terça-feira, 14 de abril de 2015

“Vou botar o Jabaquara em campo!”

Mesmo com Gylmar, o Jabaquara foi rebaixado em campo

Quem diria que uma briga nos tribunais desportivos para a manutenção de uma equipe na divisão principal forneceria um belo bordão. Pois a batalha travada pelo Jabaquara Atlético Clube, de Santos, para se manter na elite do Paulistão, após o rebaixamento no certame de 1951, deixou expressões como “jabaquarada” e “vou botar o Jabaquara em campo” bastante populares na Baixada Santista por muitos anos.

Apesar de ter um elenco com jogadores de qualidade, com destaque para o goleiro Gylmar dos Santos Neves, que se transformaria em um dos maiores na posição da histaixada Santista por muitos anos. ape manter na elite do Paulistra Atlória do futebol brasileiro, o Jabaquara não fez uma boa campanha, terminando o Campeonato Paulista de 1951, vencido pelo Corinthians, na última posição, com 14 pontos, três atrás do Ypiranga da Capital, o penúltimo. Na competição, o clube da colônia espanhola fez 28 jogos, com apenas cinco vitórias, quatro empates e 19 derrotas, marcando 32 gols e sofrendo 75.

O regulamento da competição, naquele ano, previa um cruzamento do último colocado da primeira divisão com o campeão da segunda, decidindo quem jogaria na divisão principal no ano seguinte. Com isso, o Jabaquara teria que enfrentar o XV de Jaú, em melhor de 3 pontos. Na primeira partida, em Jaú, o XV meteu um sonoro 5 a 0 no Leão. Já no segundo jogo, o Jabaquara venceu, em casa, por 2 a 0, forçando o terceiro e decisivo embate.

A partida foi marcada para o Estádio da Ponte Preta, em Campinas. No primeiro tempo, o XV teve as melhores oportunidades, mas o Jabaquara conseguiu segurar o empate. No segundo tempo, logo aos 6 minutos, Guanxuma abriu o placar para a equipe de Jaú. E foi aí que começou a confusão.

Os jogadores da equipe de Santos foram para cima do árbitro, alegando que o atleta do XV estava em posição irregular. O jornal A Tribuna da época confirma a versão de que o gol teria sido impedido. Durante a reclamação, três jogadores do Jabaquara foram expulsos, o que levou o restante da equipe a se retirar do campo e o árbitro encerrou a partida com apenas uma equipe em campo.

Depois do jogo, entrou em ação um dos mais conceituados advogados de Santos na época, Antonio Ezequiel Feliciano da Silva, que chegou a ser, inclusive, prefeito da cidade naquela década. De acordo com o livro “Jabaquara dos nossos corações”, de Sergio dos Santos Silveira, Silva já havia defendido os três clubes contra o Decreto 3199 da Federação Paulista de Futebol (FPF), onde apenas os clubes da Capital poderiam disputar o Paulistão. E com a tese de que as três agremiações eram fundadoras da FPF, o Campeonato Paulista continuou tendo jogos na cidade litorânea.

Já no caso do descenso do Jabaquara, o advogado usou a tese de que a FPF não havia homologado a lei de acesso ao poder competente, no caso o Conselho Nacional de Desportos (CND), o que foi acatado por Manuel Vargas Neto, presidente do CND na época.

Página do Jabuca no álbum de figurinhas

Com a decisão em mãos, o Jabaquara disputou a elite do Campeonato Paulista de 1952 e a expressão “jabaquarada” e a frase “vou botar o Jabaquara em campo” passaram a ser usadas tendo como significado buscar direitos, brigar por alguma coisa que lhe pertence, não esmorecer diante das quedas ou, no popular, virar a mesa. A expressão foi muito popular entre as décadas de 50 e 70. Porém, até hoje é possível ouvi-la pelas ruas da Baixada.

Voltando ao futebol, o Jabaquara acabou ficando em penúltimo lugar em 1952, sendo rebaixado novamente, pedindo licença das competições. Em 1955, decidindo aumentar o número de equipes na primeira divisão, a FPF convidou todos os fundadores para disputar a elite e o Jabaquara voltou à primeira divisão, caindo em 1963. Hoje, o Jabaquara disputa a Segunda Divisão do Estado, equivalente à quarta divisão.
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