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Depois de 18 anos, Inter e Milan farão o "Derby de uma geração" na Champions League

Por Lucas Paes
Foto: Mike Hewitt/Getty Images

Último confronto entre Inter e Milan em 2005

Esta foto que abre o texto, do dia 12 de abril de 2005, é da última vez onde Inter e Milan se enfrentaram pela competição de clubes mais importante da Europa (e do Mundo). Naquele dia, o Rossonero vencia por 1 a 0, com a vantagem de 2 a 0 na ida, quando sinalizadores foram atacados no campo a 15 minutos do fim do jogo e atingiram inclusive o goleiro Dida. Jogo paralisado e vitória por 3 a 0 dos milanistas. Pois bem, depois de 18 anos, tempo de mais de uma geração crescerem, muita gente vai testemunhar pela primeira vez um Derby Della Madonnina na Liga dos Campeões e ele vale vaga na decisão.

Ninguém apostaria nesta semifinal no início da edição 2022/2023 da Liga dos Campeões da Europa. Antes do começo da competição, os favoritos eram times como Real Madrid, Manchester City, que de fato chegaram e outros como PSG, Liverpool e Bayern. Durante a temporada, foram entrando no bloquinho o Napoli e o Benfica, que curiosamente ficaram pelo caminho para a dupla de Milão. Depois de 20 anos, os dois rivais eternos voltarão a se enfrentar numa semifinal da competição.

A primeira e até hoje única vez em que Inter e Milan se enfrentaram numa semifinal europeia foi palco de uma das situações mais bizarras da história do futebol: depois de empates por 0 a 0 e 1 a 1, o Milan se classificou por, atenção: gols marcados fora de casa. (Os jogos foram na mesma cidade e no mesmo estádio). Neste ano, o gol qualificado já não existe mais na disputa pela orelhuda. Desta vez, se tivermos empate no jogo, rolarão pênaltis.

Tanto a Inter quanto o Milan derrubaram nas quartas equipes que tinham algum favoritismo contra eles. Os Nerazzurri tiveram pela frente o Benfica, que jogava um grande futebol e era de certa forma favorito e de maneira madura e concreta, bateram os portugueses dentro da Luz por 2 a 0 e empataram por 3 a 3 em Milão (venciam por 3 a 1 até simplesmente relaxarem e tomarem dois gols nos últimos minutos.). O Milan, por sua vez, pegou o Napoli, futuro campeão italiano, foi pressionado, segurou os Partenopei, venceu em San Siro por 1 a 0 e empatou por 1 a 1 no Diego Maradona para chegar até aqui. Ambos os times contaram com atuação dos seus goleiros, Onana, pelos interistas e o incrível Maingnan pelos milanistas.


Curiosamente, nenhum dos dois gigantes italianos está fazendo grande campanha na Série A. A Inter não vence há meses na competição e já esta fora do G4, enquanto o Milan também vive fase ruim e é ameaçado de sair do grupo dos quatro classificados para a próxima UCL. Independente disso, um dos dois será finalista da competição depois de muito tempo. Ambos venceram em suas últimas decisões, a Inter contra o Bayern, em 2010, naquela atuação divina de Milito e o Milan em 2007, quando se vingou do Liverpool em dia de Inzaghi (o Pippo) e venceu por 2 a 1. 

Os jogos ocorrerão em maio e até lá muita água vai rolar, mas o favoritismo nesse momento não existe. Os dois times tem equilíbrio entre si e nenhum resultado surpreenderá. O que é louvável é o fato da Itália levar um time a decisão da Liga dos Campeões depois de seis anos. Outra coisa certa: dois derbys históricos nos aguardam. 

Calhanoglu se torna mais um que troca os rivais de Milão ao fechar com a Inter

Por Lucas Paes
Foto: Divulgação/Inter

Calhanoglu acertou com a Inter

Um dos destaques da boa temporada do Milan no biênio 2020/2021, o meia turco Hakan Calhanoglu decidiu trocar os rossoneros pelos arquirrivais citadinos da Inter, atuais campeões italianos. O jogador, de contrato recentemente encerrado no lado rubro-negro de Milão, se torna mais um na história a trocar diretamente um rival de Milão por outro, algo não tão comum quanto jogadores que jogaram nos dois lados da eterna rivalidade.

