sábado, 4 de janeiro de 2020

O "11 ideal" do Palmeiras nos anos 2010

Por Fábio Lázaro
Foto: divulgação Palmeiras

Dudu foi considerado pelo autor o grande jogador do Palmeiras nos anos 2010

Os anos 2010 para o Palmeiras foi uma verdadeira "montanha russa". Apesar de ter terminado bem (ficou entre os três primeiros do Brasileirão nos últimos quatro anos) teve anos terríveis, como o rebaixamento em 2012, mesmo tendo ganho a Copa do Brasil no mesmo ano, e na volta à Série A, em 2014, escapou por pouco de outra degola.

Porém, os grandes momentos do Verdão tiveram grandes jogadores e dá para fazer um time com os melhores das últimas 10 temporadas. Assim, cheguei à este time:

Fernando Prass


Técnico, raçudo, vencedor e identificado com a torcida, Fernando Prass é a maior referência de ídolo no Palmeiras nos últimos dez anos. O goleiro chegou ao Verdão em 2013, com o Palestra recém rebaixado à Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. Além disso, tinha como missão suprir a lacuna deixada pelo ídolo Marcos, que se aposentara um ano antes. Prass fez parte da reconstrução palmeirense entre o acesso em 2013 e quase novo descenso em 2014 e os títulos da Copa do Brasil em 2015 e Brasileiros em 2016 e 2018.

Na conquista de 2015 foi fundamental e decisivo. Grandes defesas em momentos cruciais, defesas na disputa por pênaltis da semifinal e final e, ainda por cima, convertendo o pênalti derradeiro que deu o título ao Verdão. Em 2016, tornou-se o melhor goleiro em atividade do Brasil e, mesmo próximo dos 40 anos de idade, foi convocado a seleção brasileira para a disputa dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, mas se machucou às vésperas do torneio e foi cortado. Mesmo assim, atuou por praticamente metade do Brasileirão em 2016, no qual o Palmeiras foi campeão. Em 2018, esteve no elenco do novo titulo nacional, mas dessa vez sendo reserva de Jailson na primeira parte do campeonato e Weverton na segunda.

Marcos Rocha


Diferentemente de Fernando Prass, unanimidade entre os palmeirenses, Marcos Rocha é uma figura ainda controvérsia. O lateral chegou ao Palmeiras no início de 2018 com um currículo vencedor, já que fez parte do elenco titular das conquistas da Libertadores, Recopa e Copa do Brasil no Atlético-MG entre 2013 e 2014. Em sua primeira temporada no Palmeiras, Rocha foi lateral titular na Copa Libertadores que o clube chegou até a semifinal, fazendo a sua melhor campanha em 15 anos. Na conquista do Brasileiro de 2018 não foi tão fundamental quanto o seu companheiro de posição, Mayke, que devido ao revezamento dos atletas entre Libertadores e Brasileiro naquele ano foi mais ativo na arrancada decisiva do Palmeiras ao título nacional. Em 2019, assumiu a titularidade definitiva durante toda a temporada e foi um dos atleta mais regulares de um time irregular e que fechou o ano sem títulos. 

Marcos Rocha está na seleção mais pela ausência de outros grandes laterais-direitos no Verdão nos últimos dez anos do que exatamente pelos seus feitos. 

Yerry Mina


Tecnicamente o melhor zagueiro do Palmeiras nos últimos 15 anos. Alto, quase perfeito nas jogar áreas (tanto defensivas, quanto ofensivas) e com ótimo posicionamento, Mina não esteve em muitas partidas na campanha do título brasileiro do Palmeiras em 2016, mas a sua chegada arrumou a defesa palmeirense, dando segurança para o, até o então inconstante, Vitor Hugo, seu companheiro de zaga, que passou a ter uma regularidade mesmo quando Mina não jogava devido a constantes convocações e algumas lesões. Além disso, o zagueiro colombiano foi decisivo em partidas fundamentais para o título brasileiro do Palmeiras em 2016, como, por exemplo, os clássicos contra Corinthians e São Paulo.

