quinta-feira, 19 de março de 2020

Os 10 maiores jogadores que vi jogar

Foto: André Simões Louro

El Pibe de Oro: o melhor que viu jogar para André Louro

Ontem, escrevi sobre os 10 melhores times de futebol que vi jogar para o site O Curioso do Futebol e logo em seguida fui desafiado pelo jornalista Victor de Andrade, editor do veículo, a escrever sobre os 10 melhores jogadores que vi jogar. Desafio aceito.

Considerando que nasci em 1975, falo a respeito dos últimos 40 anos e mesmo assim, desde já, peço todas as escusas e perdões pelo cometimento de enormes injustiças, às quais, certamente esteja cometendo, até porque escolher é perder.

Na esteira das desculpas, inicio dando uma notícia que explica muitas de minhas escolhas. Sou flamenguista e sendo assim o nome Zico representa muita mais do que um grande jogador de futebol. É quase uma religião e, portanto, não seria nada estranho imaginar que o primeiro de minha lista fosse o Galinho de Quintino, mas tive a sorte de assistir Dom Diego Armando Maradona e não seria justo com minhas lembranças e mesmo com o que penso sobre o futebol se deixasse de relacionar o craque argentino como o número 1 de minha lista. El Pibe de Oro, para além de ser, de longe, o mais hábil futebolista que talvez tenha existido, tinha muita garra, força, vontade, velocidade e muito, mas muito sangue nos olhos. Minhas melhores lembranças de garoto, a teor do bom futebol jogado no mundo foi ter a oportunidade de assistir ao campeonato italiano, aos domingos, no Show do Esporte de Luciano do Valle, numa época em que o Napoli de Diego não resistia à poderosa Juventus, Milan e Internazionale de Milão, especialmente, mas para os amantes do esporte, a cereja do bolo era assistir aquele Napoli dos amigos Maradona e Antonio Careca, quem, por tantos anos vestiu a 9 amarelinha. Era simplesmente fantástico.

Em segundo lugar, portanto, evidente que relaciono o Galo. Zico jogou demais por àquela equipe exuberante do Flamengo dos anos 80 e por uma seleção que não jogava futebol. Eles se apresentavam. Naquela Copa do Mundo de 1982 o mundo chorou a desclassificação daquela que foi, sem sobra de dúvidas a melhor seleção que vi jogar, onde Valdir Peres no gol e Serginho Chulapa no comando do ataque destoavam tecnicamente, mesmo sendo grandes jogadores. Jogavam por música, Falcão, Rei de Roma, Sócrates, Zico e Éder na linha do meio campo com o ataque. Esse grupo tinha Zico como liderança técnica, mesmo porque o capitão e a voz do grupo era o Dr. Sócrates, de quem falarei mais adiante. Zico, a exemplo de Maradona, tinha todos os golpes, chutava de todos os lados, cabeceava, batia faltas como poucos ou como nenhum outro, armava, concluía, enfim, craque completo, aliás, não seria nada injusto se relacionasse Zico em primeiro lugar utilizando o método Pepe de análise. Como todos sabem, Seo Pepe, o Canhão da Vila diz a todos ter sido o maior artilheiro da história do Santos futebol Clube com 405 gols marcados, uma vez que só perde para Pelé que marcou 763 pelo Clube da Vila Belmiro, já que em sua visão só vale considerar os humanos e Pelé é um extraterrestre. Penso que o mesmo caberia por aqui em relação a Maradona porque só assim conseguiria eleger o craque flamenguista em primeiro lugar.

Na terceira posição, Michel Platini. A classe, a técnica, o olhar muito além dos demais fizeram do francês tanto na Juventus como na seleção francesa um jogador fantástico, um fora de série, aliás, os craques da Juventus me presentearam com duas das piores recordações de Copas do Mundo, 1982 e 1986, Paolo Rossi e Michel Platini, com as desclassificações do Brasil pra Itália e França, respectivamente, em jogos indigeríveis. Tempos depois, outro craque da Juventus jogando pela França repetiria tal façanha, Zinedine Zidane na Copa de 1998, quando era inimaginável que a seleção brasileira do craque Ronaldo caísse para a França de Zizu e companhia.

