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Alcides Ghiggia e sua grande passagem pela Roma

Por Fabio Rocha
Foto: arquivo

Ghiggia em sua passagem pela Roma

O autor do gol do título da Copa do Mundo de 1950, no famoso Maracanaço, completaria hoje 95 anos de vida. Alcides Ghiggia, ponta, nasceu no dia 22 de dezembro de 1926 em Montevidéu, no Uruguai, e faleceu no dia 16 de julho de 2015 (no aniversário do título). O jogador teve passagens por grandes clubes na carreira, tanto no seu país nacional, atuando pelo Penarol, e pela Itália, onde jogou pela Roma e Milan.

Depois do grande jogo de sua carreira, que é conhecido até hoje, o jogador passou a ter mais reconhecimento, merecido, por seu grande futebol. E três anos depois, foi contratado pela Roma, que havia acabado de subir após sua única passagem pela segunda divisão, e precisava de um grande jogador para formar um time que pudesse brigar. Ao lado de Giacomo Losi e do brasileiro Dino da Costa, eram os melhores jogadores do elenco, e tentavam ajudar o clube no caminho das vitórias.

Ghiggia, era um ponta atual jogando na década 1950, ele se preocupava muito em recompor a linha defensiva, ajudando a equipe, mas que tinha uma habilidade fora do comum. Diferente dos atletas antigos, ele era um cara que ajudava na criação de jogadas, com muitos cruzamentos pelo lado do campo, e com isso acaba não se sobressaindo em número de gols.

Na sua primeira temporada pelo clube, o jogador não precisou de muito tempo para se adaptar, e logo caiu nas graças da torcida. Criando muitas oportunidades para o time, começava a chamar a atenção. O ponta marcou quatro gols em seu primeiro ano na Itália.

Com a boa temporada, foi chamado para jogar a Copa do Mundo de 1954, o que poderia ser algo históricos, pois ele seria o primeiro jogador de fora do Uruguai a ser convocado, mas isso não ocorreu, pois a Roma não liberou o atleta.

Nos 8 anos jogando pelo clube (1953-1961), a melhor Roma foi a de 1955, e o jogador novamente teve destaque. O clube foi terceiro lugar do Campeonato Italiano, sendo que era algo muito difícil, pois tinha que bater a trinca de Juventus, Internazionale e Milan, mas os giallorossi conseguiram brigar na parte de cima.


A partir da sua quarta temporada pelo clube, o ponta se tornou capitão e começou a ser convocado para atuar pela seleção italiana. Ghiggia já começava a viver um momento de caminhar para o final de sua carreira, e começou a ter uma liderança muito grande dentro do clube.

Já nas suas últimas temporadas no clube, Ghiggia começou a perder espaço para Alberto Orlando. Mesmo não sendo titular absoluto, o ponta ainda pode desfrutar de um grande momento na Roma. Em seu último ano de clube, o jogador ajudou o time, junto a Juan Alberto Schiaffino, a conquistar a Taça da Cidade com Feiras, precursora da Copa UEFA, e depois da Liga Europa da UEFA. Já com 35 anos, Ghiggia saiu do clube e acabou se transferindo para o Milan.

Nem Ghiggia e Schiaffino conseguiram levar a Itália para a Copa do Mundo de 1958

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

Ghiggia e Schiaffino vestindo a camisa da Azzurra

Alcides Ghiggia e Juan Schiaffino, que completaria 95 anos neste dia 28 de julho, são dois nomes que assombram os piores pesadelos de torcedores brasileiros quando se lembram do Maracanazzo. A dupla fez os gols que construíram o maior pesadelo da história do futebol e talvez da cultura brasileira como um todo. Porém, anos depois de destruir sonhos brasucas, a dupla foi convocada pela Seleção Italiana para tentar classificar a Azzurra para a Copa do Mundo de 1958 e acabou fracassando.

Ambos na época jogavam em clubes italianos. Ghiggia caminhava para estabelecer a idolatria que tem até hoje pela torcida da Roma e Schiaffino se firmava como ídolo no Milan. Há algumas décadas a questão de jogar por seleções no futebol não era tão rigorosa. Nada impedia que alguns jogadores vestissem a camisa de duas seleções, casos que ocorreram por exemplo com nomes como Di Stéfano, Puskas, Altafini "Mazzola" e claro, com a dupla uruguaia protagonista do Maracanazzo. A Federação Italiana de Futebol (FIGC) usou de um artifício legal para naturalizar e utilizar os dois.

Schiaffino, na verdade, jogou primeiro. O Milan não queria ocupar uma vaga de estrangeiros com ele, já que contava com Liedholm e Nordahl, destaques suecos da equipe e portanto coube ao destaque da Celeste Olímpica buscar um passaporte italiano, facilitado pelo fato de ser neto de um italiano. Com isso, a Azzurra já convocou ele em 1954, para um duelo contra a Argentina, em Roma, que terminou 2 a 0. As criticas em cima do uruguaio acabaram sendo grandes e então ele só voltaria a ser convocado três anos depois.