Calhanoglu se tornou o mais recente de uma história longa, porém não tão comum, 38 jogadores já passaram pelos dois clubes de Milão, mas apenas alguns fizeram a troca direta de um lado para outro, ou seja, "pularam o muro". Além de Calhanoglu, outros casos recentes relativamente recentes são Seedorf, numa das negociações mais bizarras e mal feitas da história da Inter, Pirlo, Vieri e Cassano.

Essa história de puladas de muro começou ainda na década de 1910. O primeiro jogador à fazer tal percurso foi o atacante Aldo Ceverini, que trocou de lado por três vezes em sequência. Ele foi campeão italiano pelos Nerazzurri na temporada 1919/1920. Seu irmão e também atacante Luigi fez a mesma trajetória, contabilizando quatro trocas e ainda atuando pela Juventus, sendo também campeão pela Inter em 1920.

Alguns anos depois, outro que repetiu a mudança entre os rivais, porém apenas uma vez foi Giuseppe Meazza, atacante que dá nome ao Estádio San Siro. O habilidoso e matador italiano, porém, é muito mais identificado com a Beneamata. A partir de então, seriam décadas para que algum jogador trocasse novamente o lado da cidade. A situação só voltou a ocorrer em 1982. O defensor Fulvio Collovati, campeão da Copa do Mundo de 1982 e formado na base do Milan, trocou o preto e vermelho pelo azul e preto em 1982, após o segundo rebaixamento do Milan. Foi muito bem em ambos os clubes.

A próxima pulada de muro voltaria a acontecer no início da década de 1990. O célebre atacante Aldo Serena, um dos maiores ídolos da Internazionale fez entre 1985 e 1991 um salto entre os três gigantes da Itália. Em 1987, depois de dois anos na Juve, retornou para ganhar outro Scudetto na Inter, ficando em Appiano Gentile até 1991, quando se transferiu para o Milan, onde se aposentou numa passagem apagada. Ainda naquela década, o atacante Maurizio Ganz trocaria o lado nerazzurri pelo lado rossonero em 1997.

No ano de 2000, o zagueiro nigeriano Taribo West pulou o muro da Inter para o Milan, sem fazer grande sucesso no lado rubro-negro. No ano seguinte, o volante e conhecido "brucutu" Christian Brocchi, que se formou na base do Milan, trocou os interistas pelo seu clube de juventude após uma breve e esquecida passagem por Appiano Gentile. Ainda em 2001, Guly trocou o Milan pela Inter, sem conseguir grande sucesso vestindo nerazzurri, assim como o meia croata Brncic, que fez o mesmo caminho e pouco sucesso dos dois lados da cidade.

O ano de 2002 foi bem movimentado nas negociações e transferências entre os rivais de Milão. Primeiro, foi a vez de Francisco Coco, defensor que nunca se tornou o que prometia, trocar rossoneros por nerazzuris, numa negociação envolvendo inclusive o já citado Seedorf, que obviamente foi de Appiano Gentile a Millanello. O volante Dario Simic percorreu o mesmo caminho de Seedorf, enquanto Umit Davala fez o exato oposto, tudo naquele ano.


Em 2003, o ótimo lateral dinamarquês Thomas Helveg encerrou sua excelente passagem pelo Milan sendo negociado com os arquirrivais da cidade. No lado azul e preto, também foi bem, apesar de deixar o clube depois de uma temporada rumo a Inglaterra. Pouco tempo depois, em 2006, Favalli deixou o lado azul e preto, onde havia sido inclusive duas vezes campeão da Copa Itália, para jogar um último ano pelos rossoneri já no fim de sua trajetória profissional.

Nos anos mais recentes, as transferências entre os dois clubes tiveram algumas histórias curiosas. Além do já citado Cassano, outro atacante que saiu da Beneamata para o Diavolo foi Pazzini, que inclusive foi bem no Milan, mas jogou num time já decadente. Um pouco antes, Macini, que não havia agradado os interistas, foi emprestado aos milanistas e também não agradou, não deixando saudades em nenhum dos dois lados. O volante Muntari, campeão europeu pela Inter, "pulou o muro" em 2012 e foi bem em ambos os clubes, diferente de Matias Silvestre, que fez o mesmo caminho e não deixou saudades em nenhum dos dois rivais.

O Curioso do Futebol

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