Em quarto lugar, Romário, o gênio da grande área, como bem definiu Hendrik Johannes Cruijff, a quem só assisti jogar por vídeos, razão pela qual não está nessa lista dos 10 maiores. O Baixinho, hoje senador da República, em campo, fazia gols de todo jeito. Foi o maior goleador que assisti. Tinha excelente técnica, mas gostava de fazer gols mais do que qualquer outro jogador e sabia fazer como ninguém soube e por isso é o quarto de minha lista, seguido de perto por Ronaldo Nazário, Fenômeno, talvez o jogador de futebol que mais tenha se aproximado de Pelé em razão de ser um jogador, efetivamente, completo e com mais força que os demais, mais velocidade, mais técnica, faro de gol. Enfim, Ronaldo só não foi maior devido às contusões que lhe roubaram boa parte da carreira.

Em sexto lugar, Lionel Messi. Se alguém me contestar dizendo que ele seria o primeiro da lista não discutirei. Por mais de uma década, o argentino do Barcelona se mantém num patamar absurdo. É outro que detém todos os instrumentos, todas as armas e impõe sua condição de fora de série. Talvez lhe falte o sangue nos olhos de Maradona ou a classe de Michel Platini ou ainda, o carisma de Zico, mas definitivamente Messi, juntamente com Cristiano Ronaldo são os grandes craques de uma geração. E, sendo assim, não seria justo se o sétimo lugar nessa lista, ou seja, logo ao lado de Messi, não fosse ocupado por ele, o gajo Ronaldo.


O português, certamente é o maior atleta de todos, disciplinado e dono de uma carreira impecável. Mesmo sem a habilidade ou o dom dos demais em pentear a bola ou produzir jogadas de efeito raras, é matador, é impositivo e não deixa de ser genial marcando gols de todos as formas e sendo o comandante de um Real Madri mais dominante de todos os tempos, levando uma seleção portuguesa ao topo, como campeã da uma Eurocopa, façanha que poucos poderiam crer e aos 35 anos de idade, no melhor de sua forma física fazendo da Juventus de Turim ainda maior e mais dominante do que já era. CR7 é daqueles futebolistas que joga para a equipe, lidera como poucos e destaca individualmente indiscutivelmente. Um jogador bestial.

Na oitava posição outro francês, aliás, já mencionado, Zinedine Zidane, para muitos, o maior jogador de sua geração. O atual técnico do Real Madri desfilava seu futebol com muita classe, sem deixar de lado muita força no pé de ferro aliada à sua singular habilidade e visão de jogo. Vilão do povo brasileiro por sua atuação impecável na Copa de 98, Zidane jogava de terno. Na nona posição, relaciono Ronaldinho Gaúcho, o Bruxo, nos anos de 2004 e 2005 jogou um futebol tão superior a qualquer outro jogador no planeta que se tivesse jogado por mais tempo nesse nível, certamente seria relacionado muito mais acima. O R10 foi o jogador que mais se aproximou de Diego Maradona. Encantou o mundo e depois resolveu curtir, diminuindo assim a importância da carreira em relação aos demais prazeres da vida. Ronaldinho jogou um outro jogo. Ele se apresentava, dava espetáculo e foi ídolo e referência de Lionel Messi e tantos outros craques, representando sua passagem por Barcelona, um divisor de águas na história do catalão.


Em décimo lugar, Sócrates. Jogava fácil. Fazia parecer ser fácil a arte do futebol. Se Zidane jogava de terno, Magrão jogava de smoking, de fraque. Tinha a classe de um Lorde em campo e fora dele falava a língua do povo, cujo bem estar era sua maior preocupação. Defendeu a liberdade de expressão e a democracia numa época em que tais defesas implicava em mortes e desaparecimentos. Discursou sobre a igualdade e foi muito mais do que um jogador de futebol. Foi o grande nome da Democracia Corinthiana e um dos grandes defensores do movimento Diretas Já no final do Regime Militar, no Brasil.

Sócrates Brasileiro rompeu fronteiras. Deu um calcanhar na ignorância, formou-se médico e foi um dos maiores jogadores de futebol da história, mesmo sem ser atleta. Bebia, fumava, tinha uma vida bastante desregrada, mas em campo era o Doutor Sócrates do Botafogo de Ribeirão Preto, do Corinthians, da Fiorentina, do Flamengo, do Santos, da Seleção Brasileira. E, como cidadão, como pensador, como ser humano, eu o relacionaria em primeiro dessa lista, deixando os demais muito distantes, data máxima vênia.

Estão aí meus 10 maiores da história.
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