terça-feira, 5 de julho de 2016

Um facão chamado Copa América Centenário

Tata Martino, Dunga, Ramón Diáz e Baldivieso não seguem mais em seus times

Faz mais de uma semana que a Copa América Centenário, realizada nos Estados Unidos e conquistada pelo Chile, terminou. Porém, os resultados na competição ainda vêm causando mudanças nos comandos técnicos das seleções. Depois de Dunga (Brasil), Julio Cesar Baldivieso (Bolívia) e Ramón Diaz (Paraguai), o treinador da equipe vice-campeã do torneio, a Argentina, Tata Martino, pediu demissão na manhã desta terça-feira.

Talvez o técnico menos culpado de todos que caíram com o resultado da Copa América seja o argentino que dirigia o Paraguai, Ramón Diaz. Acostumados a brigarem com as três grandes seleções do continente, a Albirroja vive uma péssima fase. Como não consegue revelar grandes jogadores, o time paraguaio é formado por atletas veteranos e outros de qualidade duvidosa. Ramón Diaz assumiu no final de 2014 para tentar, ao menos, dar padrão de jogo para a equipe. Como não conseguiu na Copa América e também vem mal nas Eliminatórias, pediu demissão.

Ramón Diaz não está mais a frente do time paraguaio

Outro também que não tinha muito o que fazer era Julio Cesar Baldivieso, ex-treinador da Seleção Boliviana. Atualmente, a Bolívia tem o futebol mais fraco da América do Sul, talvez pior até do que o da Venezuela (que também não vem bem, é verdade). Além disso, se não fosse a altitude, a Bolívia estaria em uma situação ainda pior nas Eliminatórias. O desempenho na Copa América Centenário só foi a gota d'água para Baldivieso pedir o boné.

O primeiro a cair de sua seleção foi Dunga. O capitão da Seleção Brasileira campeã em 1994 assumiu pela primeira vez o time em 2006 e até fez boa campanha até a Copa do Mundo de 2010, quando caiu nas quartas diante da Alemanha. Alguns, ali, até defendiam sua continuação, o que não ocorreu. Dunga reassumiu o escrete canarinho depois da vergonhosa derrota para a Alemanha, por 7 a 1, no Mundial de 2014.

Dunga foi demitido do comando da Seleção Brasileira

Já na sua primeira passagem na Seleção, Dunga já havia se mostrado um técnico sem muitos artifícios. Porém, ele montou um esquema onde o time tinha um contra-ataque mortal (e ganhou diversos jogos assim, inclusive batendo Argentina, Uruguai e Chile fora de casa nas Eliminatórias para 2010). Desta vez, nem isto apareceu e a única apresentação convincente foi a vitória sobre a França, em amistoso realizado no início de 2015. A péssima campanha no Qualificatório para a Copa de 2018 e os resultados das duas Copas Américas foram cruéis para a demissão dele. Tite já foi contratado para o seu lugar.

Para terminar, falamos de Tata Martino. Ele assumiu a Seleção Argentina após a Copa do Mundo de 2014, quando a Albiceleste foi vice-campeã. Martino vinha de uma má experiência no Barcelona, após vencer tudo em seu país. Tá certo que a Argentina ainda está claudicante nas Eliminatórias, mas em alguns jogos apresenta o fino da bola, muito por causa de seus jogadores.

Tata Martino não resistiu e pediu demissão

O problema na Argentina é a pressão. Fora as duas medalhas de ouro Olímpicas (2004 e 2008), a Seleção Principal Argentina não conquista um título desde a Copa América de 1993. E isto não pesou apenas em Tata Martino. Lionel Messi anunciou a aposentadoria da Albiceleste e deve ser seguido por outros atletas. Com tudo isto, o treinador se viu sem chão e pediu demissão.

Quem será que assume a Seleção Argentina? Nomes não faltam e há até um consenso de que os argentinos têm uma ótima geração de treinadores. Porém, a AFA passa por uma enorme crise e os jogadores já mostraram que estão descontentes com o problema. Quem vai encarar?
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