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As ligações das torcidas de Futebol e o Carnaval paulistano só crescem

Por Lula Terras
Foto: Reprodução Rede Globo

Carro abre-alas da Mancha Verde, a vencedora do Carnaval paulistano de 2019

Terminada mais uma edição do Desfile das Escolas de Samba, de São Paulo, o título, inédito foi para a Mancha Verde, ligada a uma torcida organizada do Palmeiras, apoiada pela Crefisa, que também patrocina o clube. O resultado traz de volta a discussão sobre ser positivo ou não a iniciativa das torcidas organizadas, se tornarem, também, em escolas de samba e sobre o risco que isso pode acarretar. 

Para reforçar a tese, tivemos a Dragões do Tricolor, ligada ao São Paulo, em 2º. Lugar, e o rebaixamento de uma das mais premiadas agremiações carnavalescas paulistana, no caso, a Vai Vai, Com isso, a agremiação, que é a mais vitoriosa do Carnaval de São Paulo, com 15 títulos conquistados, em 89 anos de história, irá disputar em 2020, no Grupo de Acesso,situação muito triste para integrantes e simpatizantes da Escola que fica no bairro do Bexiga, em São Paulo. 

Em 2017, coloquei essa preocupação no site O Curioso do Futebol, sob o título: “Carnaval e Futebol – Duas paixões que podem fazer uma mistura perigosa”. Naquela oportunidade foi colocado o risco do enfraquecimento de agremiações tradicionais do Carnaval, que teria que dividir a preferência dos foliões, com os grandes clubes de futebol. 

Outra preocupação colocada é o risco da violência, que já vitimou inúmeros torcedores de futebol, se torne presente, também no Carnaval. Felizmente, por enquanto, ainda não se tem registro de qualquer confronto entre integrantes dessas escolas de samba. Para que continue assim, devemos cobrar das autoridades, dirigentes, medidas preventivas, e dos integrantes, que haja com civilidade, para não estragar o carnaval dos outros. 

Uma vez que essa ligação está presente e dificilmente deixará de existir, vamos torcer para que, as paixões clubisticas no carnaval se limitem a atingir o objetivo para a qual foram criadas, promover divertimento e lazer para seus integrantes. Que sejam competitivos, mas com respeito ao espaço dos demais concorrentes, enfim que entendam que, o Carnaval é para todos.

O futebol na avenida - As torcidas no carnaval paulistano

Todos os grandes de São Paulo têm representantes na avenida

Apesar do Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro ser o mais famoso do mundo e já ter tido diversas apresentações com o futebol como tema, é em São Paulo que Futebol e Escola de Samba têm uma relação mais forte. Tudo porque várias torcidas organizadas da capital paulista mantém um setor exclusivo para o tema e já desfilam a alguns anos.

Tudo começou com as torcidas desfilando no grupo de Blocos Especiais, ainda na década de 70. A Gaviões da Fiel tornou-se, rapidamente, a dominadora dos títulos e, em 1988, tomou a decisão de virar, de vez, Escola de Samba. O sucesso dos corintianos no desfile, pois conquistou o primeiro título do Grupo Especial já em 1995, incentivou as outras torcidas, que também desfilavam como bloco, a virarem escolas de samba.

A relação entre as torcidas organizadas e as escolas de samba tradicionais nem sempre é amistosa. Algumas agremiações que se dedicam apenas para o carnaval alegam que as torcidas trazem muita confusão e violência para os desfiles. Realmente eles têm motivos para a afirmação, já que aconteceram brigas entre as torcidas no carnaval e atos de vandalismo, quando não aceitam a derrota. Porém, já vimos cenas que até diretores das escolas tradicionais tomaram atitudes violentas, como em 2012.

Entre 2006 e 2007 chegaram a criar até uma apuração separada, chamada de Desfile das Escolas de Samba Desportivas, onde só a Mancha Verde participava, já que a Gaviões da Fiel, através de liminar jurídica, participava da contagem de notas com as outras escolas.

