sexta-feira, 21 de junho de 2019

Botafogo campeão carioca de 1989 - O fim do jejum da Estrela Solitária

Com informações do site oficial do Botafogo
Foto: divulgação

Maurício marcando o gol que tirou o Botafogo da fila

Foram anos de sofrimento. Após a conquista da Taça Brasil de 1968 – efetivamente vencida em 1969 – a fonte secou. O Botafogo até levantou alguns troféus em competições amistosas nacionais e internacionais, mas a torcida sentia falta de títulos oficiais. E apenas em 1989, mais precisamente no dia 21 de junho, os botafoguenses reencontrariam a paz de espírito.

Com uma campanha excelente, o Botafogo terminou a Taça Guanabara invicto – mas por conta de um empate a mais, acabou vice para o Flamengo. Mas a torcida não se incomodou. A campanha do segundo turno foi ainda melhor, e o clube conquistou a Taça Rio, também invicto. E por ter a melhor campanha geral, foi com vantagem para as finais contra o Rubro-negro.

O Estadual seria decidido em até três jogos. O clube que fizesse mais pontos ao final da série levaria o título, e o Botafogo entrava na decisão com um ponto já garantido, a citada vantagem. Caso um time fosse matematicamente campeão em duas partidas, a terceira seria cancelada.

Em 18 de junho, um domingo, alvinegros e flamenguistas fizeram um jogo truncado, sem gols, deixando a pontuação da fase final em 2 a 1. A segunda partida seria disputada já na quarta-feira seguinte, e se o Botafogo vencesse abriria três pontos de vantagem na tabela e seria o campeão. Um empate levaria a decisão para domingo, com vantagem de novo empate para o Alvinegro, e uma vitória flamenguista obrigava o clube a vencer a terceira partida. Um sofrimento de décadas estava em jogo.

O jogo - O Maracanã recebeu um público pequeno demais para o tamanho do jogo – nem 70 mil pessoas. A presença dos torcedores em estádios já vinha encolhendo desde 1988, quando as partidas passaram a ser transmitidas ao vivo pela TV, e também era influenciada pela crescente violência das torcidas organizadas. Para se ter uma noção do impacto da televisão na assistência, basta dizer que a final de 1987, entre Flamengo e Vasco, recebeu 115 mil pagantes, e a de 1988, entre os mesmos times, apenas 32 mil.

O jogo foi nervoso, amarrado, com duas equipes muito cautelosas e poucas chances de gol. O Fla, ligeiramente melhor, conseguiu levar algum perigo ao gol de Ricardo Cruz em chutes de Alcindo e Zico, de fora da área, ou na cabeçada venenosa de Bebeto, salva com dificuldade pelo goleiro alvinegro. O Botafogo nem isso: não deu um mísero chute na direção do gol no primeiro tempo. Parecia mesmo que os dois times deixariam a decisão do título para domingo.

A segunda etapa começou de forma parecida. O Flamengo teve outra boa chance com Zico, que cobrou falta com categoria, em bola que passou tirando tinta do travessão. Mas a saída do veterano Galinho, aos 10 minutos, foi a senha para a maré do jogo mudar a favor do Botafogo. Dois minutos depois, em contra-ataque rápido, Mazolinha cruzou para Maurício, que deu um leve chega-pra-lá em Leonardo e emendou de primeira: 1 a 0 para o Botafogo. Ainda faltava mais de meia hora para o fim da partida, mas naquele momento todo botafoguense soube que era aquele o gol do título, o gol do alívio.

As circunstâncias numerológicas, astrais, místicas ou o que mais possam ser chamadas já foram exploradas à exaustão em inúmeras crônicas sobre o jogo, mas sempre merecerão ser lembradas: após (quase) 21 anos sem títulos, num dia 21, aos 12 minutos (21 ao contrário), com 21 graus de temperatura marcados no placar eletrônico, no 21º cruzamento, feito pelo camisa 14 para o camisa 7 (14+7=21), o Glorioso fez o gol do campeonato. E vai explicar para os torcedores botafoguenses, tomados pela loucura naquela noite memorável, que era só coincidência? Perda de tempo.

O Campeonato Estadual de 1989, talvez o título mais querido da torcida, já entrara na história. O Botafogo estava de volta ao seu lugar.
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