Gustavo Gómez


Tecnicamente, o zagueiro que chegou mais próximo de Mina. Titular durante boa parte da conquista do Brasileirão em 2018, superou a carência do colombiano, que havia deixado o Palmeiras no final de 2017. Em 2019, foi o melhor zagueiro em atividade do Brasil no primeiro semestre, mas o fato dele ter desperdiçado uma cobrança na disputa de pênaltis pelo Paraguai contra o Brasil nas quartas de final da Copa América e, posteriormente, ter desperdiçado outra cobrança, dessa vez pelo Palmeiras na disputa contra o Internacional, em jogo que eliminou o Verdão da Copa do Brasil, mexeu com o seu psicólogo e o fez cair de rendimento. A queda de Gómez fez com que o time do Palmeiras, como um todo, sentisse, tamanho a importância de Gustavo Gómez em dar um equilíbrio defensivo a equipe.

Zé Roberto


Um dos grandes responsáveis pela remontagem do Palmeiras em 2015, Zé chegou ao clube com mais de 40 anos de idade e não teve o mesmo desempenho técnico como em seu começo de carreira, o seu auge pelo futebol europeu ou em sua época de seleção brasileira. Contudo, só a sua figura em campo e o seu discurso emblemático de que o "Palmeiras é grande" na primeira partida do Verdão em 2015 foram o suficiente para colocá-lo nessa seleção. 

Tecnicamente, mesmo Zé Roberto estando longe do seu melhor momento, ele fez muito dentro de campo, sendo lateral-esquerdo titular na conquista da Copa do Brasil de 2015, convertendo pênaltis nas semifinais e final e alterando lateral e meio de campo na conquista do Palmeiras no Brasileiro de 2016, afinal, quem não se lembra do golaço de cobertura marcado por Zé contra o Santa Cruz fora de casa?

Felipe Melo


Amado por muitos e odiado por outros tantos, Felipe Melo, mesmo cheio de excessos, precisa ser considerado um dos grandes atletas do Palmeiras nos últimos dez anos. O volante ao Verdão após uma vitoriosa carreira na Europa, com discurso de dar a vida em campo pelo Palmeiras, sempre honrando o discurso e, consequentemente, a camisa, dentro e fora de campo. 

Por algumas vezes realmente tomou cartões desnecessários, que prejudicaram o Palmeiras, o principal exemplo foi a expulsão contra o Grêmio no jogo de ida das quartes de final, onde ficou de fora do jogo decisivo que selou a eliminação palmeirense. Por outro lado, Felipe foi um dos grandes jogadores na conquista do Palmeiras no Brasileirão de 2018. 

Em 2019, o volante mostrou o seu lado artilheiro, com presença de área principalmente em jogadas atrás, marcando gols importantes em clássicos como contra o São Paulo e o Corinthians. Já na Libertadores, gols contra o Melgar na fase de grupas e o primeiro contra o Godoy Cruz no empate em 2 a 2 no jogo de ida das oitavas de final, quando a partida estava 2 a 0 para os argentinos. 

Marcos Assunção


Chegou ao Palmeiras em final de carreira, após fazer ótimo campeonato Paulista pelo Grêmio Barueri no primeiro semestre de 2010, sendo contratado pelo Verdão no mesmo ano. Entre o segundo semestre de 2010 e 2012, falta próximo a área do Palmeiras era sinônimo de gol de Assunção. Foram 31 gols marcados em duas temporadas e meia pelo Palmeiras, a maioria deles em bolas paradas. 

Marcos Assunção foi a principal referência técnica do Alviverde enquanto atuou pelo clube e mesmo em tempos de vacas magras foi fundamental na conquista da Copa do Brasil em 2012, dando assistência perfeita para o gol do título em uma cobrança de falta na cabeça de Betinho. 

Moisés


Fundamental na conquista do Brasileiro do Palmeiras em 2016. O contrapeso entre meio campo e ataque, atuando como segundo volante e meia armador. Foi o homem forte do esquema tático de Cuca. Nos anos posteriores, no entanto, sofreu com uma série de lesões, mas a sua regularidade enquanto esteve apto e a sua importância na conquista do primeiro brasileiro do Palmeiras em 26 anos o credencia a estar na posição, superando, inclusive, Valdívia, que mesmo amplamente superior tecnicamente, em sua segunda passagem pelo Palestra não manteve regularidade.

