanha, a casa do Jabuca

Mas o Jabaquara é tradicional. É importante. É clube fundador da Federação Paulista de Futebol. Já fez uma atitude sua virar bordão na Baixada Santista. Se você vai fazer algo à força, você vai 'botar o Jabaquara em campo' (conheça essa história aqui). Além disso, era o time de coração de Plínio Marcos, um dos maiores atores e dramaturgos da história do Brasil. É uma equipe que teve craques do quilate de Baltazar 'Cabecinha de Ouro', o grande Gylmar dos Santos Neves e o meia Antoninho vestindo o seu manto. Não é pouca coisa!

Pois é, amigos jabaquarenses. Podem comemorar! O seu tradicional clube do coração completa mais um ano. E não são poucos, são 101 anos. Parabéns Jabaquara!

O Curioso do Futebol

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