Diretores das escolas de samba ligadas às torcidas organizadas alegam que já sofreram retaliações e foram prejudicadas em algumas avaliações de desfile e, por isso, a reação dos membros. A Gaviões mesmo já ameaçou sair do carnaval de São Paulo, mas sempre voltou atrás. E este problema, por incrível que pareça, se refletiu no Rio de Janeiro. Só para se ter uma ideia, a Força Jovem do Vasco tentou entrar nos desfiles, mas logo abortaram a ideia, pois os diretores sentiram que seriam boicotados pela organização que comanda o carnaval carioca.

Porém, depois do desfile de 2012, onde houve uma grande confusão, a relação entre as escolas tradicionais e as torcidas organizadas melhorou. Vamos conferir quais torcidas participam do carnaval de São Paulo:


Gaviões da Fiel


Foi a primeira torcida organizada a entrar no desfile das escolas de samba, após dominar o desfile de blocos entre 1976 e 1988. Os corintianos têm quatro títulos no Grupo Especial (1995, 1999, 2002 e 2003) e três no Acesso (1991, 2005 e 2007). Atualmente, não demonstra a mesma força da década de 90 e início dos anos 2000, mas atualmente é figura carimbada nos desfiles da divisão principal.


Dragões da Real


A Dragões da Real, segunda maior torcida organizada do São Paulo FC, criou seu departamento de Escola de Samba em 2000 e veio conseguindo vários acessos. Foi campeã em 2001 (Grupo 4), 2003 (Grupo 3), 2004 (Grupo 2) e 2011 (Acesso), além de vice em 2005 no Grupo 1. Estreou no Grupo Especial em 2012 e vem sendo, atualmente, a torcida com melhor desempenho na principal divisão do carnaval paulista.


Mancha Verde


Os palmeirenses começaram no carnaval paulistano em 1996, como bloco, e estrearam como escola de samba em 2000. Conquistaram os títulos de 2001 (Grupo 2), 2002 (Grupo 1) e 2004 (Acesso). Atualmente, a Mancha está em um sobe desce entre os grupos Especial e Acesso. Neste último é onde desfila em 2016.


Independente


A maior torcida organizada do São Paulo entrou no carnaval no início dos anos 2000, como bloco. Porém, após uma confusão entre eles, Pavilhão 9 e Mancha Verde, foram excluídos pela UESP. Voltaram em 2009, incorporando a Escola de Samba Mamelungos foram campeões em 2010 (Grupo 4), 2013 (Grupo 2) e 2014 (Grupo 1). Desfila este ano no Grupo de Acesso.


Torcida Jovem


A Torcida Jovem do Santos estreou no carnaval paulista em 1979, como bloco, conquistando os títulos desta divisão em 1988, 1990, 1991, 1996 e 1997. Só estrearam como escola de samba em 2003 e conquistou o título do Grupo 3 no ano seguinte. A Jovem chegou a estar no Grupo de Acesso em 2011 e atualmente disputa o Grupo 1.


Camisa 12


Os corintianos da Camisa 12 estrearam no carnaval paulistano em 1997, no Grupo de Espera, conseguindo o título. Também foram campeões em 1998 (Grupo 3), 1999 (Grupo 2), 2001 (Grupo 1), 2003 (Grupo 1), 2010 e 2012 (ambos no Grupo 2). Atualmente, a escola está no Grupo 2, após ter sido rebaixada no ano passado.


TUP


A Torcida Uniformizada do Palmeiras foi a última das escolas ligadas aos clubes de futebol a estrear na avenida. Isto aconteceu em 2009, quando conquistou o Grupo de Espera. Após acessos e descensos, a TUP, atualmente, está no Grupo 4, a última divisão das escolas de samba de São Paulo.


Pavilhão 9


A torcida corintiana estreou no carnaval paulistano em 2005 como bloco carnavalesco especial e, até hoje, não se aventurou como escola de samba. Conquistou o título dos blocos especiais em 2014 e foi vice em 2013.

O Curioso do Futebol

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