Gabriel Jesus


A grande revelação do Palmeiras desde Vagner Love em 2003, Gabriel Jesus atuou com destaque pelo Verdão durante duas temporadas. Antes disso, havia conquistado diversos títulos pelo Alviverde nas categorias de base. Em 2016, foi decisivo e fundamental na conquista do Brasileirão, antes de se transferir ao Manchester City, da Inglaterra. Pelo Palmeiras, também, Jesus chegou a seleção brasileira, tanto olímpica, na qual foi medalhista de ouro, quanto principal, onde se tornou camisa nove e centroavante titular com o técnico Tite.

Hernan Barcos


O Pirata atuou apenas um ano pelo Palmeiras, mas caiu nas graças da torcida em tempos de vacas magras. Chegou ao Verdão em janeiro de 2012 prometendo 28 gols na temporada, meta cumprida a risca. Foi fundamental na conquista da Copa do Brasil daquele ano, embora uma crise de apendicite tenha o tirado da decisão. No mesmo ano foi, junto com Marcos Assunção, um dos únicos a serem poupados pela torcida pela queda à segunda divisão. 

Dudu


O melhor jogador do Palmeiras nos últimos dez anos. Unindo técnica, garra, conquistas e identificação com a torcida, chegou ao Verdão já aclamado, já que o Palmeiras contratou o atleta sem nenhum alarde, dando um chapéu nos seus dois maiores rivais, Corinthians e São Paulo, que se degladiavam pelo jogador.

Em seu primeiro ano de Palestra, foi decisivo para a conquista da Copa do Brasil, marcando os dois gols do Alviverde na decisão contra o Santos no tempo normal. Em 2016, foi muito importante para o título brasileiro, mas ainda como coadjuvante de Moisés e Gabriel Jesus. Já na conquista do Brasileirão de 2018, foi o craque da competição e levou o Palmeiras nas costas. Assim como Fernando Prass, Dudu é unanimidade nessa seleção. 

Luiz Felipe Scolari


Cheio de nuances, o treinador campeão da inédita Libertadores pelo Palmeiras em 1999 teve duas passagens pelo Palmeiras entre 2010 e 2019. A primeira, entre 2010 e 2012, chegou cheio de prestígio, voltando a um clube brasileiro depois de oito anos, com uma conquista de Copa do Mundo com a seleção brasileira, uma passagem importante pela seleção de Portugal na bagagem. Na ocasião, Felipão tinha na mão um Palmeiras infinitamente inferior do que pegou em sua última passagem pelo clube, entre 2018 e 2019, mas alterou bons momentos, como a conquista da Copa do Brasil de 2012, com vexames, como a eliminação em casa contra o Goiás na semifinal da Sul-Americana de 2010 e o rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2012, no qual Scolari pulou do barco antes do fim da competição.

Em sua segunda passagem pelo Palmeiras na década, Felipão chegou sem o mesmo prestígio de 2010, depois de ter sido fundamental para o rebaixamento Alviverde em 2012 e ter comandado a seleção brasileira em seu maior vexame da história, a derrota por 7 a 1 em casa diante da Alemanha na semifinal da Copa do Mundo de 2014. Em 2018, Luiz Felipe assumiu um Verdão de maior investimento e grandes jogadores, levou o time até a semifinal da Libertadores, melhor campanha palmeirense em 15 anos e arrancando uma sequência invicita de mais de 20 jogos no Campeonato Brasileiro e sendo campeão. Em 2019, iniciou o ano do mesmo jeito que terminou 2018, com o Palmeiras voando. Mesmo com a eliminação nos pênaltis em casa na semifinal do Campeonato Paulista contra o São Paulo, o Verdão encerrou a primeira fase da Libertadores com a melhor campanha e foi o líder disparado do Campeonato Brasileiro até a Copa América. Porém, a segunda metade da temporada foi desastrosa pro clube: queda de rendimento e perda de liderança no Campeonato Brasileiro e a eliminação nas quartas de final da Libertadores foram fundamentais para a demissão de Felipão que, mesmo com duas passagens bastante irregulares, ainda foi o treinador palmeirense mais relevante dos últimos dez anos.
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