As consequências da Tragédia de Heysel para o futebol

Por Lucas Paes
Foto: The Telegraph

Heysel foi uma tragédia histórica no futebol europeu

A tragédia de Heysel foi uma das piores catástrofes envolvendo o futebol na Europa. Numa época onde o hooliganismo ainda aflorava no Velho Continente e onde as torcidas eram muito mais violentas, o duelo entre Liverpool e Juventus causou preocupação pelos dois lados, mas naquele 29 de maio de 1985, tanto a desorganização quanto a selvageria dos torcedores dos Reds causaram 39 mortes e incontáveis vítimas de ferimentos no Estádio de Heysel, em Bruxelas. Obviamente, o ocorrido mudou o futebol europeu.

Tudo começou a dar errado quando o setor que estava planejado para ser destinado apenas a torcedores dos Reds, acabou tendo torcedores dos dois times. Os hooligans do Liverpool partiram pra cima da torcida bianconera com barras de ferro. Acuados, os torcedores se amontoaram causando a queda de um muro, que foi o principal causador das 39 mortes ocorridas na ocasião. Obviamente a situação gerou consequências enormes, principalmente no futebol inglês.

A primeira das consequências foi futebolística mesmo. Os times ingleses ficaram suspensos por cinco anos da Liga dos Campeões da UEFA e o Liverpool acabou punido por seis anos, numa época onde era o melhor time da Inglaterra e um dos melhores do continente. Inicialmente a punição era inclusive indefinida, mas foi retirada em 1990. Obviamente essa não foi a única consequência do ocorrido, que teve investigações criminais e prisões na terra da rainha, por exemplo. 

Um fator pouco levado em conta no inquérito e que não exime a culpa dos torcedores foi a estrutura precária do estádio de Heysel, atestada por oficiais ingleses que foram ao local. Porém, a UEFA levou isso em conta e passou a exigir maior estrutura dos estádios que recebiam finais da Liga dos Campeões, ainda que não fosse algo sequer comparável aos padrões atuais. Apenas nos anos 2000 foi criada a classificação que é usada hoje para os locais que recebem os jogos da competição, dividindo os estádios por estrelas.


Na verdade a consequência maior para os estádios foi mesmo na Inglaterra, O país começou a ter padrões mais rigorosos de segurança com relação a quem frequentava os jogos, mas muito ainda deixava a desejar. Foi só depois da tragédia de Hillsbrough, onde morreram 96 torcedores, que regulamentações mais sérias foram impostas. Nesse caso, porém, a torcida do Liverpool levou a culpa por mais de 20 anos sem ter na verdade culpa nenhuma pelo acidente, causado por negligência da segurança. Hoje já se discute o safe-standing nos estádios ingleses, que passaram naquele momento a exigir torcedores sentados, mas a maior parte das mudanças foram muito bem vindas.

A nível europeu, ainda demorou muito para haverem regras mais severas tanto de segurança nos estádios quanto para punições a torcedores brigões. Em 1995, neonazistas ingleses causaram problemas na Irlanda em um duelo entre as seleções dos países e em 1998 ocorreram muitos problemas de violência em plena Copa do Mundo. A Europa, como um continente, só passou a adotar medidas mais rígidas para estádios e brigões a partir da Eurocopa de 2000.

Por fim, o Estádio de Heysel ficou uma década sem receber jogos de futebol antes de ser reformado e praticamente reconstruído do zero. Hoje o local se chama Rei Baudouin e tem qualificação quatro estrelas pela UEFA, o que acaba não permitindo finais de Liga dos Campeões no local, mas permite finais da Copa da UEFA, por exemplo. Em 2000, chegaram a ser disputados duelos da Eurocopa no local, com destaque para a semifinal entre França e Portugal.
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