A convocação de Ghiggia também aproveitou a dupla nacionalidade. Ambos foram chamados em um processo de renovação após os italianos serem goleados por 6 a 1 pela Iugoslávia. A disputa da vaga no mundial de 1958 era com as seleções da Irlanda do Norte e de Portugal, num triangular decisivo. Era uma missão que já testaria a dupla vestindo o azul italiano.

A estreia da na época duas vezes campeã da Copa do Mundo foi diante da Irlanda do Norte, em Roma, vencida pelos locais. A segunda partida foi diante de Portugal em Lisboa. Apenas Ghiggia estava convocado e jogou aquele duelo, onde os italianos perderam por 3 a 0. O jogo seguinte, em Belfast, contra a Irlanda do Norte terminou em empate por 2 a 2 com gol de Ghiggia e com a dupla uruguaia jogando, resultado que até era bom para a Azzurra. Os dirigentes, porém, pressionaram e o jogo acabou virando apenas um amistoso devido a arbitragem ser local. O duelo acabou sendo remarcado para janeiro de 1958. Antes dele, a Azzurra devolveu os 3 a 0 sofridos em Portugal para os lusos e chegaria a aquele jogo precisando apenas do empate.


Na última partida daquele triangular, a repetição do duelo contra a Irlanda do Norte, em Belfast, o trio de ataque da Itália foi todo sul-americano: Schiaffino, Ghiggia e o brasileiro Dino da Costa. Porém, quem surpreendeu foram os norte-irlandeses, que abriram 2 a 0. Dino diminuiu o placar no finalzinho do jogo, mas pouco depois a expulsão de Ghiggia, que vinha sendo um dos destaques da Azzurra, complicou a situação e o placar acabou deixando os italianos fora da Suécia. 

Schiaffino nunca mais defendeu a Bota e Ghiggia jogaria apenas mais um jogo, num amistoso diante da Espanha. A ausência em 1958 era a única vez na história da Copa do Mundo em que a segunda maior campeã havia ficado fora por mau desempenho nas eliminatórias, mas o "feito" acabou se repetindo em 2018.

O clássico Uruguai x Brasil, Maracanã e o 16 de julho

Por Victor de Andrade

O gol de Ghiggia, na final da Copa do Mundo, em 16 de julho de 1950

Um dos maiores clássicos entre seleções do futebol sul-americano, o confronto entre Uruguai e Brasil é um dos mais chamativos de todo o mundo. Muitos jogos entre a Celeste Olímpica e o Time Canarinho já entraram para a história e dois deles têm uma grande coincidência: foram realizados no dia 16 de julho.

O primeiro deles é uma das grandes conquistas do futebol uruguaio e uma das maiores decepções brasileiras de todos os tempos. Em 16 de julho de 1950, o Maracanã foi palco da decisão da IV Copa do Mundo, realizada naquele ano, no Brasil. E, apesar da Celeste ser bicampeã olímpica, em 1924 e 1928, e campeã Mundial em 1930, todos os prognósticos davam que o time da casa seria o campeão.

Detentor do título sul-americano de 1949, o Brasil vinha atropelando os seus adversários no quadrangular final daquele Mundial (sim, não teve uma final, quatro times decidiram o título jogando entre si): 7 a 1 na Suécia e 6 a 1 na Espanha, enquanto o Uruguai não passou de um empate em 2 a 2 com os espanhóis e uma vitória suada por 3 a 2 sobre os suecos. Porém, em ambos os jogos, os uruguaios chegaram a estar atrás no marcador.

Naquele 16 de julho, o Brasil, que jogava pelo empate para ser campeão, saiu na frente com Friaça, no início do segundo tempo. Porém, Juan Schiaffino e Alcides Ghiggia viraram o jogo para os uruguaios, que conquistaram o segundo título mundial.

Em 16 de junho de 1989, Romário marcava o gol do título na Copa América

Passados 39 anos, o Maracanã foi palco de outra decisão entre Brasil e Uruguai e, apesar de ser uma competição menor, mas ainda assim tradicional, a Copa América, o formato para definir o campeão era similar: o quadrangular. E no dia 16 e julho, brasileiros e uruguaios se enfrentaram no Estádio Mário Filho para ver quem seria o campeão com campanhas similares: venceram o Paraguai por 3 a 0 e a Argentina por 2 a 0.

Só que o final da história no dia 16 de julho de 1989 foi diferente do que em 1950. Apesar de um jogo difícil, truncado, aos 4 minutos do segundo tempo, Romário, de cabeça, se antecipando à zaga uruguaia, marcou o gol do título brasileiro, que naquele momento era apenas o quarto na Copa América.

Para encerrar o envolvimento da data 16 de julho, em 2015, aos 88 anos de idade, falecia, em Montevidéu, Alcides Ghiggia, o autor do gol do título mundial uruguaio exatamente 65 anos antes. É incrível como esta data cruza com a história dos dois gigantes do futebol mundial.

O Curioso do Futebol

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